Textos categorizados 'Político'

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil)

O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil), drama com fundo histórico de John Curran, baseado em um livro de William Somerset Maugham, 2006.

Enredo: 1925. A jovem Kitty (Naomi Watts) pensa ser cedo para pensar em casamento, pois leva uma vida de luxo e confortável, com direito a festas e intensa vida social. Mas sua mãe a lembra de que o pai não irá sustentá-la para sempre – este será papel do marido. Ela sente-se pressionada e, mesmo sem corresponder, acaba cedendo ao pedido do tímido e recatado bacteriologista Walter Fane (Edward Norton), que está profundamente apaixonado por ela. Casados, Walter volta para seu posto em Xangai, na China, onde, como diz a ela, a vida social será divertida. Mas são tempos difíceis no país, pois os chineses estão cada vez mais irritados com a excessiva influência dos europeus nos rumos do país e – gota d’água – policiais ingleses acabaram de matar onze operários chineses que protestavam contra as condições das fábricas, e os nacionalistas de Chang Kai-shek estão propagando crescente ódio aos ocidentais. Sem amor por Walter, que se dedica integralmente às pesquisas e nutre uma vida monótona, Kitty é logo seduzida pelo vice-cônsul inglês (Liev Schreiber, marido de Watts na vida real). Ciente do caso, o discreto Walter resolve aceitar um posto numa cidade distante, onde poderá salvar vidas da epidemia de cólera que toma conta do país – e, ao mesmo tempo, afastar a esposa do amante. E, ao contrário do que esperava a ingênua Kitty, o amante não abandona a esposa e, sem alternativa, a não ser um escandaloso divórcio, Kitty segue o marido. Walter empenha-se em evitar o alastramento da epidemia e em salvar as crianças do convento local. Solitária e isolada, Kitty também começa a envolver-se com as crianças – e a perceber que Walter tem qualidades… Mas as cada vez mais antipáticas medidas de Walter para conter a epidemia, não parecem ser suficientes e só fazem aumentar o ódio da população, tornando mais difícil a situação do casal.

Avaliação: O filme ficou pouco tempo em cartaz, o trailer não me impressionou muito e acabamos perdendo. A Sarah acabou vendo na TV a cabo e adorou, recomendando-me. Achei a estória boa, o filme bom… Mas lento. A Sarah não gostou do final, e eu, ao contrário, o considerei bonito. Mais do que o rumo do relacionamento do casal, o que me atraiu foi o pano de fundo histórico: a epidemia de cólera, a descoberta de seu alastramento pela água consumida, as medidas para evitá-la, os problemas com a população local, suas crenças e hábitos, o panorama político, com a ascensão de Chang Kai-shek (que mais tarde viria a ser o primeiro presidente de Taiwan) e sua luta contra a excessiva influência ocidental – principalmente dos ingleses – na China, as tentativas de converter os chineses ao catolicismo por parte dos conventos, através de suas obras sociais.

Spartacus (Spartacus)

Spartacus (Spartacus), épico dramático de Stanley Kubrick, 1960. C

Enredo: 73 a.C. Em Roma, podia-se dizer haver quase tantos escravos quanto cidadãos livres. Entre os primeiros, estava Spartacus (Kirk Douglas), vindo de uma das muitas regiões conquistadas por Roma, a Trácia (região aproximadamente entre a Bulgária e a Turquia). Como tantos outros companheiros de infortúnio, seus dotes físicos o tornaram um gladiador a serviço de Lentulus Batiatus (Peter Ustinov), obrigado a lutar pela vida na arena, para diversão da plebe e dos nobres de Roma. Ávido pela liberdade, Spartacus será o líder (ou um dos líderes, segundo alguns historiadores) da revolta contra seus opressores. Excelentes táticas nos campos de batalha o levaram a inúmeras vitórias, mas diferenças de opinião com alguns de seus comandantes sobre os rumos da revolta puseram todos os ganhos em risco. Para sua sorte, os próprios romanos, envoltos em diversos conflitos dentro das fronteiras de seus domínios, não dispunham de homens preparados e suficientes para combatê-los. Joguete na luta do poder em Roma, Spartacus vitorioso interessava ao grupo de Julio César (John Gavin) e de Graco (Charles Laughton), que se opunham ao general Marco Crasso (Laurence Olivier). É então que este último seleciona seus melhores homens para o confronto final com o escravo revoltoso. Poderá ser a última chance de Spartacus estar ao lado de sua amada Varinia (Jean Simmons) e de lutar ao lado de seu fiel companheiro Antonino (Tony Curtis).

