Textos categorizados 'Livros'

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo, livro de Ali Kamel sobre atualidades, com narrativa histórica

Enredo: O jornalista Ali Kamel (diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo e colunista do jornal O Globo) é filho de um sírio muçulmano e uma baiana católica (ela, por sua vez, filha de um muçulmano e de uma católica) e é casado com uma judia… Assim, por formação familiar e profissão, está a par e bastante próximo dos assuntos relativos ao islamismo e terrorismo. Em relação ao livro, ele desejou “(…) ressaltar que as três religiões monoteístas têm mais pontos em comum do que antes o leitor imaginava” e mostrar que “nenhuma delas é base para o horror do terrorismo”. Inicia explicando as origens do Islamismo, sempre esclarecendo a terminologia atinente à religião (Islã, Mohammad, califas, sultões, imames, vizires, Sunna, hadith, fatwas, jihad, sunitas e xiitas, wahabitas…), detalha a versão do Islã para eventos do Antigo e Novo Testamentos, o fato de que Jesus não é considerado filho de Deus, mas sim um entre outros tantos Profetas que o precederam (sendo Maomé o último deles). Passa a explicar a expansão do Islã, o porquê da sua divisão em seitas, explicando que os ditos “fundamentalistas” não seguem os fundamentos do Islã, mas podem, sim, ser chamados de totalitaristas. Ali Kamel prossegue até chegar ao mundo atual (leia-se 2007), com os atentados às torres gêmeas e as conseqüentes invasões do Afeganistão e do Iraque. Quanto a esta última, ele, como ressalta, faz uma defesa que não poderia fazer em sua posição na Rede Globo – fornece as razões que levaram os americanos à invasão, mas procura manter a imparcialidade, através de farta documentação.

 

Links da Editora Nova Fronteira:

Matéria da VEJA – 22/08/2007 ou http://veja.abril.com.br/220807/p_126.shtml

Matéria do Estadão Online (19/08/07)

Matéria do Jornal ‘Valor Econômico’ – 31/08/2007

Matéria do jornal O Globo (25/08/2007)

 

Trechos do artigo de Mario Sabino, na Veja de 22/08/07, sobre o livro:

“…Jesus. No que se refere a este último, uma curiosidade – na visão dos muçulmanos, ele não é filho de Deus, e sim um profeta maior do que todos os outros. Tanto que, como relata Kamel, “o Islã não aceita a sua crucificação: tudo não teria passado de uma ilusão, já que Jesus teria subido aos céus em seu corpo físico. Seus algozes teriam sido iludidos, viram uma crucificação que nunca houve. Jesus, portanto, não morreu, mais um milagre que Deus concedeu a ele”. No final dos tempos, porém, acreditam os islamitas, Jesus voltará à Terra, para derrotar o Anticristo e governar o mundo por 45 anos. Em sua segunda vinda, ele se casará, gerará filhos e morrerá normalmente.

Afirma Kamel: “O certo é que Maomé, ao longo de sua vida, nunca escondeu que era um homem como outro qualquer e, dizem as tradições, gostava de lembrar aos fiéis o que dele dizia o Corão: Maomé não é mais do que um Mensageiro a quem outros precederam”.

Esse simples mensageiro deixou uma família dividida, que se digladiaria em torno da sucessão de Maomé e da qual o islamismo, por seu turno, herdaria as vertentes sunita e xiita. A diferença entre ambas, explicada em detalhes por Kamel, é basicamente a seguinte: para os sunitas, o profeta não indicou sucessor, a Revelação encontrou o seu termo com a morte de Maomé e só o que há a fazer é seguir a Suna, os mandamentos legados pelo profeta. Para os xiitas, Maomé foi sucedido por um primo, Ali, o primeiro imã (ou guia espiritual), e a Revelação ainda guarda aspectos ocultos, a ser desvendados por outros imãs. A palavra xiita vem do árabe shi’ at’Ali, cujo significado é “partidários de Ali”. Da dissensão entre sunitas e xiitas nasceria grande parte das animosidades que explodem no interior do Islã e também de dentro dele em relação ao exterior – cujo lado mais apavorante é o terrorismo.”

