Textos categorizados 'Suspense'

Se Beber, Não Case (The Hangover)

Se Beber, Não Case (The Hangover), comédia com toques de suspense de Todd Philips, 2009. C

Enredo: Um quarto destruído em um hotel em um cassino de Las Vegas, um dente perdido, uma stripper (Heather Graham), um tigre no quarto, uma sova de Mike Tyson, um colchão voador, um carro de polícia roubado, um bebê, uma pulseira de hospital e um chinês enfezado e seus capangas. Um casamento perdido. Quando o futuro sogrão (Jeffrey Tambor) mandou Doug (Justin Bartha) levar sua Mercedes superestimada e divertir-se à vontade em sua despedida de solteiro (afinal, ninguém tem que se lembrar do que fez numa despedida de solteiro em Las Vegas), não imaginava a onda de destruição em que o dentista certinho Stu (Ed Helms), o professor desleixado Phil (Bradley Cooper) e seu filho desmiolado (Zach Galifianakis) iriam envolver o pobre Doug, que, para complicar, desaparece às vésperas do casamento. Através das pistas deixadas no quarto de hotel, os amigos do noivo, ainda de ressaca, vão reconstituir a trilha do desaparecido, para tentar recuperá-lo a tempo de levá-lo ao casamento.

Avaliação: Depois de ajudar na criação da estória em Borat, Todd Philips continua mostrando seu talento nesta comédia radical, politicamente não muito correta, mas engraçada demais… Quando vi o trailer com a Sarah, não nos animamos. Mas, como “Os Normais 2″ não estivesse passando no horário desejado, acabamos vendo este mesmo, com os amigos Davi e Ruth. Toda a platéia mostrava estar se divertindo, as loucuras são de arrasar e o quebra-cabeças vai sendo montado aos poucos, de maneira muito divertida. O Davi gostou, a Sarah, Ruth e eu adoramos. Ótima pedida, já estou até aguardando a seqüência do filme, que já está a caminho.

Risco Duplo (Double Jeopardy)

Risco Duplo (Double Jeopardy), suspense criminal de Bruce Beresford, 1999.C

Enredo: Libby (Ashley Judd) e Nick Parsons (Bruce Greenwood) formam um casal rico e feliz. Ou, pelo menos, é o que pensa Libby até se descobrir suja de sangue do marido, que sumiu no barco onde estavam e ser acusada de matá-lo para ficar com o dinheiro do seguro. Sem ter a quem recorrer, pede à amiga Angie (Annabeth Gish) que cuide do filho pequeno (Benjamin Weir). Presa, julgada e condenada, um acaso a leva a descobrir que seu marido pode estar vivo e que sua morte pode ter sido um golpe. Libby consegue a condicional e escapa do oficial responsável, Travis Lehman (Tommy Lee Jones, em mais um papel de policial “caxias”), um sujeito que está nesta função contra a vontade, por ter provocado um acidente ao dirigir bêbado. Mas é recapturada. Mesmo acreditando que ela possa estar contando a verdade a respeito do marido, Travis tem um dever a cumprir. Mas Libby não desiste e tenta nova fuga.

Avaliação: Vi com a Sarah a primeira vez e, como “Olho Por Olho” e “Prenda-me, Se For Capaz”, é um daqueles que a televisão volta e meia repete – e a Sarah volta e meia assiste. E com razão, pois é muito bom, muito esperto e prende bem. Eu mesmo já o revi uma ou duas vezes. Na primeira vez, achei meio clichê, mas é interessante ver como a heroína busca desvendar este imbróglio. Clichê ou não, o filme prende.

O “double jeopardy” do título em inglês refere-se a uma figura jurídica do direito americano e de outros (creio que seria a exceção da coisa julgada“), pela qual não se pode condenar uma pessoa duas vezes pelo mesmo crime (vejam a análise jurídica em http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9099, mas atenção, porque este link revela detalhes da trama). Tem lá suas forçadas, como a heroína ser condenada por um assassinato sem que haja corpo ou testemunhas, apenas sangue em suas mãos.

Olhos de Gato (Cat’s Eye)

Olhos de Gato (Cat’s Eye), suspense de terror de Lewis Teague, baseado em contos de Stephen King, 1985. C

Enredo: Três estórias unidas por um gato preto, que se faz presente em todas elas, até tornar-se o protagonista da terceira. Na primeira, um fumante (James Woods) resolve seguir a dica de um amigo e largar o vício com os métodos pouco convencionais do Dr. Monatti (Alan King), que usa e abusa de ameaças, aliando-as por vezes a medidas violentas, não poupando nem a família do viciado. Na segunda, um tenista (Robert Hays) torna-se amante da esposa de um mafioso viciado em apostas (Kenneth McMillan) e, pego, vai ter que entrar numa perigosa aposta para salvar sua vida. A terceira mostra nosso gato preto em ação, adotado por uma menininha (Drew Barrymore) a contragosto dos pais dela, que inventam desculpas para se livrar do bichano: alegar que ele pode roubar o ar da pequena enquanto dorme é uma delas. Porém, a menina insiste em dizer que um duende que saiu da parede é quem está roubando seu ar. Pra quê…

Avaliação: A primeira estória é de dar raiva da clínica, que, para um bom objetivo, usa métodos insólitos e abomináveis. A segunda é razoável, mas não me empolgou muito nem na primeira vez que assisti ao filme. A terceira é genial, empolgante, muito bem bolada, o gatinho e Drew Barrymore dão um show. Não há quem assista e não me comente que o filme é muito bom (a Sarah, inclusive, que viu por minha recomendação). O tipo de filme que eu poderia rever “n” vezes.

Apollo 13 (Apollo 13)

Apollo 13 (Apollo 13), suspense
dramático de Ron Howard, 1995.
C

Enredo: “Houston, we’ve had a problem”. Estamos em 1970 e a terceira missão tripulada à Lua será lançada, mas o público já não está tão envolvido pelo assunto. Assim, a partida de Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon) não desperta interesse, a não ser em suas famílias e na equipe em solo, comandada por Gene Kranz (Ed Harris) e apoiada por Ken Mattingly (Gary Sinise), que perdeu a chance de voar na Apollo por causa de um sarampo que nem se concretizou. Perder o vôo talvez tenha sido sua sorte, pois, antes mesmo da chegada à Lua, uma explosão num tanque de oxigênio põe o vôo em perigo. A missão agora não é mais chegar à Lua, mas retornar à Terra em segurança. Com um mínimo de materiais e o máximo de criatividade, a tripulação e a equipe em solo terão de achar uma solução para evitar que a nave fique sem ar e os tripulantes morram sufocados. Agora, sim, a toda a atenção da Terra está voltada para a Apollo 13.

Avaliação: Suspense fantástico, muito bem feito, e que empolga mesmo quando se sabe o fim do drama. Adorei no cinema, adorei em DVD. A Sarah achou bom, mas não excepcional, mas eu usaria este adjetivo sem dúvida alguma. Acompanhar não somente o drama, como a genialidade das soluções que vão sendo criadas, torna-se muito mais envolvente quando nos lembramos que os computadores da época, apesar de enormes, tinham uma capacidade de processamento equivalente a algo como uma máquina de calcular atual.

A Órfã (The Orphan)

A Órfã (The Orphan), suspense de terror de Jaume Collet-Serra, 2009.C

Enredo: O nascimento de Jéssica, terceira filha do casal – era muito desejada pelo casal Kate (Vera Farmiga) e John Coleman (Peter Sarsgaard). Mas Kate perde o bebê e é submetida a uma cirurgia que a impede de ter outros filhos. Após um período de depressão que a leva à bebida, liberta-se do vício com ajuda da psiquiatra Dra. Browning (Margo Martindale). É o momento certo para adotar uma menina – e a candidata surge na figura de Esther (Isabelle Fuhrman), uma garotinha de rosto e atitudes angelicais, talentosa e retraída, trazida da Rússia para o orfanato dirigido pela irmã Abigail (CCH Pounder). A irmã Abigail demonstra satisfação com a decisão do casal, não obstante a intrigue o fato de Esther sempre estar presente a tragédias. Some-se a isto que Esther e John se deram bem logo no primeiro contato. Único conselho de irmã Abigail: não tentem tirar de Esther o lenço que usa no pescoço, pois ela reage… Na casa dos Coleman, Esther mostra talentos precoces: pinta muito bem, em pouco tempo está tocando Tchaikovsky e dominando a linguagem de surdos-mudos para conversar com a filha do casal, a pequena Max (Aryanna Engineer). As duas meninas se dão bem, mas Daniel (Jimmy Bennett) olha desconfiado para sua nova irmã e a repele, assim como quase todos os alunos da escola que freqüentam. E os problemas começam em seguida: um “acidente” com a colega que maltrata a vingativa Esther, as ameaças dela ao irmão, a pressão sobre Max para obter sua cumplicidade, as tentativas de fazer Kate e John se desentenderem e de fazer Kate voltar ao vício da bebida. Ao contrário de John, Kate, pouco a pouco, desconfia da filha e, com a ajuda da irmã Abigail, inicia a investigação dos mistérios do passado de Esther. Uma atividade arriscada e que encontra apenas a desconfiança de John, que acredita cada vez mais na ardilosa Esther e menos na esposa. Azar o dele…

