Textos categorizados 'História'

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy)

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy), drama de Bruce Beresford, 1989. C

Enredo: Para o compreensivo e paciente Bollie (Dan Aykroyd), o pequeno acidente de carro de sua mãe, a sofisticada Miss Daisy (Jessica Tandy), é a prova de que ela não tem mais condições de guiar. Ele providencia-lhe um chofer, Hoke Colburn (Morgan Freeman), mas ela reluta em aceitar a ajuda e recebe o novo funcionário de cara fechada. Mas Hoke não desiste e faz de tudo para agradar a patroa. Com o tempo, ele vai conseguindo seu intento e forma-se uma sólida e bela amizade.

Avaliação: O enredo é simples e tem poucos personagens, mas o diretor conseguiu extrair o máximo da estória, ajudado pelo trio de atores principais (na realidade, o papel de Dan Aykroyd – o menor dos três – soou-me o mais simpático). De quebra, através da judia Miss Daisy e do negro Hoke, consegue-se ter um leve panorama do sul racista dos EUA de 1950. Um filme cativante, que vi no cinema há vinte anos e tive a felicidade de rever com meus pais e a Sarah em 2007.

Apollo 13 (Apollo 13)

Apollo 13 (Apollo 13), suspense
dramático de Ron Howard, 1995.
C

Enredo: “Houston, we’ve had a problem”. Estamos em 1970 e a terceira missão tripulada à Lua será lançada, mas o público já não está tão envolvido pelo assunto. Assim, a partida de Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon) não desperta interesse, a não ser em suas famílias e na equipe em solo, comandada por Gene Kranz (Ed Harris) e apoiada por Ken Mattingly (Gary Sinise), que perdeu a chance de voar na Apollo por causa de um sarampo que nem se concretizou. Perder o vôo talvez tenha sido sua sorte, pois, antes mesmo da chegada à Lua, uma explosão num tanque de oxigênio põe o vôo em perigo. A missão agora não é mais chegar à Lua, mas retornar à Terra em segurança. Com um mínimo de materiais e o máximo de criatividade, a tripulação e a equipe em solo terão de achar uma solução para evitar que a nave fique sem ar e os tripulantes morram sufocados. Agora, sim, a toda a atenção da Terra está voltada para a Apollo 13.

Avaliação: Suspense fantástico, muito bem feito, e que empolga mesmo quando se sabe o fim do drama. Adorei no cinema, adorei em DVD. A Sarah achou bom, mas não excepcional, mas eu usaria este adjetivo sem dúvida alguma. Acompanhar não somente o drama, como a genialidade das soluções que vão sendo criadas, torna-se muito mais envolvente quando nos lembramos que os computadores da época, apesar de enormes, tinham uma capacidade de processamento equivalente a algo como uma máquina de calcular atual.

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil)

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil), drama com fundo histórico de John Curran, baseado em um livro de William Somerset Maugham, 2006.

Enredo: 1925. A jovem Kitty (Naomi Watts) pensa ser cedo para pensar em casamento, pois leva uma vida de luxo e confortável, com direito a festas e intensa vida social. Mas sua mãe a lembra de que o pai não irá sustentá-la para sempre – este será papel do marido. Ela sente-se pressionada e, mesmo sem corresponder, acaba cedendo ao pedido do tímido e recatado bacteriologista Walter Fane (Edward Norton), que está profundamente apaixonado por ela. Casados, Walter volta para seu posto em Xangai, na China, onde, como diz a ela, a vida social será divertida. Mas são tempos difíceis no país, pois os chineses estão cada vez mais irritados com a excessiva influência dos europeus nos rumos do país e – gota d’água – policiais ingleses acabaram de matar onze operários chineses que protestavam contra as condições das fábricas, e os nacionalistas de Chang Kai-shek estão propagando crescente ódio aos ocidentais. Sem amor por Walter, que se dedica integralmente às pesquisas e nutre uma vida monótona, Kitty é logo seduzida pelo vice-cônsul inglês (Liev Schreiber, marido de Watts na vida real). Ciente do caso, o discreto Walter resolve aceitar um posto numa cidade distante, onde poderá salvar vidas da epidemia de cólera que toma conta do país – e, ao mesmo tempo, afastar a esposa do amante. E, ao contrário do que esperava a ingênua Kitty, o amante não abandona a esposa e, sem alternativa, a não ser um escandaloso divórcio, Kitty segue o marido. Walter empenha-se em evitar o alastramento da epidemia e em salvar as crianças do convento local. Solitária e isolada, Kitty também começa a envolver-se com as crianças – e a perceber que Walter tem qualidades… Mas as cada vez mais antipáticas medidas de Walter para conter a epidemia, não parecem ser suficientes e só fazem aumentar o ódio da população, tornando mais difícil a situação do casal.

Avaliação: O filme ficou pouco tempo em cartaz, o trailer não me impressionou muito e acabamos perdendo. A Sarah acabou vendo na TV a cabo e adorou, recomendando-me. Achei a estória boa, o filme bom… Mas lento. A Sarah não gostou do final, e eu, ao contrário, o considerei bonito. Mais do que o rumo do relacionamento do casal, o que me atraiu foi o pano de fundo histórico: a epidemia de cólera, a descoberta de seu alastramento pela água consumida, as medidas para evitá-la, os problemas com a população local, suas crenças e hábitos, o panorama político, com a ascensão de Chang Kai-shek (que mais tarde viria a ser o primeiro presidente de Taiwan) e sua luta contra a excessiva influência ocidental – principalmente dos ingleses – na China, as tentativas de converter os chineses ao catolicismo por parte dos conventos, através de suas obras sociais.

Os Falsários (Die Fälscher)

Os Falsários (Die Fälscher), drama sobre evento da Segunda Guerra escrito e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, 2007.

Enredo: 1936. Nos primórdios da Alemanha nazista, ainda há lugar para o Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics) ganhar a vida com suas falsificações – cheque, dinheiro, tudo lhe é possível. Mulheres, dinheiro e bebidas vêm facilmente – até que ele é preso pelo superintendente Friedrich Herzog (Devid Striesow). Este comemora a prisão do “Rei dos Falsários”; o outro lamenta o fim da vida mansa e, para este, começam as humilhações e surras destinadas aos prisioneiros, principalmente aos judeus, no campo de concentração de Mauthausen. Quebrando pedras, suas mãos já não conseguem pintar e desenhar, mas ele ainda tem forças para fazer alguns desenhos – e é este seu talento, aliado ao seu passado, que convencem Herzog (novamente ele) a levar Sally para o campo de concentração de Sachsenhausen e usar os serviços do judeu para assumir o comando de uma equipe de peritos judeus de diversas áreas e imprimir (sem trocadilhos…) maior velocidade à maior operação de falsificação já realizada na história, a “Operação Bernhard”. Com ela, os nazistas pretendiam inundar os mercados com falsas libras esterlinas e, posteriormente, dólares falsificados e, assim, arruinar a economia dos aliados. A equipe tem tratamento diferenciado dos outros prisioneiros: são chamados pelo nome (em vez de pelos seus números), suas camas têm colchão, eles não comem a sopa rala dos outros e usam roupas civis. Mas, se isto é um alívio para os sofrimentos de Sally, que leva sua missão a sério, por outro lado, torna-se uma questão torturante para seu colega Adolf Burger (August Diehl) – afinal, eles estão usando roupas tiradas de outros prisioneiros exterminados pelos nazistas, falsificando passaportes a partir de documentos de outros prisioneiros assassinados e convivendo diariamente com os gritos dos outros internos, espancados ou mortos pelos nazistas, sob as ordens do sádico Holst (Martin Brambach), o auxiliar de Herzog que gostaria de eliminar também toda a equipe. As falsificações vão indo bem, passam pelos testes mais difíceis, mas, quando surge o momento de falsificar o dólar, Burger resolve sabotar a operação. Neste momento, Sally tem que tomar uma decisão: arriscar a vida de todos, caso Herzog descubra a sabotagem, ou ajudar Burger e fazer com que eles agüentem até a iminente chegada dos aliados e a possível libertação? E se ajudar Herzog fosse a única maneira de obter os remédios para poder salvar o companheiro Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky)? Por outro lado, se a operação der certo, os aliados perderão a guerra e a equipe será certamente eliminada. Muitas faces de uma questão complicada. E Sally toma sua decisão.

