O Grande Herói (The Lone Survivor)

O Grande Herói (The Lone Survivor), ação dramática e de suspense de Pete Berg, 2013.

Enredo: O filme se baseia no relato da operação Red Wings, empreendida em junho de 2005 por equipes de SEALS (forças de elite da marinha americana) para captura ou eliminação do terrorista da Al Qaeda Ahmad Shahd (Yousuf Azami), responsável pela morte de muitos soldados americanos no Afeganistão e abrigado pelos terroristas talibãs. Uma das equipes, composta por quatro SEALS – Marcus Luttrell (Mark Wahlberg), Michael Murphy (Taylor Kitsch), Danny Dietz (Emile Hirsch) e Matt ‘Axe’ Axelson (Ben Foster) – dá o azar de cruzar o caminho de pastores de cabras. Surge o dilema de se eles devem deixá-los livres, eliminá-los de pronto ou deixá-los amarrados, sujeitando-os a serem devorados por lobos. Não há tempo para muita ponderação, a decisão é tomada e agora os quatro estão em fuga. Tentando desesperadamente conseguir comunicação por rádio para pedir socorro ao comandante, Erik Kristensen (Eric Bana), eles não têm chance alguma contra dezenas de terroristas armados até com lança-mísseis Stinger. E a agonia começa agora…

Avaliação: Um enredo simples, uma operação nem tanto. Suspensaço dramático forte, com muita, mas muita ação mesmo. Mesmo sabendo o fim da história (que o título original entrega), não faz diferença. É bom demais. Adoramos.
Vale a mesma recomendação que fiz no filme “Walt Disney e os Bastidores de Mary Poppins”: apressadinhos, fiquem até os créditos finais, que são uma bela homenagem à equipe dos SEALS (coisa que os americanos – e Hollywood em particular – sabem fazer muito bem).

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Blue Jasmine (Blue Jasmine)

Blue Jasmine (Blue Jasmine), drama com leves toques cômicos escrito e dirigido por Woody Allen, 2013.

Enredo: Jasmine (Cate Blanchett) leva a vida de luxo com que sempre sonhou ao lado de Hal (Alec Baldwin), na glamorosa Nova Iorque. Eventos beneficentes, festas e… traições amorosas e falcatruas financeiras. Ingênua (talvez por conveniência), ela foi usada pelo marido em seus golpes financeiros a agora, com a prisão dele e com o governo levando tudo que o casal possuía, Jasmine vai viver de favor com sua irmã Ginger (Sally Hawkins). A mesma irmã sem dinheiro e refinamento que anos antes ela recebera muito a contragosto em sua casa e cujos poucos recursos Hal envolvera em seus esquemas fraudulentos.
Jasmine não abdica nunca das poucas roupas de grife que lhe sobraram e mantém a pose, voando de primeira classe… para então passar a viver no pequeno apartamento de Ginger, agora separada do marido (Andrew Dice Clay). Ela tem que suportar os barulhentos sobrinhos (Daniel Jenks e Max Rutherford), além de Chili (Bob Cannavale), o namorado nada refinado de Ginger, com seus amigos igualmente “desqualificados”. Pode ficar pior? Pode… Jasmine vai ter que aceitar a única vaga que lhe surge e trabalhar como recepcionista de um dentista (Michael Stuhlbarg), que não se cansa de assediá-la. Enquanto isto, ela sonha em aproveitar seu talento para a decoração e seguir a sugestão de Ginger, formando-se designer de interiores. E está na hora de começar a curtir a vida social novamente e, quem sabe, conhecer um bom partido?

Avaliação: Cate Blanchett, que já havia levado o Oscar de coadjuvante por “O Aviador”, de Scorsese, agora levou o de atriz principal por esta fita de Woody Allen. Ela está mesmo muito boa, tanto mantendo a pose de rica, apesar de falidíssima, como quando fica desalinhada e perde a pose. O mesmo mérito que ela tem na interpretação dos ataques nervosos de Jasmine, que passa a desabafar sobre sua antiga vida conjugal com um ouvinte imaginário.
Apesar de o trailer não ter me convencido, tinha que assistir mesmo o filme, para tirar a dúvida. Achamos bom, mas nada de mais… A trilha sonora, sempre com toque pessoal de Allen, e que concorreu ao Oscar, foi justamente o que menos me agradou…

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12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave), drama biográfico de Steve McQueen, 2013.

