A Noite (La Nuit)

A Noite (La Nuit), drama autobiográfico e histórico de Elie Wiesel. C

Ao ganhar o Nobel da Paz, Elie Wiesel discursou: “Eu me lembro: aconteceu ontem ou eternidades atrás. Um garoto judeu descobriu o reino da noite… Lembro-me de sua angústia… O gueto. A deportação. O vagão de gado selado. O altar de fogo sobre o qual a história de nosso povo e o futuro da humanidade seriam sacrificados…”.

Elie Wiesel tinha 16 anos ao ser libertado do campo de concentração de Buchenwald, para onde tinha sido transferido com seu pai, vindo de Auschwitz-Birkenau. Perdera a mãe e uma irmã nas câmaras de gás, logo que chegara ao campo. O livro fala sobre este reino da noite que se abateu sobre os judeus e outras minorias perseguidas pelos nazistas. O livro, relativamente curto, mas muito forte e impressionante, foi escrito a partir de um longo manuscrito de nome “E o Mundo Silenciou” (“Und die Welt Hot Geshvign”), e, publicado em 1958, tornou-se um best-seller anos mais tarde (Oprah Winfrey colaborou com isto ao recomendá-lo em seu Clube do Livro, em 2006).

Uma narrativa seca, direta e excepcional, que nos faz sentir a revolta e a angústia do garoto de 16 anos que tenta entender como seres humanos poderiam perpetrar atos tão além da compreensão do próprio ser humano, como os vividos por ele. (trecho disponível em http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1195369-1655,00.html).

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds/Inglorious Bastards)

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds/Inglorious Bastards), suspense e ação de guerra roteirizado e dirigido por Quentin Tarantino, 2009. C

Enredo: O frio, sádico, metódico e sagaz coronel Hans Landa (Christoph Waltz), “o caçador de judeus” está em mais uma missão, à procura de uma família escondida nos campos da França. A pressão que ele exerce sobre o pobre fazendeiro Perrier LaPadite (Denis Menochet) é irresistível. Do massacre que se segue, escapa apenas a jovem Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent). Enquanto isto, o tenente Aldo Raines (Brad Pitt), um descendente de indígenas americanos com contas particulares a acertar com os nazistas, acaba de montar seu pelotão de judeus, os “Bastardos Inglórios”, cada um deles com a missão de lhe trazer cem escalpos nazistas – objetivo que, diga-se, perseguem com gosto, tornando-se o terror dos alemães. Os poucos nazistas liberados pelos bastardos se prestam a contar suas experiências assustadoras nas mãos dos americanos, especialmente nas do sargento Donny Donowitz (Eli Roth) e seu taco de beisebol. Enquanto isto… Shosanna, que assumiu a identidade de Emmanuelle Mimieux, pretensa herdeira de um cinema em Paris, deixado pelos falecidos, recusa o assédio do soldado Frederick Zoller (Daniel Brühl), até que descobre que ele é um herói nazista e favorito do ministro da Propaganda, Goebbels (Sylvester Groth) e mais, que seu cinema poderia servir para o lançamento de um poderoso filme de propaganda nazista com o próprio Zoller – com a presença de toda a cúpula nazista, incluindo Hitler (Martin Wuttke). E, mais uma vez, voltamos ao tenente Raines e seus homens, agora na companhia de um enviado inglês, o sargento Archie Hicox (Michael Fassbender), também com a missão de atacar o cinema e dizimar os nazistas no local. Isto se a ajuda da espiã dupla Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) for mesmo sincera e se ele, novamente ele, o sagaz Hans Landa, não estragar os planos tanto de Hicox, como de Shosanna.

Avaliação: O tema interessou-me muito, mas o trailer tirou-me a vontade de ver o filme. Após ler três críticas super favoráveis (até uma reportagem de capa de revista semanal), fiquei tentado a assistir. . Minha mãe e uma amiga adoraram, meu irmão e cunhada, idem, então… Apesar dos nossos cinéfilos amigos Marjory e Marcelo não terem alcançado o que esperavam, fomos tirar a prova. E o filme justificou a ida. Tarantino foi muito feliz na escolha do tema e no seu desenvolvimento e prestou um tributo aos que morreram vitimados pelo nazismo. Suspense de prender na cadeira em diversos momentos (os vinte primeiros minutos são um crescendo de terror), diálogos afiados (vá lá que com alguns momentos cansativos em alguns deles), personagens interessantes, algumas boas tiradas (com Brad Pitt e mesmo com o vilão de Christoph Waltz, que dão um show) – apenas cuidado com algumas cenas mais fortes (tipo as de escalpamento, mas, oras, isto é um filme de Tarantino…). E aquela sensação de vingança realizada a cada ato dos nossos heróis… Mesmo que eles nem sempre se dêem bem. Ah, se tivéssemos tido tantos soldados assim na segunda guerra, com permissão para matar nazistas (e até o dever de fazê-lo).

Obs.: A atriz Mélanie Laurent (excelente, aliás), que é judia, leu o script e o adorou, pois sempre quis poder ter matado Hitler. Incentivada ainda mais pelo avô, fez o filme por sua família.

Free – Grátis, o Futuro dos Preços (Free)

Free – Grátis, o Futuro dos Preços (Free), uma análise da Economia do Grátis, dos seus primórdios aos tempos da internet, de Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, 2009. C

 

Chris Anderson, que já conseguira tornar seu “A Cauda Longa” um best-seller, repetiu o feito com “Free”. O tema despertara minha curiosidade, mas fui “empurrado” de vez à leitura pelo Vander, em meio às aulas de guitarra. Ainda bem… O livro é ótimo e tem pouquíssimos trechos onde o “economês” fala mais alto – e, mesmo assim, o autor explica bem os termos, o que ajudou a reforçar os conceitos que, coincidentemente, acabara de ver no meu MBA…

A idéia básica é que largura de banda de transmissão, capacidade de armazenamento e de processamento crescem de tal forma no mundo dos bits, que é inevitável que nos aproximemos do grátis como padrão na Economia. Apesar de isto parecer utópico, o autor dá exemplos convincentes, iniciando pela “economia dos átomos” (a das mercadorias e serviços que se podem chamar de clássicos), onde um dos maiores exemplos do “grátis” foi a distribuição de aparelhos de barbear da Gillette para que as lâminas fossem vendidas e dos livros de receitas gratuitas da Jell-O, com o intuito de despertar a curiosidade pelo produto (uma tradicional gelatina). Aborda também o Google e à Wikipédia, explicando que não é apenas o dinheiro que nos impulsiona, mas o recebimento de atenção e o crescimento de nossa boa reputação. Para chegar a isto, o autor não somente se apóia em grandes nomes da Economia, como também em psicólogos, como Abraham Maslow e sua hierarquia das necessidades.

Excelente sugestão de leitura, mesmo para quem repute suas idéias radicais ou avançadas demais ou ainda não seja muito chegado a livros técnicos.

Maus (Maus, a Survivor’s Tale)

Maus (Maus, a Survivor’s Tale), drama histórico em quadrinhos, de Art Spiegelman, 1991. C

Devo aos meus queridos afilhados de casamento Marjory e Marcelo, a dica deste excelente livro.

Art Spiegelman, vencedor do Pulitzer, teve uma idéia inusitada e valeu-se dos quadrinhos para transformar os nazistas em gatos, os judeus em ratos (“maus” significa rato, em alemão), os poloneses em porcos e os americanos em cães e, assim narrar as desventuras de seu pai, Vladek, e familiares sob o jugo de Hitler, na Polônia ocupada. A estória se passa primeiramente nas cidades, depois nos campos de concentração (em particular, Auschwitz). Apesar de tratar-se de quadrinhos e do uso dos animais parecer amenizar a tragédia, a história não nos poupa dos horrores das minorias perseguidas e dizimadas (aliás, muito longe disso, os relatos chegam a ser pesadíssimos), mostrando desde o morticínio dos bebês judeus sob as baionetas nazistas às agruras dos adultos. O autor mistura a história com momentos de sua própria vida junto do pai. Momentos difíceis, diga-se: sua mãe suicidou-se, a relação com o pai não era nada amena, o pai casou-se novamente e destratava a madrasta (outra judia sobrevivente de campos de concentração) e o próprio autor teve problemas que o levaram a um hospital psiquiátrico. Resultou disto uma narrativa tocante, triste e sensível, um efetivo testemunho de algo que nunca deverá ser esquecido.

Se Beber, Não Case (The Hangover)

Se Beber, Não Case (The Hangover), comédia com toques de suspense de Todd Philips, 2009. C

Enredo: Um quarto destruído em um hotel em um cassino de Las Vegas, um dente perdido, uma stripper (Heather Graham), um tigre no quarto, uma sova de Mike Tyson, um colchão voador, um carro de polícia roubado, um bebê, uma pulseira de hospital e um chinês enfezado e seus capangas. Um casamento perdido. Quando o futuro sogrão (Jeffrey Tambor) mandou Doug (Justin Bartha) levar sua Mercedes superestimada e divertir-se à vontade em sua despedida de solteiro (afinal, ninguém tem que se lembrar do que fez numa despedida de solteiro em Las Vegas), não imaginava a onda de destruição em que o dentista certinho Stu (Ed Helms), o professor desleixado Phil (Bradley Cooper) e seu filho desmiolado (Zach Galifianakis) iriam envolver o pobre Doug, que, para complicar, desaparece às vésperas do casamento. Através das pistas deixadas no quarto de hotel, os amigos do noivo, ainda de ressaca, vão reconstituir a trilha do desaparecido, para tentar recuperá-lo a tempo de levá-lo ao casamento.

