Textos categorizados 'Criminal'

Risco Duplo (Double Jeopardy)

Risco Duplo (Double Jeopardy), suspense criminal de Bruce Beresford, 1999.C

Enredo: Libby (Ashley Judd) e Nick Parsons (Bruce Greenwood) formam um casal rico e feliz. Ou, pelo menos, é o que pensa Libby até se descobrir suja de sangue do marido, que sumiu no barco onde estavam e ser acusada de matá-lo para ficar com o dinheiro do seguro. Sem ter a quem recorrer, pede à amiga Angie (Annabeth Gish) que cuide do filho pequeno (Benjamin Weir). Presa, julgada e condenada, um acaso a leva a descobrir que seu marido pode estar vivo e que sua morte pode ter sido um golpe. Libby consegue a condicional e escapa do oficial responsável, Travis Lehman (Tommy Lee Jones, em mais um papel de policial “caxias”), um sujeito que está nesta função contra a vontade, por ter provocado um acidente ao dirigir bêbado. Mas é recapturada. Mesmo acreditando que ela possa estar contando a verdade a respeito do marido, Travis tem um dever a cumprir. Mas Libby não desiste e tenta nova fuga.

Avaliação: Vi com a Sarah a primeira vez e, como “Olho Por Olho” e “Prenda-me, Se For Capaz”, é um daqueles que a televisão volta e meia repete – e a Sarah volta e meia assiste. E com razão, pois é muito bom, muito esperto e prende bem. Eu mesmo já o revi uma ou duas vezes. Na primeira vez, achei meio clichê, mas é interessante ver como a heroína busca desvendar este imbróglio. Clichê ou não, o filme prende.

O “double jeopardy” do título em inglês refere-se a uma figura jurídica do direito americano e de outros (creio que seria a exceção da coisa julgada“), pela qual não se pode condenar uma pessoa duas vezes pelo mesmo crime (vejam a análise jurídica em http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9099, mas atenção, porque este link revela detalhes da trama). Tem lá suas forçadas, como a heroína ser condenada por um assassinato sem que haja corpo ou testemunhas, apenas sangue em suas mãos.

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A)

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A), drama policial de Sidney Lumet, 1990.

Enredo: O detetive Michael Brennan (Nick Nolte) é um policial violento, mas considerado exemplar. Sua situação complica-se quando ele embosca e mata um informante a sangue frio e alega legítima defesa. O caso vai para a Corregedoria e fica a cargo do novato Procurador-Assistente Aloysius Reily (Timothy Hutton), que leva a tarefa a ferro e fogo, mas encontra a resistência do corporativismo dos colegas de Brennan, bem como de seu superior, o poderoso Kevin Quinn (Patrick O’Neal). Os três vêm de famílias de origem irlandesa que se conheciam, mas isto não impede o agravamento dos atritos. A única chance de Reily é o testemunho de Bobby Texador (Armand Assante), mas Texador é um conhecido traficante e agiota e sua palavra não tem grande valor. Tampouco sua vida, pois seu “amigo” Brennan fará de tudo para eliminar esta testemunha.

Avaliação: Eu me lembrava de ter gostado muito do filme quando o vi no cinema, mas, quando revi em DVD, não fiquei empolgado. O filme é médio, um pouco arrastado.

A Rede (The Net)

A Rede (The Net), suspense criminal de Irwin Winkler, 1995.

Enredo: Angela Bennett (Sandra Bullock) vive somente para seu trabalho de analista de sistemas, não tem amigos, exceto por aqueles com quem conversa via computador. E é através de um amigo e colega de trabalho virtual, Dale (Ray McKinnon), que ela recebe um estranho programa para analisar. Dale morre em seguida, quando o avião que o conduzia ao encontro de Angela cai. Ela prossegue investigando o disquete que recebera dele, mas alguém a persegue. sua vida é apagada dos registros públicos e uma nova identidade lhe é atribuída, a de uma criminosa. Ela tem que lutar pra descobrir o que ocorreu e quem provocou isto e sua busca a leva a Jack Devlin (Jeremy Northam) e Ruth Marx (Wendy Gazelle). É então que ela se torna a caça.

Avaliação: Não vi no cinema, acho que por não acreditar que fosse ser bom. Vi na TV em 2008 ou 2009 e poucos meses depois a Sarah também o viu. Muito bom, prende bem, um filme sobre uma época em que a internet nem existia para o público em geral e a trama foi baseada em disquetes e discagens por modem…

Trama Internacional (The International)

Trama Internacional (The International), suspense dramático e criminal de Tom Tykwer, 2009.

Enredo: Eleanor Whitman (Naomi Watts), da Procuradoria de Nova Iorque, e Louis Salinger (Clive Owen), da Interpol, investigam o banqueiro Jonas Skarssen (Ulrich Thomsen), envolvido em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e golpes de estado. Mas, todas as pessoas que podem incriminá-lo, são mortas tão logo concordam em colaborar; nem os policiais estão a salvo… Por trás do banqueiro, um eficiente esquema, engendrado pelo seu braço direito, Francis Ehames (Jay Villiers), seu advogado, Martin White (Patrick Baladi) e por Wilhelm Wexler (Armin Mueller-Stahl), a pessoa encarregada de corromper policiais e providenciar o desaparecimento dos que se mostram obstáculos. Para isto, Wexler usa os serviços de um eficiente “consultor” (Brian F. O’Byrne), que não deixa rastros, nem faz perguntas. Uma vez mais, Whitman e Salinger estão próximos de pegar Skarssen e uma vez mais, um importante colaborador é assassinado e um policial corrupto se interpõe no caminho; de caçadores, a dupla corre o risco de tornar-se a caça. O assunto tornou-se uma questão pessoal para Salinger a ponto dele se dispor a andar à margem da lei para conseguir fazer justiça.

Avaliação: Filmaço, suspense (intrincado, diga-se) de prender na cadeira. Não há tanta ação como o trailer dá a entender, mas tudo bem. E Clive Owen é realmente, como em “Um plano Perfeito”, a alma do filme. Minha mãe e eu adoramos e a Sarah gostou apesar de achá-lo cansativo em muitos momentos. Ah, claro, fiquei me perguntando se muito do que o filme mostra não é a realidade de alguns bancos e empresas que fazem negócios com regimes corruptos.

Olho por Olho (Eye For An Eye)

Olho por Olho (Eye For An Eye), suspense dramático e criminal de John Schlesinger.