Enredo: Saratoga, estado de Nova Iorque, 1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um negro nascido livre, vive dos serviços como violinista, que lhe proporcionam o respeito dos concidadãos (mesmo os brancos) e uma vida confortável ao lado da mulher (Kelsey Scott) e do casal de filhos pequenos (Quvenzhané Wallis e Cameron Zeigler). Surge então uma tentadora proposta de uma dupla de empresários (Scoot McNairy e Taran Killam), que o leva a viajar pelos EUA por duas semanas. Duas semanas que se tornarão 12 anos, porque, enganado pela dupla, ele é sequestrado e vendido como escravo, para ser levado a Nova Orleans, no ainda plenamente escravagista sul dos EUA, juntamente com outras vítimas iguais a ele. Seu destino: ser uma mercadoria apta ao trabalho duro até que o cansaço, doença ou maus tratos o levem.
Nestes doze anos, ele conhecerá “amos” mais “generosos” (Benedict Cumberbatch, de “Star Trek – Além da Escuridão”), cruéis (o tétrico Edwin Epps, vivido por Michael Fassbender, de “Bastardos Inglórios” e “Prometheus”) e viverá o inferno na terra, sendo surrado, humilhado, vendo também seus companheiros de escravidão serem submetidos ao açoite e a toda espécie de violência física e moral. Se ele revelar que sabe ler e escrever, certamente será morto, pelo perigo que representa, já que fora traficado ilegalmente. Assim, ele terá que assumir a contragosto o novo nome que lhe é dado, Platt, e acostumar-se à ideia de nunca rever a família. A não ser que consiga fazer chegar a ela uma mensagem sobre seu destino…

Avaliação: “Não há justiça na escravidão”. Simples e sábia assim é uma das frases do personagem vivido por Brad Pitt, também coprodutor do (e oscarizado pelo) filme. Incrível crer que os mesmos senhores de escravos que lhes ministravam aulas de religião fossem capazes de cometer contra eles toda espécie de barbáries. Assim, o mesmo Edwin Epps (Michael Fassbender) que abusava sexualmente da escrava Patsey (Lupita Nyong’o, Oscar de melhor atriz coadjuvante) se apoiava na religião para justificar o direito de submeter seus escravos à chibata (por vezes contadas às centenas, o que rende a cena mais pesada do filme).
A desesperança que se abate sobre o protagonista é tanta que, se nos primeiros momentos, Solomon diz aos companheiros de infortúnio “não quero, sobreviver, quero viver”, com o tempo ele se contentará apenas em sobreviver.
Quanto aos “amos mais generosos”, como o Ford vivido por Benedict Cumberbatch, eles tinham mais pena dos escravos… mas, como aponta uma das falas do filme, não deixavam de tratá-los como escravos, mesmo que evitassem os castigos físicos.
Meu pai dizia que há duas coisas essenciais para as quais só damos valor quando perdemos: saúde e liberdade… A narrativa de Solomon (autor do livro que deu origem ao roteiro) só vem a confirmar isto. E, se a escravidão em si já é revoltante, roubar a liberdade de negros já libertos ou nascidos livres (algo que eu nunca imaginaria tivesse ocorrido) é algo mais hediondo ainda.
Angustiante e imperdível.

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)

Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks), drama biográfico com toques cômicos de John Lee Hancock, 2013.

