Textos categorizados 'Guerra'

Os Falsários (Die Fälscher)

Os Falsários (Die Fälscher), drama sobre evento da Segunda Guerra escrito e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, 2007.

Enredo: 1936. Nos primórdios da Alemanha nazista, ainda há lugar para o Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics) ganhar a vida com suas falsificações – cheque, dinheiro, tudo lhe é possível. Mulheres, dinheiro e bebidas vêm facilmente – até que ele é preso pelo superintendente Friedrich Herzog (Devid Striesow). Este comemora a prisão do “Rei dos Falsários”; o outro lamenta o fim da vida mansa e, para este, começam as humilhações e surras destinadas aos prisioneiros, principalmente aos judeus, no campo de concentração de Mauthausen. Quebrando pedras, suas mãos já não conseguem pintar e desenhar, mas ele ainda tem forças para fazer alguns desenhos – e é este seu talento, aliado ao seu passado, que convencem Herzog (novamente ele) a levar Sally para o campo de concentração de Sachsenhausen e usar os serviços do judeu para assumir o comando de uma equipe de peritos judeus de diversas áreas e imprimir (sem trocadilhos…) maior velocidade à maior operação de falsificação já realizada na história, a “Operação Bernhard”. Com ela, os nazistas pretendiam inundar os mercados com falsas libras esterlinas e, posteriormente, dólares falsificados e, assim, arruinar a economia dos aliados. A equipe tem tratamento diferenciado dos outros prisioneiros: são chamados pelo nome (em vez de pelos seus números), suas camas têm colchão, eles não comem a sopa rala dos outros e usam roupas civis. Mas, se isto é um alívio para os sofrimentos de Sally, que leva sua missão a sério, por outro lado, torna-se uma questão torturante para seu colega Adolf Burger (August Diehl) – afinal, eles estão usando roupas tiradas de outros prisioneiros exterminados pelos nazistas, falsificando passaportes a partir de documentos de outros prisioneiros assassinados e convivendo diariamente com os gritos dos outros internos, espancados ou mortos pelos nazistas, sob as ordens do sádico Holst (Martin Brambach), o auxiliar de Herzog que gostaria de eliminar também toda a equipe. As falsificações vão indo bem, passam pelos testes mais difíceis, mas, quando surge o momento de falsificar o dólar, Burger resolve sabotar a operação. Neste momento, Sally tem que tomar uma decisão: arriscar a vida de todos, caso Herzog descubra a sabotagem, ou ajudar Burger e fazer com que eles agüentem até a iminente chegada dos aliados e a possível libertação? E se ajudar Herzog fosse a única maneira de obter os remédios para poder salvar o companheiro Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky)? Por outro lado, se a operação der certo, os aliados perderão a guerra e a equipe será certamente eliminada. Muitas faces de uma questão complicada. E Sally toma sua decisão.

Avaliação: A Gisele e a Sarah acharam este filme (baseado em eventos reais) médio, cansativo. O Carlinhos achou bom, eu, idem. Mas, com o passar dos dias, fui refletindo sobre as cenas e situações e considerei o filme muito bom. Tem momentos mais lentos, certamente. Mas o filme tem cenas sutis, com pouca violência explícita, mas que deixam muito claro o sofrimento dos prisioneiros. Por exemplo:

  1. Diversos deles eram obrigados a caminhar em círculos até a morte para testar as botas que seriam produzidas para os soldados;
  2. Outros manipulavam roupas e documentos que poderiam ter pertencido a parentes seus assassinados.
  3. O terror da chamada dos prisioneiros, que tinham que responder rapidamente pelo número (alguns deles os tinham gravado no braço);
  4. O medo de que as duchas fossem câmara de gás;
  5. Os tiros que se ouviam a toda hora do outro lado dos tapumes.

Outro ponto interessante: além da diferença de opinião sobre como proceder, havia também as diferenças pessoais entre eles, bem exemplificadas pelo desprezo que os judeus que vinham da vida honesta e trabalharam em bancos demonstravam pelo trambiqueiro Sally.

Spartacus (Spartacus)

Spartacus (Spartacus), épico dramático de Stanley Kubrick, 1960. C

Enredo: 73 a.C. Em Roma, podia-se dizer haver quase tantos escravos quanto cidadãos livres. Entre os primeiros, estava Spartacus (Kirk Douglas), vindo de uma das muitas regiões conquistadas por Roma, a Trácia (região aproximadamente entre a Bulgária e a Turquia). Como tantos outros companheiros de infortúnio, seus dotes físicos o tornaram um gladiador a serviço de Lentulus Batiatus (Peter Ustinov), obrigado a lutar pela vida na arena, para diversão da plebe e dos nobres de Roma. Ávido pela liberdade, Spartacus será o líder (ou um dos líderes, segundo alguns historiadores) da revolta contra seus opressores. Excelentes táticas nos campos de batalha o levaram a inúmeras vitórias, mas diferenças de opinião com alguns de seus comandantes sobre os rumos da revolta puseram todos os ganhos em risco. Para sua sorte, os próprios romanos, envoltos em diversos conflitos dentro das fronteiras de seus domínios, não dispunham de homens preparados e suficientes para combatê-los. Joguete na luta do poder em Roma, Spartacus vitorioso interessava ao grupo de Julio César (John Gavin) e de Graco (Charles Laughton), que se opunham ao general Marco Crasso (Laurence Olivier). É então que este último seleciona seus melhores homens para o confronto final com o escravo revoltoso. Poderá ser a última chance de Spartacus estar ao lado de sua amada Varinia (Jean Simmons) e de lutar ao lado de seu fiel companheiro Antonino (Tony Curtis).

Avaliação: Assim como Exodus, mais um filme excepcional, um dos melhores que vi até hoje. Com excelente roteiro de Dalton Trumbo, vilões realmente bem caracterizados e que conseguem provocar repulsa à escravidão imposta por Roma, reforçada por um Kirk Douglas que nos cativa para sua luta em busca do direito de ser livre.

Aprendi com meu pai que há duas coisas para as quais o ser humano somente dá valor quando as perde: a saúde e a liberdade. Este filme mostra o desejo pela liberdade que todo ser humano carrega, mas do qual normalmente nem se dá conta.

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far)

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far), épico de guerra de Richard Attenborough, 1977. C

Enredo: Baseado no livro de Cornelius Ryan, o filme trata da “Operação Mercado-Jardim” (“Mercado” referia-se aos paraquedistas e “Jardim”, ao ataque por terra) de 1944, através da qual os aliados, entusiasmados com o sucesso da operação de desembarque na Normandia, pretendiam, com a tomada de uma série de pontes na Holanda, alcançar e destruir a região industrial alemã, no vale do Ruhr. O caminho passava por várias pontes, entre elas a valiosa ponte sobre o rio Arnhem, que dá o título ao filme.

A idéia foi do Marechal Montgomery (“Monty”), que, por meio da influência política, forçou o seu superior, o General Eisenhower – o Comandante das forças aliadas – a apoiá-lo e a preterir os planos de seu rival, o General Patton. Como se percebe desde o início do filme, deixar a estratégia política vencer a militar foi uma péssima idéia.

Erro: não acreditar nos informes da resistência holandesa de que os alemães concentravam muitas tropas para defender a região e basear-se no otimismo gerado pelo Dia D.

Erro: o Tenente-General Browning (Dirk Bogarde), responsável pela operação, insistir em prosseguir mesmo com fotografias aéreas (“poucas fotos”, segundo ele) que mostrando da existência de tanques alemães camuflados na região. Em vez disto, e já cansado de tanto ter que adiar a operação, prefere colocar o responsável pelo levantamento aéreo, Major Fuller (Frank Grimes) “de molho” a fim de evitar a disseminação de possível pessimismo. Aliás, nem o general alemão Model (Walter Kohut) acreditava que os aliados seriam ousados (ou tolos) a ponto de atacar a considerável concentração de tropas, até porque a localidade não oferecia nenhum interesse estratégico. Daí a recusa de Model em explodir as pontes para segurar os aliados.

Erro: acreditar que o exército alemão era formado de crianças e velhos, como se difundia entre os aliados (apesar de que, em certo momento do filme, as crianças aparecerão). Na verdade, as melhores tropas nazistas estão estacionadas na região, comandadas pelo Tenente-General Bittrich (Maximilian Schell) e pelo Major-General Ludwig (Hardy Kruger), que vão segurar Arnhem a qualquer custo – eles preferem explodir as pontes para segurar só aliados, mas Model não concorda, insiste que os aliados não ousariam atacar as pesadas forças nazistas com paraquedistas e que não há nada de importante a ser conquistado na região.

E não foi por falta de experiência prévia, pois os próprios “Jerrys” (nazistas) haviam sido massacrados ao tomar Arnhem, em 1940.

A operação tem vários riscos: mudanças de tempo podem prejudicá-la imensamente, o entrelaçamento entre os diversos pontos de ataque aliado deve ser preciso, uma falha pode provocar o fracasso de toda a operação.

