Textos categorizados 'Drama'

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper)

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper), drama de Nick Cassavetes, 2009. C

Enredo: Acompanhamos o filme através das lembranças de cada personagem. Kate Fitzgerald (Sofia Vassilieva) tem 13 anos e sofre leucemia promielocítica aguda (LPA). Ela chegou num estágio tal que seus rins não mais funcionam e depende de um transplante. A única que pode doar um rim é sua irmã mais nova Anna (Abigail Breslin), previamente concebida em proveta justamente para servir de doadora de órgãos e tecidos para Kate. No início, os procedimentos eram simples: cordão umbilical, um pouco de sangue, mas, com o passar do tempo, tornaram-se mais complicados e dolorosos: medula, injeções na bacia, com conseqüentes infecções, intervenções que exigiam internação. A esta altura, Anna resolve não mais ser doadora. Para tanto, recorre a um famoso advogado. Pretende acionar seus pais e pleitear judicialmente o que o advogado, Campbell Alexander (Alec Baldwin) intitula de “emancipação médica”. . Revoltada e sem compreender o que levou a filha, tão ligada à irmã, a tomar tal decisão, Sara (Cameron Diaz), mãe das meninas, está certa de que o famoso advogado, que defende a filha sem nada cobrar, deseja apenas maior projeção com o caso. É aí que resolve retomar a carreira de advogada e atuar contra a filha. Neste turbilhão são envolvidos o pai das meninas (Jason Patric), um bombeiro dedicado ao trabalho e que mal tem tempo de cuidar da família, o irmão (Evan Ellingson), cujos intensos problemas pessoais ficam relegados a segundo plano e a irmã de Sara (Heather Wahlquist), que também dedica sua vida a ajudar a família. A dominadora e intransigente Sara, dedicada quase que apenas à filha doente, complica uma situação já difícil, que terá que ser decidida pela juíza De Salvo (Joan Cusack), que também passa por um drama pessoal intenso, a terrível perda da filha.

Avaliação: Minha mãe, a Sarah e eu adoramos este filmaço, lindo e triste, que deixou boa parte do cinema em choro convulsivo. Extremamente tocante, não é piegas e retrata uma situação plausível, que careceria até de discussão profunda. Os personagens são todos bem montados e cativantes, mesmo os menores, como os da juíza (Joan Cusack), do advogado (Alec Baldwin, que mantém uma pose de irreverência, que esconde algo mais e culmina num toque especial para o filme) e o do médico (David Thornton) que acompanha com carinho e sobriedade o caso de Kate.

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy)

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy), drama de Bruce Beresford, 1989. C

Enredo: Para o compreensivo e paciente Bollie (Dan Aykroyd), o pequeno acidente de carro de sua mãe, a sofisticada Miss Daisy (Jessica Tandy), é a prova de que ela não tem mais condições de guiar. Ele providencia-lhe um chofer, Hoke Colburn (Morgan Freeman), mas ela reluta em aceitar a ajuda e recebe o novo funcionário de cara fechada. Mas Hoke não desiste e faz de tudo para agradar a patroa. Com o tempo, ele vai conseguindo seu intento e forma-se uma sólida e bela amizade.

Avaliação: O enredo é simples e tem poucos personagens, mas o diretor conseguiu extrair o máximo da estória, ajudado pelo trio de atores principais (na realidade, o papel de Dan Aykroyd – o menor dos três – soou-me o mais simpático). De quebra, através da judia Miss Daisy e do negro Hoke, consegue-se ter um leve panorama do sul racista dos EUA de 1950. Um filme cativante, que vi no cinema há vinte anos e tive a felicidade de rever com meus pais e a Sarah em 2007.

Apollo 13 (Apollo 13)

Apollo 13 (Apollo 13), suspense
dramático de Ron Howard, 1995.
C

Enredo: “Houston, we’ve had a problem”. Estamos em 1970 e a terceira missão tripulada à Lua será lançada, mas o público já não está tão envolvido pelo assunto. Assim, a partida de Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon) não desperta interesse, a não ser em suas famílias e na equipe em solo, comandada por Gene Kranz (Ed Harris) e apoiada por Ken Mattingly (Gary Sinise), que perdeu a chance de voar na Apollo por causa de um sarampo que nem se concretizou. Perder o vôo talvez tenha sido sua sorte, pois, antes mesmo da chegada à Lua, uma explosão num tanque de oxigênio põe o vôo em perigo. A missão agora não é mais chegar à Lua, mas retornar à Terra em segurança. Com um mínimo de materiais e o máximo de criatividade, a tripulação e a equipe em solo terão de achar uma solução para evitar que a nave fique sem ar e os tripulantes morram sufocados. Agora, sim, a toda a atenção da Terra está voltada para a Apollo 13.

Avaliação: Suspense fantástico, muito bem feito, e que empolga mesmo quando se sabe o fim do drama. Adorei no cinema, adorei em DVD. A Sarah achou bom, mas não excepcional, mas eu usaria este adjetivo sem dúvida alguma. Acompanhar não somente o drama, como a genialidade das soluções que vão sendo criadas, torna-se muito mais envolvente quando nos lembramos que os computadores da época, apesar de enormes, tinham uma capacidade de processamento equivalente a algo como uma máquina de calcular atual.

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A)

Q & A. Sem Lei, Sem Justiça (Q & A), drama policial de Sidney Lumet, 1990.

Enredo: O detetive Michael Brennan (Nick Nolte) é um policial violento, mas considerado exemplar. Sua situação complica-se quando ele embosca e mata um informante a sangue frio e alega legítima defesa. O caso vai para a Corregedoria e fica a cargo do novato Procurador-Assistente Aloysius Reily (Timothy Hutton), que leva a tarefa a ferro e fogo, mas encontra a resistência do corporativismo dos colegas de Brennan, bem como de seu superior, o poderoso Kevin Quinn (Patrick O’Neal). Os três vêm de famílias de origem irlandesa que se conheciam, mas isto não impede o agravamento dos atritos. A única chance de Reily é o testemunho de Bobby Texador (Armand Assante), mas Texador é um conhecido traficante e agiota e sua palavra não tem grande valor. Tampouco sua vida, pois seu “amigo” Brennan fará de tudo para eliminar esta testemunha.

Avaliação: Eu me lembrava de ter gostado muito do filme quando o vi no cinema, mas, quando revi em DVD, não fiquei empolgado. O filme é médio, um pouco arrastado.

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees)

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees), drama roteirizado e dirigido por Gina Prince-Bythewood, 2008.

Enredo: 1964. Martin Luther King luta para que não haja mais a abominável segregação racial para o uso de banheiros, bebedouros, cadeiras nos cinemas, nos ônibus… Na Carolina do Sul, um dos estados mais segregacionistas dos EUA, vive Lily Owens (Dakota Fanning), uma garota de 14 anos que, após a perda da mãe dez anos antes, vive sob os cuidados da empregada Rosaleen (Jennifer Hudson) e as surras do pai (Paul Bettany). Sua lembrança mais freqüente são os momentos finais da mãe, a briga com o pai, o olhar de súplica da mãe para a filha, a arma caída e o disparo acidental da pequena Lily. O pai está mais preocupado em recriminar a falecida esposa e curtir a dor da sensação do abandono, ao passo que Lily lamenta o disparo que a impediu de fugir com a mãe. Cansada de apanhar e sonhar com dias melhores, a garota vê na surra que Rosaleen toma de racistas brancos a gota d’água para tomar a drástica decisão de abandonar a casa. Junto com Rosaleen, cai na estrada e vai à procura de uma cidadezinha perdida e das lembranças da mãe que ficaram numa pequena jarra de mel – lá ela espera poder descobrir se o pai tinha razão ou se sua mãe voltara para casa naquele dia fatídico apenas para buscá-la. É assim que as andarilhas acabam acolhidas pelas irmãs Boatright. Em comum, as irmãs têm a dedicação à apicultura, o sucesso financeiro e o conforto mesmo numa região onde predomina o racismo. De resto, são completamente diferentes. Auguste (Queen Latifah), a mais velha, é compreensiva e acolhedora; June (Alicia Keys) é uma culta professora e violinista, que prefere ser livre a admitir que ama e casar-se; May (Sophie Okonedo) é a “coração-mole”, sempre solícita e sorridente, mas que “carrega nos ombros o peso do mundo” após a morte da irmã gêmea e está sempre a um passo de chorar quando recebe qualquer notícia triste. É com estas irmãs que, em meio a diversos percalços, Lily vai aprender sobre o amor pela vida, pelo trabalho, pelas abelhas e seus mistérios e descobrir a paixão.

Avaliação: A Sarah não quis assistir, pois sabia que a estória era triste e violenta demais. Mas não é bem assim. O filme tem momentos onde a personagem de Dakota apanha do pai, brancos maltratam negros, mas nada que seja tão pesado (apesar de revoltante). O enredo é bom, simpático, mas não tão cativante. Das sugestões de nossa amiga Teté, eu preferi o drama romântico Quatro Amigas e Um Jeans Viajante 2 a este (apesar de que os temas são bem diferentes). Mas vale a pena; mesmo não sendo excepcional, o filme é bonito.

