Juntos e Misturados (Blended)

Juntos e Misturados (Blended), comédia de Frank Coraci, 2014.

Enredo: Jim (Adam Sandler) é viúvo e tem três filhas (Bella Thorne, Emma Fuhrmann e Alyvia Alyn Lind), que trata como meninos, por falta total de habilidades maternas. Lauren (Drew Barrymore) deixou o marido (Joel McHale) que a traiu e perdeu totalmente o controle sobre seus dois pestinhas adolescentes (Braxton Beckam e Kyle Red Silverstein). O primeiro encontro às escuras é um desastre e tanto Jim como Lauren querem ir o mais rapidamente possível para casa. Mas um par de cartões de crédito trocados os coloca novamente juntos, e desta vez eles vão parar num paradisíaco hotel temático sulafricano, que se propõe a colocar mais tempero na vida dos casais que para lá vão passar uma semana.

Lauren precisa de uma figura paterna que tenha tempo e conhecimento das necessidades masculinas, para disciplinar seus selvagens. Já Jim precisa de alguém que supra a figura da esposa falecida e consiga fazer com que suas meninas pareçam realmente meninas. Talvez dê certo esta vez para nossa dupla. Talvez…

Avaliação: Frank Coraci, figurinha carimbada quando se trata de dirigir Adam Sandler, já dirigiu a o ator e Drew Barrymore em “Afinados no Amor”, de 1998, que me divertiu muito e em revelou o humor de Sandler. A dupla também trabalhou junta no ótimo “Como se Fosse a Primeira Vez”, de 2004, que tratava de maneira leve e delicada (e até divertida) a triste enfermidade da perda de memória de curto prazo.

Desta vez, diretor e ator se perderam um pouco, além de perderem parte da plateia… Algumas pessoas deixaram o filme no começo e pensamos em fazer o mesmo. Mas, quando o casal e seus filhos estão no hotel na África do Sul, as coisas melhoram. Surgem mais momentos cômicos (principalmente nas cenas do safári e do parasail com jipe). Mas os clichês sem graça estão a pipocar por lá, como o do marido que quer voltar, mas está sempre fazendo uma besteira que revela seu caráter condenável etc.

E, como quase sempre nos filmes de Sandler, há um coadjuvante que dá o tempero certo. No caso desse filme, é o divertidíssimo animador do hotel (o ótimo Terry Crews), que, se não é o suficiente para tornar o filme mais um dos bons de Sandler, pelo menos salva suas próprias cenas.

Dá para ver, mas dá para dispensar.
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

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O Último Amor de Mr. Morgan (Mr. Morgan’s Last Love)

O Último Amor de Mr. Morgan (Mr. Morgan’s Last Love), drama romântico e algum toque cômico de Sandra Nettelbeck, 2013.

Enredo: Matthew Morgan (Michael Caine) ficou viúvo há três anos. Joan (Jane Alexander) o deixou perdido e sozinho após uma longa doença e agora ele, aposentado e já nos seus 80, tem um único compromisso semanal, uma aluna a quem ensina inglês nesta Paris onde ele se sente perdido, por não falar mais do que “por favor” e “obrigado”.

Uma coincidência qualquer coloca em sua vida a jovem professora de dança Pauline (Clémence Poésy) e logo surge uma profunda simpatia mútua. Ela injeta ânimo em sua vida e alimenta-se da figura que enxerga quase como um pai bondoso. Mas a saudade de Joan ainda pesa muito em Matthew…

E eis que o encontramos hospitalizado e descobrimos por que ele não quis voltar aos EUA: ele não mantém laços com os dois filhos, Karen (Gillian Anderson) e Miles (Justin Kirk), que agora vêm visitá-lo. Karen está mais preocupada em aproveitar Paris para as compras e Miles culpa o pai por ter monopolizado a mãe toda a vida e tê-la impedido de morrer ao lado dos filhos, a quem Matthew nunca deu mostras de carinho.

A presença de Pauline piora mais ainda a relação pai e filho, pois este vê nela uma aproveitadora. Mas algo mais profundo perturba Miles em relação a ela.

