Atividade Paranormal (Paranormal Activity)

Atividade Paranormal (Paranormal Activity), suspense de terror de Oren Peli, 2007 (2009 no Brasil).

Enredo: Aos oito anos de idade, Katie (Katie Featherston) teve algumas estranhas experiências paranormais e a vida da família passou por um trauma. Agora, já no fim da Universidade e morando na nova casa do namorado Micah (Micah Sloat), sons estranhos, portas se abrindo sozinhas e barulhos de passos parecem se repetir. Decidido a desmistificar o que quer que seja que se passa na casa, Micah compra uma câmara de vídeo e um microfone potentes e põe-se a gravar “a atividade” no quarto à noite. Inicialmente, nada… Mas ele “desafia” a entidade e ela parece corresponder, intensificando seus sinais – portas se abrem com mais força, pisadas fortes nas escadas, luzes que se acendem e se apagam. É hora de chamar um estudioso de fenômenos paranormais; mas ele se denomina especialista em fantasmas e o caso parece ser de presença demoníaca. Agora é que Micah sente-se mesmo desafiado. E corresponde… E os sinais ficam mais intensos e as noites mais intranqüilas… E…

Avaliação: Muito falatório em torno do filme, da mão de Spielberg afinando o roteiro etc., mas tive a mesma sensação que em “A Bruxa de Blair”. Um crescente interessante, alguns bons momentos de tensão, você fica torcendo para o desenlace chegar. Apesar disto não alcança a expectativa, talvez, se tivesse assistido de noite… Ou em casa, sozinho (brrrr!!!). Aí talvez funcione muuuuuito bem. Minha mãe também achou entre médio e bom. Ainda bem que a Sarah não viu, pois creio que fosse detestá-lo…

Roma (Rome) – 1ª e 2ª temporadas

Roma (Rome) – 1ª e 2ª temporadas, seriado épico sobre a história de Roma de César a Augusto, dirigido por diversos, 2005-2007.

Enredo: Lúcio Voreno (Kevin McKidd) e Tito Pullo (Ray Stevenson) são o comandante e soldado da XIII Legião que involuntariamente participam de pontos nevrálgicos da história de Roma, a ascensão e morte de Caio Júlio César (Ciarán Hinds) e a queda da República, substituída pelo Império. Vemos as intrigas de Átia dos Júlio (Polly Walker) – a vil e manipuladora mãe de Caio Otavio ou Otaviano (Max Pirkis) e Otávia (Kerry Condon) – contra sua rival (não muito menos vil) Servília dos Júnio (Lindsay Duncan), amante preferida de César, que, por sua vez, trata o filho dela, Brutus (Tobias Menzies), como se fosse seu próprio filho. O começo da série mostra o Senado, centro do poder de Roma, tentando lidar com o crescente poderio de César, famoso por ter derrotado os gauleses de Vercingetórix (Giovanni Calcagno) e seu exército várias vezes mais numeroso que o dos romanos. Segue-se a disputa pelo poder. De um lado, querendo a manutenção da República e temendo sua iminente transformação em Império, Pompeu Magno (Kenneth Cranham), seus instigadores e fiéis seguidores Catão (Karl Johnson) e Cipião (Paul Jesson), juntamente com o volúvel Marcos Tulio Cícero (David Bamber) e Brutus. De outro, César e o desbocado, cruel, sarcástico e tirânico Marco Antonio (James Purefoy). Os interesses das partes nunca estão ligados verdadeiramente ao povo, mesmo que pessoas como Marco Antonio, César e Brutus sejam por este admirados. A manutenção de privilégios é o que mais guia estes personagens, sejam eles de origem nobre ou plebéia. (eu diria – pelo menos sob o ponto de vista da série – que as exceções seriam Brutus e Cássio, que realmente queriam preservar a república como ela fora idealizada, longe dos tiranos e ditadores). A primeira temporada trata desde a conquista da Gália até o assassinato de César. A segunda, desde a luta pela sucessão de César até a morte de Marco Antonio e Cleópatra e a assunção do poder de Roma por Otaviano (“Augusto”), herdeiro de César.

Avaliação: A série é extremamente cativante, tem uma trilha sonora hipnotizante e mostra a história de Roma desde as vitórias de César na Gália até a investidura de Otaviano como o imperador Augusto. Conhecemos tal história através dos eventos que permeiam a vida de dois legionários eternamente em conflito, mas que, no fundo, nutrem um amor fraternal um pelo outro. E, nos depoimentos de atores, diretores e responsáveis por diversas áreas da produção, aprendemos interessantes hábitos da época. “Interessantes” é a palavra, apesar de muitos nos soarem abjetos – afinal, tratava-se de outra cultura.

Você se sente na própria Roma, as mulheres dão um show de interpretação, mostrando como manipulavam seus maridos e amantes, mesmo numa sociedade onde o homem tinha a última palavra. Bom, nem sempre, pois seus casamentos e outros pontos da vida social eram determinados por fatores políticos vigentes no momento.

Os DVDs da série oferecem uma versão (“Todos os Caminhos Levam a Roma”) onde o consultor de história da série, Jonathan Stamp, em vez de legendas, faz acompanhar o áudio por pequenas intervenções sob forma de quadros explicativos, que nos mostram o histórico de cada personagem importante, a situação política de Roma ou hábitos culturais peculiares ao local e período. Por exemplo:

  • Pichações espalhando segredos de alcova dos patrícios, acusando senadores etc. eram muito comuns em todos os muros da cidade.
  • Os romanos tinham na disciplina e organização de seu Exército a chave para vencer inimigos numericamente muito superiores, como os gauleses, por exemplo. A formação em casco de tartaruga, uma compactação de soldados protegidos por seus escudos, tornava-se intransponível aos metais dos adversários. Os apitos dos comandantes sinalizavam as instruções aos soldados que iam se revezando da retaguarda à vanguarda em levas, de modo a que a vanguarda estivesse sempre munida por soldados mais descansados da luta corporal.
  • O senado tinha um porta-voz com jeito extremamente peculiar de gesticular e entoar as ordens do dia – era o retrato das técnicas de oratória romanas.
  • “Dividir e conquistar” tornou-se lema de César e isto efetivamente favoreceu-lhe as conquistas.
  • Até o chicote tinha técnicas de aplicação que permitiam ferir, ferir profundamente ou matar – tudo na maior disciplina…
  • Confissões de escravos somente tinham valor oficial se houvesse tortura envolvida, pois se supunha que fossem proteger seus amos até o fim.
  • Na cena em que, com um leve gesto, César ordena a retirada da cadeira de cônsul ao lado da sua, no centro do Senado, ele mostrava estar querendo dirigir os rumos de Roma sozinho.
  • “Ditador” não era uma palavra deplorável, mas sim uma figura política da época, com período de poder delimitado em lei (que o demagogo César “esticou” para perpétuo).

O sexto DVD da primeira temporada tem dois extras muito interessantes, de cerca de 20 minutos cada. “Ascensão de Roma” mostra os cuidados com a escolha das locações, dos figurinos (algo que particularmente não me toca muito) e, transcorridos cerca de 10 minutos, aí sim, chega parte bastante interessante – mostra-se como eram as opulentas e vibrantes “villas” dos patrícios, as asquerosas favelas de até sete andares dos cidadãos (com sua falta total de esgotos) e os cuidados para reconstruí-las com fidelidade (tanto que até os atores sofriam filmando nas favelas).

O auge é “Em Roma”, o extra da primeira temporada, dividido em temas sobre a sociedade da época, como:

  • Religião – a religião destes povos era instrumento para pedidos de vingança e/ou proteção, para oferendas a deuses violentos e/ou protetores, deuses de interesses conflitantes e que muitas vezes se combatiam. Destoando disto, num dos capítulos da série, vemos como o futuro imperador Augusto descrê destes deuses de comportamento humano e acredita num deus único, responsável pelos movimentos do Universo. De qualquer modo, como coloca o consultor Stamp, esta religião estava absolutamente desvinculada da moral como a conhecemos hoje, que tem origem judaico-cristã.
  • Escravidão: é possível que os escravos (que podiam ser vendidos como segunda mão ou alugados) fossem até 70% da população. Para os romanos, o pensamento era de que se tratava de uma escolha do escravo estar nesta situação, pois, caso contrário, por que ele não teria tirado sua própria vida? Stamp esclarece que escravos tinham uma versão do “sonho americano”, o “sonho romano”: a possibilidade de comprar sua liberdade. E a maioria até podia sonhar (sonhar!) com isto, pois apenas uma minoria vivia em regimes como os das minas, onde não esperavam sobreviver mais do que três meses. Os escravos “pessoais” tinham tanta intimidade com seus amos que estavam com eles até na hora do sexo, servindo-os, limpando-os… Por exemplo, Posca, o de César, era culto e dedicado, o que lhe favorecia (era o caso dos gregos, normalmente) e lhe deu o privilégio de obter de César a promessa de liberdade caso este morresse em batalha.
  • Arenas de gladiadores: antes do Coliseu, as arenas, palcos de lutas violentíssimas e sanguinolentas, eram pequenas, artesanais e montadas em qualquer local da cidade. O nome arena (= “areia”, em latim) vem da areia que era colocada para se misturar ao sangue derramado nas lutas.
  • Sexo e comida eram os prazeres mais freqüentes e faziam parte das festividades sem pudor algum. O sexo inclusive era realizado na frente dos escravos, o que denota que estes eram absolutamente ignorados.

O segundo DVD da segunda temporada traz um extra com a história de Marco Antônio e Cleópatra, já declamada por tantos poetas e escritores.

