O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas), drama sobre a Segunda Guerra de Mark Herman, com roteiro do próprio, baseado no best-seller de John Boyne. C
Enredo: Bruno (Asa Butterfield) tem oito anos e é filho de um oficial da SS nazista (David Thewlis, de “Sete Anos no Tibete”) que acaba de ser promovido; o “prêmio” é o comando de um campo de extermínio de judeus. O oficial e seu pai (Richard Johnson) estão felizes e orgulhosos, mas a avó de Bruno (Sheila Hancock) não consegue disfarçar a objeção que tem pelos ideais nazistas. O pai tenta convencer Bruno e sua irmã Gretel (Amber Beattie) de que, apesar de estarem indo para um local mais isolado, poderão fazer novas amizades. Gretel está entrando na adolescência e afeiçoa-se pelo novo ajudante-de-ordem do pai, o fanático nazista tenente Kotler (Rupert Friend). Mas nada de novos colegas, pois o isolamento do local obriga o comandante a contratar um tutor particular, outro fanático nazista, Herr Liszt (Jim Norton). Para Gretel, vai tudo bem, pois ela gosta do tenente e cada vez mais vai se tornando admiradora das teorias nazistas ensinadas por Herr Liszt. Para a mãe dos dois (Vera Farmiga), o mundo começa a ruir quando ela descobre que Pavel (David Hayman), o médico judeu transformado em descascador de batatas que a auxilia está sempre a um pequeno passo da punição e morte. E é o casamento que acaba ameaçado quando ela descobre as verdadeiras funções do marido.
Mas, e Bruno? Ele não consegue deixar de lado seus agora proscritos livros de aventura (o tutor crê que esta ficção nada acrescenta…) e não se interessa pelas aulas. É a vista de seu quarto para um distante campo com arame farpado que atrai a atenção do garoto com espírito aventureiro. E é para lá que ele procura ir, desafiando as instruções dos pais. Aos poucos, ele se dá conta de que, ao contrário do que lhe dizem os pais, não se trata de uma fazenda e que Shmuel (Jack Scanlon), o garoto de sua idade que vive atrás da cerca, sempre vestindo um pijama listrado e numerado, vive uma vida miserável. Bruno encontra um amigo para jogar e brincar (mesmo que separados por uma intransponível cerca eletrificada) e Shmuel encontra alguém que pode lhe dar comida e um pouco de distração dos trabalhos forçados a que é submetido, num mundo onde sabemos que não deverá ter vida longa. Tem início uma amizade… Mas como pode uma amizade destas durar quando todos atrás da cerca estão fadados à morte pela estafa ou nas câmaras de gás?
Avaliação: Discordo das críticas de que o roteiro ameniza o Holocausto. Ele apenas cria uma alegoria em cima da tragédia, mas mostra, sem demasiada sutileza, como o fanatismo nazista era tal que mesmo nazistas devotos podiam ser punidos apenas porque um parente deixara a Alemanha por discordar do nazismo (é a trama em torno do tenente Kotler, anti-semita violento e nazista convicto). E mostra cenas de violência contra os judeus, como a punição desproporcional pelos mais simples “deslizes” – ou até gratuitamente. E a violência não é tão explícita, o que torna o filme palatável a uma audiência maior.
Eu poderia questionar, na linha do livro “Os Carrascos Voluntários de Hitler” (o best-seller de Daniel Jonah Goldhagen), se realmente havia alemães adultos que não sabiam o que se passava nos campos, como retratado na figura da esposa do comandante. De qualquer modo, o enredo mostra uma nazista dedicada, que considera os judeus como sub-raça, mas que tem certa dose de humanidade e apenas desconhece a magnitude da tragédia. Plausível? Deu para “engolir!”, sim. Aliás, neste sentido, o filme mostra algo que realmente ocorria, a montagem cinematográfica que era entregue à Cruz Vermelha, mostrando judeus com boas roupas, música e comida decentes no campo. Como a Cruz Vermelha podia aceitar esta farsa é a questão, já que as notícias dos assassinatos em massa e das câmaras de gás já corriam pelo mundo.
Minha mãe e eu adoramos. É lindo. As lágrimas não me escorreram, mas estavam sempre prontas a cair. Creio que, como minha mãe bem colocou, o filme é discreto.
E tem a bela trilha sonora de James Horner…
Comentários do Alberto, Nancy e crianças (desculpem, já não tão crianças): Nós adoramos também, gostamos muito do enfoque sob a ótica infantil – um ponto de vista da barbaridade nazista não muito visto. Muito emocionante e cremos que crianças, mesmo abaixo da idade permitida – já que podem assistir com o consentimento dos pais -, devem ver. Aliás, TODOS devem ver, para que tais bestialidades não se repitam. O exemplo direto do tao: “a lei da ação e reação é implacável”.
Do meu amigo Rubens: ele discorda dos críticos que acharam que o filme “pegou leve” demais e crê que foi “uma porrada na cara com luva de pelica!”, com o que concordo totalmente. E considera que vale a pena ver o filme (mas acha que o livro é melhor).