Enredo: A tragédia se abate sobre Karen McCann (Sally Field), quando um entregador de compras (Kiefer Sutherland) aproveita a entrada em sua casa, estupra e mata sua filha. O marido (Ed Harris) prefere confiar na polícia, e o encarregado do caso (Joe Mantegna) realmente consegue identificar e capturar o assassino. Mas ele tem bom álibi, bons advogados e sai livre. Inconformada, Karen resolve agir em segredo e por conta própria, comprando uma arma e unindo-se a um grupo de pessoas que já perdeu parentes nas mãos de criminosos que ficaram impunes. Ao mesmo tempo passa a seguir o assassino para alertar suas possíveis vítimas; mas ele faz mais uma e, ao perceber que está sendo seguido, ainda tripudia da mãe ferida. Para quê…

Avaliação: Ótimo, daqueles que você fica acompanhando com gosto a busca pela vingança por parte da mãe. Mas mostra que a trajetória escolhida por ela é perigosa, não servindo de incentivo… Sally Field está ótima, Joe Mantegna convence como o policial que tenta pegar o bandido, mas tem as mãos atadas pelo alcance da lei. A Sarah já viu umas cinco vezes… Ou seriam umas dez vezes?

24h Para Morrer (Oxygen)

24h Para Morrer (Oxygen), suspense policial de Richard Shepard.

Enredo: Bandido (Adrien Brody) seqüestra esposa (Laila Robins) de um milionário (James Naughton), pede resgate, mas é pego. Caso encerrado? Não, porque a vítima está literalmente enterrada num caixão que tem ar para apenas 24 horas. Ou seja, não se trata de invadir um esconderijo e matar um bandido, trata-se de fazê-lo confessar – usando apenas as armas que a lei faculta – no menor tempo possível. E o manipulador criminoso ainda consegue desestruturar a policial responsável pelo caso (Maura Tierney), pois conhece suas fraquezas, dentre elas,  seu  mau relacionamento com o marido policial

Avaliação: Sufocante, revimos este filme de 1999 em 2009. Vale a pena; não é excepcional, mas prende bem; tem uma cena mais “nojenta”, quando o bandido escapa das algemas na delegacia. Se tiver estômago mais fraco, é só evitá-la…

Nem Tudo É O Que Parece (Layer Cake)

Nem Tudo É O Que Parece (Layer Cake), drama e suspense criminal de Matthew Vaughn, 2004.

Enredo: Um autodefinido “empresário da commodity cocaína” (Daniel Craig), cioso de sua discrição, vai se sofisticando e ascendendo às altas esferas do crime da Inglaterra (esta subida de níveis é o tal “layer cake” do título). Mas, volta e meia ele tem que escolher um lado ao qual se aliar, ou seja, para quem vai vender sua droga? Não se trata somente de preço, mas de se indispor com um ou outro. Para complicar, naquela que deveria ser a transação que o levaria à aposentadoria, ele descobre que seu lote de drogas foi roubado de uma perigosa e violenta máfia sérvia, que quer ou a droga de volta ou sua cabeça (literalmente). E, a cada hora, ele parece arrumar mais inimigos e traidores.

Avaliação: Vi este filme duas vezes em poucos meses e continuei achando confuso. Uma profusão de gangues e de nomes que perturbam um enredo relativamente interessante. Além de uma violência excessiva, Daniel Craig só apanha, mesmo quando parece estar se dando bem… Médio.

A Viagem (Brokedown Palace)

A Viagem (Brokedown Palace), drama de tribunal de Jonathan Kaplan.

Enredo: Alice (Claire Danes) e sua melhor amiga, Darlene (Kate Beckinsale), terminaram o colegial e vão passar as férias no Havaí, mas, sem avisar seus pais, mudam os planos e vão a Bangkok. Hospedagem barata não é legal, que tal passar o dia na piscina de um hotel chique? Mas como pagar pelas bebidas? Ah, com a ajuda de um desconhecido e simpático australiano (Daniel Lapaine) que dá em cima de Darlene. E que ainda resolve pagar um final de semana em Hong Kong. Ótimo, ótimo… Não fosse pelo fato de que, sem saber, acabam carregando drogas para ele… Bom, Claire talvez soubesse, afinal ela parece ter até enganado a amiga ao dizer que não ficara com o rapaz. Elas vão descobrir o que significa serem prisioneiras num país que nem conhecem, de costumes e idiomas totalmente estranhos. Mesmo com a ajuda do advogado Hank Green (Bill Pullman), calejado nos tribunais do país, acabam condenadas a trinta anos de prisão, pena que só poderá ser comutada pelo rei. Inicialmente interessado no dinheiro dos honorários, depois revoltado com o que acredita ser uma injustiça, ele e a esposa (Jacqueline Kim) vão se empenhar ao máximo e acabam por descobrir que o ardiloso traficante tem amigos influentes no país.

Avaliação: Bom filme, que pegamos por acaso no cabo. Kate Beckinsale e Claire Danes convincentes em seu início de carreira. O final é belo e surpreende. De quebra, o filme mostra algumas peculiaridades sobre a Tailândia que fogem do “circuito tradicional” de casas de massagem e belas praias. A vida prisional mostra-se um verdadeiro inferno.

As Duas Faces de Um Crime (Primal Fear)

As Duas Faces de Um Crime (Primal Fear), suspense de tribunal de Gregory Hoblit.

Enredo: O afável e retraído coroinha Aaron (Edward Norton) foi ou não o responsável pelo sádico assassinato do bispo Rushman (Stanley Anderson)? Ele tinha razões para cometer tal crime? Havia uma terceira pessoa no local do crime? Vários interesses envolvem a figura do bispo, já que o mesmo estava ligado a grupos responsáveis por transações imobiliárias escusas. De outro lado, uma fita de “pornô caseiro” levanta outras suspeitas… Cabe ao esperto advogado Martin Vail (Richard Gere) defender o rapaz – e, claro, cair no gosto da mídia; mas ele envolve-se demais e procura, com a ajuda de uma psiquiatra (Frances McDormand), mostrar que, sendo Aaron o homicida, seu caso seria de internação psiquiátrica. Porém, ele tem uma fortíssima adversária na promotora (Laura Linney), que quer a pena de morte.

Avaliação: Este filme de 1996 já havia sido muito recomendado pela minha mãe, pelo final surpreendente. Assistíramos à época e revimos no cabo. Surpreende mesmo! E Edward Norton arrasa – não é à toa que ele, então ator iniciante, foi logo indicado ao Oscar de coadjuvante.

Awake, A Vida Por Um Fio (Awake)

Awake, A Vida Por Um Fio (Awake), suspense dramático e criminal de Joby Harold.