Avaliação: Assim como Exodus, mais um filme excepcional, um dos melhores que vi até hoje. Com excelente roteiro de Dalton Trumbo, vilões realmente bem caracterizados e que conseguem provocar repulsa à escravidão imposta por Roma, reforçada por um Kirk Douglas que nos cativa para sua luta em busca do direito de ser livre.

Aprendi com meu pai que há duas coisas para as quais o ser humano somente dá valor quando as perde: a saúde e a liberdade. Este filme mostra o desejo pela liberdade que todo ser humano carrega, mas do qual normalmente nem se dá conta.

Trama Internacional (The International)

Trama Internacional (The International), suspense dramático e criminal de Tom Tykwer, 2009.

Enredo: Eleanor Whitman (Naomi Watts), da Procuradoria de Nova Iorque, e Louis Salinger (Clive Owen), da Interpol, investigam o banqueiro Jonas Skarssen (Ulrich Thomsen), envolvido em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e golpes de estado. Mas, todas as pessoas que podem incriminá-lo, são mortas tão logo concordam em colaborar; nem os policiais estão a salvo… Por trás do banqueiro, um eficiente esquema, engendrado pelo seu braço direito, Francis Ehames (Jay Villiers), seu advogado, Martin White (Patrick Baladi) e por Wilhelm Wexler (Armin Mueller-Stahl), a pessoa encarregada de corromper policiais e providenciar o desaparecimento dos que se mostram obstáculos. Para isto, Wexler usa os serviços de um eficiente “consultor” (Brian F. O’Byrne), que não deixa rastros, nem faz perguntas. Uma vez mais, Whitman e Salinger estão próximos de pegar Skarssen e uma vez mais, um importante colaborador é assassinado e um policial corrupto se interpõe no caminho; de caçadores, a dupla corre o risco de tornar-se a caça. O assunto tornou-se uma questão pessoal para Salinger a ponto dele se dispor a andar à margem da lei para conseguir fazer justiça.

Avaliação: Filmaço, suspense (intrincado, diga-se) de prender na cadeira. Não há tanta ação como o trailer dá a entender, mas tudo bem. E Clive Owen é realmente, como em “Um plano Perfeito”, a alma do filme. Minha mãe e eu adoramos e a Sarah gostou apesar de achá-lo cansativo em muitos momentos. Ah, claro, fiquei me perguntando se muito do que o filme mostra não é a realidade de alguns bancos e empresas que fazem negócios com regimes corruptos.

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far)

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far), épico de guerra de Richard Attenborough, 1977. C

Enredo: Baseado no livro de Cornelius Ryan, o filme trata da “Operação Mercado-Jardim” (“Mercado” referia-se aos paraquedistas e “Jardim”, ao ataque por terra) de 1944, através da qual os aliados, entusiasmados com o sucesso da operação de desembarque na Normandia, pretendiam, com a tomada de uma série de pontes na Holanda, alcançar e destruir a região industrial alemã, no vale do Ruhr. O caminho passava por várias pontes, entre elas a valiosa ponte sobre o rio Arnhem, que dá o título ao filme.

A idéia foi do Marechal Montgomery (“Monty”), que, por meio da influência política, forçou o seu superior, o General Eisenhower – o Comandante das forças aliadas – a apoiá-lo e a preterir os planos de seu rival, o General Patton. Como se percebe desde o início do filme, deixar a estratégia política vencer a militar foi uma péssima idéia.

Erro: não acreditar nos informes da resistência holandesa de que os alemães concentravam muitas tropas para defender a região e basear-se no otimismo gerado pelo Dia D.

Erro: o Tenente-General Browning (Dirk Bogarde), responsável pela operação, insistir em prosseguir mesmo com fotografias aéreas (“poucas fotos”, segundo ele) que mostrando da existência de tanques alemães camuflados na região. Em vez disto, e já cansado de tanto ter que adiar a operação, prefere colocar o responsável pelo levantamento aéreo, Major Fuller (Frank Grimes) “de molho” a fim de evitar a disseminação de possível pessimismo. Aliás, nem o general alemão Model (Walter Kohut) acreditava que os aliados seriam ousados (ou tolos) a ponto de atacar a considerável concentração de tropas, até porque a localidade não oferecia nenhum interesse estratégico. Daí a recusa de Model em explodir as pontes para segurar os aliados.