Avaliação: Depois de ajudar na criação da estória em Borat, Todd Philips continua mostrando seu talento nesta comédia radical, politicamente não muito correta, mas engraçada demais… Quando vi o trailer com a Sarah, não nos animamos. Mas, como “Os Normais 2″ não estivesse passando no horário desejado, acabamos vendo este mesmo, com os amigos Davi e Ruth. Toda a platéia mostrava estar se divertindo, as loucuras são de arrasar e o quebra-cabeças vai sendo montado aos poucos, de maneira muito divertida. O Davi gostou, a Sarah, Ruth e eu adoramos. Ótima pedida, já estou até aguardando a seqüência do filme, que já está a caminho.

Spartacus (Spartacus)

Spartacus (Spartacus), épico dramático de Stanley Kubrick, 1960. C

Enredo: 73 a.C. Em Roma, podia-se dizer haver quase tantos escravos quanto cidadãos livres. Entre os primeiros, estava Spartacus (Kirk Douglas), vindo de uma das muitas regiões conquistadas por Roma, a Trácia (região aproximadamente entre a Bulgária e a Turquia). Como tantos outros companheiros de infortúnio, seus dotes físicos o tornaram um gladiador a serviço de Lentulus Batiatus (Peter Ustinov), obrigado a lutar pela vida na arena, para diversão da plebe e dos nobres de Roma. Ávido pela liberdade, Spartacus será o líder (ou um dos líderes, segundo alguns historiadores) da revolta contra seus opressores. Excelentes táticas nos campos de batalha o levaram a inúmeras vitórias, mas diferenças de opinião com alguns de seus comandantes sobre os rumos da revolta puseram todos os ganhos em risco. Para sua sorte, os próprios romanos, envoltos em diversos conflitos dentro das fronteiras de seus domínios, não dispunham de homens preparados e suficientes para combatê-los. Joguete na luta do poder em Roma, Spartacus vitorioso interessava ao grupo de Julio César (John Gavin) e de Graco (Charles Laughton), que se opunham ao general Marco Crasso (Laurence Olivier). É então que este último seleciona seus melhores homens para o confronto final com o escravo revoltoso. Poderá ser a última chance de Spartacus estar ao lado de sua amada Varinia (Jean Simmons) e de lutar ao lado de seu fiel companheiro Antonino (Tony Curtis).

Avaliação: Assim como Exodus, mais um filme excepcional, um dos melhores que vi até hoje. Com excelente roteiro de Dalton Trumbo, vilões realmente bem caracterizados e que conseguem provocar repulsa à escravidão imposta por Roma, reforçada por um Kirk Douglas que nos cativa para sua luta em busca do direito de ser livre.

Aprendi com meu pai que há duas coisas para as quais o ser humano somente dá valor quando as perde: a saúde e a liberdade. Este filme mostra o desejo pela liberdade que todo ser humano carrega, mas do qual normalmente nem se dá conta.

Por que as Pessoas de Negócios Falam como Idiotas (Why Business People Speak Like Idiots: A Bullfighter’s Guide)

Por que as Pessoas de Negócios Falam como Idiotas (Why Business People Speak Like Idiots: A
Bullfighter’s Guide),
livro com voltado à linguagem dos negócios de Brian Fugere, Chelsea Hardaway e Jon Warshawsky.
C

“Segure o jargão!”. Monty Phyton não poderia ter feito melhor para destruir todos os jargões que tanto odiamos… “Downsizing”, “reengenharia”, “alinhamento”, “holístico”, todas estas palavras passam por uma mudança de paradigma (ops, desculpe); os autores (trio da consultoria Deloitte) excederam seu potencial (ou “pushed the envelope” – desculpem, novamente) ao apresentar-nos as quatro armadilhas capitais na linguagem dos negócios: obscuridade, anonimato, venda agressiva e a armadilha do tédio. Eles fazem isto com humor, como quando nos oferecem um “bônus especial”, a “Fotografia Genérica Estúpida”, que, como eles colocam, “soma massa sem conteúdo sem qualquer custo adicional” às apresentações em PowerPoint. Eles realmente sabem como nos fazer pensar fora da caixa (oh, não de novo!) e apresentam-nos o thoughtware (já chega!) que podemos obter de pessoas que mostram seu caráter humano. É o caso de Warren Buffet e seus discursos em linguagem direta, ao admitir seus erros ou de Richard Branson (grupo Virgin), que “prontamente admite sua dislexia a geralmente fica pouco à vontade quando entrevistado em público”. No início, o livro soou-me repetitivo, mas, poucas páginas depois, apresentou-se engraçado e instrutivo. Uma leitura obrigatória.

Eis o link da resenha que me convenceu a comprar o livro: http://veja.abril.com.br/180707/p_100.shtml

Exodus (Exodus)

Exodus (Exodus), drama, aventura, romance e ação de Otto Preminger, 1960. C

Enredo: 1947. Na então colônia britânica do Chipre ficam os campos de refugiados judeus saídos da Europa após o término da 2ª. Guerra Mundial para chegar à terra de seus ancestrais, Palestina, também colônia britânica. Diversos deles tentam chegar ilegalmente e são deportados de volta para o Chipre. Todos aguardam o momento em que a recém fundada ONU decididirá sobre o fim do mandato britânico na Palestina e a partilha da terra entre um estado judeu e outro árabe. Neste meio tempo, mais 611 refugiados judeus chegam ao Chipre no Star-of-David e são levados ao campo de refugiados, onde há carência de todas as ordens (remédios, médicos, alimentos). É este grupo que o decidido Ari Ben Canaan (Paul Newman) quer retirar clandestinamente do campo e levar de navio para a Palestina, para mostrar ao mundo a precária situação dos refugiados e expor a urgência na definição sobre um estado judaico. Os cipriotas também almejam a independência, o que, inclusive, acabaria com a imposição de abrigar os judeus. Junte-se a isto a compreensão do problema dos judeus e o pagamento pelos seus serviços e tem-se um fiel aliado no cipriota Mandria (Hugh Griffith). Cabe a ele fornecer os meios para Ari realizar seu ousado plano. Enquanto isto… A enfermeira americana Kitty Fremont (Eva Marie Saint) está no Chipre para visitar o general Sutherland (Ralph Richardson), responsável pela colônia palestina e companheiro de longa data do marido de Kitty, fotógrafo de guerra falecido no cumprimento de seu ofício. Ela toma contato com a realidade dos refugiados e oferece-se para ajudar no campo, onde conhece a esperta e irrequieta adolescente Kate Hansen (Jill Haworth). A amizade e a carência – Kate perdeu a mãe na guerra e não sabe o paradeiro de seu pai e Kitty abortara com o choque da perda do marido – as aproximam.

O filme tem essencialmente duas partes: a primeira é a saga do novo “Moisés”, Ari Ben Canaan, que está prestes a conseguir seu intento quando os ingleses descobrem seu plano e começa uma queda de braço entre os refugiados a bordo do navio, apropriadamente batizado de Exodus. A bordo, estão também Kitty, Kate e o rapaz de quem ela se aproxima, Dov Landau (Sal Mineo). Em terra, o general Sutherland, que sempre acreditou no direito dos judeus terem seu lar nacional, mas que cumpre ordens de Londres.

A segunda parte trata dos poucos refugiados que chegam a Israel às vésperas da partilha da ONU, quando já se prevê um massacre dos judeus por parte da maioria árabe muçulmana, provavelmente sob o olhar complacente dos ingleses. É então que tomamos contato com organizações como a Haganá (que queria alcançar a independência por meio das conversações, mas sem deixar de cuidar da efetiva proteção dos judeus), sua rival Irgun (resultado da cisão da Haganá e classificada pelos britânicos como terrorista) e o Palmach (força de combate da Haganá). Abordam-se ainda o atentado ao Hotel King David (que abrigava os soldados ingleses) e os planos do grão Mufti de Jerusalém (aliado de Hitler) em desocupar os árabes de suas vilas e cidades, para deixar o terreno livre para a liquidação completa dos judeus, com o apoio de especialistas militares trazidos dentre os nazistas derrotados (então os árabes voltariam com o “terreno já limpo”…).

Avaliação: Baseado no best-seller homônimo de Leon Uris (roteirizado por Dalton Trumbo, do também excelente “Spartacus”), que conta a saga do navio Exodus e da fundação do Estado de Israel, este filme, além de ótimo passatempo (tem 3,5 horas, que nem se percebem passar), dá um apanhado geral sobre o drama dos sobreviventes do Holocausto, que preferiram o caminho da Palestina sob mandato britânico, e do ano que antecedeu à proclamação do Estado de Israel. Toca também a questão do Holocausto, daqueles que perderam toda ou quase toda família e de quem se tentou eliminar toda a dignidade (o filme aborda isto de uma maneira muito forte e pontual com um dos sobreviventes das filas de seleção para câmara de gás e do Sonderkommando de Auschwitz, o grupo de judeus obrigado a levar os correligionários à câmara de gás, recolher os dentes de ouro dos cadáveres, enterrá-los). Narra ainda a verdadeira amizade que havia entre diversos judeus e árabes, no caso, o líder Taha (John Derek), grande amigo de Ari e de seu pai, Barak (Edward G. Robinson).

O filme tem excelentes personagens (dando oportunidade de mostrar as várias partes envolvidas no evento do Exodus e na fundação de Israel), drama, ação, aventura, romance, toques de suspense e para arrematar, o belo e significativo discurso final pela paz e a linda música-tema (a trilha ganhou Oscar). Mais uma vez agradeço à Gisele e ao Carlinhos pela sugestão; um filme que eu vira há uns 25 anos e a Sarah ainda não vira.

A Espiã (Black Book/Zwartboek)

A Espiã (Black Book/Zwartboek), drama de espionagem e de guerra com toques de suspense e de romance de Paul Verhoeven, 2006. C

Enredo: 1956. Israel. Um grupo de turistas visita um kibutz. Ronnie (Halina Reijn) reencontra Rachel (Carice van Houten), agora professora neste kibutz. Elas se recordam dos tempos em que estiveram juntas na Holanda. Mas isto traz lembranças amargas a Rachel.

