Textos categorizados 'Épico'

Spartacus (Spartacus)

Spartacus (Spartacus), épico dramático de Stanley Kubrick, 1960. C

Enredo: 73 a.C. Em Roma, podia-se dizer haver quase tantos escravos quanto cidadãos livres. Entre os primeiros, estava Spartacus (Kirk Douglas), vindo de uma das muitas regiões conquistadas por Roma, a Trácia (região aproximadamente entre a Bulgária e a Turquia). Como tantos outros companheiros de infortúnio, seus dotes físicos o tornaram um gladiador a serviço de Lentulus Batiatus (Peter Ustinov), obrigado a lutar pela vida na arena, para diversão da plebe e dos nobres de Roma. Ávido pela liberdade, Spartacus será o líder (ou um dos líderes, segundo alguns historiadores) da revolta contra seus opressores. Excelentes táticas nos campos de batalha o levaram a inúmeras vitórias, mas diferenças de opinião com alguns de seus comandantes sobre os rumos da revolta puseram todos os ganhos em risco. Para sua sorte, os próprios romanos, envoltos em diversos conflitos dentro das fronteiras de seus domínios, não dispunham de homens preparados e suficientes para combatê-los. Joguete na luta do poder em Roma, Spartacus vitorioso interessava ao grupo de Julio César (John Gavin) e de Graco (Charles Laughton), que se opunham ao general Marco Crasso (Laurence Olivier). É então que este último seleciona seus melhores homens para o confronto final com o escravo revoltoso. Poderá ser a última chance de Spartacus estar ao lado de sua amada Varinia (Jean Simmons) e de lutar ao lado de seu fiel companheiro Antonino (Tony Curtis).

Avaliação: Assim como Exodus, mais um filme excepcional, um dos melhores que vi até hoje. Com excelente roteiro de Dalton Trumbo, vilões realmente bem caracterizados e que conseguem provocar repulsa à escravidão imposta por Roma, reforçada por um Kirk Douglas que nos cativa para sua luta em busca do direito de ser livre.

Aprendi com meu pai que há duas coisas para as quais o ser humano somente dá valor quando as perde: a saúde e a liberdade. Este filme mostra o desejo pela liberdade que todo ser humano carrega, mas do qual normalmente nem se dá conta.

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far)

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far), épico de guerra de Richard Attenborough, 1977. C

Enredo: Baseado no livro de Cornelius Ryan, o filme trata da “Operação Mercado-Jardim” (“Mercado” referia-se aos paraquedistas e “Jardim”, ao ataque por terra) de 1944, através da qual os aliados, entusiasmados com o sucesso da operação de desembarque na Normandia, pretendiam, com a tomada de uma série de pontes na Holanda, alcançar e destruir a região industrial alemã, no vale do Ruhr. O caminho passava por várias pontes, entre elas a valiosa ponte sobre o rio Arnhem, que dá o título ao filme.

A idéia foi do Marechal Montgomery (“Monty”), que, por meio da influência política, forçou o seu superior, o General Eisenhower – o Comandante das forças aliadas – a apoiá-lo e a preterir os planos de seu rival, o General Patton. Como se percebe desde o início do filme, deixar a estratégia política vencer a militar foi uma péssima idéia.

Erro: não acreditar nos informes da resistência holandesa de que os alemães concentravam muitas tropas para defender a região e basear-se no otimismo gerado pelo Dia D.

Erro: o Tenente-General Browning (Dirk Bogarde), responsável pela operação, insistir em prosseguir mesmo com fotografias aéreas (“poucas fotos”, segundo ele) que mostrando da existência de tanques alemães camuflados na região. Em vez disto, e já cansado de tanto ter que adiar a operação, prefere colocar o responsável pelo levantamento aéreo, Major Fuller (Frank Grimes) “de molho” a fim de evitar a disseminação de possível pessimismo. Aliás, nem o general alemão Model (Walter Kohut) acreditava que os aliados seriam ousados (ou tolos) a ponto de atacar a considerável concentração de tropas, até porque a localidade não oferecia nenhum interesse estratégico. Daí a recusa de Model em explodir as pontes para segurar os aliados.

