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Os Falsários (Die Fälscher)

Os Falsários (Die Fälscher), drama sobre evento da Segunda Guerra escrito e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, 2007.

Enredo: 1936. Nos primórdios da Alemanha nazista, ainda há lugar para o Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics) ganhar a vida com suas falsificações – cheque, dinheiro, tudo lhe é possível. Mulheres, dinheiro e bebidas vêm facilmente – até que ele é preso pelo superintendente Friedrich Herzog (Devid Striesow). Este comemora a prisão do “Rei dos Falsários”; o outro lamenta o fim da vida mansa e, para este, começam as humilhações e surras destinadas aos prisioneiros, principalmente aos judeus, no campo de concentração de Mauthausen. Quebrando pedras, suas mãos já não conseguem pintar e desenhar, mas ele ainda tem forças para fazer alguns desenhos – e é este seu talento, aliado ao seu passado, que convencem Herzog (novamente ele) a levar Sally para o campo de concentração de Sachsenhausen e usar os serviços do judeu para assumir o comando de uma equipe de peritos judeus de diversas áreas e imprimir (sem trocadilhos…) maior velocidade à maior operação de falsificação já realizada na história, a “Operação Bernhard”. Com ela, os nazistas pretendiam inundar os mercados com falsas libras esterlinas e, posteriormente, dólares falsificados e, assim, arruinar a economia dos aliados. A equipe tem tratamento diferenciado dos outros prisioneiros: são chamados pelo nome (em vez de pelos seus números), suas camas têm colchão, eles não comem a sopa rala dos outros e usam roupas civis. Mas, se isto é um alívio para os sofrimentos de Sally, que leva sua missão a sério, por outro lado, torna-se uma questão torturante para seu colega Adolf Burger (August Diehl) – afinal, eles estão usando roupas tiradas de outros prisioneiros exterminados pelos nazistas, falsificando passaportes a partir de documentos de outros prisioneiros assassinados e convivendo diariamente com os gritos dos outros internos, espancados ou mortos pelos nazistas, sob as ordens do sádico Holst (Martin Brambach), o auxiliar de Herzog que gostaria de eliminar também toda a equipe. As falsificações vão indo bem, passam pelos testes mais difíceis, mas, quando surge o momento de falsificar o dólar, Burger resolve sabotar a operação. Neste momento, Sally tem que tomar uma decisão: arriscar a vida de todos, caso Herzog descubra a sabotagem, ou ajudar Burger e fazer com que eles agüentem até a iminente chegada dos aliados e a possível libertação? E se ajudar Herzog fosse a única maneira de obter os remédios para poder salvar o companheiro Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky)? Por outro lado, se a operação der certo, os aliados perderão a guerra e a equipe será certamente eliminada. Muitas faces de uma questão complicada. E Sally toma sua decisão.

Avaliação: A Gisele e a Sarah acharam este filme (baseado em eventos reais) médio, cansativo. O Carlinhos achou bom, eu, idem. Mas, com o passar dos dias, fui refletindo sobre as cenas e situações e considerei o filme muito bom. Tem momentos mais lentos, certamente. Mas o filme tem cenas sutis, com pouca violência explícita, mas que deixam muito claro o sofrimento dos prisioneiros. Por exemplo:

  1. Diversos deles eram obrigados a caminhar em círculos até a morte para testar as botas que seriam produzidas para os soldados;
  2. Outros manipulavam roupas e documentos que poderiam ter pertencido a parentes seus assassinados.
  3. O terror da chamada dos prisioneiros, que tinham que responder rapidamente pelo número (alguns deles os tinham gravado no braço);
  4. O medo de que as duchas fossem câmara de gás;
  5. Os tiros que se ouviam a toda hora do outro lado dos tapumes.

Outro ponto interessante: além da diferença de opinião sobre como proceder, havia também as diferenças pessoais entre eles, bem exemplificadas pelo desprezo que os judeus que vinham da vida honesta e trabalharam em bancos demonstravam pelo trambiqueiro Sally.

Spartacus (Spartacus)

Spartacus (Spartacus), épico dramático de Stanley Kubrick, 1960. C

Enredo: 73 a.C. Em Roma, podia-se dizer haver quase tantos escravos quanto cidadãos livres. Entre os primeiros, estava Spartacus (Kirk Douglas), vindo de uma das muitas regiões conquistadas por Roma, a Trácia (região aproximadamente entre a Bulgária e a Turquia). Como tantos outros companheiros de infortúnio, seus dotes físicos o tornaram um gladiador a serviço de Lentulus Batiatus (Peter Ustinov), obrigado a lutar pela vida na arena, para diversão da plebe e dos nobres de Roma. Ávido pela liberdade, Spartacus será o líder (ou um dos líderes, segundo alguns historiadores) da revolta contra seus opressores. Excelentes táticas nos campos de batalha o levaram a inúmeras vitórias, mas diferenças de opinião com alguns de seus comandantes sobre os rumos da revolta puseram todos os ganhos em risco. Para sua sorte, os próprios romanos, envoltos em diversos conflitos dentro das fronteiras de seus domínios, não dispunham de homens preparados e suficientes para combatê-los. Joguete na luta do poder em Roma, Spartacus vitorioso interessava ao grupo de Julio César (John Gavin) e de Graco (Charles Laughton), que se opunham ao general Marco Crasso (Laurence Olivier). É então que este último seleciona seus melhores homens para o confronto final com o escravo revoltoso. Poderá ser a última chance de Spartacus estar ao lado de sua amada Varinia (Jean Simmons) e de lutar ao lado de seu fiel companheiro Antonino (Tony Curtis).

Avaliação: Assim como Exodus, mais um filme excepcional, um dos melhores que vi até hoje. Com excelente roteiro de Dalton Trumbo, vilões realmente bem caracterizados e que conseguem provocar repulsa à escravidão imposta por Roma, reforçada por um Kirk Douglas que nos cativa para sua luta em busca do direito de ser livre.

Aprendi com meu pai que há duas coisas para as quais o ser humano somente dá valor quando as perde: a saúde e a liberdade. Este filme mostra o desejo pela liberdade que todo ser humano carrega, mas do qual normalmente nem se dá conta.

Camille Claudel (Camille Claudel)

Camille Claudel (Camille Claudel), drama romântico biográfico de Bruno Nuytten.

Enredo: Camille Claudel (Isabelle Adjani) veio de uma abastada família francesa. Foi autorizada pelo pai (Alain Cuny) – depois até incentivada – a prosseguir com seus estudos e carreira de escultora. Assim, tornou-se aluna do famoso Auguste Rodin (Gérard Depardieu), contra a vontade da mãe moralista (Madeleine Robinson) e com o apoio do irmão, o escritor Paul (Laurent Grévill). Ávida pelo aval do mestre, a quem idolatrava, Camille não soube separar os estudos da paixão. Mas Rodin era casado e já possuía diversas amantes, dentre elas, a ciumenta Rose Beuret (Danièle Lebrun) que o acompanhara em momentos difíceis da carreira. Camille exigia cada vez mais exclusividade de Rodin, que, mesmo apaixonado, impôs seus limites. Os ciúmes de Camille e a exposição do seu romance a deixaram em péssima situação com a família, a sociedade e consigo mesma – ficava cada vez mais difícil distinguir imaginação da realidade, e ela passou a ter certeza de que Rodin pretendia apenas aproveitar-se do talento e prestígio dela (parece que efetivamente ele o fez, mas, pelo que mostra o filme, sempre reconhecendo e expondo o talento de Camille). No fim de sua carreira, ela pôde contar apenas com o incentivo de Eugène Blot (Philippe Clévenot), que ainda tentou organizar exposições para melhorar a autoestima e as finanças de Camille – e com o sempre carinhoso irmão Paul. Mas esta dedicação de ambos não a impediu de acabar a vida num hospital psiquiátrico, onde passou seus últimos 30 anos.

