Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane)

Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane), suspense de terror de Dan Trachtenberg, produzido pela Bad Robot (de J. J. Abrams), 2015.

ENREDO: A última briga foi a gota d’água para Michelle (Mary Elizabeth Winstead) e ela deixa o namorado e pega a estrada. E vem o acidente. Quando ela acorda, está algemada a uma cama, com a perna machucada e alimentada por soro. O dono do local, o militar aposentado da Marinha Howard (John Goodman) lhe explica que a salvou do acidente e que a está abrigando em seu bunker, pois o país foi atacado por alguma arma radioativa… ou química, talvez lançada por russos.. ou norte-coreanos… ou mesmo por marcianos. E que a população que ainda não foi dizimada no ataque morrerá assim que exposta ao ar livre. Por causa do abrigo, só escaparão Howard e Michelle… e Emmett (John Galagher Jr.), que, como ele mesmo explica, “feriu-se tentando entrar no abrigo de Howard, que ajudou a construir”. Tudo soa estranho, mas Michelle vai ganhando a confiança de Howard e algumas pistas do pouco que pode ver do mundo exterior parecem confirmar a história dele. Mas outras pistas parecem mostrar que se trata de um paranoico perigoso e um potencial assassino. Entre crer e não crer no “anfitrião”, entre ficar por lá o longo tempo necessário para que o perigo se dissipe e tentar fugir, Michelle passará por momentos de suspense, terror e dúvidas persistentes.

AVALIAÇÃO: As provas num sentido e noutro vão se alternado – Howard é mesmo um paranoico que quer manter seus dois “hóspedes” cativos ou, apesar de seu jeito pesado e ameaçador, ele tem razão e quer proteger a si e aos dois? Apesar de um tanto arrastada no início, a trama consegue nos levar ora para um lado, ora para o outro, e sempre nos deixando em dúvida. E tem um final que, mesmo que possa soar estranho e desagradar a alguns, não deixa de ser bem engenhoso. Goodman está ótimo como sempre, variando do tipo protetor e bonachão ao estourado e perigoso e Mary Elizabeth Winstead transmite muito bem o terror e as dúvidas que assombram a protagonista.

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Decisão de Risco (Eye in the Sky)

Decisão de Risco (Eye in the Sky), suspense dramático de guerra de Gavin Hood, 2015.

ENREDO: Com o auxílio de imagens fornecidas por um avião drone comandado dos EUA e por uma equipe em terra de agentes quenianos, a coronel britânica Katherine Powell (a oscarizada Helen Mirren) localizou a compatriota Ayesha Al Hady, nascida Susan Danford, agora uma terrorista que recruta homens-bomba ao lado do marido somali, no Quênia. Mais ainda, além da própria Susan, a Powell localizou na casa-alvo mais dois terroristas da lista dos cinco mais procurados pelos americanos e ingleses no leste da África. Hora de comandar a captura do grupo… não fosse pelo fato de que os terroristas estão com dois novos recrutas carregados com potentes cinturões-bomba. Não se trata mais de capturar, mas sim de eliminar todos os da casa, antes que partam para a ação.
A pequena Alia Mo’Allim (Aisha Takow) é proibida pelos rígidos costumes locais muçulmanos de brincar ou estudar, mas o carinhoso e dedicado pai (Armaan Haggio) lhe dá liberdade (desde que ela esconda isto dos clientes de sua oficina, em sua maioria fanáticos religiosos). Para ajudar a família, ela vende na rua os pães que a mãe (Faisa Hassan) produz … justamente em frente à casa que abriga os terroristas.
Pelas contas do assessor de estimativa de danos da coronel Powell (Babou Ceesay), há razoáveis chances de a pequena Alia se tornar um dano colateral no ataque. Por outro lado, suas estimativas indicam que os dois suicidas podem matar 80 pessoas se se explodirem, por exemplo, num shopping center. Para a coronel e seu superior, o general Frank Benson (Alan Rickman), os riscos do ataque valem. Mas os ministros ingleses estão em dúvida sobre o que poderia ser pior: deixar a menina possivelmente morrer pode salvar cerca de 80 pessoas (“pode”), mas a um grande risco de imagem para americanos e ingleses com a morte de uma inocente vítima, de um cidadão inglês e um americano (os homens-bomba – sim, mesmo tendo se tornado terroristas, pode-se ter impacto negativo nos países de origem). Por outro lado, a morte de 80 pessoas nos atentados poderia até ser peça de propaganda para americanos e ingleses. Mas aí então viria a o questionamento do porquê terem deixado morrer 80 inocentes e deixar escapar os terroristas apenas para salvar uma vida (que talvez nem se perdesse, com um míssil certeiro).
Começam então as frenéticas consultas especialistas em direito, ministros e assessores, num interminável cálculo das consequências do lançamento do míssil – o qual ainda vai depender do ok dos americanos responsáveis pelo aperto do decisivo botão (Aaron Paul e Phoebe Fox).