Erro: acreditar que o exército alemão era formado de crianças e velhos, como se difundia entre os aliados (apesar de que, em certo momento do filme, as crianças aparecerão). Na verdade, as melhores tropas nazistas estão estacionadas na região, comandadas pelo Tenente-General Bittrich (Maximilian Schell) e pelo Major-General Ludwig (Hardy Kruger), que vão segurar Arnhem a qualquer custo – eles preferem explodir as pontes para segurar só aliados, mas Model não concorda, insiste que os aliados não ousariam atacar as pesadas forças nazistas com paraquedistas e que não há nada de importante a ser conquistado na região.

E não foi por falta de experiência prévia, pois os próprios “Jerrys” (nazistas) haviam sido massacrados ao tomar Arnhem, em 1940.

A operação tem vários riscos: mudanças de tempo podem prejudicá-la imensamente, o entrelaçamento entre os diversos pontos de ataque aliado deve ser preciso, uma falha pode provocar o fracasso de toda a operação.

O início da operação aparentemente corre bem, e os alemães recuam muito mais rapidamente do que os aliados podem avançar, já que faltam aos aliados suprimentos, estradas livres e aviões suficientes para lançar todos seus paraquedistas.

A partir de então, acompanhamos o desenrolar de algumas histórias:

O major-general polonês Sosabowski (Gene Hackman), um homem de visão, que percebe estar colocando seus homens numa operação perdida, mas que prefere manter silêncio e ir adiante, é impedido pelo fog inglês.

O Brigadeiro-General Gavin (Ryan O’Neal), temeroso (com razão) com os relatos de seu ajudante-de-ordens holandês (Peter Faber) sobre as condições que seus paraquedistas irão encontrar, sobretudo por tratar-se de ataque à luz do dia, o que os torna mais vulneráveis. E os jipes, tanques e barcos de apoio não chegam.

O coronel Urquhart (Sean Connery), que descobre que vai saltar a muitos quilômetros de Arnhem e ter que se locomover a pé até o difícil alvo. Para piorar, ao chegar ao solo holandês, percebe que os rádios estão com cristal errado e não fornecem comunicação aos jipes que não chegam. Logo é cercado e a munição vai escasseando.

O Tenente-Coronel Horrocks (Edward Fox) será a “cavalaria” que irá em socorro dos paraquedistas – se tiver recursos para tal.

A guarda irlandesa, comandada pelo Tenente-Coronel J. O. E. Vandeleur (Michael Caine), que chega com tanques para depois alcançar e dar suporte aos paraquedistas, criar cortinas de fumaça; mas ele mesmo é logo atacado pelos alemães.

Os paraquedistas do Tenente-Coronel Frost (Anthony Hopkins), que tem a inglória tarefa de tomar a ponte de Arnhem com rifles e algumas armas antitanque; eles testam as forças inimigas, apenas para descobrir que elas são muito mais bem armadas que eles.

O coronel Stout (Elliot Gould), cuja missão é tomar a ponte do Rio Son – e a vê sendo explodida à sua frente…

O Major Julian Cook (Robert Redford) que não tem os barcos necessários à travessia do rio para tomar Nijmegen.

 

Avaliação: É um prazer escrever sobre este filme, um dos melhores que já vi, certamente o melhor filme de guerra. Já o vi duas vezes e meia (a metade do filme na TV eu já tinha perdido). A empolgante trilha sonora de John Addison ajuda a manter o clima, que é arrepiante desde os primeiros minutos de suas quase 3 h (muito rápidas!). Nunca vi tantos astros juntos num filme tão bom. Mesmo sabendo o final do filme, como no “Operação Valquíria”, há um suspense sobre o desenrolar das operações. Há dramas muito bons – em particular, refiro-me à promessa do Sargento Eddie Dohun (James Caan) em levar seu capitão (Nicholas Campbell) com vida de volta aos EUA (com um final surpreendente). Detalhes primorosos, desde a descida dos paraquedistas até as operações em terra.

Diálogos afiadíssimos, com destaque para as frases ácidas do general polonês interpretado por Gene Hackman (ótimo), são o toque tragicômico do filme (quando ele vê que está “no mato sem cachorro”, diz ao seu superior inglês “Só queria ter certeza de que lado o senhor está” ou quando ele exige uma carta do general Browning dizendo que ele, Sosabowski, está executando o plano mesmo estando em desacordo com ele, para o caso de seus homens serem massacrados. Ele mesmo dispensa a carta: “Em caso de sermos massacrados, de que ela adiantaria?”). Elliot Gould é o outro que confere um caráter mais “light” ao filme.