A pergunta final: quem eram mesmo os bárbaros? Se os romanos chamavam seus vizinhos por esta alcunha, imagino como eles seriam… Roma era corrupta, imoral e devassa, uma permanente rede de intrigas, alianças que não se sustentavam e traições eram uma constante, até para os padrões de alguns políticos de hoje. Mas, no final, a humanidade caminha para frente, apesar de tudo…

Confesso que fiquei triste, mas muito mesmo em dois momentos: a derrota de Cícero (mesmo sendo ele volúvel e instável politicamente) e a batalha de Cássio e Brutus contra Otaviano (Augusto). Pelo que depreendi do seriado, três bons homens lutando pelo que julgavam ser o ideal do estado livre da tirania, do respeito à res publica, a coisa pública mantida pelo povo (mesmo que poucos do povo tivessem tal direito). E a gente torcendo para que os rumos da história tivessem sido outros.

OBS: minha adjetivação dos personagens decorre das impressões obtidas do seriado, com o apoio daquelas obtidas da Wikipédia.

A Partida (Okuribito)

A Partida (Okuribito), drama de Yojiro Takita, 2008.

Enredo: Com sua orquestra dissolvida por falta de público, o violoncelista Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) fica sem emprego. Para economizar no aluguel, pensa em voltar para sua pequena cidade natal, onde a mãe lhe deixou a casa em que cresceu. “Ótima idéia”, incentiva-o sua esposa, (Ryoko Hirosue). Porém, o retorno traz para o rapaz as péssimas lembranças do abandono da mãe pelo pai, quando tinha apenas seis anos. E a volta não representa emprego garantido para um músico sem renome. Assim, ele anima-se quando consegue um emprego numa “agência de viagens”. Até que descobre de que tipo de “viagens” se trata… E sua primeira experiência na agência o Sr. Sasaki (Tsutomo Yamazaki), que presta serviços para agências funerárias, limpando e maquiando cadáveres, é com um corpo abandonado há dias… Porém, com o tempo, ele vence o natural desagrado inicial e percebe a importância de seu trabalho e o quanto seu desempenho é elogiado pelo patrão. Contudo, ainda envergonhado, evita contar o que faz; mas é apenas questão de tempo para que seus antigos conhecidos e sua esposa descubram… E o tratem mal. Só quem necessita de seus serviços lhe dará valor – uma hora ou outra…

Avaliação: Este sensível e delicado drama resiste há quase seis meses em cartaz (desde jun/09). Certo que em pouquíssimas salas e horários, mas isto é prova de que tem público garantido. O mesmo estigma que se percebe no Brasil contra a atividade dos que cuidam dos corpos dos falecidos, tratando-os com dignidade antes de sua derradeira partida, aparece no Japão. Há algumas situações de tensão ou até cômicas, mas o respeito de Daigo e de seu patrão (o excelente Tsutomo Yamazaki) sempre prevalecem. A Sarah adorou, minha mãe gostou muito e eu idem, exceto pelo fato de que é meio longo (130 min) e tem momentos monótonos. Mas isto não invalida a beleza e a lição que o filme nos dá sobre respeito, amor e dignidade na “partida”. Ah, e claro, agradeço à Marjory e ao Marcelo por nos incentivarem a ver o filme.

A Noite (La Nuit)

A Noite (La Nuit), drama autobiográfico e histórico de Elie Wiesel.

Ao ganhar o Nobel da Paz, Elie Wiesel discursou: “Eu me lembro: aconteceu ontem ou eternidades atrás. Um garoto judeu descobriu o reino da noite… Lembro-me de sua angústia… O gueto. A deportação. O vagão de gado selado. O altar de fogo sobre o qual a história de nosso povo e o futuro da humanidade seriam sacrificados…”.

Elie Wiesel tinha 16 anos ao ser libertado do campo de concentração de Buchenwald, para onde tinha sido transferido com seu pai, vindo de Auschwitz-Birkenau. Perdera a mãe e uma irmã nas câmaras de gás, logo que chegara ao campo. O livro fala sobre este reino da noite que se abateu sobre os judeus e outras minorias perseguidas pelos nazistas. O livro, relativamente curto, mas muito forte e impressionante, foi escrito a partir de um longo manuscrito de nome “E o Mundo Silenciou” (“Und die Welt Hot Geshvign”), e, publicado em 1958, tornou-se um best-seller anos mais tarde (Oprah Winfrey colaborou com isto ao recomendá-lo em seu Clube do Livro, em 2006).

Uma narrativa seca, direta e excepcional, que nos faz sentir a revolta e a angústia do garoto de 16 anos que tenta entender como seres humanos poderiam perpetrar atos tão além da compreensão do próprio ser humano, como os vividos por ele. (trecho disponível em http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1195369-1655,00.html).

Maus (Maus, a Survivor’s Tale)

Maus (Maus, a Survivor’s Tale), drama histórico em quadrinhos, de Art Spiegelman, 1991.

Devo aos meus queridos afilhados de casamento Marjory e Marcelo, a dica deste excelente livro.

Art Spiegelman, vencedor do Pulitzer, teve uma idéia inusitada e valeu-se dos quadrinhos para transformar os nazistas em gatos, os judeus em ratos (“maus” significa rato, em alemão), os poloneses em porcos e os americanos em cães e, assim narrar as desventuras de seu pai, Vladek, e familiares sob o jugo de Hitler, na Polônia ocupada. A estória se passa primeiramente nas cidades, depois nos campos de concentração (em particular, Auschwitz). Apesar de tratar-se de quadrinhos e do uso dos animais parecer amenizar a tragédia, a história não nos poupa dos horrores das minorias perseguidas e dizimadas (aliás, muito longe disso, os relatos chegam a ser pesadíssimos), mostrando desde o morticínio dos bebês judeus sob as baionetas nazistas às agruras dos adultos. O autor mistura a história com momentos de sua própria vida junto do pai. Momentos difíceis, diga-se: sua mãe suicidou-se, a relação com o pai não era nada amena, o pai casou-se novamente e destratava a madrasta (outra judia sobrevivente de campos de concentração) e o próprio autor teve problemas que o levaram a um hospital psiquiátrico. Resultou disto uma narrativa tocante, triste e sensível, um efetivo testemunho de algo que nunca deverá ser esquecido.

Exodus (Exodus)

Exodus (Exodus), drama, aventura, romance e ação de Otto Preminger, 1960. C

Enredo: 1947. Na então colônia britânica do Chipre ficam os campos de refugiados judeus saídos da Europa após o término da 2ª. Guerra Mundial para chegar à terra de seus ancestrais, Palestina, também colônia britânica. Diversos deles tentam chegar ilegalmente e são deportados de volta para o Chipre. Todos aguardam o momento em que a recém fundada ONU decididirá sobre o fim do mandato britânico na Palestina e a partilha da terra entre um estado judeu e outro árabe. Neste meio tempo, mais 611 refugiados judeus chegam ao Chipre no Star-of-David e são levados ao campo de refugiados, onde há carência de todas as ordens (remédios, médicos, alimentos). É este grupo que o decidido Ari Ben Canaan (Paul Newman) quer retirar clandestinamente do campo e levar de navio para a Palestina, para mostrar ao mundo a precária situação dos refugiados e expor a urgência na definição sobre um estado judaico. Os cipriotas também almejam a independência, o que, inclusive, acabaria com a imposição de abrigar os judeus. Junte-se a isto a compreensão do problema dos judeus e o pagamento pelos seus serviços e tem-se um fiel aliado no cipriota Mandria (Hugh Griffith). Cabe a ele fornecer os meios para Ari realizar seu ousado plano. Enquanto isto… A enfermeira americana Kitty Fremont (Eva Marie Saint) está no Chipre para visitar o general Sutherland (Ralph Richardson), responsável pela colônia palestina e companheiro de longa data do marido de Kitty, fotógrafo de guerra falecido no cumprimento de seu ofício. Ela toma contato com a realidade dos refugiados e oferece-se para ajudar no campo, onde conhece a esperta e irrequieta adolescente Kate Hansen (Jill Haworth). A amizade e a carência – Kate perdeu a mãe na guerra e não sabe o paradeiro de seu pai e Kitty abortara com o choque da perda do marido – as aproximam.

O filme tem essencialmente duas partes: a primeira é a saga do novo “Moisés”, Ari Ben Canaan, que está prestes a conseguir seu intento quando os ingleses descobrem seu plano e começa uma queda de braço entre os refugiados a bordo do navio, apropriadamente batizado de Exodus. A bordo, estão também Kitty, Kate e o rapaz de quem ela se aproxima, Dov Landau (Sal Mineo). Em terra, o general Sutherland, que sempre acreditou no direito dos judeus terem seu lar nacional, mas que cumpre ordens de Londres.

A segunda parte trata dos poucos refugiados que chegam a Israel às vésperas da partilha da ONU, quando já se prevê um massacre dos judeus por parte da maioria árabe muçulmana, provavelmente sob o olhar complacente dos ingleses. É então que tomamos contato com organizações como a Haganá (que queria alcançar a independência por meio das conversações, mas sem deixar de cuidar da efetiva proteção dos judeus), sua rival Irgun (resultado da cisão da Haganá e classificada pelos britânicos como terrorista) e o Palmach (força de combate da Haganá). Abordam-se ainda o atentado ao Hotel King David (que abrigava os soldados ingleses) e os planos do grão Mufti de Jerusalém (aliado de Hitler) em desocupar os árabes de suas vilas e cidades, para deixar o terreno livre para a liquidação completa dos judeus, com o apoio de especialistas militares trazidos dentre os nazistas derrotados (então os árabes voltariam com o “terreno já limpo”…).