Final de 1944. Segunda Guerra Mundial. Parte da Holanda ainda está sob o jugo nazista. É onde está escondida a cantora judia holandesa Rachel Stein. Quando a fazenda que a abrigava é destruída por bombas – “Aviões alemães descarregando excesso de carga”, diz o rapaz com quem Rachel conversava – ela se refugia com seu salvador num celeiro abandonado, onde são contatados por Van Gein (Peter Blok), da resistência, que lhes propõe juntar-se a um grupo que vai cruzar o rio para o sul da Holanda, já libertado. Para tanto, ela contata o advogado da família, para reaver parte dos recursos custodiados por ele. Ela reencontra a família no momento da travessia, mas os perde para sempre quando uma patrulha alemã metralha os passageiros e saqueia o barco. Somente ela sobrevive. Escondida pelo grupo da Resistência liderado por Gerben Kuipers (Derek de Lint) com a identidade de Ellis de Vries, Rachel aceita participar das ações do grupo. A primeira é o contrabando de armas, que a leva a viajar com o aliado do grupo Hans Akkermans (Thom Hoffmann) – no trem, ela conhece o oficial alemão Ludwig Müntze (Sebastian Koch), chefe da inteligência local – que fica seduzido por ela. Quando um acaso expõe parte do grupo da resistência, Ellis aceita a missão de aproximar-se de Müntze, seduzi-lo, implantar uma escuta no quartel alemão e ajudar na libertação do filho de Kuipers e de seus companheiros. Ela tem sorte, pois o nazista a emprega e é seduzido por ela. De lá para as festas e recepções, o passo é rápido. E o reencontro com o oficial nazista que trucidara sua família (Waldemar Kobus) também. Seguem as primeiras ações apoiadas pela presença de Rachel no quartel inimigo. Mas os revezes vão se acumulando. Haveria alguém infiltrado no grupo? Um de seus contatos estaria trabalhando para os dois lados? A própria Rachel, agora emocionalmente envolvida com o nazista, torna-se suspeita e alvo dos dois lados.

Avaliação: “Baseado em fatos reais”, é o que se lê no início do filme. É bem possível, pois muitos eventos como os narrados no filme certamente ocorreram: resistência, colaboracionismo, subjugação, traições, ações heróicas.

Um filme de 2,5 horas, que passa rápido e provoca muitos momentos de tensão. Além de ser um drama cativante e um “suspensaço” com muito conteúdo, o filme mostra dois fatos que raramente têm vez neste tipo de filme: a punição dos colaboracionistas e o triste pragmatismo dos aliados, ao preservar diversos oficiais nazistas como fontes de informação que pudessem afetar os interesses soviéticos. Pois é, muitos oficiais nazistas de alta patente foram poupados das devidas punições (se é que haveria punição suficiente para eles…) porque seus conhecimentos serviram para deter o avanço do que viria a ser o novo inimigo dos americanos e de seus aliados europeus: os comunistas.

Outra feliz dica de DVD dos amigos Carlinhos e Gisele, este filme já fora indicado pelo nosso amigo Rubens à época em que esteve em cartaz, mas acabamos não o vendo no cinema. 

PS: Minha mãe e irmão viram depois e também adoraram.

O Barato de Grace (Saving Grace)

O Barato de Grace (Saving Grace), comédia com toques dramáticos e criminais de Nigel Cole, 2000.

Enredo: Grace (Brenda Blethyn) acaba de enviuvar. Ela logo descobre que a herança que seu marido lhe deixou resume-se a enormes dívidas, que vão consumindo seu patrimônio e põem em risco inclusive sua adorada casa. Matthew (Craig Ferguson) faz toda a sorte de quebra-galhos para Grace. Ele quer casar, mas não tem dinheiro, o que o leva a uma solução inusitada: cultivar a planta de maconha que acaba de comprar com muito esforço. Mas ele não tem habilidade para isto e pode perder sua cara preciosidade. É aí que entram as grandes habilidades de jardinagem da certinha Grace – ou ex-certinha – já que ela vislumbra sua redenção financeira na multiplicação da plantinha. A noiva de Matthew é avessa ao plano, pois está grávida e isto seria a diferença entre o noivo ser preso como consumidor ou traficante. Ele não sabe da gravidez, mas Grace, sim, e, para proteger Matthew, assume a dianteira do contato com os “clientes”. O importante é manter a discrição, mas, neste vilarejo, isto é impossível. Agora, todos por lá torcem para o negócio de Grace e Matthew dar certo. Mas lá se foi o segredo e a polícia pode chegar até eles – e a estufa de Grace está repleta com mais de 20 quilos de maconha árdua e rapidamente cultivada.

Avaliação: Mais um filme cuja resenha li à época do lançamento, mas que, por não botar fé, optei por não ver na telona. Uma perda que repusemos vendo no cabo. Valeu! Discreto humor inglês, todos os personagens são simpáticos (até mesmo o perigoso traficante interpretado por Tchéky Karyo), as situações são muito legais – as cenas campeãs são as dos habitantes da vila sentados e esperando as pouco discretas luzes da estufa serem acesas para acelerar o crescimento das plantinhas, luzes que acabam por iluminar todo o vilarejo. Ou as velhinhas maravilhadas com o chá obtido com as plantinhas. Gostei; a Sarah adorou!

Antes Que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead)

Antes Que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead), drama criminal de Sidney Lumet, 2007.

Enredo: Hank Hanson (Ethan Hawke) está afundado em dívidas e já atrasou a pensão da filha por três meses; além da filha, os únicos momentos felizes são proporcionados pela cunhada, Gina (Marisa Tomei), com quem mantém um caso secreto. Seu irmão Andy (Philip Seymour Hoffman) precisa de dinheiro tanto para cobrir os desfalques dados na empresa onde trabalha (e onde em breve haverá uma auditoria) como para sustentar seu vício em cocaína e a vida de luxo que leva com Gina. A idéia brilhante de Andy: um assalto à joalheira dos próprios pais (Albert Finney e Rosemary Harris), que, em tese, não sofreriam prejuízo já que haveria cobertura do seguro. E não haveria vítimas, já que não haveria armas, apenas uma ameaça à totalmente indefesa funcionária. Após ser c convencido pelo irmão a realizar o ato, o pacato Hank recruta um conhecido (Brian F. O’Byrne). Mas o plano não corre como o planejado: o assaltante e a funcionária trocam tiros; ele morre e ela fica à beira da morte. O pior: a pessoa gravemente ferida na joalheria é a Sra. Hanson – mãe dos irmãos – que excepcionalmente cobria uma folga da funcionária! E mais: o cunhado (Michael Shannon) do assaltante ameaça Hank para que ele “pague uma pensão” para sua irmã viúva (Aleksa Palladino). Os dois irmãos estão sem o dinheiro que viria do assalto, lotados de dívidas, com a mãe em coma no hospital e com o pai investigando o crime por conta própria e cada vez mais se aproximando da verdade.

Avaliação: Mais um daqueles que você lê a resenha e não se convence a ver no cinema. Mais uma grande perda, que recuperamos vendo no cabo. Tragédia pesada, com enredo bem engendrado e um final forte e inesperado. Valeu dormir tarde para assisti-lo. Filmaço, apesar de alguns momentos mais lentos. Coincidentemente, trata de tema parecido com “A Travessia de Cassandra”, filme do mesmo ano e de Woody Allen, que também tratava de dois irmãos não afeitos ao crime e que se unem para cometer um assassinato. Mas este é ainda melhor.

Trovão Tropical (Tropic Thunder)

Trovão Tropical (Tropic Thunder), comédia de guerra dirigida e produzida por Ben Stiller, 2008.

Enredo: Atores caros e que não se acertam em cena, “primas-donas” se desentendendo. É a produção de “Trovão Tropical”, um filme caríssimo sobre a guerra do Vietnã, do excêntrico Les Grossman (Tom Cruise, quase irreconhecível), vai mal. E piora quando o especialista em explosões Cody (Danny R. McBride) interpreta erradamente um sinal do diretor Damien Cockburn (Steve Coogan) e põe pelos ares – antes da hora – todo o cenário. É o fim da picada para o roteirista e veterano de guerra John “Quatro Folhas” Tayback (Nick Nolte), que dá uma idéia prontamente acatada por Cody e Damien: filmar numa selva de verdade e de tal modo que os atores “sintam o clima”. Ele só não se tocou que a selva escolhida abriga perigosíssimos produtores e traficantes de heroína, no Triângulo Dourado da Ásia. Assim é que ele e Cody são logo capturados, o diretor literalmente perde a cabeça e o elenco entra realmente em ação. Armados com tiros de festim, mas desta vez munidos de gana, eles se deliciam ao perceber que os intérpretes dos vietcongues estão levando a sério as “filmagens”. Mal sabem, eles… E assim, o rapper Alpa Chino (Brandon T. Jackson) – que pensa que é mesmo Al Pacino -, o astro decadente Tugg Speedman (Ben Stiller), o astro de filmes de baixa categoria e viciado em heroína Jeff “Fatty” Portnoy (Jack Black), o cinco-vezes-vencedor-do-Oscar Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.) e o ator-novato-cujo-nome-ninguém-sabe Kevin Sandusky (Jay Baruchel) vão ter que descobrir à força que focinho de porco não é tomada e que a ajuda pode vir de onde menos se espera (no caso, o desprezado Sandusky)… Acompanhados pelo veterano-não-tão-veterano Quatro Folhas e pelo fanático-por-uma-explosãozinha Cody.