O início da operação aparentemente corre bem, e os alemães recuam muito mais rapidamente do que os aliados podem avançar, já que faltam aos aliados suprimentos, estradas livres e aviões suficientes para lançar todos seus paraquedistas.

A partir de então, acompanhamos o desenrolar de algumas histórias:

O major-general polonês Sosabowski (Gene Hackman), um homem de visão, que percebe estar colocando seus homens numa operação perdida, mas que prefere manter silêncio e ir adiante, é impedido pelo fog inglês.

O Brigadeiro-General Gavin (Ryan O’Neal), temeroso (com razão) com os relatos de seu ajudante-de-ordens holandês (Peter Faber) sobre as condições que seus paraquedistas irão encontrar, sobretudo por tratar-se de ataque à luz do dia, o que os torna mais vulneráveis. E os jipes, tanques e barcos de apoio não chegam.

O coronel Urquhart (Sean Connery), que descobre que vai saltar a muitos quilômetros de Arnhem e ter que se locomover a pé até o difícil alvo. Para piorar, ao chegar ao solo holandês, percebe que os rádios estão com cristal errado e não fornecem comunicação aos jipes que não chegam. Logo é cercado e a munição vai escasseando.

O Tenente-Coronel Horrocks (Edward Fox) será a “cavalaria” que irá em socorro dos paraquedistas – se tiver recursos para tal.

A guarda irlandesa, comandada pelo Tenente-Coronel J. O. E. Vandeleur (Michael Caine), que chega com tanques para depois alcançar e dar suporte aos paraquedistas, criar cortinas de fumaça; mas ele mesmo é logo atacado pelos alemães.

Os paraquedistas do Tenente-Coronel Frost (Anthony Hopkins), que tem a inglória tarefa de tomar a ponte de Arnhem com rifles e algumas armas antitanque; eles testam as forças inimigas, apenas para descobrir que elas são muito mais bem armadas que eles.

O coronel Stout (Elliot Gould), cuja missão é tomar a ponte do Rio Son – e a vê sendo explodida à sua frente…

O Major Julian Cook (Robert Redford) que não tem os barcos necessários à travessia do rio para tomar Nijmegen.

 

Avaliação: É um prazer escrever sobre este filme, um dos melhores que já vi, certamente o melhor filme de guerra. Já o vi duas vezes e meia (a metade do filme na TV eu já tinha perdido). A empolgante trilha sonora de John Addison ajuda a manter o clima, que é arrepiante desde os primeiros minutos de suas quase 3 h (muito rápidas!). Nunca vi tantos astros juntos num filme tão bom. Mesmo sabendo o final do filme, como no “Operação Valquíria”, há um suspense sobre o desenrolar das operações. Há dramas muito bons – em particular, refiro-me à promessa do Sargento Eddie Dohun (James Caan) em levar seu capitão (Nicholas Campbell) com vida de volta aos EUA (com um final surpreendente). Detalhes primorosos, desde a descida dos paraquedistas até as operações em terra.

Diálogos afiadíssimos, com destaque para as frases ácidas do general polonês interpretado por Gene Hackman (ótimo), são o toque tragicômico do filme (quando ele vê que está “no mato sem cachorro”, diz ao seu superior inglês “Só queria ter certeza de que lado o senhor está” ou quando ele exige uma carta do general Browning dizendo que ele, Sosabowski, está executando o plano mesmo estando em desacordo com ele, para o caso de seus homens serem massacrados. Ele mesmo dispensa a carta: “Em caso de sermos massacrados, de que ela adiantaria?”). Elliot Gould é o outro que confere um caráter mais “light” ao filme.

E o Major Harry Carlyle (Christopher Good), sempre com seu guarda-chuva na mão e alto astral, e a surreal negociação da rendição com os alemães (rendição de quem para quem?).

Mais uma afiada: Browning consola Urquhart dizendo que este fez tudo o que podia. “Mas, e os outros, fizeram?”.

No final, ficou difícil arrumar um culpado: a estrada para Nijmegen, a tomada de Nijmegen, o fog inglês?

A Espiã (Black Book/Zwartboek)

A Espiã (Black Book/Zwartboek), drama de espionagem e de guerra com toques de suspense e de romance de Paul Verhoeven, 2006. C

Enredo: 1956. Israel. Um grupo de turistas visita um kibutz. Ronnie (Halina Reijn) reencontra Rachel (Carice van Houten), agora professora neste kibutz. Elas se recordam dos tempos em que estiveram juntas na Holanda. Mas isto traz lembranças amargas a Rachel.

Final de 1944. Segunda Guerra Mundial. Parte da Holanda ainda está sob o jugo nazista. É onde está escondida a cantora judia holandesa Rachel Stein. Quando a fazenda que a abrigava é destruída por bombas – “Aviões alemães descarregando excesso de carga”, diz o rapaz com quem Rachel conversava – ela se refugia com seu salvador num celeiro abandonado, onde são contatados por Van Gein (Peter Blok), da resistência, que lhes propõe juntar-se a um grupo que vai cruzar o rio para o sul da Holanda, já libertado. Para tanto, ela contata o advogado da família, para reaver parte dos recursos custodiados por ele. Ela reencontra a família no momento da travessia, mas os perde para sempre quando uma patrulha alemã metralha os passageiros e saqueia o barco. Somente ela sobrevive. Escondida pelo grupo da Resistência liderado por Gerben Kuipers (Derek de Lint) com a identidade de Ellis de Vries, Rachel aceita participar das ações do grupo. A primeira é o contrabando de armas, que a leva a viajar com o aliado do grupo Hans Akkermans (Thom Hoffmann) – no trem, ela conhece o oficial alemão Ludwig Müntze (Sebastian Koch), chefe da inteligência local – que fica seduzido por ela. Quando um acaso expõe parte do grupo da resistência, Ellis aceita a missão de aproximar-se de Müntze, seduzi-lo, implantar uma escuta no quartel alemão e ajudar na libertação do filho de Kuipers e de seus companheiros. Ela tem sorte, pois o nazista a emprega e é seduzido por ela. De lá para as festas e recepções, o passo é rápido. E o reencontro com o oficial nazista que trucidara sua família (Waldemar Kobus) também. Seguem as primeiras ações apoiadas pela presença de Rachel no quartel inimigo. Mas os revezes vão se acumulando. Haveria alguém infiltrado no grupo? Um de seus contatos estaria trabalhando para os dois lados? A própria Rachel, agora emocionalmente envolvida com o nazista, torna-se suspeita e alvo dos dois lados.

Avaliação: “Baseado em fatos reais”, é o que se lê no início do filme. É bem possível, pois muitos eventos como os narrados no filme certamente ocorreram: resistência, colaboracionismo, subjugação, traições, ações heróicas.

Um filme de 2,5 horas, que passa rápido e provoca muitos momentos de tensão. Além de ser um drama cativante e um “suspensaço” com muito conteúdo, o filme mostra dois fatos que raramente têm vez neste tipo de filme: a punição dos colaboracionistas e o triste pragmatismo dos aliados, ao preservar diversos oficiais nazistas como fontes de informação que pudessem afetar os interesses soviéticos. Pois é, muitos oficiais nazistas de alta patente foram poupados das devidas punições (se é que haveria punição suficiente para eles…) porque seus conhecimentos serviram para deter o avanço do que viria a ser o novo inimigo dos americanos e de seus aliados europeus: os comunistas.

Outra feliz dica de DVD dos amigos Carlinhos e Gisele, este filme já fora indicado pelo nosso amigo Rubens à época em que esteve em cartaz, mas acabamos não o vendo no cinema. 

PS: Minha mãe e irmão viram depois e também adoraram.

Austrália (Australia)

Austrália (Australia), aventura e drama romântico de Baz Luhrmann, 2008.

Enredo: A estória é contada pelo pequeno Nullah (Brandon Walters), que, juntamente com seu avô, o aborígene King George (David Gulpilil), é perseguido pela polícia australiana por suspeita de serem cúmplice e assassino do fazendeiro Maitland Ashley. Contra King George pesam os fatos de que a lança que matou o fazendeiro é do tipo usada pelos aborígenes e de que ele não gosta de brancos. Neste meio tempo, Lady Sarah Ashley (a bela, belíssima Nicole Kidman) está partindo da Inglaterra para visitar o marido. Ao chegar à Austrália, ela acaba tendo que assumir a fazenda do falecido Maitland, Faraway Downs – o último lote de terra que falta para o ambicioso King Carney (Bryan Brown) dominar o norte do país. O desafio de Sarah está em fazer renascer uma fazenda quase acabada e que, como descobre através de Nullah, é roubada pelo seu administrador, Neil Fletcher (David Wenham) –como ficamos sabendo, ele é o verdadeiro assassino de Maitland Ashley –, que ela prontamente demite. Neil leva embora seu pessoal e cabe à Sarah, com a ajuda dos despreparados empregados que permaneceram, conduzir suas cabeças de gado à cidade de Darwin antes que King Carney venda seu rebanho ao exército. A jornada é longa, traiçoeira e Fletcher, agora aliado a Carney, vai recorrer a todos os meios para impedi-los de chegar a Darwin. Mas Sarah tem a seu lado “Drover” (Hugh Jackman), o melhor condutor de rebanhos do local.