E o Major Harry Carlyle (Christopher Good), sempre com seu guarda-chuva na mão e alto astral, e a surreal negociação da rendição com os alemães (rendição de quem para quem?).

Mais uma afiada: Browning consola Urquhart dizendo que este fez tudo o que podia. “Mas, e os outros, fizeram?”.

No final, ficou difícil arrumar um culpado: a estrada para Nijmegen, a tomada de Nijmegen, o fog inglês?

Alexandre (Alexander)

Alexandre (Alexander), drama épico e histórico de Oliver Stone.

Enredo: A vida e as conquistas de Alexandre, o Grande (Colin Farrell), sob o ponto de vista do velho Ptolomeu (Anthony Hopkins), um dos homens de Alexandre. O filme inicia com a morte de Alexandre (provavelmente por alguma doença contraída em suas campanhas militares) e volta ao passado, às violentas divergências entre os pais de Alexandre, o rei Felipe (Val Kilmer) e sua esposa Olímpia (Angelina Jolie), por causa da constante troca de esposas de Felipe e do status inferior destinado a Olímpia e seu filho Alexandre. Mas este aos poucos conquista o respeito de seu pai. Quando Alexandre, ainda criança, consegue domar o selvagem e temido cavalo Bucéfalo (que viria a ser seu companheiro fiel de batalhas), acaba por ser ungido seu herdeiro. Para consolidar seu poder, Alexandre teve que eliminar contraparentes – e suas decisões iniciais parecem ter sido muito influenciadas por sua mãe. O filme foca a conquista das cidades-estado gregas por Felipe e depois passa a maior parte das suas três horas de duração mostrando a conquista da Pérsia e o ataque à misteriosa Índia, as intrigas contra Alexandre remanescentes da época de Felipe e as novas, provocadas por insatisfações quanto ao rumo das campanhas e diversos outros motivos – que, aliás, pareciam não faltar para gerar traições. O filme acaba com a briga pela escolha do herdeiro do imperador.

Avaliação: O trailer impressionou-me (principalmente a bem escolhida cena onde Alexandre e Bucéfalo enfrentam um elefante na Índia) e achei que veria grandes feitos militares. Mas desisti de vê-lo no cinema, porque o fato de serem 3 horas de duração e as críticas contundentes contra o filme me desencorajaram. Acabei vendo na TV, e fiz bem. Não cativa, não impressiona. Mas foi instrutivo, pois me instigou a ler mais sobre o imperador macedônio e, pelo que andei lendo, vários dos detalhes mostrados são realmente condizentes com os que os antigos textos remanescentes da época nos mostram.

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia)

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia), épico biográfico de David “Dr. Jivago” e “A Ponte do Rio Kwai” Lean, com Peter “O último Imperador” O’ Toole, Omar “Dr. Jivago” Shariff, Anthony “Zorba” Quinn, Alec “A Ponte do Rio Kwai” Guinness e Anthony Quayle.

Enredo: A saga do militar inglês T. E. Lawrence (O’Toole), que liderou os árabes na sua luta contra os turcos, a partir da luta dos ingleses contra o Império Otomano e os alemães, na I Guerra.

Avaliação: Filmaço, ótima dica, cenário e atuações magníficos, compensam (e como!) a longa duração do filme.

Dança com Lobos (Dances with Wolves)

Dança com Lobos (Dances with Wolves), drama épico produzido e dirigido por Kevin “Uma carta de Amor” Costner, com música de John Barry, estrelado por Costner, Mary McDonnell, Graham (“À Espera de um Milagre”) Greene e Rodney A. Grant. C

Enredo: É a estória do tenente John Dunbar, um oficial do exército da União, na guerra civil americana, que se torna herói quando deixa a cama do hospital de campanha e se arremete sozinho contra o inimigo, incentivando seus companheiros. Como recompensa, pede o direito de ir ao Oeste, onde vai reativar um antigo posto do Exército. Lá, ele tem por companhia um lobo que ele apelida de Two Socks (porque suas patas dianteiras parecem ter meias brancas…). E ganha, também, aos poucos, a companhia de uma tribo de índios pacíficos que vivem por lá. Um dia, eles o espiam e o observam dançando com Two Socks e lhe dão o nome de “Aquele que dança com Lobos”. E começa uma profunda amizade entre os índios e o oficial, que lhes ensina como melhor se defender das nada amistosas tribos inimigas (pawnees e outras). Mas ele tem problemas com soldados indisciplinados e violentos que vagueiam pela área, após o fim da guerra, o que faz com que ele seja caçado pelo Exército; é assim que ele se torna mais um problema do que uma ajuda para a tribo e sente que tem que deixá-los, bem como Stands with a Fist (“De pé com punhos erguidos”), a filha do cacique Kicking Bird (“Pássaro que Esperneia”), uma moça que, órfã por obra de outras tribos, fora adotada por ele.

