Reféns (Trespass)

Reféns (Trespass), suspense dramático e criminal de Joel Schumacher, 2011.

Enredo:
Kyle Miller (Nicholas Cage) fez fortuna negociando diamantes. Construiu para si, sua esposa, Sarah (Nicole Kidman), e a filha
(Liana Liberato) uma vida de muito luxo, como deixam claro o carro que dirige e a mansão onde vivem. Mas isto teve um preço: Kyle não conseguiu dar atenção à esposa e filha. Mas as coisas podem piorar, e é o que ocorre quando quatro violentos mascarados conseguem ultrapassar o moderno sistema de segurança e vigilância da casa e fazer o casal Miller refém, para obter os diamantes que estariam no cofre. Mas Kyle sente que, se der aos bandidos o que querem, a família será assassinada. E torce para que a filha não chegue logo em casa. Os momentos são de agonia e à medida que a interação entre bandidos e reféns aumenta, percebemos que pode haver algo mais por trás desta ação do que um simples roubo. Por que Sarah olha de maneira estranha um dos criminosos? Será que Kyle tem algo mais a esconder do que os diamantes? Por que há momentos em que o chefe do bando não parece estar no comando da situação?

Avaliação: Pensei que fosse “mais um daqueles filmes de sequestro envolvendo família pacata, mas que tem lá suas crises”. Fui totalmente desencorajado, sem ter visto trailer ou lido críticas. E fomos todos bem surpreendidos, Nancy, Danon, Sarah e eu. Pensando rapidamente nos últimos anos, vêm à lembrança “Casa de Vidro” (que, como crime, tinha uma abordagem diferente, mas, como suspense, seguia a mesma linha e era assustador), “Refém” (“Hostage”), ótimo filme com Bruce Willis, “Encurralados” (com Pierce Brosnan) e “Encurralada”, com Charlize Theron. Assim, talvez fosse difícil conseguir algo melhor. E este filme realmente não o faz, mas traz várias surpresas e muitas reviravoltas, como era de se esperar de um bom suspense do estilo.

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Casa dos Sonhos (Dream House)

Casa dos Sonhos (Dream House), suspense dramático de mistério de Jim Sheridan, 2011.

Enredo: Will Attenton (Daniel “007″ Craig) resolveu finalmente seguir o conselho da esposa, Libby (Rachel Weisz, esposa de Craig na vida real), largar a estressante vida numa editora da cidade grande e mudar-se com ela e as filhas (Taylor e Claire Geare), para uma casa numa pequena cidade americana, onde poderá se dedicar a escrever seu próprio livro. Mas esta “casa dos sonhos” torna-se um pesadelo quando, primeiramente ele, depois Libby, descobre que, anos antes, ela fora o palco de um brutal assassinato, no qual perderam a vida a mulher e filhas de Peter Ward, antigo proprietário e possível assassino. Internado num hospital psiquiátrico, Ward acabara de ser solto por falta de provas e agora está à procura do assassino. Enquanto isto, a filha menor dos Attenton tem certeza de ter visto outro homem na casa e os Attenton desconfiam que estão sendo vigiados durante as noites. Quase isolados neste local remoto, com a polícia local desviando-se do assunto, resta a Will recorrer à vizinha (Naomi Watts), amiga dos Ward. Todos parecem esconder algo e Will vai descobrir algo que não poderia nunca imaginar ou desejar para si.

Avaliação: Jim Sheridan, que dirigiu os bons dramas de fundo biográfico “Em Nome do Pai” e “Meu Pé Esquerdo”, mudou dramaticamente de faixa e passou para um drama, mas com grandes toques de suspense e mistério. Interessante ideia, mas o filme é apenas bom, sendo que o único que gostou bastante foi nosso amigo Danon. De qualquer forma, tanto ele quanto a Nancy, Sarah e eu tivemos momentos de cansaço neste filme.

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O Preço do Amanhã (In Time)

O Preço do Amanhã (In Time), suspense de ação e ficção científica de Andrew Niccol, 2011.

Enredo: Num futuro em que o gene do envelhecimento foi manipulado, as pessoas podem ter vida eterna e manter sua aparência sempre jovem. Mas isto significaria ter uma Terra superpovoada. Então, as pessoas são programadas para viverem até os 25 anos e, a partir de então, entrar em contagem regressiva, manter sua juventude e morrer um ano depois. Tempo é moeda de troca nesta época. Os pobres sabem que estão fadados a morrer aos 26 anos, os ricos têm quotas de tempo, o que pode lhes garantir vida eterna. Se muitos pobres conseguirem comprar tempo, aumenta o risco de se ter uma Terra superpovoada. Assim, o sistema inflaciona a moeda, aumentando dia a dia o custo de vida, ou seja, atende aos interesses dos abastados. E é no “fuso horário” mais pobre, onde as pessoas têm menos “posses” (tempo de reserva) que vivem Will Salas (Justin Timberlake) e sua mãe (Olivia Wilde). Como todos no seu gueto, estão sempre perto da morte e vivem de pequenos serviços que lhes permitem esticar sua sobrevida dia após dia. É então que Will ajuda o milionário Henry Hamilton (Matt Bomer) a escapar dos Minutemen, ladrões de tempo dos pobres. Will descobre através de Henry que a vida eterna de ócio dos ricos é desmotivadora; “os pobres morrem e os ricos não vivem”, diz Henry. Agradecido a Will, mas sem vontade de viver, Henry o torna dono de sua enorme cota de tempo. Com “tempo de sobra”, e vítima de uma tragédia, Will tem planos de vingança e pretende por fim a esta vida de tensão a que o gueto está submetido, partindo em direção ao Fuso Horário dos mais abastados. Lá, conhece e cativa o milionário Philippe Weis (Vincent Kartheiser) e sua filha Sylvia (Amanda Seyfried). Mas os Guardiões do Tempo estão no encalço de Will, acusado do roubo e morte de Henry Hamilton. Agora, para cumprir seu plano, Will precisará usar seu precioso tempo o mais rapidamente possível.

Avaliação: Quantas vezes você já pensou em como seria bom ter mais tempo para viver? Tempo, não dinheiro, eu disse.

Andrew Niccol já havia escrito o intrigante e belíssimo Gattaca, igualmente uma visão triste (mas com alguma esperança) do amanhã. Acertou novamente com esta ideia do tempo como moeda de troca. O sonho da juventude eterna tem o preço da superpopulação e este filme aborda o assunto de uma maneira muito interessante. Os mais pobres andam com uma espada sobre a cabeça e sabem que têm dia marcado para morrer e que seus esforços por uma sobrevida não deverão lhes conseguir muitos dias – tal qual uma doença terminal, mas aplicada a gente jovem e saudável. A polícia local cuida de evitar roubo de tempo, gangues no gueto que roubam e matam para obter tempo dos habitantes locais não são importunadas pela polícia desde que não se metam a roubar dos ricos. A diferença visível entre ricos e pobres reside não somente nas roupas e bens materiais, mas também no seu passo. Para que ter o passo apressado se você tem uma longa vida pela frente? Pelo trailer, pouco esperava além de um filme de ação banal. Mas essa e outras boas sacadas me fizeram gostar muito do filme, que assistimos por ser o único à disposição no momento… Pena que a Sarah tenha achado ruim e nossos amigos Nelson e Heloisa o tenham considerado médio…

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A Pele Que Habito (La Piel Que Habito)

A Pele Que Habito (La Piel Que Habito), suspense dramático de Pedro Almodóvar, 2011.

Enredo: Traumatizado pela perda da mulher, queimada quando o carro que dirigia explodiu, o cirurgião plástico Robert Ledgard (Antonio Banderas) honra sua memória trabalhando numa pele artificial que permitiria aos transplantados ter sensibilidade ao toque e ainda ser mais resistente a dores e queimaduras. Trata-se, entretanto, de projeto sabidamente proibido pela ética e regras legais. Sua cobaia, Vera (Elena Anaya) está presa num quarto da mansão do médico – que também serve de clínica –, sem que o mundo exterior desconfie de sua existência. . Somente Marilia (Marisa Paredes), fiel empregada do médico, controla o acesso a Vera. A comissão médica que cuida da ética nos experimentos aperta o cerco sobre o Dr. Ledgard ao mesmo tempo em que seus ex-companheiros de equipe pressionam para que ele retome as cirurgias, o que ele recusa. Ele recusa também a aproximação de sua cobaia, por motivos que iremos descobrir aos poucos, à medida que serão reveladas mais perdas na vida do Dr. Ledgard e sua relação com o jovem Vicente (Jan Cornet) e a fiel escudeira Marilia.

Avaliação: Era o filme que veríamos com os amigos Nelson e Heloisa quando fomos ver “O Preço do Amanhã”; porém, como a Sarah e eu não somos fãs do diretor espanhol… Mas o casal acabou vendo o filme “A Pele…” no dia seguinte e adorou. Assim, fomos nós também. Desta vez, houve uma divisão: a Sarah adorou e eu achei cansativo, aflitivo. E não sei se a aflição decorre do suspense, do querer ver o mistério resolvido ou se porque o filme é lento. De qualquer jeito, a revelação que o filme proporciona é chocante e muito bem bolada.

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A Árvore do Amor (Shan Zha Shu Zhi Lian ou Under the Hawthorn Tree)

A Árvore do Amor (Shan Zha Shu Zhi Lian ou Under the Hawthorn Tree), romance dramático de Zhang Yimou, 2010.

Enredo: Em 1966, para evitar a “contrarrevolução” que seria pretensamente levada a cabo por “inimigos do regime” (na verdade, uma ala mais esclarecida do PC chinês, que percebeu o desastre provocado pelo “Grande Salto Adiante” de Mao Tse Tung, anos antes), o “grande líder” instituiu a Revolução Cultural, pesadelo que durou até sua morte, em 1976. O “cultural” pretendia, entre outros, “reeducar” os intelectuais da cidade com o exemplo do campo. E assim, os inimigos do regime foram encarcerados, torturados ou mortos e seus parentes enviados a vilarejos.

Este foi o caso da jovem Jing (Zhou Dongyu), cujo pai fora encarcerado e a mãe (Xi Meijuan) passara a trabalhar como faxineira numa escola. Jing deixa a casa onde vivia com a mãe e irmãos menores e é enviada para ser “reeducada” no campo. A preleção “revolucionária” começa sob um espinheiro-alvar (título do original em mandarim) que, corre a lenda, geraria flores vermelhas, no lugar das brancas, pois aí teria sido vertido o sangue de heróis chineses em batalha com os inimigos japoneses, na Segunda Guerra. Mas o sonho de Jing é tornar-se professora o que, dados os “maus antecedentes” de sua família, exige mostrar com todo vigor seu amor ao partido e à figura do “Grande Timoneiro” Mao. Lá ela conhece Sun (Do Shawn), estudante de geologia, de família mais abastada, filho de um general e cuja mãe também caíra em desgraça. A paixão que surge entre ambos é evidente, mas a idade de Jing e o medo de sua mãe de que este envolvimento acabe de vez com a carreira da jovem e as possibilidades para a família, impedem o romance. Jing volta para sua cidade, mas Sun a segue e está sempre tentando ajudá-la a desempenhar suas tarefas – e ela se voluntaria para as mais pesadas, apenas para se provar merecedora do cargo que almeja. Jing sabe que está proibida de vê-lo ou procurá-lo até que garanta seu emprego de professora e atinja 25 anos de idade, mas como viver sem Sun?

Avaliação: Excelente indicação do meu amigo Yuji, que vira o filme e adorou revê-lo. Uma obra de arte, que aborda – apesar de que menos do que imaginei – os crimes da Revolução Cultural, que serve mais como pano de fundo para a história e para entendermos o porquê da família da jovem Jing estar submetida à situação descrita. O filme retrata, sobretudo, a história real de um romance muito delicado, vivido por dois jovens sensíveis (e interpretados magnificamente pela dupla de atores). Ao final da sessão, ouvia-se o choro pela sala. E é difícil recordar o filme ou ouvir novamente a cativante trilha sonora sem me emocionar.