Avaliação: Apesar das críticas quanto aos clichês e situações improváveis que andei lendo, e com as quais concordo em parte, não creio que estas “forçadas” atrapalhem o enredo, e o filme continua sendo um suspense de primeira. A Sarah gostou bastante. Minha mãe achou que prendeu bem mais que “O Seqüestro do Metrô” (a refilmagem de 2009), que assistira recentemente. E você fica realmente tenso o tempo todo, ainda mais porque Isabelle Fuhrman capricha na interpretação. E tem um ótimo apoio na pequena Aryanna Engineer, que, no papel de sua irmã menor e dominada, consegue expressar medo e terror com um requinte próprio e inimitável. Vale a pena ver e tremer.

Os Falsários (Die Fälscher)

Os Falsários (Die Fälscher), drama sobre evento da Segunda Guerra escrito e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, 2007.

Enredo: 1936. Nos primórdios da Alemanha nazista, ainda há lugar para o Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics) ganhar a vida com suas falsificações – cheque, dinheiro, tudo lhe é possível. Mulheres, dinheiro e bebidas vêm facilmente – até que ele é preso pelo superintendente Friedrich Herzog (Devid Striesow). Este comemora a prisão do “Rei dos Falsários”; o outro lamenta o fim da vida mansa e, para este, começam as humilhações e surras destinadas aos prisioneiros, principalmente aos judeus, no campo de concentração de Mauthausen. Quebrando pedras, suas mãos já não conseguem pintar e desenhar, mas ele ainda tem forças para fazer alguns desenhos – e é este seu talento, aliado ao seu passado, que convencem Herzog (novamente ele) a levar Sally para o campo de concentração de Sachsenhausen e usar os serviços do judeu para assumir o comando de uma equipe de peritos judeus de diversas áreas e imprimir (sem trocadilhos…) maior velocidade à maior operação de falsificação já realizada na história, a “Operação Bernhard”. Com ela, os nazistas pretendiam inundar os mercados com falsas libras esterlinas e, posteriormente, dólares falsificados e, assim, arruinar a economia dos aliados. A equipe tem tratamento diferenciado dos outros prisioneiros: são chamados pelo nome (em vez de pelos seus números), suas camas têm colchão, eles não comem a sopa rala dos outros e usam roupas civis. Mas, se isto é um alívio para os sofrimentos de Sally, que leva sua missão a sério, por outro lado, torna-se uma questão torturante para seu colega Adolf Burger (August Diehl) – afinal, eles estão usando roupas tiradas de outros prisioneiros exterminados pelos nazistas, falsificando passaportes a partir de documentos de outros prisioneiros assassinados e convivendo diariamente com os gritos dos outros internos, espancados ou mortos pelos nazistas, sob as ordens do sádico Holst (Martin Brambach), o auxiliar de Herzog que gostaria de eliminar também toda a equipe. As falsificações vão indo bem, passam pelos testes mais difíceis, mas, quando surge o momento de falsificar o dólar, Burger resolve sabotar a operação. Neste momento, Sally tem que tomar uma decisão: arriscar a vida de todos, caso Herzog descubra a sabotagem, ou ajudar Burger e fazer com que eles agüentem até a iminente chegada dos aliados e a possível libertação? E se ajudar Herzog fosse a única maneira de obter os remédios para poder salvar o companheiro Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky)? Por outro lado, se a operação der certo, os aliados perderão a guerra e a equipe será certamente eliminada. Muitas faces de uma questão complicada. E Sally toma sua decisão.

Avaliação: A Gisele e a Sarah acharam este filme (baseado em eventos reais) médio, cansativo. O Carlinhos achou bom, eu, idem. Mas, com o passar dos dias, fui refletindo sobre as cenas e situações e considerei o filme muito bom. Tem momentos mais lentos, certamente. Mas o filme tem cenas sutis, com pouca violência explícita, mas que deixam muito claro o sofrimento dos prisioneiros. Por exemplo:

  1. Diversos deles eram obrigados a caminhar em círculos até a morte para testar as botas que seriam produzidas para os soldados;
  2. Outros manipulavam roupas e documentos que poderiam ter pertencido a parentes seus assassinados.
  3. O terror da chamada dos prisioneiros, que tinham que responder rapidamente pelo número (alguns deles os tinham gravado no braço);
  4. O medo de que as duchas fossem câmara de gás;
  5. Os tiros que se ouviam a toda hora do outro lado dos tapumes.

Outro ponto interessante: além da diferença de opinião sobre como proceder, havia também as diferenças pessoais entre eles, bem exemplificadas pelo desprezo que os judeus que vinham da vida honesta e trabalharam em bancos demonstravam pelo trambiqueiro Sally.

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show)

Quiz Show, A Verdade dos Bastidores (Quiz Show), drama de Robert Redford, baseado no livro de Richard Goodwin, 1994.  C

Enredo: O filme se passa anos 50. O show “Twenty-one”, de perguntas e respostas sobre conhecimentos gerais, tem como atração principal há vários meses Herbert Stempel (John Turturro); mas Herbert não tem classe, não é atraente, é judeu e não é de família tradicional – o que nos bastidores é considerado ruim, sobretudo em termos de anunciantes. A solução da produção é forçar a saída do participante, fazendo com que o novo competidor, Charles Van Doren (Ralph Fiennes), acerte uma pergunta preparada, que Stempel errará. Van Doren é o tipo perfeito para os anunciantes: de família com tradição na literatura, bem apessoado, falante e muito culto, com ele o programa venderá qualquer coisa. Com a saída de Stempel, Van Doren vence seus oponentes sucessivamente, mantém-se no ápice, inclusive, figurando na capa das maiores revistas. Mas Stempel não se conforma e acusa a produção do programa de fornecer as respostas antecipadamente ao rival. Difícil de acreditar: um “Van Doren” fazendo falcatruas? Sujando o nome da família liderada pelo corretíssimo e famoso Charles Van Doren (Paul Scofield)? É então que entra em cena um idealista e talentoso investigador, o advogado Richard Goodwin (Rob Morrow), que trabalha para o Congresso americano. A possível fraude tornou-se, agora, uma questão de interesse nacional.

Avaliação: Baseado em fatos reais, este filme trata de eventos que atraíram a atenção de dezenas de milhões de telespectadores americanos. Vi no cinema e, quase quinze anos depois, com a Sarah. Uma história que pareceria banal adquire clima de suspense investigativo. Muito bom. A Sarah também gostou bastante.

A Rede (The Net)

A Rede (The Net), suspense criminal de Irwin Winkler, 1995.

Enredo: Angela Bennett (Sandra Bullock) vive somente para seu trabalho de analista de sistemas, não tem amigos, exceto por aqueles com quem conversa via computador. E é através de um amigo e colega de trabalho virtual, Dale (Ray McKinnon), que ela recebe um estranho programa para analisar. Dale morre em seguida, quando o avião que o conduzia ao encontro de Angela cai. Ela prossegue investigando o disquete que recebera dele, mas alguém a persegue. sua vida é apagada dos registros públicos e uma nova identidade lhe é atribuída, a de uma criminosa. Ela tem que lutar pra descobrir o que ocorreu e quem provocou isto e sua busca a leva a Jack Devlin (Jeremy Northam) e Ruth Marx (Wendy Gazelle). É então que ela se torna a caça.

Avaliação: Não vi no cinema, acho que por não acreditar que fosse ser bom. Vi na TV em 2008 ou 2009 e poucos meses depois a Sarah também o viu. Muito bom, prende bem, um filme sobre uma época em que a internet nem existia para o público em geral e a trama foi baseada em disquetes e discagens por modem…

A Sétima Profecia (The Seventh Sign)

A Sétima Profecia (The Seventh Sign), suspense dramático e apocalíptico de Carl Schultz, 1988.