Segunda parte: Nullah, discriminado tanto pelos brancos como pelos aborígenes, por ser mestiço (“Creamy”, ou “café-com-leite”, como o chamam pejorativamente), sonha em fazer o walkabout, caminhada ritual, com seu avô. Fletcher sonha em dobrar Lady Ashley e ficar com a Faraway Downs, e, para isto, compromete-se a “vender” a liberdade de Nullah a Sarah, impedindo que os missionários ou a polícia o levem. Mas, estoura a segunda guerra na Austrália e, com os japoneses aproximando-se, novos dramas atingem a todos nas províncias do norte.

Avaliação: Muito criticado pelo excesso de pretensão e poucos resultados, este longo filme (2,5h) é muito empolgante, muito bom… São praticamente duas estórias. Quando você pensa que a entrega do gado é o auge do filme, aí vem a parte da 2ª Guerra e o ataque japonês. Os dois trechos são bem diferentes, ambos emocionantes. A química dos protagonistas é muito boa, dá para aprender um pouco da história da distante Austrália – e ficar revoltado por saber que, à semelhança da África, os colonizadores tratavam os aborígenes como categoria inferior, transformando as mulheres em criadas e levando as crianças nativas para serem “civilizadas” nas missões religiosas – daí a chamada “geração roubada”. Triste, muito triste…

Um Ato de Liberdade (Defiance)

Um Ato de Liberdade (Defiance), drama histórico e de guerra de Edward Zwick.

Enredo: 1941. Hitler inicia a operação Barbarossa e avança em direção à União Soviética, rompendo o acordo de não-agressão com Stalin. A Bielo-Rússia é invadida e os judeus, presos ou exterminados nas cidades e vilarejos. Entre as famílias massacradas com ajuda de simpatizantes nazistas nas “limpezas” está a dos Bielski. Os quatro irmãos sobreviventes refugiam-se na floresta próxima ao seu vilarejo e, com poucas armas e quase nenhum apoio da resistência bielo-russa e russa (muitas vezes até hostilizados por ela), vão fugindo e abrigando cada vez mais pessoas que conseguem resgatar de esconderijos ou de cidades que vão caindo. Em pouco tempo, judeus fugidos de todas as partes passam a procurar a proteção dos “Bielski”. Tuvia (Daniel Craig), o mais velho, assume a liderança da recém-formada Otriad (Brigada) Bielski e encarrega-se de vingar a morte dos pais atacando o chefe de polícia local. O impetuoso, ácido e muitas vezes imprudente Zus (Liev Schreiber) quer se juntar aos resistentes comandados pelos russos. O jovem Asael Bielski (Jamie Bell) também auxilia Tuvia, mas o irmão menor (George McKay) está traumatizado com a visão do massacre dos pais e sem fala. O tempo passa, eles vão conseguindo fugir, mas Zus junta-se definitivamente à resistência russa (que, mesmo desprezando os judeus, vê em Zus e seus homens bons combatentes). Com o crescimento do grupo de Tuvia, forma-se uma efetiva comunidade, com ensino e até um local para rezas. Mas a comida e armas obtidas de ataques e junto a poucos simpatizantes não são suficientes. Para piorar, uma epidemia de tifo põe todos em perigo. Não há remédios, o cerco nazista está cada vez mais próximo e há constantes ameaças de delação pelos aldeões. .

Avaliação: Excelente. Além da Sarah e eu, minha mãe e meu irmão haviam adorado o filme, que mostra um punhado de pessoas com poucas armas e comida (além de pouco apoio dos habitantes locais, quando não traídos por eles) que conseguiu escapar dos nazistas – que recorreram até aos bombardeios… Muitos dos que lá estavam (entre eles os Bielski mais velhos) perderam pais, esposas, filhos, casaram-se novamente (com as “esposas da floresta”, como eram chamadas as moças que conheciam no grupo), reconstituíram famílias e procuraram levar uma vida “normal” dentro do inferno a que foram submetidos. Uma história de sobrevivência, de traições, mas também de gente que, mesmo arriscando suas vidas, ajudava de coração os fugitivos. Vidas; histórias que nem o poderio e a insanidade nazista conseguiram apagar.

Operação Valquíria (Valkyrie)

Operação Valquíria (Valkyrie), drama histórico de guerra com toques de suspense de Bryan Singer. C

Enredo: Segunda Guerra.

África. O coronel Claus von Stauffenberg (Tom Cruise), herói do Exército alemão, foi transferido para a frente de batalha na África por criticar Hitler. Ele é mutilado em ataque dos aliados, perde uma mão, dedos e um olho – o que o deixa ainda mais convencido da estupidez dos rumos dados à Alemanha por Hitler. Conclui que a lealdade a Hitler não condiz com seus deveres para com seu país e nação.

Fronte oriental. O Major-General Henning von Tresckow (Kenneth Branagh) recebe Hitler em sua base, mas a bomba engenhosamente preparada por Tresckow não detona no avião que conduz o ditador de volta à Alemanha – mais uma chance de eliminar o ditador alemão é perdida mas, ao menos, Tresckow consegue recuperar a bomba antes de ser descoberta.

Alemanha: Tresckow não desiste e sugere a seus aliados o nome de Von Stauffenberg para levar a cabo mais uma tentativa. O inseguro General Friedrich Olbricht (Bill Nighy) e o decidido General Beck (Terence Stamp) dão ao competente Stauffenberg o comando do plano, que é chamado de Operação Valquíria, referência ao plano contingencial para acionar a reserva do Exército sob o comando do Major Remer (Thomas Kretschmann) em caso de perda de comunicação ou morte de Hitler. A idéia de Stauffenberg é alterar as ordens do plano e, assim, utilizar a própria reserva do exército contra as temíveis SS, depois de o próprio Stauffenberg ter matado Hitler no seu bunker “Toca do Lobo” e cortado as comunicações do bunker com o auxílio do inicialmente vacilante General Erich Fellgiebel (Eddie Izzard). A morte do ditador seria conseguida por intermédio de uma bomba preparada pelo Coronel Von Quirnheim (Christian Berkel) e colocada numa pasta que seria deixada por Stauffenberg sob a mesa de reuniões no bunker. Após a explosão e a destruição das SS pelo Major Remer (que contribuiria involuntariamente, pois não sabia dos planos), o oportunista General Friedrich Fromm (Tom Wilkinson) assumiria o comando das Forças Armadas (razão pela qual aderira ao golpe…)

Entre optar por uma bomba discreta ou uma poderosa, ficou-se com a primeira opção. E, como se sabe, a bomba explodiu num ponto da sala onde não causou grandes estragos e Hitler escapou quase ileso. Mas Stauffenberg e seu ajudante-de-ordens, o tenente von Haeften (Jamie Parker), saíram do local pensando ter conseguido seu intento e prosseguiram com os planos que, também sabemos, não foram levados a cabo a contento. Infelizmente…

Avaliação: Pena, pena, pena… Milhões de mortos e feridos teriam sido evitados se este atentado tivesse funcionado. Foi uma lição de história, pois eu não sabia quem estava envolvido além de Stauffenberg e que os conspiradores haviam tentado dar prosseguimento ao golpe enquanto as notícias vindas do bunker eram imprecisas. Apesar de conhecer o final e o destino do grande Stauffenberg e de seus aliados, fiquei preso à cadeira pelo suspense, torcendo para que o final pudesse ser alterado… Minha mãe gostou muito, eu adorei (mais um filme legal nesta safra atual), mas a Sarah achou de regular para bom. Como meu amigo Flavio (Biriba), que conhece bem a história dessa época, também gostou muito do filme, temos um bom sinal…

Serviu para mostrar que, apesar de o grosso da população alemã ter apoiado Hitler, houve heróis que resistiram a ele (claro, alguns, como o general Fromm, foram oportunistas, mas…).

Um Homem Bom (Good)

Um Homem Bom (Good), drama de Vicente Amorim, baseado o livro de C. P. Taylor.

Enredo: Ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha. John Halder (Viggo Mortensen) é um homem decente e de bom coração, que ensina literatura e tem amor pela profissão. Ao mesmo tempo, ele desdobra-se para cuidar de sua mãe senil e tuberculosa (Gemma Jones) e dos filhos, já que a esposa (Anastasia Hille), uma ex-enfermeira, prefere o piano à dedicação à família. Ele é fiel à esposa, mas é do tipo que se deixa levar e acaba cedendo aos avanços de uma aluna (Jodie Whitakker). Esta é apenas a primeira das drásticas mudanças que ocorrem na vida do professor: um antigo romance seu que trata do alívio do sofrimento de um ente querido é visto pelos nazistas como uma defesa da eutanásia que eles pretendiam praticar com os deficientes e, assim, Halder, novamente se deixando influenciar, deixa de lado seus princípios e elabora um ensaio encomendado pelos nazistas. Em seguida, filia-se ao partido, separa-se da mulher para casar-se com a aluna e fica sem ver a mãe por um longo período. Mas ainda mantém a amizade com seu psiquiatra (Jason Isaacs), um judeu que ainda acreditava que poderia viver sob o nazismo. Até onde Halder manterá os laços com o amigo? E o que ele fará para salvá-lo, quando a vida para ele ficar insustentável?