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Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Digital (Medianeras)

Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Digital (Medianeras), romance de Gustavo Taretto, 2011.

Enredo: Mariana (Pilar López de Ayala) vive num minúsculo apartamento de Buenos Aires, cheia de fobias, sofreu uma decepção amorosa, trabalha como vitrinista, mas queria mesmo conseguir um grande projeto de arquitetura, sua formação. Martin (Javier Drolas) também reside num pequeno apartamento na cidade e tal qual Mariana, sofre fobias e teve uma decepção amorosa, que lhe deixou como herança um pequeno cachorro. Eles procuram algo que lhes preencha a vida e acabam tendo romances fugazes, que nada acrescentam. Mariana e Martin nasceram um para o outro, mas não sabem disto. A mesma internet que os junta nas salas de bate-papo os mantêm separados, pois mal têm vida social. Suas vidas estão sempre se cruzando, mas eles não percebem um o outro. O que os separa fisicamente são apenas as “medianeras”, aquelas inúteis paredes laterais dos prédios que servem para receber propaganda. Inúteis? Talvez nem tanto…

Avaliação: Este filme foi tão bem falado como seu conterrâneo “Um Conto Chinês” e está sobrevivendo em cartaz igualmente há longo tempo (pouquíssimas salas, horários difíceis, mas aí está). Estava curioso para vê-lo. Mas nem se compara ao “Um Conto Chinês”. A impressão minha e de minha mãe é que a ideia é muito simpática, os protagonistas idem, você torce para que eles se juntem, mas o enredo desenrola-se lentamente e o filme, apesar de bem gostoso, fica muito cansativo em vários momentos.

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A Condenação (Conviction)

A Condenação (Conviction), suspense dramático e criminal de Tony (o vilão de “Ghost”) Goldwyn, 2010.

Enredo: Kenny Waters (Sam Rockwell) era arruaceiro, briguento e o perfeito cafajeste desde criança. Mas assassino? Pelo menos é disto que está convencida a policial Nancy Taylor (Melissa Leo). E, após poucos anos, ela tem as provas e o testemunho da ex-mulher (Clea DuVall) e da ex-namorada (Juliette Lewis) de Kenny, suficientes para condená-lo à prisão perpétua pelo brutal latrocínio de uma vizinha. Afastado da filha e da ex-mulher, ele só tem a irmã a acreditar em sua inocência. Betty Anne Waters (Hillary “Menina de Ouro” Swank) é desesperadamente ligada a ele, traumatizada pela separação a que foram submetidos na infância, quando sua mãe perdera a guarda deles. Decidida a provar a todo custo que houve um erro da Justiça e sem recursos para contratar um bom advogado, decide voltar ao colégio, terminar seus estudos e cursar Direito, tornando-se ela mesma a defensora do irmão. Mas sua dedicação implicará no fim de seu casamento e até mesmo no indesejado distanciamento dos filhos pequenos. E os anos passam… Tanto sacrifício terá que valer a pena… E se Kenny for realmente culpado?

Avaliação: Baseada em caso real, esta bela história mostra o afeto profundo que liga os dois protagonistas, os irmãos Betty Anne e Kenny Waters, desde a infância; e mostra o esforço (e os custos para sua vida pessoal) a que Betty chega para salvar o irmão de uma condenação que julga injusta. Os personagens são cativantes (também os de Minnie Driver e Peter Galagher, como a colega e um advogado que investiga erros do judiciário) e os desempenhos, idem. Além disto, o suspense é grande e cativa até o fim. Dani, Davi, Sarah e eu gostamos muito. Filmaço!

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Contágio (Contagion)

Contágio (Contagion), suspense dramático e científico de Steven Soderbergh, 2011.

Enredo: Como começou não se sabe, mas a fonte da disseminação do novo vírus é Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow), recém-chegada de uma viagem a Hong Kong, que logo sofre convulsões e morre. A autópsia revela efeitos devastadores no cérebro, e logo o CDC (Centro de Controle de Doenças) de Atlanta é acionado, pois o contágio é por contato ou pela proximidade das pessoas e a morte é rápida, podendo ocorrer em horas ou dias. Assim é que o filho de Beth se torna a próxima vítima. Os pesquisadores Dr. Ian Sussman (Elliot Gould) e Dra. Ally Hextall (Jennifer Ehle) se aprofundam em pesquisas e chegam a um vírus que teria passado do morcego ao porco e que sofre rápidas mutações, razão pela qual, uma vacina deve demorar em ser produzida. Dr. Ellis Cheever (Lawrence Fishburne), diretor do CDC, encaminha a campo a Dra. Erin Mears (Kate Winslet) e a OMS, a Dra. Leonora Orantes (Marion Cotillard), para investigarem a origem da disseminação. Uma missão extremamente perigosa para elas. Agora, o Dr. Cheever hesita entre divulgar a descoberta do novo vírus – com possibilidade de gerar pânico desnecessário – ou aguardar alguns dias e verificar o grau de contágio do vírus – e arriscar-se a ter milhões de mortos. Os saques e o pânico começam de qualquer forma. E o blogueiro investigativo Alan Krumwiede (Jude Law), que tem milhões de seguidores devido aos seus furos de reportagens, não ajuda nada ao dizer que testou em si e com sucesso uma tradicional fórmula fitoterápica. A corrida às farmácias atrás deste produto, que não é garantia de cura, gera mais tumulto nas cidades. Enquanto isto, as investigações sobre o foco original que teria contaminado a Sra. Emhoff continuam e descobre-se que o marido de Beth Emhoff (Matt Damon) parece ser imune ao vírus. Ele agora tenta a todo custo sair da cidade, que passou a ser bloqueada pelo exército; estradas lotadas, saques e mortes nas cidades se disseminam.

Avaliação: Gostamos em termos. Thomas achou médio, Sarah e Nancy gostaram, eu gostei bastante e Danon adorou – mas vacilamos um pouco a respeito, ele e eu… Interessante por mostrar a influência que os blogueiros podem ter atualmente – para o bem ou para o mal. Também por mostrar o dilema que os médicos do CDC podem enfrentar, de contar ou não para o seu círculo mais íntimo sobre uma potencial ameaça e por mostrar o trabalho do CDC (mas algumas reportagens explicaram que o trabalho e os dilemas não são exatamente como retratados). Talvez valesse assisti-lo sob a forma de documentário ou como um episódio do Dr. House, já que devem ter existido inúmeros casos de investigação de doenças novas como este, que é ficcional. Não achamos que o enredo (e a penca de atores famosos e oscarizados) tenha justificado a duração padrão de um filme.

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Meu País

Meu País, drama de André Ristum, 2011.

Enredo: Com a morte do pai (Paulo José), os irmãos Marcos (Rodrigo Santoro) e Tiago (Cauã Raymond) reencontram-se. Marcos volta da Itália, para onde fora ainda jovem, casara-se e tornara-se muito bem sucedido profissionalmente. Tiago, o irmão menor, dedica-se a festas, bebidas, drogas e ao jogo, enterrando-se em dívidas com gente perigosa e dilapidando o patrimônio do pai. Marcos quer apenas preparar a continuidade dos negócios no Brasil e voltar imediatamente à Itália, onde ele e a esposa (Anita Caprioli) têm compromissos urgentes. O reencontro com a irmã deficiente (Débora Falabella) com quem mal tinham tido contato muda a situação. Enquanto Tiago a intitula impiedosamente de “retardada mental” e diz que ela só lhes causa problemas, nasce em Marcos um carinho especial, que vai alterar seus planos e seu relacionamento conjugal.

Avaliação: Um filme muito triste e tocante. O desempenho do trio central é ótimo, Debora Falabella cativa como a irmã de mente infantil e é interessante ver o contraste do tratamento que lhe dedicam os dois irmãos. Minha mãe achou que o final do filme ficou indefinido e esperava algo diferente. Mas adorou o filme, assim como eu. Muito bonito!

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Um Conto Chinês (Um Cuento Chino)

Um Conto Chinês (Um Cuento Chino), drama com toques cômicos escrita e dirigida por Sebastián Borensztein, 2011.

Enredo: O chinês Jun (Ignacio Huang) acaba de perder a noiva, vítima de uma vaca caída do céu (!!!). Agora, em Buenos Aires, sem saber uma única palavra de espanhol e à procura de um tio que lá reside, ele acaba de ser roubado pelo taxista que o conduzia. Roberto (Ricardo Darín) está na faixa dos 50, não casou, não tem filhos, tem poucos amigos e menos paciência ainda com os clientes de sua loja de ferragens, com quem troca poucas palavras. Seu hobby são os recortes de notícias insólitas que prospecta nos jornais. Ah, sim, viveu uma paixão rápida e arrebatadora com Mari (Muriel Santa Ana), mas nunca conseguiu expressar seu afeto devidamente. Seu jeito de ser e sua fixação à lembrança da falecida mãe não permitem que divida sua vida com ninguém. Até que, involuntariamente, ao socorrer o pobre Jun do roubo, descobrimos que o metódico e calado (exceto pelos palavrões que volta e meia emite) Roberto deve ter um coração. Porque, por mais que tente se livrar do novo “amigo”, não consegue; sente-se na obrigação de defendê-lo nesta terra estranha e a ajudá-lo em sua difícil busca pelo tio.

Avaliação: Primoroso, como disse a Sarah. Adoramos o filme, ela, minha mãe e eu. A insistência dos elogios do comentarista Marcos Petrucelli valeu. Ricardo Darín, dos excelentes “O Filho da Noiva”, “Nove Rainhas” e “O Segredo dos Seus Olhos” capricha mais uma vez. Ele e o também ótimo Ignacio Huang fazem o filme praticamente sozinhos, alternando os momentos de drama e humor (às vezes, um insólito humor dramático). Uma ideia aparentemente simples gerou um filmaço.

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O Incrível Homem Que Encolheu (The Incredible Shrinking Man)

O Incrível Homem Que Encolheu (The Incredible Shrinking Man), drama de ficção científica de Jack Arnold, 1957.

Enredo: Um fim de semana romântico a sós, num tranquilo passeio de barco. Nada mais poderiam desejar Scott (Grant Williams) e Louise Carey (Randy Stuart). Mas esta tranqüilidade é perturbada quando Louise desce à cabine e Scott é envolto por uma névoa cintilante. Num primeiro momento, nada acontece, mas, após alguns dias, sua vida começa a mudar. As camisas e as calças ficam longas e ele percebe que está encolhendo. No começo, Louise acha que é impressão dele, mas os efeitos passam a ficar visíveis e é um especialista que diagnostica que a névoa que atingira o pobre Scott era radiativa e, combinada a um jato de inseticida que o atingira dias depois, provocara este efeito. Com tratamento prescrito, Scott parece conseguir debelar os efeitos da radiação. Porém, apenas por pouco tempo. De atração nacional, ele passará a ser objeto de perseguição do gato da casa e continuará encolhendo, até sumir da vista de todos. E sua agrura está apenas no começo.

Avaliação: Tema recorrente no auge da paranoia da guerra fria, os possíveis efeitos da radiação nuclear dão o mote para este filme, com certeza um clássico da ficção científica dos filmes B. Você acompanha em desespero a estória do cada vez menor Scott, o que ele tem que fazer para sobreviver num mundo que não o vê e onde cada ser vivo, por menor que seja, é uma ameaça. Grant Williams capricha no desempenho (e os efeitos especiais da época não eram grande coisa, o que o obrigava a contracenar praticamente no vazio) e as falas de encerramento do filme são fantásticas. Não consegui evitar as lágrimas nas quatro vezes em que vi o filme. A Sarah adorou e também recomenda.

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Não Adormeça (Don’t Go To Sleep)

Não Adormeça (Don’t Go To Sleep), suspense de terror de Richard Lang, 1982.