Avaliação: Quando passou no cinema, esforcei-me para vê-lo, mas acabei perdendo o filme; a Sarah não era muito fã da idéia… Críticas positivas à idéia de Ben Stiller, Robert Downey Jr. concorrendo ao Oscar (ele está mesmo ótimo no papel de um ator loiro e de olhos azuis que faz até cirurgia para mudar a cor da pele e encarnar até as últimas conseqüências um soldado negro) não me deixaram desistir do filme, e acabamos vendo-o no cabo. A Sarah deu poucas risadas, mas, no geral, não gostou. . Engraçado, tipo pastelão, mas nada de especial. Tem umas cenas boas de rir e vale mesmo é pelo Lazarus de Downey Jr. sentindo-se negro de verdade, e por Jack Black fazendo o seu Portnoy em luta contra uma crise de abstinência (e bem no meio do “paraíso”, uma fábrica de heroína).

O Seqüestro do Metrô (The Taking of Pelham 123)

O Seqüestro do Metrô (The Taking of Pelham 123), ação e suspense policial de Tony Scott, 2009. C

Enredo: Este definitivamente não é o dia de sorte para Walter Garber (Denzel Washington). Afastado de suas funções no alto escalão do metrô de Nova Iorque por suspeita de suborno, ele agora ocupa uma mesa de operações de tráfego, enquanto tramitam as investigações. Não bastasse isto, ele é quem recebe a ligação de um seqüestrador que usa o nome de Ryder (John Travolta), e cujo grupo tomou o trem das 1.23 da estação de Pelham, ameaçando matar uma commodity (leia-se “passageiro”) por minuto se não receber um milhão de dólares em uma hora. E Ryder mostra o quão sérias são suas intenções eliminando um refém ao se sentir desafiado, logo de início. Mas o suplício de Garber não acabou, pois o seqüestrador exige que ele seja seu único interlocutor, o que leva o negociador da polícia (John Turturro) a suspeitar que Garber esteja envolvido na ação. Porém, logo fica claro que Ryder tem outra fonte de informações e o policial percebe que Garber será a peça chave para evitar que o irascível Ryder perca o controle. Isto se o dinheiro prometido pelo prefeito (James Gandolfini) atravessar o caos nova-iorquino e chegar a tempo de evitar mais mortes. É muita variável para administrar…

Avaliação: O trailer não me agradou, a crítica em geral sinalizou que o filme não cativa, mas nossos amigos Ruth e Davi disseram que é de prender na cadeira, e minha mãe achou bom (não tanto quanto o contemporâneo “A Órfã”, mas…). Então, fomos tirar a prova. E gostamos muito. É de prender na cadeira mesmo, a tensão é crescente e eu apenas dispensaria aqueles clichês de carros correndo por Nova Iorque, com perseguições e acidentes. Não consigo comparar com o original dos anos 70 (que era mais fiel ao livro), porque o vi apenas à época. Eu diria que este é bem mais violento e sei que o finalzinho da estória é outro (acho que o do primeiro era mais legal). Saindo de cartaz, aproveitem.

A Duquesa (The Duchess)

A Duquesa (The Duchess), drama romântico e biográfico de Simon Dibb, 2008. C

Enredo: Lady Spencer tem uma vida infeliz ao lado do marido, o nobre mais influente da Inglaterra, que casara com ela porque vinha de uma “boa família”. Tinha dinheiro, era jovem, bonita e poderia proporcionar o que à época se esperava de uma esposa, “lealdade e um herdeiro homem”. Ele era apático, calado e desinteressante. Ela, uma referência da moda, sempre presente nos encontros sociais, nos carteados, divertindo os convivas e adorando envolver-se com a política, tendo, apesar da origem nobre, seus pendores liberais.

Acabamos de falar de Lady Diana Spencer e o Príncipe Charles? Não, de Lady Georgiana Spencer (Keira Knightley) e de Sir William Cavendish (Ralph Fiennes), duque de Devonshire. Mas vê-se que Lady Di parecia carregar nos genes a infelicidade no casamento… o que se ressalta por conta do parentesco entre as duas ladies.

Georgiana fica efusiva ao perceber que atraíra a atenção do duque e logo aceita a idéia de casar-se com ele, apesar da tenra idade (ela tinha 17 anos) e da grande diferença etária entre ambos. . Incitada pela mãe (Charlotte Rampling) a deixar de lado seus logo descobertos problemas conjugais em troca de uma vida confortável, Georgiana busca levar à frente o casamento. Mas, o duque, desde a noite de núpcias, cumpre o ritual do amor com extrema frieza, sem carinho algum, sentimento que só demonstra com os seus cães… Para agravar a humilhação de Lady Spencer, o duque não faz muita questão de esconder as amantes que traz ao castelo; pelo contrário, traz também uma filha ilegítima e obriga a duquesa a conviver numa relação a três, colocando à mesa a amante. As reclamações da esposa merecem como respostas “quem tem o dinheiro e o mando aqui sou eu” e “você tem dois deveres acertados comigo: a lealdade e um herdeiro homem”. Inútil Georgiana recorrer à mãe, pois esta, mesmo revoltando-se com a situação, nada faz senão ceder ao “realismo” e despachar a filha de volta, submissa. Neste final de século XVIII, homens podiam ter amantes às claras; mulheres, nem pensar.

Por seu lado, a duquesa nunca deixara de cultivar a paixão adolescente por Charles Gray (Dominic Cooper). Nesta época que precedia a independência americana e a revolução francesa a duquesa confere seu apoio aos liberais Gray e Charles Fox (Simon McBurney). Enquanto isto, percebendo que a recém-chegada Lady Bess Foster (Hayley Atwell) pode vir a se tornar sua rival, a duquesa cultiva uma aproximação e as duas acabam por se tornarem grandes amigas. Georgiana parece ter controlado a situação e, sabendo que Lady Bess apanhava do marido e que este lhe proibira de ver seus filhos e tinha cortado seus proventos, convence o duque a abrigá-la no castelo. Apesar da grande amizade das duas e do incentivo de Bess ao relacionamento de Georgiana com Charles Grey, esta aproximação das duas pode vir a representar um grande risco, com pesadas conseqüências (mas, aos poucos, entendemos a posição de Bess).

Enquanto isto, Georgiana somente consegue dar a luz a duas meninas (para imensa, profundíssima decepção do duque) e sofre vários abortos. Mas está decidida a partir para os braços de Charles Grey – se chegar a um “acordo” com o duque…

Avaliação: O filme começou meio lento, mas foi se tornando quase um suspense, com a torcida para que Georgiana conseguisse livrar-se do duque e ficar com seu amado (que, aliás, amava imensamente e arriscaria sua incipiente carreira política para ficar com ela). É revoltante ver como o dinheiro e o machismo tinham tanta influência. Na política, poucos eram os que podiam votar e mulheres não estavam entre estes – mas a duquesa conseguiu cultivar um participação relevante –, devido à sua presença e falas cativantes. Na figura de Lady Bess, vemos o lado machista da sociedade com mais intensidade, pois seu marido cultivava amantes e abusava de sua posição, espancando a mulher e tirando-lhe o sustento e, principalmente, o direito de ver seus filhos, quando ela resolveu dar um “basta”. As únicas mulheres no país com poder de mando até meados do século XX devem ter sido as rainhas (e algumas amantes de nobres). Mas uma das raras (e tocantes) falas do duque mostra como, apesar das mulheres e de todo poder político, financeiro, faltava a ele também o sabor da liberdade, preso que estava aos rituais sociais da época. Meu entusiasmo já crescente pelo filme chegou ao ápice com esta fala e com as poucas linhas que precediam os créditos e falavam sobre o destino dos personagens. Uma aula de história, sobre discriminação e sobre a ditadura dos costumes. Era bem o estilo da Sarah, mas este ela não viu…

Curiosidade: Sarah Ferguson (“Fergie”), casada com o Príncipe Andrew, era parente de Lady Di, por parte de Georgiana. E Charles Grey, o conde de Grey, é quem dá o nome ao famoso chá Earl Grey.

Falando Grego (My Life in Ruins)

Falando Grego (My Life in Ruins), comédia romântica de Donald Petrie, 2008.
C

Enredo: A professora de história Georgia (Nia Vardalos) mudou-se dos EUA para a Grécia, atrás do seu amor; perdeu o amor e o emprego de professora e acabou tendo que se tornar guia turística. Mas seus conhecimentos sobre a Grécia antiga e ruínas são inúteis diante de turistas que buscam diversões mais mundanas, como comprar suvenires e beliscos; assim, sua insistência em narrar o que há por trás das ruínas lhe rende péssimas avaliações dos clientes. Já o seu rival, o guia Nico (Alistair McGowan), recebe os maiores elogios, pois, se não tem paciência para contar histórias, tem bom humor e conhece todas as lojas para turistas. Para piorar a situação de Georgia, Nico está disposto a sabotá-la ao máximo, e, para isto, conta com a ajuda da chefe (Bernice Stegers), que já se cansou das más avaliações da coitada. As táticas incluem deixar para Georgia um ônibus aos pedaços e com ar condicionado em frangalhos; reservar um hotel pior ainda; e reservar-lhe um bando de turistas chatos. O grupo que lhe é destinado conta com americanos com piadinhas insossas (Rachel Dratch e Harland Williams) e mulherengos (Jareb Dauplaise e Brian Palermo), ingleses antipáticos (Caroline Goodall e Ian Ogilvy) com uma filha adolescente de cara amarrada (Sophie Stuckey), australianos (Simon Gleeson e Nathalie O’Donnell) cujo inglês nem os americanos entendem, divorciadas à procura de romance (María Botto e María Adánes), uma velhinha (Sheila Bernette) perita em furtar lojas de suvenires e o solitário Irv (Richard Dreyfuss), que vive contando piadas que nem sempre agradam. Para arrematar a trupe, um motorista de nome estranho, Poupi Kakas (Alexis Georgoulis), com cara de abominável homem das neves e calado como ele só. Mas é de onde menos se espera que vêm as melhores surpresas e Irv e Poupi serão os catalisadores de interessantes mudanças. Daí poderá sair um passeio agradável, com direito à descoberta do amor.