Avaliação: Éramos cinco, quatro de nós (Sarah, eu, Marjory e Marcelo) achamos a primeira parte do filme muito (mas muito mesmo) arrastada, apenas um (Roberto – não eu, mas o meu xará) ficou preso ao filme o tempo todo. Bem depois da metade, o filme engata. O protagonista é apresentado como uma amostra dos alemães que preferiram deixar de lado seus ideais e viver acomodados sob o jugo do nazismo. Mas é difícil de engolir a idéia de uma pessoa nos altos escalões da máquina nazista (o protagonista) que não soubesse do destino dos judeus. Wishful thinking demais… Assim, o filme deveria se chamar “Um Homem Tolo”…

Os bons momentos de realismo – e que talvez sejam mostrados de forma suave demais – são os que mostram o que os nazistas pretendiam fazer com os deficientes mentais, o sistema perfeito de cadastramento da população judaica e de seu destino (by IBM), a “orquestra” de recepção no campo de concentração, a fila da câmara de gás. Um Homem Bom, um filme nem tanto.

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas)

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas), drama sobre a Segunda Guerra de Mark Herman, com roteiro do próprio, baseado no best-seller de John Boyne. C

Enredo: Bruno (Asa Butterfield) tem oito anos e é filho de um oficial da SS nazista (David Thewlis, de “Sete Anos no Tibete”) que acaba de ser promovido; o “prêmio” é o comando de um campo de extermínio de judeus. O oficial e seu pai (Richard Johnson) estão felizes e orgulhosos, mas a avó de Bruno (Sheila Hancock) não consegue disfarçar a objeção que tem pelos ideais nazistas. O pai tenta convencer Bruno e sua irmã Gretel (Amber Beattie) de que, apesar de estarem indo para um local mais isolado, poderão fazer novas amizades. Gretel está entrando na adolescência e afeiçoa-se pelo novo ajudante-de-ordem do pai, o fanático nazista tenente Kotler (Rupert Friend). Mas nada de novos colegas, pois o isolamento do local obriga o comandante a contratar um tutor particular, outro fanático nazista, Herr Liszt (Jim Norton). Para Gretel, vai tudo bem, pois ela gosta do tenente e cada vez mais vai se tornando admiradora das teorias nazistas ensinadas por Herr Liszt. Para a mãe dos dois (Vera Farmiga), o mundo começa a ruir quando ela descobre que Pavel (David Hayman), o médico judeu transformado em descascador de batatas que a auxilia está sempre a um pequeno passo da punição e morte. E é o casamento que acaba ameaçado quando ela descobre as verdadeiras funções do marido.

Mas, e Bruno? Ele não consegue deixar de lado seus agora proscritos livros de aventura (o tutor crê que esta ficção nada acrescenta…) e não se interessa pelas aulas. É a vista de seu quarto para um distante campo com arame farpado que atrai a atenção do garoto com espírito aventureiro. E é para lá que ele procura ir, desafiando as instruções dos pais. Aos poucos, ele se dá conta de que, ao contrário do que lhe dizem os pais, não se trata de uma fazenda e que Shmuel (Jack Scanlon), o garoto de sua idade que vive atrás da cerca, sempre vestindo um pijama listrado e numerado, vive uma vida miserável. Bruno encontra um amigo para jogar e brincar (mesmo que separados por uma intransponível cerca eletrificada) e Shmuel encontra alguém que pode lhe dar comida e um pouco de distração dos trabalhos forçados a que é submetido, num mundo onde sabemos que não deverá ter vida longa. Tem início uma amizade… Mas como pode uma amizade destas durar quando todos atrás da cerca estão fadados à morte pela estafa ou nas câmaras de gás?

Avaliação: Discordo das críticas de que o roteiro ameniza o Holocausto. Ele apenas cria uma alegoria em cima da tragédia, mas mostra, sem demasiada sutileza, como o fanatismo nazista era tal que mesmo nazistas devotos podiam ser punidos apenas porque um parente deixara a Alemanha por discordar do nazismo (é a trama em torno do tenente Kotler, anti-semita violento e nazista convicto). E mostra cenas de violência contra os judeus, como a punição desproporcional pelos mais simples “deslizes” – ou até gratuitamente. E a violência não é tão explícita, o que torna o filme palatável a uma audiência maior.

Eu poderia questionar, na linha do livro “Os Carrascos Voluntários de Hitler” (o best-seller de Daniel Jonah Goldhagen), se realmente havia alemães adultos que não sabiam o que se passava nos campos, como retratado na figura da esposa do comandante. De qualquer modo, o enredo mostra uma nazista dedicada, que considera os judeus como sub-raça, mas que tem certa dose de humanidade e apenas desconhece a magnitude da tragédia. Plausível? Deu para “engolir!”, sim. Aliás, neste sentido, o filme mostra algo que realmente ocorria, a montagem cinematográfica que era entregue à Cruz Vermelha, mostrando judeus com boas roupas, música e comida decentes no campo. Como a Cruz Vermelha podia aceitar esta farsa é a questão, já que as notícias dos assassinatos em massa e das câmaras de gás já corriam pelo mundo.

Minha mãe e eu adoramos. É lindo. As lágrimas não me escorreram, mas estavam sempre prontas a cair. Creio que, como minha mãe bem colocou, o filme é discreto.

E tem a bela trilha sonora de James Horner…

Comentários do Alberto, Nancy e crianças (desculpem, já não tão crianças): Nós adoramos também, gostamos muito do enfoque sob a ótica infantil – um ponto de vista da barbaridade nazista não muito visto. Muito emocionante e cremos que crianças, mesmo abaixo da idade permitida – já que podem assistir com o consentimento dos pais -, devem ver. Aliás, TODOS devem ver, para que tais bestialidades não se repitam. O exemplo direto do tao: “a lei da ação e reação é implacável”.

Do meu amigo Rubens: ele discorda dos críticos que acharam que o filme “pegou leve” demais e crê que foi “uma porrada na cara com luva de pelica!”, com o que concordo totalmente. E considera que vale a pena ver o filme (mas acha que o livro é melhor).

Atrás da Linha Vermelha (The Thin Red Line)

Atrás da Linha Vermelha (The Thin Red Line), drama de guerra de Terrence Malick, com Nick Nolte, John Travolta, George Clooney (em micro-pontas, na verdade), John Cusack, John Savage e outros, que já esqueci, de tantos atores famosos que eram. D

Avaliação: Nolte está bem no filme, mas o filme não está bem… Tem uma filosofia modorrenta – fomos em seis, ninguém gostou. Quanto à filosofia, era “barata”, não me preocupei em entender nada. Infinitamente inferior ao contemporâneo “O resgate do Soldado Ryan”, só deve ter concorrido ao Oscar porque o Malick é considerado um gênio e ficara afastado de Holywood por 20 ou mais anos. Uannnnnn. Dá sono só de comentar o filme. Só vale por mostra um pouco da conquista de Guadalcanal e a condição dos japoneses  que lá estavam (se é que era como mostra o filme).

A Vida é Bela (La Vita è Bella)

A Vida é Bela (La Vita è Bella), drama com toques cômicos co-roteirizado e dirigido por Roberto Benigni, com o próprio, Nicoletta Braschi (sua esposa) e Giorgio Cantarini.

Enredo: Uma alegoria sobre a perseguição aos judeus na Itália sob o jugo fascista e nos campos de concentração. Um pai tem eu proteger seu filho nesta situacao, e ele resolve amenizar o que está se passando, para dar esperanças ao pequeno.

Avaliação: O Benigni é ótimo, a recepção ao rei no início do filme, as cenas com os ovos, os encontros e as declarações à amada, a hipnose que ele faz (“Schoppenhauer”) para as coisas acontecerem com o casal (e as coinciências que as levam a acontecer), a ida do “inspetor” ao colégio, são coisa de gênio, um pastelão muito bem bolado – e ele fez parte da montagem do roteiro, não? As cenas do campo, a explicação para a tatuagem no braço, para tudo que acontece, o tanque de guerra de verdade como prêmio, são sacadas excepcionais. Mas a cena mais engraçada (com o que Sarah concorda) é a da “tradução” que ele faz das regras do campo de concentração, é dez. Como v. falou, é muito bonito o relacionamento de família, o que o pai faz para preservar o filho, a mãe que se sacrifica para ir ao campo com eles, apesar de não ser judia. E o legal é que o pai salva mesmo o filho.