Enredo: Dennis Weaver, do seriado “Ben, o Urso Amigo” (alguém se lembra deste?) é Philip e Valeria Harper é Laura. Eles acabaram de perder sua filha mais velha e mais querida, a adolescente Jennifer (Kristin Cumming), num trágico acidente de automóvel. O casal sobreviveu, assim como seus filhos menores, Mary (Robin Ignico) e Kevin (Oliver Robins). Para reiniciar a vida, mudam-se e levam junto a avó das crianças (a veterana Ruth Gordon, Oscar por “O Bebê de Rosemary”). As tragédias, porém, continuam se abatendo sobre a família. “É Jennifer a responsável”, diz Mary, segundo a qual a irmã pretenderia vingar-se da família, a quem culpa por sua morte. Ou teria a própria Mary algo a ver com o destino dos membros da família? Difícil de se acreditar em Mary…

Avaliação: Um dos suspenses mais aterrorizante, se não o mais, que já vi em minha vida. Elenco pequeno e eficiente. Em particular, Kristin Cumming (Jennifer) e Robin Ignico (Mary) estão assustadoramente ótimas. “A Hora do Pesadelo” foi muito bom (o original), mas era mais para terror do que este. “Poltergeist” e “Os Outros” são bons concorrentes, mas desta vez é “Não Adormeça” que pende mais para o terror. Imperdível! Pena que o tenha visto apenas uma vez na TV (talvez na época em que foi lançado) e não tenha conseguido achá-lo em DVD. Um clássico! Brrrrrrrrrrrrrr!

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O Dia Em Que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still – o clássico original)

O Dia Em Que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still – o clássico original), suspense de ficção científica com toque pacifista de Robert Wise (diretor do premiado “A Noviça Rebelde”), 1951.

Enredo: “Klaatu barada niktu” é a mensagem que o Helen Benson (Patricia Neal) deve levar ao robô Gort para que ele se abstenha de tomar medidas de represália para destruir os terráqueos. É a interpretação mais comum da frase mais lembrada e mais marcante do enredo, que trata da chegada a Washington da nave do extraterrestre com aparência humana Klaatu (Michael Rennie). Sua mensagem: outros planetas temem pela sua própria segurança, agora que os seres humanos criaram armas atômicas – o que poderia acabar na necessidade da eliminação dos terráqueos. Logo na chegada, Klaatu é ferido por um soldado mais afoito, mas seus poderes de recuperação são eficientes e consegue escapar do hospital e misturar-se aos humanos. Hospedado em uma casa, na companhia da gentil viúva Helen Benson e de seu filho Bobby (Billy Gray), Klaatu descobre através deles que ainda há esperança para os terráqueos. Para tanto, Klaatu pretende reunir os mais renomados cientistas do planeta para que divulguem a mensagem. E o sábio Professor Jacob Barnhardt (Sam Jaffe) é a pessoa mais indicada para levar a mensagem. Mas há os que encaram a presença do alienígena como uma ameaça e pretendem eliminá-lo e à sua nave, o que pode provocar a reação de Klaatu – e voltamos à mensagem original deste texto…

Avaliação: Os grandes Michael Rennie e Sam Jaffe estrelam um enredo simples, efeitos especiais idem, seres humanos numa abordagem um tanto quanto maniqueísta (os que não querem dar ouvidos a Klaatu e pretendem destruí-lo e os de bom coração, que entendem perfeitamente o que ele tem a dizer) e uma mensagem pacifista ingênua. Mas estes componentes formam um dos melhores e mais cativantes clássicos do cinema – e não me refiro somente à ficção. A mensagem é ingenuamente pacifista? OK, mas ela valia em 1951 (tempos da guerra fria, friíssima) e vale ainda hoje. Quando aprenderemos?

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Trem da Vida (Life Train ou Train de Vie)

Trem da Vida (Life Train ou Train de Vie) - tragicomédia multinacional, do romeno Radu Mihaileanu, com produção franco-belga-holandesa; com Lionel Abelanski, Rufus, Clément Harari e Agatha de la Fontaine.

Enredo: Num típico vilarejo judaico da Europa Oriental (o shtetl), o “bobo/louco” da cidade vem com a notícia de que os nazistas estão chegando para deportar os judeus. E ele mesmo tem a solução, louca, mas inteligente: os habitantes farão eles mesmos o papel de deportados e de soldados nazistas, criando até o trem usado para a deportação. O destino é a Palestina. Problemas surgem desde como arrumar os vagões, um maquinista, quem fará o papel de soldado alemão, tendo que – desgosto máximo – dominar o alemão, portar-se como nazista e fardar-se como tal. E como evitar que os vizinhos da cidade, nenhum deles judeu, perceba a fuga?

Avaliação: Um filme premiado em diversos festivais, que combina momentos de humor (o religioso que se converte em comunista e arrebanha inúmeros seguidores, os conflitos entre os comunistas e seus tolos ideais de igualdade impossíveis de serem atingidos, suas discussões com os outros do grupo, o “comandante” dos “soldados alemães” que acaba por encarnar demais no seu papel, a jovem que quer ter logo seu caso amoroso, o contador e suas úlceras quando tem que despender as reservas, etc ..), com momentos de tensão (as discussões porão em risco o objetivo? eles conseguirão enganar a todos num comboio como este?) e um final que toca. Achamos o filme EXCELENTE, IMPERDÍVEL.

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A Noite (La Nuit)

A Noite (La Nuit), drama autobiográfico e histórico de Elie Wiesel.

Ao ganhar o Nobel da Paz, Elie Wiesel discursou: “Eu me lembro: aconteceu ontem ou eternidades atrás. Um garoto judeu descobriu o reino da noite… Lembro-me de sua angústia… O gueto. A deportação. O vagão de gado selado. O altar de fogo sobre o qual a história de nosso povo e o futuro da humanidade seriam sacrificados…”.

Elie Wiesel tinha 16 anos ao ser libertado do campo de concentração de Buchenwald, para onde tinha sido transferido com seu pai, vindo de Auschwitz-Birkenau. Perdera a mãe e uma irmã nas câmaras de gás, logo que chegara ao campo. O livro fala sobre este reino da noite que se abateu sobre os judeus e outras minorias perseguidas pelos nazistas. O livro, relativamente curto, mas muito forte e impressionante, foi escrito a partir de um longo manuscrito de nome “E o Mundo Silenciou” (“Und die Welt Hot Geshvign”), e, publicado em 1958, tornou-se um best-seller anos mais tarde (Oprah Winfrey colaborou com isto ao recomendá-lo em seu Clube do Livro, em 2006).

Uma narrativa seca, direta e excepcional, que nos faz sentir a revolta e a angústia do garoto de 16 anos que tenta entender como seres humanos poderiam perpetrar atos tão além da compreensão do próprio ser humano, como os vividos por ele. (trecho disponível em http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1195369-1655,00.html).

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Roma (Rome) – 1ª e 2ª temporadas

Roma (Rome) – 1ª e 2ª temporadas, seriado épico sobre a história de Roma de César a Augusto, dirigido por diversos, 2005-2007.

Enredo: Lúcio Voreno (Kevin McKidd) e Tito Pullo (Ray Stevenson) são o comandante e soldado da XIII Legião que involuntariamente participam de pontos nevrálgicos da história de Roma, a ascensão e morte de Caio Júlio César (Ciarán Hinds) e a queda da República, substituída pelo Império. Vemos as intrigas de Átia dos Júlio (Polly Walker) – a vil e manipuladora mãe de Caio Otavio ou Otaviano (Max Pirkis) e Otávia (Kerry Condon) – contra sua rival (não muito menos vil) Servília dos Júnio (Lindsay Duncan), amante preferida de César, que, por sua vez, trata o filho dela, Brutus (Tobias Menzies), como se fosse seu próprio filho. O começo da série mostra o Senado, centro do poder de Roma, tentando lidar com o crescente poderio de César, famoso por ter derrotado os gauleses de Vercingetórix (Giovanni Calcagno) e seu exército várias vezes mais numeroso que o dos romanos. Segue-se a disputa pelo poder. De um lado, querendo a manutenção da República e temendo sua iminente transformação em Império, Pompeu Magno (Kenneth Cranham), seus instigadores e fiéis seguidores Catão (Karl Johnson) e Cipião (Paul Jesson), juntamente com o volúvel Marcos Tulio Cícero (David Bamber) e Brutus. De outro, César e o desbocado, cruel, sarcástico e tirânico Marco Antonio (James Purefoy). Os interesses das partes nunca estão ligados verdadeiramente ao povo (o “proletariado”), mesmo que pessoas como Marco Antonio, César e Brutus sejam por este admirados. A manutenção de privilégios é o que mais guia estes personagens, sejam eles de origem nobre ou plebéia. (eu diria – pelo que depreendi da série – que as exceções seriam Brutus e Cássio, que realmente queriam preservar a república como ela fora idealizada, longe dos tiranos e ditadores). A primeira temporada vai desde a conquista da Gália até o assassinato de César (Populista? Tirano? Moderado? Liberal? Amava mesmo o povo?). A segunda temporada abrange desde a luta pela sucessão de César até a morte de Marco Antonio e Cleópatra e a assunção do poder de Roma por Otaviano (“Augusto”) (Tirano? Cruel? Frio? Pacificador?), herdeiro de César.

Avaliação: Uma aula de história, esta série é extremamente cativante, conta com ótimos desempenhos (como Polly Walker – como Atia –, David Bamber – como Cícero –, James Purefoy – como Marco Antonio – e Lyndsay Marshal, como Cleópatra – entre outros), tem uma trilha sonora hipnotizante e mostra a história de Roma desde as vitórias de César na Gália até a investidura de Otaviano como o imperador Augusto. Conhecemos tal história através dos eventos que permeiam a vida de dois legionários eternamente em conflito, mas que, no fundo, nutrem um amor fraternal um pelo outro. E, nos depoimentos de atores, diretores e responsáveis por diversas áreas da produção, aprendemos interessantes hábitos da época. “Interessantes” é a palavra, apesar de muitos nos soarem abjetos – afinal, tratava-se de outra cultura.

Você se sente na própria Roma, as mulheres dão um show de interpretação, mostrando como manipulavam seus maridos e amantes, mesmo numa sociedade onde o homem tinha a última palavra. Bom, nem sempre, pois seus casamentos e outros pontos da vida social eram determinados por fatores políticos vigentes no momento.

Os DVDs da série oferecem uma versão (“Todos os Caminhos Levam a Roma”) onde o consultor de história da série, Jonathan Stamp, em vez de legendas, faz acompanhar o áudio por pequenas intervenções sob forma de quadros explicativos, que nos mostram o histórico de cada personagem importante, a situação política de Roma ou hábitos culturais peculiares ao local e período. Por exemplo:

  • Grafites de caráter sexual, espalhando segredos de alcova dos patrícios ou acusando senadores etc. eram muito comuns em todos os muros da cidade.
  • Organização e disciplina: Os romanos tinham na disciplina e organização de seu Exército a chave para vencer inimigos numericamente muito superiores, como os gauleses, por exemplo. A formação em casco de tartaruga, uma compactação de soldados protegidos por seus escudos, tornava-se intransponível aos metais dos adversários. Os apitos sinalizavam as instruções aos soldados que iam se revezando da retaguarda à vanguarda em levas, de modo a que a vanguarda estivesse sempre munida por soldados mais descansados da luta corporal.

    O maior potencial ofensivo também decorria da organização burocrática que ia desde a até o controle de inventário dos exércitos…

  • Oratória: O Senado tinha um porta-voz, que, na série, retrata, expunha as decisões e instruções do Senado com jeito extremamente peculiar de gesticular e falar – era o retrato das técnicas de oratória e expressão gestual romanas.
  • “Dividir e conquistar” tornou-se lema de César e isto efetivamente favoreceu-lhe as conquistas.
  • Tortura: Confissões de escravos somente tinham valor oficial se houvesse tortura envolvida, pois se supunha que fossem proteger seus amos até o fim.

