Arquivo para Dezembro, 2008

Um Homem Bom (Good)

Um Homem Bom (Good), drama de Vicente Amorim, baseado o livro de C. P. Taylor.

Enredo: Ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha. John Halder (Viggo Mortensen) é um homem decente e de bom coração, que ensina literatura e tem amor pela profissão. Ao mesmo tempo, ele desdobra-se para cuidar de sua mãe senil e tuberculosa (Gemma Jones) e dos filhos, já que a esposa (Anastasia Hille), uma ex-enfermeira, prefere o piano à dedicação à família. Ele é fiel à esposa, mas é do tipo que se deixa levar e acaba cedendo aos avanços de uma aluna (Jodie Whitakker). Esta é apenas a primeira das drásticas mudanças que ocorrem na vida do professor: um antigo romance seu que trata do alívio do sofrimento de um ente querido é visto pelos nazistas como uma defesa da eutanásia que eles pretendiam praticar com os deficientes e, assim, Halder, novamente se deixando influenciar, deixa de lado seus princípios e elabora um ensaio encomendado pelos nazistas. Em seguida, filia-se ao partido, separa-se da mulher para casar-se com a aluna e fica sem ver a mãe por um longo período. Mas ainda mantém a amizade com seu psiquiatra (Jason Isaacs), um judeu que ainda acreditava que poderia viver sob o nazismo. Até onde Halder manterá os laços com o amigo? E o que ele fará para salvá-lo, quando a vida para ele ficar insustentável?

Avaliação: Éramos cinco, quatro de nós (Sarah, eu, Marjory e Marcelo) achamos a primeira parte do filme muito (mas muito mesmo) arrastada, apenas um (Roberto – não eu, mas o meu xará) ficou preso ao filme o tempo todo. Bem depois da metade, o filme engata. O protagonista é apresentado como uma amostra dos alemães que preferiram deixar de lado seus ideais e viver acomodados sob o jugo do nazismo. Mas é difícil de engolir a idéia de uma pessoa nos altos escalões da máquina nazista (o protagonista) que não soubesse do destino dos judeus. Wishful thinking demais… Assim, o filme deveria se chamar “Um Homem Tolo”…

Os bons momentos de realismo – e que talvez sejam mostrados de forma suave demais – são os que mostram o que os nazistas pretendiam fazer com os deficientes mentais, o sistema perfeito de cadastramento da população judaica e de seu destino (by IBM), a “orquestra” de recepção no campo de concentração, a fila da câmara de gás. Um Homem Bom, um filme nem tanto.

1808

1808, de Laurentino Gomes C

Apesar do título do livro, não se aborda apenas o ano de 1808 e a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Ele traça um mapa geopolítico da época que abrange do início do século XIX – com as primeiras vitórias de Napoleão e um histórico da subida ao poder em Portugal do príncipe-regente João (que viria a ser coroado D. João VI) – até pouco depois da independência do Brasil. Trata também das vitórias e derrotas de Napoleão, da situação do Rio de Janeiro à época, da escravidão, das revoltas contra a coroa…

O livro traz relatos da época sobre eventos e hábitos do Brasil e de Portugal, descrevendo a corrupção nos órgãos do governo, as famosas cerimônias do beija-mão, desvios de dinheiro e riquezas naturais, enriquecimento à custa dos cofres públicos, contrabando, trabalho escravo (já ouviu falar dos pretos-de-ganho? Não? Pois leia o livro!) e outros absurdos – parte dos quais herdamos e preservamos…

Além destes aspectos, outros mais mundanos aparecem nas narrativas e descrições, tais como hábitos de higiene (ou melhor, de falta de higiene – por exemplo, os famosos pedaços de frango que D. João carregava na roupa para seus “lanchinhos” e o sistema de esgoto-vai-pela-janela-mesmo), doenças e tratamentos médicos vigentes, vestimentas, etc.

Tudo minuciosamente elaborado a partir de crônicas de quem viveu à época ou a partir de outros documentos, desmentindo mitos e também trazendo à luz fatos ate então desconhecidos.