Discordo dos judeus que criticaram o filme, dizendo que mostra as coisas de maneira muito amena. Ele acaba sempre mostrando algum aspecto das perseguições (p. ex. o “cavalo judeu” do tio, pichado, a livraria pichada, os discursos raciais, estátuas fascistas) ou das agruras do campo (os oficiais nazistas que vão se “desumanizando”, o oficial que mais grita do que fala, os corpos sutilmente mostrados através da névoa, a menção aos “banhos” de gás nas crianças e velhos). É um páreo duro para o contemporâneo Central do Brasil. É uma obra de arte, fazer um filme deste jeito sobre um tema tão pesado. Até meus pais, que sofreram com a guerra, gostaram.

O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan)

O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan), ação e suspense dramático de guerra de Steven Spielberg, com Tom Hanks, Tom Sizemore, Matt Damon.

Enredo: Li que, depois do fracasso e do processo por plágio do “Amistad” (que resultou em acordo “não revelado”(?)), Spielberg se preveniu e até deu crédito a um historiador que tinha uma história na qual ele se baseou – e aí vai o enredo: devido a uma ocorrência na Guerra Civil, na qual Lincoln teve que enviar um telegrama de condolências a uma mãe que perdera todos seus filhos na guerra, na 2ª Guerra, um código militar fazia com que o último filho remanescente de uma família com vários fosse resgatado a qualquer custo (mesmo ao de várias outras vidas), para que os pais não perdessem todos de uma vez; e aí vai a estória; detalhes de guerra, cenas pesadas, momentos de tensão, …

Avaliação: Filme imperdível. Ah, tentem achar um certo ator meio desaparecido, lá no meio do filme; de resto, parecem novatos. Hanks merecia o Oscar e Sizemore também está ótimo.

Lucie Aubrac (Lucie Aubrac)

Lucie Aubrac (Lucie Aubrac), drama biográfico de guerra com toques de suspense de Claude Berry, com a linda Carole Bouquet e Daniel Auteuil. C

Enredo: História real da esposa de um resistente judeu na França ocupada, que vai até o fim para salvá-lo da Gestapo; mostra um pouco do carrasco Klaus Barbie (posteriormente preso) e do “herói-ou-traidor?” Jean Moulin.

Avaliação: Ótima dica do amigo Nelsinho, e ainda com clima de suspense.

Código de Ataque (Fail Safe)

Código de Ataque (Fail Safe), suspense dramático de guerra de Stephen “Ligações Perigosas” Frears, com Richard Dreyfuss (bem “transformado”, fiquei com dúvidas o tempo todo se o tinha reconhecido corretamente), Brian “Special FX” Dennehy, Harvey “U571″ Keitel, James “Cowboys do Espaço” Crommwell e George “Mar em Fúria” Clooney. Saiu diretamente em vídeo, em 2000. C

Enredo: Uma crítica à Guerra Fria, filmado em preto e branco, dá a sensação de que foi feito à época em que pretensamente se passa. Um erro no sistema americano de defesa que detecta um possível ataque nuclear soviético faz com que caças sejam despachados para lançar uma bomba atômica de 20Mton sobre um objetivo secreto (no caso, Moscou). Não há como deter o ataque, pois os pilotos estão treinados para rejeitar contatos de voz, pois estes poderiam ser falsos. Nem o apelo do presidente nem o do filho do piloto pode tirá-los da missão. O presidente americano (Dreyfuss) fica numa encruzilhada, pois, para provar aos soviéticos que foi um engano, fica imaginando se deve abrir os segredos militares americanos e o que oferecer como uma convincente prova de inocência. Enquanto isto, militares radicais e ponderados e os próprios pilotos discutem no Centro de Defesa e no Pentágono sobre se devem acatar ou não as ordens presidenciais.

Avaliação: Uma trama envolvente, que se prolonga até o fim, apesar de ter cenário e som fracos, tipo “produção caseira”. Muito bom.

Pearl Harbor (Pearl Harbor)

Pearl Harbor (Pearl Harbor),
drama e ação de guerra com
produção de Jerry Bruckheimer, direção de Michael Bay (a dupla de “A Rocha”), com Ben Affleck, Kate Beckinsale, Josh Hartnett, Tom Sizemore, Dan Aykroyd, Jon Voight (como F. D. Roosevelt), Cuba Gooding e Alec Baldwin (estes dois, em pequenos papéis de heróis que realmente existiram).

Enredo: Mostra um triângulo amoroso bem estruturado entre dois grandes amigos de infância e uma enfermeira (os momentos quando Affleck conhece Beckinsale são engraçados mesmo). Enquanto isto, ao mesmo tempo em que entabula conversações de paz, o Japão vai preparando uma ataque surpresa aos EUA. O filem mostra atos de heroísmo individuais, o ataque ao porto, que mais parecia um treino, as grandes perdas de vidas e equipamentos, o desespero no hospital, incapaz de lidar com tantos feridos; e questiona também se os EUA não teriam deixado escapar muitos sinais do ataque.

Avaliação: Muito bom, nem se compara, como muitos fazem, a “Titanic”, pois aqui o romance é muito diferente do esperado, o suspense da ação é 10, a ação em si é bem melhor, etc. Poderia ter um pouco menos que as cerca de 2h50 de duração, mas tudo bem.

A Guerra de Hart (Hart’s War)

A Guerra de Hart (Hart’s War), drama de guerra com toques de suspense de tribunal, dirigido por Gregory Hoblin, com Colin Farrell, Bruce Willis, Linus Roache, Terrence Dashon Howard, Vicellous Reon Shannon, Cole Hauser, Rory Cochrane, Rick Ravanello.

Enredo:
Fim de 1944, Segunda Guerra. O tenente americano Tommy Hart (Colin Farrell), filho de um senador, interrompe a faculdade de Direito em Yale para servir na guerra; a influência do pai o coloca num quartel na Europa, relativamente longe do fronte. Mas nem isto o salva: numa emboscada, ele é capturado pelos alemães que, sabendo onde ele trabalha, o torturam para saber as posições dos depósitos de combustíveis dos aliados e o enviam  a um campo de prisioneiros de guerra. Ao lado do campo, funciona uma fábrica de bombas, que os aliados pensam ser uma fábrica de sapatos – e os prisioneiros são obrigados a fabricar as bombas que serão usadas contra seus companheiros de farda. Já no campo, o coronel William McNamara (Bruce Willis), mais alta patente entre os presos, cuida da disciplina entre eles e procura manter a honra dos subordinados. Sabendo que o tenente Hart foi torturado, interroga-o e procura saber o que ele confessou; mas Hart nega que tenha falado qualquer coisa. De qualquer modo, McNamara o impede de ficar no alojamento dos oficiais e o despacha para o das patentes mais baixas. Lá, Hart conhece Vic Bedford, o chefe do mercado negro local, que consegue favores dos alemães em troca de cigarros, etc. É então que surgem dois oficiais aviadores americanos negros, abatidos pelos alemães: Lincoln Scott e Lamar Archer. McNamara parece hostilizá-los e também os despacha para o alojamento de Hart, onde este, a mais alta patente do local, procura impedir que sejam hostilizados e procura fazer com que pelo menos os respeitem por suas patentes – o que é difícil, pois a América ainda vivia tempos de racismo explícito e soldados negros eram raríssimos. O mais do que racista Bedford faz uma armação e provoca a morte de do tenente Archer. Scott promete vingança e, quando aparece fora das barracas, perto do corpo de Bedford, é o único suspeito  de sua morte. Ou será armação? Afinal, Bedford também tinha seus desafetos e mexia com o mercado negro, o que lhe trazia muitos “amigos” e riscos.

McNamara resolve que, desta vez, o coronel alemão que chefia o campo, Werner Visser (Marcel Iures) não faria uma de suas tradicionais execuções sumárias e exige uma corte marcial para Lincoln – com o que o comandante concorda – e força Hart, ainda estudante de direito, a ser o advogado de Lincoln. E lhe dificulta a vida, nomeando um capitão americano, que é advogado experiente, para a promotoria. Pior ainda: McNamara é o presidente da Corte e faz de tudo para impor obstáculos a Hart, mesmo que isto signifique lhe cortar a palavra, aceitar testemunhos flagrantemente falsos e outros recursos do tipo. Mas Hart tem um aliado inesperado: o comandante do campo, que não gosta de McNamara, vai lhe fornecendo subsídios para a defesa. Tudo muito estranho, mas Hart prossegue, pois o comandante lhe deu um prazo muito curto para provar a inocência do aviador que, já conformado com sua morte, quer apenas que uma carta chegue ao filho, mostrando que ele lutou e morreu com honra. Mas, se não foi ele, quem matou Bedford? E por quê?