A Órfã (The Orphan)

A Órfã (The Orphan), suspense de terror de Jaume Collet-Serra, 2009.C

Enredo: O nascimento de Jéssica, terceira filha do casal – era muito desejada pelo casal Kate (Vera Farmiga) e John Coleman (Peter Sarsgaard). Mas Kate perde o bebê e é submetida a uma cirurgia que a impede de ter outros filhos. Após um período de depressão que a leva à bebida, liberta-se do vício com ajuda da psiquiatra Dra. Browning (Margo Martindale). É o momento certo para adotar uma menina – e a candidata surge na figura de Esther (Isabelle Fuhrman), uma garotinha de rosto e atitudes angelicais, talentosa e retraída, trazida da Rússia para o orfanato dirigido pela irmã Abigail (CCH Pounder). A irmã Abigail demonstra satisfação com a decisão do casal, não obstante a intrigue o fato de Esther sempre estar presente a tragédias. Some-se a isto que Esther e John se deram bem logo no primeiro contato. Único conselho de irmã Abigail: não tentem tirar de Esther o lenço que usa no pescoço, pois ela reage… Na casa dos Coleman, Esther mostra talentos precoces: pinta muito bem, em pouco tempo está tocando Tchaikovsky e dominando a linguagem de surdos-mudos para conversar com a filha do casal, a pequena Max (Aryanna Engineer). As duas meninas se dão bem, mas Daniel (Jimmy Bennett) olha desconfiado para sua nova irmã e a repele, assim como quase todos os alunos da escola que freqüentam. E os problemas começam em seguida: um “acidente” com a colega que maltrata a vingativa Esther, as ameaças dela ao irmão, a pressão sobre Max para obter sua cumplicidade, as tentativas de fazer Kate e John se desentenderem e de fazer Kate voltar ao vício da bebida. Ao contrário de John, Kate, pouco a pouco, desconfia da filha e, com a ajuda da irmã Abigail, inicia a investigação dos mistérios do passado de Esther. Uma atividade arriscada e que encontra apenas a desconfiança de John, que acredita cada vez mais na ardilosa Esther e menos na esposa. Azar o dele…

Avaliação: Apesar das críticas quanto aos clichês e situações improváveis que andei lendo, e com as quais concordo em parte, não creio que estas “forçadas” atrapalhem o enredo, e o filme continua sendo um suspense de primeira. A Sarah gostou bastante. Minha mãe achou que prendeu bem mais que “O Seqüestro do Metrô” (a refilmagem de 2009), que assistira recentemente. E você fica realmente tenso o tempo todo, ainda mais porque Isabelle Fuhrman capricha na interpretação. E tem um ótimo apoio na pequena Aryanna Engineer, que, no papel de sua irmã menor e dominada, consegue expressar medo e terror com um requinte próprio e inimitável. Vale a pena ver e tremer.

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil)

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil), drama com fundo histórico de John Curran, baseado em um livro de William Somerset Maugham, 2006.

Enredo: 1925. A jovem Kitty (Naomi Watts) pensa ser cedo para pensar em casamento, pois leva uma vida de luxo e confortável, com direito a festas e intensa vida social. Mas sua mãe a lembra de que o pai não irá sustentá-la para sempre – este será papel do marido. Ela sente-se pressionada e, mesmo sem corresponder, acaba cedendo ao pedido do tímido e recatado bacteriologista Walter Fane (Edward Norton), que está profundamente apaixonado por ela. Casados, Walter volta para seu posto em Xangai, na China, onde, como diz a ela, a vida social será divertida. Mas são tempos difíceis no país, pois os chineses estão cada vez mais irritados com a excessiva influência dos europeus nos rumos do país e – gota d’água – policiais ingleses acabaram de matar onze operários chineses que protestavam contra as condições das fábricas, e os nacionalistas de Chang Kai-shek estão propagando crescente ódio aos ocidentais. Sem amor por Walter, que se dedica integralmente às pesquisas e nutre uma vida monótona, Kitty é logo seduzida pelo vice-cônsul inglês (Liev Schreiber, marido de Watts na vida real). Ciente do caso, o discreto Walter resolve aceitar um posto numa cidade distante, onde poderá salvar vidas da epidemia de cólera que toma conta do país – e, ao mesmo tempo, afastar a esposa do amante. E, ao contrário do que esperava a ingênua Kitty, o amante não abandona a esposa e, sem alternativa, a não ser um escandaloso divórcio, Kitty segue o marido. Walter empenha-se em evitar o alastramento da epidemia e em salvar as crianças do convento local. Solitária e isolada, Kitty também começa a envolver-se com as crianças – e a perceber que Walter tem qualidades… Mas as cada vez mais antipáticas medidas de Walter para conter a epidemia, não parecem ser suficientes e só fazem aumentar o ódio da população, tornando mais difícil a situação do casal.

Avaliação: O filme ficou pouco tempo em cartaz, o trailer não me impressionou muito e acabamos perdendo. A Sarah acabou vendo na TV a cabo e adorou, recomendando-me. Achei a estória boa, o filme bom… Mas lento. A Sarah não gostou do final, e eu, ao contrário, o considerei bonito. Mais do que o rumo do relacionamento do casal, o que me atraiu foi o pano de fundo histórico: a epidemia de cólera, a descoberta de seu alastramento pela água consumida, as medidas para evitá-la, os problemas com a população local, suas crenças e hábitos, o panorama político, com a ascensão de Chang Kai-shek (que mais tarde viria a ser o primeiro presidente de Taiwan) e sua luta contra a excessiva influência ocidental – principalmente dos ingleses – na China, as tentativas de converter os chineses ao catolicismo por parte dos conventos, através de suas obras sociais.

Os Falsários (Die Fälscher)

Os Falsários (Die Fälscher), drama sobre evento da Segunda Guerra escrito e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, 2007.

Enredo: 1936. Nos primórdios da Alemanha nazista, ainda há lugar para o Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics) ganhar a vida com suas falsificações – cheque, dinheiro, tudo lhe é possível. Mulheres, dinheiro e bebidas vêm facilmente – até que ele é preso pelo superintendente Friedrich Herzog (Devid Striesow). Este comemora a prisão do “Rei dos Falsários”; o outro lamenta o fim da vida mansa e, para este, começam as humilhações e surras destinadas aos prisioneiros, principalmente aos judeus, no campo de concentração de Mauthausen. Quebrando pedras, suas mãos já não conseguem pintar e desenhar, mas ele ainda tem forças para fazer alguns desenhos – e é este seu talento, aliado ao seu passado, que convencem Herzog (novamente ele) a levar Sally para o campo de concentração de Sachsenhausen e usar os serviços do judeu para assumir o comando de uma equipe de peritos judeus de diversas áreas e imprimir (sem trocadilhos…) maior velocidade à maior operação de falsificação já realizada na história, a “Operação Bernhard”. Com ela, os nazistas pretendiam inundar os mercados com falsas libras esterlinas e, posteriormente, dólares falsificados e, assim, arruinar a economia dos aliados. A equipe tem tratamento diferenciado dos outros prisioneiros: são chamados pelo nome (em vez de pelos seus números), suas camas têm colchão, eles não comem a sopa rala dos outros e usam roupas civis. Mas, se isto é um alívio para os sofrimentos de Sally, que leva sua missão a sério, por outro lado, torna-se uma questão torturante para seu colega Adolf Burger (August Diehl) – afinal, eles estão usando roupas tiradas de outros prisioneiros exterminados pelos nazistas, falsificando passaportes a partir de documentos de outros prisioneiros assassinados e convivendo diariamente com os gritos dos outros internos, espancados ou mortos pelos nazistas, sob as ordens do sádico Holst (Martin Brambach), o auxiliar de Herzog que gostaria de eliminar também toda a equipe. As falsificações vão indo bem, passam pelos testes mais difíceis, mas, quando surge o momento de falsificar o dólar, Burger resolve sabotar a operação. Neste momento, Sally tem que tomar uma decisão: arriscar a vida de todos, caso Herzog descubra a sabotagem, ou ajudar Burger e fazer com que eles agüentem até a iminente chegada dos aliados e a possível libertação? E se ajudar Herzog fosse a única maneira de obter os remédios para poder salvar o companheiro Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky)? Por outro lado, se a operação der certo, os aliados perderão a guerra e a equipe será certamente eliminada. Muitas faces de uma questão complicada. E Sally toma sua decisão.

Avaliação: A Gisele e a Sarah acharam este filme (baseado em eventos reais) médio, cansativo. O Carlinhos achou bom, eu, idem. Mas, com o passar dos dias, fui refletindo sobre as cenas e situações e considerei o filme muito bom. Tem momentos mais lentos, certamente. Mas o filme tem cenas sutis, com pouca violência explícita, mas que deixam muito claro o sofrimento dos prisioneiros. Por exemplo:

  1. Diversos deles eram obrigados a caminhar em círculos até a morte para testar as botas que seriam produzidas para os soldados;
  2. Outros manipulavam roupas e documentos que poderiam ter pertencido a parentes seus assassinados.
  3. O terror da chamada dos prisioneiros, que tinham que responder rapidamente pelo número (alguns deles os tinham gravado no braço);
  4. O medo de que as duchas fossem câmara de gás;
  5. Os tiros que se ouviam a toda hora do outro lado dos tapumes.