Avaliação: Baseado no best-seller homônimo de Leon Uris (roteirizado por Dalton Trumbo, do também excelente “Spartacus”), que conta a saga do navio Exodus e da fundação do Estado de Israel, este filme, além de ótimo passatempo (tem 3,5 horas, que nem se percebem passar), dá um apanhado geral sobre o drama dos sobreviventes do Holocausto, que preferiram o caminho da Palestina sob mandato britânico, e do ano que antecedeu à proclamação do Estado de Israel. Toca também a questão do Holocausto, daqueles que perderam toda ou quase toda família e de quem se tentou eliminar toda a dignidade (o filme aborda isto de uma maneira muito forte e pontual com um dos sobreviventes das filas de seleção para câmara de gás e do Sonderkommando de Auschwitz, o grupo de judeus obrigado a levar os correligionários à câmara de gás, recolher os dentes de ouro dos cadáveres, enterrá-los). Narra ainda a verdadeira amizade que havia entre diversos judeus e árabes, no caso, o líder Taha (John Derek), grande amigo de Ari e de seu pai, Barak (Edward G. Robinson).

O filme tem excelentes personagens (dando oportunidade de mostrar as várias partes envolvidas no evento do Exodus e na fundação de Israel), drama, ação, aventura, romance, toques de suspense e para arrematar, o belo e significativo discurso final pela paz e a linda música-tema (a trilha ganhou Oscar). Mais uma vez agradeço à Gisele e ao Carlinhos pela sugestão; um filme que eu vira há uns 25 anos e a Sarah ainda não vira.

A Espiã (Black Book/Zwartboek)

A Espiã (Black Book/Zwartboek), drama de espionagem e de guerra com toques de suspense e de romance de Paul Verhoeven, 2006. C

Enredo: 1956. Israel. Um grupo de turistas visita um kibutz. Ronnie (Halina Reijn) reencontra Rachel (Carice van Houten), agora professora neste kibutz. Elas se recordam dos tempos em que estiveram juntas na Holanda. Mas isto traz lembranças amargas a Rachel.

Final de 1944. Segunda Guerra Mundial. Parte da Holanda ainda está sob o jugo nazista. É onde está escondida a cantora judia holandesa Rachel Stein. Quando a fazenda que a abrigava é destruída por bombas – “Aviões alemães descarregando excesso de carga”, diz o rapaz com quem Rachel conversava – ela se refugia com seu salvador num celeiro abandonado, onde são contatados por Van Gein (Peter Blok), da resistência, que lhes propõe juntar-se a um grupo que vai cruzar o rio para o sul da Holanda, já libertado. Para tanto, ela contata o advogado da família, para reaver parte dos recursos custodiados por ele. Ela reencontra a família no momento da travessia, mas os perde para sempre quando uma patrulha alemã metralha os passageiros e saqueia o barco. Somente ela sobrevive. Escondida pelo grupo da Resistência liderado por Gerben Kuipers (Derek de Lint) com a identidade de Ellis de Vries, Rachel aceita participar das ações do grupo. A primeira é o contrabando de armas, que a leva a viajar com o aliado do grupo Hans Akkermans (Thom Hoffmann) – no trem, ela conhece o oficial alemão Ludwig Müntze (Sebastian Koch), chefe da inteligência local – que fica seduzido por ela. Quando um acaso expõe parte do grupo da resistência, Ellis aceita a missão de aproximar-se de Müntze, seduzi-lo, implantar uma escuta no quartel alemão e ajudar na libertação do filho de Kuipers e de seus companheiros. Ela tem sorte, pois o nazista a emprega e é seduzido por ela. De lá para as festas e recepções, o passo é rápido. E o reencontro com o oficial nazista que trucidara sua família (Waldemar Kobus) também. Seguem as primeiras ações apoiadas pela presença de Rachel no quartel inimigo. Mas os revezes vão se acumulando. Haveria alguém infiltrado no grupo? Um de seus contatos estaria trabalhando para os dois lados? A própria Rachel, agora emocionalmente envolvida com o nazista, torna-se suspeita e alvo dos dois lados.

Avaliação: “Baseado em fatos reais”, é o que se lê no início do filme. É bem possível, pois muitos eventos como os narrados no filme certamente ocorreram: resistência, colaboracionismo, subjugação, traições, ações heróicas.

Um filme de 2,5 horas, que passa rápido e provoca muitos momentos de tensão. Além de ser um drama cativante e um “suspensaço” com muito conteúdo, o filme mostra dois fatos que raramente têm vez neste tipo de filme: a punição dos colaboracionistas e o triste pragmatismo dos aliados, ao preservar diversos oficiais nazistas como fontes de informação que pudessem afetar os interesses soviéticos. Pois é, muitos oficiais nazistas de alta patente foram poupados das devidas punições (se é que haveria punição suficiente para eles…) porque seus conhecimentos serviram para deter o avanço do que viria a ser o novo inimigo dos americanos e de seus aliados europeus: os comunistas.

Outra feliz dica de DVD dos amigos Carlinhos e Gisele, este filme já fora indicado pelo nosso amigo Rubens à época em que esteve em cartaz, mas acabamos não o vendo no cinema. 

PS: Minha mãe e irmão viram depois e também adoraram.

Spartacus (Spartacus)

Spartacus (Spartacus), épico dramático de Stanley Kubrick, 1960.

Enredo: 73 a.C. Em Roma, podia-se dizer haver quase tantos escravos quanto cidadãos livres. Entre os primeiros, estava Spartacus (Kirk Douglas), vindo de uma das muitas regiões conquistadas por Roma, a Trácia (região aproximadamente entre a Bulgária e a Turquia). Como tantos outros companheiros de infortúnio, seus dotes físicos o tornaram um gladiador a serviço de Lentulus Batiatus (Peter Ustinov), obrigado a lutar pela vida na arena, para diversão da plebe e dos nobres de Roma. Ávido pela liberdade, Spartacus será o líder (ou um dos líderes, segundo alguns historiadores) da revolta contra seus opressores. Excelentes táticas nos campos de batalha o levaram a inúmeras vitórias, mas diferenças de opinião com alguns de seus comandantes sobre os rumos da revolta puseram todos os ganhos em risco. Para sua sorte, os próprios romanos, envoltos em diversos conflitos dentro das fronteiras de seus domínios, não dispunham de homens preparados e suficientes para combatê-los. Joguete na luta do poder em Roma, Spartacus vitorioso interessava ao grupo de Julio César (John Gavin) e de Graco (Charles Laughton), que se opunham ao general Marco Crasso (Laurence Olivier). É então que este último seleciona seus melhores homens para o confronto final com o escravo revoltoso. Poderá ser a última chance de Spartacus estar ao lado de sua amada Varinia (Jean Simmons) e de lutar ao lado de seu fiel companheiro Antonino (Tony Curtis).

Avaliação: Assim como Exodus, mais um filme excepcional, um dos melhores que vi até hoje. Com excelente roteiro de Dalton Trumbo, vilões realmente bem caracterizados e que conseguem provocar repulsa à escravidão imposta por Roma, reforçada por um Kirk Douglas que nos cativa para sua luta em busca do direito de ser livre.

Aprendi com meu pai que há duas coisas para as quais o ser humano somente dá valor quando as perde: a saúde e a liberdade. Este filme mostra o desejo pela liberdade que todo ser humano carrega, mas do qual normalmente nem se dá conta.

Entre o Amor e a Morte (Woman in Hiding)

Entre o Amor e a Morte (Woman in Hiding), suspense criminal de Michael Gordon, 1950.

Enredo: Deborah Chandler (Ida Lupino) acabou de perder o pai em circunstâncias misteriosas – suicídio? Mas agora ela está feliz, pois se tornou a Sra. Selden Clark. Seu marido (Stephen McNally), gerente da fábrica do recém-falecido pai de Deborah, deve ficar à frente dos negócios. Mas, já na lua-de-mel, e mesmo antes de consumar-se a noite de núpcias, seus caminhos cruzam com o da ex-namorada de Selden, a bela Patricia (Peggy Dow). É aí que Stephen é desmascarado e mostra a que veio e trata de se livrar da pobre Deborah, para herdar a fábrica. Assim, sabota o carro que ela conduz e leva-a a cair de uma ponte. Ela sobrevive, mas é dada como morta, arrastada pela correnteza – exceto pelo marido, que oferece uma grande recompensa para quem achar a esposa, “que provavelmente está com amnésia”. Sabedora de que Patricia passou a odiar Selden, Deborah procura sua ajuda, mas ela está viajando e Deborah precisa esconder-se até sua chegada. Um acaso leva a moça ao encontro do “boa vida” Keith Ramsey (Howard Duff), que, encantado com a desconhecida, resolve ajudá-la. Ele é gentil, mas é confiável? Pode colocá-la em encrencas? Enquanto isto, Selden encurrala a fugitiva.

Avaliação: Pegamos por acaso no Telecine Cult. Não esperava muito, mas gostamos bastante, apesar de alguns clichês (perseguições em galpões abandonados e afins) e de algumas cenas não muito convincentes (porque não aprofundadas).

Encurralados (Butterfly on a Wheel)

Encurralados (Butterfly on a Wheel), suspense criminal de Mike Barker.

Enredo: Executivo de uma agência de publicidade, Neil Randall (Gerard Butler) tem uma vida confortável ao lado da bela esposa Abby (Maria Bello) e da filha Sophie (Emma Karwandy). Ele está prestes a receber uma promoção e acaba de ser convidado para um fim de semana na casa do chefe (Peter Keleghan). Sophie fica aos cuidados de uma babá e o casal parte para, logo em seguida, descobrir que tem no carro a companhia de Ryan (Pierce Brosnan). A partir daí, este mal-vindo companheiro de viagem vai submetê-los a toda espécie de humilhações, obrigando-os a cumprir as tarefas e ordens mais extravagantes, sob pena de ordenar à “babá” que mate Sophie. Se, em alguns momentos, Abby e Neil resolvem desafiar as absurdas ordens, Ryan está sempre disposto a mostrar a seriedade de suas intenções. O que o leva a fazer isto ao casal? Vingança? Pelo quê? As vítimas não têm a mínima idéia de quem ele seja.