Trata-se de leitura excelente – e muito instrutiva –, que flui sem que se perceba o passar do tempo. O autor soube inserir fatos históricos e narrativas de época para dar um ótimo tempero ao livro. Um jeito fácil e gostoso de aprender História.

Um Homem e uma Mulher (Une Homme et Une Femme)

Um Homem e uma Mulher (Une Homme et Une Femme), romance de Claude Lelouch. D

Enredo: Dois viúvos recentes (Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant) encontram-se na escola onde estudam seus filhos. Aos poucos vão se tornando amigos, depois íntimos, mas esbarram nas lembranças do passado e não conseguem avançar muito.

Avaliação: Vi sem a Sarah, era uma curiosidade que sempre tive, porque é um clássico e também por causa da trilha sonora (a trilha sonora de Francis Lai é bem legal); mas é meio chato, às vezes silencioso demais; “sem novidades”…

Sem Pistas (Abandon)

Sem Pistas (Abandon), suspense dramático de Stephen Gaghan.

Enredo: Catherine Burke (Katie Holmes) está sob a pressão dos exames, entrevistas, da apresentação de sua tese… E de um detetive (Benjamin Bratt) que investiga o desaparecimento de seu ex-namorado (Charlie Hunnam), que completa dois anos. Este desaparecimento a impede de trilhar novos caminhos, presa que está às lembranças do ex. Mas o detetive parece estar avançando, pois finalmente descobre novas pistas e as relaciona a outro desaparecimento no campus.

Avaliação: Suspense com idéia muito boa, mas o achamos arrastado; você acaba até adivinhando o final.

O Colecionador (The Collector)

O Colecionador (The Collector), suspense dramático de William Wyler.

Enredo: Isolado da sociedade, vivendo uma vida sem graça, um rapaz (Terence Stamp) rapta uma moça (Samantha Eggar) por quem tem uma paixão; mas ela nem o conhece – ele apenas quer mantê-la sob seu domínio, como uma das borboletas de sua coleção. Como poderá cativar o coração de alguém que mantém presa contra sua vontade?

Avaliação: Apesar de parecer parado, este suspense dramático é muito bom. Eu já o vira e o recomendei à Sarah – gostamos ambos.

Sete Vidas (Seven Pounds)

Sete Vidas (Seven Pounds), drama de Gabriele Muccino. D

Enredo: O filme começa com o fiscal do imposto de renda Ben Thomas (Will Smith) anunciando seu iminente suicídio à atendente do 911 (socorro de emergência). Mas somente no final saberemos porque Ben procura ajudar uma moça (Rosario Dawson) que precisa de um transplante cardíaco, um atendente de call center (Woody Harrelson) que destratara e outras cinco pessoas. Ben está procurando se redimir por algum mal que provocou e, para isto, mantém um pacto com um amigo (Barry Pepper) relutante em ajudá-lo a atingir seu objetivo.

Avaliação: O filme é arrastadíssimo e só engata nos últimos minutos, quando a trama é desvendada. Mas não vale a espera pelo final. Sarah, Danon e eu quase dormimos. A Nancy foi a única que encarou o filme e até chorou, mas gostaria que tivesse sido mais curto. Só pode ter liderado as bilheterias ao ser lançado nos EUA porque não houve tempo de o boca-a-boca destroná-lo… Ou porque Will Smith é… Will Smith.

Marley e Eu (Marley & Me)

Marley e Eu (Marley & Me), comédia dramática de David Frankel. C

Enredo: O labrador Marley morre. Sim, esperavam outra coisa? Mas este irrequieto cão deixou lindas lembranças para seus donos e, por conseqüência, para o público do filme e do livro… John (Owen Wilson) e Jenny Grogan (Jennifer Aniston) mudaram-se para Miami e, seguindo os planos da extremamente organizada Jenny, arrumaram cada um seu emprego como jornalistas. Alguns passos depois, na seqüência planejada por Jenny, estaria a gravidez. Mas John está inseguro e entende que um cãozinho poderia adiar os planos da esposa. Eis que surge o labrador “de liquidação”, como o apelidaria Jenny. Marley era o filhotinho que ninguém queria e para o qual sua dona oferecia o maior desconto. Logo fica claro o porquê: agitado, desobediente, destruidor… Até uma experiente treinadora (Kathleen Turner) desiste dele…