Enredo: Abby Quinn (Demi Moore) já perdeu um bebê e também tentou um suicídio. Ela pretende tomar mais cuidados e estressar-se menos com sua atual gravidez e conta com a ajuda do dedicado marido, o advogado Russell (Michael Biehn). Mas o mundo passa por momentos difíceis: uma escalada de conflitos armados, atentados e estranhos fenômenos naturais, como neve no deserto do Negev (Israel) e rios que se transformam em sangue, espalham a morte em países diversos (aliás, o filme faz referência à Nicarágua, então em conflito civil). Em todos os eventos, está a misteriosa figura de David Bannon (Jürgen Prochnow), o mensageiro responsável pelo seu desencadeamento. A cada evento, um envelope contendo um estranho texto é deixado. No encalço desta figura e das calamidades, segue o igualmente misterioso Padre Lucci (Peter Friedman), encarregado pelo Vaticano de verificar se os eventos não configurariam as sete profecias, sinalizando que os excessos do ser humano haveriam provocado a ira de Deus e a chegada do Apocalipse. Quando David Bannon hospeda-se na casa dos Quinn, a gravidez de Abby passa por momentos difíceis e ela crê que o hóspede tenha alguma relação com isto. Ela não consegue convencer o marido e ele a julga assustada demais pela perda do primeiro bebê. Ademais, Russell está ocupado tentando desesperadamente anular a sentença de morte de um assassino confesso e perturbado, que julga ter agido “em nome de Deus”. Abby resolve agir sozinha, investigando seu hóspede e os estranhos papéis que ele mantém em casa, ao passo que seus assustadores sonhos ficam mais freqüentes, assim como os sinais de que as sete profecias estejam, uma a uma, sendo cumpridas, sem que ninguém possa impedir. Ou…

Avaliação: Eis um filme que eu assistira uma ou duas vezes, mas sem ter visto seu início. Em DVD, finalmente pude vê-lo inteiro – e valeu, pois ele vai crescendo aos poucos, num ritmo cativante. Um filme sobre fé, esperança e desesperança, que pode atrair mesmo os mais incrédulos. Aliás, os roteiristas puseram justamente como protagonista uma pessoa sem fé (a Abby, de Demi Moore) – pareceu-me até uma espécie de proselitismo, mas que em nada afetou o interesse que o filme provocou.

Trama Internacional (The International)

Trama Internacional (The International), suspense dramático e criminal de Tom Tykwer, 2009.

Enredo: Eleanor Whitman (Naomi Watts), da Procuradoria de Nova Iorque, e Louis Salinger (Clive Owen), da Interpol, investigam o banqueiro Jonas Skarssen (Ulrich Thomsen), envolvido em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e golpes de estado. Mas, todas as pessoas que podem incriminá-lo, são mortas tão logo concordam em colaborar; nem os policiais estão a salvo… Por trás do banqueiro, um eficiente esquema, engendrado pelo seu braço direito, Francis Ehames (Jay Villiers), seu advogado, Martin White (Patrick Baladi) e por Wilhelm Wexler (Armin Mueller-Stahl), a pessoa encarregada de corromper policiais e providenciar o desaparecimento dos que se mostram obstáculos. Para isto, Wexler usa os serviços de um eficiente “consultor” (Brian F. O’Byrne), que não deixa rastros, nem faz perguntas. Uma vez mais, Whitman e Salinger estão próximos de pegar Skarssen e uma vez mais, um importante colaborador é assassinado e um policial corrupto se interpõe no caminho; de caçadores, a dupla corre o risco de tornar-se a caça. O assunto tornou-se uma questão pessoal para Salinger a ponto dele se dispor a andar à margem da lei para conseguir fazer justiça.

Avaliação: Filmaço, suspense (intrincado, diga-se) de prender na cadeira. Não há tanta ação como o trailer dá a entender, mas tudo bem. E Clive Owen é realmente, como em “Um plano Perfeito”, a alma do filme. Minha mãe e eu adoramos e a Sarah gostou apesar de achá-lo cansativo em muitos momentos. Ah, claro, fiquei me perguntando se muito do que o filme mostra não é a realidade de alguns bancos e empresas que fazem negócios com regimes corruptos.

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far)

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far), épico de guerra de Richard Attenborough, 1977. C

Enredo: Baseado no livro de Cornelius Ryan, o filme trata da “Operação Mercado-Jardim” (“Mercado” referia-se aos paraquedistas e “Jardim”, ao ataque por terra) de 1944, através da qual os aliados, entusiasmados com o sucesso da operação de desembarque na Normandia, pretendiam, com a tomada de uma série de pontes na Holanda, alcançar e destruir a região industrial alemã, no vale do Ruhr. O caminho passava por várias pontes, entre elas a valiosa ponte sobre o rio Arnhem, que dá o título ao filme.

A idéia foi do Marechal Montgomery (“Monty”), que, por meio da influência política, forçou o seu superior, o General Eisenhower – o Comandante das forças aliadas – a apoiá-lo e a preterir os planos de seu rival, o General Patton. Como se percebe desde o início do filme, deixar a estratégia política vencer a militar foi uma péssima idéia.

Erro: não acreditar nos informes da resistência holandesa de que os alemães concentravam muitas tropas para defender a região e basear-se no otimismo gerado pelo Dia D.

Erro: o Tenente-General Browning (Dirk Bogarde), responsável pela operação, insistir em prosseguir mesmo com fotografias aéreas (“poucas fotos”, segundo ele) que mostrando da existência de tanques alemães camuflados na região. Em vez disto, e já cansado de tanto ter que adiar a operação, prefere colocar o responsável pelo levantamento aéreo, Major Fuller (Frank Grimes) “de molho” a fim de evitar a disseminação de possível pessimismo. Aliás, nem o general alemão Model (Walter Kohut) acreditava que os aliados seriam ousados (ou tolos) a ponto de atacar a considerável concentração de tropas, até porque a localidade não oferecia nenhum interesse estratégico. Daí a recusa de Model em explodir as pontes para segurar os aliados.

Erro: acreditar que o exército alemão era formado de crianças e velhos, como se difundia entre os aliados (apesar de que, em certo momento do filme, as crianças aparecerão). Na verdade, as melhores tropas nazistas estão estacionadas na região, comandadas pelo Tenente-General Bittrich (Maximilian Schell) e pelo Major-General Ludwig (Hardy Kruger), que vão segurar Arnhem a qualquer custo – eles preferem explodir as pontes para segurar só aliados, mas Model não concorda, insiste que os aliados não ousariam atacar as pesadas forças nazistas com paraquedistas e que não há nada de importante a ser conquistado na região.

E não foi por falta de experiência prévia, pois os próprios “Jerrys” (nazistas) haviam sido massacrados ao tomar Arnhem, em 1940.

A operação tem vários riscos: mudanças de tempo podem prejudicá-la imensamente, o entrelaçamento entre os diversos pontos de ataque aliado deve ser preciso, uma falha pode provocar o fracasso de toda a operação.

O início da operação aparentemente corre bem, e os alemães recuam muito mais rapidamente do que os aliados podem avançar, já que faltam aos aliados suprimentos, estradas livres e aviões suficientes para lançar todos seus paraquedistas.

A partir de então, acompanhamos o desenrolar de algumas histórias:

O major-general polonês Sosabowski (Gene Hackman), um homem de visão, que percebe estar colocando seus homens numa operação perdida, mas que prefere manter silêncio e ir adiante, é impedido pelo fog inglês.

O Brigadeiro-General Gavin (Ryan O’Neal), temeroso (com razão) com os relatos de seu ajudante-de-ordens holandês (Peter Faber) sobre as condições que seus paraquedistas irão encontrar, sobretudo por tratar-se de ataque à luz do dia, o que os torna mais vulneráveis. E os jipes, tanques e barcos de apoio não chegam.

O coronel Urquhart (Sean Connery), que descobre que vai saltar a muitos quilômetros de Arnhem e ter que se locomover a pé até o difícil alvo. Para piorar, ao chegar ao solo holandês, percebe que os rádios estão com cristal errado e não fornecem comunicação aos jipes que não chegam. Logo é cercado e a munição vai escasseando.

O Tenente-Coronel Horrocks (Edward Fox) será a “cavalaria” que irá em socorro dos paraquedistas – se tiver recursos para tal.