Avaliação: Quando passou no cinema, pensei: mais um filme de suspense banal. Acabamos vendo na TV. Eu tive umas suspeitas fundadas logo no início, mas o filme conseguiu nos conduzir muito bem e surpreender no final, que é quando você consegue enxergar tudo de frente para trás e perceber como a trama foi muitíssimo bem engendrada.

Justiça (Justiça)

Justiça (Justiça), documentário de Maria Augusta Ramos, 2004.

Enredo: O dia a dia da justiça criminal carioca, mostrando desde as audiências até os lares de juízes e advogados…

Avaliação: Muito bom, assistimos por acaso na TV a cabo. Uma excelente abordagem dos vários lados e aspectos do sistema judiciário e da vida na prisão e das famílias dos presos, advogados, promotores, defensores públicos e juízes. O bom é que a abordagem é imparcial e fica até difícil de tomar partido. Exceto no que se refere ao sistema prisional, lotado e falido – ou quase. A Sarah também gostou bastante. Vale a pena!

O Reino (The Kingdom)

O Reino (The Kingdom), suspense policial de ação de Peter Berg, 2007.

Enredo: Um atentado terrorista extremamente bem elaborado provoca dezenas de vítimas entre as famílias de trabalhadores de uma firma americana na Arábia Saudita. Como cidadãos americanos foram mortos, o FBI deveria ser envolvido; porém, os governantes sauditas não concordam com a presença do exército ou da polícia americana em seu território, sob pena de deflagrar conflitos sociais. Mas o agente Ronald Fleury (Jamie Foxx) consegue exercer a pressão adequada e obtém cinco dias de prazo para sua investigação in loco. Sem apoio da diplomacia americana, que quer vê-los fora o mais rapidamente possível, e com pouco apoio local, dado o constrangimento que sua presença provoca, os quatro especialistas (Foxx, Jennifer Garner, Chris Cooper e Jason Bateman) correm contra o tempo e precisam cativar seu elo local, o coronel Al Ghazi (Ashraf Barhom) e seu assistente, o sargento Haytham (Ali Suliman), que têm ordens para tornar as ações do grupo tão discretas quanto possível – o que significa praticamente anular a investigação. Aprendendo a lidar com os hábitos do local, certa confiança mútua é estabelecida, mas a investigação ainda é lenta E o grupo terrorista planeja uma nova ação – agora contra os investigadores.

Avaliação: Mais um – pois é, mais um – daqueles que eu quis ver no cinema e perdi. Desta vez, não foi grande coisa, porque o desenrolar da trama é lento e só ganha movimentação no final. O filme começa com um interessante e breve histórico explicando a independência saudita, a descoberta do petróleo, a associação com os americanos para sua exploração (anos 30), a relação sauditas-ocidente após a 2ª Guerra, a chantagem do petróleo, e as guerra do Iraque. E o filme vai mostrando – aí o aspecto legal de assisti-lo – a suntuosidade dos palácios dos príncipes, a discriminação das mulheres (um dos investigadores é do sexo feminino), a desconfiança com que são olhados os americanos, o modus operandi do terror suicida e a existência de bolsões habitados por facções radicais na capital Riad onde nem a polícia consegue entrar.

Instinto Secreto (Mr. Brooks)

Instinto Secreto (Mr. Brooks), suspense criminal de Bruce A. Evans, 2007.

Enredo: Empresário de sucesso, eleito Homem do Ano da cidade, bem casado… Este é o senhor Brooks (Kevin Costner) que todos conhecem. Mas ele tem uma face desconhecida, seu alter ego Marshall (William Hurt), que o força a manter uma personalidade que Brooks quer abandonar, a do “Assassino das Digitais”, um serial killer que deixa as impressões digitais de suas vítimas em sangue. Ele escolhe casais, espreita-os, entra furtivamente em suas casas, observa-os no ato sexual, elimina-os e limpa com todo cuidado as pistas que possa ter deixado. Por dois anos, Brooks freqüentou os AA e conseguiu refrear este instinto assassino , até que, em uma recaída, comete um deslize, esquece as cortinas do quarto das vítimas abertas e um voyeur (Dane Cook) do prédio vizinho o fotografa e passa a chantageá-lo, exigindo participar do assassinato seguinte. Mas este é o problema menor do frio e impassível Brooks: sua filha (Danielle Panabaker) largou a faculdade e voltou para casa, não sem antes ter engravidado e ter-se tornado suspeita de assassinato no campus. Agora sim, Brooks tem medo: e se a filha tiver herdado seu desvio?

Enquanto isto, a detetive Tracy Atwood (Demi Moore) vê-se praticamente impedida de retomar o instigante caso do Assassino das Digitais, pois sua chefe (Lindsay Crouse) exige que primeiramente resolva seu rumoroso processo de divórcio. Mas Tracy insiste e se aproxima cada vez mais do voyeur e do Sr. Brooks – ocorre que, de caçadora, ela passa a caça, pois Brooks também a investiga. Ao mesmo tempo, um assassino (Matt Schulze) que ela prendera acaba de fugir e quer vê-la morta.

Avaliação: Mais um – mais um – daqueles filmes que passa no cinema e eu rejeito, terminando por vê-lo na TV. Desta vez, na TV aberta e alertado pela Sarah. Cansada, ela não agüentou até o fim. Mas eu fiquei realmente envolvido e adorei. Trama bem intrincada, cheia de sub-tramas interessantes (a detetive é uma rica herdeira – depois entenderemos o porquê da escolha da carreira; um assassino persegue a detetive, que, por sua vez, está vivendo um rumoroso caso de divórcio. O protagonista-vilão é muito bem elaborado – frio e calculista, mas envolvido com a família). Um ótimo filme e com primorosa atuação de Kevin Costner.

O Enigma das Cartas (House of Cards)

O Enigma das Cartas (House of Cards), drama psicológico com toques de suspense de Michel Lessac, 1993.

Enredo: Ruth Matthews (Kathleen Turner) perdeu o marido há um ano, enquanto escalavam uma colina pesquisando ruínas maias. Enquanto tinha a companhia do nativo Selord (Joaquín Martínez), a pequena Sally (Asha Menina), filha de Ruth, parecia bem. Mas agora, de volta aos EUA, após três anos fora, Sally deixou de falar e entrou num mundo próprio, do qual ninguém consegue tirá-la. Entre suas novas habilidades, sobe em locais perigosos sem medo – mas provoca arrepios em sua mãe e irmão (Shiloh Strong). E a escola já acha que é hora de um tratamento com o psiquiatra Jake Beerlander (Tommy Lee Jones), que desconfia que a menina possa estar exibindo sinais de autismo. Enquanto ele procura tirar Sally do seu mundo particular, Ruth busca entrar neste mundo e enxergar a situação sob a perspectiva de Sally. Dois caminhos antagônicos, mas ambos com a intenção de salvar a garota, antes que não seja mais possível resgatá-la.

Avaliação: Vi no cinema e a Sarah viu há algum tempo na TV. Como ambos nos lembráramos de ter gostado do filme, comprei o DVD numa banca de jornais, meio esquecido, abandonado. Um achado, porque o filme é muito bom – apesar de relativamente simples – e valeu revê-lo. Emociona e tem uma ótima interpretação da pequena Asha Menina. E deve ter sido um dos primeiros a lidar com realidade virtual (o caminho que a mãe busca para tentar entender o mundo sob a perspectiva da filha). Interessante a inscrição da caixa do filme que pede atenção à boa interpretação do então não tão conhecido Tommy Lee Jones, fazendo referência ao que poderia ser uma promessa de ator. Hoje, um Oscar e várias indicações depois, a inscrição da caixa é no mínimo curiosa.

Intriga de Estado (State of Play)

Intriga de Estado (State of Play), suspense político e criminal de Kevin Macdonald, 2009.

Enredo: Um assassino que atira com precisão e faz uma vítima fatal e deixa outra em coma. A morte (suicídio? acidente?) de uma auxiliar – e também amante – de um jovem e arrojado congressista (Ben Affleck), que procura descobrir as falcatruas por trás de uma poderosa empresa de segurança. Estes personagens e eventos, além de uma bolsa roubada com fotos comprometedoras que dão azo a chantagens, são os ingredientes explosivos que caem nas mãos de um repórter (Russell Crowe). O congressista, seu grande amigo desde os tempos da faculdade, busca no repórter ajuda para conter o escândalo que se seguirá à descoberta da existência da amante. Mas a editora do jornal (Helen Mirren) aloca uma blogueira (Rachel McAdams) para cuidar do caso e, assim, jornalismo tradicional e o novo jornalismo percorrerão caminhos paralelos na investigação.

Avaliação: Sugeri (sem ter assistido, apenas baseado nas críticas bem favoráveis) ao meu irmão, que gostou, indicou para minha mãe, que, por sua vez, gostou do meio para o fim, quando aumenta o clima de tensão. Acabei não vendo no cinema e vi no PPV do cabo com a Sarah. Ela achou razoável e nem se concentrou muito. Eu achei entre razoável e bom, mas, não sei se porque estava cansado, dei umas vaciladas. Eu diria que a idéia é legal e poderia ser mais bem aproveitada, para dar mais suspense ao clima da investigação.

O Dia em Que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still)

O Dia em Que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still), drama de ficção científica de Scott Derrickson, 2008.