Enredo: Clayton (Hayden Christensen) tem uma vida privilegiada; herdeiro de “metade dos imóveis da cidade” mantém obras filantrópicas e é um muito bem sucedido homem de negócios, que namora a bela e carinhosa Samantha (Jessica Alba). Mas, sempre um “mas”… Ele tem uma mãe superprotetora (Lena Olin), condição que se potencializa com a e a trágica morte do pai de Clay. Certamente, não haverá aprovação do namoro. O outro “mas” reside na frágil condição de saúde de Clay que precisa de um transplante de coração urgente – além das dificuldades naturais, seu tipo sanguíneo torna mais difícil um doador compatível. Finalmente surge um coração e, sabedor de que esta será uma cirurgia da qual poderá não retornar Clay realiza seu sonho, casando-se com Sam um dia antes. Ele está seguro, pois será operado pelo grande amigo Jack Harper (Terrence Howard) – mais uma vez a contragosto da mãe, que tem seu cirurgião preferido (Arliss Howard) e não aprecia nada o fato do Dr. Harper já ter perdido alguns pacientes na mesa de cirurgia. “A cada ano, uma em cada 700 pessoas acordam durante a cirurgia”… Clay é uma delas. Pior para ele, pois, consciente a cada momento da operação, mas incapaz de se mover ou de se comunicar, ele ainda descobre estar envolvido num complô de assassinato – o dele…

Avaliação: Quando passou no cinema, pareceu tétrico demais – um sujeito que permanece consciente ao longo de sua cirurgia cardíaca. Aconselhados pelos amigos Carlinhos e Gisele, resolvemos assistir em DVD. Valeu a pena: a trama é ótima, a aflição de acompanhar a consciência do operado e as tentativas do mesmo para avisar “ei, estou acordado” geram um ótimo suspense. E tem um final surpreendente. Para quem não tem muito estômago, alerto que há cenas de cirurgia com peito aberto que não são muito fáceis…

Capote (Capote)

Capote (Capote), drama histórico e biográfico com toques de suspense criminal de Bennet Miller.

Enredo: Em 1959, após um assalto que não rendeu fruto algum, uma dupla (Clifton Collins Jr. e Mark Pellegrino) chacinou uma família no Kansas, EUA. O escritor Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) e sua parceira Nelle Harper Lee (Catherine Keener) foram ao local escrever um artigo sobre o caso para a revista New Yorker. Mas, em vez do artigo, Capote viu a chance de escrever o “livro de sua vida” – e assim foi. Ao longo de vários anos, Capote conseguiu extrair de Perry Smith (Clifton Collins Jr.) a dramática história de sua vida, mas nunca os detalhes do assassinato, o que não lhe permitia terminar o livro. . Enquanto a trama se desenrola, percebe-se que o assassino manipula Capote para, com a influência deste, conseguir advogados, adiamentos da sua sentença de morte e, quem sabe, a liberdade. Por outro lado, Capote também manipula o assassino (e esta manipulação mútua por vezes soava como um envolvimento mais profundo), para dele extrair a base para um texto cativante, que foi (para desgosto do assassino) chamado de “A Sangue Frio”.

Avaliação: Nunca vi cenas do verdadeiro Capote, mas pode-se dizer que Philip Seymour Hoffman está ótimo, carregado de maneirismos, trejeitos, com um jeito às vezes debochado, às vezes tão envolvido com o assassino que fica realmente triste com o seu destino – sem, no entanto, deixar de aproveitar esta proximidade para compor uma obra-prima.

Foi um filme que preferi não ver no cinema, apesar do Oscar de melhor ator para Hoffman, por crer que seria chato. Vi no cabo e gostei – mas realmente não foi grande perda no cinema. Minha mãe, a quem recomendei, também estava gostando, mas não conseguiu ver até o fim, dado o horário. Se passar na TV ou tiverem oportunidade de pegá-lo na locadora, pode ser uma opção.

A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa (The Trail of the Pink Panther)

A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa (The Trail of the Pink Panther), comédia criminal de Blake Edwards.

Enredo: O diamante Pantera Cor-de-Rosa foi roubado novamente. O reino de Lugash requer que o próprio Inspetor Clouseau (Peter Sellers) cuide do caso. O Inspetor-Chefe Dreyfus considera o pedido um absurdo, porque sabe que estará enviando um atrapalhado; mas ele reflete… “Quer saber, deixe que eles descubram o desastre onde estão se metendo”… Ocorre que o novo governante do país já recebeu o dinheiro pelo seguro do diamante e, pensando bem, seria melhor Clouseau não descobrir o paradeiro do diamante. E é então que, misteriosamente, o avião que leva Clouseau some sob o oceano. Cabe à repórter Marie Jouvet (Joanna Lumley) entrevistar aqueles que conheceram Clouseau: Sir Charles Litton (David Niven), sempre suspeito de ter sido o primeiro ladrão do Pantera, a esposa dele (Capucine) e que também é ex de Clouseau, o fiel mordomo e assistente Cato (Burt Kwouk), o pai do detetive (Richard Mulligan) além dos próprios companheiros de polícia, o inspetor-chefe Dreyfus (Herbert Lom) e o assistente de Clouseau, Hercule La Joy (Graham Stark). Alguns têm o que falar da sorte ou das trapalhadas de Clouseau, outros (leia-se Dreyfus) mal podem conter as risadas quando entrevistados sobre a genialidade e a bravura do desaparecido…

Avaliação: Após a morte de Peter Sellers, Blake Edwards reuniu cenas não aproveitadas e também de outros filmes da série para montar esta sexta estória do atrapalhado Clouseau. Juntou a elas entrevistas com os ex-colegas do detetive, o Fantasma (Sir David Niven, em seu último filme) e, assim, reaproveitou cenas já utilizadas. Fez uma combinação inteligente, mas que começa a perder a graça quando Clouseau some e entra a repórter. Aliás, a graça a partir deste momento reside nas lembranças de personagens como Cato (Kwouk), pois é aí que o diretor conseguiu fazer um apanhado dos melhores momentos de Sellers. Bom, a entrevista com Dreyfus, o chefe de Clouseau… A cada elogio que a repórter tece a Clouseau, o inspetor mal consegue conter as risadas (e nós também). A entrevista com o pai de Clouseau é legal porque mostra a infância também desastrada do herói. Mas legal mesmo são as cenas dos créditos, que são um apanhado dos melhores desastres perpetrados pelo detetive trapalhão.

A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa (The Revenge of the Pink Panther)

A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa (The Revenge of the Pink Panther), comédia criminal de Blake Edwards.

Enredo: Neste quinto filme da série, para não perder a lucrativa “Conexão Francesa”, um gângster francês (Robert Webber) precisa provar aos mafiosos de Nova Iorque que ainda tem poder – e a prova exigida é a morte do inspetor Clouseau (Peter Sellers), que tanto tem atrapalhado os planos dos mafiosos. Claro que o desastrado e sortudo Clouseau escapa de todos atentados – ele tem sorte até quando é assaltado… Mas todos pensam que ele morreu – e é questão de honra para os franceses que os pretensos assassinos sejam pegos. A tarefa recai sobre o (novamente) Inspetor-Chefe Dreyfus (Herbert Lom), recém-saído novamente do hospital psiquiátrico, onde estivera internado, vítima dos desastres de Clouseau. Na realidade, Dreyfus gostaria mesmo é de agradecer aos assassinos, mas vai à caça dos mesmos. A todo o momento parece encontrar o “fantasma” de Clouseau, que está sempre tentando dar a Dreyfus sinais de que está vivo. E eis que de repente o caminho de Clouseau cruza com o da ex-secretária e amante (Dyan Cannon) do mafioso, que está disposta a ajudar na sua captura…

Avaliação: Até Clouseau encontrar a secretária-amante, o filme vai muito bem. Os treinamentos-surpresa de Clouseau com seu assistente-mordomo Cato (Herbert Kwouk), a casa de Clouseau transformada em um antro do prazer pago por Cato, assim que o patrão é dado como morto, e a dupla que eles formam para capturar o mafioso são muito engraçadas. Os disfarces, trapalhadas e o sotaque (“reum” em vez de “room”, “a ‘beump’ on the head”, em vez de “bump”) são “sellerianamente” impagáveis. Os tiques e os traumas de Dreyfus, idem. Mas, a partir do momento em que Clouseau infiltra-se nos mafiosos, o filme passa a seguir uma linha tradicional demais, com explosões exageradas, perseguições-padrão, etc. Dá para assistir e estabelecer um ponto de corte tranquilamente.