Outro ponto interessante: além da diferença de opinião sobre como proceder, havia também as diferenças pessoais entre eles, bem exemplificadas pelo desprezo que os judeus que vinham da vida honesta e trabalharam em bancos demonstravam pelo trambiqueiro Sally.

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show)

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show), drama de Robert Redford, baseado no livro de Richard Goodwin, 1994.  C

Enredo: O filme se passa anos 50. O show “Twenty-one”, de perguntas e respostas sobre conhecimentos gerais, tem como atração principal há vários meses Herbert Stempel (John Turturro); mas Herbert não tem classe, não é atraente, é judeu e não é de família tradicional – o que nos bastidores é considerado ruim, sobretudo em termos de anunciantes. A solução da produção é forçar a saída do participante, fazendo com que o novo competidor, Charles Van Doren (Ralph Fiennes), acerte uma pergunta preparada, que Stempel errará. Van Doren é o tipo perfeito para os anunciantes: de família com tradição na literatura, bem apessoado, falante e muito culto, com ele o programa venderá qualquer coisa. Com a saída de Stempel, Van Doren vence seus oponentes sucessivamente, mantém-se no ápice, inclusive, figurando na capa das maiores revistas. Mas Stempel não se conforma e acusa a produção do programa de fornecer as respostas antecipadamente ao rival. Difícil de acreditar: um “Van Doren” fazendo falcatruas? Sujando o nome da família liderada pelo corretíssimo e famoso Charles Van Doren (Paul Scofield)? É então que entra em cena um idealista e talentoso investigador, o advogado Richard Goodwin (Rob Morrow), que trabalha para o Congresso americano. A possível fraude tornou-se, agora, uma questão de interesse nacional.

Avaliação: Baseado em fatos reais, este filme trata de eventos que atraíram a atenção de dezenas de milhões de telespectadores americanos. Vi no cinema e, quase quinze anos depois, com a Sarah. Uma história que pareceria banal adquire clima de suspense investigativo. Muito bom. A Sarah também gostou bastante.

Spartacus (Spartacus)

Spartacus (Spartacus), épico dramático de Stanley Kubrick, 1960. C

Enredo: 73 a.C. Em Roma, podia-se dizer haver quase tantos escravos quanto cidadãos livres. Entre os primeiros, estava Spartacus (Kirk Douglas), vindo de uma das muitas regiões conquistadas por Roma, a Trácia (região aproximadamente entre a Bulgária e a Turquia). Como tantos outros companheiros de infortúnio, seus dotes físicos o tornaram um gladiador a serviço de Lentulus Batiatus (Peter Ustinov), obrigado a lutar pela vida na arena, para diversão da plebe e dos nobres de Roma. Ávido pela liberdade, Spartacus será o líder (ou um dos líderes, segundo alguns historiadores) da revolta contra seus opressores. Excelentes táticas nos campos de batalha o levaram a inúmeras vitórias, mas diferenças de opinião com alguns de seus comandantes sobre os rumos da revolta puseram todos os ganhos em risco. Para sua sorte, os próprios romanos, envoltos em diversos conflitos dentro das fronteiras de seus domínios, não dispunham de homens preparados e suficientes para combatê-los. Joguete na luta do poder em Roma, Spartacus vitorioso interessava ao grupo de Julio César (John Gavin) e de Graco (Charles Laughton), que se opunham ao general Marco Crasso (Laurence Olivier). É então que este último seleciona seus melhores homens para o confronto final com o escravo revoltoso. Poderá ser a última chance de Spartacus estar ao lado de sua amada Varinia (Jean Simmons) e de lutar ao lado de seu fiel companheiro Antonino (Tony Curtis).

Avaliação: Assim como Exodus, mais um filme excepcional, um dos melhores que vi até hoje. Com excelente roteiro de Dalton Trumbo, vilões realmente bem caracterizados e que conseguem provocar repulsa à escravidão imposta por Roma, reforçada por um Kirk Douglas que nos cativa para sua luta em busca do direito de ser livre.

Aprendi com meu pai que há duas coisas para as quais o ser humano somente dá valor quando as perde: a saúde e a liberdade. Este filme mostra o desejo pela liberdade que todo ser humano carrega, mas do qual normalmente nem se dá conta.

A Proposta (The Proposal)

A Proposta (The Proposal), comédia romântica de Anne Fletcher, 2009. C

Enredo: A editora Margaret Tate (Sandra Bullock) é uma megera; quando passa pelos corredores do escritório, seus funcionários escondem-se, fingem que estão compenetrados no trabalho, falam mal dela pelas costas. Entre eles, Andrew Paxton (Ryan Reynolds), o assistente-capacho de Margaret. Seu sonho é que a chefe leia um roteiro, goste e publique seu livro. Mas a bomba chega no dia em Margaret recebe a notícia de que uma viagem que fizera desrespeitara as normas para candidatos à imigração – ou seja, ela será deportada dos EUA. “Mas eu sou canadense”, rebate ela, como se isto pudesse livrá-la do infortúnio. Para proteger seu trabalho – que é o que mais preza – ela é rápida no raciocínio: Andrew é “voluntariamente” arregimentado para um casamento de fachada e, assim, livrá-la da deportação. Por outro lado… Esta é a chance dele devolver as humilhações, galgar posições e ver seu livro publicado. Bom, isto tudo se o encarregado do processo (Denis O’Hare) permitir, pois ele é meticuloso e qualquer falha na história combinada pelo casal configuraria crime … E também se a esnobe Margaret e seus saltos altos agulha sobreviverem ao fim de semana na casa dos pais de Andrew (Mary Steenburgen e Craig T. Nelson), na remota Sitka, no Alasca. E à pressão do pai de Andrew, que desconfia deste casamento, já que o filho sempre falava mal da patroa. E à presença da bela e antiga amada de Andrew (Malin Akerman). Será que vale a pena, Margaret? Ou seria melhor fazer as malas e partir para o Canadá?

Avaliação: Filmaço cômico como há tempos não víamos, de rir do começo ao fim com as peripécias do casal para fingir que se amam – Sandra Bullock e Ryan Reynolds “casam” muito bem. Cenas antológicas: a da águia caçadora de cachorros, Margaret Tate (Bullock) lembrando seus tempos de discoteca, o encontrão dos dois no quarto, as múltiplas habilidades do cantor-stripper-galanteador-funcionário do correio Ramone (Oscar Nuñez) e, claro, a vovó vivida por Betty White…

Ah, a Nancy, Danon e Tetê também viram o filme e o adoraram, acharam sensacional. Como disse o Danon, “Sandra Bullock, magnetizante e vovozinha, SENSACIONAL. Demos gargalhadas como há tempos não fazíamos num filme.”

PS: Minha mãe (que não é fã de comédias do gênero!) e meu irmão adoraram.

A Rede (The Net)

A Rede (The Net), suspense criminal de Irwin Winkler, 1995.

Enredo: Angela Bennett (Sandra Bullock) vive somente para seu trabalho de analista de sistemas, não tem amigos, exceto por aqueles com quem conversa via computador. E é através de um amigo e colega de trabalho virtual, Dale (Ray McKinnon), que ela recebe um estranho programa para analisar. Dale morre em seguida, quando o avião que o conduzia ao encontro de Angela cai. Ela prossegue investigando o disquete que recebera dele, mas alguém a persegue. sua vida é apagada dos registros públicos e uma nova identidade lhe é atribuída, a de uma criminosa. Ela tem que lutar pra descobrir o que ocorreu e quem provocou isto e sua busca a leva a Jack Devlin (Jeremy Northam) e Ruth Marx (Wendy Gazelle). É então que ela se torna a caça.

Avaliação: Não vi no cinema, acho que por não acreditar que fosse ser bom. Vi na TV em 2008 ou 2009 e poucos meses depois a Sarah também o viu. Muito bom, prende bem, um filme sobre uma época em que a internet nem existia para o público em geral e a trama foi baseada em disquetes e discagens por modem…

A Sétima Profecia (The Seventh Sign)

A Sétima Profecia (The Seventh Sign), suspense dramático e apocalíptico de Carl Schultz, 1988.