Enredo: “Estamos aqui para salvar a Terra”. “O ser humano está destruindo a Terra”. Este é o raciocínio que guia os atos de Klaatu (Keanu Reeves). Ferido pelo Exército em seu primeiro contato com os assustados terráqueos, ele é levado a uma base militar secreta, aonde diversos cientistas foram convocados para estudá-lo e decifrar a invasão das naves extraterrestres. Enquanto a Secretária de Defesa dos EUA (Kathy Bates) quer atacar as naves invasoras e submeter Klaatu e o poderoso robô que o acompanha a “análises” mais profundas, a exobióloga Helen Benson (Jennifer Connelly) prefere ajudar Klaatu. Mas seria possível ajudar alguém cujos planos podem incluir sua aniquilação?

Avaliação: Nem se compara ao pequeno clássico original, de 1951 (talvez menos mais fiel ao conto que o originou). É meio fraco, não convence e usa os efeitos especiais como muleta. Justifica bem nós termos preferido não assisti-lo no cinema. O de 1951 – que tratava da paz entre os povos, justamente quando a Guerra Fria parecia colocar a Terra em iminente perigo – por mais ingênuo que fosse, era cativante. E ninguém supera a presença de Michael Rennie como Klaatu.

O Barato de Grace (Saving Grace)

O Barato de Grace (Saving Grace), comédia com toques dramáticos e criminais de Nigel Cole, 2000.

Enredo: Grace (Brenda Blethyn) acaba de enviuvar. Ela logo descobre que a herança que seu marido lhe deixou resume-se a enormes dívidas, que vão consumindo seu patrimônio e põem em risco inclusive sua adorada casa. Matthew (Craig Ferguson) faz toda a sorte de quebra-galhos para Grace. Ele quer casar, mas não tem dinheiro, o que o leva a uma solução inusitada: cultivar a planta de maconha que acaba de comprar com muito esforço. Mas ele não tem habilidade para isto e pode perder sua cara preciosidade. É aí que entram as grandes habilidades de jardinagem da certinha Grace – ou ex-certinha – já que ela vislumbra sua redenção financeira na multiplicação da plantinha. A noiva de Matthew é avessa ao plano, pois está grávida e isto seria a diferença entre o noivo ser preso como consumidor ou traficante. Ele não sabe da gravidez, mas Grace, sim, e, para proteger Matthew, assume a dianteira do contato com os “clientes”. O importante é manter a discrição, mas, neste vilarejo, isto é impossível. Agora, todos por lá torcem para o negócio de Grace e Matthew dar certo. Mas lá se foi o segredo e a polícia pode chegar até eles – e a estufa de Grace está repleta com mais de 20 quilos de maconha árdua e rapidamente cultivada.

Avaliação: Mais um filme cuja resenha li à época do lançamento, mas que, por não botar fé, optei por não ver na telona. Uma perda que repusemos vendo no cabo. Valeu! Discreto humor inglês, todos os personagens são simpáticos (até mesmo o perigoso traficante interpretado por Tchéky Karyo), as situações são muito legais – as cenas campeãs são as dos habitantes da vila sentados e esperando as pouco discretas luzes da estufa serem acesas para acelerar o crescimento das plantinhas, luzes que acabam por iluminar todo o vilarejo. Ou as velhinhas maravilhadas com o chá obtido com as plantinhas. Gostei; a Sarah adorou!

Antes Que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead)

Antes Que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead), drama criminal de Sidney Lumet, 2007.

Enredo: Hank Hanson (Ethan Hawke) está afundado em dívidas e já atrasou a pensão da filha por três meses; além da filha, os únicos momentos felizes são proporcionados pela cunhada, Gina (Marisa Tomei), com quem mantém um caso secreto. Seu irmão Andy (Philip Seymour Hoffman) precisa de dinheiro tanto para cobrir os desfalques dados na empresa onde trabalha (e onde em breve haverá uma auditoria) como para sustentar seu vício em cocaína e a vida de luxo que leva com Gina. A idéia brilhante de Andy: um assalto à joalheira dos próprios pais (Albert Finney e Rosemary Harris), que, em tese, não sofreriam prejuízo já que haveria cobertura do seguro. E não haveria vítimas, já que não haveria armas, apenas uma ameaça à totalmente indefesa funcionária. Após ser c convencido pelo irmão a realizar o ato, o pacato Hank recruta um conhecido (Brian F. O’Byrne). Mas o plano não corre como o planejado: o assaltante e a funcionária trocam tiros; ele morre e ela fica à beira da morte. O pior: a pessoa gravemente ferida na joalheria é a Sra. Hanson – mãe dos irmãos – que excepcionalmente cobria uma folga da funcionária! E mais: o cunhado (Michael Shannon) do assaltante ameaça Hank para que ele “pague uma pensão” para sua irmã viúva (Aleksa Palladino). Os dois irmãos estão sem o dinheiro que viria do assalto, lotados de dívidas, com a mãe em coma no hospital e com o pai investigando o crime por conta própria e cada vez mais se aproximando da verdade.

Avaliação: Mais um daqueles que você lê a resenha e não se convence a ver no cinema. Mais uma grande perda, que recuperamos vendo no cabo. Tragédia pesada, com enredo bem engendrado e um final forte e inesperado. Valeu dormir tarde para assisti-lo. Filmaço, apesar de alguns momentos mais lentos. Coincidentemente, trata de tema parecido com “A Travessia de Cassandra”, filme do mesmo ano e de Woody Allen, que também tratava de dois irmãos não afeitos ao crime e que se unem para cometer um assassinato. Mas este é ainda melhor.

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds/Inglorious Bastards)

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds/Inglorious Bastards), suspense e ação de guerra roteirizado e dirigido por Quentin Tarantino, 2009.

Enredo: O frio, sádico, metódico e sagaz coronel Hans Landa (Christoph Waltz), “o caçador de judeus” está em mais uma missão, à procura de uma família escondida nos campos da França. A pressão que ele exerce sobre o pobre fazendeiro Perrier LaPadite (Denis Menochet) é irresistível. Do massacre que se segue, escapa apenas a jovem Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent). Enquanto isto, o tenente Aldo Raines (Brad Pitt), um descendente de indígenas americanos com contas particulares a acertar com os nazistas, acaba de montar seu pelotão de judeus, os “Bastardos Inglórios”, cada um deles com a missão de lhe trazer cem escalpos nazistas – objetivo que, diga-se, perseguem com gosto, tornando-se o terror dos alemães. Os poucos nazistas liberados pelos bastardos se prestam a contar suas experiências assustadoras nas mãos dos americanos, especialmente nas do sargento Donny Donowitz (Eli Roth) e seu taco de beisebol. Enquanto isto… Shosanna, que assumiu a identidade de Emmanuelle Mimieux, pretensa herdeira de um cinema em Paris, deixado pelos falecidos, recusa o assédio do soldado Frederick Zoller (Daniel Brühl), até que descobre que ele é um herói nazista e favorito do ministro da Propaganda, Goebbels (Sylvester Groth) e mais, que seu cinema poderia servir para o lançamento de um poderoso filme de propaganda nazista com o próprio Zoller – com a presença de toda a cúpula nazista, incluindo Hitler (Martin Wuttke). E, mais uma vez, voltamos ao tenente Raines e seus homens, agora na companhia de um enviado inglês, o sargento Archie Hicox (Michael Fassbender), também com a missão de atacar o cinema e dizimar os nazistas no local. Isto se a ajuda da espiã dupla Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) for mesmo sincera e se ele, novamente ele, o sagaz Hans Landa, não estragar os planos tanto de Hicox, como de Shosanna.

Avaliação: O tema interessou-me muito, mas o trailer tirou-me a vontade de ver o filme. Após ler três críticas super favoráveis (até uma reportagem de capa de revista semanal), fiquei tentado a assistir. . Minha mãe e uma amiga adoraram, meu irmão e cunhada, idem, então… Apesar dos nossos cinéfilos amigos Marjory e Marcelo não terem alcançado o que esperavam, fomos tirar a prova. E o filme justificou a ida. Tarantino foi muito feliz na escolha do tema e no seu desenvolvimento e prestou um tributo aos que morreram vitimados pelo nazismo. Suspense de prender na cadeira em diversos momentos (os vinte primeiros minutos são um crescendo de terror), diálogos afiados (vá lá que com alguns momentos cansativos em alguns deles), personagens interessantes, algumas boas tiradas (com Brad Pitt e mesmo com o vilão de Christoph Waltz, que dão um show) – apenas cuidado com algumas cenas mais fortes (tipo as de escalpamento, mas, oras, isto é um filme de Tarantino…). E aquela sensação de vingança realizada a cada ato dos nossos heróis… Mesmo que eles nem sempre se dêem bem. Ah, se tivéssemos tido tantos soldados assim na segunda guerra, com permissão para matar nazistas (e até o dever de fazê-lo).

Obs.: A atriz Mélanie Laurent (excelente, aliás), que é judia, leu o script e o adorou, pois sempre quis poder ter matado Hitler. Incentivada ainda mais pelo avô, fez o filme por sua família.

Trovão Tropical (Tropic Thunder)

Trovão Tropical (Tropic Thunder), comédia de guerra dirigida e produzida por Ben Stiller, 2008.