Avaliação: Este filme de 3 horas de duração, de 1990, ganhou diversos Oscars, e mereceu; é uma obra de arte, “tive” que assistir três vezes (o que não me lembro de ter feito com nenhum outro). Mostra o avanço do homem branco para o Oeste, avanço este que representaria o fim do isolamento dos indígenas americanos e quase seu próprio fim, através do contato com as armas de fogo, da perda do seu meio de subsistência (os búfalos, dizimados pelos brancos) e da perda de seus territórios.

Tróia (Troy)

Tróia (Troy), drama épico sobre a guerra de Tróia, com foco em Aquiles e Heitor, dirigido por Wolfgang Petersen, com Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Rose Byrne, Peter O’Toole, Brian Cox, Brendan Gleeson, Garrett Hedlund, Diane Kruger, e ponta de Julie Christie. C

Enredo: Em relação ao que eu conhecia da narração da Ilíada de Homero, o enredo apresenta algumas diferenças, mas nada de mais; alguns protagonistas que morrem de maneira diferente da narração clássica (ou daS narraçõeS, já que existem correntes diferentes de narração para alguns dos eventos) e outras mudanças pequenas. E o roteiro do filme expurgou a participação dos deuses, desconsiderando a influência que eles tiveram em vários momentos dos dez anos de guerra.

Basicamente, o filme situa a guerra em cerca de 1.300 a.C. Agamenon, o rei que unificara os reinos gregos através de muitas batalhas, acaba de conseguir convencer Aquiles a lutar a seu lado mais uma vez e conquistar mais um reino (sem muito sangue, para variar). Enquanto isto, Menelau, irmão de Aquiles e rei de Esparta (outra cidade-estado grega), celebra a paz com os troianos, cujo reino ficava situado na atual Turquia. A guerra com Tróia teria sido provocada pelo “rapto” de Helena, esposa de Menelau (rei de Esparta), por Páris, príncipe troiano. O filme mostra que, na verdade, a idéia do rapto está errada, pois Helena e Páris eram amantes e ela queria fugir de seu marido, com quem se casara contra sua vontade. Príamo, rei de Tróia, e Heitor, irmão mais velho de Páris, querem que Helena volte ao seu marido e evite a guerra com os gregos, ainda mais depois da paz conquistada a duras penas com os espartanos (Esparta era uma das cidades-estado gregas). Mas eles se deixam convencer ao perceber o amor de Páris por Helena. Se Menelau queria a guerra para se vingar do “presente chifroso” que recebera de Páris, Agamenon, seu irmão, usa o “rapto” como desculpa para expandir o reino da Grécia até Tróia. Para isto, leva os exércitos de todos os reinos que compõem sua aliança.

Eis os protagonistas:

- Aquiles (Brad Pitt), filho de Peleu, rei dos destemidos e temidos mirmidões; ele detesta Agamenon, mas acaba sempre atendendo a seus chamados e vencendo as batalhas, ainda mais se chamado por seu amigo e conselheiro Ulisses. Excelente lutador, consegue vencer inimigos mais fortes e maiores; o filme o retrata como um Cassius Clay de escudo e espada. Ele é um saqueador cruel, independente, desobediente, mas também tem seus momentos de profundo respeito pelo inimigo vencido. Seu maior desejo era sempre lutar e deixar seu nome para a posteridade.

- Pátroclo (Garrett Hedlund) – primo de Aquiles; treinado por este, quer combater de qualquer jeito. Ele ainda é muito novo para isto, mas sua ação em luta vai ter um importante papel no duelo de gigantes de Heitor e Aquiles.

- Tétis (Julie Christie), a mãe de Aquiles. Diz a lenda que, a mando dos deuses, banhou o filho na água de um rio, para torná-lo imortal; flagrada pelo marido, que considerou loucura o que via, não teve tempo de banhar o calcanhar do filho, daí o famoso “calcanhar de Aquiles” pessoas. Ela sabia que o destino do filho seria evitar a guerra e fazer uma família ou ir para Tróia, morrer lá e ficar para a história. Conformou-se em ver seu filho partir.