 

Avaliação: Excelente abordagem histórica, situando o leitor para que ele entenda os porquês da formação da religião islâmica, sua relação com o judaísmo e cristianismo e seu desenvolvimento até os dias atuais. Ali Kamel esclarece a terminologia utilizada na religião muçulmana, o porquê de não se poder denominar os terroristas de fundamentalistas e as razões e causas da guerra do Iraque… É apenas nesta parte, quando ele passa a mostrar a documentação que justificou as intervenções no Afeganistão e no Iraque, que o livro perde o pique. Até este momento, a leitura flui rápida e agradavelmente. Entendo a necessidade da documentação para que o autor prove os seus pontos de vista quanto às intervenções, mas ele poderia tê-la deixado num apêndice e feito um breve apanhado das razões.

É um livro que agradou a mim e também à minha mãe, outra leitora que cativei.

Por que as Pessoas de Negócios Falam como Idiotas (Why Business People Speak Like Idiots: A Bullfighter’s Guide)

Por que as Pessoas de Negócios Falam como Idiotas (Why Business People Speak Like Idiots: A
Bullfighter’s Guide),
livro com voltado à linguagem dos negócios de Brian Fugere, Chelsea Hardaway e Jon Warshawsky.
C

“Segure o jargão!”. Monty Phyton não poderia ter feito melhor para destruir todos os jargões que tanto odiamos… “Downsizing”, “reengenharia”, “alinhamento”, “holístico”, todas estas palavras passam por uma mudança de paradigma (ops, desculpe); os autores (trio da consultoria Deloitte) excederam seu potencial (ou “pushed the envelope” – desculpem, novamente) ao apresentar-nos as quatro armadilhas capitais na linguagem dos negócios: obscuridade, anonimato, venda agressiva e a armadilha do tédio. Eles fazem isto com humor, como quando nos oferecem um “bônus especial”, a “Fotografia Genérica Estúpida”, que, como eles colocam, “soma massa sem conteúdo sem qualquer custo adicional” às apresentações em PowerPoint. Eles realmente sabem como nos fazer pensar fora da caixa (oh, não de novo!) e apresentam-nos o thoughtware (já chega!) que podemos obter de pessoas que mostram seu caráter humano. É o caso de Warren Buffet e seus discursos em linguagem direta, ao admitir seus erros ou de Richard Branson (grupo Virgin), que “prontamente admite sua dislexia a geralmente fica pouco à vontade quando entrevistado em público”. No início, o livro soou-me repetitivo, mas, poucas páginas depois, apresentou-se engraçado e instrutivo. Uma leitura obrigatória.

Eis o link da resenha que me convenceu a comprar o livro: http://veja.abril.com.br/180707/p_100.shtml

Marley & Eu

Marley & Eu, livro dramático, cômico e com fundo autobiográfico de John Grogan. C

O filme é ótimo – para todas as idades – e o livro, mais ainda, porque o humor e as “sacadas” irônicas e descrição de situações hilárias a que o estabanado labrador Marley submete o autor e sua família não estavam com toda sua força no filme; claro, o autor teve mais espaço no livro que no filme, e, por isto, conseguimos ler mais descrições dos locais onde morou e das peripécias do atrapalhado super-herói canino. E, também, para quem já sofreu por um bicho, é tocante demais. Parabéns ao autor e ao elenco que temperam os eventos do livro!

A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro (My Stroke of Insight: A Brain Scientist’s Personal Journey)

A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro (My Stroke of Insight: A Brain Scientist’s Personal Journey), livro científico e drama autobiográfico de Jill Bolte Taylor
C