Erro: acreditar que o exército alemão era formado de crianças e velhos, como se difundia entre os aliados (apesar de que, em certo momento do filme, as crianças aparecerão). Na verdade, as melhores tropas nazistas estão estacionadas na região, comandadas pelo Tenente-General Bittrich (Maximilian Schell) e pelo Major-General Ludwig (Hardy Kruger), que vão segurar Arnhem a qualquer custo – eles preferem explodir as pontes para segurar só aliados, mas Model não concorda, insiste que os aliados não ousariam atacar as pesadas forças nazistas com paraquedistas e que não há nada de importante a ser conquistado na região.

E não foi por falta de experiência prévia, pois os próprios “Jerrys” (nazistas) haviam sido massacrados ao tomar Arnhem, em 1940.

A operação tem vários riscos: mudanças de tempo podem prejudicá-la imensamente, o entrelaçamento entre os diversos pontos de ataque aliado deve ser preciso, uma falha pode provocar o fracasso de toda a operação.

O início da operação aparentemente corre bem, e os alemães recuam muito mais rapidamente do que os aliados podem avançar, já que faltam aos aliados suprimentos, estradas livres e aviões suficientes para lançar todos seus paraquedistas.

A partir de então, acompanhamos o desenrolar de algumas histórias:

O major-general polonês Sosabowski (Gene Hackman), um homem de visão, que percebe estar colocando seus homens numa operação perdida, mas que prefere manter silêncio e ir adiante, é impedido pelo fog inglês.

O Brigadeiro-General Gavin (Ryan O’Neal), temeroso (com razão) com os relatos de seu ajudante-de-ordens holandês (Peter Faber) sobre as condições que seus paraquedistas irão encontrar, sobretudo por tratar-se de ataque à luz do dia, o que os torna mais vulneráveis. E os jipes, tanques e barcos de apoio não chegam.

O coronel Urquhart (Sean Connery), que descobre que vai saltar a muitos quilômetros de Arnhem e ter que se locomover a pé até o difícil alvo. Para piorar, ao chegar ao solo holandês, percebe que os rádios estão com cristal errado e não fornecem comunicação aos jipes que não chegam. Logo é cercado e a munição vai escasseando.

O Tenente-Coronel Horrocks (Edward Fox) será a “cavalaria” que irá em socorro dos paraquedistas – se tiver recursos para tal.

A guarda irlandesa, comandada pelo Tenente-Coronel J. O. E. Vandeleur (Michael Caine), que chega com tanques para depois alcançar e dar suporte aos paraquedistas, criar cortinas de fumaça; mas ele mesmo é logo atacado pelos alemães.

Os paraquedistas do Tenente-Coronel Frost (Anthony Hopkins), que tem a inglória tarefa de tomar a ponte de Arnhem com rifles e algumas armas antitanque; eles testam as forças inimigas, apenas para descobrir que elas são muito mais bem armadas que eles.

O coronel Stout (Elliot Gould), cuja missão é tomar a ponte do Rio Son – e a vê sendo explodida à sua frente…

O Major Julian Cook (Robert Redford) que não tem os barcos necessários à travessia do rio para tomar Nijmegen.

 

Avaliação: É um prazer escrever sobre este filme, um dos melhores que já vi, certamente o melhor filme de guerra. Já o vi duas vezes e meia (a metade do filme na TV eu já tinha perdido). A empolgante trilha sonora de John Addison ajuda a manter o clima, que é arrepiante desde os primeiros minutos de suas quase 3 h (muito rápidas!). Nunca vi tantos astros juntos num filme tão bom. Mesmo sabendo o final do filme, como no “Operação Valquíria”, há um suspense sobre o desenrolar das operações. Há dramas muito bons – em particular, refiro-me à promessa do Sargento Eddie Dohun (James Caan) em levar seu capitão (Nicholas Campbell) com vida de volta aos EUA (com um final surpreendente). Detalhes primorosos, desde a descida dos paraquedistas até as operações em terra.