Avaliação:
Muito bom. Em mais um papel sério e bem desempenhado, Bruce Willis faz o papel de um coronel duro, disciplinado, mas honrado só na aparência. E desta vez, cedeu o papel principal a Colin Farrell, cujo personagem, além de tudo, dá título ao filme. O filme é um drama de guerra diferente do normal, que não ocorre num campo de batalha, mas sim, num de prisioneiros de guerra e que mostra situações como a da discriminação dos negros nas Forças Armadas, e o esforço que os prisioneiros tinham que fazer para manter a honra, enquanto eram humilhados pelos captores (que não se preocupavam em seguir a Convenção de Genebra no tratamento dos prisioneiros). Além disto, o filme é um daqueles suspenses de tribunal muito bem montado.

Fomos Heróis (We Were Soldiers)

Fomos Heróis (We Were Soldiers),
ação de guerra de Randall Wallace (roteirista de “Coração Valente”), com Mel Gibson, Barry “À Espera de um Milagre” Pepper, Greg “Melhor Impossível” Kinnear, Sam “O Grande Lebowski “/”A Conspiração” Elliott, Chris “Diga Que Não É Verdade” Klein e Madeleine “A Filha do General”/”Tocaia” Stowe.
C

Enredo: Época da Guerra Fria, capitalismo x comunismo. Não havia o terrorismo fundamentalista disseminado pelo mundo, havia os Beatles, a minissaia e o começo do rock… Bons tempos, não? Mas houve uma grande estupidez. Pensando que tinham aprendido o suficiente com a derrota francesa na Indochina (década de 50), os americanos estavam dispostos a defender o regime corrupto do Vietnã do Sul contra o Vietnã do Norte comunista. Dez anos de sofrimento e perda de vidas foram necessários para que se percebesse o erro da maneira mais clara possível: com a derrota.

Mas tudo tem um começo e o deste episódio é a convocação do brilhante estrategista e herói da Guerra da Coréia, o tenente-coronel Hal Moore – um homem religioso, de princípios e um comandante humano – e de seu fiel escudeiro, o duro e impassível sargento-major Savage (Sam Elliott). Eles têm a missão de formar um regimento de cavalaria aérea (desembarque por helicópteros) para atuar no Vietnã. Os soldados são inexperientes (naquela época, eles eram convocados, o exército não era composto de profissionais, como hoje), mas o coronel sabe como treiná-los. O problema é que não havia sido decretado Estado de Emergência nos EUA, e, assim, o coronel Moore percebe que não haverá tropas suficientes para seu regimento. Mas já é a véspera do embarque e este “detalhe” não pode atrapalhar o baile de despedida do 1.º Batalhão da 7.ª Cavalaria – que coincidência terrível, o mesmo número da Cavalaria do General Custer, que morreu em batalha com os índios Sioux, no século XIX. Mas, quando chega ao Vietnã, a coisa fica pior ainda: o coronel Moore recebe uma missão que ele percebe que será das mais difíceis, se não suicida. Um grupo de vietcongues (guerrilheiros do Vietnã do Norte) atacou soldados americanos, mas não houve baixas. Tendo uma idéia do ponto de onde os vietcongues teriam partido, o comando militar americano manda Moore atacá-los. Mas Moore percebe que deve o ataque deve ter sido apenas uma tentativa vietcongue de avaliar as forças americanas e que atacar de volta sem se ter idéia de quantos guerrilheiros seriam encontrados e sem saber o ponto certo de onde partiram seria uma estupidez. Mas ordens são ordens e, transportadas pelos helicópteros comandados pelo major Bruce “Snakeshit” Crandall (Greg Kinnear), as tropas desembarcam no vale de la Drang, o “Vale da Morte”. É 14/11/65, dia do primeiro confronto entre tropas americanas e do Vietnã do Norte. Serão três dias ferozes, com 395 americanos se defendendo de 2.000 (ou 4.000?) vietcongues e testemunhados pelo ousado repórter Joe Galloway (Barry Pepper), que ajuda os soldados feridos e que chega a ter que entrar ele mesmo na batalha; depois, ele escreveria o livro “We Were Soldiers … and Young” com o coronel Moore.

Avaliação: O trailer me desencorajou de ver o filme, mas ele tem que ser visto! A primeira meia hora é um pouco lenta, mostra a base americana nos EUA, os dramas e alegrias pessoais dos soldados e de suas famílias: um filho que nasce, o racismo vigente à época, … Mas, quando fomos perceber, já tinha se passado mais uma hora, porque, uma vez no Vietnã, é ação o tempo todo. Mas cuidado com o excesso de sangue em algumas cenas.

As atuações de Sam Elliott e Mel Gibson estão excelentes, mas Sam Elliott, como o mal-humorado sargento Savage, está demais. O filme é excelente e mostra alguns detalhes que não são mostrados em outros filmes sobre o tema (como p. ex, em “Platoon”, que, depois deste filme, passou para a categoria de lixo):

  • o filme mostra uma integração racial no Exército (pelo menos entre os homens de Moore) que destoava do racismo vigente nos EUA na época: por exemplo, as mulheres negras tinham que usar uma lavanderia exclusiva para gente de cor (lavanderia para “colored”, o que provoca um trocadilho engraçado no filme)
  • como no exército de Israel, a alta patente (o coronel Moore) é o primeiro a descer no campo de batalha e o último a sair; e ele não sai sem levar todos seus mortos e feridos. E ele é duro, tem decisões brilhantes, mas sofre com seus soldados e se arrisca tomando a frente das batalhas.
  • mostra o ângulo do repórter de guerra envolvido até o pescoço na batalha, enfoca bem os pilotos de helicóptero e suas arriscadas missões sob chuvas de balas e mostra o estrago que faz o “fogo amigo”, que acaba prejudicando aqueles que devia ajudar (os americanos usaram até aviões com bombas incendiárias para atacar o inimigo)
  • mostra os vietcongues como gente corajosa que luta por um ideal e não como vilões terríveis – isto aparece no detalhe do soldado que carrega uma foto da amada e nas tomadas do líder guerrilheiro, mostrado como brilhante estrategista – Moore tem que ficar tentando raciocinar como seu adversário, tentando antever suas ações
  • mostra a angústia das mulheres na base nos EUA, quando o táxi amarelo chega com os telegramas para as esposas que acabaram de ficar viúvas (a sra. Moore decidiu adotar um estratégia diferente e as mulheres iam em grupos entregar os telegramas às colegas – algo muito mais humano e bem retratado no filme).
  • a estupidez dos burocratas de Washington e dos generais sem visão da batalha
  • Se pudermos acreditar (e eu acredito) que o coronel Moore tenha atuado como o filme mostra, aí está um verdadeiro herói. Ah, e o título da tradução brasileira foi tolo demais; o original do livro que deu origem ao roteiro seria o melhor: “Fomos soldados … e jovens”. Diz tudo!

Códigos de Guerra (Windtalkers)

Códigos de Guerra (Windtalkers), ação de guerra dirigida por John “A Outra Face” Woo, com Nicholas “A Outra Face” Cage, Adam Beach, Christian ”Robin Hood”/”Tempestade” Slater, Roger Willie, Peter “Minority Report” Stormare, Noah “O Show de Truman” Emmerich, Mark Ruffalo e ponta de Frances ”AI” O’Connor. C

Enredo: 1943-44. Guerra do Pacífico, os EUA estão combatendo os japoneses ilha por ilha. O cabo Joe Enders (Nicholas Cage) segue ordens e segura sua posição a todo custo, mesmo que sua obstinação provoque a incompreensão dos subordinados; e esta obstinação acaba por provocar a morte de todos seus homens e ferimentos graves nele próprio. Mas ele consegue ajudar os compatriotas a tomarem a ilha. De volta ao hospital militar, ele se recupera e só pensa em voltar à ativa; ele persiste tanto que o que consegue,disfarçando a deficiência auditiva resultante dos ferimentos. Tanta persistência para conseguir ser somente ser designado para “pajear” um índio navajo, Ben Yahzee (Adam Beach), que conhece códigos secretos da marinha americana e que são falados em justamente no idioma navajo. A missão não é simples: sob o comando do sargento “Viking” Hjelmstad (Peter Stormare) o agora sargento Enders tem que proteger não o índio, mas o código, impedindo que seu portador (ie, o índio) caia nas mãos dos japoneses e seja torturado para confessar o que sabe. O porém é que o sargento quer mesmo é lutar e vingar os companheiros mortos e não quer estabelecer laços de companheirismo com alguém que pode vir a precisar matar. Mas ordens são ordens e, juntamente com o sargento Ox Henderson (Christian Slater) e Charlie (Roger Willie), o protegido navajo desse, eles vão dando as coordenadas das baterias de canhões japoneses nas ilhas que vão invadindo, de modo a que os aviões americanos as destruam. E Enders, tornado mais frio pelos acontecimentos que provocaram a morte de seus homens, procura a todo custo manter a distância de Ben, que não sabe da função de e não entende o porquê desta distância.

