A Chave de Sarah (Elle S’Appellait Sarah), drama de guerra com toques de suspense de Gilles Paquet-Brenner 2010.
Enredo: Julho de 1942. A polícia francesa bate à porta da família Starzynski. Judeus de Paris, eles, assim como outros 13.000 correligionários, eram vítimas de constante tensão após a derrota francesa frente aos nazistas. Normalmente, os homens eram levados à polícia e voltavam após algum tempo. Desta vez, a família toda recebe a instrução para fazer uma mala para poucos dias. A pequena Sarah (a ótima Mélusine Mayance) percebe que algo pode lhes acontecer e esconde o pequeno irmão num armário e leva a chave. Logo vai se arrepender disto e será recriminada pelo pai (Arben Bajraktaraj). Porque parece que, desta vez, eles partirão definitivamente de Paris, rumo a destino desconhecido (e que nós logo ficamos sabendo ser o campo de concentração de Auschwitz). Desesperada para buscar o irmão, a quem fizera prometer não sair do armário até que ela retornasse, ela vê suas chances de fuga minguar, assim como suas forças, minadas pelas doenças, pela desnutrição e pelo afastamento dos pais.
2006, Paris. A jornalista franco-americana Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) foi destacada para escrever um artigo sobre um evento vergonhoso da história francesa moderna, mas sobre o qual poucos conterrâneos têm conhecimento: as prisões em massa no velódromo de inverno (o “raid”, ou a rafle do Vélo d’Hiver), em julho de 1942, evento do qual foi vítima a pequena protagonista. Mantidos sob o intenso calor do verão, sem banheiro, comida, medicamentos e quase sem água, os 13.000 judeus parisienses passaram dias sem a mínima ideia do que lhes esperava. “Mas como este evento é tão pouco documentado se os nazistas eram fanáticos por documentar tudo?”, pergunta o assistente (Mike Bambers) de Julia. A resposta é reveladora: “Porque não foram os nazistas que conduziram esta prisão em massa, foram os franceses”. À medida que suas investigações sobre o evento ocorrem, Julia percebe que o apartamento onde vivera seu sogro na infância, e para onde se mudarão brevemente, pertencera a uma família despejada e levada ao Vélo d’Hiver: os Starzynski. Agora, ela é movida não somente pela investigação dos eventos de julho de 1942, mas por fatores pessoais: como o apartamento dos Starzynski chegara às mãos dos Tezac? E o que acontecera com os pequenos Starzynski, sobre os quais não há registros? Esta busca incessante será um dos fatores que colocarão em risco o casamento de Julia, que já passa por outra crise.
Avaliação: Um filme corajoso e revelador, que cria duas famílias ficcionais de franceses, os Starzynski e os Tezac, para falar sobre um dos eventos mais vergonhosos da história francesa moderna. O filme mostra os sofrimentos e a discriminação a que foram submetidos os judeus franceses, ignorados ou desprezados pela maioria dos conterrâneos. Exemplo significativo é a “recepção” que os judeus recebem dos moradores vizinhos ao Vélo d’Hiver, que os observam do conforto de seus apartamentos: uma diz que “eles merecem!” ao que um vizinho replica “Não diga isso, os próximo seremos nós”. E a tréplica da vizinha: “Mas nós somos franceses!”.
O filme mostra, por outro lado, como, apesar de poucos, houve franceses dignos, que arriscaram suas vidas para salvar as vítimas do genocídio em curso (era uma época onde se delatavam vizinhos por esconderem perseguidos pelo regime).
Minha mãe tinha visto o filme e recomendado muito. Eu fiquei ansioso por vê-lo, apesar de saber o quanto poderia sofrer com as cenas (e há as fortes, não só das condições desumanas no velódromo, que levavam a suicídios e mortes por doença e fome, mas também as da cruel separação das famílias, principalmente das mães em relação a seus filhos pequenos). Adoramos, o filme é mesmo imperdível, talvez o melhor drama do ano. E conta com uma tocante ponta de Aidan Quinn, abordando origens e passado familiar. Pena que passe num circuito muito pequeno.
Gostei muito desse filme tambem!!! A Cena dos judeus confinados no Veldromo ja’ tinha aparecido num outro filme, com o Jean Reno (ele era um medico judeu atendendo as pessoas la’ e tentando cuidar delas sem nenhum medicamento) e o incrivel e’ que o lugar, a cena, o desespero eram iguaizinhos, parecia copia do outro filme. Sinal que foram feitos com muito realismo! Muito chocante!!
Obrigado pelo comentário! Sempre acrescentando alguma novidade! Ah, eu já vi o do Reno em alguma loja ou na casa de amigo… Fiquei pensando que seria muito pesado… Só não sabia o papel dele.