Avaliação: A Gisele e a Sarah acharam este filme (baseado em eventos reais) médio, cansativo. O Carlinhos achou bom, eu, idem. Mas, com o passar dos dias, fui refletindo sobre as cenas e situações e considerei o filme muito bom. Tem momentos mais lentos, certamente. Mas o filme tem cenas sutis, com pouca violência explícita, mas que deixam muito claro o sofrimento dos prisioneiros. Por exemplo:

  1. Diversos deles eram obrigados a caminhar em círculos até a morte para testar as botas que seriam produzidas para os soldados;
  2. Outros manipulavam roupas e documentos que poderiam ter pertencido a parentes seus assassinados.
  3. O terror da chamada dos prisioneiros, que tinham que responder rapidamente pelo número (alguns deles os tinham gravado no braço);
  4. O medo de que as duchas fossem câmara de gás;
  5. Os tiros que se ouviam a toda hora do outro lado dos tapumes.

Outro ponto interessante: além da diferença de opinião sobre como proceder, havia também as diferenças pessoais entre eles, bem exemplificadas pelo desprezo que os judeus que vinham da vida honesta e trabalharam em bancos demonstravam pelo trambiqueiro Sally.

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show)

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show), drama de Robert Redford, baseado no livro de Richard Goodwin, 1994.  C

Enredo: O filme se passa anos 50. O show “Twenty-one”, de perguntas e respostas sobre conhecimentos gerais, tem como atração principal há vários meses Herbert Stempel (John Turturro); mas Herbert não tem classe, não é atraente, é judeu e não é de família tradicional – o que nos bastidores é considerado ruim, sobretudo em termos de anunciantes. A solução da produção é forçar a saída do participante, fazendo com que o novo competidor, Charles Van Doren (Ralph Fiennes), acerte uma pergunta preparada, que Stempel errará. Van Doren é o tipo perfeito para os anunciantes: de família com tradição na literatura, bem apessoado, falante e muito culto, com ele o programa venderá qualquer coisa. Com a saída de Stempel, Van Doren vence seus oponentes sucessivamente, mantém-se no ápice, inclusive, figurando na capa das maiores revistas. Mas Stempel não se conforma e acusa a produção do programa de fornecer as respostas antecipadamente ao rival. Difícil de acreditar: um “Van Doren” fazendo falcatruas? Sujando o nome da família liderada pelo corretíssimo e famoso Charles Van Doren (Paul Scofield)? É então que entra em cena um idealista e talentoso investigador, o advogado Richard Goodwin (Rob Morrow), que trabalha para o Congresso americano. A possível fraude tornou-se, agora, uma questão de interesse nacional.

Avaliação: Baseado em fatos reais, este filme trata de eventos que atraíram a atenção de dezenas de milhões de telespectadores americanos. Vi no cinema e, quase quinze anos depois, com a Sarah. Uma história que pareceria banal adquire clima de suspense investigativo. Muito bom. A Sarah também gostou bastante.

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far)

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far), épico de guerra de Richard Attenborough, 1977. C

Enredo: Baseado no livro de Cornelius Ryan, o filme trata da “Operação Mercado-Jardim” (“Mercado” referia-se aos paraquedistas e “Jardim”, ao ataque por terra) de 1944, através da qual os aliados, entusiasmados com o sucesso da operação de desembarque na Normandia, pretendiam, com a tomada de uma série de pontes na Holanda, alcançar e destruir a região industrial alemã, no vale do Ruhr. O caminho passava por várias pontes, entre elas a valiosa ponte sobre o rio Arnhem, que dá o título ao filme.

A idéia foi do Marechal Montgomery (“Monty”), que, por meio da influência política, forçou o seu superior, o General Eisenhower – o Comandante das forças aliadas – a apoiá-lo e a preterir os planos de seu rival, o General Patton. Como se percebe desde o início do filme, deixar a estratégia política vencer a militar foi uma péssima idéia.

Erro: não acreditar nos informes da resistência holandesa de que os alemães concentravam muitas tropas para defender a região e basear-se no otimismo gerado pelo Dia D.

Erro: o Tenente-General Browning (Dirk Bogarde), responsável pela operação, insistir em prosseguir mesmo com fotografias aéreas (“poucas fotos”, segundo ele) que mostrando da existência de tanques alemães camuflados na região. Em vez disto, e já cansado de tanto ter que adiar a operação, prefere colocar o responsável pelo levantamento aéreo, Major Fuller (Frank Grimes) “de molho” a fim de evitar a disseminação de possível pessimismo. Aliás, nem o general alemão Model (Walter Kohut) acreditava que os aliados seriam ousados (ou tolos) a ponto de atacar a considerável concentração de tropas, até porque a localidade não oferecia nenhum interesse estratégico. Daí a recusa de Model em explodir as pontes para segurar os aliados.

Erro: acreditar que o exército alemão era formado de crianças e velhos, como se difundia entre os aliados (apesar de que, em certo momento do filme, as crianças aparecerão). Na verdade, as melhores tropas nazistas estão estacionadas na região, comandadas pelo Tenente-General Bittrich (Maximilian Schell) e pelo Major-General Ludwig (Hardy Kruger), que vão segurar Arnhem a qualquer custo – eles preferem explodir as pontes para segurar só aliados, mas Model não concorda, insiste que os aliados não ousariam atacar as pesadas forças nazistas com paraquedistas e que não há nada de importante a ser conquistado na região.

E não foi por falta de experiência prévia, pois os próprios “Jerrys” (nazistas) haviam sido massacrados ao tomar Arnhem, em 1940.

A operação tem vários riscos: mudanças de tempo podem prejudicá-la imensamente, o entrelaçamento entre os diversos pontos de ataque aliado deve ser preciso, uma falha pode provocar o fracasso de toda a operação.

O início da operação aparentemente corre bem, e os alemães recuam muito mais rapidamente do que os aliados podem avançar, já que faltam aos aliados suprimentos, estradas livres e aviões suficientes para lançar todos seus paraquedistas.

A partir de então, acompanhamos o desenrolar de algumas histórias:

O major-general polonês Sosabowski (Gene Hackman), um homem de visão, que percebe estar colocando seus homens numa operação perdida, mas que prefere manter silêncio e ir adiante, é impedido pelo fog inglês.

O Brigadeiro-General Gavin (Ryan O’Neal), temeroso (com razão) com os relatos de seu ajudante-de-ordens holandês (Peter Faber) sobre as condições que seus paraquedistas irão encontrar, sobretudo por tratar-se de ataque à luz do dia, o que os torna mais vulneráveis. E os jipes, tanques e barcos de apoio não chegam.

O coronel Urquhart (Sean Connery), que descobre que vai saltar a muitos quilômetros de Arnhem e ter que se locomover a pé até o difícil alvo. Para piorar, ao chegar ao solo holandês, percebe que os rádios estão com cristal errado e não fornecem comunicação aos jipes que não chegam. Logo é cercado e a munição vai escasseando.

O Tenente-Coronel Horrocks (Edward Fox) será a “cavalaria” que irá em socorro dos paraquedistas – se tiver recursos para tal.

A guarda irlandesa, comandada pelo Tenente-Coronel J. O. E. Vandeleur (Michael Caine), que chega com tanques para depois alcançar e dar suporte aos paraquedistas, criar cortinas de fumaça; mas ele mesmo é logo atacado pelos alemães.

Os paraquedistas do Tenente-Coronel Frost (Anthony Hopkins), que tem a inglória tarefa de tomar a ponte de Arnhem com rifles e algumas armas antitanque; eles testam as forças inimigas, apenas para descobrir que elas são muito mais bem armadas que eles.

O coronel Stout (Elliot Gould), cuja missão é tomar a ponte do Rio Son – e a vê sendo explodida à sua frente…

O Major Julian Cook (Robert Redford) que não tem os barcos necessários à travessia do rio para tomar Nijmegen.