A guarda irlandesa, comandada pelo Tenente-Coronel J. O. E. Vandeleur (Michael Caine), que chega com tanques para depois alcançar e dar suporte aos paraquedistas, criar cortinas de fumaça; mas ele mesmo é logo atacado pelos alemães.

Os paraquedistas do Tenente-Coronel Frost (Anthony Hopkins), que tem a inglória tarefa de tomar a ponte de Arnhem com rifles e algumas armas antitanque; eles testam as forças inimigas, apenas para descobrir que elas são muito mais bem armadas que eles.

O coronel Stout (Elliot Gould), cuja missão é tomar a ponte do Rio Son – e a vê sendo explodida à sua frente…

O Major Julian Cook (Robert Redford) que não tem os barcos necessários à travessia do rio para tomar Nijmegen.

 

Avaliação: É um prazer escrever sobre este filme, um dos melhores que já vi, certamente o melhor filme de guerra. Já o vi duas vezes e meia (a metade do filme na TV eu já tinha perdido). A empolgante trilha sonora de John Addison ajuda a manter o clima, que é arrepiante desde os primeiros minutos de suas quase 3 h (muito rápidas!). Nunca vi tantos astros juntos num filme tão bom. Mesmo sabendo o final do filme, como no “Operação Valquíria”, há um suspense sobre o desenrolar das operações. Há dramas muito bons – em particular, refiro-me à promessa do Sargento Eddie Dohun (James Caan) em levar seu capitão (Nicholas Campbell) com vida de volta aos EUA (com um final surpreendente). Detalhes primorosos, desde a descida dos paraquedistas até as operações em terra.

Diálogos afiadíssimos, com destaque para as frases ácidas do general polonês interpretado por Gene Hackman (ótimo), são o toque tragicômico do filme (quando ele vê que está “no mato sem cachorro”, diz ao seu superior inglês “Só queria ter certeza de que lado o senhor está” ou quando ele exige uma carta do general Browning dizendo que ele, Sosabowski, está executando o plano mesmo estando em desacordo com ele, para o caso de seus homens serem massacrados. Ele mesmo dispensa a carta: “Em caso de sermos massacrados, de que ela adiantaria?”). Elliot Gould é o outro que confere um caráter mais “light” ao filme.

E o Major Harry Carlyle (Christopher Good), sempre com seu guarda-chuva na mão e alto astral, e a surreal negociação da rendição com os alemães (rendição de quem para quem?).

Mais uma afiada: Browning consola Urquhart dizendo que este fez tudo o que podia. “Mas, e os outros, fizeram?”.

No final, ficou difícil arrumar um culpado: a estrada para Nijmegen, a tomada de Nijmegen, o fog inglês?

A Espiã (Black Book/Zwartboek)

A Espiã (Black Book/Zwartboek), drama de espionagem e de guerra com toques de suspense e de romance de Paul Verhoeven, 2006. C

Enredo: 1956. Israel. Um grupo de turistas visita um kibutz. Ronnie (Halina Reijn) reencontra Rachel (Carice van Houten), agora professora neste kibutz. Elas se recordam dos tempos em que estiveram juntas na Holanda. Mas isto traz lembranças amargas a Rachel.

Final de 1944. Segunda Guerra Mundial. Parte da Holanda ainda está sob o jugo nazista. É onde está escondida a cantora judia holandesa Rachel Stein. Quando a fazenda que a abrigava é destruída por bombas – “Aviões alemães descarregando excesso de carga”, diz o rapaz com quem Rachel conversava – ela se refugia com seu salvador num celeiro abandonado, onde são contatados por Van Gein (Peter Blok), da resistência, que lhes propõe juntar-se a um grupo que vai cruzar o rio para o sul da Holanda, já libertado. Para tanto, ela contata o advogado da família, para reaver parte dos recursos custodiados por ele. Ela reencontra a família no momento da travessia, mas os perde para sempre quando uma patrulha alemã metralha os passageiros e saqueia o barco. Somente ela sobrevive. Escondida pelo grupo da Resistência liderado por Gerben Kuipers (Derek de Lint) com a identidade de Ellis de Vries, Rachel aceita participar das ações do grupo. A primeira é o contrabando de armas, que a leva a viajar com o aliado do grupo Hans Akkermans (Thom Hoffmann) – no trem, ela conhece o oficial alemão Ludwig Müntze (Sebastian Koch), chefe da inteligência local – que fica seduzido por ela. Quando um acaso expõe parte do grupo da resistência, Ellis aceita a missão de aproximar-se de Müntze, seduzi-lo, implantar uma escuta no quartel alemão e ajudar na libertação do filho de Kuipers e de seus companheiros. Ela tem sorte, pois o nazista a emprega e é seduzido por ela. De lá para as festas e recepções, o passo é rápido. E o reencontro com o oficial nazista que trucidara sua família (Waldemar Kobus) também. Seguem as primeiras ações apoiadas pela presença de Rachel no quartel inimigo. Mas os revezes vão se acumulando. Haveria alguém infiltrado no grupo? Um de seus contatos estaria trabalhando para os dois lados? A própria Rachel, agora emocionalmente envolvida com o nazista, torna-se suspeita e alvo dos dois lados.

Avaliação: “Baseado em fatos reais”, é o que se lê no início do filme. É bem possível, pois muitos eventos como os narrados no filme certamente ocorreram: resistência, colaboracionismo, subjugação, traições, ações heróicas.

Um filme de 2,5 horas, que passa rápido e provoca muitos momentos de tensão. Além de ser um drama cativante e um “suspensaço” com muito conteúdo, o filme mostra dois fatos que raramente têm vez neste tipo de filme: a punição dos colaboracionistas e o triste pragmatismo dos aliados, ao preservar diversos oficiais nazistas como fontes de informação que pudessem afetar os interesses soviéticos. Pois é, muitos oficiais nazistas de alta patente foram poupados das devidas punições (se é que haveria punição suficiente para eles…) porque seus conhecimentos serviram para deter o avanço do que viria a ser o novo inimigo dos americanos e de seus aliados europeus: os comunistas.

Outra feliz dica de DVD dos amigos Carlinhos e Gisele, este filme já fora indicado pelo nosso amigo Rubens à época em que esteve em cartaz, mas acabamos não o vendo no cinema. 

PS: Minha mãe e irmão viram depois e também adoraram.

O Jogo do Poder (Président)

O Jogo do Poder (Président), suspense dramático de fundo político de Lionel Delplanque.

Enredo: Frédéric Saint-Guillaume (Claude Rich) “criava” presidentes em seu país (pelo que pude entender, a França) e manipulava o poder também na África. O atual presidente (Albert Dupontel), para quem Saint-Guillaume é como um pai, não é exceção. Mas ele tem um problema que nem seu tutor pode (ou quer) solucionar: a juíza Benoît (Florence Thomassin) está chegando perto demais dele na condução de uma investigação sobre os fundos destinados ao desenvolvimento do que seria  uma “arma limpa”. Agravando o quadro, Mathieu (Jérémie Renier), o novo namorado de sua filha, Nahema (Mélanie Doutey), a quem se afeiçoou e colocou para trabalhar perto de si, entreouviu uma conversa do presidente e está fazendo sua própria investigação sobre a tal “arma limpa” – que parece não ser tão limpa assim e ter deixado seqüelas em soldados que a testaram. Para o presidente, saber da trilha seguida por Mathieu implica em convencê-lo de seu não envolvimento e cooptar o talentoso jovem. Mas, e se a verdade chegar ao conhecimento da filha? E se Saint-Guillaume se tornar mais um fator complicador?

Avaliação: Mediano, meio confuso. A idéia é bem legal, mas não foi muito bem desenvolvida, não prende muito, não convence muito – mas dá para passar o tempo.

Olho por Olho (Eye For An Eye)

Olho por Olho (Eye For An Eye), suspense dramático e criminal de John Schlesinger.

Enredo: A tragédia se abate sobre Karen McCann (Sally Field), quando um entregador de compras (Kiefer Sutherland) aproveita a entrada em sua casa, estupra e mata sua filha. O marido (Ed Harris) prefere confiar na polícia, e o encarregado do caso (Joe Mantegna) realmente consegue identificar e capturar o assassino. Mas ele tem bom álibi, bons advogados e sai livre. Inconformada, Karen resolve agir em segredo e por conta própria, comprando uma arma e unindo-se a um grupo de pessoas que já perdeu parentes nas mãos de criminosos que ficaram impunes. Ao mesmo tempo passa a seguir o assassino para alertar suas possíveis vítimas; mas ele faz mais uma e, ao perceber que está sendo seguido, ainda tripudia da mãe ferida. Para quê…

Avaliação: Ótimo, daqueles que você fica acompanhando com gosto a busca pela vingança por parte da mãe. Mas mostra que a trajetória escolhida por ela é perigosa, não servindo de incentivo… Sally Field está ótima, Joe Mantegna convence como o policial que tenta pegar o bandido, mas tem as mãos atadas pelo alcance da lei. A Sarah já viu umas cinco vezes… Ou seriam umas dez vezes?