A neurocientista Ph. D. Jill Bolte Taylor teve o privilégio de se recuperar totalmente de um derrame hemorrágico ocorrido no lado esquerdo do cérebro, causado por uma má formação congênita. A ciência – e os leitores – tem o privilégio de descobrir passo a passo sua experiência e o que ocorreu com seu cérebro enquanto o sangue o inundava. Sua recuperação total durou oito anos, durante os quais teve que reaprender a contar (ela nem sabia mais o que era “1″, quanto mais “1+1″), conversar (quando ela falava, achava que era compreendida, mas, na verdade, as sentenças somente eram bem construídas no interior do seu cérebro, mas não pelo mecanismo de fala) e dirigir. Os danos ao lado racional do cérebro fizeram com que o lado direito, mais emocional, tivesse um destaque – e este destaque, somado às sensações boas (!) que teve durante o derrame, fizeram-na passar a enxergar o mundo de outra forma. Além de suas narrativas sobre os eventos pelos quais passou e da ajuda que recebeu (sua mãe foi quem mais soube lidar com a situação), ela nos dá conselhos imprescindíveis (que estão espalhados pelo livro, mas também condensados numa seção mais ao final) sobre como tratar e efetivamente ajudar uma pessoa com derrame – tanto reconhecendo os possíveis sinais para pedir socorro urgente, como na recuperação do paciente.

Excetuados alguns pontos mais subjetivos (e complicados, para uma pessoa cujo hemisfério esquerdo parece prevalecer, como meu caso), onde a autora procura nos ensinar a enxergar a vida de outro modo, baseada em sua experiência, o livro fluiu de maneira muito tranqüila, rápida e ainda forneceu uma leitura muito instrutiva.

Além de fazer uma interessante narrativa – quase como um suspense – do progresso dos danos durante o derrame (seu conhecimento de neurocientista permitia-lhe perceber que regiões iam sendo afetadas) e de como – novamente na forma de suspense – pôde finalmente ser socorrida (estava sozinha), ela reserva um dos capítulos finais para uma aula sobre o comportamento das regiões do cérebro (quem não for ligado neste assunto pode simplesmente pular o capítulo).

Links de interesse:
http://veja.abril.com.br/031208/entrevista.shtml e http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDR85316-8489,00.html

The Numerati

The Numerati, livro investigativo sobre ciências de Stephen Baker.

Este livro partiu de um artigo que o jornalista Stephen Baker (BusinessWeek, Wall Street Journal e outros) foi incumbido de escrever. Versa sobre as pessoas que, a partir de conhecimentos matemáticos e da incrível base de dados que é a Internet, descobrem quem somos, nossas preferências e problemas: o perfil de empregados, eleitores, blogueiros, compradores, pacientes médicos ou pares românticos. Em suma, os Numerati são pessoas que conferem ordenação, vida aos dados que poderiam, de outra forma, permanecer desestruturados. E, a partir destes dados dispersos, pode-se tanto traçar o perfil e agir preventivamente contra possíveis terroristas, como oferecer produtos que atendem nossas necessidades e desejos. Assim, se é certo que o método pode devassar nossa intimidade, é certo também que os Numerati podem ajudar a prevenir problemas médicos e, através da pesquisa nas bases de dados, ajudar na descoberta da cura de doenças.

Assim, por um lado, podemos ser identificados ao entrar num estabelecimento comercial e imediatamente receber em nosso carrinho de compras mensagens sobre produtos que têm o nosso perfil. Por outro lado, pacientes que vivem sozinhos podem ser monitorados à distância; assim, havendo qualquer variação em sua rotina – como, por exemplo, se deixam de fazer sua escovação de dentes matinal – pode ser feito um telefonema de checagem ou acionado o socorro médico. Ou de drogas que, encapsuladas em minúsculos tubos dentro de nosso corpo, podem emitir sinais para um centro de controle que, por sua vez, liberaria a quantidade necessária de medicamentos. Mas, se este é o lado bom que coexiste com uma indagação: como gerenciar a privacidade dos registros médicos?

Em resumo, os Numerati e seu trabalho com os dados podem tanto servir a quem quer devassar nossa vida pessoal ou profissional, como nos dirigir propagandas específicas ou ainda, fornecer elementos de auxílio de toda a ordem.

Mas não se preocupem à toa, pois muitos dos que estudam estes dados e descortinam nossas vidas, se apresentam como grandes advogados da privacidade, justamente por entenderem a importância da análise dos dados. Uma leitura bastante interessante sobre um tema muito interessante e atual, que apenas peca por se tornar repetitiva em alguns momentos.