 

Avaliação: É um prazer escrever sobre este filme, um dos melhores que já vi, certamente o melhor filme de guerra. Já o vi duas vezes e meia (a metade do filme na TV eu já tinha perdido). A empolgante trilha sonora de John Addison ajuda a manter o clima, que é arrepiante desde os primeiros minutos de suas quase 3 h (muito rápidas!). Nunca vi tantos astros juntos num filme tão bom. Mesmo sabendo o final do filme, como no “Operação Valquíria”, há um suspense sobre o desenrolar das operações. Há dramas muito bons – em particular, refiro-me à promessa do Sargento Eddie Dohun (James Caan) em levar seu capitão (Nicholas Campbell) com vida de volta aos EUA (com um final surpreendente). Detalhes primorosos, desde a descida dos paraquedistas até as operações em terra.

Diálogos afiadíssimos, com destaque para as frases ácidas do general polonês interpretado por Gene Hackman (ótimo), são o toque tragicômico do filme (quando ele vê que está “no mato sem cachorro”, diz ao seu superior inglês “Só queria ter certeza de que lado o senhor está” ou quando ele exige uma carta do general Browning dizendo que ele, Sosabowski, está executando o plano mesmo estando em desacordo com ele, para o caso de seus homens serem massacrados. Ele mesmo dispensa a carta: “Em caso de sermos massacrados, de que ela adiantaria?”). Elliot Gould é o outro que confere um caráter mais “light” ao filme.

E o Major Harry Carlyle (Christopher Good), sempre com seu guarda-chuva na mão e alto astral, e a surreal negociação da rendição com os alemães (rendição de quem para quem?).

Mais uma afiada: Browning consola Urquhart dizendo que este fez tudo o que podia. “Mas, e os outros, fizeram?”.

No final, ficou difícil arrumar um culpado: a estrada para Nijmegen, a tomada de Nijmegen, o fog inglês?

Um Ato de Liberdade (Defiance)

Um Ato de Liberdade (Defiance), drama histórico e de guerra de Edward Zwick.

Enredo: 1941. Hitler inicia a operação Barbarossa e avança em direção à União Soviética, rompendo o acordo de não-agressão com Stalin. A Bielo-Rússia é invadida e os judeus, presos ou exterminados nas cidades e vilarejos. Entre as famílias massacradas com ajuda de simpatizantes nazistas nas “limpezas” está a dos Bielski. Os quatro irmãos sobreviventes refugiam-se na floresta próxima ao seu vilarejo e, com poucas armas e quase nenhum apoio da resistência bielo-russa e russa (muitas vezes até hostilizados por ela), vão fugindo e abrigando cada vez mais pessoas que conseguem resgatar de esconderijos ou de cidades que vão caindo. Em pouco tempo, judeus fugidos de todas as partes passam a procurar a proteção dos “Bielski”. Tuvia (Daniel Craig), o mais velho, assume a liderança da recém-formada Otriad (Brigada) Bielski e encarrega-se de vingar a morte dos pais atacando o chefe de polícia local. O impetuoso, ácido e muitas vezes imprudente Zus (Liev Schreiber) quer se juntar aos resistentes comandados pelos russos. O jovem Asael Bielski (Jamie Bell) também auxilia Tuvia, mas o irmão menor (George McKay) está traumatizado com a visão do massacre dos pais e sem fala. O tempo passa, eles vão conseguindo fugir, mas Zus junta-se definitivamente à resistência russa (que, mesmo desprezando os judeus, vê em Zus e seus homens bons combatentes). Com o crescimento do grupo de Tuvia, forma-se uma efetiva comunidade, com ensino e até um local para rezas. Mas a comida e armas obtidas de ataques e junto a poucos simpatizantes não são suficientes. Para piorar, uma epidemia de tifo põe todos em perigo. Não há remédios, o cerco nazista está cada vez mais próximo e há constantes ameaças de delação pelos aldeões. .

Avaliação: Excelente. Além da Sarah e eu, minha mãe e meu irmão haviam adorado o filme, que mostra um punhado de pessoas com poucas armas e comida (além de pouco apoio dos habitantes locais, quando não traídos por eles) que conseguiu escapar dos nazistas – que recorreram até aos bombardeios… Muitos dos que lá estavam (entre eles os Bielski mais velhos) perderam pais, esposas, filhos, casaram-se novamente (com as “esposas da floresta”, como eram chamadas as moças que conheciam no grupo), reconstituíram famílias e procuraram levar uma vida “normal” dentro do inferno a que foram submetidos. Uma história de sobrevivência, de traições, mas também de gente que, mesmo arriscando suas vidas, ajudava de coração os fugitivos. Vidas; histórias que nem o poderio e a insanidade nazista conseguiram apagar.

Capote (Capote)

Capote (Capote), drama histórico e biográfico com toques de suspense criminal de Bennet Miller.

Enredo: Em 1959, após um assalto que não rendeu fruto algum, uma dupla (Clifton Collins Jr. e Mark Pellegrino) chacinou uma família no Kansas, EUA. O escritor Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) e sua parceira Nelle Harper Lee (Catherine Keener) foram ao local escrever um artigo sobre o caso para a revista New Yorker. Mas, em vez do artigo, Capote viu a chance de escrever o “livro de sua vida” – e assim foi. Ao longo de vários anos, Capote conseguiu extrair de Perry Smith (Clifton Collins Jr.) a dramática história de sua vida, mas nunca os detalhes do assassinato, o que não lhe permitia terminar o livro. . Enquanto a trama se desenrola, percebe-se que o assassino manipula Capote para, com a influência deste, conseguir advogados, adiamentos da sua sentença de morte e, quem sabe, a liberdade. Por outro lado, Capote também manipula o assassino (e esta manipulação mútua por vezes soava como um envolvimento mais profundo), para dele extrair a base para um texto cativante, que foi (para desgosto do assassino) chamado de “A Sangue Frio”.

Avaliação: Nunca vi cenas do verdadeiro Capote, mas pode-se dizer que Philip Seymour Hoffman está ótimo, carregado de maneirismos, trejeitos, com um jeito às vezes debochado, às vezes tão envolvido com o assassino que fica realmente triste com o seu destino – sem, no entanto, deixar de aproveitar esta proximidade para compor uma obra-prima.

Foi um filme que preferi não ver no cinema, apesar do Oscar de melhor ator para Hoffman, por crer que seria chato. Vi no cabo e gostei – mas realmente não foi grande perda no cinema. Minha mãe, a quem recomendei, também estava gostando, mas não conseguiu ver até o fim, dado o horário. Se passar na TV ou tiverem oportunidade de pegá-lo na locadora, pode ser uma opção.

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo, livro de Ali Kamel sobre atualidades, com narrativa histórica

Enredo: O jornalista Ali Kamel (diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo e colunista do jornal O Globo) é filho de um sírio muçulmano e uma baiana católica (ela, por sua vez, filha de um muçulmano e de uma católica) e é casado com uma judia… Assim, por formação familiar e profissão, está a par e bastante próximo dos assuntos relativos ao islamismo e terrorismo. Em relação ao livro, ele desejou “(…) ressaltar que as três religiões monoteístas têm mais pontos em comum do que antes o leitor imaginava” e mostrar que “nenhuma delas é base para o horror do terrorismo”. Inicia explicando as origens do Islamismo, sempre esclarecendo a terminologia atinente à religião (Islã, Mohammad, califas, sultões, imames, vizires, Sunna, hadith, fatwas, jihad, sunitas e xiitas, wahabitas…), detalha a versão do Islã para eventos do Antigo e Novo Testamentos, o fato de que Jesus não é considerado filho de Deus, mas sim um entre outros tantos Profetas que o precederam (sendo Maomé o último deles). Passa a explicar a expansão do Islã, o porquê da sua divisão em seitas, explicando que os ditos “fundamentalistas” não seguem os fundamentos do Islã, mas podem, sim, ser chamados de totalitaristas. Ali Kamel prossegue até chegar ao mundo atual (leia-se 2007), com os atentados às torres gêmeas e as conseqüentes invasões do Afeganistão e do Iraque. Quanto a esta última, ele, como ressalta, faz uma defesa que não poderia fazer em sua posição na Rede Globo – fornece as razões que levaram os americanos à invasão, mas procura manter a imparcialidade, através de farta documentação.