A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther Strikes Again)

A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther Strikes Again), comédia criminal de Blake Edwards.

Enredo: Neste quarto filme da “franquia”, o inspetor-chefe Dreyfus (Herbert Lom), levado ao hospital psiquiátrico pelos desastres provocados pelo inspetor Clouseau (Peter Sellers), está prestes a receber alta quando é visitado por Clouseau, que ocupou o seu lugar. Não bastasse a dor de perder o posto para Clouseau, Dreyfus quase morre nas mãos do desastre-humano. Novamente enlouquecido, Dreyfus perde a chance de ter alta, mas consegue fugir e seqüestra um cientista para que ele monte a “Máquina do Juízo Final”, com a qual pretende destruir pedaços do mundo, a não ser que Clouseau lhe seja entregue. Não vai dar certo…

Avaliação: Desta vez, foram deixados de lado os assassinos e ladrões charmosos e, definitivamente, nada de diamante Pantera Cor-de-Rosa, cuja presença se resume ao simpático desenho de abertura. Mantidas a indispensável trilha sonora e as engraçadíssimas seqüências de luta de Clouseau com Cato (Burt Kwouk). Mas, desta vez, as asneiras de Clouseau e os danos que elas provocam (principalmente em relação ao coitado do inspetor Dreyfus) dominam o filme. E elas provam que trapalhadas podem ser repetidas e alongadas sem perder a graça, desde que bem boladas e feitas por atores de talento. Assim é que os dez primeiros minutos, com os acidentes provocados por Clouseau no hospital psiquiátrico contra o pobre Dreyfus provocam uma seqüência de risadas; idem as tentativas (novamente desastradas, é claro) de Clouseau de invadir o castelo onde está escondido Dreyfus. Afinal, como bem coloca Dreyfus, sua “Máquina do Juízo Final” parece uma pistola d’água perto das calamidades perpetradas por Clouseau.

Um Tiro no Escuro (A Shot In the Dark)

Um Tiro no Escuro (A Shot In the Dark), comédia criminal de Blake Edwards.

Enredo: Segundo filme da série de seis criada por Blake Edwards. Este filme mostra o atrapalhado inspetor Clouseau (Peter Sellers) e seu quase tão atrapalhado assistente Hercule LaJoy (Graham Stark) às voltas com um crime na mansão de Benjamin Ballot (George Sanders), onde a principal suspeita é a criada Maria Gambrelli (Elke Sommer), amante do morto.     Quanto mais mortos aparecem na casa, mais Clouseau se atrapalha. Seu chefe, o inspetor Dreyfus (Herbert Lom), acaba por tirá-lo do caso. Mas parece que alguém quer mantê-lo – afinal, um incompetente como ele pode até ajudar o criminoso…

Avaliação: Não é tão engraçado assim, nem nas cenas de sempre do criado de Clouseau, Cato (Burt Kwouk), treinando artes marciais com o patrão. Mas é neste filme que começam a aparecer os engraçados tiques do Inspetor-chefe Dreyfus, levado à loucura pelo desastrado Clouseau. E as cenas do misterioso assassino que persegue Clouseau restaurante após restaurante (sempre errando o alvo) são um clássico imitado em diversos filmes (ou este pegou carona em algum…). E, claro, além da tradicional trilha sonora da Pantera (por Henry Mancini), o sotaque de Clouseau é imbatível; invenção de Peter Sellers, que o observou num porteiro francês… Não há Clouseau como Peter Selers…

A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther)

A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther), comédia criminal com toque romântico de Blake Edwards.

Enredo: Mais um assalto onde o Fantasma (David Niven) deixou sua marca registrada, uma luva branca com sua inicial. Mais um crime, cujo culpado não será encontrado. Pouco depois, o Fantasma, ou melhor, Sir Charles Litton, está esquiando em Cortina D’Ampezzo, à espera de seu melhor golpe: o roubo do diamante Pantera Cor-de-Rosa, assim chamado por possuir uma mancha que lembra tal figura. A vítima: a princesa de Lugash (Claudia Cardinale), que está quase cedendo aos encantos de Sir Charles. Mas ele não contava com a presença fortuita do grande (grande?) inspetor Clouseau (Peter Sellers), em férias com a esposa (Capucine). Por outro lado, a esposa de Clouseau é amante do Fantasma e vai ajudá-lo – isto se o trambiqueiro e galanteador sobrinho de Sir Charles (Robert Wagner, do “Casal 20″) não atrapalhá-los…

Avaliação: O filme é bom, mas não prende tanto e não é tão engraçado. O toque deste piloto da série ainda é romântico e conta mais com o charme dos ladrões Niven e Wagner do que com o besteirol de Sellers, que ainda não tinha participação tão relevante no filme (apesar de ser listado como o principal ator). Aliás, o confuso sotaque francês de Clouseau somente ficaria realmente engraçado no segundo filme, quando também aparece Cato Fong (Burt Kwouk), seu “manservant”, mistura de treinador de artes marciais, mordomo e assistente.

Aqui já se vê o desenho da Pantera Cor-de-Rosa, mas ela não está tão malandra e o Inspetor mal aparece no desenho.

A gostosa música “Meglio Stasera”, de Henry Mancini, cantada e deliciosamente coreografada pela sensual Fran Jeffries, é a parte mais legal do filme…

Pacto Sinistro (Strangers on A Train)

Pacto Sinistro (Strangers on A Train), suspense criminal dramático de Alfred Hitchcock.

Enredo: Guy Haines (Farley Granger) é um tenista de relativo sucesso, mas com vida amorosa mal sucedida. Sua mulher, Miriam (Kasey Roger) o traiu e engravidou de um dos amantes. Neste ponto, Guy já está envolvido com Anne Morton (Ruth Roman), a filha do senador Morton (Leo G. Carroll) e quer apenas consumar o divórcio – o que Miriam lhe recusa, pois pretende aproveitar o dinheiro e a recente fama do marido (obs.: estamos nos anos 50, não havia como determinar de quem era o filho que estava por nascer).