Louca Obsessão (Misery)

Louca Obsessão (Misery), suspense dramático de Rob Reiner.

Enredo: O famoso escritor Paul Sheldon acidentou-se numa estrada, no meio da neve, no meio do nada. Ou quase nada, porque teve a “sorte” de ser salvo pela enfermeira Annie Wilkes (Kathy Bates), que passa a cuidar de suas pernas quebradas. E com muito carinho, pois ela é fã ardorosa da personagem Misery, criada por Sheldon, que, num ato de gratidão, permite à Annie ler os originais de seu último livro, no qual Misery vai morrer. Xiiiii. É aí que começa o pesadelo de Sheldon, pois, alternando momentos de cuidados e brutalidade, a enfermeira recorre a todos os meios para fazê-lo ceder e alterar o final da trama, poupando sua personagem-heroína. A única chance de Sheldon, imobilizado na cama, é que o sagaz xerife (Richard Farnsworth) não se dê por vencido e continue as buscas pelo escritor, pois Annie não avisou a ninguém do resgate e só mais alguém sabe desta presença: a porquinha de Annie, que atende pelo nome de… Misery. Haja obsessão.

Avaliação: Mais uma felicíssima adaptação de Stephen King (não que todas tenham sido felizes). Kathy Bates mereceu o Oscar (1990), ela está “assustadoramente assustadora”. Brrrr! Eu vi duas vezes, a Sarah já deve ter visto uma meia dúzia… Mas cuidado, há algumas cenas fortes (quando a fanática personagem de Bates “convence” o escritor a seguir suas instruções).

24h Para Morrer (Oxygen)

24h Para Morrer (Oxygen), suspense policial de Richard Shepard.

Enredo: Bandido (Adrien Brody) seqüestra esposa (Laila Robins) de um milionário (James Naughton), pede resgate, mas é pego. Caso encerrado? Não, porque a vítima está literalmente enterrada num caixão que tem ar para apenas 24 horas. Ou seja, não se trata de invadir um esconderijo e matar um bandido, trata-se de fazê-lo confessar – usando apenas as armas que a lei faculta – no menor tempo possível. E o manipulador criminoso ainda consegue desestruturar a policial responsável pelo caso (Maura Tierney), pois conhece suas fraquezas, dentre elas,  seu  mau relacionamento com o marido policial

Avaliação: Sufocante, revimos este filme de 1999 em 2009. Vale a pena; não é excepcional, mas prende bem; tem uma cena mais “nojenta”, quando o bandido escapa das algemas na delegacia. Se tiver estômago mais fraco, é só evitá-la…

Nem Tudo É O Que Parece (Layer Cake)

Nem Tudo É O Que Parece (Layer Cake), drama e suspense criminal de Matthew Vaughn, 2004.

Enredo: Um autodefinido “empresário da commodity cocaína” (Daniel Craig), cioso de sua discrição, vai se sofisticando e ascendendo às altas esferas do crime da Inglaterra (esta subida de níveis é o tal “layer cake” do título). Mas, volta e meia ele tem que escolher um lado ao qual se aliar, ou seja, para quem vai vender sua droga? Não se trata somente de preço, mas de se indispor com um ou outro. Para complicar, naquela que deveria ser a transação que o levaria à aposentadoria, ele descobre que seu lote de drogas foi roubado de uma perigosa e violenta máfia sérvia, que quer ou a droga de volta ou sua cabeça (literalmente). E, a cada hora, ele parece arrumar mais inimigos e traidores.

Avaliação: Vi este filme duas vezes em poucos meses e continuei achando confuso. Uma profusão de gangues e de nomes que perturbam um enredo relativamente interessante. Além de uma violência excessiva, Daniel Craig só apanha, mesmo quando parece estar se dando bem… Médio.

O Enigma do Mal (The Entity)

O Enigma do Mal (The Entity), suspense sobrenatural de Sidney Furie, 1983.

Enredo: A jovem dona de casa Carla Moran (Barbara Hershey) vive pacatamente com seus filhos até que começa a ser vítima de uma entidade que a persegue – no início, só em casa e, depois, por todos os lugares. A entidade não tem forma, voz ou cheiro, mas Carla sente o toque de mãos, empurrões, agressões mais violentas até contra o filho, que procura defendê-la. Então, o estupro. Ela fica convencida de que precisa de ajuda. Começa com um terapeuta (Ron Silver), que nada constata nos exames, pelo que, credita a narrativa da paciente à educação rígida e ao medo do sexo da mesma. Mas os eventos continuam e ela recorre a parapsicólogos, que se dão conta que estão lidando com algo realmente desconhecido e violento. Eles planejam, então, um meio para capturar a criatura, contra o que se opõe o terapeuta de Carla, devido ao iminente perigo a que ela estará sujeita. A experiência começa, mas…

Avaliação: Vi o filme em vídeo pouco depois do lançamento e o revi junto da Sarah, já em DVD, em 2009. A história é dada como real… Não creio em fantasmas, mas o filme é realmente assustador. O diretor criou um clima de tensão crescente e apavorante. Brrr…

As Duas Faces de Um Crime (Primal Fear)

As Duas Faces de Um Crime (Primal Fear), suspense de tribunal de Gregory Hoblit.

Enredo: O afável e retraído coroinha Aaron (Edward Norton) foi ou não o responsável pelo sádico assassinato do bispo Rushman (Stanley Anderson)? Ele tinha razões para cometer tal crime? Havia uma terceira pessoa no local do crime? Vários interesses envolvem a figura do bispo, já que o mesmo estava ligado a grupos responsáveis por transações imobiliárias escusas. De outro lado, uma fita de “pornô caseiro” levanta outras suspeitas… Cabe ao esperto advogado Martin Vail (Richard Gere) defender o rapaz – e, claro, cair no gosto da mídia; mas ele envolve-se demais e procura, com a ajuda de uma psiquiatra (Frances McDormand), mostrar que, sendo Aaron o homicida, seu caso seria de internação psiquiátrica. Porém, ele tem uma fortíssima adversária na promotora (Laura Linney), que quer a pena de morte.

Avaliação: Este filme de 1996 já havia sido muito recomendado pela minha mãe, pelo final surpreendente. Assistíramos à época e revimos no cabo. Surpreende mesmo! E Edward Norton arrasa – não é à toa que ele, então ator iniciante, foi logo indicado ao Oscar de coadjuvante.

Um Ato de Liberdade (Defiance)

Um Ato de Liberdade (Defiance), drama histórico e de guerra de Edward Zwick.

Enredo: 1941. Hitler inicia a operação Barbarossa e avança em direção à União Soviética, rompendo o acordo de não-agressão com Stalin. A Bielo-Rússia é invadida e os judeus, presos ou exterminados nas cidades e vilarejos. Entre as famílias massacradas com ajuda de simpatizantes nazistas nas “limpezas” está a dos Bielski. Os quatro irmãos sobreviventes refugiam-se na floresta próxima ao seu vilarejo e, com poucas armas e quase nenhum apoio da resistência bielo-russa e russa (muitas vezes até hostilizados por ela), vão fugindo e abrigando cada vez mais pessoas que conseguem resgatar de esconderijos ou de cidades que vão caindo. Em pouco tempo, judeus fugidos de todas as partes passam a procurar a proteção dos “Bielski”. Tuvia (Daniel Craig), o mais velho, assume a liderança da recém-formada Otriad (Brigada) Bielski e encarrega-se de vingar a morte dos pais atacando o chefe de polícia local. O impetuoso, ácido e muitas vezes imprudente Zus (Liev Schreiber) quer se juntar aos resistentes comandados pelos russos. O jovem Asael Bielski (Jamie Bell) também auxilia Tuvia, mas o irmão menor (George McKay) está traumatizado com a visão do massacre dos pais e sem fala. O tempo passa, eles vão conseguindo fugir, mas Zus junta-se definitivamente à resistência russa (que, mesmo desprezando os judeus, vê em Zus e seus homens bons combatentes). Com o crescimento do grupo de Tuvia, forma-se uma efetiva comunidade, com ensino e até um local para rezas. Mas a comida e armas obtidas de ataques e junto a poucos simpatizantes não são suficientes. Para piorar, uma epidemia de tifo põe todos em perigo. Não há remédios, o cerco nazista está cada vez mais próximo e há constantes ameaças de delação pelos aldeões. .