 

Links da Editora Nova Fronteira:

Matéria da VEJA – 22/08/2007 ou http://veja.abril.com.br/220807/p_126.shtml

Matéria do Estadão Online (19/08/07)

Matéria do Jornal ‘Valor Econômico’ – 31/08/2007

Matéria do jornal O Globo (25/08/2007)

 

Trechos do artigo de Mario Sabino, na Veja de 22/08/07, sobre o livro:

“…Jesus. No que se refere a este último, uma curiosidade – na visão dos muçulmanos, ele não é filho de Deus, e sim um profeta maior do que todos os outros. Tanto que, como relata Kamel, “o Islã não aceita a sua crucificação: tudo não teria passado de uma ilusão, já que Jesus teria subido aos céus em seu corpo físico. Seus algozes teriam sido iludidos, viram uma crucificação que nunca houve. Jesus, portanto, não morreu, mais um milagre que Deus concedeu a ele”. No final dos tempos, porém, acreditam os islamitas, Jesus voltará à Terra, para derrotar o Anticristo e governar o mundo por 45 anos. Em sua segunda vinda, ele se casará, gerará filhos e morrerá normalmente.

Afirma Kamel: “O certo é que Maomé, ao longo de sua vida, nunca escondeu que era um homem como outro qualquer e, dizem as tradições, gostava de lembrar aos fiéis o que dele dizia o Corão: Maomé não é mais do que um Mensageiro a quem outros precederam”.

Esse simples mensageiro deixou uma família dividida, que se digladiaria em torno da sucessão de Maomé e da qual o islamismo, por seu turno, herdaria as vertentes sunita e xiita. A diferença entre ambas, explicada em detalhes por Kamel, é basicamente a seguinte: para os sunitas, o profeta não indicou sucessor, a Revelação encontrou o seu termo com a morte de Maomé e só o que há a fazer é seguir a Suna, os mandamentos legados pelo profeta. Para os xiitas, Maomé foi sucedido por um primo, Ali, o primeiro imã (ou guia espiritual), e a Revelação ainda guarda aspectos ocultos, a ser desvendados por outros imãs. A palavra xiita vem do árabe shi’ at’Ali, cujo significado é “partidários de Ali”. Da dissensão entre sunitas e xiitas nasceria grande parte das animosidades que explodem no interior do Islã e também de dentro dele em relação ao exterior – cujo lado mais apavorante é o terrorismo.”

 

Avaliação: Excelente abordagem histórica, situando o leitor para que ele entenda os porquês da formação da religião islâmica, sua relação com o judaísmo e cristianismo e seu desenvolvimento até os dias atuais. Ali Kamel esclarece a terminologia utilizada na religião muçulmana, o porquê de não se poder denominar os terroristas de fundamentalistas e as razões e causas da guerra do Iraque… É apenas nesta parte, quando ele passa a mostrar a documentação que justificou as intervenções no Afeganistão e no Iraque, que o livro perde o pique. Até este momento, a leitura flui rápida e agradavelmente. Entendo a necessidade da documentação para que o autor prove os seus pontos de vista quanto às intervenções, mas ele poderia tê-la deixado num apêndice e feito um breve apanhado das razões.

É um livro que agradou a mim e também à minha mãe, outra leitora que cativei.

A Outra Irmã (The Other Boleyn Girl)

A Outra Irmã (The Other Boleyn Girl), drama histórico de Justin Chadwick. C

Enredo: “O amor não é nada sem poder e posição…”. É o ensinamento que a primogênita Ana Bolena (Natalie Portman) dá à sua irmã, Maria (Scarlett Johansson), quando ela é abandonada pelo seu amante, o rei Henrique VIII (Eric Bana). Elas e seu irmão George (Jim Sturgess) são frutos e vítimas da manipulação do pai (Mark Rylance), um sujeito frouxo, manipulado, por sua vez, pelo cunhado, o detestável Duque de Norfolk (David Morrissey), que as obriga a serem amantes do rei. Se a rebelde Anna, oferecida pelo seu tio ao rei numa visita à cidade da família, falha, por seu excesso de impetuosidade, a graciosa e discreta Maria pode ser o presente dos Bolena para Henrique VIII – mesmo sendo casada com o homem que ama. A pressão a faz aceitar a incumbência de cativar e tornar-se amante do rei – e eles acabam se apaixonando, o que desagrada profundamente Ana. Elas chegam à corte como damas de companhia, mas a rainha Catarina de Aragão (Ana Torrent) as enxerga como as prostitutas Bolena. Como a rainha não consegue dar um herdeiro homem ao rei, perde a posição para Maria. Mas Ana, que aprendeu muito bem a arte da manipulação com o tio, ainda consegue conquistar para si o governante da Inglaterra e fazer com que ele abandone Catarina e Maria. Daí sobrevém o divórcio a ruptura do rei com a Igreja de Roma, apesar dos riscos de a Inglaterra ficar isolada e à mercê dos protestantes. Porém, Ana também não consegue dar a luz a um filho homem e apenas uma filha, Elizabeth, é fruto desta relação. E a que situações Anna se submete para ter o filho varão…

Avaliação: O trailer não me cativou… Acabei vendo no cabo e o filme provou ser um ótimo drama de época, a Sarah até acabou “embalando” e decidiu assisti-lo. E com mais uma nota altamente positiva de minha mãe. Vemos que ser nobre não era tão fácil… Ter que aceitar casamentos forçados, ceder ao despótico rei… Que desespero por filhos homens, que estupidez… O ser humano é realmente capaz de cada coisa. E o povo gostava de ver cabeças rolando… Tanta confusão para, por fim, os ingleses terem uma rainha, Elizabeth (aquela filha de Ana e o Rei), que, aliás, provou ser uma soberana forte… E duradoura – foram décadas de reinado…

Deverá permanecer no Telecine em abril/09.

Frost/Nixon (Frost/Nixon)

Frost/Nixon (Frost/Nixon), drama com tons históricos e de suspense de Ron Howard. C

Enredo: Uma “barbada”? Nem tanto… Aquela entrevista se transformaria num embate entre dois gigantes.

1977. Três anos após a renúncia de Richard Nixon para evitar seu impeachment, ele preocupava-se apenas em deixar seu confortável rancho na Califórnia e voltar ao centro do poder, a costa leste dos EUA. David Frost (Michael Sheen), um apresentador de programas de auditório na Austrália, viu na entrevista a chance de dar um grande salto em sua carreira. O entrevistado? O hábil manipulador Richard Nixon. Bastaria fazer o jogo de perguntas e respostas correto e obter uma até então impensada confissão para que Frost e sua entrevista fizessem sucesso e seu investimento pudesse ser recompensado. Afinal, o agente literário e televisivo do ex-presidente, o esperto Swifty Lazar (Toby Jones) havia “esfolado” ao máximo o jornalista ao cobrar o cachê de 600 mil dólares pela almejada entrevista. Os patrocinadores de Frost minguavam e os três primeiros blocos de entrevista estavam muito fracos, para desespero dos assistentes de Frost, os politicamente engajados e profundos conhecedores do caso James Reston Jr. (Sam Rockwell) e Bob Zelnick (Oliver Platt). Afinal, Nixon e sua equipe, capitaneada pelo seu fiel “cão de guarda” Jack Brennan (Kevin Bacon), tomavam as rédeas da entrevista, mesmo quando Frost elaborava perguntas incomodas e constrangedoras. Eis que começa o quarto round (ôps, bloco), com perguntas sobre o escândalo de Watergate. E o aparentemente desligado Frost parece que vai conseguir virar o jogo…

Avaliação: Filmaço, a Sarah, minha mãe e eu adoramos. Michael Sheen e Langella estão ótimos, Sam Rockwell e Toby Jones também. Uma lição de história, com clima de suspense e toques cômicos de fina ironia (dados pelo Nixon de Langella, espezinhando a todo o momento seu adversário, pela frente e pelas costas, e mostrando-se ávido pelo dinheiro que obteria com a entrevista). Bem melhor que o “Quem Quer Ser Um Milionário?”, pena que não tenha levado nenhum Oscar… Deve sair de cartaz logo, logo, então, não percam!