Numa viagem de trem, Guy é abordado por Bruno Anthony (Robert Walker), que andou lendo as fofocas nos jornais sobre o caso de Guy com Anne e lhe propõe um pacto: Bruno eliminaria a inconveniente e abusada Miriam, enquanto Guy providenciaria a morte do rico pai (Jonathan Hale) de Bruno, para que este pudesse finalmente viver como playboy e sem preocupações financeiras. Seria uma troca a fim de evitar suspeitas. Obviamente, Guy recusa, mas Bruno confere outra interpretação à conversa e “faz sua parte” do pacto, passando a atormentar Guy para que ele “cumpra a sua”, sob pena de incriminá-lo. Afinal, ele está com um isqueiro de Guy, que poderia ser plantado no local do crime, e contra Guy pesam as brigas com Miriam e o fato de ter expressado o desejo de matá-la. Qual a saída? Como provar sua inocência, se seu álibi é apenas um professor bêbado e de memória apagada? Constantemente vigiado pela Polícia, Guy dependerá da dedicação da namorada e da espevitada irmã dela (Patricia Hitchcock) para resolver seu dilema.

Avaliação: Eu já tinha ouvido falar do tal pacto deste filme (aliás, reproduzido por Danny de Vito na comédia “Jogue Mamãe do Trem”), mas não imaginava que o filme fosse tão bom. Assistimos o DVD (que faz parte da coleção de clássicos da “Folha de São Paulo”) sem pretensão, mas tivemos uma ótima surpresa. Algumas cenas hoje soariam como clichês do suspense ou até não causariam surpresas (como as do carrossel desgovernado ou Guy decidindo ir à casa de Bruno – para fazer o quê?), mas são muito bem elaboradas, encenadas. O filme prende, não tanto pelo suspense, que não é de tirar o fôlego, mas simplesmente pelo excelente enredo e construção dramatúrgica.

Curiosidades:

  1. O papel da avoada mãe do assassino é por Marion Lorne, que faria também a avoada Tia Clara no seriado “A Feiticeira”.
  2. A esposa assassinada é papel de Kasey Rogers, a Louise Tate do mesmo seriado.
  3. Barbara, a irmã de Anne, foi um dos primeiros (e poucos) papéis da filha de Hitchcock, Patricia.

Meu Nome Não é Johnny

Meu Nome Não é Johnny, drama criminal de Mauro Lima.

Enredo: “Minha meta é juntar um milhão de dólares e largar a atividade”. “A minha é gastar um milhão de dólares”. Este era o pensamento de João Guilherme Estrela (Selton Mello), que sempre esbanjou e nada juntou. Era um jovem de classe média alta, que vivia confortavelmente, mas que ficou abalado com a separação dos pais – a mãe (Júlia Lemmertz) saiu de casa e o pai (Giulio Lopes) vivia isolado no andar de cima. Assim, João promovia festas regadas a sexo, álcool e maconha, droga que foi sendo substituída por cocaína. De usuário a pequeno traficante, o passo foi rápido: bastou a falta de dinheiro para pagar a droga de uma das festanças para que João decidisse vender cocaína para um traficante. Mas o que ele ganhava, gastava… Fazendo cada vez mais sucesso, foi galgando patamares superiores na escala do tráfico, viu seus fornecedores serem presos, foi achacado por policiais corruptos, viajou à Europa com a namorada – depois esposa (Cléo Pires) – para vender drogas, até finalmente “a casa cair” e ele ser preso. À espera de ser julgado por uma juíza extremamente rigorosa (Cássia Kiss) – que tendia a considerá-lo como traficante, e não usuário – João experimentou a vida e as brigas entre as gangues na cadeia superlotada, a venda de favores por parte dos carcereiros e o abandono da esposa. Quando parecia que a situação estava indo ladeira abaixo, seu comportamento no Tribunal foi decisivo.

Avaliação: Grande sucesso no cinema, eu quis vê-lo na telona, mas nunca o fiz, apesar do tempo em que se manteve em cartaz. Passou na TV a cabo, recomendei à minha mãe (que avaliou o filme como bom, mas que achou que a qualidade deixou a desejar, com o que concordo) Nada que justificasse o sucesso – e é gente cheirando e fumando o tempo todo… Selton Mello está muito bem, seu jeito despachado e, por vezes, sarcástico (até com os policiais que o prendiam) chega a ser engraçado. Os diálogos com os policiais que o achacam são realmente cômicos, apesar da situação ameaçadora pela qual João passa (por exemplo, ao questionar o mandado de busca em sua casa, um dos policiais aponta-lhe o revolver e diz que este é o mandado, assinado pelo juiz “Smith… e… Wesson – quer que ele o leia para você?”).

Curiosidade: o título do filme vem do fato de que a imprensa o chamou de “Johnny”, o que ele desmentia quando chamado pela alcunha.

Snatch, Porcos e Diamantes (Snatch)

Snatch, Porcos e Diamantes (Snatch), comédia criminal de Guy (ex-Madonna) Ritchie.

Enredo: Um diamante é roubado por Frankie Quatro-Dedos (Benicio del Toro) e Avi (Dennis Farina) não vai descansar enquanto não recuperá-lo. Mas, há mais interessados na pedra: um gângster russo (Rade Serbedzija), três ladrões pé-de-chinelo e atrapalhados com seu cachorro-barulhento-e-que-engole-tudo-que-morde e um pistoleiro profissional (Vinnie Jones) que sobrevive a todos os tiros (e dá-lhe tiros!). Quem narra a história é Turkish (Jason Statham), que recebeu este nome em homenagem à linha aérea que uma vez transportara seus pais. Ele e seu assistente Tommy (Stephen Graham) não têm nenhuma relação com o diamante, apenas se encarregam de arrumar lutadores que aceitem ser derrotados nas lutas de boxe clandestinas e com cartas marcadas de Brick Top (Alan Ford), um sádico que cria porcos para devorar os corpos dos desafetos e assim dar sumiço às provas. Mas, desta vez, Turkish e Tommy se complicam, pois o cigano irlandês que contratam (Brad Pitt) luta bem e não quer saber de perder; e, a cada vitória do cigano, Brick Top fica mais enfezado. Enquanto isto, o diamante segue uma rota insólita.

Avaliação: Na época em que passou no cinema (há nove anos, em 2000), não quis ver o filme, mas cedi e peguei na locadora, influenciado pelo meu amigo Dimas, que se divertira muito, especialmente com o sotaque cigano inventado por Brad Pitt (impagável). Trata-se de uma comédia de erros muito engraçada, que eu tive a oportunidade de rever na TV a cabo. A profusão de personagens – quase todos estranhos e com apelidos estranhos– é de deixar louco, mas aí está a graça, pois eles acabam se cruzando das maneiras mais inesperadas ao longo do filme. Bom demais, pena que a Sarah novamente não o tenha visto (bom, talvez não fosse o estilo dela…).