Avaliação: Um filme poético, e não é o pelo Poésy, sobrenome da bela protagonista. Sir Michael Caine e ela brilham, com uma química que só se vê nos melhores romances. Justin Kirk também dá o tempero certo ao filme, como o filho em permanente conflito com o pai e que a mesmo tempo busca reconhecimento e carinho da parte deste (missão difícil…). O drama familiar, até bem forte, é tratado com carinho e, ao final das contas, um enredo simples gera uma pequena obra-prima e um ótimo passatempo. Para ver, curtir e chorar.

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Veja SP – Seja o crítico

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

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O Médico Alemão (Wakolda)

O Médico Alemão (Wakolda), suspense dramático de Lucía Puenzo, 2013.

Enredo: Viajando sozinho numa região deserta da Argentina, o Dr. Helmut Gregor (Àlex Brendemühl) observa a jovem Lilith (Florencia Bado) e anota em seu caderno que ela é o “espécime perfeito, exceto pela altura” – ela tem 12 anos, mas aparenta ter nove. Como o médico não conhece a região, ele pede para acompanhar a família de Lilith até Bariloche, destino final dele e próximo à cidade onde Enzo (Diego Peretti), o pai de Lilith, vai assumir o hotel que fora da falecida sogra. Enzo logo percebe o interesse do médico pela filha e a reciprocidade dela e procura afastá-los. O que vai se tornar muito difícil, já que o médico prefere hospedar-se no confortável hotel de Enzo, que lhe dá paz e uma maravilhosa vista para o lago. A contragosto, Enzo o aceita; afinal, eles ainda não têm hóspedes, o lugar é muito grande e o médico propõe a eles pagar seis meses adiantados.

O Dr. Gregor assume uma clínica veterinária em Bariloche, onde faz experimentos sobre reprodução e crescimento com espécimes animais e passa a frequentar a escola alemã local, onde é tratado com toda deferência – afinal, já estamos sabendo tratar-se do criminoso nazista Josef Mengele, o “Anjo da Morte”, autor de experiências cruéis no campo de concentração de Auschwitz, e a colônia alemã local não consegue esconder suas simpatias pelo nazismo.

É nesta mesma escola, onde estudara Eva (Natalia Oreiro), mãe de Lilith, que vão estudar Lilith e seu irmão mais velho (Alan Daicz). Para Lilith este é um local de sofrimento, pois a zombaria dos colegas é intensa – para eles, ela é uma “anã com corpo nota zero”. Assim, ela convence a mãe a ceder às pressões do Dr. Mengele, iniciando um tratamento de crescimento à base de hormônios em segredo do pai. Ela passa a crescer rapidamente, entra na puberdade, mas começa a ter diversas reações aos medicamentos, o que talvez fique difícil de esconder de Enzo. Enquanto isto, o “Anjo da Morte” procura cativar também Enzo, que ainda o rejeita (“ele é um hóspede, não o médico da família”), oferecendo tornar-se investidor de uma fábrica de bonecas, que ainda são criadas de modo artesanal pelo próprio.

Aos poucos, os experimentos ameaçam revelar a identidade de Mengele para Enzo e Eva. Mas, se ele não se adapta nunca à presença do hóspede, ela não se importa com quem ele seja, desde que ajude (ajude?) a filha. Também cada vez mais certa de quem seja o Dr. Gregor está Nora Edloc (Elena Roger), agente do Mossad israelense infiltrada na escola. O cerco se aperta contra o carrasco, ao mesmo tempo em que suas experiências com Eva e Lilith ficam mais perigosas: agora, além de Lilith, ele tem interesse pela gravidez de Eva. Afinal, diz ele, quem já teve um parto prematuro (o de Lilith) pode voltar a ter outro. Seu interesse maior é por suas “pesquisas” ou pela saúde de seus “espécimes”?

Avaliação: Lucía Puenzo, filha do diretor do oscarizado filme argentino “A História Oficial” (sobre a ditadura militar argentina dos anos 70-80), escreveu, roteirizou e dirigiu este forte suspense, que é baseado em episódio real da vida do carrasco nazista Josef Mengele. Efetivamente reais são:

O fato de que Mengele, assim como diversos outros criminosos nazistas, foi acoitado pelo regime argentino. O ditador Perón foi uma das pontas da rede de proteção europeia que lhes garantiu a fuga no pós-guerra, muitos dos quais com a ajuda de membros da Igreja, que viam neles um muro de proteção contra o comunismo ateu.