Aproveitando, reproduzo o corretíssimo comentário da cinéfila Marjory: “Como o próprio ator que faz o Frost (Michael Sheen, de A Rainha) disse a David Letterman, quem lê a sinopse sobre o filme diz: ah, não vou assistir, não pode ser bom um filme sobre uma entrevista!! Pois o filme te deixa grudado na tela, louco pra saber o final… O roteiro é impecável, o dialogo e embate entre os dois é brilhante, e mesmo que não se saiba muito sobre os detalhes de Watergate, você fica lá, preso no embate entre esses dois homens, um com razão maior que outro para vencer a batalha, afinal os dois tinham muito a perder ou a ganhar e tudo dependia dessa entrevista. David Frost queria fazer carreira na America e estava praticamente falido, pois colocou todo seu dinheiro nesta entrevista (que ninguém queria bancar) para desmascarar Nixon. Nixon por sua vez queria provar ao povo Americano que era inocente e foi um bom presidente. Assistam, e me digam se não parece uma luta de boxe de dois monstros!  imperdível!”

Operação Valquíria (Valkyrie)

Operação Valquíria (Valkyrie), drama histórico de guerra com toques de suspense de Bryan Singer. C

Enredo: Segunda Guerra.

África. O coronel Claus von Stauffenberg (Tom Cruise), herói do Exército alemão, foi transferido para a frente de batalha na África por criticar Hitler. Ele é mutilado em ataque dos aliados, perde uma mão, dedos e um olho – o que o deixa ainda mais convencido da estupidez dos rumos dados à Alemanha por Hitler. Conclui que a lealdade a Hitler não condiz com seus deveres para com seu país e nação.

Fronte oriental. O Major-General Henning von Tresckow (Kenneth Branagh) recebe Hitler em sua base, mas a bomba engenhosamente preparada por Tresckow não detona no avião que conduz o ditador de volta à Alemanha – mais uma chance de eliminar o ditador alemão é perdida mas, ao menos, Tresckow consegue recuperar a bomba antes de ser descoberta.

Alemanha: Tresckow não desiste e sugere a seus aliados o nome de Von Stauffenberg para levar a cabo mais uma tentativa. O inseguro General Friedrich Olbricht (Bill Nighy) e o decidido General Beck (Terence Stamp) dão ao competente Stauffenberg o comando do plano, que é chamado de Operação Valquíria, referência ao plano contingencial para acionar a reserva do Exército sob o comando do Major Remer (Thomas Kretschmann) em caso de perda de comunicação ou morte de Hitler. A idéia de Stauffenberg é alterar as ordens do plano e, assim, utilizar a própria reserva do exército contra as temíveis SS, depois de o próprio Stauffenberg ter matado Hitler no seu bunker “Toca do Lobo” e cortado as comunicações do bunker com o auxílio do inicialmente vacilante General Erich Fellgiebel (Eddie Izzard). A morte do ditador seria conseguida por intermédio de uma bomba preparada pelo Coronel Von Quirnheim (Christian Berkel) e colocada numa pasta que seria deixada por Stauffenberg sob a mesa de reuniões no bunker. Após a explosão e a destruição das SS pelo Major Remer (que contribuiria involuntariamente, pois não sabia dos planos), o oportunista General Friedrich Fromm (Tom Wilkinson) assumiria o comando das Forças Armadas (razão pela qual aderira ao golpe…)

Entre optar por uma bomba discreta ou uma poderosa, ficou-se com a primeira opção. E, como se sabe, a bomba explodiu num ponto da sala onde não causou grandes estragos e Hitler escapou quase ileso. Mas Stauffenberg e seu ajudante-de-ordens, o tenente von Haeften (Jamie Parker), saíram do local pensando ter conseguido seu intento e prosseguiram com os planos que, também sabemos, não foram levados a cabo a contento. Infelizmente…

Avaliação: Pena, pena, pena… Milhões de mortos e feridos teriam sido evitados se este atentado tivesse funcionado. Foi uma lição de história, pois eu não sabia quem estava envolvido além de Stauffenberg e que os conspiradores haviam tentado dar prosseguimento ao golpe enquanto as notícias vindas do bunker eram imprecisas. Apesar de conhecer o final e o destino do grande Stauffenberg e de seus aliados, fiquei preso à cadeira pelo suspense, torcendo para que o final pudesse ser alterado… Minha mãe gostou muito, eu adorei (mais um filme legal nesta safra atual), mas a Sarah achou de regular para bom. Como meu amigo Flavio (Biriba), que conhece bem a história dessa época, também gostou muito do filme, temos um bom sinal…

Serviu para mostrar que, apesar de o grosso da população alemã ter apoiado Hitler, houve heróis que resistiram a ele (claro, alguns, como o general Fromm, foram oportunistas, mas…).

Alexandre (Alexander)

Alexandre (Alexander), drama épico e histórico de Oliver Stone.

Enredo: A vida e as conquistas de Alexandre, o Grande (Colin Farrell), sob o ponto de vista do velho Ptolomeu (Anthony Hopkins), um dos homens de Alexandre. O filme inicia com a morte de Alexandre (provavelmente por alguma doença contraída em suas campanhas militares) e volta ao passado, às violentas divergências entre os pais de Alexandre, o rei Felipe (Val Kilmer) e sua esposa Olímpia (Angelina Jolie), por causa da constante troca de esposas de Felipe e do status inferior destinado a Olímpia e seu filho Alexandre. Mas este aos poucos conquista o respeito de seu pai. Quando Alexandre, ainda criança, consegue domar o selvagem e temido cavalo Bucéfalo (que viria a ser seu companheiro fiel de batalhas), acaba por ser ungido seu herdeiro. Para consolidar seu poder, Alexandre teve que eliminar contraparentes – e suas decisões iniciais parecem ter sido muito influenciadas por sua mãe. O filme foca a conquista das cidades-estado gregas por Felipe e depois passa a maior parte das suas três horas de duração mostrando a conquista da Pérsia e o ataque à misteriosa Índia, as intrigas contra Alexandre remanescentes da época de Felipe e as novas, provocadas por insatisfações quanto ao rumo das campanhas e diversos outros motivos – que, aliás, pareciam não faltar para gerar traições. O filme acaba com a briga pela escolha do herdeiro do imperador.

Avaliação: O trailer impressionou-me (principalmente a bem escolhida cena onde Alexandre e Bucéfalo enfrentam um elefante na Índia) e achei que veria grandes feitos militares. Mas desisti de vê-lo no cinema, porque o fato de serem 3 horas de duração e as críticas contundentes contra o filme me desencorajaram. Acabei vendo na TV, e fiz bem. Não cativa, não impressiona. Mas foi instrutivo, pois me instigou a ler mais sobre o imperador macedônio e, pelo que andei lendo, vários dos detalhes mostrados são realmente condizentes com os que os antigos textos remanescentes da época nos mostram.

O Leitor (The Reader)

O Leitor (The Reader), drama com toques de suspense de Stephen Daldry. C

Enredo: Sintomas da escarlatina. O adolescente Michael Berg (David Kross) passa mal na rua e é socorrido por Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher adulta. Meses depois, já recuperado, retorna para agradecê-la. O agradecimento transforma-se num envolvimento que os toma de surpresa, tornando-os amantes. Ela é cativada pela juventude do rapaz a quem chama de “menino” e pelas leituras que, a seu pedido, ele faz dos livros da escola. Michael, por sua vez, apaixona-se por aquela que o inicia no amor. Mas, de repente, Hanna some e ele só a reencontrará anos depois, quando fazendo um estudo para a faculdade de Direito assiste a um julgamento de nazistas do qual ela participa – como acusada… por cruéis crimes cometidos contra prisioneiras de Auschwitz, enquanto fora guarda do campo de concentração. A perspectiva com a qual Michael enfocava sua salvadora e amante é abalada. Entretanto, ele é o único além dela que possui a chave para um segredo que pode atenuar a condenação que está por vir. Mas será que eles estão dispostos a revelar este segredo?

Avaliação: Fomos com minha mãe e os três achamos o filme muito bom. A Sarah, verdadeiramente, encantou-se. Bom, tive dois pequenos “vacilos”, mas, à medida que o filme passa dos encontros íntimos e leituras para o julgamento, o filme ganha um ritmo maior e toques de suspense. O filme mostra, como pano de fundo, uma Alemanha frente a frente com um passado recente e terrível e a procura da expiação dos seus erros.