Avaliação: Pensei: “Mais um filme sobre gregos com a Nia Vardalos? Ah, desta vez não terá o pique de “Casamento Grego”"… Mas saiu uma obra gostosa, novamente produzida pelo casal Tom Hanks e Rita Wilson. Não se compara a “Casamento Grego”, mas é bem gostoso. A Sarah gostou, sem dar uma nota especial. Minha mãe já vira e gostara, mas mais por causa das paisagens. Eu nem vi tantas delas, só um pouco do belo mar, das tradicionais e atraentes casinhas brancas e algumas das portentosas ruínas, o que até me atraiu, mas não tanto como o romance, os lances cômicos (vários e bem light, ao longo do filme), as gozações sobre as características de cada nacionalidade naquela Torre de Babel e principalmente o enredo bem engendrado, centrado na procura do amor por Georgia, e no drama pessoal de Irv, interpretado com carinho por Richard Dreyfuss. Aliás, cada ator naquele ônibus consegue seu momento de brilho em pelo menos uma cena divertida. Não será um clássico, mas vale super a visita. Pena que esteja em fim de carreira nos cinemas.

Ah, claro, o título. A “tradução” ficou boa, mas o original, com seu duplo sentido, é mais legal.

An Alarming History of Famous (and Difficult!) Patients

An Alarming History of Famous (and Difficult!) Patients, livro de Richard Gordon sobre eventos da história da medicina, 1997. C

O autor (seu nome verdadeiro é Gordon Ostlere), médico e autor de best-sellers, é um médico que escreve com propriedade e talento, que já narrou desventuras de médicos e seus “desastres” em outro livro igualmente cativante e hilário. Neste livro, ele trata de pacientes problemáticos – fossem eles escritores, reis, rainhas, artistas, médicos, ou pessoas comuns que, se não ficaram famosas à época por conta dos eventos narrados, deixaram para o Dr. Gordon a tarefa fazê-lo. Hitler e suas lavagens anais, Stalin e a perseguição aos médicos que o atendiam, Mary Tifóide e o surto que ajudou a espalhar por vários anos… Charles Dickens, Rainha Vitória, Franklin Roosevelt e outros completam esta história, onde médicos (ou seus precursores) tiveram que lidar com pacientes realmente recalcitrantes.

Uma leitura rápida, divertida e dividida em capítulos que podem ser lidos como livros independentes.

Psicose (Psycho)

Psicose (Psycho), suspense criminal com toques de terror de Alfred Hitchcock, 1960. C

Enredo: Marion Crane (Janet Leigh) deseja ardentemente casar com Sam Loomis (John Gavin), mas eles não têm condições financeiras, principalmente porque Sam tem uma pensão alimentícia a pagar. Num momento de desespero, o deslize: aproveitando um momento fugaz, Marion furta uma grande soma de seu patrão (40 mil dólares à época) e parte ao encontro ao namorado, que nem suspeita do fato. Tempestade, estrada perigosa e Marion acaba se abrigando no motel quase abandonado de Norman Bates (Anthony Perkins), um rapaz que vive sob a sombra da mãe. A presença de Marion perturba Bates, que fica atraído por ela. É a sentença de morte para Marion, pois a influência da possessiva mãe de Norman não permite lugar para outra mulher. O chuveiro é o local da execução da sentença… (numa cena cuja trilha é sinônimo de suspense). No encalço de Marion, o detetive Arbogast (Martin Balsam), que procura reaver o dinheiro furtado, encontra Sam Loomis e a irmã de Marion, Lila (Vera Miles). Agora, são três pessoas que seguem pistas que vão dar no Motel Bates. Mais três candidatos a morrer no local.

Avaliação: A cena das facadas no banheiro, acompanhada da trilha sonora do grande Bernard Herrmann (de quem minha preferida é a trilha de Intriga Internacional, talvez o melhor filme que eu já tenha visto de Hitchcock), tornou-se um clássico, e creio que devemos isto a Hitchcock, que sabia como ninguém transformar estórias simples como esta num enredo cativante. Realmente, o enredo é curto (mas bem bolado, diga-se), os personagens são poucos, mas o filme… Não sei há quantos anos eu o vira, mas valeu a pena rever… E lá se vão quase cinqüenta anos de seu lançamento. A Sarah já tinha visto, mas, como sempre, assistiu como se fosse a primeira vez. Hitchcock… um gênio.

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper)

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper), drama de Nick Cassavetes, 2009. C

Enredo: Acompanhamos o filme através das lembranças de cada personagem. Kate Fitzgerald (Sofia Vassilieva) tem 13 anos e sofre leucemia promielocítica aguda (LPA). Ela chegou num estágio tal que seus rins não mais funcionam e depende de um transplante. A única que pode doar um rim é sua irmã mais nova Anna (Abigail Breslin), previamente concebida em proveta justamente para servir de doadora de órgãos e tecidos para Kate. No início, os procedimentos eram simples: cordão umbilical, um pouco de sangue, mas, com o passar do tempo, tornaram-se mais complicados e dolorosos: medula, injeções na bacia, com conseqüentes infecções, intervenções que exigiam internação. A esta altura, Anna resolve não mais ser doadora. Para tanto, recorre a um famoso advogado. Pretende acionar seus pais e pleitear judicialmente o que o advogado, Campbell Alexander (Alec Baldwin) intitula de “emancipação médica”. . Revoltada e sem compreender o que levou a filha, tão ligada à irmã, a tomar tal decisão, Sara (Cameron Diaz), mãe das meninas, está certa de que o famoso advogado, que defende a filha sem nada cobrar, deseja apenas maior projeção com o caso. É aí que resolve retomar a carreira de advogada e atuar contra a filha. Neste turbilhão são envolvidos o pai das meninas (Jason Patric), um bombeiro dedicado ao trabalho e que mal tem tempo de cuidar da família, o irmão (Evan Ellingson), cujos intensos problemas pessoais ficam relegados a segundo plano e a irmã de Sara (Heather Wahlquist), que também dedica sua vida a ajudar a família. A dominadora e intransigente Sara, dedicada quase que apenas à filha doente, complica uma situação já difícil, que terá que ser decidida pela juíza De Salvo (Joan Cusack), que também passa por um drama pessoal intenso, a terrível perda da filha.

Avaliação: Minha mãe, a Sarah e eu adoramos este filmaço, lindo e triste, que deixou boa parte do cinema em choro convulsivo. Extremamente tocante, não é piegas e retrata uma situação plausível, que careceria até de discussão profunda. Os personagens são todos bem montados e cativantes, mesmo os menores, como os da juíza (Joan Cusack), do advogado (Alec Baldwin, que mantém uma pose de irreverência, que esconde algo mais e culmina num toque especial para o filme) e o do médico (David Thornton) que acompanha com carinho e sobriedade o caso de Kate.

Risco Duplo (Double Jeopardy)

Risco Duplo (Double Jeopardy), suspense criminal de Bruce Beresford, 1999.C

Enredo: Libby (Ashley Judd) e Nick Parsons (Bruce Greenwood) formam um casal rico e feliz. Ou, pelo menos, é o que pensa Libby até se descobrir suja de sangue do marido, que sumiu no barco onde estavam e ser acusada de matá-lo para ficar com o dinheiro do seguro. Sem ter a quem recorrer, pede à amiga Angie (Annabeth Gish) que cuide do filho pequeno (Benjamin Weir). Presa, julgada e condenada, um acaso a leva a descobrir que seu marido pode estar vivo e que sua morte pode ter sido um golpe. Libby consegue a condicional e escapa do oficial responsável, Travis Lehman (Tommy Lee Jones, em mais um papel de policial “caxias”), um sujeito que está nesta função contra a vontade, por ter provocado um acidente ao dirigir bêbado. Mas é recapturada. Mesmo acreditando que ela possa estar contando a verdade a respeito do marido, Travis tem um dever a cumprir. Mas Libby não desiste e tenta nova fuga.

Avaliação: Vi com a Sarah a primeira vez e, como “Olho Por Olho” e “Prenda-me, Se For Capaz”, é um daqueles que a televisão volta e meia repete – e a Sarah volta e meia assiste. E com razão, pois é muito bom, muito esperto e prende bem. Eu mesmo já o revi uma ou duas vezes. Na primeira vez, achei meio clichê, mas é interessante ver como a heroína busca desvendar este imbróglio. Clichê ou não, o filme prende.

O “double jeopardy” do título em inglês refere-se a uma figura jurídica do direito americano e de outros (creio que seria a exceção da coisa julgada“), pela qual não se pode condenar uma pessoa duas vezes pelo mesmo crime (vejam a análise jurídica em http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9099, mas atenção, porque este link revela detalhes da trama). Tem lá suas forçadas, como a heroína ser condenada por um assassinato sem que haja corpo ou testemunhas, apenas sangue em suas mãos.

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy)

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy), drama de Bruce Beresford, 1989. C

Enredo: Para o compreensivo e paciente Bollie (Dan Aykroyd), o pequeno acidente de carro de sua mãe, a sofisticada Miss Daisy (Jessica Tandy), é a prova de que ela não tem mais condições de guiar. Ele providencia-lhe um chofer, Hoke Colburn (Morgan Freeman), mas ela reluta em aceitar a ajuda e recebe o novo funcionário de cara fechada. Mas Hoke não desiste e faz de tudo para agradar a patroa. Com o tempo, ele vai conseguindo seu intento e forma-se uma sólida e bela amizade.

Avaliação: O enredo é simples e tem poucos personagens, mas o diretor conseguiu extrair o máximo da estória, ajudado pelo trio de atores principais (na realidade, o papel de Dan Aykroyd – o menor dos três – soou-me o mais simpático). De quebra, através da judia Miss Daisy e do negro Hoke, consegue-se ter um leve panorama do sul racista dos EUA de 1950. Um filme cativante, que vi no cinema há vinte anos e tive a felicidade de rever com meus pais e a Sarah em 2007.