Enquanto isto, no jornal, incentivado pelo chefe (Alan Arkin), John passa a escrever uma coluna semanal – não é bem o que ele queria, pois ele pretendia seguir a linha de repórter, como seu amigo Sebastian (Eric Dane), cujos artigos investigativos admira. Mas a coluna de John fica muito popular e o que era para ser provisório, fica permanente, com direito a duas aparições mensais, depois diárias. A razão do sucesso? As estripulias de Marley, que acompanha, sempre da maneira mais neurótica possível, as mudanças de carreira, de casa e o nascimento dos filhos do casal, a quem proporciona muitas alegrias (e momentos de desespero…).

Avaliação: Parece que o filme é bem fiel ao livro, o best-seller dos best-sellers e que devo ler em breve (finalmente). Não há como não se divertir e se emocionar, do primeiro olhar carente do filhote aos últimos momentos de Marley, em que ele, já silencioso, não destrói mais nada, mas parte o coração da família – e dos espectadores, que invariavelmente ficam em lágrimas. Com seu livro, Grogan fez uma bela dedicatória ao seu cão, um bicho que dá amor incondicional e se entrega totalmente.

A Noiva Perfeita (Prête-moi Ta Main)

A Noiva Perfeita (Prête-moi Ta Main), comédia de Eric Lartigau.

Enredo: Luis (Alain Chabat) é pressionado pela família a deixar de ser um solteirão. Mas ele não quer isto, então, arruma uma falsa namorada (Charlotte Gainsbourg), que o largará no altar, conforme planejado. Negócio combinado, ele sofre para manter a farsa em casa. A “namorada” faz sucesso com a família e tem atritos com Luis. Mas…

Avaliação: A Sarah e eu achamos o filme médio, a Léa achou “bonzinho”. Ou seja, não vale o esforço.

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas)

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas), drama sobre a Segunda Guerra de Mark Herman, com roteiro do próprio, baseado no best-seller de John Boyne. C

Enredo: Bruno (Asa Butterfield) tem oito anos e é filho de um oficial da SS nazista (David Thewlis, de “Sete Anos no Tibete”) que acaba de ser promovido; o “prêmio” é o comando de um campo de extermínio de judeus. O oficial e seu pai (Richard Johnson) estão felizes e orgulhosos, mas a avó de Bruno (Sheila Hancock) não consegue disfarçar a objeção que tem pelos ideais nazistas. O pai tenta convencer Bruno e sua irmã Gretel (Amber Beattie) de que, apesar de estarem indo para um local mais isolado, poderão fazer novas amizades. Gretel está entrando na adolescência e afeiçoa-se pelo novo ajudante-de-ordem do pai, o fanático nazista tenente Kotler (Rupert Friend). Mas nada de novos colegas, pois o isolamento do local obriga o comandante a contratar um tutor particular, outro fanático nazista, Herr Liszt (Jim Norton). Para Gretel, vai tudo bem, pois ela gosta do tenente e cada vez mais vai se tornando admiradora das teorias nazistas ensinadas por Herr Liszt. Para a mãe dos dois (Vera Farmiga), o mundo começa a ruir quando ela descobre que Pavel (David Hayman), o médico judeu transformado em descascador de batatas que a auxilia está sempre a um pequeno passo da punição e morte. E é o casamento que acaba ameaçado quando ela descobre as verdadeiras funções do marido.

Mas, e Bruno? Ele não consegue deixar de lado seus agora proscritos livros de aventura (o tutor crê que esta ficção nada acrescenta…) e não se interessa pelas aulas. É a vista de seu quarto para um distante campo com arame farpado que atrai a atenção do garoto com espírito aventureiro. E é para lá que ele procura ir, desafiando as instruções dos pais. Aos poucos, ele se dá conta de que, ao contrário do que lhe dizem os pais, não se trata de uma fazenda e que Shmuel (Jack Scanlon), o garoto de sua idade que vive atrás da cerca, sempre vestindo um pijama listrado e numerado, vive uma vida miserável. Bruno encontra um amigo para jogar e brincar (mesmo que separados por uma intransponível cerca eletrificada) e Shmuel encontra alguém que pode lhe dar comida e um pouco de distração dos trabalhos forçados a que é submetido, num mundo onde sabemos que não deverá ter vida longa. Tem início uma amizade… Mas como pode uma amizade destas durar quando todos atrás da cerca estão fadados à morte pela estafa ou nas câmaras de gás?