Diálogos afiadíssimos, com destaque para as frases ácidas do general polonês interpretado por Gene Hackman (ótimo), são o toque tragicômico do filme (quando ele vê que está “no mato sem cachorro”, diz ao seu superior inglês “Só queria ter certeza de que lado o senhor está” ou quando ele exige uma carta do general Browning dizendo que ele, Sosabowski, está executando o plano mesmo estando em desacordo com ele, para o caso de seus homens serem massacrados. Ele mesmo dispensa a carta: “Em caso de sermos massacrados, de que ela adiantaria?”). Elliot Gould é o outro que confere um caráter mais “light” ao filme.

E o Major Harry Carlyle (Christopher Good), sempre com seu guarda-chuva na mão e alto astral, e a surreal negociação da rendição com os alemães (rendição de quem para quem?).

Mais uma afiada: Browning consola Urquhart dizendo que este fez tudo o que podia. “Mas, e os outros, fizeram?”.

No final, ficou difícil arrumar um culpado: a estrada para Nijmegen, a tomada de Nijmegen, o fog inglês?

O Jogo do Poder (Président)

O Jogo do Poder (Président), suspense dramático de fundo político de Lionel Delplanque.

Enredo: Frédéric Saint-Guillaume (Claude Rich) “criava” presidentes em seu país (pelo que pude entender, a França) e manipulava o poder também na África. O atual presidente (Albert Dupontel), para quem Saint-Guillaume é como um pai, não é exceção. Mas ele tem um problema que nem seu tutor pode (ou quer) solucionar: a juíza Benoît (Florence Thomassin) está chegando perto demais dele na condução de uma investigação sobre os fundos destinados ao desenvolvimento do que seria  uma “arma limpa”. Agravando o quadro, Mathieu (Jérémie Renier), o novo namorado de sua filha, Nahema (Mélanie Doutey), a quem se afeiçoou e colocou para trabalhar perto de si, entreouviu uma conversa do presidente e está fazendo sua própria investigação sobre a tal “arma limpa” – que parece não ser tão limpa assim e ter deixado seqüelas em soldados que a testaram. Para o presidente, saber da trilha seguida por Mathieu implica em convencê-lo de seu não envolvimento e cooptar o talentoso jovem. Mas, e se a verdade chegar ao conhecimento da filha? E se Saint-Guillaume se tornar mais um fator complicador?

Avaliação: Mediano, meio confuso. A idéia é bem legal, mas não foi muito bem desenvolvida, não prende muito, não convence muito – mas dá para passar o tempo.

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo

Sobre o Islã – A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo, livro de Ali Kamel sobre atualidades, com narrativa histórica

Enredo: O jornalista Ali Kamel (diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo e colunista do jornal O Globo) é filho de um sírio muçulmano e uma baiana católica (ela, por sua vez, filha de um muçulmano e de uma católica) e é casado com uma judia… Assim, por formação familiar e profissão, está a par e bastante próximo dos assuntos relativos ao islamismo e terrorismo. Em relação ao livro, ele desejou “(…) ressaltar que as três religiões monoteístas têm mais pontos em comum do que antes o leitor imaginava” e mostrar que “nenhuma delas é base para o horror do terrorismo”. Inicia explicando as origens do Islamismo, sempre esclarecendo a terminologia atinente à religião (Islã, Mohammad, califas, sultões, imames, vizires, Sunna, hadith, fatwas, jihad, sunitas e xiitas, wahabitas…), detalha a versão do Islã para eventos do Antigo e Novo Testamentos, o fato de que Jesus não é considerado filho de Deus, mas sim um entre outros tantos Profetas que o precederam (sendo Maomé o último deles). Passa a explicar a expansão do Islã, o porquê da sua divisão em seitas, explicando que os ditos “fundamentalistas” não seguem os fundamentos do Islã, mas podem, sim, ser chamados de totalitaristas. Ali Kamel prossegue até chegar ao mundo atual (leia-se 2007), com os atentados às torres gêmeas e as conseqüentes invasões do Afeganistão e do Iraque. Quanto a esta última, ele, como ressalta, faz uma defesa que não poderia fazer em sua posição na Rede Globo – fornece as razões que levaram os americanos à invasão, mas procura manter a imparcialidade, através de farta documentação.