Avaliação: Filme meio longo, eu o evitara no cinema, achando que seria arrastado. Mas não é. Recomendação da Sarah, que o vira em DVD e apreciara muito. Realmente bom, ainda mais porque trata da vida de uma artista genial que teve um triste fim, e de quem não se ouve falar tanto, já que viveu à sombra de Rodin – aparentemente mais por culpa dela mesma…

O Homem Elefante (The Elephant Man)

O Homem Elefante (The Elephant Man), drama biográfico de David Lynch.

Enredo: John Merrick (John Hurt) nasceu com deformidades no rosto e corpo causadas por uma doença congênita. As crendices da época em que viveu (segunda metade do século XIX) davam como causa da doença o susto causado por um elefante em sua mãe grávida(!) – daí o apelido de Homem-Elefante. Sem conseguir emprego, Merrick passou a maior parte de sua vida explorado como atração de circo, até ser descoberto com péssima saúde e ser abrigado no London Hospital por um bondoso médico, Frederick Treves (Anthony Hopkins), que teve que vencer resistências por parte do corpo médico, que não queria acolher permanentemente “esta deformidade” sem cura. Mesmo neste abrigo onde estava destinado a passar o resto dos seus dias, Merrick continuou a ser perseguido pelo seu antigo “dono” (Freddie Jones), que o quer de volta ao circo. Apesar de sua origem humilde e das inúmeras dificuldades enfrentadas até chegar ao hospital (um verdadeiro refúgio), Merrick era um homem sensível e de muita cultura, o que atraiu a atenção e respeito da alta sociedade e do mundo artístico inglês. Um personagem fascinante!

Avaliação: Um filme “normal” demais para os padrões de David Lynch, este é um dos melhores dramas que já vi (e revi). Mexe com o coração, é imperdível. Clássico de 1980 tem um Anthony Hopkins (ainda bem jovem) cativante como o médico de alma boa e dedicado. Os “maus” e os “bons” realmente convencem em seus papéis. Filmaço, que apresentei à Sarah, que, claro, também adorou.

Obs.:     1) A Wikipédia diz que o verdadeiro nome de Merrick era Joseph, não John, o que teria sido falha da narrativa de Sir Frederick Treves.

    2) A deformidade de Merrick era um tumor benigno, mas que impedia que ele dormisse deitado como qualquer ser humano, sob pena de morrer sufocado.

Capote (Capote)

Capote (Capote), drama histórico e biográfico com toques de suspense criminal de Bennet Miller.

Enredo: Em 1959, após um assalto que não rendeu fruto algum, uma dupla (Clifton Collins Jr. e Mark Pellegrino) chacinou uma família no Kansas, EUA. O escritor Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) e sua parceira Nelle Harper Lee (Catherine Keener) foram ao local escrever um artigo sobre o caso para a revista New Yorker. Mas, em vez do artigo, Capote viu a chance de escrever o “livro de sua vida” – e assim foi. Ao longo de vários anos, Capote conseguiu extrair de Perry Smith (Clifton Collins Jr.) a dramática história de sua vida, mas nunca os detalhes do assassinato, o que não lhe permitia terminar o livro. . Enquanto a trama se desenrola, percebe-se que o assassino manipula Capote para, com a influência deste, conseguir advogados, adiamentos da sua sentença de morte e, quem sabe, a liberdade. Por outro lado, Capote também manipula o assassino (e esta manipulação mútua por vezes soava como um envolvimento mais profundo), para dele extrair a base para um texto cativante, que foi (para desgosto do assassino) chamado de “A Sangue Frio”.

Avaliação: Nunca vi cenas do verdadeiro Capote, mas pode-se dizer que Philip Seymour Hoffman está ótimo, carregado de maneirismos, trejeitos, com um jeito às vezes debochado, às vezes tão envolvido com o assassino que fica realmente triste com o seu destino – sem, no entanto, deixar de aproveitar esta proximidade para compor uma obra-prima.

Foi um filme que preferi não ver no cinema, apesar do Oscar de melhor ator para Hoffman, por crer que seria chato. Vi no cabo e gostei – mas realmente não foi grande perda no cinema. Minha mãe, a quem recomendei, também estava gostando, mas não conseguiu ver até o fim, dado o horário. Se passar na TV ou tiverem oportunidade de pegá-lo na locadora, pode ser uma opção.

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo, livro de Ali Kamel sobre atualidades, com narrativa histórica

Enredo: O jornalista Ali Kamel (diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo e colunista do jornal O Globo) é filho de um sírio muçulmano e uma baiana católica (ela, por sua vez, filha de um muçulmano e de uma católica) e é casado com uma judia… Assim, por formação familiar e profissão, está a par e bastante próximo dos assuntos relativos ao islamismo e terrorismo. Em relação ao livro, ele desejou “(…) ressaltar que as três religiões monoteístas têm mais pontos em comum do que antes o leitor imaginava” e mostrar que “nenhuma delas é base para o horror do terrorismo”. Inicia explicando as origens do Islamismo, sempre esclarecendo a terminologia atinente à religião (Islã, Mohammad, califas, sultões, imames, vizires, Sunna, hadith, fatwas, jihad, sunitas e xiitas, wahabitas…), detalha a versão do Islã para eventos do Antigo e Novo Testamentos, o fato de que Jesus não é considerado filho de Deus, mas sim um entre outros tantos Profetas que o precederam (sendo Maomé o último deles). Passa a explicar a expansão do Islã, o porquê da sua divisão em seitas, explicando que os ditos “fundamentalistas” não seguem os fundamentos do Islã, mas podem, sim, ser chamados de totalitaristas. Ali Kamel prossegue até chegar ao mundo atual (leia-se 2007), com os atentados às torres gêmeas e as conseqüentes invasões do Afeganistão e do Iraque. Quanto a esta última, ele, como ressalta, faz uma defesa que não poderia fazer em sua posição na Rede Globo – fornece as razões que levaram os americanos à invasão, mas procura manter a imparcialidade, através de farta documentação.

 

Links da Editora Nova Fronteira:

Matéria da VEJA – 22/08/2007 ou http://veja.abril.com.br/220807/p_126.shtml

Matéria do Estadão Online (19/08/07)

Matéria do Jornal ‘Valor Econômico’ – 31/08/2007

Matéria do jornal O Globo (25/08/2007)

 

Trechos do artigo de Mario Sabino, na Veja de 22/08/07, sobre o livro:

“…Jesus. No que se refere a este último, uma curiosidade – na visão dos muçulmanos, ele não é filho de Deus, e sim um profeta maior do que todos os outros. Tanto que, como relata Kamel, “o Islã não aceita a sua crucificação: tudo não teria passado de uma ilusão, já que Jesus teria subido aos céus em seu corpo físico. Seus algozes teriam sido iludidos, viram uma crucificação que nunca houve. Jesus, portanto, não morreu, mais um milagre que Deus concedeu a ele”. No final dos tempos, porém, acreditam os islamitas, Jesus voltará à Terra, para derrotar o Anticristo e governar o mundo por 45 anos. Em sua segunda vinda, ele se casará, gerará filhos e morrerá normalmente.