Enredo: Abby Quinn (Demi Moore) já perdeu um bebê e também tentou um suicídio. Ela pretende tomar mais cuidados e estressar-se menos com sua atual gravidez e conta com a ajuda do dedicado marido, o advogado Russell (Michael Biehn). Mas o mundo passa por momentos difíceis: uma escalada de conflitos armados, atentados e estranhos fenômenos naturais, como neve no deserto do Negev (Israel) e rios que se transformam em sangue, espalham a morte em países diversos (aliás, o filme faz referência à Nicarágua, então em conflito civil). Em todos os eventos, está a misteriosa figura de David Bannon (Jürgen Prochnow), o mensageiro responsável pelo seu desencadeamento. A cada evento, um envelope contendo um estranho texto é deixado. No encalço desta figura e das calamidades, segue o igualmente misterioso Padre Lucci (Peter Friedman), encarregado pelo Vaticano de verificar se os eventos não configurariam as sete profecias, sinalizando que os excessos do ser humano haveriam provocado a ira de Deus e a chegada do Apocalipse. Quando David Bannon hospeda-se na casa dos Quinn, a gravidez de Abby passa por momentos difíceis e ela crê que o hóspede tenha alguma relação com isto. Ela não consegue convencer o marido e ele a julga assustada demais pela perda do primeiro bebê. Ademais, Russell está ocupado tentando desesperadamente anular a sentença de morte de um assassino confesso e perturbado, que julga ter agido “em nome de Deus”. Abby resolve agir sozinha, investigando seu hóspede e os estranhos papéis que ele mantém em casa, ao passo que seus assustadores sonhos ficam mais freqüentes, assim como os sinais de que as sete profecias estejam, uma a uma, sendo cumpridas, sem que ninguém possa impedir. Ou…

Avaliação: Eis um filme que eu assistira uma ou duas vezes, mas sem ter visto seu início. Em DVD, finalmente pude vê-lo inteiro – e valeu, pois ele vai crescendo aos poucos, num ritmo cativante. Um filme sobre fé, esperança e desesperança, que pode atrair mesmo os mais incrédulos. Aliás, os roteiristas puseram justamente como protagonista uma pessoa sem fé (a Abby, de Demi Moore) – pareceu-me até uma espécie de proselitismo, mas que em nada afetou o interesse que o filme provocou.

Trama Internacional (The International)

Trama Internacional (The International), suspense dramático e criminal de Tom Tykwer, 2009.

Enredo: Eleanor Whitman (Naomi Watts), da Procuradoria de Nova Iorque, e Louis Salinger (Clive Owen), da Interpol, investigam o banqueiro Jonas Skarssen (Ulrich Thomsen), envolvido em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e golpes de estado. Mas, todas as pessoas que podem incriminá-lo, são mortas tão logo concordam em colaborar; nem os policiais estão a salvo… Por trás do banqueiro, um eficiente esquema, engendrado pelo seu braço direito, Francis Ehames (Jay Villiers), seu advogado, Martin White (Patrick Baladi) e por Wilhelm Wexler (Armin Mueller-Stahl), a pessoa encarregada de corromper policiais e providenciar o desaparecimento dos que se mostram obstáculos. Para isto, Wexler usa os serviços de um eficiente “consultor” (Brian F. O’Byrne), que não deixa rastros, nem faz perguntas. Uma vez mais, Whitman e Salinger estão próximos de pegar Skarssen e uma vez mais, um importante colaborador é assassinado e um policial corrupto se interpõe no caminho; de caçadores, a dupla corre o risco de tornar-se a caça. O assunto tornou-se uma questão pessoal para Salinger a ponto dele se dispor a andar à margem da lei para conseguir fazer justiça.

Avaliação: Filmaço, suspense (intrincado, diga-se) de prender na cadeira. Não há tanta ação como o trailer dá a entender, mas tudo bem. E Clive Owen é realmente, como em “Um plano Perfeito”, a alma do filme. Minha mãe e eu adoramos e a Sarah gostou apesar de achá-lo cansativo em muitos momentos. Ah, claro, fiquei me perguntando se muito do que o filme mostra não é a realidade de alguns bancos e empresas que fazem negócios com regimes corruptos.

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far)

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far), épico de guerra de Richard Attenborough, 1977. C

Enredo: Baseado no livro de Cornelius Ryan, o filme trata da “Operação Mercado-Jardim” (“Mercado” referia-se aos paraquedistas e “Jardim”, ao ataque por terra) de 1944, através da qual os aliados, entusiasmados com o sucesso da operação de desembarque na Normandia, pretendiam, com a tomada de uma série de pontes na Holanda, alcançar e destruir a região industrial alemã, no vale do Ruhr. O caminho passava por várias pontes, entre elas a valiosa ponte sobre o rio Arnhem, que dá o título ao filme.

A idéia foi do Marechal Montgomery (“Monty”), que, por meio da influência política, forçou o seu superior, o General Eisenhower – o Comandante das forças aliadas – a apoiá-lo e a preterir os planos de seu rival, o General Patton. Como se percebe desde o início do filme, deixar a estratégia política vencer a militar foi uma péssima idéia.

Erro: não acreditar nos informes da resistência holandesa de que os alemães concentravam muitas tropas para defender a região e basear-se no otimismo gerado pelo Dia D.

Erro: o Tenente-General Browning (Dirk Bogarde), responsável pela operação, insistir em prosseguir mesmo com fotografias aéreas (“poucas fotos”, segundo ele) que mostrando da existência de tanques alemães camuflados na região. Em vez disto, e já cansado de tanto ter que adiar a operação, prefere colocar o responsável pelo levantamento aéreo, Major Fuller (Frank Grimes) “de molho” a fim de evitar a disseminação de possível pessimismo. Aliás, nem o general alemão Model (Walter Kohut) acreditava que os aliados seriam ousados (ou tolos) a ponto de atacar a considerável concentração de tropas, até porque a localidade não oferecia nenhum interesse estratégico. Daí a recusa de Model em explodir as pontes para segurar os aliados.

Erro: acreditar que o exército alemão era formado de crianças e velhos, como se difundia entre os aliados (apesar de que, em certo momento do filme, as crianças aparecerão). Na verdade, as melhores tropas nazistas estão estacionadas na região, comandadas pelo Tenente-General Bittrich (Maximilian Schell) e pelo Major-General Ludwig (Hardy Kruger), que vão segurar Arnhem a qualquer custo – eles preferem explodir as pontes para segurar só aliados, mas Model não concorda, insiste que os aliados não ousariam atacar as pesadas forças nazistas com paraquedistas e que não há nada de importante a ser conquistado na região.

E não foi por falta de experiência prévia, pois os próprios “Jerrys” (nazistas) haviam sido massacrados ao tomar Arnhem, em 1940.

A operação tem vários riscos: mudanças de tempo podem prejudicá-la imensamente, o entrelaçamento entre os diversos pontos de ataque aliado deve ser preciso, uma falha pode provocar o fracasso de toda a operação.

O início da operação aparentemente corre bem, e os alemães recuam muito mais rapidamente do que os aliados podem avançar, já que faltam aos aliados suprimentos, estradas livres e aviões suficientes para lançar todos seus paraquedistas.

A partir de então, acompanhamos o desenrolar de algumas histórias:

O major-general polonês Sosabowski (Gene Hackman), um homem de visão, que percebe estar colocando seus homens numa operação perdida, mas que prefere manter silêncio e ir adiante, é impedido pelo fog inglês.

O Brigadeiro-General Gavin (Ryan O’Neal), temeroso (com razão) com os relatos de seu ajudante-de-ordens holandês (Peter Faber) sobre as condições que seus paraquedistas irão encontrar, sobretudo por tratar-se de ataque à luz do dia, o que os torna mais vulneráveis. E os jipes, tanques e barcos de apoio não chegam.

O coronel Urquhart (Sean Connery), que descobre que vai saltar a muitos quilômetros de Arnhem e ter que se locomover a pé até o difícil alvo. Para piorar, ao chegar ao solo holandês, percebe que os rádios estão com cristal errado e não fornecem comunicação aos jipes que não chegam. Logo é cercado e a munição vai escasseando.

O Tenente-Coronel Horrocks (Edward Fox) será a “cavalaria” que irá em socorro dos paraquedistas – se tiver recursos para tal.

A guarda irlandesa, comandada pelo Tenente-Coronel J. O. E. Vandeleur (Michael Caine), que chega com tanques para depois alcançar e dar suporte aos paraquedistas, criar cortinas de fumaça; mas ele mesmo é logo atacado pelos alemães.

Os paraquedistas do Tenente-Coronel Frost (Anthony Hopkins), que tem a inglória tarefa de tomar a ponte de Arnhem com rifles e algumas armas antitanque; eles testam as forças inimigas, apenas para descobrir que elas são muito mais bem armadas que eles.

O coronel Stout (Elliot Gould), cuja missão é tomar a ponte do Rio Son – e a vê sendo explodida à sua frente…

O Major Julian Cook (Robert Redford) que não tem os barcos necessários à travessia do rio para tomar Nijmegen.

 

Avaliação: É um prazer escrever sobre este filme, um dos melhores que já vi, certamente o melhor filme de guerra. Já o vi duas vezes e meia (a metade do filme na TV eu já tinha perdido). A empolgante trilha sonora de John Addison ajuda a manter o clima, que é arrepiante desde os primeiros minutos de suas quase 3 h (muito rápidas!). Nunca vi tantos astros juntos num filme tão bom. Mesmo sabendo o final do filme, como no “Operação Valquíria”, há um suspense sobre o desenrolar das operações. Há dramas muito bons – em particular, refiro-me à promessa do Sargento Eddie Dohun (James Caan) em levar seu capitão (Nicholas Campbell) com vida de volta aos EUA (com um final surpreendente). Detalhes primorosos, desde a descida dos paraquedistas até as operações em terra.