Avaliação: Emboscadas, fogo amigo, divergências entre o navajo e um branco sulista racista (Noah Emmerich), atos de bravura, laços de amizade que vão se criando, homens que vão morrendo e códigos de guerra em navajo que vão salvando os americanos compõem a trama deste filme. A Sarah achou este “mais um filme de guerra”; está saturada desta linha de filmes, mas achou este razoável. Eu achei o melhor do fim de semana; a idéia é muito boa (e real), a ação não pára nunca (obra do diretor John Woo, que sabe fazer isto como poucos), o afastamento e posterior entrosamento entre o índio e o protetor dos códigos é bem mostrado. Enfim, excelente, só que se preparem para algumas cenas mais fortes de sangue.

Tróia (Troy)

Tróia (Troy), drama épico sobre a guerra de Tróia, com foco em Aquiles e Heitor, dirigido por Wolfgang Petersen, com Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Rose Byrne, Peter O’Toole, Brian Cox, Brendan Gleeson, Garrett Hedlund, Diane Kruger, e ponta de Julie Christie. C

Enredo: Em relação ao que eu conhecia da narração da Ilíada de Homero, o enredo apresenta algumas diferenças, mas nada de mais; alguns protagonistas que morrem de maneira diferente da narração clássica (ou daS narraçõeS, já que existem correntes diferentes de narração para alguns dos eventos) e outras mudanças pequenas. E o roteiro do filme expurgou a participação dos deuses, desconsiderando a influência que eles tiveram em vários momentos dos dez anos de guerra.

Basicamente, o filme situa a guerra em cerca de 1.300 a.C. Agamenon, o rei que unificara os reinos gregos através de muitas batalhas, acaba de conseguir convencer Aquiles a lutar a seu lado mais uma vez e conquistar mais um reino (sem muito sangue, para variar). Enquanto isto, Menelau, irmão de Aquiles e rei de Esparta (outra cidade-estado grega), celebra a paz com os troianos, cujo reino ficava situado na atual Turquia. A guerra com Tróia teria sido provocada pelo “rapto” de Helena, esposa de Menelau (rei de Esparta), por Páris, príncipe troiano. O filme mostra que, na verdade, a idéia do rapto está errada, pois Helena e Páris eram amantes e ela queria fugir de seu marido, com quem se casara contra sua vontade. Príamo, rei de Tróia, e Heitor, irmão mais velho de Páris, querem que Helena volte ao seu marido e evite a guerra com os gregos, ainda mais depois da paz conquistada a duras penas com os espartanos (Esparta era uma das cidades-estado gregas). Mas eles se deixam convencer ao perceber o amor de Páris por Helena. Se Menelau queria a guerra para se vingar do “presente chifroso” que recebera de Páris, Agamenon, seu irmão, usa o “rapto” como desculpa para expandir o reino da Grécia até Tróia. Para isto, leva os exércitos de todos os reinos que compõem sua aliança.

Eis os protagonistas:

- Aquiles (Brad Pitt), filho de Peleu, rei dos destemidos e temidos mirmidões; ele detesta Agamenon, mas acaba sempre atendendo a seus chamados e vencendo as batalhas, ainda mais se chamado por seu amigo e conselheiro Ulisses. Excelente lutador, consegue vencer inimigos mais fortes e maiores; o filme o retrata como um Cassius Clay de escudo e espada. Ele é um saqueador cruel, independente, desobediente, mas também tem seus momentos de profundo respeito pelo inimigo vencido. Seu maior desejo era sempre lutar e deixar seu nome para a posteridade.

- Pátroclo (Garrett Hedlund) – primo de Aquiles; treinado por este, quer combater de qualquer jeito. Ele ainda é muito novo para isto, mas sua ação em luta vai ter um importante papel no duelo de gigantes de Heitor e Aquiles.

- Tétis (Julie Christie), a mãe de Aquiles. Diz a lenda que, a mando dos deuses, banhou o filho na água de um rio, para torná-lo imortal; flagrada pelo marido, que considerou loucura o que via, não teve tempo de banhar o calcanhar do filho, daí o famoso “calcanhar de Aquiles” pessoas. Ela sabia que o destino do filho seria evitar a guerra e fazer uma família ou ir para Tróia, morrer lá e ficar para a história. Conformou-se em ver seu filho partir.

- Ajax (Tyler Mane), guerreiro forte, destemido e cruel, grande amigo de Aquiles; bem representado por um ator de quase 2,10m.

- Ulisses (Sean Bean), rei de Ítaca, uma ilha pertencente à Grécia de Agamenon; autor da idéia do cavalo de Tróia. Ele mesmo sabendo que muitas vezes era o Aquiles quem tinha a razão, Ulisses apoiava o desprezível Agamenon, pois sabia que obedecê-lo era importante; a obediência lhe garantiria a sobrevivência.

- Agamenon (Brian Cox), rei de Micenas, o “rei dos reis”, que unificou os reinos gregos (à força); ficou muito feliz ao ter uma desculpa para conquistar Tróia. Reuniu a maior armada e o maior exército já vistos até então. Cruel e violento, usou até o irmão, pois não estava nem um pouco preocupado com os desejos deste em reaver Helena.

- Menelau (Brendan Gleeson), irmão mais novo de Agamenon, excelente lutador, combateu Páris num desafio por Helena. É na interessante cena em que o vemos pela perspectiva do capacete de Paris que se percebe que Menelau era um inimigo realmente assustador.

- Príamo (Peter O’Toole), rie de Tróia, um exemplo de pai; cedeu ao filho Páris e acolheu Helena, mesmo sabendo que isto serviria de desculpa para Agamenon declarar-lhe guerra. Falhou em acatar o que lhe dizia seu sacerdote, que achava estar interpretando corretamente o desígnio dos deuses.

- Heitor (Eric Bana), destemido, justo e excelente estrategista; pai e marido excelente. Por amor ao irmão, entra numa guerra que queria evitar a qualquer custo, para poupar o reino de Tróia, que tanto amava. Infelizmente, suas opiniões não eram levadas tão a sério como os do sacerdote do pai.

- Andrômaca (Saffron Burrows), esposa de Heitor e mãe de um recém-nascido a quem Heitor procura proteger ao máximo quando vê que a cidade está perdida.

- Páris (Orlando Bloom), filho mais novo de Príamo; realmente ama Helena. Retratado como um covarde que se torna corajoso quando sua cidade está caindo em mãos do inimigo.

- Briseida (Rose Byrne), sobrinha de Príamo, sacerdotisa de Apolo, tomada como escrava por Aquiles; ao lado dela, Aquiles consegue mostrar que sabe amar.

- Helena (Diane Kruger), infeliz e entediada esposa de Menelau e amante de Páris, com quem foge.

- Enéias (Frankie Fitzgerald), um troiano que aparece numa pequena ponta, mas importante em termos de história; conta o filme que carregou a espada dos reis troianos quando do fim da cidade e, indo ao Lácio (na atual Itália), foi precursor do povo romano.

Avaliação: Ótimas interpretações de Eric Bana (excelente mesmo) e Peter O’Toole (poucos diálogos, mas muito bons – e ele protagoniza a cena mais linda do filme, quando mostra o amor do pai pelo filho perdido – “Eu amei meu filho do momento em que ele abriu os olhos até o momento que você os fechou”). Devem dar candidatos ao Oscar. Brad Pitt tem boa participação, com seu jeito de herói cruel, por vezes carregado de fina ironia. Meu pai achou o filme um pouco repetitivo, só com cenas de batalha, mas achou a montagem ótima. Realmente, há muitas cenas de luta, mas são bem interessantes, mostram os ardis e as táticas de guerra usadas para conquistar uma fortaleza (Tróia, considerada inexpugnável). Minha mãe, a Sarah e eu adoramos – foi um dos melhores épicos que já vi. São 2h45 de pura ação, drama e romance. Confesso que tive olhei para o relógio algumas vezes, mas não foi pela monotonia do filme, foi pela tensão, pela ansiedade de que o drama tivesse fim (já que todos sabemos como a estória acaba…). As cenas do diálogo de Príamo e Aquiles e do presságio de Tétis em relação a Aquiles são realmente excepcionais. Para quem quiser, as frases mais bem montadas do filme estão em <http://www.imdb.com/title/tt0332452/quotes> (vale mais para quem já o viu). IMPERDÍVEL

O Último Samurai (The Last Samurai)

O Último Samurai (The Last Samurai), ação dramática de guerra, dirigida por Edward Zwick, com Tom Cruise, Ken Watanabe, Masato Harada, Tony Goldwin, Timothy Spall e Billy Connoly. C