 

Links da Editora Nova Fronteira:

Matéria da VEJA – 22/08/2007 ou http://veja.abril.com.br/220807/p_126.shtml

Matéria do Estadão Online (19/08/07)

Matéria do Jornal ‘Valor Econômico’ – 31/08/2007

Matéria do jornal O Globo (25/08/2007)

 

Trechos do artigo de Mario Sabino, na Veja de 22/08/07, sobre o livro:

“…Jesus. No que se refere a este último, uma curiosidade – na visão dos muçulmanos, ele não é filho de Deus, e sim um profeta maior do que todos os outros. Tanto que, como relata Kamel, “o Islã não aceita a sua crucificação: tudo não teria passado de uma ilusão, já que Jesus teria subido aos céus em seu corpo físico. Seus algozes teriam sido iludidos, viram uma crucificação que nunca houve. Jesus, portanto, não morreu, mais um milagre que Deus concedeu a ele”. No final dos tempos, porém, acreditam os islamitas, Jesus voltará à Terra, para derrotar o Anticristo e governar o mundo por 45 anos. Em sua segunda vinda, ele se casará, gerará filhos e morrerá normalmente.

Afirma Kamel: “O certo é que Maomé, ao longo de sua vida, nunca escondeu que era um homem como outro qualquer e, dizem as tradições, gostava de lembrar aos fiéis o que dele dizia o Corão: Maomé não é mais do que um Mensageiro a quem outros precederam”.

Esse simples mensageiro deixou uma família dividida, que se digladiaria em torno da sucessão de Maomé e da qual o islamismo, por seu turno, herdaria as vertentes sunita e xiita. A diferença entre ambas, explicada em detalhes por Kamel, é basicamente a seguinte: para os sunitas, o profeta não indicou sucessor, a Revelação encontrou o seu termo com a morte de Maomé e só o que há a fazer é seguir a Suna, os mandamentos legados pelo profeta. Para os xiitas, Maomé foi sucedido por um primo, Ali, o primeiro imã (ou guia espiritual), e a Revelação ainda guarda aspectos ocultos, a ser desvendados por outros imãs. A palavra xiita vem do árabe shi’ at’Ali, cujo significado é “partidários de Ali”. Da dissensão entre sunitas e xiitas nasceria grande parte das animosidades que explodem no interior do Islã e também de dentro dele em relação ao exterior – cujo lado mais apavorante é o terrorismo.”

 

Avaliação: Excelente abordagem histórica, situando o leitor para que ele entenda os porquês da formação da religião islâmica, sua relação com o judaísmo e cristianismo e seu desenvolvimento até os dias atuais. Ali Kamel esclarece a terminologia utilizada na religião muçulmana, o porquê de não se poder denominar os terroristas de fundamentalistas e as razões e causas da guerra do Iraque… É apenas nesta parte, quando ele passa a mostrar a documentação que justificou as intervenções no Afeganistão e no Iraque, que o livro perde o pique. Até este momento, a leitura flui rápida e agradavelmente. Entendo a necessidade da documentação para que o autor prove os seus pontos de vista quanto às intervenções, mas ele poderia tê-la deixado num apêndice e feito um breve apanhado das razões.

É um livro que agradou a mim e também à minha mãe, outra leitora que cativei.

A Conspiração (The Contender)

A Conspiração (The Contender), drama político de Rod Lurie, com Joan “Pleasantville, A Vida em Preto em Branco”/”A Outra Face” Allen, Gary “Assassinato em Primeiro Grau”/”Dracula” Oldman, Jeff “Tormenta”/”Starman” Bridges, Christian “Assassinato em Primeiro Grau”/”Robin Hood” Slater, William Petersen, Philip Baker Hall, Saul “Um Homem de Família” Rubinek, Sam “O Grande Lebowski” Elliott e ponta de Mariel “Manhattan” Hemingway. C

Enredo: O vice-presidente dos Estados Unidos faleceu, e o presidente Jackson Evans (Jeff Bridges) precisa escolher um substituto para o cargo. A escolha natural, um governador (William Petersen) que acabou de virar herói nacional ao tentar salvar uma moça num acidente de carro, é descartado e Evans aponta para sua vice a senadora Laine Hanson (Joan Allen). Os assessores de Evans dão o “OK”, mas o eleitorado aceitaria uma atéia pró-aborto? A maior “pedra no sapato” é o veterano político conservador, Shelly Runyon (Gary Oldman), que tenta achar “podres” da senadora com a ajuda de seu assessor Reginald Webster (Christian Slater). Se Runyon junta provas e chega criar boatos para forçar a criação de “provas”, Webster age por princípio. E eles encontram um podre no passado da senadora: fotos que provam a sua participação em uma orgia estudantil. Mas Laine nem aceita nem desmente o episódio, pois não quer ver sua vida privada questionada, já que este tipo de acusação nada tem a ver com suas qualificações políticas – e nisto é apoiada pelo marido.