Afirma Kamel: “O certo é que Maomé, ao longo de sua vida, nunca escondeu que era um homem como outro qualquer e, dizem as tradições, gostava de lembrar aos fiéis o que dele dizia o Corão: Maomé não é mais do que um Mensageiro a quem outros precederam”.

Esse simples mensageiro deixou uma família dividida, que se digladiaria em torno da sucessão de Maomé e da qual o islamismo, por seu turno, herdaria as vertentes sunita e xiita. A diferença entre ambas, explicada em detalhes por Kamel, é basicamente a seguinte: para os sunitas, o profeta não indicou sucessor, a Revelação encontrou o seu termo com a morte de Maomé e só o que há a fazer é seguir a Suna, os mandamentos legados pelo profeta. Para os xiitas, Maomé foi sucedido por um primo, Ali, o primeiro imã (ou guia espiritual), e a Revelação ainda guarda aspectos ocultos, a ser desvendados por outros imãs. A palavra xiita vem do árabe shi’ at’Ali, cujo significado é “partidários de Ali”. Da dissensão entre sunitas e xiitas nasceria grande parte das animosidades que explodem no interior do Islã e também de dentro dele em relação ao exterior – cujo lado mais apavorante é o terrorismo.”

 

Avaliação: Excelente abordagem histórica, situando o leitor para que ele entenda os porquês da formação da religião islâmica, sua relação com o judaísmo e cristianismo e seu desenvolvimento até os dias atuais. Ali Kamel esclarece a terminologia utilizada na religião muçulmana, o porquê de não se poder denominar os terroristas de fundamentalistas e as razões e causas da guerra do Iraque… É apenas nesta parte, quando ele passa a mostrar a documentação que justificou as intervenções no Afeganistão e no Iraque, que o livro perde o pique. Até este momento, a leitura flui rápida e agradavelmente. Entendo a necessidade da documentação para que o autor prove os seus pontos de vista quanto às intervenções, mas ele poderia tê-la deixado num apêndice e feito um breve apanhado das razões.

É um livro que agradou a mim e também à minha mãe, outra leitora que cativei.

Frost/Nixon (Frost/Nixon)

Frost/Nixon (Frost/Nixon), drama com tons históricos e de suspense de Ron Howard. C

Enredo: Uma “barbada”? Nem tanto… Aquela entrevista se transformaria num embate entre dois gigantes.

1977. Três anos após a renúncia de Richard Nixon para evitar seu impeachment, ele preocupava-se apenas em deixar seu confortável rancho na Califórnia e voltar ao centro do poder, a costa leste dos EUA. David Frost (Michael Sheen), um apresentador de programas de auditório na Austrália, viu na entrevista a chance de dar um grande salto em sua carreira. O entrevistado? O hábil manipulador Richard Nixon. Bastaria fazer o jogo de perguntas e respostas correto e obter uma até então impensada confissão para que Frost e sua entrevista fizessem sucesso e seu investimento pudesse ser recompensado. Afinal, o agente literário e televisivo do ex-presidente, o esperto Swifty Lazar (Toby Jones) havia “esfolado” ao máximo o jornalista ao cobrar o cachê de 600 mil dólares pela almejada entrevista. Os patrocinadores de Frost minguavam e os três primeiros blocos de entrevista estavam muito fracos, para desespero dos assistentes de Frost, os politicamente engajados e profundos conhecedores do caso James Reston Jr. (Sam Rockwell) e Bob Zelnick (Oliver Platt). Afinal, Nixon e sua equipe, capitaneada pelo seu fiel “cão de guarda” Jack Brennan (Kevin Bacon), tomavam as rédeas da entrevista, mesmo quando Frost elaborava perguntas incomodas e constrangedoras. Eis que começa o quarto round (ôps, bloco), com perguntas sobre o escândalo de Watergate. E o aparentemente desligado Frost parece que vai conseguir virar o jogo…

Avaliação: Filmaço, a Sarah, minha mãe e eu adoramos. Michael Sheen e Langella estão ótimos, Sam Rockwell e Toby Jones também. Uma lição de história, com clima de suspense e toques cômicos de fina ironia (dados pelo Nixon de Langella, espezinhando a todo o momento seu adversário, pela frente e pelas costas, e mostrando-se ávido pelo dinheiro que obteria com a entrevista). Bem melhor que o “Quem Quer Ser Um Milionário?”, pena que não tenha levado nenhum Oscar… Deve sair de cartaz logo, logo, então, não percam!

Aproveitando, reproduzo o corretíssimo comentário da cinéfila Marjory: “Como o próprio ator que faz o Frost (Michael Sheen, de A Rainha) disse a David Letterman, quem lê a sinopse sobre o filme diz: ah, não vou assistir, não pode ser bom um filme sobre uma entrevista!! Pois o filme te deixa grudado na tela, louco pra saber o final… O roteiro é impecável, o dialogo e embate entre os dois é brilhante, e mesmo que não se saiba muito sobre os detalhes de Watergate, você fica lá, preso no embate entre esses dois homens, um com razão maior que outro para vencer a batalha, afinal os dois tinham muito a perder ou a ganhar e tudo dependia dessa entrevista. David Frost queria fazer carreira na America e estava praticamente falido, pois colocou todo seu dinheiro nesta entrevista (que ninguém queria bancar) para desmascarar Nixon. Nixon por sua vez queria provar ao povo Americano que era inocente e foi um bom presidente. Assistam, e me digam se não parece uma luta de boxe de dois monstros!  imperdível!”

O Gângster (American Gangster)

O Gângster (American Gangster), drama criminal de Ridley Scott.

Enredo: Final dos anos 60. Uma exceção em seu “ramo”, negro num negócio dominado por italianos, o gangster Bumpy Johnson foi assassinado. Seu domínio sobre a distribuição de drogas no Harlem passou ao seu motorista e guarda-costas, Frank Lucas (Denzel Washington). Pregando “honestidade e integridade” nos negócios, avesso a qualquer atitude que desperte atenção para si, Lucas é violento a ponto de deixar de lado a discrição e matar a sangue frio e em meio a uma multidão quem quer que o desafie. “Empresário” de sucesso, ele expande o negócio vendendo a “Blue Magic”, uma heroína com o dobro da pureza e metade do preço dos concorrentes. Seu truque? Trazer a droga diretamente das plantações de ópio da Tailândia, escondida em caixões com corpos de militares trazidos do Vietnã. O sucesso é tanto que ele traz para junto de si os irmãos – para abrirem “fachadas filiais” – e a mãe (Ruby Dee), que vai morar em sua mansão. E associa-se a Dominic (Armand Assante), que tem os canais certos para expandir a distribuição. Com tanto sucesso, é impossível manter-se invisível e Lucas atrai a cobiça de um violento e corrupto grupo de policiais de Nova Iorque, liderados pelo detetive Trupo (Josh Brolin) e do incorruptível investigador Richie Roberts (Russel Crowe). Roberts também é uma exceção em seu meio. Ele quer se tornar advogado e, dada sua honestidade e correção, chega a ser ridicularizado pelos colegas (afinal, apreendera e entregara à Polícia um milhão de dólares em notas não marcadas…). Esta integridade rendeu-lhe o comando da recém criada força-tarefa antidrogas. Sua idéia é pegar os chefões, não a gentalha miúda que fica nas ruas. Aos poucos, e para seu espanto, ele descobre que é Frank Lucas quem ele procura, e não a máfia italiana. Mas Lucas dificilmente comete deslizes e Roberts tem que “comer pelas bordas”, capturando quem trabalha com o gângster – e, ao mesmo tempo, evitar o pessoal do corrupto Trupo.