Gran Torino (Gran Torino)

Gran Torino (Gran Torino), drama de Clint Eastwood. C

Enredo: Walt Kowalski (Clint Eastwood) acaba de ficar viúvo. Ele é ranzinza, não desenvolveu uma maior intimidade com os filhos e netos, o que se manifesta de forma clara quando do falecimento da matriarca. Ele acha, até com certa razão, que a família só tem contato com ele por interesse. Um moralista religioso? Não, Walt é um veterano da guerra da Coréia que tem critérios próprios de justiça e uma história de remorsos. Ele dedica-se à labradora Daisy e ao jardim de sua casa e abomina as tentativas do jovem padre (Christopher Carley) em fazê-lo se confessar, como era desejo da falecida. Despreza os asiáticos em geral, e particularmente os da etnia hmong (nome que ele mal consegue pronunciar) que “invadem” sua vizinhança. Thao (Bee Vong), um dos filhos dos vizinhos, se vê pressionado por uma gangue da mesma etnia a furtar o Ford Gran Torino de estimação de Walt, entretanto, sem sucesso. Mas, Walt odeia a injustiça e é assim que os vizinhos passam a reverenciá-lo, já que mesmo após o ocorrido, salva Thao (Bee Vong) das ameaças desta gangue. Por sua vez, a rigorosa família de Thao força o rapaz a prestar “serviços comunitários” a Walt. O gelo é difícil de quebrar, mas Walt cede e surge uma amizade, favorecida pelo jeito despojado de Sue (Ahney Ler), a irmã dominadora de Thao. Mas não convém esquecermos a gangue, que ainda quer vingar-se de Walt e subjugar Thao.

Avaliação: Lances cômicos dão um toque especial ao filme: o olhar e o ranger de dentes raivoso de Eastwood, a “troca de gentilezas” politicamente incorretas com o barbeiro de origem italiana (John Carroll Lynch), os insultos entre Walt e a matriarca dos vizinhos (sendo que ele não fala a língua dela e vice-versa). Mas o filme é uma lição de convivência e uma pequena aula sobre a cultura a etnia hmong, do sudeste asiático (que sofreu nas mãos dos norte-vietnamitas por ter-se aliado aos americanos). Tudo contribui para tornar o filme cativante. A Sarah só sentiu uma perda de ritmo em alguns instantes. Mas os três, minha mãe, ela e eu, gostamos muito. Eastwood é sempre ótimo, pena que tenha decidido que este foi o último filme onde atuou (além de dirigir).

O Gângster (American Gangster)

O Gângster (American Gangster), drama criminal de Ridley Scott.

Enredo: Final dos anos 60. Uma exceção em seu “ramo”, negro num negócio dominado por italianos, o gangster Bumpy Johnson foi assassinado. Seu domínio sobre a distribuição de drogas no Harlem passou ao seu motorista e guarda-costas, Frank Lucas (Denzel Washington). Pregando “honestidade e integridade” nos negócios, avesso a qualquer atitude que desperte atenção para si, Lucas é violento a ponto de deixar de lado a discrição e matar a sangue frio e em meio a uma multidão quem quer que o desafie. “Empresário” de sucesso, ele expande o negócio vendendo a “Blue Magic”, uma heroína com o dobro da pureza e metade do preço dos concorrentes. Seu truque? Trazer a droga diretamente das plantações de ópio da Tailândia, escondida em caixões com corpos de militares trazidos do Vietnã. O sucesso é tanto que ele traz para junto de si os irmãos – para abrirem “fachadas filiais” – e a mãe (Ruby Dee), que vai morar em sua mansão. E associa-se a Dominic (Armand Assante), que tem os canais certos para expandir a distribuição. Com tanto sucesso, é impossível manter-se invisível e Lucas atrai a cobiça de um violento e corrupto grupo de policiais de Nova Iorque, liderados pelo detetive Trupo (Josh Brolin) e do incorruptível investigador Richie Roberts (Russel Crowe). Roberts também é uma exceção em seu meio. Ele quer se tornar advogado e, dada sua honestidade e correção, chega a ser ridicularizado pelos colegas (afinal, apreendera e entregara à Polícia um milhão de dólares em notas não marcadas…). Esta integridade rendeu-lhe o comando da recém criada força-tarefa antidrogas. Sua idéia é pegar os chefões, não a gentalha miúda que fica nas ruas. Aos poucos, e para seu espanto, ele descobre que é Frank Lucas quem ele procura, e não a máfia italiana. Mas Lucas dificilmente comete deslizes e Roberts tem que “comer pelas bordas”, capturando quem trabalha com o gângster – e, ao mesmo tempo, evitar o pessoal do corrupto Trupo.

Avaliação: Perdi este bom filme no cinema. São mais de duas horas e meia, mas fiquei preso à TV – a mesma sensação que teve minha mãe. O estilo do gângster é realmente diferente do retratado nos filmes sobre o assunto. Ele procurava não ser espalhafatoso, o que não impediu o diligente Roberts de descobrir seu papel na cadeia do tráfico. Aliás, o diálogo entre os dois, ao final do filme, é ótimo, a melhor parte. E saber do destino dos personagens também (é, é um caso real…).

Círculo da Morte (The Circle)

Círculo da Morte (The Circle), suspense criminal de Sidney J. Furie.

Enredo: O reitor Spencer Runcie (Treat Williams) dirige o Colégio que herdou dos antepassados com orgulho e mão de ferro. Quem “domina a área” é o quinteto de alunos auto-intitulado “O Círculo”, que coloca escutas nas salas de professores e do Diretor, pune alunos que mexem com drogas e se diverte em provocar Smitty Jacobson (Aaron Poole), o aluno responsável pelo corpo discente. O quinteto faz mais uma de suas estripulias e rouba o gabarito a prova de Física, porém, deixa rastros e Runcie sai à caça do(s) responsável(is). À base de muita ameaça, Runcie obtém um delator e um dos alunos do quinteto é expulso da escola (sem chegar a entregar os colegas). O suspeito da delação é o tímido Marcus Faulkner (Jamie Robinson), colega de quarto de um dos alunos do “Círculo”, Alex (Robin Dunne). O corpo de Marcus é descoberto sob uma ponte, vítima de aparente suicídio. Mas Alex descobre um bilhete para o falecido pedindo um encontro na mesma ponte por parte da aluna (Malin Ackerman) de quem Marcus tentava se aproximar – para Alex, trata-se de assassinato e ele desconfia de vingança do seu amigo expulso. Indo contra seus amigos e contra Runcie, Alex resolve investigar – e a sofrer ameaças de desconhecidos.

Avaliação: Um daqueles DVDs empoeirados numa banca de jornal… Revelou-se para nós um filme entre médio e bom; vale como passatempo, mas não fará falta se não for assistido, pois os personagens não cativam tanto, e a trama, idem.