Avaliação: Excelente. Além da Sarah e eu, minha mãe e meu irmão haviam adorado o filme, que mostra um punhado de pessoas com poucas armas e comida (além de pouco apoio dos habitantes locais, quando não traídos por eles) que conseguiu escapar dos nazistas – que recorreram até aos bombardeios… Muitos dos que lá estavam (entre eles os Bielski mais velhos) perderam pais, esposas, filhos, casaram-se novamente (com as “esposas da floresta”, como eram chamadas as moças que conheciam no grupo), reconstituíram famílias e procuraram levar uma vida “normal” dentro do inferno a que foram submetidos. Uma história de sobrevivência, de traições, mas também de gente que, mesmo arriscando suas vidas, ajudava de coração os fugitivos. Vidas; histórias que nem o poderio e a insanidade nazista conseguiram apagar.

Awake, A Vida Por Um Fio (Awake)

Awake, A Vida Por Um Fio (Awake), suspense dramático e criminal de Joby Harold.

Enredo: Clayton (Hayden Christensen) tem uma vida privilegiada; herdeiro de “metade dos imóveis da cidade” mantém obras filantrópicas e é um muito bem sucedido homem de negócios, que namora a bela e carinhosa Samantha (Jessica Alba). Mas, sempre um “mas”… Ele tem uma mãe superprotetora (Lena Olin), condição que se potencializa com a e a trágica morte do pai de Clay. Certamente, não haverá aprovação do namoro. O outro “mas” reside na frágil condição de saúde de Clay que precisa de um transplante de coração urgente – além das dificuldades naturais, seu tipo sanguíneo torna mais difícil um doador compatível. Finalmente surge um coração e, sabedor de que esta será uma cirurgia da qual poderá não retornar Clay realiza seu sonho, casando-se com Sam um dia antes. Ele está seguro, pois será operado pelo grande amigo Jack Harper (Terrence Howard) – mais uma vez a contragosto da mãe, que tem seu cirurgião preferido (Arliss Howard) e não aprecia nada o fato do Dr. Harper já ter perdido alguns pacientes na mesa de cirurgia. “A cada ano, uma em cada 700 pessoas acordam durante a cirurgia”… Clay é uma delas. Pior para ele, pois, consciente a cada momento da operação, mas incapaz de se mover ou de se comunicar, ele ainda descobre estar envolvido num complô de assassinato – o dele…

Avaliação: Quando passou no cinema, pareceu tétrico demais – um sujeito que permanece consciente ao longo de sua cirurgia cardíaca. Aconselhados pelos amigos Carlinhos e Gisele, resolvemos assistir em DVD. Valeu a pena: a trama é ótima, a aflição de acompanhar a consciência do operado e as tentativas do mesmo para avisar “ei, estou acordado” geram um ótimo suspense. E tem um final surpreendente. Para quem não tem muito estômago, alerto que há cenas de cirurgia com peito aberto que não são muito fáceis…

Capote (Capote)

Capote (Capote), drama histórico e biográfico com toques de suspense criminal de Bennet Miller.

Enredo: Em 1959, após um assalto que não rendeu fruto algum, uma dupla (Clifton Collins Jr. e Mark Pellegrino) chacinou uma família no Kansas, EUA. O escritor Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) e sua parceira Nelle Harper Lee (Catherine Keener) foram ao local escrever um artigo sobre o caso para a revista New Yorker. Mas, em vez do artigo, Capote viu a chance de escrever o “livro de sua vida” – e assim foi. Ao longo de vários anos, Capote conseguiu extrair de Perry Smith (Clifton Collins Jr.) a dramática história de sua vida, mas nunca os detalhes do assassinato, o que não lhe permitia terminar o livro. . Enquanto a trama se desenrola, percebe-se que o assassino manipula Capote para, com a influência deste, conseguir advogados, adiamentos da sua sentença de morte e, quem sabe, a liberdade. Por outro lado, Capote também manipula o assassino (e esta manipulação mútua por vezes soava como um envolvimento mais profundo), para dele extrair a base para um texto cativante, que foi (para desgosto do assassino) chamado de “A Sangue Frio”.

Avaliação: Nunca vi cenas do verdadeiro Capote, mas pode-se dizer que Philip Seymour Hoffman está ótimo, carregado de maneirismos, trejeitos, com um jeito às vezes debochado, às vezes tão envolvido com o assassino que fica realmente triste com o seu destino – sem, no entanto, deixar de aproveitar esta proximidade para compor uma obra-prima.

Foi um filme que preferi não ver no cinema, apesar do Oscar de melhor ator para Hoffman, por crer que seria chato. Vi no cabo e gostei – mas realmente não foi grande perda no cinema. Minha mãe, a quem recomendei, também estava gostando, mas não conseguiu ver até o fim, dado o horário. Se passar na TV ou tiverem oportunidade de pegá-lo na locadora, pode ser uma opção.

A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa (The Trail of the Pink Panther)

A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa (The Trail of the Pink Panther), comédia criminal de Blake Edwards.

Enredo: O diamante Pantera Cor-de-Rosa foi roubado novamente. O reino de Lugash requer que o próprio Inspetor Clouseau (Peter Sellers) cuide do caso. O Inspetor-Chefe Dreyfus considera o pedido um absurdo, porque sabe que estará enviando um atrapalhado; mas ele reflete… “Quer saber, deixe que eles descubram o desastre onde estão se metendo”… Ocorre que o novo governante do país já recebeu o dinheiro pelo seguro do diamante e, pensando bem, seria melhor Clouseau não descobrir o paradeiro do diamante. E é então que, misteriosamente, o avião que leva Clouseau some sob o oceano. Cabe à repórter Marie Jouvet (Joanna Lumley) entrevistar aqueles que conheceram Clouseau: Sir Charles Litton (David Niven), sempre suspeito de ter sido o primeiro ladrão do Pantera, a esposa dele (Capucine) e que também é ex de Clouseau, o fiel mordomo e assistente Cato (Burt Kwouk), o pai do detetive (Richard Mulligan) além dos próprios companheiros de polícia, o inspetor-chefe Dreyfus (Herbert Lom) e o assistente de Clouseau, Hercule La Joy (Graham Stark). Alguns têm o que falar da sorte ou das trapalhadas de Clouseau, outros (leia-se Dreyfus) mal podem conter as risadas quando entrevistados sobre a genialidade e a bravura do desaparecido…

Avaliação: Após a morte de Peter Sellers, Blake Edwards reuniu cenas não aproveitadas e também de outros filmes da série para montar esta sexta estória do atrapalhado Clouseau. Juntou a elas entrevistas com os ex-colegas do detetive, o Fantasma (Sir David Niven, em seu último filme) e, assim, reaproveitou cenas já utilizadas. Fez uma combinação inteligente, mas que começa a perder a graça quando Clouseau some e entra a repórter. Aliás, a graça a partir deste momento reside nas lembranças de personagens como Cato (Kwouk), pois é aí que o diretor conseguiu fazer um apanhado dos melhores momentos de Sellers. Bom, a entrevista com Dreyfus, o chefe de Clouseau… A cada elogio que a repórter tece a Clouseau, o inspetor mal consegue conter as risadas (e nós também). A entrevista com o pai de Clouseau é legal porque mostra a infância também desastrada do herói. Mas legal mesmo são as cenas dos créditos, que são um apanhado dos melhores desastres perpetrados pelo detetive trapalhão.

Pacto Sinistro (Strangers on A Train)

Pacto Sinistro (Strangers on A Train), suspense criminal dramático de Alfred Hitchcock.

Enredo: Guy Haines (Farley Granger) é um tenista de relativo sucesso, mas com vida amorosa mal sucedida. Sua mulher, Miriam (Kasey Roger) o traiu e engravidou de um dos amantes. Neste ponto, Guy já está envolvido com Anne Morton (Ruth Roman), a filha do senador Morton (Leo G. Carroll) e quer apenas consumar o divórcio – o que Miriam lhe recusa, pois pretende aproveitar o dinheiro e a recente fama do marido (obs.: estamos nos anos 50, não havia como determinar de quem era o filho que estava por nascer).