Avaliação: Perdi este bom filme no cinema. São mais de duas horas e meia, mas fiquei preso à TV – a mesma sensação que teve minha mãe. O estilo do gângster é realmente diferente do retratado nos filmes sobre o assunto. Ele procurava não ser espalhafatoso, o que não impediu o diligente Roberts de descobrir seu papel na cadeia do tráfico. Aliás, o diálogo entre os dois, ao final do filme, é ótimo, a melhor parte. E saber do destino dos personagens também (é, é um caso real…).

Alexandre (Alexander)

Alexandre (Alexander), drama épico e histórico de Oliver Stone.

Enredo: A vida e as conquistas de Alexandre, o Grande (Colin Farrell), sob o ponto de vista do velho Ptolomeu (Anthony Hopkins), um dos homens de Alexandre. O filme inicia com a morte de Alexandre (provavelmente por alguma doença contraída em suas campanhas militares) e volta ao passado, às violentas divergências entre os pais de Alexandre, o rei Felipe (Val Kilmer) e sua esposa Olímpia (Angelina Jolie), por causa da constante troca de esposas de Felipe e do status inferior destinado a Olímpia e seu filho Alexandre. Mas este aos poucos conquista o respeito de seu pai. Quando Alexandre, ainda criança, consegue domar o selvagem e temido cavalo Bucéfalo (que viria a ser seu companheiro fiel de batalhas), acaba por ser ungido seu herdeiro. Para consolidar seu poder, Alexandre teve que eliminar contraparentes – e suas decisões iniciais parecem ter sido muito influenciadas por sua mãe. O filme foca a conquista das cidades-estado gregas por Felipe e depois passa a maior parte das suas três horas de duração mostrando a conquista da Pérsia e o ataque à misteriosa Índia, as intrigas contra Alexandre remanescentes da época de Felipe e as novas, provocadas por insatisfações quanto ao rumo das campanhas e diversos outros motivos – que, aliás, pareciam não faltar para gerar traições. O filme acaba com a briga pela escolha do herdeiro do imperador.

Avaliação: O trailer impressionou-me (principalmente a bem escolhida cena onde Alexandre e Bucéfalo enfrentam um elefante na Índia) e achei que veria grandes feitos militares. Mas desisti de vê-lo no cinema, porque o fato de serem 3 horas de duração e as críticas contundentes contra o filme me desencorajaram. Acabei vendo na TV, e fiz bem. Não cativa, não impressiona. Mas foi instrutivo, pois me instigou a ler mais sobre o imperador macedônio e, pelo que andei lendo, vários dos detalhes mostrados são realmente condizentes com os que os antigos textos remanescentes da época nos mostram.

Marley & Eu

Marley & Eu, livro dramático, cômico e com fundo autobiográfico de John Grogan. C

O filme é ótimo – para todas as idades – e o livro, mais ainda, porque o humor e as “sacadas” irônicas e descrição de situações hilárias a que o estabanado labrador Marley submete o autor e sua família não estavam com toda sua força no filme; claro, o autor teve mais espaço no livro que no filme, e, por isto, conseguimos ler mais descrições dos locais onde morou e das peripécias do atrapalhado super-herói canino. E, também, para quem já sofreu por um bicho, é tocante demais. Parabéns ao autor e ao elenco que temperam os eventos do livro!

Mar de Fogo (Hidalgo)

Mar de Fogo (Hidalgo), aventura e romance dramático de Joe Johnston. C

Enredo: Com o final da guerra civil americana, o batedor do exército Frank T. Hopkins (Viggo Mortensen), um cavaleiro hábil e de bom coração, vai trabalhar com Buffalo Bill Cody. Mas deixa a trupe de Bill para aceitar um desafio: participar com seu cavalo mustangue Hidalgo de uma corrida nos desertos do Oriente Médio, na corrida “mar de fogo”, onde estrangeiros e cavalos que não fossem os puros-sangues árabes não entravam até então. Um páreo muito difícil, mas as dificuldades não serão só as de Hidalgo, desacostumado com as condições do local; Hopkins terá que enfrentar tempestades de areia, a falta de água, traições, uma concorrente desleal que o admira (Louise Lombard), rivalidades entre tribos do deserto, o seqüestro de uma princesa e outros “pequenos” contratempos. Como ingredientes, um revólver tão rápido como o de Wyatt Earp, um livro com os segredos da melhor linhagem de cavalos árabes, uma bela princesa aguerrida (Zuleikha Robinson) o pai (Omar Shariff) que quer entregá-la a um sheik covarde e traiçoeiro e (ufa!) mais uns tantos príncipes traiçoeiros.

Avaliação: Quando passou no cinema, o tema não me interessou. Acabei vendo na TV – ainda bem. E depois, revi com a Sarah. Baseado em fatos históricos (o que eu nem imaginava), este filme prende a atenção, empolga mesmo, tem romance e aventura; agradou-nos bastante e certamente pode agradar a todas as idades. Um belo filme sobre a amizade e sobre o amor do homem pelo animal – e vice-versa.

Elisabeth, a Era de Ouro (Elizabeth, The Golden Age)

Elisabeth, a Era de Ouro (Elizabeth, The Golden Age), drama histórico e biográfico de Shekar Khapur.

Enredo: Este filme, continuação de Elisabeth, ainda tem como personagens centrais a rainha inglesa Elisabeth (Cate Blanchett) e seu conselheiro Sir Francis Walsingham (Geoffrey Rush) e o drama pessoal da “rainha virgem”: dedicada ao reino, não se casou ou teve filhos; mas seu coração pendeu para o lado de Sir Walter Raleigh (Clive Owen), num amor nunca consumado. Enfoca ainda um grande drama político: a rivalidade com Mary Stuart (Samantha Morton), sua prima, rainha da Escócia e sua rival pelo trono na Inglaterra. Além de rival política, Mary era católica, e Elisabeth tinha herdado do pai (Henrique VIII) a religião anglicana, que ele fundara quando Roma não quis conceder-lhe o divórcio. Dois ramos cristãos irreconciliáveis à época. Com a descoberta de um complô para assassinar Elisabeth, maquinação do rei Felipe da Espanha (Jordi Mollà), a acusação de traição recai sobre Mary. O resto é bem conhecido: Mary perdeu a cabeça (literalmente) e o rei Felipe, católico fervoroso, consegue armar a trama ideal para invadir a Inglaterra e entronizar a rainha infanta (Aimée King). Para sorte dos ingleses, Sir Walter Raleigh e Sir Francis Drake habilmente conseguiram destruir a “invencível armada” espanhola. A Inglaterra teve anos de paz e prosperidade e Felipe, com seus sonhos de conquista, destruiu as finanças da Espanha.

Avaliação: O primeiro filme “Elisabeth” foi mais arrastado, o que me fez desistir de ver este no cinema. Ainda bem que o vi em DVD (mas a Sarah não…). Esta continuação ainda é meio escura, mas tem mais ação, além de servir como uma lição de história. O filme mostra curiosidades interessantes. Por exemplo, as criadas da rainha só poderiam casar e ter filhos com a sua permissão.

