Os Falsários (Die Fälscher), drama sobre evento da Segunda Guerra escrito e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, 2007.
Enredo: 1936. Nos primórdios da Alemanha nazista, ainda há lugar para o Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics) ganhar a vida com suas falsificações – cheque, dinheiro, tudo lhe é possível. Mulheres, dinheiro e bebidas vêm facilmente – até que ele é preso pelo superintendente Friedrich Herzog (Devid Striesow). Este comemora a prisão do “Rei dos Falsários”; o outro lamenta o fim da vida mansa e, para este, começam as humilhações e surras destinadas aos prisioneiros, principalmente aos judeus, no campo de concentração de Mauthausen. Quebrando pedras, suas mãos já não conseguem pintar e desenhar, mas ele ainda tem forças para fazer alguns desenhos – e é este seu talento, aliado ao seu passado, que convencem Herzog (novamente ele) a levar Sally para o campo de concentração de Sachsenhausen e usar os serviços do judeu para assumir o comando de uma equipe de peritos judeus de diversas áreas e imprimir (sem trocadilhos…) maior velocidade à maior operação de falsificação já realizada na história, a “Operação Bernhard”. Com ela, os nazistas pretendiam inundar os mercados com falsas libras esterlinas e, posteriormente, dólares falsificados e, assim, arruinar a economia dos aliados. A equipe tem tratamento diferenciado dos outros prisioneiros: são chamados pelo nome (em vez de pelos seus números), suas camas têm colchão, eles não comem a sopa rala dos outros e usam roupas civis. Mas, se isto é um alívio para os sofrimentos de Sally, que leva sua missão a sério, por outro lado, torna-se uma questão torturante para seu colega Adolf Burger (August Diehl) – afinal, eles estão usando roupas tiradas de outros prisioneiros exterminados pelos nazistas, falsificando passaportes a partir de documentos de outros prisioneiros assassinados e convivendo diariamente com os gritos dos outros internos, espancados ou mortos pelos nazistas, sob as ordens do sádico Holst (Martin Brambach), o auxiliar de Herzog que gostaria de eliminar também toda a equipe. As falsificações vão indo bem, passam pelos testes mais difíceis, mas, quando surge o momento de falsificar o dólar, Burger resolve sabotar a operação. Neste momento, Sally tem que tomar uma decisão: arriscar a vida de todos, caso Herzog descubra a sabotagem, ou ajudar Burger e fazer com que eles agüentem até a iminente chegada dos aliados e a possível libertação? E se ajudar Herzog fosse a única maneira de obter os remédios para poder salvar o companheiro Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky)? Por outro lado, se a operação der certo, os aliados perderão a guerra e a equipe será certamente eliminada. Muitas faces de uma questão complicada. E Sally toma sua decisão.
Avaliação: A Gisele e a Sarah acharam este filme (baseado em eventos reais) médio, cansativo. O Carlinhos achou bom, eu, idem. Mas, com o passar dos dias, fui refletindo sobre as cenas e situações e considerei o filme muito bom. Tem momentos mais lentos, certamente. Mas o filme tem cenas sutis, com pouca violência explícita, mas que deixam muito claro o sofrimento dos prisioneiros. Por exemplo:
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Diversos deles eram obrigados a caminhar em círculos até a morte para testar as botas que seriam produzidas para os soldados;
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Outros manipulavam roupas e documentos que poderiam ter pertencido a parentes seus assassinados.
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O terror da chamada dos prisioneiros, que tinham que responder rapidamente pelo número (alguns deles os tinham gravado no braço);
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O medo de que as duchas fossem câmara de gás;
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Os tiros que se ouviam a toda hora do outro lado dos tapumes.
Outro ponto interessante: além da diferença de opinião sobre como proceder, havia também as diferenças pessoais entre eles, bem exemplificadas pelo desprezo que os judeus que vinham da vida honesta e trabalharam em bancos demonstravam pelo trambiqueiro Sally.
