Tróia (Troy), drama épico sobre a guerra de Tróia, com foco em Aquiles e Heitor, dirigido por Wolfgang Petersen, com Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Rose Byrne, Peter O’Toole, Brian Cox, Brendan Gleeson, Garrett Hedlund, Diane Kruger, e ponta de Julie Christie. C
Enredo: Em relação ao que eu conhecia da narração da Ilíada de Homero, o enredo apresenta algumas diferenças, mas nada de mais; alguns protagonistas que morrem de maneira diferente da narração clássica (ou daS narraçõeS, já que existem correntes diferentes de narração para alguns dos eventos) e outras mudanças pequenas. E o roteiro do filme expurgou a participação dos deuses, desconsiderando a influência que eles tiveram em vários momentos dos dez anos de guerra.
Basicamente, o filme situa a guerra em cerca de 1.300 a.C. Agamenon, o rei que unificara os reinos gregos através de muitas batalhas, acaba de conseguir convencer Aquiles a lutar a seu lado mais uma vez e conquistar mais um reino (sem muito sangue, para variar). Enquanto isto, Menelau, irmão de Aquiles e rei de Esparta (outra cidade-estado grega), celebra a paz com os troianos, cujo reino ficava situado na atual Turquia. A guerra com Tróia teria sido provocada pelo “rapto” de Helena, esposa de Menelau (rei de Esparta), por Páris, príncipe troiano. O filme mostra que, na verdade, a idéia do rapto está errada, pois Helena e Páris eram amantes e ela queria fugir de seu marido, com quem se casara contra sua vontade. Príamo, rei de Tróia, e Heitor, irmão mais velho de Páris, querem que Helena volte ao seu marido e evite a guerra com os gregos, ainda mais depois da paz conquistada a duras penas com os espartanos (Esparta era uma das cidades-estado gregas). Mas eles se deixam convencer ao perceber o amor de Páris por Helena. Se Menelau queria a guerra para se vingar do “presente chifroso” que recebera de Páris, Agamenon, seu irmão, usa o “rapto” como desculpa para expandir o reino da Grécia até Tróia. Para isto, leva os exércitos de todos os reinos que compõem sua aliança.
Eis os protagonistas:
- Aquiles (Brad Pitt), filho de Peleu, rei dos destemidos e temidos mirmidões; ele detesta Agamenon, mas acaba sempre atendendo a seus chamados e vencendo as batalhas, ainda mais se chamado por seu amigo e conselheiro Ulisses. Excelente lutador, consegue vencer inimigos mais fortes e maiores; o filme o retrata como um Cassius Clay de escudo e espada. Ele é um saqueador cruel, independente, desobediente, mas também tem seus momentos de profundo respeito pelo inimigo vencido. Seu maior desejo era sempre lutar e deixar seu nome para a posteridade.
- Pátroclo (Garrett Hedlund) – primo de Aquiles; treinado por este, quer combater de qualquer jeito. Ele ainda é muito novo para isto, mas sua ação em luta vai ter um importante papel no duelo de gigantes de Heitor e Aquiles.
- Tétis (Julie Christie), a mãe de Aquiles. Diz a lenda que, a mando dos deuses, banhou o filho na água de um rio, para torná-lo imortal; flagrada pelo marido, que considerou loucura o que via, não teve tempo de banhar o calcanhar do filho, daí o famoso “calcanhar de Aquiles” pessoas. Ela sabia que o destino do filho seria evitar a guerra e fazer uma família ou ir para Tróia, morrer lá e ficar para a história. Conformou-se em ver seu filho partir.
- Ajax (Tyler Mane), guerreiro forte, destemido e cruel, grande amigo de Aquiles; bem representado por um ator de quase 2,10m.
- Ulisses (Sean Bean), rei de Ítaca, uma ilha pertencente à Grécia de Agamenon; autor da idéia do cavalo de Tróia. Ele mesmo sabendo que muitas vezes era o Aquiles quem tinha a razão, Ulisses apoiava o desprezível Agamenon, pois sabia que obedecê-lo era importante; a obediência lhe garantiria a sobrevivência.
- Agamenon (Brian Cox), rei de Micenas, o “rei dos reis”, que unificou os reinos gregos (à força); ficou muito feliz ao ter uma desculpa para conquistar Tróia. Reuniu a maior armada e o maior exército já vistos até então. Cruel e violento, usou até o irmão, pois não estava nem um pouco preocupado com os desejos deste em reaver Helena.
- Menelau (Brendan Gleeson), irmão mais novo de Agamenon, excelente lutador, combateu Páris num desafio por Helena. É na interessante cena em que o vemos pela perspectiva do capacete de Paris que se percebe que Menelau era um inimigo realmente assustador.
- Príamo (Peter O’Toole), rie de Tróia, um exemplo de pai; cedeu ao filho Páris e acolheu Helena, mesmo sabendo que isto serviria de desculpa para Agamenon declarar-lhe guerra. Falhou em acatar o que lhe dizia seu sacerdote, que achava estar interpretando corretamente o desígnio dos deuses.
- Heitor (Eric Bana), destemido, justo e excelente estrategista; pai e marido excelente. Por amor ao irmão, entra numa guerra que queria evitar a qualquer custo, para poupar o reino de Tróia, que tanto amava. Infelizmente, suas opiniões não eram levadas tão a sério como os do sacerdote do pai.
- Andrômaca (Saffron Burrows), esposa de Heitor e mãe de um recém-nascido a quem Heitor procura proteger ao máximo quando vê que a cidade está perdida.
- Páris (Orlando Bloom), filho mais novo de Príamo; realmente ama Helena. Retratado como um covarde que se torna corajoso quando sua cidade está caindo em mãos do inimigo.
- Briseida (Rose Byrne), sobrinha de Príamo, sacerdotisa de Apolo, tomada como escrava por Aquiles; ao lado dela, Aquiles consegue mostrar que sabe amar.
- Helena (Diane Kruger), infeliz e entediada esposa de Menelau e amante de Páris, com quem foge.
- Enéias (Frankie Fitzgerald), um troiano que aparece numa pequena ponta, mas importante em termos de história; conta o filme que carregou a espada dos reis troianos quando do fim da cidade e, indo ao Lácio (na atual Itália), foi precursor do povo romano.
Avaliação: Ótimas interpretações de Eric Bana (excelente mesmo) e Peter O’Toole (poucos diálogos, mas muito bons – e ele protagoniza a cena mais linda do filme, quando mostra o amor do pai pelo filho perdido – “Eu amei meu filho do momento em que ele abriu os olhos até o momento que você os fechou”). Devem dar candidatos ao Oscar. Brad Pitt tem boa participação, com seu jeito de herói cruel, por vezes carregado de fina ironia. Meu pai achou o filme um pouco repetitivo, só com cenas de batalha, mas achou a montagem ótima. Realmente, há muitas cenas de luta, mas são bem interessantes, mostram os ardis e as táticas de guerra usadas para conquistar uma fortaleza (Tróia, considerada inexpugnável). Minha mãe, a Sarah e eu adoramos – foi um dos melhores épicos que já vi. São 2h45 de pura ação, drama e romance. Confesso que tive olhei para o relógio algumas vezes, mas não foi pela monotonia do filme, foi pela tensão, pela ansiedade de que o drama tivesse fim (já que todos sabemos como a estória acaba…). As cenas do diálogo de Príamo e Aquiles e do presságio de Tétis em relação a Aquiles são realmente excepcionais. Para quem quiser, as frases mais bem montadas do filme estão em <http://www.imdb.com/title/tt0332452/quotes> (vale mais para quem já o viu). IMPERDÍVEL