A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro (My Stroke of Insight: A Brain Scientist’s Personal Journey)

A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro (My Stroke of Insight: A Brain Scientist’s Personal Journey), livro científico e drama autobiográfico de Jill Bolte Taylor
C

A neurocientista Ph. D. Jill Bolte Taylor teve o privilégio de se recuperar totalmente de um derrame hemorrágico ocorrido no lado esquerdo do cérebro, causado por uma má formação congênita. A ciência – e os leitores – tem o privilégio de descobrir passo a passo sua experiência e o que ocorreu com seu cérebro enquanto o sangue o inundava. Sua recuperação total durou oito anos, durante os quais teve que reaprender a contar (ela nem sabia mais o que era “1″, quanto mais “1+1″), conversar (quando ela falava, achava que era compreendida, mas, na verdade, as sentenças somente eram bem construídas no interior do seu cérebro, mas não pelo mecanismo de fala) e dirigir. Os danos ao lado racional do cérebro fizeram com que o lado direito, mais emocional, tivesse um destaque – e este destaque, somado às sensações boas (!) que teve durante o derrame, fizeram-na passar a enxergar o mundo de outra forma. Além de suas narrativas sobre os eventos pelos quais passou e da ajuda que recebeu (sua mãe foi quem mais soube lidar com a situação), ela nos dá conselhos imprescindíveis (que estão espalhados pelo livro, mas também condensados numa seção mais ao final) sobre como tratar e efetivamente ajudar uma pessoa com derrame – tanto reconhecendo os possíveis sinais para pedir socorro urgente, como na recuperação do paciente.

Excetuados alguns pontos mais subjetivos (e complicados, para uma pessoa cujo hemisfério esquerdo parece prevalecer, como meu caso), onde a autora procura nos ensinar a enxergar a vida de outro modo, baseada em sua experiência, o livro fluiu de maneira muito tranqüila, rápida e ainda forneceu uma leitura muito instrutiva.

Além de fazer uma interessante narrativa – quase como um suspense – do progresso dos danos durante o derrame (seu conhecimento de neurocientista permitia-lhe perceber que regiões iam sendo afetadas) e de como – novamente na forma de suspense – pôde finalmente ser socorrida (estava sozinha), ela reserva um dos capítulos finais para uma aula sobre o comportamento das regiões do cérebro (quem não for ligado neste assunto pode simplesmente pular o capítulo).

Links de interesse:
http://veja.abril.com.br/031208/entrevista.shtml e http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDR85316-8489,00.html

Patch Adams – O Amor é Contagioso (Patch Adams)

Patch Adams – O Amor é Contagioso (Patch Adams), drama biográfico com toques cômicos de Tom Shadyac. C

Enredo: Hunter “Patch (o fime explica o porquê do apelido)” Adams (Williams) tentou o suicídio e está numa clínica psiquiátrica; mas este local não tem nada a ver com ele. Ele resolve ser médico, para ajudar as pessoas, assim como fizera com seus colegas “loucos” da clínica. Mas ele foge aos padrões; é debochado e contra a rígida disciplina da relação médico-paciente que lhe é ensinada. E tem que enfrentar o reitor (Bob Gunton) e alguns colegas inicialmente muito reticentes (Monica Potter e Philip Seymour-Hoffman).

Avaliação: Reparem na cena do congresso dos ginecologistas, na borboleta (não precisam entender, apenas lembrem-se da lagarta e da borboleta). É uma história real, transformada numa obra-prima, que mereceria ter concorrido aos Oscar de ator e filme, no mínimo. IMPERDÍVEL (vacilamos muito, mas acho que nosso amigo Marcelo recomendou – ainda bem que fomos ver). Com Peter Coyote (num pequeno, mas significativo papel de doente terminal).

Lucie Aubrac (Lucie Aubrac)

Lucie Aubrac (Lucie Aubrac), drama biográfico de guerra com toques de suspense de Claude Berry, com a linda Carole Bouquet e Daniel Auteuil. C

Enredo: História real da esposa de um resistente judeu na França ocupada, que vai até o fim para salvá-lo da Gestapo; mostra um pouco do carrasco Klaus Barbie (posteriormente preso) e do “herói-ou-traidor?” Jean Moulin.

Avaliação: Ótima dica do amigo Nelsinho, e ainda com clima de suspense.

A Trégua (The Truce)

A Trégua (The Truce), drama de Francesco Rosi, baseado na biografia de Primo Levi, com John Turturro. C

Enredo: Mostra a trajetória de alguns dos italianos, judeus ou não, de Auschwitz  para casa, ao final da guerra; personagens estranhos que vão aparecendo, como os poloneses evitavam se lembrar de que os judeus sofreram na Polônia, durante a guerra, o absurdo dos caminhos que os refugiados tiveram que fazer para chegar ao seu destino.

Avaliação: IMPERDÍVEL. Pena que tenha passado em apenas uma sala.

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides), drama de época de Sofia Coppola (filha do próprio F. F. Coppola), com Kirsten Durst, Kathleen Turner e James Woods; com pontas de Danny de Vito (o psiquiatra), Michael Paré (a versão adulta de um dos jovens amigos delas) e Scott Glenn (o padre).

Enredo: A caçula de cinco filhas, lindas e desejadas pelos colegas, porém reprimidas ao extremo por uma mãe extremamente religiosa, com um marido passivo, tenta o suicídio. E isto é só o começo. O que vai ocorrendo é narrado por um dos colegas delas, já adulto.

Avaliação: Não se explicam os porquês da tragédia no filme, talvez pela repressão da mãe, mas, seja lá o que for, é uma idéia interessante, baseada um pouco em algo que ocorreu na época, mas não se pode dizer que mereça tantos elogios da crítica (talvez só para a diretora). A Sarah nem gostou, eu achei médio (à medida que o tempo passava, após sair do filme, gostei cada vez menos).

Música do Coração (Music from the Heart)

Música do Coração (Music from the Heart), drama biográfico do diretor de suspenses de terror Wes “Freddy Krueger”/”Pânico” Craven. Com Meryl Streep (candidata ao Oscar pela atuação), Angela Basset, Cloris Leachman, Aidan Quinn, Gloria Stefan e com Isaac Stern, Itzhak Perlman e outros importantes concertistas no elenco (creio que eram todos os próprios, não atores). C

Enredo: Drama baseado na vida de Roberta Guaspari (Meryl Streep), uma violinista que não seguiu a carreira para acompanhar o marido, da Marinha americana, em suas constantes transferências. Abandonada por ele e tendo que cuidar de dois meninos pequenos, ela é incentivada pela mãe (Leachman, uma atriz que sempre fez papel de feia, mas que, à medida em que envelhece, fica mais distinta) a “tomar” o melhor remédio contra o baque: procurar emprego. Com a ajuda de um amigo de colégio que há tempos não via (Quinn) e dos dois talentosos filhos violinistas, arruma um emprego de professora substituta de música (violino) numa escola no East Harlem. Dona de dezenas de violinos, um pouco chata e exigente demais, terá que lutar contra o titular, que não a quer por lá, contra a descrença inicial da diretora do colégio no futuro deste curso, contra a mãe (que não crê que o relacionamento com Quinn e a mudança para o Harlem sejam boa coisa) contra a falta de recursos, contra pais que não acham importante que seus filhos aprendam violino e contra alunos rebeldes. Além disto, o relacionamento com seu velho colega não lhe oferece a estabilidade que procura. Mesmo com todos estes percalços, seu curso vai sobrevivendo e atraindo cada vez mais alunos, até que … Deu pra convencer?

Avaliação: É uma obra-prima, envolvente, IMPERDÍVEL, com ótimas atuações. Perdemos no cinema, pois ficou pouco tempo em cartaz, mas ainda bem que conseguimos o vídeo. Não daria para passar sem este filme.