Boas cenas: a da sedução de Michael (na verdade, os protagonistas sabem que seduziram um ao outro), as do Tribunal de Crimes de Guerra (reparem na simplicidade da colocação de Hanna no Tribunal de crimes de guerra, quando ela diz que deixou as prisioneiras morrerem queimadas enquanto trancadas na igreja porque abrir as portas da igreja iria provocar uma debandada e deixar as prisioneiras fugir iria contra as tarefas de uma guarda) e o diálogo final de Berg (agora vivido por Ralph Fiennes) com uma das sobreviventes de Auschwitz (Lena Olin, conservadíssima).

Mais um filme de uma boa safra destas últimas semanas. Felizmente…

A Troca (Changeling)

A Troca (Changeling), suspense dramático de Clint Eastwood.

Enredo: Los Angeles, 1928. De um lado, a tradicionalmente corrupta Polícia da cidade, sob as ordens do chefe David (Colm Feore) e do capitão Jones (Jeffrey Donovan), apoiada pelo suspeito Prefeito Cryer (Reed Birney). De outro lado, a imprensa, a opinião pública e a obstinação do reverendo Briegleb (John Malkovich). Entre eles, Christine Collins (Angelina Jolie), uma querida e dedicada funcionária da companhia telefônica, uma mãe abandonada pelo marido antes mesmo do nascimento de seu filho único, Walter (Gattlin Griffith). Sua pacata vida sofre um revés quando, um dia, ao voltar do trabalho, Walter desapareceu. A Polícia de Los Angeles a aconselha a esperar 24 h, pois crianças desaparecidas costumam retornar neste período. Mas isto não acontece. Cinco meses depois a polícia alardeia – principalmente para a imprensa – que a criança fora encontrada e resgatada das mãos de um andarilho. O reencontro é marcado numa estação de trem e a mãe logo percebe não se tratar de Walter, mas, ainda confusa e pressionada pelo Capitão Jones, que quer ter pelo menos um caso de repercussão bem resolvido, acaba fazendo o jogo da Polícia e aceitando o “filho” – com a promessa de que a Polícia continuará na busca de Walter. Ela logo percebe que a promessa não será cumprida e volta à carga, recorrendo à imprensa. Apesar dos testemunhos da professora e do dentista de Walter e da evidente diferença física entre o recém-chegado (Devon Conti) e Walter, o capitão Jones faz o possível para convencer o público de que Christine é uma mãe desnorteada, já desacostumada dos seus deveres maternos e recorre a um médico charlatão para provar o impossível: que Walter pode, sim, ter encolhido de tamanho, que pode ter sido circuncidado durante os meses em que esteve ausente, etc., etc. Por fim, Christine é internada à força num hospital psiquiátrico (obviamente também controlado pela Polícia). Mas o reverendo Briegleb toma para si este caso, a fim de que o mesmo se preste para destituir os corruptos. E, quando um acaso leva o detetive Lester Ybarra (Michael Kelly) a uma fazenda em Illinois, a situação toma outro rumo.

Avaliação: Um caso real. Medonho. De dar raiva. Como uma cidade como Los Angeles pode ter sido assim? As interpretações de Angelina Jolie, Jeffrey Donovan e do elenco de suporte ajudaram a manter o clima deste suspense dramático. Minha mãe, a Sarah e eu adoramos o filme. Não percam.

Um último detalhe, interessante, era o trabalho das telefonistas e o da supervisora Christine, nestes primórdios da telefonia, onde ligações eram pedidas pelos moradores e não executadas diretamente… E eu que pensava que atendentes sobre patins fossem uma novidade.

Elisabeth, a Era de Ouro (Elizabeth, The Golden Age)

Elisabeth, a Era de Ouro (Elizabeth, The Golden Age), drama histórico e biográfico de Shekar Khapur.

Enredo: Este filme, continuação de Elisabeth, ainda tem como personagens centrais a rainha inglesa Elisabeth (Cate Blanchett) e seu conselheiro Sir Francis Walsingham (Geoffrey Rush) e o drama pessoal da “rainha virgem”: dedicada ao reino, não se casou ou teve filhos; mas seu coração pendeu para o lado de Sir Walter Raleigh (Clive Owen), num amor nunca consumado. Enfoca ainda um grande drama político: a rivalidade com Mary Stuart (Samantha Morton), sua prima, rainha da Escócia e sua rival pelo trono na Inglaterra. Além de rival política, Mary era católica, e Elisabeth tinha herdado do pai (Henrique VIII) a religião anglicana, que ele fundara quando Roma não quis conceder-lhe o divórcio. Dois ramos cristãos irreconciliáveis à época. Com a descoberta de um complô para assassinar Elisabeth, maquinação do rei Felipe da Espanha (Jordi Mollà), a acusação de traição recai sobre Mary. O resto é bem conhecido: Mary perdeu a cabeça (literalmente) e o rei Felipe, católico fervoroso, consegue armar a trama ideal para invadir a Inglaterra e entronizar a rainha infanta (Aimée King). Para sorte dos ingleses, Sir Walter Raleigh e Sir Francis Drake habilmente conseguiram destruir a “invencível armada” espanhola. A Inglaterra teve anos de paz e prosperidade e Felipe, com seus sonhos de conquista, destruiu as finanças da Espanha.

Avaliação: O primeiro filme “Elisabeth” foi mais arrastado, o que me fez desistir de ver este no cinema. Ainda bem que o vi em DVD (mas a Sarah não…). Esta continuação ainda é meio escura, mas tem mais ação, além de servir como uma lição de história. O filme mostra curiosidades interessantes. Por exemplo, as criadas da rainha só poderiam casar e ter filhos com a sua permissão.

As Memórias do Livro (People of The Book)

As Memórias do Livro (People of The Book) de Geraldine Brooks.

O livro conta o que teria sido a trajetória da Hagadá de Sarajevo, livro que orienta o ritual do Pessach, a Páscoa judaica e que teria tido como destino final a cidade de Sarajevo, na Bósnia, parte da antiga Iugoslávia. Uma especialista é contratada para seguir as pistas encontradas no livro, como marcas de tinta, de sangue, vinho, pelo e asas de borboleta. E assim, vai traçando o percurso da Hagadá, como ela foi trocando de mãos desde a Idade Média, da Espanha sob o domínio mouro à Segunda Guerra. Ao mesmo tempo, são mostrados os dramas dos judeus em cada uma destas épocas, como a Inquisição, o gueto em Veneza, a guerrilha antinazista na Iugoslávia e os esforços para salvar o manuscrito (ver http://www.geraldinebrooks.com/people.html).

As estórias que a autora monta para retratar cada época são muito interessantes e cativam o leitor. Porém, a trama central, que retrata a heroína da decifração do mistério do livro não é interessante; não me senti envolvido pelos dramas e romances da heroína, nem pela trama onde está envolvida, a não ser pelo seu trabalho como detetive ao descobrir o caminho seguido pela Hagadá de Sarajevo, o que, aliás, é o que conta…

1808

1808, de Laurentino Gomes C

Apesar do título do livro, não se aborda apenas o ano de 1808 e a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Ele traça um mapa geopolítico da época que abrange do início do século XIX – com as primeiras vitórias de Napoleão e um histórico da subida ao poder em Portugal do príncipe-regente João (que viria a ser coroado D. João VI) – até pouco depois da independência do Brasil. Trata também das vitórias e derrotas de Napoleão, da situação do Rio de Janeiro à época, da escravidão, das revoltas contra a coroa…

O livro traz relatos da época sobre eventos e hábitos do Brasil e de Portugal, descrevendo a corrupção nos órgãos do governo, as famosas cerimônias do beija-mão, desvios de dinheiro e riquezas naturais, enriquecimento à custa dos cofres públicos, contrabando, trabalho escravo (já ouviu falar dos pretos-de-ganho? Não? Pois leia o livro!) e outros absurdos – parte dos quais herdamos e preservamos…

Além destes aspectos, outros mais mundanos aparecem nas narrativas e descrições, tais como hábitos de higiene (ou melhor, de falta de higiene – por exemplo, os famosos pedaços de frango que D. João carregava na roupa para seus “lanchinhos” e o sistema de esgoto-vai-pela-janela-mesmo), doenças e tratamentos médicos vigentes, vestimentas, etc.