Numa viagem de trem, Guy é abordado por Bruno Anthony (Robert Walker), que andou lendo as fofocas nos jornais sobre o caso de Guy com Anne e lhe propõe um pacto: Bruno eliminaria a inconveniente e abusada Miriam, enquanto Guy providenciaria a morte do rico pai (Jonathan Hale) de Bruno, para que este pudesse finalmente viver como playboy e sem preocupações financeiras. Seria uma troca a fim de evitar suspeitas. Obviamente, Guy recusa, mas Bruno confere outra interpretação à conversa e “faz sua parte” do pacto, passando a atormentar Guy para que ele “cumpra a sua”, sob pena de incriminá-lo. Afinal, ele está com um isqueiro de Guy, que poderia ser plantado no local do crime, e contra Guy pesam as brigas com Miriam e o fato de ter expressado o desejo de matá-la. Qual a saída? Como provar sua inocência, se seu álibi é apenas um professor bêbado e de memória apagada? Constantemente vigiado pela Polícia, Guy dependerá da dedicação da namorada e da espevitada irmã dela (Patricia Hitchcock) para resolver seu dilema.

Avaliação: Eu já tinha ouvido falar do tal pacto deste filme (aliás, reproduzido por Danny de Vito na comédia “Jogue Mamãe do Trem”), mas não imaginava que o filme fosse tão bom. Assistimos o DVD (que faz parte da coleção de clássicos da “Folha de São Paulo”) sem pretensão, mas tivemos uma ótima surpresa. Algumas cenas hoje soariam como clichês do suspense ou até não causariam surpresas (como as do carrossel desgovernado ou Guy decidindo ir à casa de Bruno – para fazer o quê?), mas são muito bem elaboradas, encenadas. O filme prende, não tanto pelo suspense, que não é de tirar o fôlego, mas simplesmente pelo excelente enredo e construção dramatúrgica.

Curiosidades:

  1. O papel da avoada mãe do assassino é por Marion Lorne, que faria também a avoada Tia Clara no seriado “A Feiticeira”.
  2. A esposa assassinada é papel de Kasey Rogers, a Louise Tate do mesmo seriado.
  3. Barbara, a irmã de Anne, foi um dos primeiros (e poucos) papéis da filha de Hitchcock, Patricia.

Presságio (Knowing)

Presságio (Knowing), suspense dramático de ficção científica de Alex Proyas.

Enredo: 1959. A jovem Lucinda Embry (Lara Robinson) é isolada, desatenta, estranha…  Isto porque ouve vozes que lhe sussurram presságios. E são estes presságios que ela transforma em números que passa para um papel que vai ser enterrado com os desenhos dos colegas numa “cápsula do tempo” que o colégio criou. 2009: A “cápsula do tempo” é aberta e cada aluno recebe um dos papéis de 1959. O de Lucinda acaba com Caleb Koestler (Chandler Canterbury), que também passa a ouvir as vozes que sussurram. Cabe ao pai de Caleb, o astrofísico John (Nicolas Cage) descobrir que os números representam datas e número de mortos em acidentes: do atentado às torres gêmeas a outras catástrofes da Humanidade. Mas sobram três datas futuras e vários algarismos entre as datas. John sente que ele e Caleb têm um papel especial nestes eventos que estão por vir. E então John percebe o significado dos algarismos que parecem estar sobrando… E procura descobrir o paradeiro de Lucinda para ajudá-los. Mas ela…

Avaliação: Ótima idéia, instigante, mas mal acabada, principalmente porque acaba abusando da ficção científica e abandonando o suspense. Nos momentos em que não havia cenas de catástrofes ou suspense, eu perdia a concentração. Ou seja, drama por si só não bastava. A Sarah achou regular e minha mãe gostou, mas como eu, isto é, mais da idéia básica do que do desenrolar.

Frost/Nixon (Frost/Nixon)

Frost/Nixon (Frost/Nixon), drama com tons históricos e de suspense de Ron Howard. C

Enredo: Uma “barbada”? Nem tanto… Aquela entrevista se transformaria num embate entre dois gigantes.

1977. Três anos após a renúncia de Richard Nixon para evitar seu impeachment, ele preocupava-se apenas em deixar seu confortável rancho na Califórnia e voltar ao centro do poder, a costa leste dos EUA. David Frost (Michael Sheen), um apresentador de programas de auditório na Austrália, viu na entrevista a chance de dar um grande salto em sua carreira. O entrevistado? O hábil manipulador Richard Nixon. Bastaria fazer o jogo de perguntas e respostas correto e obter uma até então impensada confissão para que Frost e sua entrevista fizessem sucesso e seu investimento pudesse ser recompensado. Afinal, o agente literário e televisivo do ex-presidente, o esperto Swifty Lazar (Toby Jones) havia “esfolado” ao máximo o jornalista ao cobrar o cachê de 600 mil dólares pela almejada entrevista. Os patrocinadores de Frost minguavam e os três primeiros blocos de entrevista estavam muito fracos, para desespero dos assistentes de Frost, os politicamente engajados e profundos conhecedores do caso James Reston Jr. (Sam Rockwell) e Bob Zelnick (Oliver Platt). Afinal, Nixon e sua equipe, capitaneada pelo seu fiel “cão de guarda” Jack Brennan (Kevin Bacon), tomavam as rédeas da entrevista, mesmo quando Frost elaborava perguntas incomodas e constrangedoras. Eis que começa o quarto round (ôps, bloco), com perguntas sobre o escândalo de Watergate. E o aparentemente desligado Frost parece que vai conseguir virar o jogo…

Avaliação: Filmaço, a Sarah, minha mãe e eu adoramos. Michael Sheen e Langella estão ótimos, Sam Rockwell e Toby Jones também. Uma lição de história, com clima de suspense e toques cômicos de fina ironia (dados pelo Nixon de Langella, espezinhando a todo o momento seu adversário, pela frente e pelas costas, e mostrando-se ávido pelo dinheiro que obteria com a entrevista). Bem melhor que o “Quem Quer Ser Um Milionário?”, pena que não tenha levado nenhum Oscar… Deve sair de cartaz logo, logo, então, não percam!

Aproveitando, reproduzo o corretíssimo comentário da cinéfila Marjory: “Como o próprio ator que faz o Frost (Michael Sheen, de A Rainha) disse a David Letterman, quem lê a sinopse sobre o filme diz: ah, não vou assistir, não pode ser bom um filme sobre uma entrevista!! Pois o filme te deixa grudado na tela, louco pra saber o final… O roteiro é impecável, o dialogo e embate entre os dois é brilhante, e mesmo que não se saiba muito sobre os detalhes de Watergate, você fica lá, preso no embate entre esses dois homens, um com razão maior que outro para vencer a batalha, afinal os dois tinham muito a perder ou a ganhar e tudo dependia dessa entrevista. David Frost queria fazer carreira na America e estava praticamente falido, pois colocou todo seu dinheiro nesta entrevista (que ninguém queria bancar) para desmascarar Nixon. Nixon por sua vez queria provar ao povo Americano que era inocente e foi um bom presidente. Assistam, e me digam se não parece uma luta de boxe de dois monstros!  imperdível!”

Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire), drama romântico com toques de suspense e comédia de Danny Boyle.

Enredo: Jamal Malik (Dev Patel, quando adulto) está sendo espancado e torturado por policiais, sob suspeita de fraude no concurso “Quem Quer Ser um Milionário”, da televisão indiana. Perto do prêmio máximo, de 20 milhões de rúpias (uma verdadeira fortuna), o apresentador “sorriso-nota-de-R$35″ do programa (Anil Kapoor) chega à conclusão que o auxiliar-de-atendente-de-call-center não tinha conhecimentos suficientes para ter chegado tão longe. Foi sorte? Jamal tinha um fone de ouvido escondido e lhe sopravam as respostas? E é num intervalo dos espancamentos que ele conta aos policiais sua trajetória, demonstrando que as respostas estavam todas em passagens de sua vida. Assim, vemos sua extremamente miserável comunidade de favelados (os “slumdogs” ou, em tradução literal, “cães de favela”) vivendo do e no lixo, as perseguições religiosas sofridas (já que integrava a minoria religiosa), as ligações e as divergências com o irmão Salim (Madhur Mittal, quando adulto) – que acaba escolhendo o lado do crime –, a exploração da mendicância e da prostituição infantil, os conflitos entre as gangues que dominam as favelas e o “glamour” de seus chefes. E Jamal vai crescendo, entre encontros e desencontros de seu irmão e de sua paixão de infância e companheira de infortúnios Latika (Freida Pinto, quando adulta). Seu sonho: chegar ao programa e assim ser visto por seu grande amor e, quem sabe até, ficar milionário.