Enredo: É o início dos anos 60 e Walt Disney (Tom Hanks) está quase conseguindo cumprir a promessa feita há 20 anos a seus filhos: fazer a personagem Mary Poppins “voar” das páginas dos livros de P. L. Travers (Emma Thompson). Mas a autora não concebia ver sua personagem transformada em “mais um dos tolos desenhos” de Disney, ainda mais num musical, e por isto sempre se recusara a ceder os direitos. Porém, com suas reservas financeiras agora escassas talvez seja bom ceder ao apelo de seu agente (Ronan Vibert) e ouvir o que Disney tem a dizer.
Travers logo mostra sua “simpatia” ao motorista (Paul Giamatti) que Disney lhe envia, descrevendo Los Angeles como uma cidade que “cheira a cloro e suor”. Para os outros, inclusive para Disney, Travers nao é “Pam”, mas “Sra. Travers”. E Disney, que gosta de chamar e ser chamado pelo primeiro nome, nao é “Walt”, mas “Sr. Disney”. Mais ainda, Mary Poppins nao é “Mary”, mas sim “Mary Poppins”… Nem as cestas de frutas ou os bonecos da linha Disney comovem a autora. Pelo contrário, parecem irritá-la… Vai ser duro lidar com esta senhora…
Assim é que, logo nas primeiras conversas com o magnata, ela impõe a condição de poder intervir na confecção do roteiro. Intervir? Para ceder os tais direitos, ela:
• Exige que todas as conversas da fase de criação sejam gravadas
• Exige que o roteiro não inclua cenas com desenhos animados, como planejava Disney
• Interfere nos desenhos que serão usados para construir a casa e a rua onde se desenrola o filme
• Veta o ator Dick Van Dyke no papel do protagonista
• Poda a liberdade criativa do roteirista Don DaGradi (Bradley Whitforf) e dos compositores da trilha, os irmãos Robert e Richard Sherman (B. J. Novak e Jason Schwartzman), com seu novo vocabulário para o filme, como o famoso “supercalifragilisticexpialidocious” – algo inaceitável para a rígida autora.
Em paralelo com esta trama, corre a da infância difícil da autora (então interpretada por Annie Rose Buckley), a mais velha de três pequenas irmãs, ao lado de uma mãe carinhosa (Ruth Wilson) e de um pai mais ainda (Colin Farrell). Com a família financeiramente acabada por causa do vício do pai, um gerente de banco que se perde na bebida, a salvação talvez esteja na verdadeira Mary Poppins (Rachel Griffiths).

Avaliação: Hancock, do excelente “Um Sonho Possível”, que deu o Oscar a Sandra Bullock, faz aqui um filme quase tão belo como “Em Busca da Terra do Nunca”, o qual narrava parte da biografia do criador de Peter Pan (J. M. Barrie, aliás, inspirador da autora de Mary Poppins).
Pelo trailer, mal se pode perceber o quanto a história é boa (e é raro eu ver trailers fracos que resultem em filmes bons), pois ele foca muito na tentativa de Walt Disney de convencer L. P. Travers a ceder os direitos de filmagem de Mary Poppins quando, na verdade, o foco do filme (ainda bem) está bem dividido entre esta “luta” e a infância da autora, o amor dela pelo pai alcoólatra mas gentil e que a incentivava a nunca deixar de sonhar (e que rende os mais belos momentos do filme). Aliás, um conselho que ela felizmente seguiu, como nos mostra a estória de Mary Poppins.
Fiquem até os créditos finais, porque além das fotos dos reais protagonistas da história, aparecem divertidos trechos das gravações de Travers (as gravações dos trabalhos de roteirização e trilha foram mais uma das várias exigência da autora…).
Colin Farrell convence muito bem como o bêbado mas carinhoso e sonhador pai de Travers, Emma Thompson (Oscar de atriz e por uma adaptação de Jane Austen) está ótima no papel de Travers, B. J. Novak e Jason Schwartzman estão hilários no papel dos “rebeldes” irmãos Sherman, criadores da trilha musical e Paul Giamatti rende a figura mais simpática (e, no fundo, a mais carismática), como o motorista que Disney envia para Travers.

Obs.: Travers brigou com Disney pelo uso da animação no filme (1964) e nunca mas permitiu a ele adaptar outra de suas obras.

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Caçadores de Obras-Primas (The Monuments Men)

Caçadores de Obras-Primas (The Monuments Men), drama de ação e suspense dirigido e coescrito por George Clooney, 2014.