Diálogos afiadíssimos, com destaque para as frases ácidas do general polonês interpretado por Gene Hackman (ótimo), são o toque tragicômico do filme (quando ele vê que está “no mato sem cachorro”, diz ao seu superior inglês “Só queria ter certeza de que lado o senhor está” ou quando ele exige uma carta do general Browning dizendo que ele, Sosabowski, está executando o plano mesmo estando em desacordo com ele, para o caso de seus homens serem massacrados. Ele mesmo dispensa a carta: “Em caso de sermos massacrados, de que ela adiantaria?”). Elliot Gould é o outro que confere um caráter mais “light” ao filme.

E o Major Harry Carlyle (Christopher Good), sempre com seu guarda-chuva na mão e alto astral, e a surreal negociação da rendição com os alemães (rendição de quem para quem?).

Mais uma afiada: Browning consola Urquhart dizendo que este fez tudo o que podia. “Mas, e os outros, fizeram?”.

No final, ficou difícil arrumar um culpado: a estrada para Nijmegen, a tomada de Nijmegen, o fog inglês?

A Espiã (Black Book/Zwartboek)

A Espiã (Black Book/Zwartboek), drama de espionagem e de guerra com toques de suspense e de romance de Paul Verhoeven, 2006. C

Enredo: 1956. Israel. Um grupo de turistas visita um kibutz. Ronnie (Halina Reijn) reencontra Rachel (Carice van Houten), agora professora neste kibutz. Elas se recordam dos tempos em que estiveram juntas na Holanda. Mas isto traz lembranças amargas a Rachel.

Final de 1944. Segunda Guerra Mundial. Parte da Holanda ainda está sob o jugo nazista. É onde está escondida a cantora judia holandesa Rachel Stein. Quando a fazenda que a abrigava é destruída por bombas – “Aviões alemães descarregando excesso de carga”, diz o rapaz com quem Rachel conversava – ela se refugia com seu salvador num celeiro abandonado, onde são contatados por Van Gein (Peter Blok), da resistência, que lhes propõe juntar-se a um grupo que vai cruzar o rio para o sul da Holanda, já libertado. Para tanto, ela contata o advogado da família, para reaver parte dos recursos custodiados por ele. Ela reencontra a família no momento da travessia, mas os perde para sempre quando uma patrulha alemã metralha os passageiros e saqueia o barco. Somente ela sobrevive. Escondida pelo grupo da Resistência liderado por Gerben Kuipers (Derek de Lint) com a identidade de Ellis de Vries, Rachel aceita participar das ações do grupo. A primeira é o contrabando de armas, que a leva a viajar com o aliado do grupo Hans Akkermans (Thom Hoffmann) – no trem, ela conhece o oficial alemão Ludwig Müntze (Sebastian Koch), chefe da inteligência local – que fica seduzido por ela. Quando um acaso expõe parte do grupo da resistência, Ellis aceita a missão de aproximar-se de Müntze, seduzi-lo, implantar uma escuta no quartel alemão e ajudar na libertação do filho de Kuipers e de seus companheiros. Ela tem sorte, pois o nazista a emprega e é seduzido por ela. De lá para as festas e recepções, o passo é rápido. E o reencontro com o oficial nazista que trucidara sua família (Waldemar Kobus) também. Seguem as primeiras ações apoiadas pela presença de Rachel no quartel inimigo. Mas os revezes vão se acumulando. Haveria alguém infiltrado no grupo? Um de seus contatos estaria trabalhando para os dois lados? A própria Rachel, agora emocionalmente envolvida com o nazista, torna-se suspeita e alvo dos dois lados.

Avaliação: “Baseado em fatos reais”, é o que se lê no início do filme. É bem possível, pois muitos eventos como os narrados no filme certamente ocorreram: resistência, colaboracionismo, subjugação, traições, ações heróicas.

Um filme de 2,5 horas, que passa rápido e provoca muitos momentos de tensão. Além de ser um drama cativante e um “suspensaço” com muito conteúdo, o filme mostra dois fatos que raramente têm vez neste tipo de filme: a punição dos colaboracionistas e o triste pragmatismo dos aliados, ao preservar diversos oficiais nazistas como fontes de informação que pudessem afetar os interesses soviéticos. Pois é, muitos oficiais nazistas de alta patente foram poupados das devidas punições (se é que haveria punição suficiente para eles…) porque seus conhecimentos serviram para deter o avanço do que viria a ser o novo inimigo dos americanos e de seus aliados europeus: os comunistas.

Outra feliz dica de DVD dos amigos Carlinhos e Gisele, este filme já fora indicado pelo nosso amigo Rubens à época em que esteve em cartaz, mas acabamos não o vendo no cinema. 

PS: Minha mãe e irmão viram depois e também adoraram.

De Repente É Amor (A Lot Like Love)

De Repente É Amor (A Lot Like Love), comédia romântica de Nigel Cole, 2005.

Enredo: Oliver (Ashton Kutcher) está entrando no aeroporto quando vê Emily (Amanda Peet) discutindo com o namorado. No embarque, ele a revê na fila e a encara, mas ela retribui seu olhar como que o “despachando”… Durante o vôo, quando ele vai para o banheiro, ela o segue e o “ataca impiedosamente”. Ele fica seduzido, no entanto, para ela, foi apenas um flerte. Pouco depois, se reencontram na rua e, conversa vai, conversa vem, vão para um bar, onde Oliver garante que, em seis anos, estará morando sozinho e tocando uma empresa de sucesso. Ao longo dos anos, eles vão se reencontrar, perceber que se gostam, mas sempre terão algum obstáculo: ora um estará envolvido com outra pessoa, ora o outro; ou será a carreira que os levará para longe. Até que…

Avaliação: Parece uma receita comum de Hollywood? Mas é mesmo… Não chega a ser ruim, mas não tem nada de novo, ainda bem que não o vi em sua (creio que) fugaz passagem pelo cinema, foi em DVD mesmo. Hollywood, vê se muda o esquema!

Ele Não Está Tão A Fim de Você (He Is Not So Into You)

Ele Não Está Tão A Fim de Você (He Is Not So Into You), “comé-drama” romântico de Ken Kwapis.

Enredo: Desde pequena, Gigi (Ginnifer Goodwin) aprendeu que receber sinais de “despacho” de um garoto é sinal de que ele está, sim, a fim dela, mas não sabe se expressar. E ela cresce interpretando – errada e erraticamente – os sinais dos homens; fica ansiosa por um telefonema do sujeito com quem saiu uma noite e com quem nem trocou um beijo; força a barra telefonando, e assim vai. Mas ela não aprende… Até que começa a receber os toques de um amigo (Justin Long) de um dos sujeitos que conheceu. Os conselhos vão contra tudo o que ela supunha saber… Enquanto isto, um casal (Ben Affleck e Jennifer Aniston) está para separar já que, depois de sete anos, ele ainda não quer casar com ela. Outro casal (Jennifer Connelly e Bradley Cooper) entra em crise porque ele está começando a ceder aos encantos de uma garota que encontrou por acaso (Scarlett Johansson); outra garota (Drew Barrymore) sente-se realizada quando consegue marcar um encontro – virtual…

Avaliação: Eu não estou tão a fim de falar deste filme… Decepcionou. Vê-lo na telona não mudaria nada. Atores de peso em papéis importantes e secundários não ajudam, tampouco a boa trilha sonora, que inclui desde hits legais do The Association até do Keane. Os únicos momentos cômicos são os iniciais, com depoimentos de mulheres pelo mundo todo, o de Drew Barrymore pegando seus recados telefônicos (mesma cena do trailer cinematográfico que me atraiu para o filme) e Jennifer Aniston entrando no casamento da irmã (cômica, mas triste, ao mesmo tempo). Pronto, acabou.

Exodus (Exodus)

Exodus (Exodus), drama, aventura, romance e ação de Otto Preminger, 1960. C

Enredo: 1947. Na então colônia britânica do Chipre ficam os campos de refugiados judeus saídos da Europa após o término da 2ª. Guerra Mundial para chegar à terra de seus ancestrais, Palestina, também colônia britânica. Diversos deles tentam chegar ilegalmente e são deportados de volta para o Chipre. Todos aguardam o momento em que a recém fundada ONU decididirá sobre o fim do mandato britânico na Palestina e a partilha da terra entre um estado judeu e outro árabe. Neste meio tempo, mais 611 refugiados judeus chegam ao Chipre no Star-of-David e são levados ao campo de refugiados, onde há carência de todas as ordens (remédios, médicos, alimentos). É este grupo que o decidido Ari Ben Canaan (Paul Newman) quer retirar clandestinamente do campo e levar de navio para a Palestina, para mostrar ao mundo a precária situação dos refugiados e expor a urgência na definição sobre um estado judaico. Os cipriotas também almejam a independência, o que, inclusive, acabaria com a imposição de abrigar os judeus. Junte-se a isto a compreensão do problema dos judeus e o pagamento pelos seus serviços e tem-se um fiel aliado no cipriota Mandria (Hugh Griffith). Cabe a ele fornecer os meios para Ari realizar seu ousado plano. Enquanto isto… A enfermeira americana Kitty Fremont (Eva Marie Saint) está no Chipre para visitar o general Sutherland (Ralph Richardson), responsável pela colônia palestina e companheiro de longa data do marido de Kitty, fotógrafo de guerra falecido no cumprimento de seu ofício. Ela toma contato com a realidade dos refugiados e oferece-se para ajudar no campo, onde conhece a esperta e irrequieta adolescente Kate Hansen (Jill Haworth). A amizade e a carência – Kate perdeu a mãe na guerra e não sabe o paradeiro de seu pai e Kitty abortara com o choque da perda do marido – as aproximam.