Erin Brockovich, Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich)

Erin Brockovich, Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich), drama de Steven “Sexo, mentiras e Vídeotape” Soderbergh, com Julia Roberts, Albert Finney e Aaron Eckhart e Peter Coyote.

Enredo: É um caso real, acontecido no início da década. Erin (Roberts), uma ex-miss Wichita largada por dois maridos, com três filhos pequenos, bate o carro após sair de (mais) uma entrevista de emprego mal sucedida. A razão estava com ela, mas uma causa fácil é perdida pois ela é desbocada, veste-se como uma … E, além disto, colidiu seu carro com o de um respeitável médico. Desesperada por um emprego, ela convence à força o seu advogado (Finney) a contratá-la como arquivista. Ela não possui habilidade nenhuma para nada, mas percebe uma coincidência estranha ao arquivar documentos de um caso de venda de imóveis para a Pacific Gas and Electricity: ela nota que todas as pessoas de uma cidadezinha estão ficando com as mais diversas doenças e, pesquisando, descobre que o cromo que estão usando na água para que os canos não enferrujem é do tipo que provoca câncer; convencendo seu patrão de que aí há uma causa boa, ela começa a cativar e convencer todos os habitantes a processar a cia. Mas terá que enfrentar um inimigo poderoso e não é fácil convencer seu chefe de que tudo que ela faz funciona. Enquanto isto, ela vai se enterrando na causa e pode perder o namorado (Eckhart) que ama e que cuida muito bem de seus filhos.

Avaliação: No início, não quisemos ver, o trailer já não convenceu, mas lemos ótimas referências e mudamos de idéia (e elogiaram demais a Julia Roberts). E, com a opinião extremamente favorável da nossa amiga Marjory Abuleac, resolvemos ir. Muito bom, imperdível, ainda mais pela atuação de Julia Roberts, como a desbocada e sedutora Erin. O filme Relançou Soderbergh no circuito de sucessos.

Meninos não Choram (Boys Don’t Cry)

Meninos não Choram (Boys Don’t Cry), drama de Kimberly Peirce, com Hilary Swank (Oscar e Globo de Ouro, cunhada do ator Rob Lowe; agradeceu a todos mas esqueceu-se do marido, na entrega do Oscar), Chloë Sevigny e Peter Sarsgaard.

Enredo: Teena Brandon (Swank) tem um desvio de personalidade que a faz querer se parecer e se comportar como homem. Aperta os seios com uma cinta, usa uma “prótese” masculina e meias como enchimento, corta os cabelos e adota o nome de Brandon Teena; engana a todos, conquista mulheres, mas deixa um rastro de pequenos golpes, roubos e furtos por onde passa. A polícia a quer, mas, em toda pequena comunidade aonde chega, cativa todos, conquistando novos romances. Em algum momento, a mentira ficará insustentável. Baseado num caso ocorrido em 1993, o filme mostra como ela se envolve com uma das novas amigas numa paixão sincera, ao mesmo tempo em que sua situação fica cada vez mais arriscada.

Avaliação: Um pouco arrastado (a Sarah só gostou mesmo do desempenho arrasador de Swank), mas a história, ainda por se saber que é verdadeira, é perturbadora.

Joana D’Arc (Joan of Arc)

Joana D’Arc (Joan of Arc), drama biográfico de Luc Besson, com Milla Jovovich (esposa do diretor, de “O Quinto Elemento” e com uma voz meio esganiçada, que eu não sei se tem razão de ser ou se é falha dela mesmo) e pontas de John Malkovich (o maquiavélico delfim Charles), Faye Dunaway (a esperta e maquiavélica sogra do delfim), Dustin Hoffman (a “consciência” de Joana) e Tcheki Karyo (o comandante francês).

Avaliação: Um bom passatempo, apesar de um pouco longo demais (cerca de 150 min). Eu achei que dava para cortar uns 30-60 min, principalmente do fim. Tem uns lances mais cômicos, quando os chefes militares mais importantes estão atuando (bons atores). De resto, é um filme sério e, do pouco que conhecia da história dela, parece ser fiel ao que aconteceu. Vale a visita.

Anna e o Rei (Anna and the King)

Anna e o Rei (Anna and the King), drama biográfico e romântico de Andy Tennant, refilmagem do filme com Rex Harrison (ou Yul Brinner, na série da TV) e Deborah Kerr, que deu origem ao antigo seriado com Yul Brinner.

Enredo: Jodie Foster é uma professora inglesa viúva (a Anna do título) que vai ao Sião (Tailândia), a pedido do rei (Chow Yun-Fat), para ensinar inglês e hábitos ocidentais aos seus 58 filhos e a algumas de suas concubinas e esposas, para que o Sião entre “na modernidade”. Prensado entre colônias inglesas (Birmânia) e francesas (Indochina), o país terá que lidar com mercadores sem escrúpulos, uma possível guerra com a Birmânia, colônia inglesa, e com inimigos internos.

Avaliação: Uma história interessante, baseada nas lembranças da professora e bem contada sobre o conflito de culturas e uma professora desafiadora e um rei com jeito de arrogante e tirânico (como no episódio do monge budista e da concubina do rei), mas “boa gente”, no fundo. E, é claro, com uma boa estória romântica. Ótimos figurinos e ótimas atuações, principalmente de Chow Yun-Fat, além da sempre ótima Jodie Foster. Boa pedida.

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia)

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia), épico biográfico de David “Dr. Jivago” e “A Ponte do Rio Kwai” Lean, com Peter “O último Imperador” O’ Toole, Omar “Dr. Jivago” Shariff, Anthony “Zorba” Quinn, Alec “A Ponte do Rio Kwai” Guinness e Anthony Quayle.

Enredo: A saga do militar inglês T. E. Lawrence (O’Toole), que liderou os árabes na sua luta contra os turcos, a partir da luta dos ingleses contra o Império Otomano e os alemães, na I Guerra.

Avaliação: Filmaço, ótima dica, cenário e atuações magníficos, compensam (e como!) a longa duração do filme.

Homens de Honra (Men of Honor)

Homens de Honra (Men of Honor), drama biográfico de George Tillman Jr., com Robert de Niro, Cuba Gooding Jr. e Charlize “Regras da Vida” Theron. C

Enredo: Um daqueles filmes que te faz se sentir envergonhado por reclamar da vida e não ter força de vontade suficiente para obter as coisas que a gente quer. É baseado na vida de Carl Brashear.

Na década de 40, um negro, Carl Brashear, filho de um agricultor que se esforça muito para não perder suas terras, é convencido pelo pai a não levar a mesma vida que ele. Resolve, então, tornar-se mergulhador da marinha, uma função perigosa (era a época dos escafandros pesadões). Mas tem que começar por baixo, já que, apesar de a discriminação ter sido banida da Marinha em 1948, ela persiste (p. ex, negros devem saltar na água em dias diferentes dos brancos) e negros dificilmente passam da cozinha, nunca chegando a mergulhadores. Mas, persistente e ótimo nadador, Carl consegue convencer seu superior a recomendá-lo para o curso. Lá, ele reencontra o comandante indisciplinado Sunday (de Niro), um dos melhores mergulhadores do país, mas sempre bêbado e metido em encrencas e, como os colegas de Carl, um racista que quer tirá-lo do curso (ainda mais por pressão do chefe da academia, um “gagá” mais racista ainda). Apesar dos obstáculos que são criados e de seus méritos não serem reconhecidos (p. ex, o episódio da medalha pelo salvamento), Carl vai em frente. Mas obstáculos maiores virão, pondo em risco sua carreira e seu casamento.