Enredo: No final da Segunda Guerra Mundial, com os nazistas em retirada dos territórios que ocuparam, a missão que Frank Stokes (George Clooney) se impõe é “proteger as cerca de cinco milhões de obras de arte que sobraram e localizar as que estão sumidas” nas mãos dos homens de Hitler. Ele obtém o aval do presidente Roosevelt, mas achar peritos dispostos a ir na linha de frente é algo difícil. Com uma equipe de 6 homens (Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Jean Dujardin, Hugh Boneville e Bob Balaban) vindos dos EUA, Grã-Bretanha e França, submetida a um treino militar básico, Stokes parte para a linha de frente na Europa. Seu trabalho em campo é prejudicado pela falta de apoio dos comandantes militares, que não enxergam importância na missão deles, e o tempo corre contra, pois Hitler emitiu o Decreto Nero, ordenando uma operação de terra queimada na Europa, no caso de iminente derrota nazista. O que incluiria as obras roubadas.
Stokes e cinco dos peritos vão avançando pela linha de frente, enquanto James Granger (Damon) tenta convencer a curadora do museu Jeu de Paume de Paris, Claire Simone (Cate Blanchett) a ajudá-los. Porém, ela não deseja ajudar os aliados a “roubarem suas obras de arte roubadas”. Ocorre que seu auxílio é crucial, pois ela havia ajudado os nazistas comandados por Viktor Stahl (Justus von Dohnányi) a catalogar as obras no museu, mas secretamente mantivera registro da sua movimentação e as fotografara.
Agora não é somente o Decreto Nero que lhes dita a pressa: os russos estão avançando e julgam ter direito às obras de arte, como compensação pelos enormes danos que lhes foram infligidos pelos nazistas.

Avaliação: “Você pode acabar com toda uma geração, você pode queimar suas casas até que virem cinzas mas, de alguma forma, eles ainda vão encontrar seu caminho de volta. Mas, se você destruir sua história, você destrói suas conquistas, e isso é como se eles nunca tivessem existido. Isso é o que Hitler quer e é exatamente por isto que estamos lutando”.
Esta é a colocação mais emblemática do filme e que nos permite enxergar a importância do trabalho desta equipe. Se as obras que os nazistas consideravam degeneradas (Picasso e vários de seus contemporâneos) já estavam perdidas, ainda havia tempo de recuperar as outras (nem todas, porque as dos colecionadores particulares, principalmente judeus extorquidos ou roubados, ainda hoje são objeto de busca e disputa. Aliás, num momento curto e significativo, o filme mostra anéis e dentes de ouro, também roubados pelos nazistas de suas vítimas, a maioria assassinadas).
Baseado numa história real e, pelo menos para mim, totalmente desconhecida, o filme ainda consegue trazer toques cômicos – a cargo dos excelentes Bill Murray e John Goodman (o diálogo na cena da mina terrestre é o exemplo perfeito de como se extrai humor de uma cena que seria de desespero).
Filmaço, agradou (em graus variados) a todos nós que o assistimos (mais ainda a mim, pois sou fã dos filmes sobre as batalhas da segunda guerra). Com ponta de Nick Clooney, pai do diretor.

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Sem Escalas (Non-Stop)

Sem Escalas (Non-Stop), suspense e ação de Jaume Collet-Serra (“A Órfã”), 2014.

Enredo: Bill Marks (Liam Neeson) é um agente federal encarregado da segurança durante voos. Devido a um drama familiar, ele tem problemas com a bebida, e, por causa disto, ficara afastado do seu emprego anterior, como policial. No voo sem escalas de Nova Iorque a Londres em que ele está alocado, ele passa a receber mensagens de alguém que invadiu a rede privativa e teoricamente segura pela qual ele troca mensagens com outros agentes. Não bastasse seu medo de voar, agora ele tem que lidar com um suposto terrorista, que ameaça matar uma pessoa a bordo a cada 20 minutos caso não lhe paguem US$ 150 milhões. Por ser um voo transatlântico longo, não há perspectivas de se aterrissar rapidamente e a primeira vítima aparece. Qual dos passageiros estaria enviando as mensagens. Sua simpática vizinha de assento (Julianne Moore)? O passageiro que o abordar antes do embarque? Ou o que reclama de todas as abordagens? Por que não o próprio Bill?.