O filme tem essencialmente duas partes: a primeira é a saga do novo “Moisés”, Ari Ben Canaan, que está prestes a conseguir seu intento quando os ingleses descobrem seu plano e começa uma queda de braço entre os refugiados a bordo do navio, apropriadamente batizado de Exodus. A bordo, estão também Kitty, Kate e o rapaz de quem ela se aproxima, Dov Landau (Sal Mineo). Em terra, o general Sutherland, que sempre acreditou no direito dos judeus terem seu lar nacional, mas que cumpre ordens de Londres.

A segunda parte trata dos poucos refugiados que chegam a Israel às vésperas da partilha da ONU, quando já se prevê um massacre dos judeus por parte da maioria árabe muçulmana, provavelmente sob o olhar complacente dos ingleses. É então que tomamos contato com organizações como a Haganá (que queria alcançar a independência por meio das conversações, mas sem deixar de cuidar da efetiva proteção dos judeus), sua rival Irgun (resultado da cisão da Haganá e classificada pelos britânicos como terrorista) e o Palmach (força de combate da Haganá). Abordam-se ainda o atentado ao Hotel King David (que abrigava os soldados ingleses) e os planos do grão Mufti de Jerusalém (aliado de Hitler) em desocupar os árabes de suas vilas e cidades, para deixar o terreno livre para a liquidação completa dos judeus, com o apoio de especialistas militares trazidos dentre os nazistas derrotados (então os árabes voltariam com o “terreno já limpo”…).

Avaliação: Baseado no best-seller homônimo de Leon Uris (roteirizado por Dalton Trumbo, do também excelente “Spartacus”), que conta a saga do navio Exodus e da fundação do Estado de Israel, este filme, além de ótimo passatempo (tem 3,5 horas, que nem se percebem passar), dá um apanhado geral sobre o drama dos sobreviventes do Holocausto, que preferiram o caminho da Palestina sob mandato britânico, e do ano que antecedeu à proclamação do Estado de Israel. Toca também a questão do Holocausto, daqueles que perderam toda ou quase toda família e de quem se tentou eliminar toda a dignidade (o filme aborda isto de uma maneira muito forte e pontual com um dos sobreviventes das filas de seleção para câmara de gás e do Sonderkommando de Auschwitz, o grupo de judeus obrigado a levar os correligionários à câmara de gás, recolher os dentes de ouro dos cadáveres, enterrá-los). Narra ainda a verdadeira amizade que havia entre diversos judeus e árabes, no caso, o líder Taha (John Derek), grande amigo de Ari e de seu pai, Barak (Edward G. Robinson).

O filme tem excelentes personagens (dando oportunidade de mostrar as várias partes envolvidas no evento do Exodus e na fundação de Israel), drama, ação, aventura, romance, toques de suspense e para arrematar, o belo e significativo discurso final pela paz e a linda música-tema (a trilha ganhou Oscar). Mais uma vez agradeço à Gisele e ao Carlinhos pela sugestão; um filme que eu vira há uns 25 anos e a Sarah ainda não vira.

Tinha Que Ser Você (Last Chance Harvey)

Tinha Que Ser Você (Last Chance Harvey), romance dramático de Joel Hopkins, 2008.

Enredo: Harvey Shine (Dustin Hoffman) é pianista e compositor. Gostaria de compor músicas, mas é com jingles que trabalha e se sustenta. Ou se sustentava? Porque ele está prestes a perder sua posição para um jovem iniciante. É assim, com a “espada na cabeça”, que Harvey viaja a Londres para o casamento da única filha, Susan (Liane Balaban). Ele não vê a filha há tempos e ela prefere que o atencioso padrasto (James Brolin) a acompanhe ao altar… O deslocado Harvey só dá gafes… E, de quebra, não pára de falar ao celular, preocupado que está em ser demitido. Intimidado e constrangido, Harvey resolve retornar a Nova Iorque antes mesmo da festa de casamento. E é neste meio tempo que seu caminho cruza com o de Kate Walker (Emma Thompson). Kate está próxima dos 50 anos, solteira, é alvo dos constantes telefonemas da mãe divorciada. Os encontros às escuras que Kate arranja nunca dão certo; ela até prefere que os relacionamentos não progridam mesmo, assim evita se machucar. E ela não está muito tentada a ceder à conversa de Harvey. Mas cede e acaba convencendo-o a ir à festa da filha. Eles farão muito bem um ao outro, mas o destino os surpreenderá.

Avaliação: Fomos em quatro, o Sergio não gostou, a Ana Paula, que queria ver um romance, gostou bastante; a Sarah considerou regular e cansativo e eu, bom – mas meio irregular; em alguns momentos dá sono, em outros (como no discurso de Hoffman), comove muito. Como bem disse o Sergio, é para uma “Sessão da Tarde”.

Austrália (Australia)

Austrália (Australia), aventura e drama romântico de Baz Luhrmann, 2008.

Enredo: A estória é contada pelo pequeno Nullah (Brandon Walters), que, juntamente com seu avô, o aborígene King George (David Gulpilil), é perseguido pela polícia australiana por suspeita de serem cúmplice e assassino do fazendeiro Maitland Ashley. Contra King George pesam os fatos de que a lança que matou o fazendeiro é do tipo usada pelos aborígenes e de que ele não gosta de brancos. Neste meio tempo, Lady Sarah Ashley (a bela, belíssima Nicole Kidman) está partindo da Inglaterra para visitar o marido. Ao chegar à Austrália, ela acaba tendo que assumir a fazenda do falecido Maitland, Faraway Downs – o último lote de terra que falta para o ambicioso King Carney (Bryan Brown) dominar o norte do país. O desafio de Sarah está em fazer renascer uma fazenda quase acabada e que, como descobre através de Nullah, é roubada pelo seu administrador, Neil Fletcher (David Wenham) –como ficamos sabendo, ele é o verdadeiro assassino de Maitland Ashley –, que ela prontamente demite. Neil leva embora seu pessoal e cabe à Sarah, com a ajuda dos despreparados empregados que permaneceram, conduzir suas cabeças de gado à cidade de Darwin antes que King Carney venda seu rebanho ao exército. A jornada é longa, traiçoeira e Fletcher, agora aliado a Carney, vai recorrer a todos os meios para impedi-los de chegar a Darwin. Mas Sarah tem a seu lado “Drover” (Hugh Jackman), o melhor condutor de rebanhos do local.

Segunda parte: Nullah, discriminado tanto pelos brancos como pelos aborígenes, por ser mestiço (“Creamy”, ou “café-com-leite”, como o chamam pejorativamente), sonha em fazer o walkabout, caminhada ritual, com seu avô. Fletcher sonha em dobrar Lady Ashley e ficar com a Faraway Downs, e, para isto, compromete-se a “vender” a liberdade de Nullah a Sarah, impedindo que os missionários ou a polícia o levem. Mas, estoura a segunda guerra na Austrália e, com os japoneses aproximando-se, novos dramas atingem a todos nas províncias do norte.

Avaliação: Muito criticado pelo excesso de pretensão e poucos resultados, este longo filme (2,5h) é muito empolgante, muito bom… São praticamente duas estórias. Quando você pensa que a entrega do gado é o auge do filme, aí vem a parte da 2ª Guerra e o ataque japonês. Os dois trechos são bem diferentes, ambos emocionantes. A química dos protagonistas é muito boa, dá para aprender um pouco da história da distante Austrália – e ficar revoltado por saber que, à semelhança da África, os colonizadores tratavam os aborígenes como categoria inferior, transformando as mulheres em criadas e levando as crianças nativas para serem “civilizadas” nas missões religiosas – daí a chamada “geração roubada”. Triste, muito triste…

O Caçador de Pipas (The Kite Runner)

O Caçador de Pipas (The Kite Runner), drama de Marc Forster.