    Até o chicote tinha técnicas de aplicação que permitiam ferir, ferir profundamente ou matar – tudo na maior disciplina…

  • Cargos políticos: “Ditador” não era uma palavra deplorável, mas sim uma figura política da época, com período de poder delimitado em lei (que o demagogo César “esticou” para perpétuo). Da mesma forma, “imperator”, significa “general” ou comandante-em-chefe das forças armadas e “princeps” significa “primeiro cidadão” (alcunha preferida por Otaviano para si, para mostrar que não pretendia ter poderes ditatoriais). Para os romanos, deplorável era ser chamado de “rei”, pois isto remetia aos reis etruscos, que os romanos expulsaram de Roma para fundar sua República.

    Na cena em que, com um leve gesto, César ordena a retirada da cadeira de cônsul ao lado da sua, no centro do Senado, ele mostrava estar querendo dirigir os rumos de Roma sozinho. Seus pares temiam que ele se tornasse um tirano.

  • Família: Pais tinham controle da vida e podiam até punir com morte os seus filhos.
  • Sexo e casamento: Matrimônios eram feitos com puro interesse político ou econômico, daí divórcios serem instrumentos corriqueiros na administração de novas circunstâncias políticas; mesmo o amor entre César (Ciarán Hinds) e Servília (Lindsay Duncan) e Atia (Polly Walker) e Marco Antonio (James Purefoy) navegava ao sabor da política.

    Adultério masculino era tolerado – ou até ajudado, como no caso de Lívia (Alice Henley) e Otaviano (Simon Woods) – desde que as amantes fossem escravas ou prostitutas.

    Sexo era considerado uma necessidade humana, assim como comer e beber, e tinha, para as mulheres, apenas fins de procriação – não era nada desejável que mulheres romanas demonstrassem interesse pelo sexo. O sexo era realizado na frente dos escravos, já que eles não eram “gente” e eram absolutamente ignorados.

  • Justiça: Como não existissem polícia e tribunais para problemas entre a plebe, a justiça local era feita pelos “colégios” (Collegia, incentivadas pelo político populista Clodius, cerca de 60 a.C.), espécie de gangues oficiosas (ou oficiais…) que dominavam cada qual uma colina e que por vezes digladiavam entre si. Ao mesmo tempo em que elas tornavam as ruas perigosas, administravam justiça… E eram muitas vezes convocadas para atender aos interesses do poder central.
  • Religião: As características humanas eram dadas aos deuses pelas camadas mais pobres (“plebes”) da população; os patrícios não tinham tal visão. No final da República, os próprios rituais religiosos tinham mais fins políticos do que religiosos.

O sexto DVD da primeira temporada tem dois extras muito interessantes, de cerca de 20 minutos cada. “Ascensão de Roma” mostra os cuidados com a escolha das locações, dos figurinos (algo que particularmente não me toca muito) e, transcorridos cerca de 10 minutos, aí sim, chega parte bastante interessante – mostra-se como eram as opulentas e vibrantes “villas” dos patrícios, as asquerosas favelas de até sete andares dos cidadãos (com sua falta total de esgotos) e os cuidados para reconstruí-las com fidelidade (tanto que até os atores sofriam filmando nas favelas).

Um interessantíssimo extra da primeira temporada é “Em Roma“, dividido em temas sobre a sociedade da época, como:

  • Religião – a religião destes povos era instrumento para pedidos de vingança e/ou proteção, para oferendas a deuses violentos e/ou protetores, deuses de interesses conflitantes e que muitas vezes se combatiam. Destoando disto, num dos capítulos da série, vemos como o futuro imperador Augusto descrê destes deuses de comportamento humano e acredita num deus único, responsável pelos movimentos do Universo. De qualquer modo, como coloca o consultor Stamp, esta religião estava absolutamente desvinculada da moral como a conhecemos hoje, que tem origem judaico-cristã.
  • Escravidão: é possível que os escravos (que podiam ser vendidos como segunda mão ou alugados) fossem até 70% da população. Para os romanos, o pensamento era de que se tratava de uma escolha do escravo estar nesta situação, pois, caso contrário, por que ele não teria tirado sua própria vida? Stamp esclarece que escravos tinham uma versão do “sonho americano”, o “sonho romano”: a possibilidade de comprar sua liberdade. E a maioria até podia sonhar (sonhar!) com isto, pois apenas uma minoria vivia em regimes como os das minas, onde não esperavam sobreviver mais do que três meses. Os escravos “pessoais” tinham tanta intimidade com seus amos que estavam com eles até na hora do sexo, servindo-os, limpando-os… Por exemplo, Posca, o de César, era culto e dedicado, o que lhe favorecia (era o caso dos gregos, normalmente) e lhe deu o privilégio de obter de César a promessa de liberdade caso este morresse em batalha.
  • Arenas de gladiadores: antes do Coliseu, as arenas, palcos de lutas violentíssimas e sanguinolentas, eram pequenas, artesanais e montadas em qualquer local da cidade. Aliás, “arena”, em latim, significa “areia” e faz referência à areia do local, que era usada para se misturar ao sangue derramado nos combates (e que não eram tão freqüentes quanto se retrata, já que o esporte preferido eram as corridas de bigas).

O primeiro DVD da segunda temporada tem o extra “A Tale of Two Romes“, onde se conta a história da fundação de Roma (uma sociedade eminentemente masculina, com poucos homens para povoar o local, daí o mitológico rapto das Sabinas, através do qual os fundadores de Roma chamaram seus vizinhos, os sabinos, para uma comemoração e raptaram suas mulheres viúvas e solteiras.) e de sua evolução a partir de cerca de trinta famílias do patriciado (os “pais” de Roma), que viviam da exploração de suas terras.

O quarto DVD desta temporada tem a história da ascensão de Otaviano (chamado de “Augusto” – isto é, sublime, majestoso – após tornar-se regente único), jovem, politicamente esperto e ambicioso que, se por um lado agiu com poderes ditatoriais e transformou definitivamente a República em Império, por outro, através de sua Pax Romana, deu cerca de 200 anos de relativa tranqüilidade ao Império. Então, qual o balanço que se faz deste personagem?

O quinto DVD da segunda temporada traz um extra com a história de Marco Antônio e Cleópatra, já declamada por tantos poetas e escritores.

A pergunta final: quem eram mesmo os bárbaros? Se os romanos chamavam seus vizinhos por esta alcunha, imagino como eles seriam… Roma era corrupta, imoral e devassa, uma permanente rede de intrigas, alianças que não se sustentavam e traições eram uma constante, até para os padrões de alguns políticos de hoje. Mas, no final, a humanidade caminha para frente, apesar de tudo…

Confesso que fiquei triste, mas muito mesmo em dois momentos: a derrota de Cícero (mesmo sendo ele volúvel e instável politicamente) e a batalha de Cássio e Brutus contra Otaviano (Augusto). Pelo que depreendi do seriado, três bons homens lutando pelo que julgavam ser o ideal do estado livre da tirania, do respeito à res publica, a coisa pública mantida pelo povo (mesmo que poucos do povo tivessem tal direito). E a gente torcendo para que os rumos da história tivessem sido outros.

OBS: minha adjetivação dos personagens decorre das impressões obtidas do seriado, com o apoio daquelas obtidas da Wikipédia.

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Lost (Lost)

Lost (Lost), série de aventura dramática, suspense, romance e ficção científica criada por JJ Abrams, Jeffrey Lieber, Damon Lindelof e outros, 2004-2010.

Enredo: Ao longo de seis temporadas e 114 capítulos, tomamos conhecimento da causa da queda do voo 815 da Oceanic – que fazia o percurso entre Sydney e Los Angeles –, do destino dos sobreviventes e da existência dos “Outros” e do monstro de fumaça preta, numa ilha perdida no Pacífico. Conhecemos também a misteriosa Iniciativa Dharma, os vídeos explicativos do cientista Dr. Pierre Chang  (François Chau), os misteriosos números 4, 8, 15, 16, 23 e 42 e as estações da Dharma espalhadas pela ilha.

Quanto aos sobreviventes, pode-se dizer que todos são “desajustados” e carregam pesados dramas (além de muitos nomes extraídos da literatura ou da história):

  • Sayid Jarrah (Naveen Andrews) carrega as cicatrizes de um romance improvável e de seu arrependimento por ter atuado como torturador da Guarda Republicana iraquiana.
  • Jack Shephard (Matthew Fox), um bem sucedido cirurgião, cuja consciência pesa pela morte do pai, o cirurgião Christian Shephard (John Terry), que, após uma noite regada a bebidas, é encontrado morto numa rua de Sydney. Jack está certo de que sua relação profissional conflituosa com o pai causou sua morte.
  • Hugo ‘Hurley’ Reyes (Jorge Garcia), o azarado ganhador do multimilionário prêmio da loteria. Depois que ganha o prêmio, uma onda de calamidades afeta a todos que com quem ele tem contato.
  • James ‘Sawyer’ Ford (Josh Holloway) carrega um terrível drama familiar, que envolve um golpista e a dramática morte dos seus pais quando ele era jovem.
  • Jin Kwon (Daniel Dae Kim) e Sun Kwon (Yunjin Kim), um casal coreano, ela filha de um milionário de atividades suspeitas, ele o filho de um humilde pescador, trabalhando involuntariamente como capanga do pai de Sun.
  • Kate Austen (Evangeline Lilly), a assassina fugitiva da polícia, que, recapturada, era conduzida aos EUA quando da queda do avião. Ela deveria ser inocentada pelo crime que cometeu?
  • John Locke (Terry O’Quinn), que, quando da queda do avião, deixa de ser paraplégico e, aproveitando esta nova liberdade, torna-se o maior desbravador da ilha; acaba competindo com Jack pela liderança dos sobreviventes. John carrega também as lembranças de uma pesada relação com os pais.
  • Claire Littleton (Emilie de Ravin), grávida, está para se tornar mãe solteira. Seu vôo para Los Angeles estava relacionado à gravidez indesejada.
  • Charlie Pace (Dominic Monaghan, que estrela “Flashforward”) viu sua banda Drive Shaft desmanchar-se e sua vida afundar nas drogas. Ele vive das lembranças de seu maior sucesso musical. A aproximação com Claire, na ilha, muda sua vida.
  • Michael Dawson (Harold Perrineau) viveu o drama do insucesso profissional, da incapacidade de sustentar o filho e, finalmente, da separação. Ele pensou que esta viagem pudesse servir para reaproximá-lo do filho, Walt Lloyd (Malcolm David Kelley), de quem estava afastado havia anos mas descobriu que este não seria um objetivo facilmente alcançável. O menino tem dons especiais e sua alegria na ilha é a companhia do cão Vincent (Madison).
  • A desagradável e mimada Shannon Rutherford (Maggie Grace) e seu meio-irmão Boone Carlyle (Ian Somerhalder) vivem uma relação conflituosa. Mas a ilha parece lhes dar a chance de uma vida nova, cada qual em seu caminho.
  • Rose (L. Scott Caldwell) e Bernard Nadler (Sam Anderson), com seu jeito calmo e decidido, completam a essência do grupo – e também têm seus dramas pessoais, que a ilha parece querer resolver.

Os dramas não se limitam aos traumas iniciais pelas mortes provocadas pelo monstro da fumaça preta ou pelo seqüestro das crianças perpetrado pelos “Outros”. O encontro com a solitária Danielle Rousseau (Mira Furlan) e a descoberta do misterioso grupo liderado pela dura e também violenta Ana Lucia Cortez (Michelle Rodriguez) sempre acompanhada pelo calado Mr. Eko (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e pela gentil Libby (Cynthia Watros), bem como o contato com Desmond Hume (Henry Ian Cusick) – trazem surpresas e mais perguntas. Também para Desmond, que quer apenas reencontrar a amada Penélope (Sonia Walger, que também estrela “Flashforward”).