Avaliação: Dois ótimos desempenhos, num excelente filme; imperdível. Finalmente algo excepcional, após uma “safra” de porcarias (ou quase que só isto).

Moloch, A Vida Íntima de Hitler e Eva Braun (Moloch)

Moloch, A Vida Íntima de Hitler e Eva Braun (Moloch), trechos biográficos(?) de Aleksandr Sokurov. D

Enredo: Um filme franco/russo/alemão que mostra um fim de semana num castelo alemão, com Hitler, a amante (que o amava, mas tinha espírito forte e chegava a ser agressiva com ele, de acordo com o filme), o puxa-saco grosso e ignorante Martin Bormann e o cínico puxa-saco Joseph Goebbels com a esposa, além de alguns coadjuvantes. O filme mostra como uns gozavam dos outros na primeira oportunidade, como as mulheres riam dos seus homens nas costas (e, no caso de Eva Braun, pela frente também).

Avaliação: É muito entediante. Se Hitler não tivesse se suicidado para não ser capturado, teria feito o mesmo por causa destes fins de semana enjoados.

Stalin

Stalin, telefilme biográfico de Ivan Passer, com Robert Duvall (excelente) e Julia Ormond, com 162min. C

Enredo: O filme aborda mais o período de 1917 a 1938 e, mais rapidamente, o período de 1938-1953. Então, o que se vê, é principalmente o período de consolidação do poder pelos comunistas, a subida de Stalin (da Geórgia) ao poder, em 1924 – com apoio de Kamenev e Zhinoviev contra Trotski – e os expurgos de Stalin (onde o filme mais se concentra). Aparecem as tramóias que este assassino louco (pior que Hitler, já que conseguiu efeitos mais devastadores, por ter ficado mais tempo no poder) fazia para indispor um possível rival contra o outro, para mantê-los sob vigilância uns dos outros e para matar estes rivais e “queimá-los” perante os companheiros, fazendo com que parecesse que tivessem planejando matar Stalin ou outros membros do partido.

- os últimos dias de Lênin (interpretado pelo premiado Maximilian Schell), após seu derrame, e as tramóias de Stalin para afastar os rivais, a contragosto de Lênin, cada vez mais impotente contra aquele (nem seus últimos desejos, de ver Trotski em seu lugar, não foram respeitados).

- o rival Trotski colocado à força no trem que o levaria ao exílio (o filme só não mostra seu assassinato a mando de Stalin, no México, em 1940), após a morte de Lênin.

- revoltante: algumas dezenas de MILHÕES de soviéticos morrendo de fome devido à industrialização forçada da década de 30 e preços irreais impostos pelo governo aos produtos agrícolas (sob pena de tomada à força da produção) ou pelos assassinados nos expurgos freqüentes

- o suicídio de Nadia, a 2ª esposa de Stalin, revoltada pela insensibilidade à miséria do povo na Grande Fome (e com a crueldade de Stalin com a família e amigos).

- a tentativa malsucedida (o que Stalin encarou como vergonhoso) de suicídio o filho do primeiro casamento de Stalin, por ser impedido por este de namorar uma judia.

- Kirov, o líder amado pelo povo de Leningrado, morto por um enviado de Stalin (que ameaçara a família do tal enviado), por poder ser uma sombra para o ditador.

- os judeus Kamenev e Zhinoviev, que ajudaram Stalin a subir ao poder, formando com ele um triunvirato inicial, mortos pelo temido chefe da polícia Lavrenti Beria, a “sombra” de Stalin; com suas famílias ameaçadas e com a promessa de que seriam poupados se confessassem o assassinato de Kirov, fizeram-no e, claro, foram traídos (a cena da descoberta de que seriam fuzilados e a palavra de Stalin desrespeitada, é impressionante).

- Sergo, o amigo de Stalin dos tempos da Geórgia, revoltado com os rumos da revolução, obrigado a suicidar-se (pois matar Stalin poderia abrir um perigoso vazio no poder, bem na época da ameaça nazista).

- Nikolai Bukharin, acusado de cúmplice no assassinato de Kirov, juntamente a esposa e filho (qualquer criança de 10 anos podia ser acusada e morta nestas tramas políticas) e com o chefe de polícia Yagoda (que, ironicamente, montara tal assassinato sob ordens de Stalin – creio que Stalin envolveu-o no assassinato para se livrar de mais um potencial rival). As cenas desta seqüência, mostrando a altivez e a última carta de Bukharin a Stalin, também são impressionantes.

- Stalin eliminou muitos médicos, principalmente judeus, alegadamente por estarem tentando matá-lo (não aparece no filme); logo antes da 2ª Guerra, eliminou a maior parte dos seus generais, pelo mesmo motivo. O filme mostra-o sendo duramente criticado por isto, a única crítica que acata no filme (e até chora por isto), provavelmente porque a URSS estava em dificuldades no início da invasão alemã (1941). Ele acabaria revertendo a situação e isto foi o início do fim do “império de 1.000 anos” nazista.

Aparecem também o louco chefe da temida polícia secreta, o também georgiano Lavrenti Beria, estuprador de mocinhas que escolhia na rua (sob pena de fazer mal às famílias delas), puxa-saco de Stalin, mas que cospe no leito de morte deste (a cena é engraçada, ele faz isto e volta atrás quando percebe que Stalin ainda não morreu); o líder do PC em Moscou, Nikita Kruschev, que se deixava fazer de bobo nos jantares com Stalin, mas que o sucedeu e revelou seus crimes ao mundo. Basta para mostrar que figura bestial foi Stalin?

Avaliação: É uma aula de história impressionante, longo, mas vale a pena. O filme é narrado pela filha Svetlana, que escreveu um livro excelente e aparentemente imparcial, revelando como foi sua vida com o ditador sanguinário (chama-se “Cartas a um Amigo” e eu o tenho). Sugiro que peguem (ou posso emprestar, pois vale a pena).

Iris (Iris)

Iris (Iris), drama biográfico dirigido por Richard Eyre, com Judi “Shakespeare Apaixonado”/”James Bond” Dench, Jim “Moulin Rouge, Amor…”/”O Diário de Bridget Jones” Broadbent, Kate “Titanic”/”Almas Gêmeas” Winslet e Hugh “Notting Hill” Bonneville.

Enredo:
Jane Iris Murdoch (Dame Judi Dench), escritora irlandesa e professora em Oxford, nascida em 1919 e morta em 1999, foi famosa não só pelos seus textos, mas também por ter tido uma vida amorosa “caliente” em sua juventude, com diversos parceiros e sem compromissos, o que era considerado libertino nos não tão liberais anos 40-50. No final de sua vida, foi vítima do Mal de Alzheimer, o que lhe prejudicou muito em seu principal prazer, escrever. O filme mostra o desespero da percepção da perda que ela passou a sofrer e o apoio infalível de seu dedicado e apaixonado marido, o também professor de Oxford John Bayley (Jim Broadbent). O filme mostra também o início do romance dos dois (vividos por Kate Winslet e Hugh Bonneville): ela, apaixonada por alguém diferente de seus padrões (gostava de homens bem mais velhos) e ele, que, além de não ser atraente, tinha uma ligeira gagueira, teve nela sua primeira e tardia relação sexual e teve que aprender a conviver com o passado dela e com os amantes do presente. Mas eles se casaram e formaram um par perfeito, na bagunça de sua casa, nos mergulhos no rio e nos eventos universitários.