AVALIAÇÃO: Invariavelmente ótima, Helen Mirren domina o show deste suspense eletrizante, que lida com os dilemas da guerra e, mais ainda, da guerra moderna e comandada à distância contra um inimigo que se mescla de maneira não convencional com os civis: os terroristas que mandam os homens-bomba para o campo. Decisões tomadas longe do campo de batalha, mas com peso às vezes até mais forte do que as do campo. No elenco, também estão o grande Alan Rickman (dos “Harry Potter”) em seu último papel e o próprio diretor, numa ponta. E um show de tecnologia, com drones fazendo imagens altamente definidas a quilômetros de altura e drones disfarçados de beija-flor e besouro. Mas às vezes nem toda esta tecnologia pode ajudar na decisão a ser tomada.

 

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Casamento Grego 2 (My Big Fat Greek Wedding 2)

Casamento Grego 2 (My Big Fat Greek Wedding 2), comédia-família de Kirk Jones, coproduzida pelo casal Tom Hanks e Rita Wilson e roteirizada e também coproduzida por Nia Vardalos, 2016.

ENREDO: Há quase duas décadas, a americana de origem grega Toula Portokalos (Nia Vardalos) finalmente “desencalhou”, para alegria dos pais, Gus e Maria (Michael Constantine e Lainie Kazan). Mas… casou-se com o “estrangeiro” Ian (John Corbett). Agora, eles têm uma filha (Elena Kampouris), que é constantemente assediada pelos avós maternos para se manter virgem e casar-se com um descendente de gregos. Porém o sonho de Paris é entrar na faculdade e afastar-se do ninho… Se por um lado os pais não conseguem admitir a ideia do afastamento, por outro eles vivem demais em função do trabalho e da filha e quem sabe não seria bom terem um tempo somente para si.
Enquanto isso… Gus, sempre se vangloriando de sua herança grega – ou melhor, da herança grega que todo ocidente e os idiomas ocidentais hão certamente de ter – garante descender de Alexandre, o Grande e começa a vasculhar sua árvore genealógica (ops, palavra de origem grega), apenas para descobrir que o padre não assinou sua certidão de casamento com Maria. A pressão do casamento agora não é mais sobre a neta Paris, mas sobre Gus e Maria, que deverão se casar “corretamente” – e com mais uma festa (cafona??) de casamento grego.

AVALIAÇÃO: O trailer parece focar num sentimentalismo não convincente e não dá a mínima ideia de como o filme pode ser bom. Estão de volta as sensacionais atrizes Lainie Kazan (como a matriarca Maria) e Andrea Martin (a hilária e sem papas na língua tia Voula), os primos Nikki (Gia Carides) e Angelo (Joey Fatone), além de outros veteranos do primeiro filme e mais alguns personagens novos (inclusive Rita Wilson, de origem grega, que bancou o sucesso do primeiro filme). Nia Vardalos e John Corbett mantêm a química (apesar de que ele não aparece muito), mas são as sufocantes famílias gregas quem roubam as cenas. Ah, sim, o limpa-vidros multiuso Windex do patriarca Gus volta à cena! Menos cômico que o primeiro, mas mais comovente. E divertido… muito divertido.

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Um Homem Entre Gigantes (Concussion)

Um Homem Entre Gigantes (Concussion), suspense dramático, histórico e biográfico, coescrito e dirigido por Peter Landesman, 2015.