Tudo minuciosamente elaborado a partir de crônicas de quem viveu à época ou a partir de outros documentos, desmentindo mitos e também trazendo à luz fatos ate então desconhecidos.

Trata-se de leitura excelente – e muito instrutiva –, que flui sem que se perceba o passar do tempo. O autor soube inserir fatos históricos e narrativas de época para dar um ótimo tempero ao livro. Um jeito fácil e gostoso de aprender História.

O Guardião da Floresta (The Ogre)

O Guardião da Floresta (The Ogre), drama de Völker Schlöndorff, com John Malkovich, Armin Muller-Stahl e Marianne Sagebrecht (de “Bagda Cafe”).

Enredo: Malkovich interpreta um francês acusado de violência sexual contra uma menor, mas que, com a proximidade da 2ª Guerra, acaba se tornando soldado francês e cai nas mãos dos alemães. Ele, que gosta de animais e crianças, acaba como uma espécie de guarda-caças de um nazista que cuida de um castelo onde o marechal nazista Göring vai praticar caça. Alguns acasos o levam a acabar cuidando de crianças numa escola da juventude hitlerista. Ele colabora até que percebe que aquele treinamento militar não é a coisa mais certa a se fazer com crianças e…

Avaliação: Interessante, pois mostra a utilização das crianças na frente de batalha pelos nazistas, quando seu “Império” estava para cair. Mas é um filme meio “pesado”.

Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love)

Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love), comédia romântica de John Madden, com Gwyneth Paltrow, Ralph Fiennes e Geoffrey Rush. C

Enredo: Shakespeare ainda jovem (Fiennes), em crise de inspiração, encontra sua paixão e musa inspiradora (Paltrow); ela quer a oportunidade de atuar, já que mulheres no século XVI não podiam. A “tampa e a panela”…

Avaliação: Tem boas sacadas que espelham o que teria sido o dia a dia do Shakespeare criador, lances engraçados, outros que mencionam fatos reais,… Não sei se eu estava inspirado no dia, mas adorei (o romance lindo) e a Sarah apenas gostou. E Geoffrey Rush está hilariante.

Lucie Aubrac (Lucie Aubrac)

Lucie Aubrac (Lucie Aubrac), drama biográfico de guerra com toques de suspense de Claude Berry, com a linda Carole Bouquet e Daniel Auteuil. C

Enredo: História real da esposa de um resistente judeu na França ocupada, que vai até o fim para salvá-lo da Gestapo; mostra um pouco do carrasco Klaus Barbie (posteriormente preso) e do “herói-ou-traidor?” Jean Moulin.

Avaliação: Ótima dica do amigo Nelsinho, e ainda com clima de suspense.

A Trégua (The Truce)

A Trégua (The Truce), drama de Francesco Rosi, baseado na biografia de Primo Levi, com John Turturro. C

Enredo: Mostra a trajetória de alguns dos italianos, judeus ou não, de Auschwitz  para casa, ao final da guerra; personagens estranhos que vão aparecendo, como os poloneses evitavam se lembrar de que os judeus sofreram na Polônia, durante a guerra, o absurdo dos caminhos que os refugiados tiveram que fazer para chegar ao seu destino.

Avaliação: IMPERDÍVEL. Pena que tenha passado em apenas uma sala.

U-571 (U-571 – A Batalha do Atlântico)

U-571 (U-571 – A Batalha do Atlântico), suspense dramático com tons de aventura – de Jonathan Mostow, com Matthew “Contato” McConaughey, Harvey Keitel e Jon Bon Jovi. C

Enredo: Baseado em fatos reais, mostra a captura da máquina codificadora Enigma, que os alemães usavam em sua comunicações secretas com os seus submarinos na II Guerra. Com ela, suas comunicações não eram entendidas e os aliados estavam perdendo muitos navios no Atlântico. Mas, diferentemente do que mostra o filme, a primeira delas foi capturada pelos ingleses, não pelos americanos, o que rendeu muitas críticas ao filme (o letreiro explicativo no fim do filme é insuficiente).

Um submarino americano é disfarçado como alemão, para enganar um submarino alemão avariado, que está à espera de peças para seu conserto. A idéia é abordá-los, dominar a tripulação e capturar a máquina, sem que os alemães se dêem conta do que aconteceu. Mas, como sempre, nem tudo sai como planejado e os americanos têm que “fazer mágicas” para escapar das armadilhas do destino, ainda mais porque não basta fugir com a máquina, eles têm que evitar a qualquer custo que os alemães perceba que ela foi capturada, para que estes não mudem seus códigos.

Avaliação: Suspense do início ao fim (a Sarah achou meio parado, às vezes, mas eu fiquei grudado na cadeira).

Homo Sapiens 1900 (Homo Sapiens 1900)

Homo Sapiens 1900 (Homo Sapiens 1900), documentário de Peter “Arquitetura da Destruição” Cohen.

Enredo: Achamos que o documentário fosse mostrar como o programa de extermínio nazista se baseava em teorias racistas absurdas; mas este é apenas um de tantos aspectos focalizados no filme, que mostra desde as primeiras teorias sobre a “Eugenia”, tanto “positiva” (criar uma raça superior) como “negativa” (eliminar as “inferiores”). Na Alemanha, a ênfase era no corpo, na antiga URSS, na mente; uma era darwinista, a outra lamarckiana, mas ambas tiveram seus seguidores e estudiosos, que acreditavam mesmo nestas idiotices. Nem os EUA do início do século escaparam, tendo tido até programas de esterilização forçada, pseudo-estudos sobre a eutanásia como meio de eliminar bebês deformados e outras “maravilhas científicas” do tipo. Pior ainda a Suécia, terra do autor, que até uns 30 anos atrás ainda tinha leis tratando sobre tal esterilização. E afirmar com orgulho que somos seres racionais…

Avaliação: Um filme elucidativo, apesar de, às vezes, ser um pouco técnico demais. E é bom que se conheça um pouco de história, para “se localizar” nas épocas mencionadas na narrativa.

Dr Jivago (Dr. Jivago)

Dr. Jivago (Dr. Jivago), romance dramático com toques históricos de David Lean, com Omar Shariff, Julie Christie, Rod Steiger, Geraldine Chaplin, Klaus Kinski e Alec Guinness, baseado no livro de Boris Pasternak. C

Enredo: O filme mostra a desilusão do médico e poeta Yuri Jivago (Shariff), na narrativa de seu meio irmão, o policial Ievgraf (Guinness), com o desenrolar da revolução comunista de 1917 e seu amor proibido por Lara (Christie), a esposa do revolucionário comunista Pasha. Mostra como tanto o regime do czar como o de Lênin cometeram enormes abusos e como os bolcheviques, levados por seu fanatismo, não conseguiram fazer uma revolução realmente popular, mas sim instalaram um governo tão ou mais radical do que o anterior, com líderes sanguinários. Dá prá entender porque o livro foi proibido na URSS.

Avaliação: Nunca é demais uma dica de clássico, que, neste ano de 2009, já vi pela terceira ou quarta vez (desta vez com a Sarah). Muito bom! E a música de Maurice Jarre (incluindo o Tema de Lara e a música que o grupo de rock progressivo Renaissance regravou como “Can you understand?”) é nota dez.

Curiosidades: Geraldine Chaplin é filha de Charles Chaplin, Klaus Kinski era o pai de Nastassja Kinski, o recém-falecido compositor Maurice Jarre era pai do também compositor Jean-Michel Jarre e Boris Pasternak ganhou o Nobel, mas, tido como traidor pelos comunistas, foi impedido pelo governo soviético de ir recebê-lo, vindo a morrer em função da perseguição que sofreu do regime.

Joana D’Arc (Joan of Arc)

Joana D’Arc (Joan of Arc), drama biográfico de Luc Besson, com Milla Jovovich (esposa do diretor, de “O Quinto Elemento” e com uma voz meio esganiçada, que eu não sei se tem razão de ser ou se é falha dela mesmo) e pontas de John Malkovich (o maquiavélico delfim Charles), Faye Dunaway (a esperta e maquiavélica sogra do delfim), Dustin Hoffman (a “consciência” de Joana) e Tcheki Karyo (o comandante francês).