Garotas Selvagens 3 (Wild Things 3)

Garotas Selvagens 3 (Wild Things 3), suspense criminal de Jay Lowi.

Enredo: Jay Clifton (Brad Johnson) é injustamente acusado de ter estuprado a jovem Elena Sandoval (Sandra McCoy). Ele tem duas saídas: aceitar um acordo com a Promotoria para reduzir sua pena (mas, ainda assim, não escapará da prisão) ou acatar a sugestão da enteada (Sarah Laine) que solidária, deixa as rixas com o padrasto de lado e propõe um acordo sobre a herança da falecida mãe: que ele pare de contestar a herança deixada pela mãe de Sarah e venda os diamantes para comprar a acusadora, fazendo-a mudar a versão no tribunal. Melhor ficar sem o dinheiro, mas ter a liberdade, não? Poderia até ser, se Sarah cumprisse sua parte, o que não ocorre. A sorte do padrasto é que a oficial de condicional (Linda Meyer) da jovem acusadora e um policial local (Linden Ashby) desconfiam do depoimento da moça e começam a descobrir pistas que poderiam inocentá-lo. Mas isto é apenas o começo, pois haverá muitas reviravoltas.

Avaliação: Quando vi o título, ainda mais num destes filmes de sábado à noite na TV, imaginei que seria uma daquelas continuações mal feitas, que só aproveitam o título de um original bem feito. Mas nos surpreendemos, pois a trama cativa e tem uma reviravolta atrás da outra. E, por ser curto, não há tempo de o ritmo cair. Uma surpresa muito boa.

Gomorra

Gomorra (Gomorra), drama criminal de Matteo Garrone, baseado no best-seller do jornalista Roberto Saviano.

Enredo: O filme denuncia as lucrativas atividades da máfia napolitana, a Camorra (daí o trocadilho com Gomorra), que incluem investimentos na construção do conjunto que substituirá o World Trade Center, na manipulação clandestina de resíduos tóxicos industriais que provocam contaminação e câncer, na confecção de falsificações da moda e tudo o quanto se possa imaginar. Para fazer a denúncia, o filme utiliza algumas das narrativas do livro: a dupla de adolescentes que ousadamente (ou tresloucadamente?) quer dominar as áreas onde atua um pequeno chefe mafioso, tráfico de drogas, um leilão onde quem oferecer o menor preço será o produtor de peças falsificadas da alta costura para a Camorra (o que acaba levando a trama à cooptação do modelista por falsificadores chineses), um arrecadador de propinas e distribuidor de “salários” ameaçado por um concorrente do grupo da Camorra que atua no local, a “prova” para aceitação dos adolescentes que querem de qualquer modo entrar na Camorra e um empresário que vive de encontrar e oferecer depósitos de lixo onde possa descartar os dejetos industriais tóxicos sob uma aparência legal. São situações nada glamorosas, em contraste com o que se vê geralmente em filmes sobre mafiosos. Mas, apesar da falta do “glamour”, o sonho de muitos dos que habitam nos locais pobres e tristes retratados no filme é ser aceito pela Camorra (de onde, provavelmente, sairão presos ou mortos).

Avaliação: A Sarah já entrou com “o pé atrás”, não queria ver violência, não gosta de filmes sobre Máfia, etc. Eu quis ver esta denúncia, que, inclusive levou o jornalista que a escreveu a ter a cabeça colocada a prêmio pela Camorra. Mas devo concordar que a Sarah teve razão em suas impressões já nos primeiros minutos do filme: arrastado, escuro, sombrio – e são 135 min! Deu sono, cansou demais. No meio do filme, quando aparece o tratamento dos resíduos tóxicos, pensei que o filme ficaria mais cativante. Mas não… E a sala foi perdendo alguns espectadores (mas fomos resistindo). Pena, pois a maneira de mostrar que as atividades da Camorra não são nada glamorosas é ótima e um filme destes mereceria correr o mundo e arrebanhar grandes públicos, pois faz uma denúncia importantíssima. Por isto, apesar de não ter gostado, torço para que ganhe o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading)

Queime Depois de Ler (Burn After Reading), comédia de erros com toques dramáticos dos irmãos Ethan e Joel Coen.

Enredo: Osbourne Cox (John Malkovich) acaba de perder seu emprego de analista da CIA por causa de seu “problema com a bebida”. Revoltado, ele resolve escrever suas memórias como agente e fazer dinheiro com elas. Sua esposa, Katie (Tilda Swinton), que já o desprezava, fica revoltada com sua saída e acelera o processo de divórcio. Para se garantir, copia todos os papéis e CDs do marido. Um deles é o que contém os rascunhos das memórias. E o CD acaba sendo perdido na academia de ginástica onde ela se exercita, acabando por cair nas mãos do desmiolado treinador Chad Feldheimer (Brad Pitt), que consegue ajuda de um amigo para descobrir o nome e telefone de quem escreveu o diário. Chad une-se à colega Linda Litzke (Frances McDormand) e começa a chantagear Osbourne. O que eles pedem: dinheiro suficiente para Linda, nos seus 50 anos, conseguir fazer uma série de cirurgias plásticas cosméticas e poder cativar algum pretendente “que tenha bom humor”. Mas o irritadiço Cox fica revoltado com os chantagistas e quer eliminá-los – nada de pagar… A situação se complica quando o amante de Katie Cox, o agente-do-Tesouro-que-se-passa-por-ex-guarda-costas-de-VIPs Harry Pfarrer (George Clooney) passa a se encontrar com Linda e quando o ingênuo chefe dela (Richard Jenkins), apaixonado por ela, resolve ajudá-la. Como se não bastasse, entra no circuito a Embaixada russa… Agora, o número de envolvidos vai aumentando e complicando a situação – é “abacaxi” demais para o ex-chefe de Cox (David Rasche) descascar…

Avaliação: Nossos amigos Ana Paula e Sergio, bem como a Sarah, gostaram (muito, eu diria). Eu não gostei, talvez até pudesse dizer que detestei; fiquei com sono em vários momentos.

O filme só me pareceu legal pela trama cheia de erros que se somam e pelo papel, pequeno, mas “campeão”, de J.K. Simmons (o pai da Juno, no filme de mesmo nome), que faz o chefe da agência da CIA. Primeiro, pelo vozeirão que lhe é característico. Depois, porque, em meio a tantas mortes e sumiços, é o único que consegue manter a calma e ver o lado bom das coisas – mesmo quando todos nós sabemos que não há lado bom algum neste imbroglio… Ele consegue até tirar uma lição do episódio: jamais repetir o que quer que seja que tenham feito neste caso (mesmo não sabendo o que fizeram neste caso…).

Amnésia (Memento)

Amnésia (Memento), suspense criminal de Christopher Nolan, com roteiro de seu irmão Jonathan, com Guy (“Los Angeles, Cidade Proibida”) Pearce, Joe “Matrix” Pantoliano, Carrie-Anne “Matrix” Moss e Stephen Tobolowsky.