ENREDO: Em busca do sonho americano, o Dr. Bennet Omalu, médico nigeriano e profissional competente e repleto de diplomas das melhores escolas, atua como patologista forense em Pittsburgh, Pensilvânia. Tímido e centrado no trabalho e estudos, é com muito custo que atende ao padre de sua igreja ( Larry John Meyers) e deixar entrar uma mulher (Gugu Mbatha-Raw) em sua vida… e apenas como hóspede em sua casa, para ajudá-la enquanto ela se estabelece nos EUA.
Extremamente respeitoso com os mortos, o Dr. Omalu “pede” a eles que o ajudem a descobrir o que os teria feito chegar até lá, e agora ele recebe em seu plantão o corpo de Mike Webster (David Morse, de “À Espera de um Milagre”), ex-jogador de futebol americano e grande ídolo local. Webster, vítima de ataque cardíaco aos 50 anos, queixava-se de estar ouvindo vozes e ficando insano, mas ninguém parecia lhe dar atenção e ele vivia isolado dos amigos e família. “Sabemos como ele morreu, mas quero saber por que ele morreu” diz o Dr. Bennet, que desafia a burocracia e coloca seus próprios recursos em exames caros e minuciosos, que o levam a descobrir que o cérebro de Webster parecia intacto e que, como ele suspeitava, não poderia se tratar de Alzheimer precoce. Ele acabou de constatar a existência da encefalopatia traumática crônica (ETC), ocasionada pelas constantes concussões cranianas sofridas pelos jogadores de futebol americano e começa a pesquisar outros casos. Mas, como a tomografia pet scan não aponta nada nos jogadores vivos, ele precisa de exemplares falecidos. E eles começam a aparecer…
Com o apoio de um conceituado especialista (Eddie Marsan) e do próprio chefe (Albert Brooks), o Dr. Bennet publica um trabalho com suas conclusões numa prestigiada revista médica e consegue o importante apoio do Dr. Julian Bailes (Alec Baldwin), ex-médico do time local e amigo pessoal de Webster. Mas é execrado e desprezado pela cúpula e médicos envolvidos com a NFL, a liga de futebol americano, responsável principal pela revitalização da cidade. Com processos abertos pelas razões mais escusas, perseguido, ameaçado de perder o emprego e deportado, ele tem que decidir entre renegar a descoberta ou lutar com uma das maiores corporações do país.
 
AVALIAÇÃO: Suspense dramático empolgante e cativante. Will Smith cativa como o atencioso, obstinado e correto Dr. Bennet Omalu, nesta história real do médico que abalou as estruturas da NFL, a liga de futebol americano.
A parte onde ele narra a um renomado especialista (Dr. Dr. Steven DeKosky) suas descobertas do porquê dos danos e faz comparações com o pica-pau e outros bichos que também sofrem concussões é um exemplo perfeito de didática.
Albert Brooks, que faz o chefe do protagonista, é a figura mais simpática do filme, apesar de parecer que a todo momento vai dar uma ducha de água fria em Omalu, ele é seu grande incentivador, com tiradas cruas a respeito da burocracia e dos obstáculos que enfrentam.
E, para os fãs de “Lost” (como eu…), Adewale Akinnuoye-Agbaje, o Mr. Eko, faz um papel, pequeno, mas decisivo no enredo.

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Boa Noite, Mamãe (Ich Seh Ich Seh)

Boa Noite, Mamãe (Ich Seh Ich Seh), suspense dramático de terror roteirizado e dirigido por Severin Fiala e Veronika Franz, 2014.

ENREDO: Em férias na casa da mãe (Suzanne Wuest), uma apresentadora de TV divorciada, os garotos gêmeos Lukas e Elias (Lucas e Elias Schwarz) não a reconhecem quando ela retorna com o rosto enfaixado após um tempo no hospital. Não é só que o rosto inchado, quando conseguem ver de relance, lhes soe bem diferente. Estranho é o novo comportamento dela, menos carinhoso e bem agressivo. Seria algum estresse devido ao trauma da cirurgia? Os dias na casa isolada, um castigo imposto a Elias e a falta de conversa da mãe com Lukas agravam a tensão e um jogo violento começa entre as partes.
 