- Ajax (Tyler Mane), guerreiro forte, destemido e cruel, grande amigo de Aquiles; bem representado por um ator de quase 2,10m.

- Ulisses (Sean Bean), rei de Ítaca, uma ilha pertencente à Grécia de Agamenon; autor da idéia do cavalo de Tróia. Ele mesmo sabendo que muitas vezes era o Aquiles quem tinha a razão, Ulisses apoiava o desprezível Agamenon, pois sabia que obedecê-lo era importante; a obediência lhe garantiria a sobrevivência.

- Agamenon (Brian Cox), rei de Micenas, o “rei dos reis”, que unificou os reinos gregos (à força); ficou muito feliz ao ter uma desculpa para conquistar Tróia. Reuniu a maior armada e o maior exército já vistos até então. Cruel e violento, usou até o irmão, pois não estava nem um pouco preocupado com os desejos deste em reaver Helena.

- Menelau (Brendan Gleeson), irmão mais novo de Agamenon, excelente lutador, combateu Páris num desafio por Helena. É na interessante cena em que o vemos pela perspectiva do capacete de Paris que se percebe que Menelau era um inimigo realmente assustador.

- Príamo (Peter O’Toole), rie de Tróia, um exemplo de pai; cedeu ao filho Páris e acolheu Helena, mesmo sabendo que isto serviria de desculpa para Agamenon declarar-lhe guerra. Falhou em acatar o que lhe dizia seu sacerdote, que achava estar interpretando corretamente o desígnio dos deuses.

- Heitor (Eric Bana), destemido, justo e excelente estrategista; pai e marido excelente. Por amor ao irmão, entra numa guerra que queria evitar a qualquer custo, para poupar o reino de Tróia, que tanto amava. Infelizmente, suas opiniões não eram levadas tão a sério como os do sacerdote do pai.

- Andrômaca (Saffron Burrows), esposa de Heitor e mãe de um recém-nascido a quem Heitor procura proteger ao máximo quando vê que a cidade está perdida.

- Páris (Orlando Bloom), filho mais novo de Príamo; realmente ama Helena. Retratado como um covarde que se torna corajoso quando sua cidade está caindo em mãos do inimigo.

- Briseida (Rose Byrne), sobrinha de Príamo, sacerdotisa de Apolo, tomada como escrava por Aquiles; ao lado dela, Aquiles consegue mostrar que sabe amar.

- Helena (Diane Kruger), infeliz e entediada esposa de Menelau e amante de Páris, com quem foge.

- Enéias (Frankie Fitzgerald), um troiano que aparece numa pequena ponta, mas importante em termos de história; conta o filme que carregou a espada dos reis troianos quando do fim da cidade e, indo ao Lácio (na atual Itália), foi precursor do povo romano.

Avaliação: Ótimas interpretações de Eric Bana (excelente mesmo) e Peter O’Toole (poucos diálogos, mas muito bons – e ele protagoniza a cena mais linda do filme, quando mostra o amor do pai pelo filho perdido – “Eu amei meu filho do momento em que ele abriu os olhos até o momento que você os fechou”). Devem dar candidatos ao Oscar. Brad Pitt tem boa participação, com seu jeito de herói cruel, por vezes carregado de fina ironia. Meu pai achou o filme um pouco repetitivo, só com cenas de batalha, mas achou a montagem ótima. Realmente, há muitas cenas de luta, mas são bem interessantes, mostram os ardis e as táticas de guerra usadas para conquistar uma fortaleza (Tróia, considerada inexpugnável). Minha mãe, a Sarah e eu adoramos – foi um dos melhores épicos que já vi. São 2h45 de pura ação, drama e romance. Confesso que tive olhei para o relógio algumas vezes, mas não foi pela monotonia do filme, foi pela tensão, pela ansiedade de que o drama tivesse fim (já que todos sabemos como a estória acaba…). As cenas do diálogo de Príamo e Aquiles e do presságio de Tétis em relação a Aquiles são realmente excepcionais. Para quem quiser, as frases mais bem montadas do filme estão em <http://www.imdb.com/title/tt0332452/quotes> (vale mais para quem já o viu). IMPERDÍVEL

Cruzada (Kingdom of Heaven)

Cruzada (Kingdom of Heaven), drama épico de Ridley Scott.