Por outro lado, uma investigação do FBI vai revelando detalhes interessantes sobre algo que pode afetar o processo da escolha. E o fiel escudeiro (Sam Elliott) do presidente, que faz o papel de um cruel advogado do diabo para salvar a candidatura a vice da senadora, joga pesado, mas com boas intenções. Afinal, existe vida privada na carreira política?

Avaliação: No começo, achei meio sonolento, mas o filme foi tomando um rumo muito interessante e tem uma EXCELENTE lição de princípios. O final do filme é uma obra de arte de arrepiar e Joan Allen está realmente ótima, muito convincente. Jeff Bridges está ótimo, no papel do presidente de jeito afável, honesto, mas implacável e que sabe usar “armas” pesadas, quando necessário – aliás, as cenas dele pedindo comida para a cozinha da Casa Branca são detalhes simples, mas bem colocados. Sam Elliott, como o escudeiro do presidente, está “engraçadamente cruel demais”. E Gary Oldman está irreconhecível em sua maquiagem – mas faz, como sempre, um bem feito papel de vilão. Mais incrível de tudo: o filme faz a gente até ter esperança nos políticos…

Spartan (Spartan)

Spartan (Spartan), ação política de David Mamet.

Enredo: Scott (Val Kilmer) é um bom agente de operações especiais do Exército. Dedicado, ele cumpre suas missões sem questionar; ele é muito rígido com os subordinados, mas é um ótimo instrutor para eles. E ele e seu comandado Curtis (Derek Luke) têm a oportunidade de mostrar serviço quando tentam resgatar a filha do Presidente dos EUA, raptada por engano por mercadores de escrava branca que pretendem levar sua “carga” para os Emirados Árabes. Se, no entanto, eles descobrirem de quem se trata, preferirão matá-la… Não só isto: a missão exige discrição, pois a garota foi raptada quando ia falar com o pai, que estava com uma de suas amantes e havia reduzido sua segurança, algo imperdoável para ele. E parece que há gente querendo sabotar a missão e que prefere ver a garota morta, para fins políticos pouco escusos… Scott já não sabe mais quem são seus inimigos…

Avaliação: Razoável filme, apesar de não ter tanto suspense ou ação assim. Suspense inteligente, David Mamet consegue, mas esperar ação talvez fosse demais.. E se meteu em algo que não parece ser a “praia” dele. A Sarah desistiu no meio, eu fui até o fim. Gostei, mas já vi muitos muito melhores. É legal por mostrar como os interesses políticos escusos podem dar origem a sujeiras profundas que nem podemos imaginar.

A Intérprete (The Interpreter)

A Intérprete (The Interpreter), suspense político e criminal de Sydney Pollack.

Enredo: Logo no início do filme, é mostrado o assassinato de um oposicionista (Curtiss Cook) de um país africano e de um repórter (Hugo Speer) que o acompanhava, tudo sob o testemunho de um fotógrafo – e as suspeitas recaem sobre Zuwanie (Earl Cameron), o tirânico presidente do país. Enquanto isto, uma intérprete da ONU (Nicole Kidman) volta de noite ao prédio para buscar uma bolsa que esquecera e escuta o diálogo entre duas pessoas planejando o assassinato do tal presidente Zuwanie. Ela foge do prédio e conta ao FBI. O FBI resolve proteger o presidente, que está em visita à ONU para discursar e evitar ir a julgamento no Tribunal Criminal Internacional de Haia, sob acusação de genocídio. Mas os agentes Keller e Woods (Sean Penn e Catherine Keener), encarregados do caso, não acreditam no que ouviram dela, pois logo descobrem que a intérprete nasceu no mesmo país da África, onde perdeu seus pais durante a guerra civil. Keller acha que há certo envolvimento dela com a situação do país, talvez com a oposição. Com o oposicionista assassinado? Com o repórter que o acompanhava? Ou com o outro oposicionista, que também está de visita aos EUA? Ou com o próprio Presidente? E por que de repente alguém tenta matá-la? As pistas vão levando a alguém que parece ser um terrorista – e a um possível atentado a bomba. Mas quem seria o alvo?