Avaliação: A Sarah achou lindo, muito bom. O Sérgio, Ana Paula e eu achamos bom. Talvez eu tenha passado pela mesma situação que me narraram meus cinéfilos amigos Marjory e Marcelo, ou seja, grandes expectativas por causa do sucesso de bilheteria que já antecedia os oito Oscar que o filme levou. O filme é bom, mas, a exemplo do blockbuster Titanic, fico contra a maré e acho que não era nem para Oscar. De qualquer forma, o diretor soube aproveitar bem esta turma de cativantes atores. Como a Sarah falou, a trama em si é muito boa. E mostrou uma miséria e exploração com as quais eu só tomara contato em parte, e, mesmo assim, sem este visual perturbador. Realmente chocante (aliás, há algumas cenas muito pesadas, principalmente na parte da exploração das crianças).

Círculo da Morte (The Circle)

Círculo da Morte (The Circle), suspense criminal de Sidney J. Furie.

Enredo: O reitor Spencer Runcie (Treat Williams) dirige o Colégio que herdou dos antepassados com orgulho e mão de ferro. Quem “domina a área” é o quinteto de alunos auto-intitulado “O Círculo”, que coloca escutas nas salas de professores e do Diretor, pune alunos que mexem com drogas e se diverte em provocar Smitty Jacobson (Aaron Poole), o aluno responsável pelo corpo discente. O quinteto faz mais uma de suas estripulias e rouba o gabarito a prova de Física, porém, deixa rastros e Runcie sai à caça do(s) responsável(is). À base de muita ameaça, Runcie obtém um delator e um dos alunos do quinteto é expulso da escola (sem chegar a entregar os colegas). O suspeito da delação é o tímido Marcus Faulkner (Jamie Robinson), colega de quarto de um dos alunos do “Círculo”, Alex (Robin Dunne). O corpo de Marcus é descoberto sob uma ponte, vítima de aparente suicídio. Mas Alex descobre um bilhete para o falecido pedindo um encontro na mesma ponte por parte da aluna (Malin Ackerman) de quem Marcus tentava se aproximar – para Alex, trata-se de assassinato e ele desconfia de vingança do seu amigo expulso. Indo contra seus amigos e contra Runcie, Alex resolve investigar – e a sofrer ameaças de desconhecidos.

Avaliação: Um daqueles DVDs empoeirados numa banca de jornal… Revelou-se para nós um filme entre médio e bom; vale como passatempo, mas não fará falta se não for assistido, pois os personagens não cativam tanto, e a trama, idem.

Dúvida (Doubt)

Dúvida (Doubt), drama roteirizado e dirigido por John Patrick Shanley. C

Enredo: A rígida, conservadora e quase cruel Irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep) definitivamente não gosta do Padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman), seu superior hierárquico. Como madre-superiora do colégio Saint Nicholas, está à frente da orientação educacional dos alunos, entretanto, são os homens religiosos quem ocupam os cargos de comando. As vistorias feitas por ela nas salas de aula são momentos de terror para os alunos, que encontram conforto e atenção nas conversas e nos progressistas e leves sermões do padre Flynn. O momento é de atenção no colégio que, neste ano de 1964, recebeu seu primeiro aluno negro (Joseph Foster), que sofria grave discriminação nos colégios públicos por onde passava. A preocupação do colégio é evitar ataques dos alunos a este novo integrante. O confronto entre Irmã Aloysius e Padre Flynn emerge claramente quando a Irmã James (Amy Adams) detecta um possível indício de uma “relação imprópria” entre o Padre Flynn e o aluno recém-chegado. Mesmo sem provas, a Irmã Aloysius age movida pela certeza de que seu superior teve um mau comportamento. Mas ela está certa de suas acusações ou tem dúvidas sobre elas? Será que sua única certeza não seria o desejo de afastar o Padre Flynn e seus ventos de modernidade?

Avaliação: Minha mãe, a Sarah e eu gostamos muito mesmo. Os discursos do padre (Hoffman) sobre a dúvida e a intolerância casam muito bem com o filme e os embates entre a freira (Streep) e o padre são excelentes. A ingênua freira representada por Amy Adams (ótima) realmente aparenta estar perdida entre dois fogos e o diálogo entre a freira (Meryl Streep) e a mãe do garoto (Viola Davis) é pesado e doloroso. Teria havido assédio sexual contra o garoto ou o padre apenas procurava dar ao mesmo a acolhida que ele não receberia dos colegas? Um ótimo filme, carregado de sutilezas.

Operação Valquíria (Valkyrie)

Operação Valquíria (Valkyrie), drama histórico de guerra com toques de suspense de Bryan Singer. C

Enredo: Segunda Guerra.

África. O coronel Claus von Stauffenberg (Tom Cruise), herói do Exército alemão, foi transferido para a frente de batalha na África por criticar Hitler. Ele é mutilado em ataque dos aliados, perde uma mão, dedos e um olho – o que o deixa ainda mais convencido da estupidez dos rumos dados à Alemanha por Hitler. Conclui que a lealdade a Hitler não condiz com seus deveres para com seu país e nação.

Fronte oriental. O Major-General Henning von Tresckow (Kenneth Branagh) recebe Hitler em sua base, mas a bomba engenhosamente preparada por Tresckow não detona no avião que conduz o ditador de volta à Alemanha – mais uma chance de eliminar o ditador alemão é perdida mas, ao menos, Tresckow consegue recuperar a bomba antes de ser descoberta.

Alemanha: Tresckow não desiste e sugere a seus aliados o nome de Von Stauffenberg para levar a cabo mais uma tentativa. O inseguro General Friedrich Olbricht (Bill Nighy) e o decidido General Beck (Terence Stamp) dão ao competente Stauffenberg o comando do plano, que é chamado de Operação Valquíria, referência ao plano contingencial para acionar a reserva do Exército sob o comando do Major Remer (Thomas Kretschmann) em caso de perda de comunicação ou morte de Hitler. A idéia de Stauffenberg é alterar as ordens do plano e, assim, utilizar a própria reserva do exército contra as temíveis SS, depois de o próprio Stauffenberg ter matado Hitler no seu bunker “Toca do Lobo” e cortado as comunicações do bunker com o auxílio do inicialmente vacilante General Erich Fellgiebel (Eddie Izzard). A morte do ditador seria conseguida por intermédio de uma bomba preparada pelo Coronel Von Quirnheim (Christian Berkel) e colocada numa pasta que seria deixada por Stauffenberg sob a mesa de reuniões no bunker. Após a explosão e a destruição das SS pelo Major Remer (que contribuiria involuntariamente, pois não sabia dos planos), o oportunista General Friedrich Fromm (Tom Wilkinson) assumiria o comando das Forças Armadas (razão pela qual aderira ao golpe…)

Entre optar por uma bomba discreta ou uma poderosa, ficou-se com a primeira opção. E, como se sabe, a bomba explodiu num ponto da sala onde não causou grandes estragos e Hitler escapou quase ileso. Mas Stauffenberg e seu ajudante-de-ordens, o tenente von Haeften (Jamie Parker), saíram do local pensando ter conseguido seu intento e prosseguiram com os planos que, também sabemos, não foram levados a cabo a contento. Infelizmente…

Avaliação: Pena, pena, pena… Milhões de mortos e feridos teriam sido evitados se este atentado tivesse funcionado. Foi uma lição de história, pois eu não sabia quem estava envolvido além de Stauffenberg e que os conspiradores haviam tentado dar prosseguimento ao golpe enquanto as notícias vindas do bunker eram imprecisas. Apesar de conhecer o final e o destino do grande Stauffenberg e de seus aliados, fiquei preso à cadeira pelo suspense, torcendo para que o final pudesse ser alterado… Minha mãe gostou muito, eu adorei (mais um filme legal nesta safra atual), mas a Sarah achou de regular para bom. Como meu amigo Flavio (Biriba), que conhece bem a história dessa época, também gostou muito do filme, temos um bom sinal…

Serviu para mostrar que, apesar de o grosso da população alemã ter apoiado Hitler, houve heróis que resistiram a ele (claro, alguns, como o general Fromm, foram oportunistas, mas…).

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