Um Ato de Coragem (John Q), suspense policial dramático e filme de protesto contra o sistema dirigido por Nick “De Bem com a Vida” Cassavetes, com Denzel “Dia de Treinamento” Washington, Kimberly Elise, Robert “Um Dia de Fúria” Duvall, James “As Virgens Suicidas” Woods, Anne “Sete Dias, Sete Noites” Heche, Ray “Inesquecível” Liotta, Daniel Smith e Paul Johansson.
Enredo: A firma de John Quincy Archibald (Denzel Washington) cortou metade de suas horas de trabalho, sua esposa Denise (Kimberly Elise) é caixa de supermercado. John Q. deve ao banco, que toma o carro de sua mulher. Para piorar, seu filho Mike (Daniel Smith) desmaia num jogo de beisebol e eles descobrem que ele tem um problema cardíaco muito grave, que exige transplante, pois, de outra forma, ele pode apenas viver com remédios para amenizar os sintomas e esperar sua morte, em questão de dias, semanas ou meses, quem sabe? A administradora do hospital onde Mike é internado, Rebecca Payne (Anne Heche) descobre que o plano de saúde de John não cobre transplantes deste porte (US$250.000); ele não entende porquê, mas sua firma o informa: ao ter suas horas de trabalho cortadas, seu plano também teve redução de benefícios. O mais grave é que Denise mal começou a trabalhar no supermercado e ainda não tem direito a plano de saúde. Os Archibald vão vendendo seus poucos bens, arrecadando dinheiro com amigos e na Igreja. John preenche mais formulários, para que seu plano de saúde cubra o caso do filho, mas não adianta: a administradora não considera isto suficiente e manda o cardiologista do garoto, Dr. Turner (James Woods), lhe dar alta. Nem na lista de espera por um coração o garoto pode entrar sem um adiantamento de US$75.000! É a hora do desespero: como podem ser tão insensíveis e mandar o garoto, que vive ligado a aparelhos, ir para casa para morrer?
John toma uma atitude desesperada, invade o hospital e faz do Dr. Turner seu refém, para que ele opere seu filho. Como estão na sala de emergência, várias pessoas acabam se tornando reféns, mesmo sem a vontade de John. A polícia coloca o veterano tenente Frank Grimes (Robert Duvall) para negociar, mas seu superior, o fútil e inexperiente capitão Monroe (Ray Liotta), adora uma câmara de TV, está em véspera de eleições e quer liqüidar logo o assunto, mandando a equipe de elite eliminar John o mais rápido possível. O caso vai ganhando alcance nacional, ainda mais quando o apresentador Tuck Lampley (Paul Johansson), que havia achado o caso do garoto pouco interessante para ser levado à TV e nem se mexera para ajudar John, resolve aproveitar-se da situação para aumentar sua audiência. Arruma imagens exclusivas da sala os reféns e monta um dramalhão. Enquanto isto, o drama dos reféns se desenrola (aí vêm os velhos clichês…): uma grávida está em trabalho de parto, um playboy racista com ferimentos leves quer ser atendido antes dos casos mais graves (e que certamente, para felicidade do diretor, dá na gente vontade de vê-lo apanhando) e o Dr. Turner é obrigado a operar um recém-chegado baleado, que corre risco de morte. É muita coisa para John Q. controlar de uma vez: reféns problemáticos, a polícia querendo invadir o local e, mesmo que consiga cobertura para o filho, há pouco tempo para se arrumar um coração compatível. Será que ele consegue administrar tudo isto?
Avaliação:
Um filme muito bom, com bons momentos de suspense e um drama bem montado. Pena que, em alguns momentos, apele para o sentimentalismo exagerado. O filme serve para o diretor criticar o sistema de saúde americano (colocando discursos na boca de seus personagens e mostrando trechos reais de falas a respeito do sistema de saúde, apresentadas por Hillary Clinton, Jay Leno, David Letterman e outros), que só serviria a quem tem dinheiro, e o poder do dinheiro – o playboy racista e despreocupado com quem tem problemas mais graves que o seu e o cardiologista que só se preocupa com seus jogos de golfe e com seu clube de campo servem de modelo dos típicos ricos – acomodados e folgados. Uma visão meio maniqueísta demais, que mostra também os médicos como pertencendo a duas categorias: os dedicados e que criticam o sistema de saúde, que procura dispensar pacientes que não podem pagar, mesmo que isto implique em dispensar-lhes cuidados insuficientes; e os acomodados, que faturam em cima do sistema prestam o juramento de “Hipócrita”, em vez do de Hipócrates. Não era preciso expor as coisas deste jeito, isto faz o filme parecer tolo em alguns momentos.