Avaliação: Um filme que prendeu muito, com um suspense muito bom e ação legal. Porém, nossas opiniões foram um “degradé”. Houve quem tivesse gostado muito, como eu, ou nem gostado. Se achei muito bom no dia, depois fui me tocando dos clichês, das “forçadas de barra” e da explicação meio confusa e estranha para o crime… Continuo avaliando que foi um passatempo bem legal, mas este tipo de filme parece estar virando rotina para Liam Neeson, o Oskar Schindler do filme de Spielberg. Um grande ator, seria bom ele mudar um pouco…

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Philomena (Philomena)

Philomena (Philomena), drama com toques de suspense e comédia de Stephen Frears (do drama “A Rainha”), 2013.

Enredo: Uma noite de amor em 1952 foi a desgraça da jovem Philomena Lee (Sophie Kennedy Clark). Órfã de mãe, sem ter quem a ensinasse sobre sexo, ela engravidou e, assim como muitas outras adolescentes da extremamente religiosa Irlanda, ela foi enviada ao convento católico Roscrea para ter seu filho e “expiar seus pecados”. Lá ela teria que ficar por quatro anos, fazendo serviço pesado até poder pagar pela sua “estadia”. E foi neste ambiente pesado, sob a direção da tirânica e cruel Irmã Hildegarde (Barbara Jefford) que ela teve seu doloroso parto, sem suporte médico ou qualquer coisa que pudesse lhe aplacar a dor. Os contatos das internas com os filhos eram muito rápidos e, sem aviso algum, as crianças poderiam ser entregues às ricas famílias que vinham ao convento à procura de crianças para adoção. E é assim que Philomena perdeu o pequeno Anthony (Tadhg Bowen e depois Harrion D’Ampney) e nunca mais ficou sabendo do seu destino. Sua única lembrança é uma foto do menino que uma das poucas freiras conseguira tirar e lhe entregar sob o mais absoluto sigilo (poderia ser o motivo para mais uma punição).

Mas esta história foi um segredo que Philomena (Judi Dench) guardou por 50 anos até que, resolvida mais uma vez a obter informações sobre o paradeiro do filho, ela conta o segredo à filha Anna Maxwell Martin). Jane vê a oportunidade quando seu caminho cruza com o de Martin Sixsmith (Steve Coogan), ex-jornalista da BBC que está deprimido pela recente perda de seu importante cargo no Partido Trabalhista. Histórias de “interesse humano” não o atraem e ele prefere terminar de escrever mais um livro sobre a história da russa. Mas…

A ideia é ele fazer jornalismo investigativo e ajudar Philomena a descobrir o paradeiro do filho, ao mesmo tempo em que ele obtém material para um livro sobre a busca, patrocinado pela de sua editora (Michelle Fairley).

O contraste entre Philomena e Martin é total. Ela é católica fervorosa, gentil e nem guarda rancor ou ao menos recrimina as freiras pelo mal que lhe causaram; ele é ateu (ex-católico) e às vezes bem direto e rude. Ela é ignorante e diverte-se com as coisas mais simples (ver “Vovozona 2” na TV é A diversão para ela); ele é culto e tem um humor fino e refinado, muitas vezes recheado de ironias. Ela faz amizades facilmente; ele é frio e reservado. Mas estas diferenças não serão obstáculo para o objetivo que agora, para eles, é comum.

Avaliação: Em 2008, eu assisti a “Em Nome de Deus (The Magdalena Sisters)”, outro filme sobre as agruras a que (provavelmente) milhares de garotas irlandesas foram submetidas em conventos, para “purificá-las”. Em “Philomena”, temos outra história real e igualmente imperdível.

Na busca pelo filho da protagonista, a dupla depara com uma coincidência inesperada (que não vou contar aqui, claro…). Um tema aparentemente chato, mas que a versátil diva Judi Dench (a “M” da nova série do agente 007) e o também ótimo Steve Coogan tornam cativante. Coogan, aliás, é co-roteirista e produtor do filme, o que lhe deu chance de concorrer a dois Oscar.