Enredo: Século XII. O barão Godfrey (Liam Neeson) finalmente encontra seu encontra seu filho ilegítimo, Balian (Orlando Bloom) e tenta redimir-se por nunca tê-lo reconhecido. Balian sofre com a recente perda da esposa e filho e, ao se vingar do padre que procura humilhá-lo e à falecida esposa, acaba por matá-lo e tem que fugir e, assim, mesmo contra sua vontade, junta-se ao pai e à sua pequena tropa, partindo para Jerusalém com os cruzados, também em busca da expiação de seus pecados. Com a morte do pai, é sagrado cavaleiro e barão da pequena e desértica Ibelin, em Jerusalém. Inicia um romance com a irmã do rei Balduíno (Edward Norton) de Jerusalém, a princesa Sibylla (Eva Green), casada com o cavaleiro templário Guy de Lusignan (Marton Csokas). Se Guy já desprezava Balian pela sua origem pouco nobre, passa a odiá-lo por perceber nele um possível rival, tanto com relação à esposa como para a sucessão do Rei Balduíno. Balduíno sabe que a lepra o matará em breve e ele e seu assessor Tiberias (Jeremy Irons) gostariam de fazer de Balian o novo rei. Para isto, Balian deve casar-se com Sibylla e permitir que Guy seja preso. Razões para prender Guy e seu braço direito Reynald (Brendan Gleeson) há várias, pois, alegando seguir as ordens do Papa para matar muçulmanos, a dupla provoca a todo o momento a ira do curdo Saladino (Ghassan Massoud). E romper a frágil trégua com Saladino significa vê-lo fechar o cerco a Jerusalém com tropas mais numerosas e bem equipadas, que destruiriam o reino cristão.

Mas Balian prefere não casar com Sibylla. Guy coroado é o fim da trégua. Balian terá que defender Jerusalém ate forçar Saladino a um acordo, pois sabe que esta é uma batalha perdida e só o que lhe resta é mesmo um acordo.

Avaliação: Meus pais tinham assistido e recomendado muito. O Sergio e a Erika gostaram muito. Eu achei bom, mas meio comprido. A Sarah achou médio. Ao contrário de meus pais, achamos Gladiador bem melhor – e Tróia melhor ainda. Não tem muita ação e a história poderia ter sido encurtada (2,5 horas!)

Julius Caesar

Julius Caesar, drama épico e histórico de Uli Edel.

Enredo: 82 a.C. Sulla (Richard Harris) e o grande herói militar romano, o general Pompeu (Christopher Noth), chegam a Roma e acabam com os poderes do Senado. Sulla manda matar os inimigos, entre eles o sogro de Caio Júlio César (Jeremy Sisto); César luta para defender o sogro e acaba fugindo, com certa ajuda de Pompeu, que respeita e admira o jovem. César deixa para trás a esposa Cornélia (Daniela Piazza) e a filha Julia (Nicole Grimaudo) e acaba caindo nas mãos dos piratas. Quando Sulla morre de causas naturais, Pompeu, que discordava de sua truculência e tirania, assume como Cônsul. César está de volta, seu resgate das mãos dos piratas foi pago. Ele inveja Pompeu e deseja o poder e a fama deste e vê seus próprios surtos de epilepsia como sinal dos deuses de que é merecedor do poder, ainda mais por que quer fazer com que o Senado ouça o povo. Pompeu ama a filha de César e este convenientemente permite o enlace de ambos, o que lhe dá acesso a mais do que poder político: Pompeu entrega ao sogro César suas tropas e César tentar mostrar que é capaz de expandir o Império e trazer mais benefícios para seu povo. Mas Pompeu arriscou-se demais, pois, além da inexperiência de César, as tropas podem mudar de líder. E é isto que vai ocorrendo. A campanha vai se prolongando e acaba durando oito anos. Popular entre suas tropas e vitorioso em suas estratégias e táticas, César e seu fiel general Marco Antônio (Jay Rodan) voltam a uma Roma maior do que jamais fora e com outro grande troféu, o valoroso líder guerreiro gaulês Vercingétorix (Heino Ferch). E o poder parece ir subindo à cabeça de César, que se acha ungido pelos deuses e pelo povo. Em nome do povo, é que ele crê que seja correto dar o título de senadores a seus generais e transformar-se de Cônsul em Imperador. A disputa de poder com o trio Pompeu – Cato (Christopher Walken)-Cássio (Tobias Moretti) vai tornando César impopular perante seus pares e atrai a ira daqueles que perdem os parentes nestas intrigas, entre eles Brutus (Ian Duncan), genro de Cato, mas admirador de César. Aos poucos, a rede de inimigos se tornará maior que a de amigos e nem o casamento de conveniência com a rainha egípcia Cleópatra (Samuela Sardo). Realmente fiel a ele permanece apenas Calpúrnia (Valeria Golino), sua segunda esposa, que, apesar de ver-se deixada de lado pelo casamento de conveniência de César com Cleópatra, ainda quer salvar o marido.