Avaliação:
Jim Broadbent parece um Hugh Bonneville envelhecido; cheguei a me questionar se seriam o mesmo ator, numa maquiagem excelente. Ambos estão muito bem e Broadbent mereceu o Oscar (pena que de coadjuvante…); Judi Dench e Kate Winslet também concorreram ao Oscar, estão muito bem. O começo do filme nos pareceu chato, mas a atuação do casal a partir do momento em que os sintomas de Iris pioram é demais! O problema é que nossas opiniões passaram a divergir: comecei a achar o filme ótimo e me envolvi, pois, apesar da falta de “recheio”, a monotonia é quebrada pela exibição do drama e da angústia que o Mal de Alzheimer causa ao casal e aos amigos e também pela demonstração do empenho de Bayley em ajudar a esposa. Contrariamente ao que eu esperava, a opinião feminina foi simples: muito chato!

O Pianista (Le Pianiste)

O Pianista (Le Pianiste), drama de Roman Polanski sobre a vida do pianista polonês Wladyslaw (Vladek) Szpilman, com Adrien Brody e Emilia Fox. C

Enredo: Durante os anos de 1939 e 1945, o pianista Wladyslaw Szpilman, um judeu de Varsóvia, foi preso pelos nazistas, quase enviado a um campo de concentração com a família, se refugiou em diversas casas com a ajuda de cristãos poloneses, quase foi capturado de novo, ficou escondido sem comida e água por muito tempo, arrumou outros abrigos, quase foi capturado de novo, … Enfim, que vida!

Avaliação: O filme é ótimo, mostra a vida do pianista polonês (e, por coincidência, Szpilman é justamente uma palavra derivada do alemão e que indica quem toca um instrumento). E não mostra só a epopéia de fugas, deslocamentos e quase capturas que ele sofreu; o filme mostra também os espancamentos e a humilhação dos judeus que se iniciaram com a tomada da Polônia pelos nazistas, a delimitação dos locais permitidos aos judeus, a proibição de eles freqüentarem locais públicos, a construção do gueto onde eles seriam confinados, a miséria e insalubridade do gueto de Varsóvia, os transportes dos seus habitantes aos campos de extermínio, as primeiras suspeitas de que isto estivesse acontecendo, o abandono dos judeus pela população local (bom, os locais poderiam ser fuzilados se pegos ajudando), a revolta dos últimos remanescentes do gueto (que acabou gerando o famoso Levante, que serviu de inspiração à resistência polonesa cristã contra os alemães). O filme tem algumas cenas fortes, como as dos fuzilamentos a troco de nada dos trabalhadores judeus do gueto – quando seu trabalho escravo deixava de ser interessante ou por motivos fúteis, como dirigir a palavra a seus carrascos do exército nazista. As lágrimas que se ouviam no cinema mostraram que não é um filme fácil.

Prenda-me Se For Capaz (Catch Me If You Can)

Prenda-me Se For Capaz (Catch Me If You Can), comédia policial baseada em fatos reais, de Steven Spielberg, com Leonardo DiCaprio, Tom Hanks e Christopher Walken. C

Enredo: 1965. Frank Abagnale (Walken), empresário de sucesso e membro eminente do Rotary Club está passando por dificuldades financeiras. Seus problemas com a Receita Federal fazem com que ele, a charmosa mulher e o filho que o admira tenham que se mudar para um apartamento pobre e com que Frank tenha que lutar ara conseguir um emprego. O pior acontece quando a mãe, que não suporta a situação, trai e resolve se separar do pai. Em vez de escolher com quem quer ficar, Frank Jr (DiCaprio) resolve fugir. Ele, que já usava seu charme (“herdado” do pai) e maneiras convincentes para se virar no colégio, passa a aplicá-lo em pequenos golpes, que, aliás, são a parte engraçada do filme; por exemplo, a noite que ele passa com a garota de programa, os momentos em que ele faz de bobo o agente do FBI Tom Hanks que o persegue, os artifícios que o agente usa para traçar o perfil do criminoso, tudo é muito legal, ainda mais por ser real. Abagnale foi co-piloto da aviação civil aos 17 anos, depois médico e advogado, além de noivo…

Avaliação: Adoramos, um ótimo passatempo; meus pais foram por recomendação nossa e adoraram. Quanto mais tempo o FBI demora para capturar o bandido (o que demorou três longo anos), mais truques você vai vendo. E o final da história da perseguição (os letreiros finais) é dez, foi de arrepiar. A Sarah já deve ter revisto o filme umas cinco vezes, índice só superado pelo “Olho por Olho”, com Sally Field.

Frida (Frida)

Frida (Frida), drama biográfico de Frida Kahlo, dirigido por Julie Taymor, produzido e estrelado por Salma Hayek, com Alfred Molina e pontas de Geoffrey Rush, Valeria Golino, Edward Norton, Antonio Banderas e Ashley Judd. C

Enredo: Frida Kahlo (Salma Hayek) era uma figura muito peculiar: seu pai era um judeu de origem alemã, sua mãe, uma católica fervorosa; a própria Frida não tinha vínculos com a religião, mas sim com a ideologia comunista. Independente, decidida e arrojada, ela começou a vida sexual sem ser casada e praticamente na adolescência (o que era algo arrojado, já que ela nasceu no começo do século XX). Ainda jovem, teve poliomielite e sofreu um acidente de ônibus que, acreditavam os médicos, a impossibilitaria de andar: fratura na coluna, pé esmagado, bacia perfurada… Seu tratamento custou a hipoteca da casa dos pais e ela, batalhadora e decidida, resolveu que, além de mostrar que poderia voltar a andar, faria de sua habilidade artística o ganha-pão para resolver a situação financeira da família. Para isto, procurou o seu ídolo, o pintor Diego Rivera, autor de murais de sucesso no México e no exterior. Admirado com o talento da nova pupila, ele a incentiva na arte e na política. Juntos, eles viveram a paixão, as brigas por ciúmes, o envolvimento com o comunismo e por vezes seu afastamento dele. O casamento dos dois foi repudiado pela mãe dela, já que ele era um conhecido mulherengo. Frida o aceitou, pois tinha idéias bem liberais, mas às vezes, ele passava até dos limites aceitáveis para ela. Por sua vez, ela também se deixava envolver em diversas aventuras amorosas, com homens e mulheres, rompendo com os padrões morais da época. O filme mostra a constante luta de Frida com as seqüelas do acidente, agravadas pelo fumo e pela bebida, e que ela conseguiu, além de se tornar uma artista mundialmente famosa, ser a única a realmente cativar o coração de Rivera. Mostra também detalhes interessantes, como a obra que Rivera fez para a família Rockefeller (cujo herdeiro é representado por Edward Norton), as brigas com esta família porque Rivera, um comunista, fez um moral anti-capitalista (justo para os Rockefeller…) e o envolvimento de Frida com Trotsky (Geoffrey Rush), que, fugindo da perseguição de Stalin, hospedou-se na casa do pai de Frida.

Avaliação: Excelente, bem melhor do que o trailer fazia supor, com excelentes interpretações de Salma Hayek e Alfred Molina. Uma batalhadora firme e decidida, Frida foi uma mulher arrojadíssima e uma pintora de talento, com obras meio “loucas” e interessantes. E o filme tem umas montagens muito bem feitas, onde os quadros de Frida adquirem vida e se tornam parte do enredo do filme. Adoramos.

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