A personagem Nora Edloc, agente do Mossad (serviço secreto israelense) na Argentina. No filme, seria ela quem teria informado o Mossad da presença de Mengele, mas, apesar de certa de estar diante do carrasco, não conseguia uma foto adequada e, como foi informada pelos superiores, o foco deles era um alvo mais importante, Adolf Eichmann, responsável pela logística da máquina de extermínio nazista (de fato, Eichmann foi capturado em 1960 e então Mengele fugiu da Argentina para Paraguai e depois para diversas cidades do Brasil, morrendo afogado em Bertioga, 1979).

A escola pró-nazista de Bariloche (que foi dirigida por outro carrasco nazista, Erich Priebke) e o acobertamento dos fugitivos pela colônia alemã, o que é bem retratado pela deferência – submissão, até – com que Klaus (Guillermo Pfening), professor de Lilith, trata o criminoso e pela maneira com que o aluno Otto (Juani Martínez), único amigo de Lilith, é tratado pelos colegas e pela direção da escola.

O interesse particular de Mengele por gêmeos (fez experiências com diversos).

O triste é que ainda hoje há simpatia de parte da sociedade pelo nazismo e a diretora teve dificuldade em filmar em certos locais, devido à temática do filme, ainda sensível – o blog de Laura Blum menciona isto e explica o cuidadoso propósito que a autora teve na escolha dos nomes dos personagens do filme – até da boneca Wakolda, que dá título ao filme no original.

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Amar Foi Minha Ruína (Leave Her to Heaven)

Amar Foi Minha Ruína (Leave Her to Heaven), drama com tons de suspense de John M. Stahl, 1945.

Enredo: A bela Ellen Berent (Gene Tierney) vai se casar com o promotor Russell Quinton (Vincent Price). Ou ia, pois acaba de conhecer e se apaixonar perdidamente pelo escritor Richard Harland (Cornel Wilde). Agora Sra. Harland, Ellen não tarda a mostrar um profundo sentimento de posse em relação ao marido, o mesmo sentimento que apresentava em relação ao falecido pai… com quem Richard se assemelha. Primeiramente ela tenta de qualquer forma impedir que Richard convide o jovem irmão, Danny (Darryl Hickman), para passar alguns dias em sua casa à beira do lago com o casal. Mas não há como demover Richard, pois ele é profundamente ligado a Danny, que é deficiente físico, e faria bem a este sair um pouco do hospital onde recebe tratamento. Nada em especial contra Danny, já que nem a irmã de Ellen, Ruth (Jeanne Crain), e a mãe delas (Mary Philips) escapam de sua fúria quando ela sente que corre risco de perder a exclusividade. A obsessão de Ellen é tal que até sua gravidez é odiada. Este perturbador comportamento cobrará um alto preço de todos.

Avaliação: As irmãs Ellen (Gene Tierney, do clássico suspense dramático Laura) e Ruth (Jeanne Crain) somente têm em comum a rara beleza. Pois, se Ruth é verdadeiramente suave e meiga, Ellen é alguém que, como nos adianta o trailer do filme, “trapacearia, mentiria, enganaria e não pararia por nada para fazer do homem que ama sua possessão exclusiva”. E como! Brrrr!

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O Clã das Adagas Voadoras (Shí miàn máifú -十面埋伏)

O Clã das Adagas Voadoras (Shí miàn máifú -十面埋伏), ação, romance e suspense dramáticos de Zhang Yimou, 2004.

Enredo: Na China do século IX, vários grupos procuram acelerar o fim do decadente e corrupto regime da outrora próspera dinastia Tang. Os capitães do exército imperial Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro), planejaram com cuidado como conseguir alcançar e destruir o secreto e evasivo clã das Adagas Voadoras, famoso pelo exímio uso das mesmas. O caminho é a bela dançarina cega Xiao Mei (Zhang Ziyi), que parece estar envolvida com o clã e é atua numa “casa de prazeres”. Leo acaba por prendê-la, para extrair dela as informações que permitam destruir o clã, mas ela recebe ajuda de Jin para escapar e parte com seu salvador para a floresta. Mas várias dúvidas surgem: Xiao Mei está mesmo indo encontrar-se com o clã? Jin quer mesmo ajudá-la ou quer usá-la para descobrir o esconderijo do clã? Ele está se apaixonando por ela? E ela, está mesmo se apaixonando por ele ou fingindo, apenas para que ele a ajude e então lançá-lo numa armadilha? Com um exército cada vez mais numeroso e bem treinado atrás deles, pode ser que, quaisquer que sejam os planos que tenham feito, eles nunca venham a ser realizados.