Avaliação: A Sarah deu um 9,5, a Léa adorou e eu gostei bastante; achei meio parado no início, mas eu estava cansado, talvez por isto. Dei umas “vaciladas” e quase perdi a trama, mas, depois de um tempo, ela “engatou” e o suspense foi crescendo e ficando bem intrigante. Talvez um pouco difícil de acompanhar, mas, como disse a Sarah, talvez seja esta a idéia – a gente fica quase até o fim sem saber direito do grau de envolvimento da intérprete e nem com quem ela poderia estar envolvida, ou por quê. Não se pode negar que seja uma trama muito bem montada.

PS: revi em 2008 e continuei achando confuso… Pena, porque a trama parece muito boa.

End Game (End Game)

End Game (End Game), ação e suspense político-policial de Andy Chang.

Enredo: Alex Thomas (Cuba Gooding Jr.), do Serviço Secreto responsável pela segurança do Presidente Americano, vê o alvo de sua proteção ser assassinado e é ferido ao tentar defendê-lo. Unido por uma grande amizade ao objeto de sua proteção e à sua esposa (Anne Archer), ele se afasta do serviço, até que uma repórter investigativa (Angie Harmon) o convence de que, além do aparentemente enlouquecido assassino, havia mais gente envolvida. E suas suspeitas se confirmam quando começam a morrer pessoas que conheciam o assassino e quando eles próprios começam a ser perseguidos. O chefe de Thomas (John Woods) vacila em ajudá-lo a investigar uma teoria que parece fantasiosa e, assim Thomas e sua nova amiga, ajudados por uma pequena equipe do Serviço Secreto, agem por conta própria. Vão descobrir interesses muito estranhos por trás do caso.

Avaliação: Bom suspense, com ação em exageros. Prende bem e tem um desfecho reativamente original. Só esta estória de a repórter se envolver em cada ação do protagonista é que parece exagerada. Arriscar a vida assim faz sentido? E por que não a matam de uma vez, em vez de ficar matando as pessoas com que ela vai mantendo contato? Tudo bem, isto é desculpável pelo resto do filme.

Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War)

Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War), drama político de Mike Nichols.

Enredo: Charlie Wilson (Tom Hanks) era um republicano anticomunista que, nos anos 80, tinha como único mérito ter sido “eleito pela quinta vez para o congresso”. Mulherengo, sofrendo acusações de envolvimento com prostitutas e cocaína (por um promotor então desconhecido, Rudolph Giuliani), ele conseguiu a fama ao se envolver com a questão da invasão russa no Afeganistão. Bom, quer dizer, fama futura, já que o que ele fez na época foi algo “por debaixo do pano”: como membro do comitê do Congresso americano que destinava verbas para operações secretas. Com a ajuda de uma conterrânea, mais anticomunista do que ele, a milionária texana Joanne Herring (Julia Roberts) e de um agente da CIA (Philip Seymour Hoffman) insatisfeito com a falta de ação de seus superiores contra os russos, ele formou um trio que influenciou decisivamente a política americana no Afeganistão, convencendo o Congresso a multiplicar dezenas de vezes os fundos destinados aos insurgentes anti-russos. O filme mostra todas as armações do trio, auxiliados por especialistas em armamentos e por uma intrincada teia política, que envolveu afegãos, paquistaneses, israelenses, egípcios e sauditas. Como sabemos, isto deu certo, mas serviu também para armar os talibãs, com as conseqüências conhecidas até hoje. Falta de visão? Talvez não se pudesse prever tão longe…

Avaliação: Marjory, Marcelo e eu achamos muito bom e a Sarah gostou. Mostra a ignorância de muitos envolvidos com o assunto, que mal sabiam a diferença entre afegãos e paquistaneses; expõe como os interesses regionais podem unir inimigos como israelenses e muçulmanos, que se mostram inimigos mais de fachada, para agradar às multidões, mas que têm soldos interesses comuns. E tem diálogos afiadíssimos, com sacadas afiadíssimas, principalmente do ácido agente interpretado por Hoffman.


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