O filme mostra o drama da tirania do convento (que nem tinha fins tao caridosos) e das mães que tinham seus filhos praticamente sequestrados pelas freiras. Elas assinavam um termo de concordando em se submeter a isto e a trabalhar no convento em troca de… – do que mesmo? De uma vida de agruras? Mais ainda, o termo lhes impunha que elas nunca procurassem informação sobre as crianças. Mesmo se tentassem, o silêncio das freiras era absoluto.

Mas, se tem drama, a busca pelo filho de Philomena dá um quê de suspense e o contraste da dupla da os toques de humor (a inculta Philomena nunca consegue captar a fina ironia de Martin ou ao menos entender as citações que ele faz de personagens históricos, como T. S. Eliot ou Ana Bolena).

Não esperava muito do filme, mas, assim como “Em Nome de Deus”, foi uma grata surpresa (mas triste, por sabermos ser real), melhorada ainda com a trilha de Alexandre Desplat (da bela trilha de “A Garota do Brinco de Pérola” e “Argo”).

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Veja SP 29/01/14 – comentário sobre “Álbum de Família”

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14

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Capitão Philips (Captain Phillips)

Capitão Philips (Captain Phillips), suspense (bem) dramático (e até, pode-se dizer, de aventura) de Paul Greengrass, 2013.

Enredo: 2009. Num vilarejo de pescadores na costa da Somália, os habitantes estão sendo instados a cumprirem com sua cota semanal de sequestros de navios, sob pena de punições. O franzino Muse (Barkhad Abdi) assume a chefia de uma equipe de três piratas (os também atores somalis Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed e Mahat M. Ali). Sua presa: o solitário cargueiro Maersk Alabama, o que significaria o primeiro cargueiro americano a ser sequestrado em duzentos anos.

No cargueiro, o capitão Richard “Rich” Phillips (Tom Hanks) sabe que está navegando em águas perigosas e entende ser melhor fazer uma simulação de ataque pirata. Que logo se transforma em realidade, pois o persistente Muse colocou sua pequena lancha no encalco do gigante Alabama. As defesas do Alabama são os potentes jatos d’água das mangueiras do perímetro do navio, alguns sinalizadores e a turbulência provocada no mar que o separa do perseguidor, mas, sem armas para se defender, não há como evitar a abordagem. Precavido, Phillips manda a tripulação esconder-se a qualquer custo, para que não haja possibilidade de se fazer reféns, e passa a negociar com os sequestradores, procurando convencê-los a levar os trinta mil dólares que estão no cofre do navio. Só isto? Os piratas sabem que, se voltarem com esta quantia, sofrerão represálias e exigem milhões de dólares ou matarão o Phillips e os subordinados que permaneceram no comando. Enquanto a marinha de guerra americana prepara um resgate, o hábil Phillips parece estar habilmente conseguindo tomar as rédeas da situação. Até que…

Avaliação: Em 2006, o genial diretor Paul Greengrass fez o tenso “United 93″, narrando a queda do voo com este nome nos ataques às Torres Gêmeas em 2001. Ambos os filmes tratam de dramáticos acontecimentos reais, têm um quê de documentário e são extremamente tensos. Difícil dizer qual vence.

Se por um lado o filme não deixa de apresentar o lado dos pescadores convertidos em violentos piratas – há as cenas em que Muse diz que, se não levarem o butim para seus chefes, eles serão punidos e aquela em acusa os grandes navios estrangeiros de acabarem com a pesca que lhes permite a subsistência –, por outro, numa das grandes cenas de Tom Hanks, o Capitão Phillips, com uma arma apontada na testa, diz a Muse que não, eles não são (mais) pescadores; eles haviam rompido a fronteira do que seria uma situação forçada e passaram a fazer da pirataria uma ocupação exercida com gosto.

Mesmo sabendo o final, impossível desgrudar da cadeira. Os atores somalis conseguem impor um real clima de terror e o inspiradíssimo Tom Hanks mostra por que recebeu dois Oscar e pode vir a receber seu terceiro: impossível não sofrer e chorar com ele nas fantásticas cenas finais do filme.

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Gravidade (Gravity)

Gravidade (Gravity), suspense dramático de ficção científica de Alfonso Cuarón, 2013.  