Enredo: Atores caros e que não se acertam em cena, “primas-donas” se desentendendo. É a produção de “Trovão Tropical”, um filme caríssimo sobre a guerra do Vietnã, do excêntrico Les Grossman (Tom Cruise, quase irreconhecível), vai mal. E piora quando o especialista em explosões Cody (Danny R. McBride) interpreta erradamente um sinal do diretor Damien Cockburn (Steve Coogan) e põe pelos ares – antes da hora – todo o cenário. É o fim da picada para o roteirista e veterano de guerra John “Quatro Folhas” Tayback (Nick Nolte), que dá uma idéia prontamente acatada por Cody e Damien: filmar numa selva de verdade e de tal modo que os atores “sintam o clima”. Ele só não se tocou que a selva escolhida abriga perigosíssimos produtores e traficantes de heroína, no Triângulo Dourado da Ásia. Assim é que ele e Cody são logo capturados, o diretor literalmente perde a cabeça e o elenco entra realmente em ação. Armados com tiros de festim, mas desta vez munidos de gana, eles se deliciam ao perceber que os intérpretes dos vietcongues estão levando a sério as “filmagens”. Mal sabem, eles… E assim, o rapper Alpa Chino (Brandon T. Jackson) – que pensa que é mesmo Al Pacino -, o astro decadente Tugg Speedman (Ben Stiller), o astro de filmes de baixa categoria e viciado em heroína Jeff “Fatty” Portnoy (Jack Black), o cinco-vezes-vencedor-do-Oscar Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.) e o ator-novato-cujo-nome-ninguém-sabe Kevin Sandusky (Jay Baruchel) vão ter que descobrir à força que focinho de porco não é tomada e que a ajuda pode vir de onde menos se espera (no caso, o desprezado Sandusky)… Acompanhados pelo veterano-não-tão-veterano Quatro Folhas e pelo fanático-por-uma-explosãozinha Cody.

Avaliação: Quando passou no cinema, esforcei-me para vê-lo, mas acabei perdendo o filme; a Sarah não era muito fã da idéia… Críticas positivas à idéia de Ben Stiller, Robert Downey Jr. concorrendo ao Oscar (ele está mesmo ótimo no papel de um ator loiro e de olhos azuis que faz até cirurgia para mudar a cor da pele e encarnar até as últimas conseqüências um soldado negro) não me deixaram desistir do filme, e acabamos vendo-o no cabo. A Sarah deu poucas risadas, mas, no geral, não gostou. . Engraçado, tipo pastelão, mas nada de especial. Tem umas cenas boas de rir e vale mesmo é pelo Lazarus de Downey Jr. sentindo-se negro de verdade, e por Jack Black fazendo o seu Portnoy em luta contra uma crise de abstinência (e bem no meio do “paraíso”, uma fábrica de heroína).

O Seqüestro do Metrô (The Taking of Pelham 123)

O Seqüestro do Metrô (The Taking of Pelham 123), ação e suspense policial de Tony Scott, 2009. C

Enredo: Este definitivamente não é o dia de sorte para Walter Garber (Denzel Washington). Afastado de suas funções no alto escalão do metrô de Nova Iorque por suspeita de suborno, ele agora ocupa uma mesa de operações de tráfego, enquanto tramitam as investigações. Não bastasse isto, ele é quem recebe a ligação de um seqüestrador que usa o nome de Ryder (John Travolta), e cujo grupo tomou o trem das 1.23 da estação de Pelham, ameaçando matar uma commodity (leia-se “passageiro”) por minuto se não receber um milhão de dólares em uma hora. E Ryder mostra o quão sérias são suas intenções eliminando um refém ao se sentir desafiado, logo de início. Mas o suplício de Garber não acabou, pois o seqüestrador exige que ele seja seu único interlocutor, o que leva o negociador da polícia (John Turturro) a suspeitar que Garber esteja envolvido na ação. Porém, logo fica claro que Ryder tem outra fonte de informações e o policial percebe que Garber será a peça chave para evitar que o irascível Ryder perca o controle. Isto se o dinheiro prometido pelo prefeito (James Gandolfini) atravessar o caos nova-iorquino e chegar a tempo de evitar mais mortes. É muita variável para administrar…

Avaliação: O trailer não me agradou, a crítica em geral sinalizou que o filme não cativa, mas nossos amigos Ruth e Davi disseram que é de prender na cadeira, e minha mãe achou bom (não tanto quanto o contemporâneo “A Órfã”, mas…). Então, fomos tirar a prova. E gostamos muito. É de prender na cadeira mesmo, a tensão é crescente e eu apenas dispensaria aqueles clichês de carros correndo por Nova Iorque, com perseguições e acidentes. Não consigo comparar com o original dos anos 70 (que era mais fiel ao livro), porque o vi apenas à época. Eu diria que este é bem mais violento e sei que o finalzinho da estória é outro (acho que o do primeiro era mais legal). Saindo de cartaz, aproveitem.

A Duquesa (The Duchess)

A Duquesa (The Duchess), drama romântico e biográfico de Simon Dibb, 2008. C

Enredo: Lady Spencer tem uma vida infeliz ao lado do marido, o nobre mais influente da Inglaterra, que casara com ela porque vinha de uma “boa família”. Tinha dinheiro, era jovem, bonita e poderia proporcionar o que à época se esperava de uma esposa, “lealdade e um herdeiro homem”. Ele era apático, calado e desinteressante. Ela, uma referência da moda, sempre presente nos encontros sociais, nos carteados, divertindo os convivas e adorando envolver-se com a política, tendo, apesar da origem nobre, seus pendores liberais.

Acabamos de falar de Lady Diana Spencer e o Príncipe Charles? Não, de Lady Georgiana Spencer (Keira Knightley) e de Sir William Cavendish (Ralph Fiennes), duque de Devonshire. Mas vê-se que Lady Di parecia carregar nos genes a infelicidade no casamento… o que se ressalta por conta do parentesco entre as duas ladies.

Georgiana fica efusiva ao perceber que atraíra a atenção do duque e logo aceita a idéia de casar-se com ele, apesar da tenra idade (ela tinha 17 anos) e da grande diferença etária entre ambos. . Incitada pela mãe (Charlotte Rampling) a deixar de lado seus logo descobertos problemas conjugais em troca de uma vida confortável, Georgiana busca levar à frente o casamento. Mas, o duque, desde a noite de núpcias, cumpre o ritual do amor com extrema frieza, sem carinho algum, sentimento que só demonstra com os seus cães… Para agravar a humilhação de Lady Spencer, o duque não faz muita questão de esconder as amantes que traz ao castelo; pelo contrário, traz também uma filha ilegítima e obriga a duquesa a conviver numa relação a três, colocando à mesa a amante. As reclamações da esposa merecem como respostas “quem tem o dinheiro e o mando aqui sou eu” e “você tem dois deveres acertados comigo: a lealdade e um herdeiro homem”. Inútil Georgiana recorrer à mãe, pois esta, mesmo revoltando-se com a situação, nada faz senão ceder ao “realismo” e despachar a filha de volta, submissa. Neste final de século XVIII, homens podiam ter amantes às claras; mulheres, nem pensar.

Por seu lado, a duquesa nunca deixara de cultivar a paixão adolescente por Charles Gray (Dominic Cooper). Nesta época que precedia a independência americana e a revolução francesa a duquesa confere seu apoio aos liberais Gray e Charles Fox (Simon McBurney). Enquanto isto, percebendo que a recém-chegada Lady Bess Foster (Hayley Atwell) pode vir a se tornar sua rival, a duquesa cultiva uma aproximação e as duas acabam por se tornarem grandes amigas. Georgiana parece ter controlado a situação e, sabendo que Lady Bess apanhava do marido e que este lhe proibira de ver seus filhos e tinha cortado seus proventos, convence o duque a abrigá-la no castelo. Apesar da grande amizade das duas e do incentivo de Bess ao relacionamento de Georgiana com Charles Grey, esta aproximação das duas pode vir a representar um grande risco, com pesadas conseqüências (mas, aos poucos, entendemos a posição de Bess).

Enquanto isto, Georgiana somente consegue dar a luz a duas meninas (para imensa, profundíssima decepção do duque) e sofre vários abortos. Mas está decidida a partir para os braços de Charles Grey – se chegar a um “acordo” com o duque…

Avaliação: O filme começou meio lento, mas foi se tornando quase um suspense, com a torcida para que Georgiana conseguisse livrar-se do duque e ficar com seu amado (que, aliás, amava imensamente e arriscaria sua incipiente carreira política para ficar com ela). É revoltante ver como o dinheiro e o machismo tinham tanta influência. Na política, poucos eram os que podiam votar e mulheres não estavam entre estes – mas a duquesa conseguiu cultivar um participação relevante –, devido à sua presença e falas cativantes. Na figura de Lady Bess, vemos o lado machista da sociedade com mais intensidade, pois seu marido cultivava amantes e abusava de sua posição, espancando a mulher e tirando-lhe o sustento e, principalmente, o direito de ver seus filhos, quando ela resolveu dar um “basta”. As únicas mulheres no país com poder de mando até meados do século XX devem ter sido as rainhas (e algumas amantes de nobres). Mas uma das raras (e tocantes) falas do duque mostra como, apesar das mulheres e de todo poder político, financeiro, faltava a ele também o sabor da liberdade, preso que estava aos rituais sociais da época. Meu entusiasmo já crescente pelo filme chegou ao ápice com esta fala e com as poucas linhas que precediam os créditos e falavam sobre o destino dos personagens. Uma aula de história, sobre discriminação e sobre a ditadura dos costumes. Era bem o estilo da Sarah, mas este ela não viu…

Curiosidade: Sarah Ferguson (“Fergie”), casada com o Príncipe Andrew, era parente de Lady Di, por parte de Georgiana. E Charles Grey, o conde de Grey, é quem dá o nome ao famoso chá Earl Grey.