Enredo: Apesar de pertencerem a etnias e classes sociais diferentes, num Afeganistão que cultua as diferenças étnicas, o “pashtun” Amir (Khalid Abdalla, quando adulto e Zekeria Ebrahimi, quando criança) e o filho do empregado da família, o “hazara” Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada, quando criança), crescem como melhores amigos. Hassan e o pai são considerados membros da família, uma relação de mais de 40 anos. Após um campeonato de pipas ganho pelos amigos inseparáveis, Hassan é espancado e violentado por alguns adolescentes ao tentar proteger a pipa do campeão Amir, que assiste a tudo passivo, incrédulo. Sempre ressentido por achar que seu pai dava mais atenção a Hassan, e ao mesmo tempo com a consciência pesada pela sua ausência de reação, Amir prefere a saída fácil: forçar uma situação que afaste Hassan para longe de si. E, através de uma mentira, ele engana seu bondoso e compreensivo pai (Homayoun Ershadi) e alcança seu objetivo. Com a invasão do Afeganistão pelos soviéticos, Amir e o pai refugiam-se nos EUA, onde reconstroem suas vidas. Amir, para decepção do pai, prefere tornar-se escritor a médico. Ele apaixona-se, casa-se e tem uma carreira bem sucedida. Uma vida reconstruída que é afetada quando, após o falecimento de seu pai, recebe uma notícia sobre Hassan, o que o leva de volta ao Afeganistão, agora dominado pelo regime totalitarista do talibã. Será uma perigosa jornada de descobertas e choques, e também uma oportunidade de curar as feridas do passado.

Avaliação: Gostei bastante; a Sarah adorou. Mais um daqueles que não quis ver no cinema, mesmo sabendo que era baseado num “best-seller”. A história da amizade, decepção, arrependimento e redenção é muito bonita e, de quebra, o filme mostra a dura realidade do Afeganistão sob o regime cruel dos talibãs, que extinguiu a liberdade no país (todos os homens deviam deixar a barba crescer, mulheres devem andar cobertas dos pés à cabeça, todos os movimentos do povo eram vigiados pelos milicianos, adultério era punido com morte pelo apedrejamento, crianças mutiladas e violentadas eram uma constante).  Aliás, é triste que, neste 2009, o talibã ameace recuperar o poder.

O Jogo do Poder (Président)

O Jogo do Poder (Président), suspense dramático de fundo político de Lionel Delplanque.

Enredo: Frédéric Saint-Guillaume (Claude Rich) “criava” presidentes em seu país (pelo que pude entender, a França) e manipulava o poder também na África. O atual presidente (Albert Dupontel), para quem Saint-Guillaume é como um pai, não é exceção. Mas ele tem um problema que nem seu tutor pode (ou quer) solucionar: a juíza Benoît (Florence Thomassin) está chegando perto demais dele na condução de uma investigação sobre os fundos destinados ao desenvolvimento do que seria  uma “arma limpa”. Agravando o quadro, Mathieu (Jérémie Renier), o novo namorado de sua filha, Nahema (Mélanie Doutey), a quem se afeiçoou e colocou para trabalhar perto de si, entreouviu uma conversa do presidente e está fazendo sua própria investigação sobre a tal “arma limpa” – que parece não ser tão limpa assim e ter deixado seqüelas em soldados que a testaram. Para o presidente, saber da trilha seguida por Mathieu implica em convencê-lo de seu não envolvimento e cooptar o talentoso jovem. Mas, e se a verdade chegar ao conhecimento da filha? E se Saint-Guillaume se tornar mais um fator complicador?

Avaliação: Mediano, meio confuso. A idéia é bem legal, mas não foi muito bem desenvolvida, não prende muito, não convence muito – mas dá para passar o tempo.

Fala Greta Garbo (Talks Greta Garbo)

Fala Greta Garbo (Talks Greta Garbo), comédia dramática de Sidney Lumet.

Enredo: Gilbert (Ron Silver) encontra-se em um delicado momento de sua vida. Sua querida mãe (Anne Bancroft) sofre de uma doença terminal e tem pouco tempo de vida. Seu último desejo não poderia ser mais difícil de alcançar: conhecer Greta Garbo, atriz cujos filmes permearam sua vida e por quem nutre uma admiração sem igual. Cabe a Gilbert buscar realizar este sonho quase impossível.  Não bastassem as dificuldades naturais da empreitada, Gilbert não dispõe de recursos financeiros e não conta sequer com a colaboração de sua esposa para as loucuras exigidas para tanto. Esta caminhada mudará por completo a vida e o modo de ser de Gilbert, que contará com a ajuda de personagens improváveis (um “paparazzo” aposentado, um simpático “gay” assumido, uma atriz iniciante) e acumulará empregos para se aproximar de Garbo. Ah… Se ele consegue realizar o sonho da mãe? Isto não conto, vale a pena conferir!

Avaliação: Os momentos finais da mãe de Gilbert sensibilizam e, surpreendentemente, não têm nada de “piegas”. Um drama sem apelação, que emociona, cativa e ensina. A cena final é imperdível, um filme delicioso!

Recomendo. Filme sem grandes pretensões, mas que traz grandes lições, a começar pela conduta de Gilbert, que se propõe a uma busca improvável, que a maioria sequer pensaria em iniciar.

Obs: esta resenha é uma contribuição da minha querida Sarah…

Homem Aranha (Spider Man)

Homem Aranha (Spider Man), filme de ação de Sam “Os Flintstones” Raimi, com  Tobey “Regras da Vida” Maguire, Kirsten “As Virgens Suicidas” Dunst, Willem “O Paciente Inglês” Dafoe, James “Nunca Fui Beijada” Franco, Rosemary “Sunshine” Harris, Cliff “Trágica Obsessão” Robertson e J. K. “A Mexicana” Simmons.

Enredo: Para explicar o filme, melhor explicar os personagens:

Peter Parker (Tobey Maguire) – é um “cdf” típico, magrela e de óculos, maltratado pelos “fortões”, ignorado pelos demais colegas e que adora ciências e fotografia. Órfão de pais, ele vive com seus tios Ben (Cliff Robertson) e May (Rosemary Harris). É apaixonado pela colega e vizinha Mary Jane (Kirsten Dunst), que nunca reparou nele. Assim como Peter, Mary Jane vive numa casa modesta, mas, diferentemente dele, que vive num ambiente harmonioso,  ela convive com um  pai bêbado e briguento; namora o pior desafeto de Peter e é cobiçada por todos.

Harry Osborne (James Franco), único e ótimo amigo de Peter, a quem procura sempre defender dos colegas, é filho do cientista milionário Norman Osborne, por quem é humilhado, não deixando, no entanto, de admirá-lo e obedecê-lo; retraído, também gosta de Mary Jane.

Norman Osborne (Willem Dafoe): cientista ambicioso e genial, vive afastado do filho; admira a genialidade de Peter Parker. Ele é o principal fornecedor do exército americano, mas está para perder o contrato, porque sua experiência com um novo spray não atendeu as expectativas. No desespero, resolve testar o experimento em si mesmo: dá certo e, usando uma “prancha voadora” que projetou, ele se torna um ser invencível. Mas seu principal assessor o avisou – há efeitos colaterais: este novo ser, o “Duende Verde”, é criminoso e violento e o cientista passa a ter dupla personalidade. Claro, a personalidade do Duende vai se sobrepondo à do cientista, que já não era das melhores. Tio Ben (Cliff Robertson) e tia May (Rosemary Harris) tratam o sobrinho Peter como o filho que não tiveram e é um episódio envolvendo tio Ben que fará com que Peter passe a assumir suas responsabilidades de super-herói e deixe de usar seus poderes para futilidades.

Jameson (J. K. Simmons) – o tirano diretor do jornal onde Peter Parker vende suas fotos do Homem-Aranha; dono de um tablóide irresponsável, Jameson tem os furos de reportagem do Homem-Aranha e o escolhe como inimigo da cidade – acha que o herói é aliado do Duende Verde – ou, pelo menos, coloca as coisas assim para vender mais jornais.

Como surgiu o Homem-Aranha? Bom, eis que, numa visita com a escola a um museu, Peter Parker é picado por uma aranha geneticamente modificada. Ele passa a poder se agarrar nas paredes, além de ficar musculoso, com visão aguçada e ter quase o dom de prever o que está para lhe acontecer. Ele vai “domando” seus poderes, deixa de ser o inofensivo aluno e bate no colega que mais o maltratava. Disposto a ganhar dinheiro para poder comprar um carro e conquistar Mary Jane, Peter Parker usa a força recém-adquirida num desafio que, por “coincidência do destino”, lhe trará uma desgraça – e é isto que o fará usar seus poderes de forma responsável. Mas ele ainda vai querer conquistar o coração de Mary Jane.

Enquanto isto, ele e seu amigo Harry vão se mudar para a cidade grande para fazer a faculdade. E as noites vão sendo o palco de atuação do Homem-Aranha que, apesar de combater o crime, é visto por muitos como um vilão. Nesse meio tempo, o Duende Verde vai se vingando dos sócios que o querem fora da firma e do general que quer dar o contrato à firma rival, enquanto procura fazer do Homem-Aranha seu aliado. Não vai dar certo… Nem fazendo mal às pessoas que o Homem-Aranha ama ele o cooptará.