Com o passar das temporadas, finalmente nos é dado conhecer os “Outros”, inicialmente na soturna figura de Tom Friendly (M.C. Gainey), depois através do ardiloso, invejoso e inúmeras vezes vil Benjamin Linus (Michael Emerson) e, ainda, da ao mesmo tempo dura, gentil, mas talvez não muito confiável, Dra. Juliet Burke (Elizabeth Mitchell). Sem esquecer a estranha figura de Richard (ou Ricardus) Alpert (Nestor Carbonell), que nunca envelhece e que parece conhecer a ilha há séculos – e de Jacob, que não sabemos se é um espírito, obra da imaginação dos “Outros” ou apenas uma invenção de Ben Linus com o fim de dominá-los. E, claro, os habitantes que falam latim…

A chegada da equipe do físico Daniel Faraday (Jeremy Davies), do médium Miles Straume (Ken Leung), do piloto Frank Lapidus (Jeff Fahey) e da antropóloga Charlotte Lewis (Rebecca Mader) traz mais dúvidas do que respostas sobre a possível salvação dos sobreviventes.

Os flashbacks das temporadas, que explicavam o passado dos personagens, foram sendo substituídos pelos intrigantes flashforwards, ao passo em que tomamos maior contato com duas figuras que parecem ter grande influência sobre o destino dos sobreviventes: a intrigante Eloise Hawking (Fionulla Flanagan) e o milionário de interesses aparentemente escusos Charles Widmore (Alan Dale).

Por fim, com a chegada da equipe de Ilana (Zuleikha Robinson, de “Roma”), parece que estamos chegando perto do entendimento do que se passou na Ilha. Parece… Pois os flash-sideways da última temporada, com suas estórias paralelas, montam um estranho quebra-cabeças.

Avaliação: Adeus! Sentirei sua falta, Lost. Por um lado, nada mais daquela tensão que a Sarah não conseguia entender – a tensão do capítulo que se aproximava e meus olhos grudados na TV (ok, bem que ela tentou por uma temporada…); por outro, o alívio de não ter aquela hora marcada. Mas o balanço é o da dor da falta… A bela e cativante trilha sonora de Michael Giacchino, que permeou os 114 capítulos da série, tornou mais dramática a despedida, apesar do momento de redenção que, conforme prometido pelos autores, foi alcançado neste último, belo, lacrimoso e romântico capítulo. Muitos mistérios ficaram por ser esclarecidos, mas isto já era esperado. Tudo bem… E a série conseguiu o feito de deixar para trás Jornada nas Estrelas e Roma como as minhas preferidas.

Adeus ao carisma de John Locke e de Mr. Eko, às ironias de Sawyer, as maquinações de Ben Linus, aos dramas, romances e mistérios dos personagens.

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O Concerto (Le Concert)

O Concerto (Le Concert), comédia dramática co-escrita e dirigida por Radu Mihaileanu, 2009.

Enredo: Durante a ditadura comunista na URSS, final dos anos 70, Andrei Simoniovich Filipov (Aleksey Guskov), renomado maestro da orquestra Bolshoi fora acusado de “inimigo do povo” e destituído de suas funções, por se recusar a demitir os músicos judeus. Desde então, trabalhara como faxineiro na mesma orquestra e triunfara na luta contra o alcoolismo. Passados 30 anos e com a Rússia saída do comunismo, renasce o sonho de reger a orquestra, sonho que esbarra no Diretor do Bolshoi (Valentin Teodosiu). A oportunidade de Andrei surge quando lhe cai nas mãos um fax do Teatro Châtelet, convidando a orquestra a tocar em Paris. Fax escondido, Andrei parte em busca de todos os músicos que haviam sido colocados no ostracismo décadas antes, na maioria, judeus. O intento era resgatar os antigos músicos – cada qual agora vivendo quase miseravelmente de atividades completamente díspares – para se apresentarem como sendo o verdadeiro Bolshoi. Com a ajuda do violoncelista Aleksandr ‘Sasha’ Abramovich Grosman (Dmitri Nazarov), o “agenciamento” do responsável pela demissão de Andrei à época, Ivan Gavrilov (Valeri Barinov), e o aporte financeiro do influente milionário e violoncelista amador Pyotr Tretyakin (Vlad Ivanov), a equipe vai sendo refeita e a farsa, montada. Durante as negociações com Paris e para se conferirem ares de estrelas, Ivan e Andrei fazem exigências bastante estranhas aos franceses, como passeios turísticos ou jantar no “Le Trou Normand”, um restaurante que servia de ponto de encontro para os comunistas franceses e que há décadas deixara de existir. E, principalmente, a escolha da solista, a famosa violinista Anne-Marie Jacquet (Mélanie Laurent); escolha que, por razões que ainda descobriremos e que o clima de suspense não me permite contar, não agrada à sua assistente e mãe “postiça”, Guylène de La Rivière (Miou Miou).

Dois “pequenos” problemas aguardam a trupe, mesmo depois de resolvida a questão da viagem e dos instrumentos: coincidentemente, o diretor do Bolshoi está de partida para Paris e os músicos só querem aproveitar a cidade-luz, não comparecem a um único ensaio e arrumam “bicos” na cidade (um deles vira motorista de taxi, numa cena impagável). Algo nos diz que este concerto vai precisar de muito conserto para dar certo. E o desespero vai ser tanto que comunistas de carteirinha vão rezar a Deus.

Avaliação: Assim como no fantástico “Trem da Vida” (cuja sinopse pode ser aqui encontrada), Mihaileanu monta uma farsa primorosa, com direito a um toque de suspense, se não tão forte como no “Trem da Vida”, ainda assim com uma revelação surpreendente. Se este filme não pareceu a mim e à Sarah ter superado “Trem…”, não deixou de ser maravilhoso. Danon e Nancy também adoraram e certamente é um dos melhores de 2010.

Tem críticas ao Estado russo, permeado pelas máfias (que estrelam uma cena grotesca), aos criminosos expurgos comunistas (merecido alvo número 1 das críticas do filme), ao falido comunismo (através do “movimentado” encontro da “velha guarda” comunista francesa) e ao que seria o “jeitinho russo”. Aliás, é este “jeitinho” que rende as melhores cenas cômicas do filme:

  • O financiador da trupe, Pyotr Tretyakin (Vlad Ivanov), não bastasse forçar sua presença na orquestra como (medíocre) músico, impõe aos franceses, sem cerimônia ou educação alguma, que lhe sejam dados os direitos de transmissão televisiva à Rússia.
  • Os músicos Viktor Vikich (Aleksander Komissarov) e seu filho Moïse (Vitalie Bichir) negociando de caviar a “celulares chineses com chips coreanos” (reparem na engraçadíssima cena da venda dos programas no teatro).
  • O violinista cigano (Anghel Gheorghe) e sua numerosa família “conseguindo” passaportes e vistos franceses para a equipe, em cima da hora (literalmente!) – a cena mais deliciosa do filme, não só pela fantástica ideia do roteiro, como pelo desempenho dos ciganos. Anghel Gheorge arrasa! E ainda toca como ninguém (imagino que não tenha sido dublado), criando uma das mais belas cenas do filme, quando toca diante de Anne-Marie Jacquet (Mélanie Laurent, que, somente com a expressão no seu olhar, consegue neste momento um desempenho fabuloso).

O desafeto da trupe, Gavrilov, também rende momentos cômicos (tragicômicos) na França. E o drama paralelo da violinista, em sua eterna busca por saber quem eram seus pais, rende um bom suspense.

No quesito drama, o clímax é atingido na magistral sintonia fina entre Dmitri Nazarov, Aleksey Guskov e Mélanie Laurent nas últimas cenas do filme, pontuada pela gloriosa trilha sonora de Tchaikovsky. Foi então que os momentos de riso deram lugar à emoção, com direito a lágrimas de muitos espectadores, inclusive de nossa amiga – não vamos citar nomes, né, Nan? Nem eu consegui definir exatamente qual minha vontade no momento, se ria ou se chorava, pois os sentimentos se misturavam maravilhosamente. Um filme engraçado, gostoso, triste, arrepiante, imperdível!!!!


PS: Sendo o filme imperdível, não pude deixar de levar minha mãe antes que o filme saísse de cartaz. Assim como eu (pela segunda vez), ela se divertiu demais com as cenas cômicas e emocionou-se com o drama, que é mesmo de levar às lágrimas.

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Contra o Tempo (Source Code)

Contra o Tempo (Source Code), suspense de ficção de Duncan Jones, 2011.

Enredo: Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) desperta em meio a uma viagem de trem e sua companheira de viagem, Christina Warren (Michelle Monaghan), conversa com ele como se fossem velhos amigos. Mas ela o chama de Sean Fentress e, pior, Stevens não a conhece. Após poucos minutos de conversa, uma explosão destrói o trem e mata todos os passageiros, exceto Stevens, que agora acorda numa cápsula e lembra ser um capitão, piloto de helicóptero que estava sob ataque no Afeganistão. Quem conversa com ele agora é a Capitã Colleen Goodwin (Vera Farmiga), que explica que ele estivera numa realidade paralela, imerso nas lembranças dos oito últimos minutos de vida do verdadeiro Professor Fentress, cujos restos foram localizados após esta explosão. Oito minutos é o tempo que o autor do projeto Código-Fonte, o Dr. Rutledge (Jeffrey Wright), sabe que se pode recuperar da memória de quem morreu. A ideia é que, de posse das lembranças do morto, o capitão Stevens possa estar no local da explosão por oito minutos e descobrir o autor do atentado. Mudar o passado, ele não poderia, mas prevenir o próximo atentado é o que se espera com as informações que ele recolher. Mas oito minutos não parecem ser suficientes para descobrir a trama, e o capitão Stevens é obrigado a entrar e sair desta realidade virtual enquanto não obtém informações que possam evitar o próximo atentado. A cada retorno àquela realidade, ele fica mais envolvido com Christina e agora pretende evitar o atentado que matou sua companheira de viagem (impossível mudar o passado, diz-lhe o Dr. Rutledge) e descobrir por que justamente ele foi colocado neste projeto.

Avaliação A Sarah gostou bastante, eu achei bom (começo e fim são os mais legais, mas é um pouco confuso, achei que às vezes “viaja” demais nas explicações) e minha mãe não gostou (é difícil alguma ficção científica agradá-la). Sem consenso…

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Busca Implacável (Taken)

Busca Implacável (Taken), ação de Pierre Morel, 2007.

Enredo: As longas ausências a serviço da espionagem do governo acabaram com o casamento de Bryan Mills (Liam Neeson). Agora, aposentado, ele é guarda-costas de celebridades e raramente vê a filha Kim (Maggie Grace). Relutante, acaba assinando a autorização para que a filha – que tem 17 anos – viaje com uma amiga para a França, mas não sem antes lhe dar “n” instruções sobre procedimentos e cuidados (nada como ter um pai ex-agente secreto…). O que de nada adianta, pois, mal chegam ao país, as amigas são raptadas por mafiosos albaneses, que costumam drogar e transformar em prostitutas as jovens que lhes caem às mãos. Para azar dos raptores, Kim conversava ao celular com o pai no momento de sua ação. De volta à França, que frequentara a serviço, Bryan vai ter que usar toda sua perícia para encontrar a filha e a amiga, lutando sozinho e sem poder confiar em ninguém.

Avaliação: Parecia interessante, mas perdemos no cinema. Acabei vendo na TV aberta e acho que encaixou melhor. É um filme convencional, com muita ação, perseguição, certas doses de violência (Liam Neeson espanca, tortura e alveja criminosos). Mas prende bem e você fica torcendo para os criminosos realmente apanharem. O que aprendi com o filme? Que na França existe(m) a(s) máfia(s) albanesa(s), com centenas de integrantes angariando muitos fundos com tráfico de escravas sexuais, que eles forçam a se drogar e a se prostituir. Nem os países ditos civilizados escapam (bom, isto não é novidade).