Avaliação: Discordo das críticas de que o roteiro ameniza o Holocausto. Ele apenas cria uma alegoria em cima da tragédia, mas mostra, sem demasiada sutileza, como o fanatismo nazista era tal que mesmo nazistas devotos podiam ser punidos apenas porque um parente deixara a Alemanha por discordar do nazismo (é a trama em torno do tenente Kotler, anti-semita violento e nazista convicto). E mostra cenas de violência contra os judeus, como a punição desproporcional pelos mais simples “deslizes” – ou até gratuitamente. E a violência não é tão explícita, o que torna o filme palatável a uma audiência maior.

Eu poderia questionar, na linha do livro “Os Carrascos Voluntários de Hitler” (o best-seller de Daniel Jonah Goldhagen), se realmente havia alemães adultos que não sabiam o que se passava nos campos, como retratado na figura da esposa do comandante. De qualquer modo, o enredo mostra uma nazista dedicada, que considera os judeus como sub-raça, mas que tem certa dose de humanidade e apenas desconhece a magnitude da tragédia. Plausível? Deu para “engolir!”, sim. Aliás, neste sentido, o filme mostra algo que realmente ocorria, a montagem cinematográfica que era entregue à Cruz Vermelha, mostrando judeus com boas roupas, música e comida decentes no campo. Como a Cruz Vermelha podia aceitar esta farsa é a questão, já que as notícias dos assassinatos em massa e das câmaras de gás já corriam pelo mundo.

Minha mãe e eu adoramos. É lindo. As lágrimas não me escorreram, mas estavam sempre prontas a cair. Creio que, como minha mãe bem colocou, o filme é discreto.

E tem a bela trilha sonora de James Horner…

Comentários do Alberto, Nancy e crianças (desculpem, já não tão crianças): Nós adoramos também, gostamos muito do enfoque sob a ótica infantil – um ponto de vista da barbaridade nazista não muito visto. Muito emocionante e cremos que crianças, mesmo abaixo da idade permitida – já que podem assistir com o consentimento dos pais -, devem ver. Aliás, TODOS devem ver, para que tais bestialidades não se repitam. O exemplo direto do tao: “a lei da ação e reação é implacável”.

Do meu amigo Rubens: ele discorda dos críticos que acharam que o filme “pegou leve” demais e crê que foi “uma porrada na cara com luva de pelica!”, com o que concordo totalmente. E considera que vale a pena ver o filme (mas acha que o livro é melhor).

As Pontes de Madison (The Bridges Of Madison County)

As Pontes de Madison (The Bridges Of Madison County), romance dramático de Clint Eastwood. C

Enredo: Francesca Johnson (Meryl Streep) acaba de falecer. Como ela vivesse sozinha, seus filhos vêm à pequena casa isolada na região de Madison, no interior do Iowa, para cuidar dos pertences deixados. Entre eles, diversas cartas mostravam o envolvimento dela, uma discreta dona de casa aparentemente bem casada, com um fotógrafo (Clint Eastwood) a serviço da National Geographic, quando a família se ausentara de casa por alguns dias, havia muito anos. Através destas cartas, os filhos percebem como o casamento dela não lhe trazia tudo o que dele esperava e como ela se apaixonara – e fora correspondida – pelo visitante.

Avaliação: Um enredo bem simples, um filme meio lento, mas lindo. Eastwood tirou “leite de pedra”.

Gomorra

Gomorra (Gomorra), drama criminal de Matteo Garrone, baseado no best-seller do jornalista Roberto Saviano.