Falando Grego (My Life in Ruins)

Falando Grego (My Life in Ruins), comédia romântica de Donald Petrie, 2008.
C

Enredo: A professora de história Georgia (Nia Vardalos) mudou-se dos EUA para a Grécia, atrás do seu amor; perdeu o amor e o emprego de professora e acabou tendo que se tornar guia turística. Mas seus conhecimentos sobre a Grécia antiga e ruínas são inúteis diante de turistas que buscam diversões mais mundanas, como comprar suvenires e beliscos; assim, sua insistência em narrar o que há por trás das ruínas lhe rende péssimas avaliações dos clientes. Já o seu rival, o guia Nico (Alistair McGowan), recebe os maiores elogios, pois, se não tem paciência para contar histórias, tem bom humor e conhece todas as lojas para turistas. Para piorar a situação de Georgia, Nico está disposto a sabotá-la ao máximo, e, para isto, conta com a ajuda da chefe (Bernice Stegers), que já se cansou das más avaliações da coitada. As táticas incluem deixar para Georgia um ônibus aos pedaços e com ar condicionado em frangalhos; reservar um hotel pior ainda; e reservar-lhe um bando de turistas chatos. O grupo que lhe é destinado conta com americanos com piadinhas insossas (Rachel Dratch e Harland Williams) e mulherengos (Jareb Dauplaise e Brian Palermo), ingleses antipáticos (Caroline Goodall e Ian Ogilvy) com uma filha adolescente de cara amarrada (Sophie Stuckey), australianos (Simon Gleeson e Nathalie O’Donnell) cujo inglês nem os americanos entendem, divorciadas à procura de romance (María Botto e María Adánes), uma velhinha (Sheila Bernette) perita em furtar lojas de suvenires e o solitário Irv (Richard Dreyfuss), que vive contando piadas que nem sempre agradam. Para arrematar a trupe, um motorista de nome estranho, Poupi Kakas (Alexis Georgoulis), com cara de abominável homem das neves e calado como ele só. Mas é de onde menos se espera que vêm as melhores surpresas e Irv e Poupi serão os catalisadores de interessantes mudanças. Daí poderá sair um passeio agradável, com direito à descoberta do amor.

Avaliação: Pensei: “Mais um filme sobre gregos com a Nia Vardalos? Ah, desta vez não terá o pique de “Casamento Grego”"… Mas saiu uma obra gostosa, novamente produzida pelo casal Tom Hanks e Rita Wilson. Não se compara a “Casamento Grego”, mas é bem gostoso. A Sarah gostou, sem dar uma nota especial. Minha mãe já vira e gostara, mas mais por causa das paisagens. Eu nem vi tantas delas, só um pouco do belo mar, das tradicionais e atraentes casinhas brancas e algumas das portentosas ruínas, o que até me atraiu, mas não tanto como o romance, os lances cômicos (vários e bem light, ao longo do filme), as gozações sobre as características de cada nacionalidade naquela Torre de Babel e principalmente o enredo bem engendrado, centrado na procura do amor por Georgia, e no drama pessoal de Irv, interpretado com carinho por Richard Dreyfuss. Aliás, cada ator naquele ônibus consegue seu momento de brilho em pelo menos uma cena divertida. Não será um clássico, mas vale super a visita. Pena que esteja em fim de carreira nos cinemas.

Ah, claro, o título. A “tradução” ficou boa, mas o original, com seu duplo sentido, é mais legal.

Free – Grátis, o Futuro dos Preços (Free)

Free – Grátis, o Futuro dos Preços (Free), uma análise da Economia do Grátis, dos seus primórdios aos tempos da internet, de Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, 2009.

 

Chris Anderson, que já conseguira tornar seu “A Cauda Longa” um best-seller, repetiu o feito com “Free”. O tema despertara minha curiosidade, mas fui “empurrado” de vez à leitura pelo Vander, em meio às aulas de guitarra. Ainda bem… O livro é ótimo e tem pouquíssimos trechos onde o “economês” fala mais alto – e, mesmo assim, o autor explica bem os termos, o que ajudou a reforçar os conceitos que, coincidentemente, acabara de ver no meu MBA…

A idéia básica é que largura de banda de transmissão, capacidade de armazenamento e de processamento crescem de tal forma no mundo dos bits, que é inevitável que nos aproximemos do grátis como padrão na Economia. Apesar de isto parecer utópico, o autor dá exemplos convincentes, iniciando pela “economia dos átomos” (a das mercadorias e serviços que se podem chamar de clássicos), onde um dos maiores exemplos do “grátis” foi a distribuição de aparelhos de barbear da Gillette para que as lâminas fossem vendidas e dos livros de receitas gratuitas da Jell-O, com o intuito de despertar a curiosidade pelo produto (uma tradicional gelatina). Aborda também o Google e à Wikipédia, explicando que não é apenas o dinheiro que nos impulsiona, mas o recebimento de atenção e o crescimento de nossa boa reputação. Para chegar a isto, o autor não somente se apóia em grandes nomes da Economia, como também em psicólogos, como Abraham Maslow e sua hierarquia das necessidades.

Excelente sugestão de leitura, mesmo para quem repute suas idéias radicais ou avançadas demais ou ainda não seja muito chegado a livros técnicos.

An Alarming History of Famous (and Difficult!) Patients

An Alarming History of Famous (and Difficult!) Patients, livro de Richard Gordon sobre eventos da história da medicina, 1997. C

O autor (seu nome verdadeiro é Gordon Ostlere), médico e autor de best-sellers, é um médico que escreve com propriedade e talento, que já narrou desventuras de médicos e seus “desastres” em outro livro igualmente cativante e hilário. Neste livro, ele trata de pacientes problemáticos – fossem eles escritores, reis, rainhas, artistas, médicos, ou pessoas comuns que, se não ficaram famosas à época por conta dos eventos narrados, deixaram para o Dr. Gordon a tarefa fazê-lo. Hitler e suas lavagens anais, Stalin e a perseguição aos médicos que o atendiam, Mary Tifóide e o surto que ajudou a espalhar por vários anos… Charles Dickens, Rainha Vitória, Franklin Roosevelt e outros completam esta história, onde médicos (ou seus precursores) tiveram que lidar com pacientes realmente recalcitrantes.

Uma leitura rápida, divertida e dividida em capítulos que podem ser lidos como livros independentes.

Psicose (Psycho)

Psicose (Psycho), suspense criminal com toques de terror de Alfred Hitchcock, 1960. C

Enredo: Marion Crane (Janet Leigh) deseja ardentemente casar com Sam Loomis (John Gavin), mas eles não têm condições financeiras, principalmente porque Sam tem uma pensão alimentícia a pagar. Num momento de desespero, o deslize: aproveitando um momento fugaz, Marion furta uma grande soma de seu patrão (40 mil dólares à época) e parte ao encontro ao namorado, que nem suspeita do fato. Tempestade, estrada perigosa e Marion acaba se abrigando no motel quase abandonado de Norman Bates (Anthony Perkins), um rapaz que vive sob a sombra da mãe. A presença de Marion perturba Bates, que fica atraído por ela. É a sentença de morte para Marion, pois a influência da possessiva mãe de Norman não permite lugar para outra mulher. O chuveiro é o local da execução da sentença… (numa cena cuja trilha é sinônimo de suspense). No encalço de Marion, o detetive Arbogast (Martin Balsam), que procura reaver o dinheiro furtado, encontra Sam Loomis e a irmã de Marion, Lila (Vera Miles). Agora, são três pessoas que seguem pistas que vão dar no Motel Bates. Mais três candidatos a morrer no local.

Avaliação: A cena das facadas no banheiro, acompanhada da trilha sonora do grande Bernard Herrmann (de quem minha preferida é a trilha de Intriga Internacional, talvez o melhor filme que eu já tenha visto de Hitchcock), tornou-se um clássico, e creio que devemos isto a Hitchcock, que sabia como ninguém transformar estórias simples como esta num enredo cativante. Realmente, o enredo é curto (mas bem bolado, diga-se), os personagens são poucos, mas o filme… Não sei há quantos anos eu o vira, mas valeu a pena rever… E lá se vão quase cinqüenta anos de seu lançamento. A Sarah já tinha visto, mas, como sempre, assistiu como se fosse a primeira vez. Hitchcock… um gênio.

Se Beber, Não Case (The Hangover)

Se Beber, Não Case (The Hangover), comédia com toques de suspense de Todd Philips, 2009.

Enredo: Um quarto destruído em um hotel em um cassino de Las Vegas, um dente perdido, uma stripper (Heather Graham), um tigre no quarto, uma sova de Mike Tyson, um colchão voador, um carro de polícia roubado, um bebê, uma pulseira de hospital e um chinês enfezado e seus capangas. Um casamento perdido. Quando o futuro sogrão (Jeffrey Tambor) mandou Doug (Justin Bartha) levar sua Mercedes superestimada e divertir-se à vontade em sua despedida de solteiro (afinal, ninguém tem que se lembrar do que fez numa despedida de solteiro em Las Vegas), não imaginava a onda de destruição em que o dentista certinho Stu (Ed Helms), o professor desleixado Phil (Bradley Cooper) e seu filho desmiolado (Zach Galifianakis) iriam envolver o pobre Doug, que, para complicar, desaparece às vésperas do casamento. Através das pistas deixadas no quarto de hotel, os amigos do noivo, ainda de ressaca, vão reconstituir a trilha do desaparecido, para tentar recuperá-lo a tempo de levá-lo ao casamento.

Avaliação: Depois de ajudar na criação da estória em Borat, Todd Philips continua mostrando seu talento nesta comédia radical, politicamente não muito correta, mas engraçada demais… Quando vi o trailer com a Sarah, não nos animamos. Mas, como “Os Normais 2″ não estivesse passando no horário desejado, acabamos vendo este mesmo, com os amigos Davi e Ruth. Toda a platéia mostrava estar se divertindo, as loucuras são de arrasar e o quebra-cabeças vai sendo montado aos poucos, de maneira muito divertida. O Davi gostou, a Sarah, Ruth e eu adoramos. Ótima pedida, já estou até aguardando a seqüência do filme, que já está a caminho.