Olhos de Gato (Cat’s Eye)

Olhos de Gato (Cat’s Eye), suspense de terror de Lewis Teague, baseado em contos de Stephen King, 1985. C

Enredo: Três estórias unidas por um gato preto, que se faz presente em todas elas, até tornar-se o protagonista da terceira. Na primeira, um fumante (James Woods) resolve seguir a dica de um amigo e largar o vício com os métodos pouco convencionais do Dr. Monatti (Alan King), que usa e abusa de ameaças, aliando-as por vezes a medidas violentas, não poupando nem a família do viciado. Na segunda, um tenista (Robert Hays) torna-se amante da esposa de um mafioso viciado em apostas (Kenneth McMillan) e, pego, vai ter que entrar numa perigosa aposta para salvar sua vida. A terceira mostra nosso gato preto em ação, adotado por uma menininha (Drew Barrymore) a contragosto dos pais dela, que inventam desculpas para se livrar do bichano: alegar que ele pode roubar o ar da pequena enquanto dorme é uma delas. Porém, a menina insiste em dizer que um duende que saiu da parede é quem está roubando seu ar. Pra quê…

Avaliação: A primeira estória é de dar raiva da clínica, que, para um bom objetivo, usa métodos insólitos e abomináveis. A segunda é razoável, mas não me empolgou muito nem na primeira vez que assisti ao filme. A terceira é genial, empolgante, muito bem bolada, o gatinho e Drew Barrymore dão um show. Não há quem assista e não me comente que o filme é muito bom (a Sarah, inclusive, que viu por minha recomendação). O tipo de filme que eu poderia rever “n” vezes.

Apollo 13 (Apollo 13)

Apollo 13 (Apollo 13), suspense
dramático de Ron Howard, 1995.
C

Enredo: “Houston, we’ve had a problem”. Estamos em 1970 e a terceira missão tripulada à Lua será lançada, mas o público já não está tão envolvido pelo assunto. Assim, a partida de Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon) não desperta interesse, a não ser em suas famílias e na equipe em solo, comandada por Gene Kranz (Ed Harris) e apoiada por Ken Mattingly (Gary Sinise), que perdeu a chance de voar na Apollo por causa de um sarampo que nem se concretizou. Perder o vôo talvez tenha sido sua sorte, pois, antes mesmo da chegada à Lua, uma explosão num tanque de oxigênio põe o vôo em perigo. A missão agora não é mais chegar à Lua, mas retornar à Terra em segurança. Com um mínimo de materiais e o máximo de criatividade, a tripulação e a equipe em solo terão de achar uma solução para evitar que a nave fique sem ar e os tripulantes morram sufocados. Agora, sim, a toda a atenção da Terra está voltada para a Apollo 13.

Avaliação: Suspense fantástico, muito bem feito, e que empolga mesmo quando se sabe o fim do drama. Adorei no cinema, adorei em DVD. A Sarah achou bom, mas não excepcional, mas eu usaria este adjetivo sem dúvida alguma. Acompanhar não somente o drama, como a genialidade das soluções que vão sendo criadas, torna-se muito mais envolvente quando nos lembramos que os computadores da época, apesar de enormes, tinham uma capacidade de processamento equivalente a algo como uma máquina de calcular atual.

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A)

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A), drama policial de Sidney Lumet, 1990.

Enredo: O detetive Michael Brennan (Nick Nolte) é um policial violento, mas considerado exemplar. Sua situação complica-se quando ele embosca e mata um informante a sangue frio e alega legítima defesa. O caso vai para a Corregedoria e fica a cargo do novato Procurador-Assistente Aloysius Reily (Timothy Hutton), que leva a tarefa a ferro e fogo, mas encontra a resistência do corporativismo dos colegas de Brennan, bem como de seu superior, o poderoso Kevin Quinn (Patrick O’Neal). Os três vêm de famílias de origem irlandesa que se conheciam, mas isto não impede o agravamento dos atritos. A única chance de Reily é o testemunho de Bobby Texador (Armand Assante), mas Texador é um conhecido traficante e agiota e sua palavra não tem grande valor. Tampouco sua vida, pois seu “amigo” Brennan fará de tudo para eliminar esta testemunha.

Avaliação: Eu me lembrava de ter gostado muito do filme quando o vi no cinema, mas, quando revi em DVD, não fiquei empolgado. O filme é médio, um pouco arrastado.

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees)

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees), drama roteirizado e dirigido por Gina Prince-Bythewood, 2008.

Enredo: 1964. Martin Luther King luta para que não haja mais a abominável segregação racial para o uso de banheiros, bebedouros, cadeiras nos cinemas, nos ônibus… Na Carolina do Sul, um dos estados mais segregacionistas dos EUA, vive Lily Owens (Dakota Fanning), uma garota de 14 anos que, após a perda da mãe dez anos antes, vive sob os cuidados da empregada Rosaleen (Jennifer Hudson) e as surras do pai (Paul Bettany). Sua lembrança mais freqüente são os momentos finais da mãe, a briga com o pai, o olhar de súplica da mãe para a filha, a arma caída e o disparo acidental da pequena Lily. O pai está mais preocupado em recriminar a falecida esposa e curtir a dor da sensação do abandono, ao passo que Lily lamenta o disparo que a impediu de fugir com a mãe. Cansada de apanhar e sonhar com dias melhores, a garota vê na surra que Rosaleen toma de racistas brancos a gota d’água para tomar a drástica decisão de abandonar a casa. Junto com Rosaleen, cai na estrada e vai à procura de uma cidadezinha perdida e das lembranças da mãe que ficaram numa pequena jarra de mel – lá ela espera poder descobrir se o pai tinha razão ou se sua mãe voltara para casa naquele dia fatídico apenas para buscá-la. É assim que as andarilhas acabam acolhidas pelas irmãs Boatright. Em comum, as irmãs têm a dedicação à apicultura, o sucesso financeiro e o conforto mesmo numa região onde predomina o racismo. De resto, são completamente diferentes. Auguste (Queen Latifah), a mais velha, é compreensiva e acolhedora; June (Alicia Keys) é uma culta professora e violinista, que prefere ser livre a admitir que ama e casar-se; May (Sophie Okonedo) é a “coração-mole”, sempre solícita e sorridente, mas que “carrega nos ombros o peso do mundo” após a morte da irmã gêmea e está sempre a um passo de chorar quando recebe qualquer notícia triste. É com estas irmãs que, em meio a diversos percalços, Lily vai aprender sobre o amor pela vida, pelo trabalho, pelas abelhas e seus mistérios e descobrir a paixão.

Avaliação: A Sarah não quis assistir, pois sabia que a estória era triste e violenta demais. Mas não é bem assim. O filme tem momentos onde a personagem de Dakota apanha do pai, brancos maltratam negros, mas nada que seja tão pesado (apesar de revoltante). O enredo é bom, simpático, mas não tão cativante. Das sugestões de nossa amiga Teté, eu preferi o drama romântico Quatro Amigas e Um Jeans Viajante 2 a este (apesar de que os temas são bem diferentes). Mas vale a pena; mesmo não sendo excepcional, o filme é bonito.

A Órfã (The Orphan)

A Órfã (The Orphan), suspense de terror de Jaume Collet-Serra, 2009.C

Enredo: O nascimento de Jéssica, terceira filha do casal – era muito desejada pelo casal Kate (Vera Farmiga) e John Coleman (Peter Sarsgaard). Mas Kate perde o bebê e é submetida a uma cirurgia que a impede de ter outros filhos. Após um período de depressão que a leva à bebida, liberta-se do vício com ajuda da psiquiatra Dra. Browning (Margo Martindale). É o momento certo para adotar uma menina – e a candidata surge na figura de Esther (Isabelle Fuhrman), uma garotinha de rosto e atitudes angelicais, talentosa e retraída, trazida da Rússia para o orfanato dirigido pela irmã Abigail (CCH Pounder). A irmã Abigail demonstra satisfação com a decisão do casal, não obstante a intrigue o fato de Esther sempre estar presente a tragédias. Some-se a isto que Esther e John se deram bem logo no primeiro contato. Único conselho de irmã Abigail: não tentem tirar de Esther o lenço que usa no pescoço, pois ela reage… Na casa dos Coleman, Esther mostra talentos precoces: pinta muito bem, em pouco tempo está tocando Tchaikovsky e dominando a linguagem de surdos-mudos para conversar com a filha do casal, a pequena Max (Aryanna Engineer). As duas meninas se dão bem, mas Daniel (Jimmy Bennett) olha desconfiado para sua nova irmã e a repele, assim como quase todos os alunos da escola que freqüentam. E os problemas começam em seguida: um “acidente” com a colega que maltrata a vingativa Esther, as ameaças dela ao irmão, a pressão sobre Max para obter sua cumplicidade, as tentativas de fazer Kate e John se desentenderem e de fazer Kate voltar ao vício da bebida. Ao contrário de John, Kate, pouco a pouco, desconfia da filha e, com a ajuda da irmã Abigail, inicia a investigação dos mistérios do passado de Esther. Uma atividade arriscada e que encontra apenas a desconfiança de John, que acredita cada vez mais na ardilosa Esther e menos na esposa. Azar o dele…

Avaliação: Apesar das críticas quanto aos clichês e situações improváveis que andei lendo, e com as quais concordo em parte, não creio que estas “forçadas” atrapalhem o enredo, e o filme continua sendo um suspense de primeira. A Sarah gostou bastante. Minha mãe achou que prendeu bem mais que “O Seqüestro do Metrô” (a refilmagem de 2009), que assistira recentemente. E você fica realmente tenso o tempo todo, ainda mais porque Isabelle Fuhrman capricha na interpretação. E tem um ótimo apoio na pequena Aryanna Engineer, que, no papel de sua irmã menor e dominada, consegue expressar medo e terror com um requinte próprio e inimitável. Vale a pena ver e tremer.