Avaliação: Zhang Ziyi, atriz queridinha do diretor Zhang Yimou, de “Lanternas Vermelhas”, está ótima, tanto nas cenas de romance como nas de acrobacias e ação – em particular, o “ritual do eco” é um show. As cenas com adagas e lanças são muito bem coreografadas, mas acabam por se tornar inverossímeis demais. As cenas finais, que se passam na neve – uma licença poética do diretor, pois não é época da neve no filme – são muito bonitas. Como assistimos ao filme numa aula de mandarim, as explicações da professora ajudaram a entender melhor as muitas reviravoltas do filme. Sem este apoio, creio que eu tivesse ficado beeeem perdido…

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Amante a Domicílio (Fading Gigolo)

Amante a Domicílio (Fading Gigolo), comédia de John Turturro, 2014D

Enredo: Sem outra saída se não fechar sua livraria, Murray (Woody Allen) comenta com seu amigo Fioravante (John Turturro) que sua dermato quer fazer “ménage a trois” e… ops! Por que não apresentar a elas Fioravante. Ele não é bonito, mas faz um tipo que pode agradá-las. Assim, ganham elas, ganha Murray e ganha Fioravante (cujos negócios também não vão muito bem). Os negócios vão indo bem, até que Murray apresente a seu agenciado a bela, jovem e muito carente viúva Avigal (Vanessa Paradis), uma judia ortodoxa… De lado a lado começa o que pode vir a ser um romance… que pode afetar os negócios de Murray. Ao mesmo tempo, o agente de segurança comunitária Dovi (Liev Screiber, diretor do excelente “Uma Vida Iluminada”) começa a desconfiar das atividades de Murray. Proxenetismo numa região de judeus ortodoxos? E ainda mais envolvendo Avital, a paixão de Dovi? Não, não…

Avaliação: Fomos em seis e ninguém gostou muito. Ou nem gostou. Eu achei parado e sem graça e, como comentamos entre nós, falta uma amarração a conduzir a trama (para que ela pudesse ser chamada de trama…). Momentos de sono, salvos apenas pelas boas (mas raras) tiradas de Allen a respeito de suas próprias neuroses e remédios e, claro, da sua identidade judaica (mas algumas destas não são fáceis de o público em geral captar).

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O Grande Herói (The Lone Survivor)

O Grande Herói (The Lone Survivor), ação dramática e de suspense de Pete Berg, 2013.

Enredo: O filme se baseia no relato da operação Red Wings, empreendida em junho de 2005 por equipes de SEALS (forças de elite da marinha americana) para captura ou eliminação do terrorista da Al Qaeda Ahmad Shahd (Yousuf Azami), responsável pela morte de muitos soldados americanos no Afeganistão e abrigado pelos terroristas talibãs. Uma das equipes, composta por quatro SEALS – Marcus Luttrell (Mark Wahlberg), Michael Murphy (Taylor Kitsch), Danny Dietz (Emile Hirsch) e Matt ‘Axe’ Axelson (Ben Foster) – dá o azar de cruzar o caminho de pastores de cabras. Surge o dilema de se eles devem deixá-los livres, eliminá-los de pronto ou deixá-los amarrados, sujeitando-os a serem devorados por lobos. Não há tempo para muita ponderação, a decisão é tomada e agora os quatro estão em fuga. Tentando desesperadamente conseguir comunicação por rádio para pedir socorro ao comandante, Erik Kristensen (Eric Bana), eles não têm chance alguma contra dezenas de terroristas armados até com lança-mísseis Stinger. E a agonia começa agora…

Avaliação: Um enredo simples, uma operação nem tanto. Suspensaço dramático forte, com muita, mas muita ação mesmo. Mesmo sabendo o fim da história (que o título original entrega), não faz diferença. É bom demais. Adoramos.
Vale a mesma recomendação que fiz no filme “Walt Disney e os Bastidores de Mary Poppins”: apressadinhos, fiquem até os créditos finais, que são uma bela homenagem à equipe dos SEALS (coisa que os americanos – e Hollywood em particular – sabem fazer muito bem).

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