Avaliação: A Sarah achou que seria uma “Sessão da Tarde” e logo desistiu. Pena, pois o filme, apesar de longo (137min), prende o tempo todo. Os desempenhos são muito bons (apesar de que eu vi na versão dublada e lá os discursos não pareciam entusiasmar tanto). A rede de intrigas e traições, de amizades que vêm e vão, as batalhas sem fim… Como Roma sobreviveu a isto? No final das contas, fiquei ora torcendo por César, ora contra. Ele parecia ter boas intenções, mas, no fundo, acho que acabou sendo simplesmente um déspota que tomou o lugar de outros. Assistam (posso emprestar meu DVD), é uma ótima lição de história e mostra algumas características interessantes de César, como o fato de César admirar o adversário gaulês Vercingétorix e procurar mirar-se nele, mas sentir-se obrigado a matá-lo, porque “o povo assim o exigia”; nem ao menos foi dada a Vercingétorix a chance de tirar sua própria vida. A cena da rendição de Vercingétorix (que também tinha lá seus métodos cruéis de conquista e manutenção) também é muito bem feita, marcante.

Rei Arthur (King Arthur)

Rei Arthur (King Arthur), drama épico de Antoine Fuqua.

Enredo: Arthur (Clive Owen) e os cavaleiros da távola redonda (aliás, redonda porque assim não há cabeceira e todos são iguais perante os outros) são descendentes dos povos da Sarmácia, um povo de origem iraniana que fora derrotado pelos romanos no início da era cristã, mas que, por seu valor como guerreiros, podiam recuperar sua liberdade após lutar por 15 anos no exército romano. E eis que, na Antiga Inglaterra do fim do Império Romano, estes guerreiros são a última linha de defesa contra os “Woads”, guerreiros do norte, liderados por Merlin (Stephen Dillane). E, agora que os romanos sabem que não serão capazes de defender a Inglaterra, eles dão a Arthur sua última missão, que dispensará a ele e aos seus cavaleiros do exército romano, antecipando sua “aposentadoria”: salvar o filho de um bispo, na fronteira norte da linha romana na Inglaterra. Uma região perigosa e mortal, mas o tal filho será o futuro papa… A contragosto, por saber que não deverão sobreviver (afinal, eles são corajosos, mas não doidos) e ainda mais por lutar por quem não admiram, eles partem e, no caminho, vão praticando a justiça (oh!) e acabam por se aliar com alguns “Woads” que vão libertando dos romanos tiranos. Guinevere (Keira Knightley) é uma deles e, junto com Arthur e seus cavaleiros, vai ajudar na luta contra o mais novo invasor da ilha, os saxões. Missão suicida…

Avaliação: Eu tenho a versão do diretor, que é meio longa, mas que dá para agüentar, pois não chega a ser chata. Não é tão interessante como Julio César, outro épico longo (que também tenho), mas cativa, ainda mais por mostrar a origem dos cavaleiros e a diversidade de temperamentos e religiões entre eles (alguns acreditavam nos deuses locais, mas Arthur era cristão, assim como Galahad). E vemos a luta dos locais contra os saxões, o papel dos romanos (em fim de carreira no local) e Merlin é mostrado como um líder de parte dos habitantes, de certo modo cruel, mas não um mago e certamente não o guia e mentor de Arthur. Uma versão mais fiel ao que os registros mostram (se é que estas pessoas existiram) e menos fantasiosa. A falta de glamour de Arthur e dos cavaleiros torna o filme até mais interessante, menos banal. Não quisemos ver no cinema, mas para mim, valeu em DVD.


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