Enredo: O filme denuncia as lucrativas atividades da máfia napolitana, a Camorra (daí o trocadilho com Gomorra), que incluem investimentos na construção do conjunto que substituirá o World Trade Center, na manipulação clandestina de resíduos tóxicos industriais que provocam contaminação e câncer, na confecção de falsificações da moda e tudo o quanto se possa imaginar. Para fazer a denúncia, o filme utiliza algumas das narrativas do livro: a dupla de adolescentes que ousadamente (ou tresloucadamente?) quer dominar as áreas onde atua um pequeno chefe mafioso, tráfico de drogas, um leilão onde quem oferecer o menor preço será o produtor de peças falsificadas da alta costura para a Camorra (o que acaba levando a trama à cooptação do modelista por falsificadores chineses), um arrecadador de propinas e distribuidor de “salários” ameaçado por um concorrente do grupo da Camorra que atua no local, a “prova” para aceitação dos adolescentes que querem de qualquer modo entrar na Camorra e um empresário que vive de encontrar e oferecer depósitos de lixo onde possa descartar os dejetos industriais tóxicos sob uma aparência legal. São situações nada glamorosas, em contraste com o que se vê geralmente em filmes sobre mafiosos. Mas, apesar da falta do “glamour”, o sonho de muitos dos que habitam nos locais pobres e tristes retratados no filme é ser aceito pela Camorra (de onde, provavelmente, sairão presos ou mortos).

Avaliação: A Sarah já entrou com “o pé atrás”, não queria ver violência, não gosta de filmes sobre Máfia, etc. Eu quis ver esta denúncia, que, inclusive levou o jornalista que a escreveu a ter a cabeça colocada a prêmio pela Camorra. Mas devo concordar que a Sarah teve razão em suas impressões já nos primeiros minutos do filme: arrastado, escuro, sombrio – e são 135 min! Deu sono, cansou demais. No meio do filme, quando aparece o tratamento dos resíduos tóxicos, pensei que o filme ficaria mais cativante. Mas não… E a sala foi perdendo alguns espectadores (mas fomos resistindo). Pena, pois a maneira de mostrar que as atividades da Camorra não são nada glamorosas é ótima e um filme destes mereceria correr o mundo e arrebanhar grandes públicos, pois faz uma denúncia importantíssima. Por isto, apesar de não ter gostado, torço para que ganhe o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Rede de Mentiras (Body of Lies)

Rede de Mentiras (Body of Lies), suspense dramático de ação e espionagem de Ridley Scott.

Enredo: O alvo do agente da CIA Roger Ferris (Leonardo DiCaprio) é o misterioso grupo de Al-Saleem (Alon Aboutboul), que ceifou muitas vidas em atentados de grande porte na Europa. Ferris tem sangue-frio e coragem, mas não é o típico agente frio; ele tem um quê de idealista, quer proteger aqueles que o ajudam em suas missões, ainda mais os que se arriscam com ele. Já seu chefe e tutor, Ed Hoffman (Russell Crowe), que o comanda atrás de uma mesa de escritório ou quando está levando os filhos à escola, não tem envolvimento emocional algum com as missões e, para ele, todos são descartáveis e manipuláveis. Após um incidente numa missão no Iraque, Ferris vai chefiar o escritório da CIA na Jordânia. Lá, ele resolve trabalhar de uma maneira inusitada para os padrões da CIA: dividir segredos e requisitar homens do nº 1 do serviço secreto jordaniano, Hani (Mark Strong). Hoffman e Hani concordam com a idéia, mas a exigência de Hani é a de sempre: que nunca mintam para ele… Sempre a um passo de se encrencar com o violento Hani por causa de seu ardiloso chefe, Ferris arquiteta um plano que exige máxima discrição e o coloca em situação mais crítica ainda com o jordaniano. Se der certo, ele terá aniquilado o grupo de Al-Saleem. Se não der, ele estará arriscando não somente sua vida como a da enfermeira Aisha (Golshifteh Farahai), com quem está se envolvendo. É difícil poder confiar em qualquer um nesta “rede de metiras”.