As Memórias do Livro (People of The Book)

As Memórias do Livro (People of The Book) de Geraldine Brooks.

O livro conta o que teria sido a trajetória da Hagadá de Sarajevo, livro que orienta o ritual do Pessach, a Páscoa judaica e que teria tido como destino final a cidade de Sarajevo, na Bósnia, parte da antiga Iugoslávia. Uma especialista é contratada para seguir as pistas encontradas no livro, como marcas de tinta, de sangue, vinho, pelo e asas de borboleta. E assim, vai traçando o percurso da Hagadá, como ela foi trocando de mãos desde a Idade Média, da Espanha sob o domínio mouro à Segunda Guerra. Ao mesmo tempo, são mostrados os dramas dos judeus em cada uma destas épocas, como a Inquisição, o gueto em Veneza, a guerrilha antinazista na Iugoslávia e os esforços para salvar o manuscrito (ver http://www.geraldinebrooks.com/people.html).

As estórias que a autora monta para retratar cada época são muito interessantes e cativam o leitor. Porém, a trama central, que retrata a heroína da decifração do mistério do livro não é interessante; não me senti envolvido pelos dramas e romances da heroína, nem pela trama onde está envolvida, a não ser pelo seu trabalho como detetive ao descobrir o caminho seguido pela Hagadá de Sarajevo, o que, aliás, é o que conta…

1808

1808, de Laurentino Gomes C

Apesar do título do livro, não se aborda apenas o ano de 1808 e a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Ele traça um mapa geopolítico da época que abrange do início do século XIX – com as primeiras vitórias de Napoleão e um histórico da subida ao poder em Portugal do príncipe-regente João (que viria a ser coroado D. João VI) – até pouco depois da independência do Brasil. Trata também das vitórias e derrotas de Napoleão, da situação do Rio de Janeiro à época, da escravidão, das revoltas contra a coroa…

O livro traz relatos da época sobre eventos e hábitos do Brasil e de Portugal, descrevendo a corrupção nos órgãos do governo, as famosas cerimônias do beija-mão, desvios de dinheiro e riquezas naturais, enriquecimento à custa dos cofres públicos, contrabando, trabalho escravo (já ouviu falar dos pretos-de-ganho? Não? Pois leia o livro!) e outros absurdos – parte dos quais herdamos e preservamos…

Além destes aspectos, outros mais mundanos aparecem nas narrativas e descrições, tais como hábitos de higiene (ou melhor, de falta de higiene – por exemplo, os famosos pedaços de frango que D. João carregava na roupa para seus “lanchinhos” e o sistema de esgoto-vai-pela-janela-mesmo), doenças e tratamentos médicos vigentes, vestimentas, etc.

Tudo minuciosamente elaborado a partir de crônicas de quem viveu à época ou a partir de outros documentos, desmentindo mitos e também trazendo à luz fatos ate então desconhecidos.

Trata-se de leitura excelente – e muito instrutiva –, que flui sem que se perceba o passar do tempo. O autor soube inserir fatos históricos e narrativas de época para dar um ótimo tempero ao livro. Um jeito fácil e gostoso de aprender História.

Anjo de Quatro Patas, de Walcyr Carrasco

Anjo de Quatro Patas, de Walcyr Carrasco (cronista da Veja São Paulo) C

É o relato de sua vida com Uno, o husky que mostrou quem devia obediência a quem na casa do autor. Um relato comovente, escrito com carinho por quem descobriu que, apesar de ter perdido o amor de sua vida, ainda conseguiria se entregar a outro ser. Um ser que foi conquistando seu coração e que também trouxe momentos de dor ao partir.

Mas, de sua partida, resultou esta leitura imperdível, mais ainda para os que entendem o quanto de amor incondicional um bicho pode dar.

A crônica que precedeu o livro: http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2031/m0141387.html


Inscreva-se para receber atualizações

Arquivos

Categorias

Statcounter

free hit counter

Os mais clicados

  • Nenhuma

Technorati

Add to Technorati Favorites

Tweeter do Roby

 

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30