Enredo: “600 km acima da Terra não há nada que transporte o som. Não há pressão atmosférica. Não há oxigênio. A vida no espaço é impossível”.
Para a engenheira biomédica Ryan Stone (Sandra Bullock), esta missão de reparo do Hubble é sua primeira experiência no espaço. Para o comandante Kowalski (George Clooney), esta é a última missão e talvez a ele até consiga bater o recorde de permanência no espaço. Destroços de um satélite russo a caminho de onde a dupla se encontra vão transformar a missão de rotina numa angustiante luta pela sobrevivência.

Avaliação: Um enredo simples, muito simples, com praticamente apenas dois personagens, mas uma história eletrizante. Fomos em três e eu fui o mais entusiasmado, pois me senti preso desde o começo (isto é, apesar da longa sequência do passeio no espaço). De todo modo todos gostamos. Quando você pensa que a astronauta escapou de um perigo… Há várias “licenças poéticas” no enredo, em termos de eventos que podem ou não ocorrer no espaço (http://www.imdb.com/title/tt1454468/faq?ref_=tt_faq_2#.2.1.3 apresenta argumentações interessantes. Mas melhor ler apenas depois de ver o filme). George Clooney tem uma participação pequena, mas sempre com tiradas engraçadas e Sandra Bullock, além de enxutíssima nos seus quase 50 anos, expressa com intensidade o desespero de poder acabar vagando no espaço até ficar sem oxigênio e já é apontada como séria candidata ao Oscar.

E, como bem colocou meu amigo Marcelo, as sequências filmadas principalmente no início foram o destaque – uma técnica de filmagem inovadora e a fotografia do filme realmente impressiona.
E vale a pena ver em 3D.

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Um Amor Verdadeiro (One True Thing)

Um Amor Verdadeiro (One True Thing), drama de Carl Franklin, 1998. C

Enredo: O que a jornalista Ellen Gulden (Renée Zellweger) detesta em suas festas de aniversário é o fato de que Kate (Meryl Streep), sua mãe, ano após ano insiste em fazê-las temáticas, com personagens de contos infantis. Mas Elle já está chegando aos 30 anos!
De quem Ellen gosta mesmo é do pai. George Gulden é um professor de renome e chefe do departamento de Língua Inglesa da universidade local e é a figura que inspira Ellen quando ela escreve seus artigos. É gostoso conversar com ele, pedir suas opiniões… Até o dia em que Kate é diagnosticada com um grave câncer. Neste momento, o pai mostra-se egoísta ao extremo: ocupado demais com o departamento para cuidar da esposa, ele praticamente impõe a Ellen que volte de Nova Iorque para sua cidade natal e seja a enfermeira da mãe. Por que não o irmão (Tom Everett Scott), pergunta ela. Porque ele tem que se esforçar para passar na faculdade, onde não está indo tão bem. Por que não uma enfermeira? Porque Kate não admitiria uma estranha em casa. A contragosto, acostumada com a cidade grande e com uma importante entrevista com um senador por fazer, ela volta para casa, deixando o namorado em Nova Iorque e arriscando a oportunidade de carreira – afinal, como entrevistar o senador a partir da cidadezinha? E a figura reverenciada do pai vai caindo por terra à medida que ele explora cada vez mais a filha e mostra uma face que ela nunca imaginaria ver no ídolo.

Avaliação: Não lembro se o filme passou nas telonas ou foi direto para a TV a cabo. O engraçado foi ver Meryl interpretando uma mãe com câncer neste filme e no “Álbum de Família”, que está nos cinemas. Mas em “Um Amor Verdadeiro” ela não é a desagradável figura do outro filme. Um pouco chata, mas bem amorosa e realmente procurando poupar a filha de ter que cuidar dela (o que, com o agravamento da doença, não é mais possível). O filme começa um morno, mas cresce à medida que Ellen vai descobrindo o quão longe o pai está de ser a figura ideal que ela construiu e é nas cenas finais, quando mãe e filha conversam francamente, que ele ganha grande força. Meryl Streep dá mais um comovente show de interpretação (mesmo dublada!).

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