Avaliação: Minha mãe e um casal de amigos haviam gostado muito e recomendado o filme. A Sarah protestou que não gostaria de vê-lo, porque sabia se tratar de um filme violento – e eu realmente não imaginava as cenas que veria no final… Ela detestou (mesmo!) o filme. Nossos amigos Flavio e Rose o classificaram como médio. Eu gostei (ponto). Achei um pouco longo demais e que a trama às vezes ficava um pouco complicada demais (a profusão de nomes atrapalha). Na linha suspense, ação, drama e espionagem prefiram “Jogo de Espiões”, de Tony Scott, irmão de Ridley, este, sim, um filmaço (Brad Pitt faz o papel equivalente ao de DiCaprio e Robert Redford faz a versão “boa” do agente Hoffman).

Queime Depois de Ler (Burn After Reading)

Queime Depois de Ler (Burn After Reading), comédia de erros com toques dramáticos dos irmãos Ethan e Joel Coen.

Enredo: Osbourne Cox (John Malkovich) acaba de perder seu emprego de analista da CIA por causa de seu “problema com a bebida”. Revoltado, ele resolve escrever suas memórias como agente e fazer dinheiro com elas. Sua esposa, Katie (Tilda Swinton), que já o desprezava, fica revoltada com sua saída e acelera o processo de divórcio. Para se garantir, copia todos os papéis e CDs do marido. Um deles é o que contém os rascunhos das memórias. E o CD acaba sendo perdido na academia de ginástica onde ela se exercita, acabando por cair nas mãos do desmiolado treinador Chad Feldheimer (Brad Pitt), que consegue ajuda de um amigo para descobrir o nome e telefone de quem escreveu o diário. Chad une-se à colega Linda Litzke (Frances McDormand) e começa a chantagear Osbourne. O que eles pedem: dinheiro suficiente para Linda, nos seus 50 anos, conseguir fazer uma série de cirurgias plásticas cosméticas e poder cativar algum pretendente “que tenha bom humor”. Mas o irritadiço Cox fica revoltado com os chantagistas e quer eliminá-los – nada de pagar… A situação se complica quando o amante de Katie Cox, o agente-do-Tesouro-que-se-passa-por-ex-guarda-costas-de-VIPs Harry Pfarrer (George Clooney) passa a se encontrar com Linda e quando o ingênuo chefe dela (Richard Jenkins), apaixonado por ela, resolve ajudá-la. Como se não bastasse, entra no circuito a Embaixada russa… Agora, o número de envolvidos vai aumentando e complicando a situação – é “abacaxi” demais para o ex-chefe de Cox (David Rasche) descascar…

Avaliação: Nossos amigos Ana Paula e Sergio, bem como a Sarah, gostaram (muito, eu diria). Eu não gostei, talvez até pudesse dizer que detestei; fiquei com sono em vários momentos.

O filme só me pareceu legal pela trama cheia de erros que se somam e pelo papel, pequeno, mas “campeão”, de J.K. Simmons (o pai da Juno, no filme de mesmo nome), que faz o chefe da agência da CIA. Primeiro, pelo vozeirão que lhe é característico. Depois, porque, em meio a tantas mortes e sumiços, é o único que consegue manter a calma e ver o lado bom das coisas – mesmo quando todos nós sabemos que não há lado bom algum neste imbroglio… Ele consegue até tirar uma lição do episódio: jamais repetir o que quer que seja que tenham feito neste caso (mesmo não sabendo o que fizeram neste caso…).

Anjo de Quatro Patas, de Walcyr Carrasco

Anjo de Quatro Patas, de Walcyr Carrasco (cronista da Veja São Paulo) C

É o relato de sua vida com Uno, o husky que mostrou quem devia obediência a quem na casa do autor. Um relato comovente, escrito com carinho por quem descobriu que, apesar de ter perdido o amor de sua vida, ainda conseguiria se entregar a outro ser. Um ser que foi conquistando seu coração e que também trouxe momentos de dor ao partir.

Mas, de sua partida, resultou esta leitura imperdível, mais ainda para os que entendem o quanto de amor incondicional um bicho pode dar.

A crônica que precedeu o livro: http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2031/m0141387.html

Propaganda do Focus

Para os fãs de “Happy Together”, com The Turtles, a propaganda do Focus 2009 é o máximo. Vejam vídeo em http://br.youtube.com/watch?v=VLmJHsWM-LQ. Eu adorei a criatividade do anúncio e a trilha. E o pessoal cantando junto empolga demais, não?


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