Enredo: Cruise é o capitão Nathan Algren, herói da Guerra Civil Americana, admirado por suas táticas bem sucedidas de guerra e que se refugiou na bebida, para fugir do arrependimento de ter seguido ordens de seu superior, Coronel Benjamin Bagley (Tony Goldwin), que resultaram no massacre de mulheres, crianças e velhos indígenas. Ele vive do pouco que recebe como garoto-propaganda dos rifles Winchester. Enquanto isto, no Japão, o imperador da dinastia Meiji deseja modernizar o país, adquirindo armas e hábitos ocidentais, construindo estradas de ferro e criando um verdadeiro exército, que deveria substituir os samurais na defesa do Império. Os últimos samurais estão sob a ordem de Katsumoto (Ken Watanabe); eles realmente consideram que estão servindo o imperador (afinal, a palavra “samurai” significa “servir”), uma figura divina para eles e, apesar de numericamente inferiores, invariavelmente vencem as escaramuças que travam com o exército. O imperador tem Katsumoto em alta estima e o considera um mestre, mas, no jogo do poder, tende a seguir o que diz seu ministro Omura (Masato Harada), que tem muito a ganhar com os contratos de vendas de armas. E é nestas circunstâncias que surge a oportunidade para Algren e Bagley, chamados para treinar o exército japonês a peso de ouro. A tarefa mal é iniciada e, sob os protestos de Algren, Bagley e Omura resolvem lançar as tropas ainda despreparadas contra os samurais. Claro que elas perderão a batalha.  Aguerrido, lutando até as últimas forças, Algren vence vários inimigos e, quase morto, é capturado e levado para viver sob os cuidados da família de um dos samurais que matou. (E o filme mal começou…) Katsumoto admira seu inimigo, mas aqueles que o abrigam detestam a tarefa. O aprendizado do modo de vida dos samurais e o respeito que Algren vai adquirindo pelos seus captores criam uma simpatia mútua e uma amizade que irão até o fim, numa batalha entre lanças, arcos e flechas contra canhões e metralhadoras.

Avaliação: Este a Sarah não quis ver. Pena! Fui com amigo que gosta mais de filmes não-holywoodianos, e ambos gostamos muito, excelente! O filme mostra cenas de sangue e violência como em ”Coração Valente” e também relações de honra e de respeito a uma cultura diferente e primitiva, mas bela e em extinção, como no fantástico “Dança com Lobos”. É incrível como o filme leva a gente a ir moldando nossa opinião: no começo, você detesta os samurais (“servir”) com suas armaduras assustadoras; depois, você passa a admirá-los e percebe como eles realmente protegem suas aldeias, como vinham fazendo há nove séculos.  O filme lembra algo de “Lendas da Paixão”, do mesmo diretor e tem 2,5h que nem se vê passarem.

Furyo – Em Nome da Honra (Merry Christmas Mr. Lawrence)

Furyo – Em Nome da Honra (Merry Christmas Mr. Lawrence),
drama de guerra de Nagisa Oshima.
C

Enredo: 1942. Num campo de prisioneiro de guerra ingleses e holandeses em Java, um capitão japonês (Ryuichi Sakamoto) exerce o comando com crueldade, desafiando sem vacilar o que dita a Convenção de Genebra a respeito do tratamento de prisioneiros de guerra. Isto irrita o comandante designado dos prisioneiros, o capitão Hicksley (Jack Thompson), mas ele nada pode fazer para melhorar a situação, a não ser exprimir seu desacordo. Entre os dois lados estão sempre o sargento Hara (Takeshi Kitano), que comanda o dia a dia do campo em nome do capitão Yonoi, e o coronel inglês John Lawrence (Tom Conti), que conhece e admira a cultura japonesa e procura administrar as diferenças entre as partes. Muito conciliador, acaba por vezes defendendo mais os captores que os cativos, o que desagrada Hicksley. Mas é o único que compreende a diferença entre os mundos e que consegue amenizar um pouco a crueldade do capitão e, principalmente, do sargento. A chegada ao campo de um novo prisioneiro inglês, o major Celliers (David Bowie), instiga o capitão, que passa a admirá-lo e quer fazer dele o novo comandante do lado dos prisioneiros. Mas se algo em Celliers mexe com Yonoi, sua rebeldia vai lhe trazendo problemas, ainda mais porque ele vai servindo de exemplo aos colegas. Esta rebeldia chega ao limite e nem a admiração do capitão Yonoi pelo major pode evitar o pesado clímax.

Avaliação: Um clássico que mostra as diferenças culturais entre ingleses e japoneses, mas sob a ótica de prisioneiros de guerra, interessante… As atuações dos quatro protagonistas (Sakamoto, Bowie, Conti e Kitano) são ótimas, as cenas de confronto entre os estilos culturais idem, e, para completar, uma excelente trilha sonora de Sakamoto compensam o andar lento da maior parte do filme. A Sarah só começou a ver, mas foi se desinteressando.

Terra e Liberdade (Land and Freedom)

Terra e Liberdade (Land and Freedom), drama de guerra de Ken Loach

Enredo: Ano de 1936. David Carr (Ian Hart), membro do PC de Liverpool, Inglaterra, fica entusiasmado com uma palestra dada por um revolucionário espanhol, combatente da guerra Civil travada entre republicanos e fascistas de Franco, na Espanha. Desempregado e idealista, ele avisa à namorada, também comunista, que vai se juntar à brigada Internacional do partido POUM na Catalunha. Mas lá, ele descobre guerra suja: civis colocados no meio das lutas, padres e igrejas usados para apoiar os fascistas, o desejo de poder dos stalinistas, que pretendem tomar a liderança das milícias comunistas e acabar com os trotskistas. Ele participa de discussões ideológicas que apenas atrasam o sucesso das milícias, descobre e fica sabendo das torturas e das traições no movimento provocadas pelo stalinismo. Vai se decepcionando com o comunismo e se envolvendo com uma companheira de movimento. Aos poucos, David sente que deveria estar do outro lado, não com seu partido, mas com as milícias idealistas. Mas vai ser difícil apara eles sobreviverem participando de uma milícia que não recebe armas novas nem apoio do comando central comunista.

Avaliação: Um pouco lento, mas um bom filme. Acabamos aprendendo mais sobre a guerra civil espanhola e sobre as sujeiras de Stalin. As discussões sobre os rumos da revolta antifascista são arrastadas, mas mostraram-nos uma realidade: comunistas lutando entre si, discussões sobre se a revolução deve ser vencida para então se discutir a coletivização das terras tomadas ou se as terras devem ser distribuídas logo que são tomadas. E como elas deveriam ser distribuídas: coletivamente ou em pequenos lotes, de acordo com a capacidade produtiva de cada um ou igualmente? E eles deveriam se submeter ao poder central dos stalinistas ou conduzir sua luta sozinha? Com tanta discussão política e ideológica, não é à toa que Franco derrotou os republicanos…

Além das Linhas Inimigas (Behind Enemy Lines)

Além das Linhas Inimigas
(Behind Enemy Lines), drama de guerra de John Moore, com Owen Wilson e Gene Hackman.

Enredo: Baseado num caso real da tentativa de resgate de um piloto da Marinha americana (Owen Wilson) em missão secreta na Bósnia e que sobrevive a uma queda atrás das linhas sérvias, é perseguido por agentes sérvios, mas só tem a favor de seu resgate o seu superior imediato (Hackman).

Avaliação: Típico demais e anti-sérvio demais. Além de meio chato. Só eu vi – ainda bem… Não é nem o estilo da Sarah.

Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima)

Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima), drama de guerra de Clint Eastwood.

Enredo: Final da Segunda Guerra, marinha de guerra japonesa estraçalhada, o pouco que sobrou do Exercito e Força Aérea tendo que se concentrar em defender Tóquio, pouco resta ao general Kuribayashi (Ken Watanabe), enviado para defender a ilha de Iwo Jima do ataque americano. A ordem é, bem ao estilo do Japão da época, lutar até a morte e cometer suicídio em caso de fracasso. Através das cartas do general e de alguns de seus soldados, vemos o esforço desesperado para proteger a ilha, a tentativa de sobrevivência dos que perceberam que o fim está próximo e que querem apenas voltar para suas famílias, e a loucura cega dos oficiais que preferem sacrificar suas tropas a bater em retirada e juntar-se a outros grupos de combate.

Avaliação: Ainda não vimos o outro filme de Clint Eastwood sobre o ataque americano a Iwo Jima, o “Flag of Our Fathers”, que parece ter mais ação que este. A Sarah achou este lento, e ele realmente o é, apesar das cenas de ação de guerra, mas parece-me que a intenção de Eastwood era esta mesmo. Com o material do outro filme, ele conseguiu montar o lado japonês do ataque, através das cartas recuperadas na ilha de Iwo Jima. Além de mostrar as impressões dos combatentes, o filme mostra como o comando central de guerra era capaz de mentir aos próprios combatentes e dar-lhes a impressão de que seriam socorridos. Até que não havia mais como esconder a verdade. Uma abordagem interessante, reforçada por atores como Watanabe e Kazunari Ninomiya (que faz o papel do involuntário soldado Saigo), pois mostra os soldados japoneses não como vilões, mas como gente que achava que estava cumprindo com seu dever para com a Pátria e salvando as famílias dos covardes, inferiores e cruéis soldados americanos. O que deve ter sido verdade para a maioria dos soldados que lutaram em Iwo Jima, provavelmente desvinculada dos crimes de guerra dos que invadiram a China, Coréia, Filipinas e outros países.


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