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O Casamento do Meu Ex

O Casamento do Meu Ex (The Romantics), drama romântico de Galt Niederhoffer, 2010. D

Enredo: Tom (Josh Duhamel) e Lila (Anna Paquin, a atriz mirim de “O Piano”) vão se casar. Os padrinhos chegam e, entre eles, Laura (Katie “Mrs. Tom Cruise” Holmes), a quem Tom havia deixado para ficar com Lila. Discursos de casamento desajeitados e ameaças de crises nos relacionamentos dos casais de padrinhos dão um tempero forte ao clima pesado já existente entre Tom, Lila e Laura, ainda mais porque Tom parece ainda ter uma queda por Laura que, por sua vez, acha que Lila – sua ex-companheira de quarto na faculdade – lhe roubou o namorado. E o casamento se aproxima.

Avaliação: Estava com um pouco de sono, então vou dar “um desconto”. Mesmo assim, posso dizer que este foi um dos piores filmes que vi até hoje. O tempo não passava, as situações não comoviam nem convenciam, espectadores à nossa frente já nem se incomodavam em atender ao celular no meio do filme… Esperávamos agradar e, ao mesmo tempo, ter um filme que fosse adequado a uma espectadora de 11 anos (a Alexia, que nos acompanhou com Marjory e Marcelo). Mas foi uma furada total.

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Se Beber, Não Case! 2 (The Hangover – Part II)

Se Beber, Não Case! 2 (The Hangover – Part II), comédia de Todd Philips, 2011.

Enredo: Um quarto destruído em Bangkok, três amigos desacordados e embriagados, um amigo desaparecido, um macaco que surgiu do nada e de novo a presença do gângster Sr. Chow (Ken Jeong)… Novamente encrencados, o dentista certinho Stu (Ed Helms), o professor desleixado Phil (Bradley Cooper) e o riquinho mimado e infantiloide Alan (Zach Galifianakis) têm que descobrir como se envolveram nesta situação às vésperas do casamento de Stu e descobrir o paradeiro de Teddy (Mason Lee), irmão da noiva Se Stu já não era bem visto pelo futuro sogro, o que dizer com o sumiço do filho preferido Com o tempo correndo e a cerimônia de casamento se aproximando, eles iniciam mais uma busca por pistas para a solução do mistério. Se sobreviverem aos traficantes e ao misterioso Sr. Kingsley (Paul Giamatti, de “Minha Versão do Amor”)…

Avaliação: Depois de ver o filme de 2009, i estava até aguardando a sequência do filme. Mas, desta vez, Todd Philips exagerou e vou concordar com algumas das críticas que tenho ouvido – ele apelou demais. Não pelo politicamente incorreto que às vezes aparece, mas pelas cenas de cunho sexual e pelo fato de que o filme perdeu a graça – rende apenas algumas boas risadas cá ou lá (principalmente no começo e bem no fim, na hora das fotos). Nossos amigos Gisele e Carlinhos e eu achamos razoável, a Sarah não gostou e, apesar do sucesso de bilheteria, não creio que haverá parte III. Ou, pelo menos, ela perderá o público adulto que ainda prestigiou a II em função da qualidade do original. Ou, ainda, quem sabe, o macaquinho traficante – o melhor ator, a meu ver – ganhe um filme só para ele (o bom Zach Galifianakis já o conseguiu…).

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Assédio Sexual (Sexual Disclosure)

Assédio Sexual (Sexual Disclosure), suspense dramático de Barry Levinson (de “Rain Man”), 1994.

Enredo: Tom Sanders (Michael Douglas) tem a oportunidade de galgar mais um importante degrau na hierarquia da firma agora que seu chefe, Bob Garvin (Donald Sutherland), arquiteta uma importante fusão. Mas Garvin pretere Tom pela ambiciosa Meredith Johnson (Demi Moore), trazendo-a para a posição vaga. Um duro golpe para Tom, ainda mais porque Meredith foi uma antiga namorada e parece querer “terminar o que começara”. É assim que ela, aproveitando-se de sua posição, seduz Tom, mas, no último momento, ele recusa-se a consumar a investida. Para quê… Ofendida, Meredith começa a persegui-lo e, mais ainda, atrai para seu lado o poderoso Bob Garvin. E Tom resolve agir da maneira mais improvável: aciona a empresa na Justiça por assedio sexual. Um caso difícil, apesar das posições hierárquicas, pois as provas são muito fracas e a assediadora é uma estonteante mulher. Pior ainda, a mulher de Tom (Catherine Goodall) ainda não sabe do ocorrido e será difícil explicar que recusara a investida (não sem antes quase permitir-se ir às últimas consequências). Mas não é só por este lado que a situação de Tom está complicada: sua seção passa por momentos difíceis, pois o produto principal tem apresentado falhas aparentemente incorrigíveis de produção e Meredith e Garvin farão de tudo para atribuir a culpa a Tom. No aspecto jurídico, a ajuda de uma especialista em assédio moral (Roma Maffia) pode ser a solução, mas, no âmbito técnico, até seus subordinados parecem o estar abandonando. Até que surge “um amigo” que ajuda Tom com suas misteriosas pistas enviadas por e-mail. Ou seriam apenas despistes?

Avaliação: Michael Crichton (que criou estórias e/ou gerou roteiros interessantes como as de “Parque dos Dinossauros” e “Coma”)
acertou mais uma vez numa trama envolvente. A solução é esperta e bem interessante, porque aborda o lado jurídico do assédio sexual, as grandes questões e manipulações corporativas, além de aspectos técnicos – o filme fala sobre a produção de HDs (calma, calma… sem muitas tecnicalidades), e o roteiro usa duas ferramentas que começavam a ser bem difundidas, o e-mail e a realidade virtual. Valeu revê-lo, passados 17 anos.

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Minha Versão do Amor (Barney’s Version)

Minha Versão do Amor (Barney’s Version), drama romântico de Richard J. Lewis, 2010.

Enredo: Barney Panofsky (Paul Giamatti) aprecia beber, fumar e assistir a partidas de hóquei. Não é o mais cortês dos seres humanos, mas, ainda assim, é mais refinado que seu pai, o viúvo Izzy (Dustin Hoffman), um ex-policial fora dos padrões, desbocado e mulherengo. Um pouco mais refinado que o pai grosseirão, mas mais propenso a “pisar na bola” com as mulheres, Barney consegue deixar a segunda esposa (Minnie Driver) de lado para assistir ao hóquei durante a cerimônia de seu casamento; pior ainda, fascinado por uma convidada (Rosamund “Voz de Veludo” Pike), declara-se para ela e passa a cortejá-la insistentemente. Mas, desta vez, ele parece realmente ter encontrado a paixão de sua vida –, não conseguindo enxergar nela defeito algum. Mas nem ela estará livre dos deslizes de Barney.
O filme varre a vida de Barney desde jovem, em seu primeiro casamento fracassado, o segundo, o terceiro, as traições, filhos, amigos de toda hora, amigos perdidos. E, agora, passado dos 60 anos, Barney revê com saudades os bons momentos de suas relações, mas também lamenta seus erros.

Avaliação: Quando lemos sobre o filme, não ficamos muito entusiasmados, e o início do filme tampouco encoraja, mas Paul Giamatti, Dustin Hoffman (em ponta preciosa, trafegando do drama a alguns bem vindos momentos cômicos) e Rosamund Pike estão ótimos e o filme vai ganhando fôlego surpreendente. O que nos deixou a mim, Sarah, minha mãe e nossa amiga Bina cativados.
A temática judaica (a cerimônia de casamento, as relações entre famílias de backgrounds totalmente diferentes) dá um toque especial ao filme (com a ótima colaboração de Minnie Driver), mas, mesmo quem não conhece as sutilezas desta temática vai conseguir se lembrar de ter passado ou conhecer alguém que passou por alguma das situações descritas.
Como disse minha cinéfila amiga Marjory, uma estória sobre pessoas de bom coração, mas que têm dificuldades para mostrar afeição e que só conseguem explicitar seu lado mais insensível. Uma estória bonita, muito mesmo, que levou várias pessoas no cinema às lágrimas.

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Uma Manhã Gloriosa (Morning Glory)

Uma Manhã Gloriosa (Morning Glory), comédia romântica de Roger Michell, 2010.

Enredo: A jornalista Becky Fuller (Rachel McAdams, de “O Diário de Uma Paixão”) é demitida do cargo na emissora de TV onde acreditava que teria um futuro brilhante. Após perder as esperanças de arrumar outro emprego, consegue o de produtora em outro canal, maior que o anterior, mas em um programa que se aproxima do índice zero de audiência. Com carta branca do diretor (Jeff Goldblum, de “A Mosca”) para melhorar os índices de audiência cada vez mais baixos, Becky promove grandes mudanças e resolve forçar o famoso veterano Mike Pomeroy (Harrison Ford) a fazer par com a apresentadora que ele mais abomina (Diane Keaton). Ocorre que o programa dela é de, digamos, futilidades e ele era âncora de noticiário em horário nobre. Ele recusa, mas a esperta Becky descobre que Mike ainda está amarrado por uma cláusula contratual que o obriga a aceitar a nova incumbência – mas, como ele tem direito de recusar as pautas… Má ideia… Ou não? É o que ela vai ter que descobrir a duras penas, enfrentando as rixas dos veteranos (no ar!), boicotes de Mike e a permanente ameaça de ver seu programa cortado por falta de audiência. O trabalho em excesso e a dedicação total não são novidade para Becky, mas, perder a chance de engatar um romance com o articulista mais cobiçado da empresa (Patrick Wilson), isto sim pode doer.

Avaliação: A dupla de veteranos é um bom chamariz para o filme, mas o trailer não me convenceu em nada. Insistência da Sarah e lá fomos nós, com minha mãe. Todos gostamos. O filme, se não é excepcional, diverte bem, tem boas doses de situações cômicas, de farpas bem trocadas e – aí sim reside o charme do filme – atuações brilhantes de Harrison Ford (que convence como o desagradável e cheio de si veterano da TV) e Rachel McAdams, estabanada e cativantemente engraçada.

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VIPs

VIPs, drama de Toniko Melo, 2010.

Enredo: O jovem Marcelo (Wagner Moura) vive com a mãe, a cabeleireira Silvia (Gisele Fróes). Apelidado pelos colegas de “Bizarro”, ele vive das lembranças que cria do suposto pai (Norival Rizzo), piloto da aviação comercial, que lhe servem de inspiração para a carreira a trilhar. Mas ser piloto requer um investimento que o jovem não tem e ele vai trabalhar lavando pequenos aviões. Sua lábia para manipular e enganar as pessoas o leva, mesmo que por caminhos tortos, ao seu intento: torna-se piloto e homem de confiança de um traficante paraguaio (Jorge D’Elía). Depois despista a Polícia Federal, se passa por um dos filhos do dono da GOL, enganando até o entrevistador Amaury Jr. E a farsa não pára por aí… Mas Marcelo começa a confundir fantasia com realidade, o que pode por em risco sua “carreira”.

Avaliação: O trailer me fez questionar se o filme seria interessante ou se serviria apenas como palco para demonstração dos talentos de Wagner Moura, que realmente está bem e convence como um farsante-camaleão. Mas nem a Sarah nem eu achamos que o filme prendesse a atenção. Fora uma risada ou outra por conta das situações cômicas nas quais Marcelo por vezes se metia, a história real deste vigarista, que deveria ser algo cativante, tornou-se algo, se não ruim, arrastado e totalmente dispensável.