Enredo: Meus quadrinhos preferidos, criação de Stan Lee, da Marvel, o Homem-Aranha era melhor que os outros heróis porque era o mais “humano”, vulnerável e mais carregado de ironia (inteligente e engraçada). A adaptação foi muito feliz, mas, ao contrário do que se esperaria, a segunda é a melhor das três feitas até 2008.

Olho por Olho (Eye For An Eye)

Olho por Olho (Eye For An Eye), suspense dramático e criminal de John Schlesinger.

Enredo: A tragédia se abate sobre Karen McCann (Sally Field), quando um entregador de compras (Kiefer Sutherland) aproveita a entrada em sua casa, estupra e mata sua filha. O marido (Ed Harris) prefere confiar na polícia, e o encarregado do caso (Joe Mantegna) realmente consegue identificar e capturar o assassino. Mas ele tem bom álibi, bons advogados e sai livre. Inconformada, Karen resolve agir em segredo e por conta própria, comprando uma arma e unindo-se a um grupo de pessoas que já perdeu parentes nas mãos de criminosos que ficaram impunes. Ao mesmo tempo passa a seguir o assassino para alertar suas possíveis vítimas; mas ele faz mais uma e, ao perceber que está sendo seguido, ainda tripudia da mãe ferida. Para quê…

Avaliação: Ótimo, daqueles que você fica acompanhando com gosto a busca pela vingança por parte da mãe. Mas mostra que a trajetória escolhida por ela é perigosa, não servindo de incentivo… Sally Field está ótima, Joe Mantegna convence como o policial que tenta pegar o bandido, mas tem as mãos atadas pelo alcance da lei. A Sarah já viu umas cinco vezes… Ou seriam umas dez vezes?

Louca Obsessão (Misery)

Louca Obsessão (Misery), suspense dramático de Rob Reiner.

Enredo: O famoso escritor Paul Sheldon acidentou-se numa estrada, no meio da neve, no meio do nada. Ou quase nada, porque teve a “sorte” de ser salvo pela enfermeira Annie Wilkes (Kathy Bates), que passa a cuidar de suas pernas quebradas. E com muito carinho, pois ela é fã ardorosa da personagem Misery, criada por Sheldon, que, num ato de gratidão, permite à Annie ler os originais de seu último livro, no qual Misery vai morrer. Xiiiii. É aí que começa o pesadelo de Sheldon, pois, alternando momentos de cuidados e brutalidade, a enfermeira recorre a todos os meios para fazê-lo ceder e alterar o final da trama, poupando sua personagem-heroína. A única chance de Sheldon, imobilizado na cama, é que o sagaz xerife (Richard Farnsworth) não se dê por vencido e continue as buscas pelo escritor, pois Annie não avisou a ninguém do resgate e só mais alguém sabe desta presença: a porquinha de Annie, que atende pelo nome de… Misery. Haja obsessão.

Avaliação: Mais uma felicíssima adaptação de Stephen King (não que todas tenham sido felizes). Kathy Bates mereceu o Oscar (1990), ela está “assustadoramente assustadora”. Brrrr! Eu vi duas vezes, a Sarah já deve ter visto uma meia dúzia… Mas cuidado, há algumas cenas fortes (quando a fanática personagem de Bates “convence” o escritor a seguir suas instruções).

24h Para Morrer (Oxygen)

24h Para Morrer (Oxygen), suspense policial de Richard Shepard.

Enredo: Bandido (Adrien Brody) seqüestra esposa (Laila Robins) de um milionário (James Naughton), pede resgate, mas é pego. Caso encerrado? Não, porque a vítima está literalmente enterrada num caixão que tem ar para apenas 24 horas. Ou seja, não se trata de invadir um esconderijo e matar um bandido, trata-se de fazê-lo confessar – usando apenas as armas que a lei faculta – no menor tempo possível. E o manipulador criminoso ainda consegue desestruturar a policial responsável pelo caso (Maura Tierney), pois conhece suas fraquezas, dentre elas,  seu  mau relacionamento com o marido policial

Avaliação: Sufocante, revimos este filme de 1999 em 2009. Vale a pena; não é excepcional, mas prende bem; tem uma cena mais “nojenta”, quando o bandido escapa das algemas na delegacia. Se tiver estômago mais fraco, é só evitá-la…

Quatro Amigas e Um Jeans Viajante 2 (The Sisterhood of the Traveling Pants 2)

Quatro Amigas e Um Jeans Viajante 2 (The Sisterhood of the Traveling Pants 2), drama romântico de Sanna Hamri, 2008.

Enredo: Seqüência de um filme de 2005 sobre quatro amigas do colégio que fazem uma promessa: fazer circular um velho jeans que cai bem em todas, sempre na mesma seqüência. Ele servirá para que mantenham a conexão, mesmo quando distantes (além de ser usado também como amuleto para que realizem seus desejos…). Entrando na faculdade, cada uma segue seu rumo, mas o jeans ainda circula, se bem que, de vez em quando, uma ou outra perde o contato, deixando o “jeans viajante” temporariamente perdido até a retomada do ciclo…  Tibby (Amber Tamblyn) quer se tornar roteirista, mas não consegue sequer terminar seu primeiro roteiro e trabalha, com muita má vontade, numa locadora de DVDs. A suspeita de gravidez de seu relacionamento com Brian (Leonardo Nam) é motivo para Libby romper mais um namoro e não se envolver… O namoro de Lena (Alexis Bledel) e Kostas (Michael Rady) tinha acabado, mas, quando se revêem numa visita dela aos avós na Grécia, percebem que continuam muito apaixonados, embora não admitam, já que ele está casado. Pouco a pouco, porém, a tímida Lena começa a descobrir uma nova paixão no modelo (Jesse Williams) que posa nas aulas de pintura. Ao descobrir que as amigas estarão longe, Carmen (America Ferrera) aproveita o convite da colega de teatro Julia (Rachel Nichols) e muda-se com ela para Nova Iorque, onde estarão imersas no vibrante mundo do teatro. Mas sua baixa autoestima a fará continuar atuando nos bastidores do teatro – até que, incentivada pelo colega Ian (Tom Wisdom), faz um teste para uma peça e toma o lugar que já estava certo para a amiga Julia (ihhhhh). Pior ainda para Julia, Ian está começando a gostar da cheinha e estabanada Carmem, que não sabe como corresponder ao pretendente.  Além da tensão com Julia, Carmem vai sofrer por ter que acompanhar a gravidez e o parto da mãe (Rachel Ticotin) à distância. Bridget (Blake Lively) brigou com o pai depois que descobriu que ele ocultara as cartas que a avó (Blythe Danner) lhe escrevera após a morte da mãe (mais tarde ela até vai entender o porquê). Seu afastamento emocional do pai agora é também físico, pois ela foi estudar arqueologia na Turquia. Apesar de estar adorando a oportunidade e os colegas, uma conversa com a sua tutora a faz perceber onde ela realmente gostaria de estar.

Avaliação: Durante a primeira meia hora do filme (são duas horas) eu pensei em desistir no meio. Imaginei ser um filme voltado para adolescentes do sexo feminino, etc. Mas, que surpresa! O filme é lindo, empolgante, tem uma “senhora” estória. Os dramas de cada uma servem para mostrar o valor da amizade (apesar da distância e das reclamações pela falta de contato ou de atenção, na “hora do vamos ver”, elas estão sempre lá para se ajudarem) e a falta de valor de certas amizades (como o de Julia, que, inveja Carmem e a brinda com falsidade e rasteiras). De minha parte, achei mais bonito o drama de Bridget, que afastada da avó pelo pai, altera os rumos de sua vida para procurar a avó e acaba por entender o trauma pelo qual passara a família O tipo de filme que deixa as emoções à flor da pele. De quebra, algumas paisagens de Santorini, na Grécia. Este filmaço sobre amizades, valores e escolhas, do qual acho que nunca ouvira falar, foi dica da Stephanie – obrigado, Teté. Sarah, assista!

Nem Tudo É O Que Parece (Layer Cake)

Nem Tudo É O Que Parece (Layer Cake), drama e suspense criminal de Matthew Vaughn, 2004.

Enredo: Um autodefinido “empresário da commodity cocaína” (Daniel Craig), cioso de sua discrição, vai se sofisticando e ascendendo às altas esferas do crime da Inglaterra (esta subida de níveis é o tal “layer cake” do título). Mas, volta e meia ele tem que escolher um lado ao qual se aliar, ou seja, para quem vai vender sua droga? Não se trata somente de preço, mas de se indispor com um ou outro. Para complicar, naquela que deveria ser a transação que o levaria à aposentadoria, ele descobre que seu lote de drogas foi roubado de uma perigosa e violenta máfia sérvia, que quer ou a droga de volta ou sua cabeça (literalmente). E, a cada hora, ele parece arrumar mais inimigos e traidores.

Avaliação: Vi este filme duas vezes em poucos meses e continuei achando confuso. Uma profusão de gangues e de nomes que perturbam um enredo relativamente interessante. Além de uma violência excessiva, Daniel Craig só apanha, mesmo quando parece estar se dando bem… Médio.

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