Brüno (Brüno)

Brüno (Brüno), comédia adulta e escrachada de Larry Charles, 2009.

Enredo: Neste filme da Üniversal Stüdios, O über modelo Brüno comete üma gafe monümental em desfile em süa Viena natal e assim, afünda definitivamente a carreira, o qüe inclüi a perda de üm programa qüe condüzia.. Para piorar, é abandonado por todos, inclüsive, namorado (Clifford Bañagale) Apenas o assistente (Güstaf Hammarsten) de seü assistente, cüjo nome Brüno ignora, mantém-se ao seü lado. É aí qüe o über modelo resolve tentar nova carreira nos Estados Ünidos, tal qüal, seü antecessor Schwarzenegger, “oütro gay qüe fez carreira nos EÜA”, segündo ele. Brüno fracassa no papel de ator; na apresentação de seü próprio show. Diante disto, arrisca a fama tentando pôr fim ao secülar conflito entre israelenses e palestinos obviamente, sem êxito (apesar de até compor üma música pela paz). Por fim, concebe qüe só fará sücesso se “converter-se” ao heterossexüalismo – üma tarefa impossível, à qüal se dedicam com afinco pastores, Güarda Nacional, caçadores, lütadores de vale-tüdo… Brüno deixa seüs interlocütores invariavelmente desconcertados – e não há como saber qüais diálogos são combinados oü não…

Avaliação: A Sarah abominou o filme, só riu um pouco num momento no final. Minha mãe e eu achamos médio – não há mesmo como comparar a Borat. No dia seguinte, minha mãe ainda refletiu.. e achou que o filme não foi mesmo ruim, mas, com certeza, foi o mais pesado (chulo) que já viu. Para mim, o filme perdeu muito pique a partir do momento em que Brüno procurou “converter-se” ao heterossexualismo. Tinha gente se contorcendo de rir no cinema, mas vi gente impassível. Deu para rir um pouco, mas as piadas são chulas e/ou politicamente incorretíssimas. Não são poupados o casal Angelina Jolie e Brad Pitt, Bono, Sting, o cantor Snoop Dogg, gays, judeus, palestinos, muçulmanos, israelenses, caçadores, a Guarda Nacional, pastores protestantes, a Igreja, negros, africanos, fãs de luta-livre, o mundo da moda, programas de auditório, casais que praticam swing… Sobrou alguém?

Marido por Acaso (The Accidental Husband)

Marido por Acaso (The Accidental Husband), comédia romântica de Griffin Dunne, 2008.

Enredo: O programa de rádio da Dra. Emma Lloyd (Uma Thurman) é um sucesso. Seus conselhos amorosos são levados a sério pelas ouvintes, inclusive por Sofia (Justina Machado), que acaba convencida a desfazer o noivado às vésperas do casamento. O noivo é o bombeiro Patrick Sullivan (Jeffrey Dean Morgan) – que, por acaso, ouve o programa e recebe a notícia no ar… Mas ele não deixa por menos e resolve vingar-se. Para tanto, conta com a ajuda de um amigo perito em informática e adultera os registros públicos, onde passa a constar como marido de Emma. Às vésperas do seu próprio casamento, Emma tem que descobrir quem é seu “marido” e obter sua assinatura nos papéis da anulação do casamento, que atribui a um equívoco. Patrick encontra sua oportunidade e vai intrometer-se na prova do bolo do casamento, no lançamento de seu livro e… na vida romântica doutora. Enquanto isto, o verdadeiro noivo e editor (Colin Firth) vai ficar em segundo plano.

Avaliação: Idéia interessante, filme nem tanto. Como eu temia pelo trailer, trata-se de um grande clichê, com final ruim. Fiquei olhando o relógio e o filme só tem 90 minutos. Se não eu, pelo menos minha mãe e a Sarah acharam razoável…

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil)

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil), drama com fundo histórico de John Curran, baseado em um livro de William Somerset Maugham, 2006.

Enredo: 1925. A jovem Kitty (Naomi Watts) pensa ser cedo para pensar em casamento, pois leva uma vida de luxo e confortável, com direito a festas e intensa vida social. Mas sua mãe a lembra de que o pai não irá sustentá-la para sempre – este será papel do marido. Ela sente-se pressionada e, mesmo sem corresponder, acaba cedendo ao pedido do tímido e recatado bacteriologista Walter Fane (Edward Norton), que está profundamente apaixonado por ela. Casados, Walter volta para seu posto em Xangai, na China, onde, como diz a ela, a vida social será divertida. Mas são tempos difíceis no país, pois os chineses estão cada vez mais irritados com a excessiva influência dos europeus nos rumos do país e – gota d’água – policiais ingleses acabaram de matar onze operários chineses que protestavam contra as condições das fábricas, e os nacionalistas de Chang Kai-shek estão propagando crescente ódio aos ocidentais. Sem amor por Walter, que se dedica integralmente às pesquisas e nutre uma vida monótona, Kitty é logo seduzida pelo vice-cônsul inglês (Liev Schreiber, marido de Watts na vida real). Ciente do caso, o discreto Walter resolve aceitar um posto numa cidade distante, onde poderá salvar vidas da epidemia de cólera que toma conta do país – e, ao mesmo tempo, afastar a esposa do amante. E, ao contrário do que esperava a ingênua Kitty, o amante não abandona a esposa e, sem alternativa, a não ser um escandaloso divórcio, Kitty segue o marido. Walter empenha-se em evitar o alastramento da epidemia e em salvar as crianças do convento local. Solitária e isolada, Kitty também começa a envolver-se com as crianças – e a perceber que Walter tem qualidades… Mas as cada vez mais antipáticas medidas de Walter para conter a epidemia, não parecem ser suficientes e só fazem aumentar o ódio da população, tornando mais difícil a situação do casal.

Avaliação: O filme ficou pouco tempo em cartaz, o trailer não me impressionou muito e acabamos perdendo. A Sarah acabou vendo na TV a cabo e adorou, recomendando-me. Achei a estória boa, o filme bom… Mas lento. A Sarah não gostou do final, e eu, ao contrário, o considerei bonito. Mais do que o rumo do relacionamento do casal, o que me atraiu foi o pano de fundo histórico: a epidemia de cólera, a descoberta de seu alastramento pela água consumida, as medidas para evitá-la, os problemas com a população local, suas crenças e hábitos, o panorama político, com a ascensão de Chang Kai-shek (que mais tarde viria a ser o primeiro presidente de Taiwan) e sua luta contra a excessiva influência ocidental – principalmente dos ingleses – na China, as tentativas de converter os chineses ao catolicismo por parte dos conventos, através de suas obras sociais.

Os Falsários (Die Fälscher)

Os Falsários (Die Fälscher), drama sobre evento da Segunda Guerra escrito e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, 2007.

Enredo: 1936. Nos primórdios da Alemanha nazista, ainda há lugar para o Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics) ganhar a vida com suas falsificações – cheque, dinheiro, tudo lhe é possível. Mulheres, dinheiro e bebidas vêm facilmente – até que ele é preso pelo superintendente Friedrich Herzog (Devid Striesow). Este comemora a prisão do “Rei dos Falsários”; o outro lamenta o fim da vida mansa e, para este, começam as humilhações e surras destinadas aos prisioneiros, principalmente aos judeus, no campo de concentração de Mauthausen. Quebrando pedras, suas mãos já não conseguem pintar e desenhar, mas ele ainda tem forças para fazer alguns desenhos – e é este seu talento, aliado ao seu passado, que convencem Herzog (novamente ele) a levar Sally para o campo de concentração de Sachsenhausen e usar os serviços do judeu para assumir o comando de uma equipe de peritos judeus de diversas áreas e imprimir (sem trocadilhos…) maior velocidade à maior operação de falsificação já realizada na história, a “Operação Bernhard”. Com ela, os nazistas pretendiam inundar os mercados com falsas libras esterlinas e, posteriormente, dólares falsificados e, assim, arruinar a economia dos aliados. A equipe tem tratamento diferenciado dos outros prisioneiros: são chamados pelo nome (em vez de pelos seus números), suas camas têm colchão, eles não comem a sopa rala dos outros e usam roupas civis. Mas, se isto é um alívio para os sofrimentos de Sally, que leva sua missão a sério, por outro lado, torna-se uma questão torturante para seu colega Adolf Burger (August Diehl) – afinal, eles estão usando roupas tiradas de outros prisioneiros exterminados pelos nazistas, falsificando passaportes a partir de documentos de outros prisioneiros assassinados e convivendo diariamente com os gritos dos outros internos, espancados ou mortos pelos nazistas, sob as ordens do sádico Holst (Martin Brambach), o auxiliar de Herzog que gostaria de eliminar também toda a equipe. As falsificações vão indo bem, passam pelos testes mais difíceis, mas, quando surge o momento de falsificar o dólar, Burger resolve sabotar a operação. Neste momento, Sally tem que tomar uma decisão: arriscar a vida de todos, caso Herzog descubra a sabotagem, ou ajudar Burger e fazer com que eles agüentem até a iminente chegada dos aliados e a possível libertação? E se ajudar Herzog fosse a única maneira de obter os remédios para poder salvar o companheiro Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky)? Por outro lado, se a operação der certo, os aliados perderão a guerra e a equipe será certamente eliminada. Muitas faces de uma questão complicada. E Sally toma sua decisão.

Avaliação: A Gisele e a Sarah acharam este filme (baseado em eventos reais) médio, cansativo. O Carlinhos achou bom, eu, idem. Mas, com o passar dos dias, fui refletindo sobre as cenas e situações e considerei o filme muito bom. Tem momentos mais lentos, certamente. Mas o filme tem cenas sutis, com pouca violência explícita, mas que deixam muito claro o sofrimento dos prisioneiros. Por exemplo:

  1. Diversos deles eram obrigados a caminhar em círculos até a morte para testar as botas que seriam produzidas para os soldados;
  2. Outros manipulavam roupas e documentos que poderiam ter pertencido a parentes seus assassinados.
  3. O terror da chamada dos prisioneiros, que tinham que responder rapidamente pelo número (alguns deles os tinham gravado no braço);
  4. O medo de que as duchas fossem câmara de gás;
  5. Os tiros que se ouviam a toda hora do outro lado dos tapumes.