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Em um Mundo Melhor (Hævnen)

Em um Mundo Melhor (Hævnen), drama de Susanne Bier, 2010
Enredo: Anton (Mikael Persbrandt) é um médico sueco que trabalha um campo de refugiados na África, convivendo a todo o momento com as atrocidades de um cruel chefe de milícia. Apenas de tempos em tempos consegue retornar à Dinamarca, onde moram a ex-esposa, Marianne (Trine Dyrholm) e os dois filhos, Elias (Markus Rygaard) e Morten (Toke Lars Bjarke). Elias sofre com a ausência de Anton e com a separação. . Pior ainda, Elias é vítima de bullying por parte de colegas mais velhos da escola, que o hostilizam por suas características físicas (um pouco dentuço, ele usa aparelho e o tratam por “rato”) e principalmente por sua origem sueca.

Christian (William Jøhnk Juels Nielsen) acabou de retornar à Dinamarca, após perder a mãe, vítima uma dolorosa batalha contra o câncer, e recrimina seu pai (Ulrich Thomsen), por acreditar que ele teria sucumbido e desejado a morte da mãe.

O contato de Christian com o passivo Elias dará origem a uma forte amizade, através da qual o primeiro não poupará esforços para punir aqueles que atormentam Elias. Mas esta amizade e proteção terão um preço muito alto, que será cobrado quando Christian descobrir que Anton, o pai de Elias, tem algo da passividade deste – e ainda é capaz de oferecer a outra face ao agressor.

Mas, agora, Anton está de volta à África e é obrigado a curar um grave ferimento do chefe miliciano. Se, por um lado, a pressão dos refugiados e a tentação de deixar morrer um carniceiro são grandes, por outro, Anton é um médico e é seu dever salvar qualquer paciente que venha a atender.

Avaliação: Oferecer a outra face é capaz de mostrar a estupidez de um ato de agressão? Pode um médico deixar de salvar a vida daquela que tortura mulheres e crianças e ceifa a vida de milhares? Os pais devem ensinar a não reagir e ignorar agressões? Vingança (título original do filme em dinamarquês) é capaz de curar feridas ou pode abrir outras maiores? A diretora aponta um caminho, mas as perguntas ainda ecoam após assistir a este filme, ganhador do Oscar de filme estrangeiro de 2010.

Um drama denso e carregado, que deve ser visto, ainda mais por abordar dois temas muito atuais, o bullying e a atuação das sangrentas milícias que, sob diversos pretextos, praticam genocídios em diversos países da África (que acabam cheios de campos de refugiados). E o filme mostra algo muito surpreendente (pelo menos para mim): a discriminação dos suecos (que são percebidos pelo seu sotaque diferente) por parte dos dinamarqueses, algo que eu nunca imaginaria.

A Sarah e nossa amiga Bina gostaram, eu achei muito bom e minha mãe amou. Mas aviso que há cenas fortes no hospital do campo de refugiados.

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127 Horas (127 Hours)

127 Horas (127 Hours), suspense de aventura dramático de Danny (“Quem Quer Ser Um Milionário?”) Boyle, 2010.

Enredo: Baseado no livro “Between a Rock and a Hard Place”, de Aron Ralston, o filme conta o drama real deste aventureiro na deserta paisagem do Blue John Canyon, em Utah, nos EUA. Desde a infância Aron (James Franco, de “Homem Aranha”) aprendera com o pai (Treat Williams, de “Hair”) a admirar as paisagens do local, seu “segundo lar”. Já adulto, continua a fazer freqüentes passeios ao local, para onde se dirige de carro, prossegue de bicicleta e, finalmente, a pé, através de longas trilhas e perigosas escarpas. Numa destas incursões , em 26 de abril de 2003, encontra aventureiras perdidas (Amber Tamblyn e Kate Mara), a quem ajuda e com quem se diverte pelas fendas e lagoas escondidas no canyon. Será seu último encontro com um ser humano, já que, pouco depois, numa arriscada descida, cai e tem o braço direito preso sob uma rocha que, teoricamente, deveria ficar firme por toda a eternidade.

Problemas: como nas outras ocasiões, ele não avisou a ninguém sobre seu destino. E ainda deixou de atender o que seria um providencial telefonema da mãe (Kate Burton), logo na partida. Como se não bastasse, esqueceu o celular em casa e, ao iniciar esta descida, deixou ferramentas e bebidas suplementares no carro. Assim, só lhe sobrou um canivete quase imprestável, com que procura cavar a rocha que prende seu braço e que ameaça gangrenar. Racionando a pouca água e comida, sofrendo com a imobilidade quase total, o frio do deserto (o local recebia apenas 15 minutos de sol por dia), uma tempestade (que hora!) e as formigas, Ralston tem por companhia apenas as lembranças da família (com quem nem tinha muito contato), da namorada (Clémence Poésy) e de alguns amigos. Ah, e uma câmara de vídeo, onde ainda consegue registrar seu drama, com toques de autocrítica e ironia. Enquanto isto, seu braço só piora, a água escasseia e ele começa a delirar.

Avaliação: O filme tem pouco mais de 1,5 h e, se fosse mais longo, cansaria demais. Você fica com um misto de aflição e tédio, conforme as situações pelas quais Ralston passa. Aliás, James Franco interpreta o aventureiro de maneira excelente e especialmente convence quando é irônico (a engraçada “autoentrevista” é um excelente contraponto para uma situação que só pode ter carga dramática). O diretor consegue pintar um quadro exasperante, comovente e crítico das 127 horas pelas quais passou Aron Ralston. E é ajudado pela trilha de A.R. Rahman (autor também da trilha de “Quem Quer Ser Um Milionário”), que dá um toque especial ao clímax da saga (desfazendo, assim, a má impressão que eu tive da pesada trilha sonora inicial).

 

Obs.: Os dez/quinze minutos (principalmente…) finais têm cenas meio fortes, um tanto quanto sangrentas… Razão pela qual a Sarah achou o filme médio (bom, ela passou cerca de um terço dele sem assisti-lo), diferentemente de minha mãe e eu, que gostamos deste drama.

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Esposa de Mentirinha (Just Go With It)

Esposa de Mentirinha (Just Go With It), comédia com toque romântico de Dennis Dugan, 2011.

Enredo: Danny Maccabee desistiu da ideia do casamento no dia da cerimônia – descobriu que a noiva o traíra na véspera e apenas suportava seu proeminente nariz por interesse financeiro… Anos mais tarde, já cirurgião plástico famoso e de nariz operado, continua aplicando uma tática que percebera por acaso, desde a desistência do casamento, que funcionava com as mulheres: usar a aliança e se fazer de marido coitado, cada vez com uma estória diferente. Desta vez, no entanto, se apaixona pela v “vítima” – a ingênua, lindíssima e quase adolescente Palmer (Brooklyn Decker), professora da escola da vizinhança. E justo desta feita, quando não iria usar o truque da aliança, a fatídica peça é descoberta por Palmer, que, ofendida por “ter passado uma noite com um homem casado”, prefere esquecer o Dr. Maccabee. Aí começa um festival de mentiras para reconquistar a garota. Afinal, ele não pode simplesmente dizer que a aliança era de um “casamento de mentirinha”, usado como truque para conquistas… Assim ele primeiramente envolve a secretária Katherine (Jennifer Aniston), depois – ó, azar! – os filhos desta, os espertíssimos e quase mafiosos Maggie e Michael (Bailee Madison e Griffin Gluck), que vêem uma oportunidade para receber a atenção que o pai ausente nunca lhes dá. Finalmente, querendo tirar “casquinhas” da situação, entra o primo de Danny, Eddie/Dolph Lundgren (Nick Swardson). Vai sobrar até para Nicole Kidman e para o músico Dave Matthews (parceiro constante de Sandler)… Oh, Devlin!

Avaliação: Adam Sandler parece Woody Allen e sempre consegue colocar um toque sobre suas raízes judaicas nos enredos… E é assim que o filme já começa engraçado e vai progredindo de piada em piada, passando por situações inverossímeis, mas de deslanchar risadas. Nicole Kidman e Jennifer Aniston protagonizam um duelo muito engraçado, as crianças (Bailee Madison e Griffin Gluck) estão deliciosamente sádicas, explorando o pobre(?) Dr. Maccabee ao máximo e Adam Sandler e Nick Swardson (como seu primo) arrasam, fazendo uma dupla tão boa como a que Sandler consegue quase sempre com Rob Schneider. Mais uma deliciosa parceria de Sandler (novamente co-roteirista) e Dugan, que já acertaram no recente “Gente Grande” e no mais antigo “O Paizão”; eles mostram o que significa fazer uma comédia despretensiosa, recheada de non-sense (as invenções que Sandler tem que fazer para sustentar a mentira e as críticas aos excessos das cirurgias plásticas são ótimos exemplos, e a cena da ovelha é o auge do non-sense) com um leve tempero romântico (quem não fica torcendo para os personagens de Aniston e Sandler se acertarem?). Davi, Dani, Sarah (que não costuma rir em comédias) e eu rimos a todo o momento. Excelente passatempo para esquecer a rotina. Merece uma revisita de tempos em tempos, ainda mais para curtir as músicas preferidas de Adam Sandler (anos 80-95).

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Desconhecido (Unknown)

Desconhecido (Unknown), suspense de Jaume Collet-Serra, 2011.

Enredo: O Dr. Martin Harris (Liam Neeson), americano perito em biotecnologia, chegou a Berlim com sua esposa Liz (January Jones). Ele participará de um congresso de biotecnologia a convite do Professor Bressler (Sebastian Koch, de “A Espiã”), um cientista alemão que está para apresentar importantes descobertas no congresso. Uma mala esquecida no aeroporto e uma corrida desesperada para recuperá-la acabam num acidente de táxi, uma violenta pancada na cabeça, um quase afogamento e quatro dias em coma no hospital. Quando recupera a memória e volta ao seu hotel, o Dr. Martin está sem documento e descobre que o Dr. Martin Harris (Aidan Quinn) já está no congresso(!), sua esposa não o reconhece e sua presença é considerada um perigo, pois outro eminente participante do congresso é o financiador de Bressler, o príncipe Shada (Mido Hamada), recente vítima de atentado por um grupo terrorista islâmico. Bressler poderia reconhecê-lo como o verdadeiro Dr. Harris, não fosse pelo fato de seus contatos terem sido apenas telefônicos e por e-mails. Fotos na internet? Só do novo Dr. Harris. E, como é o Dia de Ação de Graças e o fim de semana se aproxima, nenhuma visita ao consulado será possível nos próximos dias. A única esperança do verdadeiro Harris é conseguir contato com seu velho colega, o professor Rodney Cole (Frank Langella)… que não está em casa. Mas o que Harris vê à sua volta é tão verossímil que ele começa a se questionar se não estaria imaginando coisas por causa da pancada e do coma. Pode ser, mas… Para resolver seus dilemas, contará apenas com a ajuda não muito voluntária da taxista que o salvou do afagamento (Diane Kruger) e de um antigo e experimentado agente da polícia secreta da Alemanha Oriental (Bruno Ganz), um “especialista em encontrar pessoas” que a enfermeira do hospital lhe indica.

Avaliação: Pelo instigante trailer, esperava mais. É médio. Não nos entusiasmou, a não ser um de nós, entre seis, que o adorou. Particularmente, achei que “viajou” um pouco demais na confecção dos personagens (os veteranos Frank Langella e Bruno Ganz, por exemplo, estão em pontas inconvincentes). Bom passatempo, dá uns bons momentos de suspense, mas nada memorável. O diretor esteve melhor em “A Órfã”, que, mesmo tendo algumas situações forçadas para dar “cola” ao enredo, assustava bastante.

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Julie & Julia (Julie & Julie)

Julie & Julia (Julie & Julie), drama romântico, biográfico e culinário de Nora Ephron , 2009.