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper)

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper), drama de Nick Cassavetes, 2009. C

Enredo: Acompanhamos o filme através das lembranças de cada personagem. Kate Fitzgerald (Sofia Vassilieva) tem 13 anos e sofre leucemia promielocítica aguda (LPA). Ela chegou num estágio tal que seus rins não mais funcionam e depende de um transplante. A única que pode doar um rim é sua irmã mais nova Anna (Abigail Breslin), previamente concebida em proveta justamente para servir de doadora de órgãos e tecidos para Kate. No início, os procedimentos eram simples: cordão umbilical, um pouco de sangue, mas, com o passar do tempo, tornaram-se mais complicados e dolorosos: medula, injeções na bacia, com conseqüentes infecções, intervenções que exigiam internação. A esta altura, Anna resolve não mais ser doadora. Para tanto, recorre a um famoso advogado. Pretende acionar seus pais e pleitear judicialmente o que o advogado, Campbell Alexander (Alec Baldwin) intitula de “emancipação médica”. . Revoltada e sem compreender o que levou a filha, tão ligada à irmã, a tomar tal decisão, Sara (Cameron Diaz), mãe das meninas, está certa de que o famoso advogado, que defende a filha sem nada cobrar, deseja apenas maior projeção com o caso. É aí que resolve retomar a carreira de advogada e atuar contra a filha. Neste turbilhão são envolvidos o pai das meninas (Jason Patric), um bombeiro dedicado ao trabalho e que mal tem tempo de cuidar da família, o irmão (Evan Ellingson), cujos intensos problemas pessoais ficam relegados a segundo plano e a irmã de Sara (Heather Wahlquist), que também dedica sua vida a ajudar a família. A dominadora e intransigente Sara, dedicada quase que apenas à filha doente, complica uma situação já difícil, que terá que ser decidida pela juíza De Salvo (Joan Cusack), que também passa por um drama pessoal intenso, a terrível perda da filha.

Avaliação: Minha mãe, a Sarah e eu adoramos este filmaço, lindo e triste, que deixou boa parte do cinema em choro convulsivo. Extremamente tocante, não é piegas e retrata uma situação plausível, que careceria até de discussão profunda. Os personagens são todos bem montados e cativantes, mesmo os menores, como os da juíza (Joan Cusack), do advogado (Alec Baldwin, que mantém uma pose de irreverência, que esconde algo mais e culmina num toque especial para o filme) e o do médico (David Thornton) que acompanha com carinho e sobriedade o caso de Kate.

Risco Duplo (Double Jeopardy)

Risco Duplo (Double Jeopardy), suspense criminal de Bruce Beresford, 1999.C

Enredo: Libby (Ashley Judd) e Nick Parsons (Bruce Greenwood) formam um casal rico e feliz. Ou, pelo menos, é o que pensa Libby até se descobrir suja de sangue do marido, que sumiu no barco onde estavam e ser acusada de matá-lo para ficar com o dinheiro do seguro. Sem ter a quem recorrer, pede à amiga Angie (Annabeth Gish) que cuide do filho pequeno (Benjamin Weir). Presa, julgada e condenada, um acaso a leva a descobrir que seu marido pode estar vivo e que sua morte pode ter sido um golpe. Libby consegue a condicional e escapa do oficial responsável, Travis Lehman (Tommy Lee Jones, em mais um papel de policial “caxias”), um sujeito que está nesta função contra a vontade, por ter provocado um acidente ao dirigir bêbado. Mas é recapturada. Mesmo acreditando que ela possa estar contando a verdade a respeito do marido, Travis tem um dever a cumprir. Mas Libby não desiste e tenta nova fuga.

Avaliação: Vi com a Sarah a primeira vez e, como “Olho Por Olho” e “Prenda-me, Se For Capaz”, é um daqueles que a televisão volta e meia repete – e a Sarah volta e meia assiste. E com razão, pois é muito bom, muito esperto e prende bem. Eu mesmo já o revi uma ou duas vezes. Na primeira vez, achei meio clichê, mas é interessante ver como a heroína busca desvendar este imbróglio. Clichê ou não, o filme prende.

O “double jeopardy” do título em inglês refere-se a uma figura jurídica do direito americano e de outros (creio que seria a exceção da coisa julgada“), pela qual não se pode condenar uma pessoa duas vezes pelo mesmo crime (vejam a análise jurídica em http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9099, mas atenção, porque este link revela detalhes da trama). Tem lá suas forçadas, como a heroína ser condenada por um assassinato sem que haja corpo ou testemunhas, apenas sangue em suas mãos.

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy)

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy), drama de Bruce Beresford, 1989. C

Enredo: Para o compreensivo e paciente Bollie (Dan Aykroyd), o pequeno acidente de carro de sua mãe, a sofisticada Miss Daisy (Jessica Tandy), é a prova de que ela não tem mais condições de guiar. Ele providencia-lhe um chofer, Hoke Colburn (Morgan Freeman), mas ela reluta em aceitar a ajuda e recebe o novo funcionário de cara fechada. Mas Hoke não desiste e faz de tudo para agradar a patroa. Com o tempo, ele vai conseguindo seu intento e forma-se uma sólida e bela amizade.

Avaliação: O enredo é simples e tem poucos personagens, mas o diretor conseguiu extrair o máximo da estória, ajudado pelo trio de atores principais (na realidade, o papel de Dan Aykroyd – o menor dos três – soou-me o mais simpático). De quebra, através da judia Miss Daisy e do negro Hoke, consegue-se ter um leve panorama do sul racista dos EUA de 1950. Um filme cativante, que vi no cinema há vinte anos e tive a felicidade de rever com meus pais e a Sarah em 2007.

Olhos de Gato (Cat’s Eye)

Olhos de Gato (Cat’s Eye), suspense de terror de Lewis Teague, baseado em contos de Stephen King, 1985. C

Enredo: Três estórias unidas por um gato preto, que se faz presente em todas elas, até tornar-se o protagonista da terceira. Na primeira, um fumante (James Woods) resolve seguir a dica de um amigo e largar o vício com os métodos pouco convencionais do Dr. Monatti (Alan King), que usa e abusa de ameaças, aliando-as por vezes a medidas violentas, não poupando nem a família do viciado. Na segunda, um tenista (Robert Hays) torna-se amante da esposa de um mafioso viciado em apostas (Kenneth McMillan) e, pego, vai ter que entrar numa perigosa aposta para salvar sua vida. A terceira mostra nosso gato preto em ação, adotado por uma menininha (Drew Barrymore) a contragosto dos pais dela, que inventam desculpas para se livrar do bichano: alegar que ele pode roubar o ar da pequena enquanto dorme é uma delas. Porém, a menina insiste em dizer que um duende que saiu da parede é quem está roubando seu ar. Pra quê…

Avaliação: A primeira estória é de dar raiva da clínica, que, para um bom objetivo, usa métodos insólitos e abomináveis. A segunda é razoável, mas não me empolgou muito nem na primeira vez que assisti ao filme. A terceira é genial, empolgante, muito bem bolada, o gatinho e Drew Barrymore dão um show. Não há quem assista e não me comente que o filme é muito bom (a Sarah, inclusive, que viu por minha recomendação). O tipo de filme que eu poderia rever “n” vezes.

Apollo 13 (Apollo 13)

Apollo 13 (Apollo 13), suspense
dramático de Ron Howard, 1995.
C

Enredo: “Houston, we’ve had a problem”. Estamos em 1970 e a terceira missão tripulada à Lua será lançada, mas o público já não está tão envolvido pelo assunto. Assim, a partida de Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon) não desperta interesse, a não ser em suas famílias e na equipe em solo, comandada por Gene Kranz (Ed Harris) e apoiada por Ken Mattingly (Gary Sinise), que perdeu a chance de voar na Apollo por causa de um sarampo que nem se concretizou. Perder o vôo talvez tenha sido sua sorte, pois, antes mesmo da chegada à Lua, uma explosão num tanque de oxigênio põe o vôo em perigo. A missão agora não é mais chegar à Lua, mas retornar à Terra em segurança. Com um mínimo de materiais e o máximo de criatividade, a tripulação e a equipe em solo terão de achar uma solução para evitar que a nave fique sem ar e os tripulantes morram sufocados. Agora, sim, a toda a atenção da Terra está voltada para a Apollo 13.

Avaliação: Suspense fantástico, muito bem feito, e que empolga mesmo quando se sabe o fim do drama. Adorei no cinema, adorei em DVD. A Sarah achou bom, mas não excepcional, mas eu usaria este adjetivo sem dúvida alguma. Acompanhar não somente o drama, como a genialidade das soluções que vão sendo criadas, torna-se muito mais envolvente quando nos lembramos que os computadores da época, apesar de enormes, tinham uma capacidade de processamento equivalente a algo como uma máquina de calcular atual.

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A)

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A), drama policial de Sidney Lumet, 1990.

Enredo: O detetive Michael Brennan (Nick Nolte) é um policial violento, mas considerado exemplar. Sua situação complica-se quando ele embosca e mata um informante a sangue frio e alega legítima defesa. O caso vai para a Corregedoria e fica a cargo do novato Procurador-Assistente Aloysius Reily (Timothy Hutton), que leva a tarefa a ferro e fogo, mas encontra a resistência do corporativismo dos colegas de Brennan, bem como de seu superior, o poderoso Kevin Quinn (Patrick O’Neal). Os três vêm de famílias de origem irlandesa que se conheciam, mas isto não impede o agravamento dos atritos. A única chance de Reily é o testemunho de Bobby Texador (Armand Assante), mas Texador é um conhecido traficante e agiota e sua palavra não tem grande valor. Tampouco sua vida, pois seu “amigo” Brennan fará de tudo para eliminar esta testemunha.

Avaliação: Eu me lembrava de ter gostado muito do filme quando o vi no cinema, mas, quando revi em DVD, não fiquei empolgado. O filme é médio, um pouco arrastado.

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