Enredo: Leonard Shelby (Guy Pierce) perdeu a mulher e a chamada memória recente, ao levar uma pancada quando foi defendê-la de um estupro em sua própria casa. Ele se lembra de toda sua vida antes da pancada, mas guarda as recordações pós-trauma apenas por minutos. Para se virar, ele se baseia na disciplina e nas minúcias que aprendeu a valorizar em seu trabalho de inspetor de seguros. Ele guarda anotações (e tatuagens) sobre as pessoas que o ajudam ou fingem ajudá-lo (o policial, vivido por Joe Pantoliano, a moça do bar, Carrie-Anne Moss, o recepcionista do hotel, interpretado por Mark Boone Jr.), anota se pode confiar nelas ou não, o que elas parecem ter feito para ele ou para terceiros,… Ele também tira fotos Polaroid delas a toda hora, para se lembrar dos rostos e locais. E assim vai seguindo possíveis pistas que o levem ao assassino, enquanto é assombrado pelas lembranças da morte da mulher e do caso de Sammy Jankis (Stephen Tobolowsky), uma vítima de acidente que fora investigada por Shelby para verificar se sua perda de memória recente era algo passível de indenização.

Avaliação: Três amigos adoraram o filme, a Sarah detestou, eu achei médio; apesar do interessante desenvolvimento da trama, que te faz sentir tão perdido como o protagonista e não te deixa saber se você está indo para o caminho certo, o desenrolar é lento e decepciona. Dizem que vai virar cult, sei lá; acho que desperdiçaram uma ótima idéia, o trailer deu esperanças demais.

PS: Revi o filme em 2008 e, então, passados sete anos, eu o vi com outros olhos. A trama de trás para frente é intrigante e a situação do protagonista (um Guy Pierce atuando quase sozinho) é desesperadora, ele realmente não sabe quem é quem, se quem o ajuda é policial ou bandido, se o estão usando, se as cenas que ele reteve da morte da mulher são verdadeiras… Gostei também do drama dentro do drama (o do personagem de Stephen Tobolowski). Desta vez, me agradou bastante. Pelo que andei vendo, este filme tem mesmo que ser revisto, para poder se captar detalhes essenciais.

O Advogado dos Cinco Crimes (A Murder of Crows)

O Advogado dos Cinco Crimes (A Murder of Crows), suspense criminal de Rowdy Herrington.

Enredo: Lawson Russell (Cuba Gooding Jr.) é um advogado rico e famoso. Ou era… Ficou mal afamado após perder a licença para advogar, o que ele considera uma injustiça, pois, após um drama de consciência que nunca tivera, recusara-se a prosseguir com a defesa de um cliente rico, mas muito culpado (estupro e assassinato). Russell agora vai escrever um livro sobre sua carreira, mas acaba deixando isto de lado, pois encontrou um texto melhor… Um velho que levou para passear em sua lancha emprestou-lhe um manuscrito fantástico, que narra a morte de cinco advogados, “justiçados” por pessoas os recriminavam por serem mercenários e defenderem qualquer criminoso e a qualquer custo. Russell descobre que o velho morreu e – a cobiça… – apropria-se do manuscrito, publica-o e consegue o sucesso de público e arrebata sua bela, fogosa e interesseira editora – ó felicidade, ó redenção! Mas nem tudo são flores… O livro narrava casos reais, Russell é acusado pelas mortes e é preso pelo detetive (Tom Berenger) responsável pelos casos. Agora, nem adianta o vexame de confessar que o livro não era de sua autoria, pois todas as provas vão contra Russell – e quem haveria de ser o advogado que defenderia um ex-colega que confessava ter matado seus pares? A única chance é fugir e investigar quem seria o misterioso velho que lhe dera o livro. As pistas apontam para o milionário (Eric Stolz) que ele recusara a defender, mas…

Avaliação: Vi o filme há muitos anos. A oportunidade para revê-lo foi na TV a cabo, e valeu a pena. Gostamos muito, a trama é bem esperta, as razões que levaram o criminoso a montar a farsa contra Russell fazem sentido, não pareceram ter furo algum (raridade…). Achei um texto interessante sobre o filme (mas ele desvenda o mistério, cuidado, só leiam depois de ver o filme) em http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=1675, onde o autor comenta o que considera um excesso de críticas contra os advogados feito pelo roteiro. A verdade é que o roteiro arrasa com o que considera advogados mercenários.

A Filha do General (The General’s Daughter)

A Filha do General (The General’s Daughter), suspense criminal de Simon West, com John Travolta, Madeleine Stowe, James Cromwell, James Woods e Timothy Hutton. Enredo: Travolta e Stowe interpretam dois agentes do Departamento de Investigações Criminais do Exército americano; todo-poderosos, podem prender qualquer um, mesmo seus superiores, sem pedir autorização a ninguém. Ocorre que, desta vez, a vítima é uma oficial (Leslie Stefanson) que é… bom, o título do filme diz tudo. Ela é vítima de uma morte violenta, talvez após ter sido currada. Qualquer um pode ser suspeito, inclusive altas patentes; e isto mexe com poderosos interesses em se esconder não só os assassinos como os motivos, que nunca ficam claros para a dupla.

Avaliação: O filme prende bem, apenas é um pouco violento.

Armadilha (Entrapment)

Armadilha (Entrapment), suspense criminal e romance de Jon Amiel, com Sean Connery e Catherine Zeta-Jones.

Enredo: Connery faz um sofisticado ladrão de jóias e quadros, Zeta-Jones uma investigadora da companhia de seguros que está atrás dele, o que acaba virando um jogo para ver quem é mais esperto.

Avaliação: Muitas reviravoltas, você nunca sabe exatamente o que cada um é na verdade, quem é bandido ou “mocinho”, quem trai quem; tem suspense e aventura, perseguições, etc., mas a trama é meio confusa e não prende tanto.

Crime Verdadeiro (True Crime)

Crime Verdadeiro (True Crime), suspense criminal de Clint Eastwood, com o próprio, Isaiah Washington e John Woods.

Enredo: Um repórter mulherengo (Eastwood), que mal dá atenção para sua mulher e filhinha, colocando o trabalho em primeiro lugar sempre, acaba perdendo seu cargo em NYC e só consegue emprego num jornal menor, numa cidade menor, através do favor de um amigo. Por acaso, acaba escalado para entrevistar um preso (Washington) que vai ser executado na presidiária de San Quentin no dia seguinte. Frio e alheio aos problemas das pessoas, ele acaba acreditando na inocência do condenado, partindo em busca da verdade  nas poucas horas que lhe restam.

Avaliação: Final inesperado! Muito bom. John Woods está muito sarcástico, num papel bem engraçado, num filme nada engraçado; mas a composição ficou muito boa.

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