Enredo: Baseado no livro de Julie Powell, o enredo traça duas tramas paralelas. Em 1949, sem muito que fazer enquanto seu marido, o diplomata americano Paul Child (Stanley Tucci), está a serviço em Paris, sua esposa Julia (Meryl Streep) tenta diversas atividades, até que se engaja nas lições de culinária francesa no famoso Cordon Bleu e descobre um hobby apaixonante. Depois de dominar as receitas, recebe uma sugestão das amigas com quem troca experiências: por que não escrever um livro de receitas francesas palatável aos americanos? É a isto que ela se dedica com afinco, com total apoio do marido, enquanto o cargo de Paul os obriga a mudar de cidade com mais freqüência do que desejariam.

Na trama paralela, que se passa em 2002, vemos a mal paga e também enfadada secretária Julie Powell (Amy Adams), apaixonada pelo clássico livro de receitas de Julia (“Mastering the Art of French Cooking”) iniciar um blog onde vai narrar sua tentativa de reproduzir com sucesso mais de 365 receitas de complexidades diversas no curto prazo de um ano. Assim como Julia, Julie também contará com o apoio do marido, Eric (Chris Messina), para lançar-se na nova carreira, no caso, de blogueira (com sucesso inesperado)… Isto se ele aguentar a devoção excessiva de Julie ao seu novo projeto…

Avaliação: Minha mãe achou a Meryl Streep ótima, mas nem gostou, nem desgostou do filme. Nada de mais. Nossas amigas Claudia e Andrea acharam chato, só valendo pela presença de Meryl Streep, que elas não consideraram suficiente e a cinéfila Marjory achou que é uma comédia mais do gosto de mulheres e que não deveria me agradar. E foi assim que o deixamos de lado no cinema, para, por acaso, assisti-lo na televisão a cabo mais de um ano depois.

E devo dizer que todas erraram, pois o filme é cativante, os dois casais são uma bela mostra de dedicação dos maridos aos projetos das esposas. Stanley Tucci representa bem “o marido perfeito”, que, mesmo tendo sua carreira prejudicada pela perseguição macartista, ainda encontra entusiasmo para apoiar o projeto de Julia. E Meryl Streep ficou irreconhecível, tanto na aparência como na fala. Com certeza saiu desta personificação a sua enésima indicação ao Oscar de melhor atriz. A Sarah e eu fomos unânimes. Um filme muito gostoso, como deviam ser os pratos de Julia.

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Bravura Indômita (True Grit)

Bravura Indômita (True Grit), faroeste dramático de Ethan e Joel Coen, 2010.

Enredo: Velho Oeste, fim do século XIX. A decidida Mattie Ross (Hailee Steinfeld) é uma adolescente de 14 anos que não vai deixar impune o assassino do pai, seu empregado Tom Chaney (Josh Brolin). Se ele é o “último da lista dos procurados”, como diz o xerife, e escondeu-se em território indígena, ela tratará de arrumar alguém com “bravura indômita” para trazê-lo a julgamento. Este alguém é o veterano agente federal Reuben J. “Rooster” Cogburn (Jeff Bridges), com muitas mortes a seu “crédito” e uma paixão irrefreável pelo álcool. Cogburn aceita a recompensa oferecida, mas não a companhia da jovem, que lhe seria um estorvo. Mas… Pouco tempo depois, vemos Rooster relutantemente sendo acompanhado por Mattie e pelo Texas Ranger LaBoeuf (Matt Damon), que também está decidido a capturar Chaney por outro assassinato. Em desvantagem numérica, os três terão que deixar seus atritos de lado para perseguirem seu objetivo comum, que se aliou ao bando de Lucky Ned Pepper (Barry Pepper).

Avaliação: Marjory – chato. Marcelo – chato. Sarah – não foi tão ruim (uma boa “sessão da tarde”). Roby – não foi tão ruim. Resumindo, poderia ser pior (poderia ser mais longo) e decepcionou. Nenhum desempenho que cativasse (opinião com viés, talvez porque o filme também não tenha cativado?). Cansou em vários momentos. Como bem colocou a Marjory, não se trata de uma estória que se sustente. Depois de vê-lo, meu desejo de ver a filmagem original (que deu o único Oscar a John Wayne) desapareceu.

Faroeste bom? É difícil achar, a meu ver. Mas há ótimas exceções: “Era Uma Vez No Oeste”, “Silverado” ou “Wyatt Earp”, por exemplo.

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O Discurso do Rei (The King’s Speech)

O Discurso do Rei (The King’s Speech), drama com fundo histórico de Tom Hooper, 2010.

Enredo: 1925. Com a disseminação do uso do rádio como meio de transmissão, fica cada vez mais evidente a gagueira do Príncipe Albert (Colin Firth). Seu alívio reside no fato de ser o segundo na linha de sucessão do rei inglês George V (Michael Gambon), vez que o sucessor imediato é seu irmão mais velho, David (Guy Pearce). Mas a carinhosa e dedicada esposa de Albert, Elizabeth (Helena Bonham Carter) não desiste, e, depois de vários tratamentos frustrados, recorre a um “terapeuta da fala”, um “cidadão comum”, o australiano (para horror de alguns figurões ligados ao rei) Lionel Logue (Geoffrey Rush), cujo anúncio encontrara num jornal. Os métodos pouco ortodoxos e o tratamento informal fazem com que Albert quase desista do tratamento, mas a morte do rei provoca mudanças dramáticas. David, o irmão mais velho, admirador de Hitler e desligado dos assuntos do Estado, está para ser investido no trono. Porém, seu romance com a americana duas vezes divorciada Wallis Simpson (Eve Best) é obstáculo para coroação. David, apaixonado, desafia a Igreja Anglicana para ficar com a amada e se vê obrigado a abdicar do trono às vésperas da Segunda Grande Guerra. Agora, neste momento de terríveis perspectivas para os súditos britânicos, Albert, já coroado como George VI, não tem como evitar os discursos, recurso indispensável para injetar ânimo em seus súditos.

Avaliação: Interessantíssimo fato histórico sobre o pai da rainha Elizabeth II e da princesa Margaret. O drama que os discursos – mesmo sem público presente e com o texto a sua frente – representavam para Albert (futuro rei George VI) alterna-se com tons leves, por conta de Lionel Logan, brilhantemente interpretado por Geoffrey Rush. Seus métodos, pouco convencionais à época geram momentos divertidos. Interessante não somente o método utilizado como também a análise psicológica do problema, regredindo à infância do rei para buscar a causa (que, como bem reparou a Sarah, não o faz repetir sílabas, mas cortar os discursos com intermináveis pausas). Mais ainda, Lionel percebe também os momentos em que, inconscientemente, Albert supera este impedimento.

Estamos com a opinião que a Marjory nos dera – o filme é excelente. Minha mãe, nossa amiga Bina e eu adoramos; a Sarah gostou. Um ou outro momento mais parado, mas, de resto, prende a atenção, diverte, comove; e até nos deixa em suspense sobre o resultado do tratamento.

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Cisne Negro (Black Swan)

Cisne Negro (Black Swan), drama e suspense psicológico de Darren Aronofsky, 2010.

Enredo: Nina (Natalie Portman) deseja obcecadamente estrelar como o Cisne Branco em “O Lago dos Cisnes”, objetivo, aliás, almejado por todas as demais bailarinas da Companhia, inclusive Beth MacIntyre (Winona Ryder), até então a veterana primeira bailarina do corpo de balé. Beth, entretanto, foi submetida a uma aposentadoria compulsória por ser considerada velha pela companhia. O diretor artístico, Thomas Leroy (Vincent Cassel), deseja inovar e exige que a protagonista dance tanto o Cine Branco como seu antagonista, o Cisne Negro, papéis, em geral destinados a bailarinas distintas. . A dominadora mãe de Nina (Barbara Hershey) quer protegê-la dos excessos de sua busca pela perfeição, mas, ao mesmo tempo, parece incentivar a filha a alcançar o sucesso que nem chegou perto de atingir, vez que sua carreira foi interrompida pela gravidez. Nina dedica-se integralmente, mas Thomas acha que a perfeição técnica da jovem não basta para o segundo papel – o Cisne Negro requer uma sensualidade e arrebatamento que Nina não parece alcançar, mas que sua maior rival, a recém-chegada Lilly (Mila Kunis) emana naturalmente. De um lado a perfeição técnica de Nina, de outro, a naturalidade e leveza de Lily. A obsessão de Nina é o caminho para a automutilação física e mental. Ela afunda em pesadelos e alucinações, não conseguindo distinguir sonho de realidade. Lily quer realmente ajudá-la ou está colocando Nina numa armadilha?

Avaliação: Nem cheguei a ver o trailer, as expectativas vieram das críticas positivas quase unânimes sobre o filme e da unanimidade acerca da estupenda atuação de Natalie Portman. O diretor trata novamente do tema da compulsão autodestrutiva de maneira tão forte como em “Réquiem Para Um Sonho”. Os extenuantes treinos, unhas quebradas, pés sangrando, quase trincando sob o peso do corpo, a “guerra” pela conquista do papel principal, o fim de carreira compulsório para quem ainda está no auge, mas “passou da idade”, são ilustrados de forma dolorosa. Para a protagonista, sobram ainda o constante medo de não corresponder (“fraqueza” que o diretor artístico não perdoa), distúrbios alimentares, cleptomania, automutilação e a perda da noção da realidade. Natalie Portman está arrebatadora e tragicamente convincente – como se buscasse o Oscar com a mesma obstinação de sua personagem em busca do papel principal. E o festival de plásticas a que Barbara Hershey deve ter se submetido torna-a mais convincente em seu papel de mãe dominadora, que ainda trata a filha quase adulta como uma criança Em suma, um mundo assustador, este de Nina.

O filme, porém, não cativou a Sarah como o fizera o excelente “Réquiem Para Um Sonho”. Eu gostei bastante, mas, como a Sarah (um pouco menos), às vezes cansei-me um pouco. Já nossa amiga Bina e minha mãe acharam o filme ótimo. Entende-se o porquê: além do enredo em si, há o balé, a música, o empenho dos bailarinos.

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Incontrolável (Unstoppable)

Incontrolável (Unstoppable), suspense dramático e de ação de Tony Scott, 2010.

Enredo: O engenheiro Frank Barnes (Denzel Washington) e o condutor Will Colson (Chris Pine, do remake de “Jornada nas Estrelas”) trabalham numa ferrovia na Pensilvânia. Envolvido com o trabalho, o viúvo Frank esquece até do aniversário de uma das filhas, enquanto Will está proibido judicialmente de se aproximar da mulher e do filho pequeno. Eles carregam, além dos dramas pessoais, uma rivalidade por conta da idade – Frank enxerga Will como um novato sem experiência, ao passo que este vê Frank como um veterano arrogante.

Neste meio tempo, uma somatória de desleixos deixa um trem carregado de explosivos tóxicos desgovernado, sem maquinista e a ponto de causar uma catástrofe em Stanton, a pequena cidade natal de Colson. E, enquanto a responsável pela área, Connie Hooper (Rosario Dawson, de “Sete Vidas”) procura, com a ajuda de um experiente inspetor federal (Kevin Corrigan), encontrar a saída mais segura, seu superior (Kevin Dunn) fixa-se meramente nos danos financeiros e de imagem para a ferrovia. O choque de decisões provoca as primeiras vítimas fatais, que poderão ser maiores se as ordens do superior de Connie prevalecerem. Mas Frank tem um plano para parar o trem desgovernado antes que atinja Stanton – e arrasta consigo o novato Will.

Avaliação: Se não soubesse que é baseado em caso real, diria que é mais um clichê de ação hollywoodiano. Pode ser que seja Tony Scott o responsável por parecer assim… Ao contrário de 72 Horas, cujo trailer não nos agradou, mas que, assistido por inteiro revelou-se muito bom, “Incontrolável” tinha um trailer excitante, mas revelou-se mediano, normal. Bom passatempo, com cenas de destruição, tensão dramática (“Conseguirão nossos heróis escapar para resolver os dramas que atingem suas famílias?”) etc. Mas é só.

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