Avaliação: Um bom passatempo, apesar de um pouco longo demais (cerca de 150 min). Eu achei que dava para cortar uns 30-60 min, principalmente do fim. Tem uns lances mais cômicos, quando os chefes militares mais importantes estão atuando (bons atores). De resto, é um filme sério e, do pouco que conhecia da história dela, parece ser fiel ao que aconteceu. Vale a visita.

Anna e o Rei (Anna and the King)

Anna e o Rei (Anna and the King), drama biográfico e romântico de Andy Tennant, refilmagem do filme com Rex Harrison (ou Yul Brinner, na série da TV) e Deborah Kerr, que deu origem ao antigo seriado com Yul Brinner.

Enredo: Jodie Foster é uma professora inglesa viúva (a Anna do título) que vai ao Sião (Tailândia), a pedido do rei (Chow Yun-Fat), para ensinar inglês e hábitos ocidentais aos seus 58 filhos e a algumas de suas concubinas e esposas, para que o Sião entre “na modernidade”. Prensado entre colônias inglesas (Birmânia) e francesas (Indochina), o país terá que lidar com mercadores sem escrúpulos, uma possível guerra com a Birmânia, colônia inglesa, e com inimigos internos.

Avaliação: Uma história interessante, baseada nas lembranças da professora e bem contada sobre o conflito de culturas e uma professora desafiadora e um rei com jeito de arrogante e tirânico (como no episódio do monge budista e da concubina do rei), mas “boa gente”, no fundo. E, é claro, com uma boa estória romântica. Ótimos figurinos e ótimas atuações, principalmente de Chow Yun-Fat, além da sempre ótima Jodie Foster. Boa pedida.

A Caminho de Kandahar (Safar é Grandehar)

A Caminho de Kandahar (Safar é Grandehar), drama produzido e dirigido pelo iraniano Mohsen Makhmalbaf, com Niloufar Pazira. C

Enredo: Baseado numa experiência pessoal da atriz (que, pelo que me lembre, nem atriz é, mas conseguiu narrar um bom caso, que interessou ao diretor), este excelente filme (apesar de um pouco cansativo) mostra a odisséia de uma jornalista afegã radicada no Canadá, que volta à sua terra natal para dissuadir a irmã – de quem tivera que se separar quando pequena e que está amargurada com a vida a que as mulheres afegãs estão sujeitas – de se suicidar no próximo eclipse, dali a alguns dias. Para isto, ela deve cruzar do Irã até Kandahar, próximo do Afeganistão, passando pelo território controlado pelos talebans. Nesta jornada desesperada, conhecerá os mutilados pelas minas, as últimas escolas para mulheres antes de elas serem consideradas adultas e serem proibidas de freqüentá-las (interessante o detalhe da dica que elas recebem, para nunca pegarem bonecas do chão, já que muitas minas estão disfarçadas como tal), a repressiva madrassa (escola corânica) que ensina o Corão e o uso de armas, um generoso médico que nem médico é, mas que procura ajudar a todos, o campo de médicos da ONU, com a disputa pelas pernas artificiais atiradas de helicóptero; acompanhará uma família querendo retornar ao país, uma procissão de um casamento, será acompanhada por guias talvez não muito confiáveis e conhecerá a discriminação a que as mulheres estão sujeitas, sem poderem ser vistas ou conversar com homens.

Avaliação: Realmente excepcional, por mostrar os dramas dos afegãos – tornados mais visíveis nestes dois últimos meses – principalmente o drama dos mutilados pelas minas e a discriminação a que estão sujeitas as mulheres, invisíveis e indistinguíveis sob suas pesadas burkas, que são obrigadas a usar assim que atingem a puberdade. Adoramos e perdoamos até os momentos um pouco mais arrastados do filme.

Nos Braços de Estranhos (Into The Arms Of Strangers: Stories of the Kindertransport),

Nos Braços de Estranhos (Into The Arms Of Strangers: Stories of the Kindertransport), de Mark Jonathan Harris; Oscar de documentário longa metragem de 2000, produzido por Spielberg. C

História: Mostra depoimentos de algumas das 10.000 crianças que o Reino Unido se dispôs a salvar das garras nazistas às vésperas da 2ª Guerra (1938/9). Os depoimentos começam com o que se sucedeu às famílias dos depoentes desde a subida de Hitler ao poder e vai até o fim da guerra.

São mostrados casos de pessoas de vários países, pessoas que sofreram mais ou menos para arrumar onde ficar, pessoas que foram trazidas para trabalhar como empregados de quem os abrigou ou para serem tratados como filhos de seus salvadores. Mostra os esforços dos filhos para tirar os pais/irmãos de seus países de origem, alguns casos onde houve reencontro com os pais durante a guerra, após a guerra, as reações no reencontro; mostra também o interessante caso de uma mulher que foi tirada do trem na hora do embarque para Inglaterra, pois o pai não agüentaria ficar sem a filha. Um pouco de tudo.

Avaliação: pegamos em vídeo; é ótimo, sem comentários, imperdível.

Sunshine – O Despertar de Um Século (Sunshine)

Sunshine – O Despertar de Um Século (Sunshine), drama de Istvan Szabó, com Ralph “O Paciente Inglês” e “Fim de Caso” Fiennes, Rosemary Harris, Rachel “A Múmia” e “Círculo de Fogo” Weisz. C

Enredo: A saga de várias gerações de uma família judia húngara (mais concentrada em três), desde que o inventor do tônico Sunshine (o nome da família é Sonnenschein, húngaro, de origem alemã, que significa “Sunshine”) sai com a família da aldeia em que vivem (início do século XIX), passando pelos campos de concentração e indo até a levante húngaro contra os soviéticos, em 1956. Parece que é uma família totalmente fictícia, mas baseado em acontecimentos que ocorreram com várias famílias húngaras de origem judaica: assimilação e integração ao império austro-húngaro, discriminação em maior ou menos grau ao longo do tempo, mudança de nome ou conversão de religião, para se atender a requisitos de ascensão política, social ou até esportiva, etc. Mas, como não podia deixar de ser, mostra também romances proibidos.

(Bom, acabamos vendo o filme em duas partes, depois de termos tido que abandonar o filme no meio da primeira vez (por culpa de um balão junino que caiu numa estação de energia elétrica “lá longe” e que afetou o Cinemark Pátio Higienópolis, que ainda não tinha – não tem? – gerador próprio).

Depois, aparece a perseguição nazi-fascista aos judeus, mesmo aos convertidos ao cristianismo, a Segunda Guerra e os campos de extermínio, a queda dos fascistas e a subida dos comunistas, as perseguições aos fascistas (e a hipocrisia envolvida, pois eram excetuados os que convinham ao novo regime, como mostrado nas cenas com William Hurt), os típicos expurgos do comunismo em seus quadros (o herói de hoje vira o conspirador de amanhã, é morto e reabilitado com honras a seguir), as confissões forjadas e/ou forçadas para auxiliar nestes expurgos, a perseguição a quem não colaborava com estas farsas e termina com a revolução húngara de 1956 contra os soviéticos, seu fracasso e os novos expurgos e prisões daí resultantes. Daí para frente, o narrador (o terceiro papel de Ralph Fiennes no filme, como a quarta geração dos descendentes do descobridor da fórmula do tônico) está nos dias atuais, lendo um escrito deixado pelo bisavô, um belo texto, que encerra com chave de ouro a saga da família.

Avaliação: Perdemos a parte que abrange a Segunda Guerra, mas gostamos muito do filme, pois dá um apanhado excelente da história da Hungria no período que abrange cerca de 1830-1960 (mas narrado após a queda do Muro), história esta que representa bem a própria Europa neste período, dos reinos e impérios ao fim do comunismo, concentrando-se mais no fim dos Impérios, no fascismo e no comunismo do pós-guerra. Aliás, é na segunda parte do filme que ele fica mais dinâmico, com os acontecimentos se desenrolando mais depressa, mais anos representados em menos tempo. Um filme que agradou a meus pais, à Sarah e a mim. Obra-prima imperdível, mesmo com 3 horas de duração.

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