Outro ponto interessante: além da diferença de opinião sobre como proceder, havia também as diferenças pessoais entre eles, bem exemplificadas pelo desprezo que os judeus que vinham da vida honesta e trabalharam em bancos demonstravam pelo trambiqueiro Sally.

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show)

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show), drama de Robert Redford, baseado no livro de Richard Goodwin, 1994.  C

Enredo: O filme se passa anos 50. O show “Twenty-one”, de perguntas e respostas sobre conhecimentos gerais, tem como atração principal há vários meses Herbert Stempel (John Turturro); mas Herbert não tem classe, não é atraente, é judeu e não é de família tradicional – o que nos bastidores é considerado ruim, sobretudo em termos de anunciantes. A solução da produção é forçar a saída do participante, fazendo com que o novo competidor, Charles Van Doren (Ralph Fiennes), acerte uma pergunta preparada, que Stempel errará. Van Doren é o tipo perfeito para os anunciantes: de família com tradição na literatura, bem apessoado, falante e muito culto, com ele o programa venderá qualquer coisa. Com a saída de Stempel, Van Doren vence seus oponentes sucessivamente, mantém-se no ápice, inclusive, figurando na capa das maiores revistas. Mas Stempel não se conforma e acusa a produção do programa de fornecer as respostas antecipadamente ao rival. Difícil de acreditar: um “Van Doren” fazendo falcatruas? Sujando o nome da família liderada pelo corretíssimo e famoso Charles Van Doren (Paul Scofield)? É então que entra em cena um idealista e talentoso investigador, o advogado Richard Goodwin (Rob Morrow), que trabalha para o Congresso americano. A possível fraude tornou-se, agora, uma questão de interesse nacional.

Avaliação: Baseado em fatos reais, este filme trata de eventos que atraíram a atenção de dezenas de milhões de telespectadores americanos. Vi no cinema e, quase quinze anos depois, com a Sarah. Uma história que pareceria banal adquire clima de suspense investigativo. Muito bom. A Sarah também gostou bastante.

Era do Gelo 3 (Ice Age 3 – Dawn of the Dinosaurs)

Era do Gelo 3 (Ice Age 3 – Dawn of the Dinosaurs), desenho animado cômico e de aventura de Carlos Saldanha, 2009.

Enredo: O casal de mamutes Ellie e Manny vai ter um filho. O tigre-de-dente-de-sabre Diego está sentindo-se cada vez mais deslocado e resolve afastar-se por entender que não fará parte da família. Manny considera que o amigo o está abandonando, mas Ellie acha que é tudo questão de uma boa conversa – que não surte efeito… Já o bicho-preguiça Sid, tonto como sempre, não se dá conta da nova situação e inicialmente acha que nada vai mudar. Quando se convence de que não será parte integrante da nova família, sai à procura de uma que possa chamar de sua e acha três ovos de tiranossauro em meio à Era do Gelo. Ele os adota, mas mamãe tiranossauro está à procura dos ovos – e não vai querer saber de dividir a maternidade… É assim que Sid entra numa encrenca no mundo perdido dos dinossauros – bom, ele pediu por isto… E, claro, Manny, Ellie e Diego, apesar de todos os riscos, correm para ajudar o amigo, desta vez com o valioso apoio da doninha Buck, uma espécie de Tarzan local. Enquanto isto… Enquanto isto… O esquilo Scrat encontra uma simpática esquila, mas não sabe se vai atrás dela ou se disputa a famosa avelã… Rola um romance?

Avaliação: Fomos em quatro. Ana Paula, Sergio e Ana acharam médio, o Sérgio, em particular, achou – com razão, a meu ver – que este filme ficou com enredo mais voltado para crianças do que os anteriores. E o que eu gosto nestes desenhos animados é que eles normalmente divertem adultos e crianças. Há cenas divertidíssimas, como as do esquilo Scrat (sempre ele) e sua “namorada”, a “saga” de Sid desajeitadamente cuidando dos ovos, a bagunça no “quarto de brinquedos” da futura cria elefante e o novo personagem, a doninha Buck (bem dublada no original por Simon Pegg); mas, ao fim do filme, percebi que tinha me divertido em momentos esparsos e ficado cansado em diversos outros. Encaixaram mais clima de aventuras do que “sacadas” curtas e engraçadas. É bom, mas… parece que foi feito visando os efeitos em 3D, o que pode ter comprometido o enredo em si.

Drácula, Morto Mas Feliz (Drácula: Dead and Loving It)

Drácula, Morto Mas Feliz (Drácula: Dead and Loving It), comédia de horror de Mel Brooks, 1995.

Enredo: O tabelião Renfield (Peter MacNicol) leva uma escritura para que o Conde Drácula (Leslie Nielsen) assine e se torne proprietário de uma abadia inglesa. Os dois voltam à Inglaterra, mas Renfield já está escravizado pelo olhar do Conde, cujo plano é arregimentar para seu exército de vampiros as donzelas da propriedade vizinha de sua nova aquisição. Mas um incidente com o navio que leva o conde em seu caixão o deixa sem seu criado Renfield, que é internado como louco no asilo do Sr. Seward (Harvey Korman)… que, coincidentemente, é vizinho da nova propriedade de Drácula. Sua primeira vítima é Lucy Westenra (Lysette Anthony), amiga da família Seward. Depois de algumas desastradas tentativas, para as quais depende de conseguir libertar Renfield, o charmoso Drácula consegue transformá-la em vampira. A próxima será Mina (Amy Yasbeck), a filha do Dr. Seward – mas, desta vez, o Dr. Seward e seu futuro genro (Steven Weber) passaram a crer nas teorias do Prof. Van Helsing (Mel Brooks) de que Drácula seja um vampiro e vão lidar com o conde convenientemente.

Avaliação: Que me lembre, é exatamente a estória que vi no “Drácula” de Coppola, com Gary Oldman; imagino que Mel Brooks tenha se mantido fiel ao original. Bem, quase fiel, já que aqui transforma o terror em escrachada comédia. Assisti no cinema e não me lembrava se gostara. Mas confirmei um “sim” com louvor ao vê-lo na TV a cabo em 2009. Leslie Nielsen está ótimo como o desastrado vampiro e seu duelo com o Prof. Van Helsing (Brooks) sobre quem tem a última palavra é uma piada gostosa que vai da metade até o último minuto do filme, um duelo entre dois ótimos comediantes (se bem que, mais para frente, Nielsen “cometeu” alguns filmes bem fracos). Cenas memoráveis: o engraçadíssimo cabelo do conde, a sombra com vida própria, o vampiro dançando no espelho, as tentativas de invasão dos quartos das donzelas, a tentativa atrapalhada de hipnotizar uma de suas vítimas (dez!), a aula inaugural de autopsia do Prof. Van Helsing (dez!), o Prof. Van Helsing ensinando o personagem de Steven Weber a matar um vampiro (dez!). Claro que revi sozinho, porque não é o estilo da Sarah…

A Proposta (The Proposal)

A Proposta (The Proposal), comédia romântica de Anne Fletcher, 2009. C

Enredo: A editora Margaret Tate (Sandra Bullock) é uma megera; quando passa pelos corredores do escritório, seus funcionários escondem-se, fingem que estão compenetrados no trabalho, falam mal dela pelas costas. Entre eles, Andrew Paxton (Ryan Reynolds), o assistente-capacho de Margaret. Seu sonho é que a chefe leia um roteiro, goste e publique seu livro. Mas a bomba chega no dia em Margaret recebe a notícia de que uma viagem que fizera desrespeitara as normas para candidatos à imigração – ou seja, ela será deportada dos EUA. “Mas eu sou canadense”, rebate ela, como se isto pudesse livrá-la do infortúnio. Para proteger seu trabalho – que é o que mais preza – ela é rápida no raciocínio: Andrew é “voluntariamente” arregimentado para um casamento de fachada e, assim, livrá-la da deportação. Por outro lado… Esta é a chance dele devolver as humilhações, galgar posições e ver seu livro publicado. Bom, isto tudo se o encarregado do processo (Denis O’Hare) permitir, pois ele é meticuloso e qualquer falha na história combinada pelo casal configuraria crime … E também se a esnobe Margaret e seus saltos altos agulha sobreviverem ao fim de semana na casa dos pais de Andrew (Mary Steenburgen e Craig T. Nelson), na remota Sitka, no Alasca. E à pressão do pai de Andrew, que desconfia deste casamento, já que o filho sempre falava mal da patroa. E à presença da bela e antiga amada de Andrew (Malin Akerman). Será que vale a pena, Margaret? Ou seria melhor fazer as malas e partir para o Canadá?

Avaliação: Filmaço cômico como há tempos não víamos, de rir do começo ao fim com as peripécias do casal para fingir que se amam – Sandra Bullock e Ryan Reynolds “casam” muito bem. Cenas antológicas: a da águia caçadora de cachorros, Margaret Tate (Bullock) lembrando seus tempos de discoteca, o encontrão dos dois no quarto, as múltiplas habilidades do cantor-stripper-galanteador-funcionário do correio Ramone (Oscar Nuñez) e, claro, a vovó vivida por Betty White…

Ah, a Nancy, Danon e Tetê também viram o filme e o adoraram, acharam sensacional. Como disse o Danon, “Sandra Bullock, magnetizante e vovozinha, SENSACIONAL. Demos gargalhadas como há tempos não fazíamos num filme.”

PS: Minha mãe (que não é fã de comédias do gênero!) e meu irmão adoraram.

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