AVALIAÇÃO: Muito elogiado, este pré-candidato ao Oscar de filme estrangeiro pela Áustria me deixou intrigado: se os garotos tanto desconfiam que a mulher de rosto enfaixado não seja a mãe, por que não fazem perguntas-chave, que apenas ela pudesse responder? Outro ponto: apesar de aumentar um pouco o suspense, a participação da dupla de voluntários da Cruz Vermelha é tola, pois eles entram sem permissão(!!) na casa e elaboram um diálogo muito forçado para explicar aos espectadores cada uma de suas ações no enredo.
Com muitos momentos monótonos, o filme tem o mérito de um final inesperado, que nos leva a repensar o filme desde o começo. Mas a fórmula já foi bem melhor usada em outros filmes… razoável e dispensável.

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13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi)

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi), ação dramática de guerra de Michael Bay, 2016.

ENREDO: Como consequência da chamada “Primavera Árabe”, diversos governos do norte da África caíram, entre eles o da Líbia, que, após a deposição e morte do ditador Muammar Khadafi, ficou dividida entre um governo provisório e diversas milícias combatentes. Para os EUA, apesar da extrema violência reinante, era vital ter um pé no país, o que conseguiam mantendo uma base secreta (o “Anexo”) da CIA em Bengazi, a segunda cidade do país. É lá que chega Jack Silva (John Krasinski), para se juntar a cinco colegas, Tyrone ‘Rone’ Woods (James Badge Dale), Kris ‘Tanto’ Paronto (Pablo Schreiber), Dave ‘Boon’ Benton (David Denman), John ‘Tig’ Tiegen (Dominic Fumusa) e Mark ‘Oz’ Geist (Max Martini), com a missão de proteger o “anexo”.
Pouco depois, chega o novo embaixador americano, Chris Stevens (Matt Letscher), otimista quanto a estabelecer bons vínculos com o governo. Mas, no dia 11/09/12, exatos 11 anos após os atentados às Torres Gêmeas, guerrilheiros hostis atacam a embaixada e colocam em fuga as milícias amigas que guarnecem o local. Quase totalmente desprovida de suporte, a equipe de proteção solicita apoio do governo, que não vem. Percebendo a gravidade da situação, a equipe de proteção da CIA se oferece para tanto, mas tem que vencer a resistência do chefe do posto (David Costabile), que reluta em liberá-los. Dentro em breve, estão eles mesmos cercados. Serão 13 horas de batalha sangrenta.

AVALIAÇÃO: Este empolgante filme mostra o que já se sabia, que Obama e Hillary Clinton abandonaram o embaixador na Líbia e sua equipe – nunca houve o envio da ajuda que ele solicitou quando cercado. Mas aí surgiram para mim detalhes desconhecidos: a base da CIA e sua equipe de proteção e o empenho heroico destes poucos elementos, quase sem apoio local.
O filme já foi tachado de “patriotada”, criticado por ser mais um filme de ação do diretor de “Transformers” etc. Claro, há um certo elemento ufanista, mas é um filme que mostra o companheirismo e a coragem dos que resistiram e que tem um suspense crescente e – sim – ótimas cenas de ação. Finalmente, presta uma homenagem aos resistentes e faz uma crítica aos que os abandonaram ou atrapalharam sua ação.

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Trumbo – Lista Negra (Trumbo)

Trumbo – Lista Negra (Trumbo), drama biográfico e histórico de Jay Roach (dos “Entrando Numa Fria” e “Austin Powers”), 2015.

ENREDO: E“Você fala com um radical mas vive com um rico”, diz o roteirista Arlen Hird (Louis C. K.), um dos Dez de Hollywood, ao bem-sucedido colega de profissão e amigo comunista Dalton Trumbo (Brian Cranston, de “Breaking Bad”). Mas, prestes a se tornar o escritor mais bem pago de Hollywood, e, portanto, do mundo, Trumbo arrisca tudo ao depor de forma desafiadora perante o “House Un-American Activities Committee”, Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Deputados dos EUA e manter firmes suas convicções políticas. Era o fim dos anos 40 e, desde 1945, com o fim da Segunda Guerra e com os soviéticos já como inimigos dos EUA, estava criado o ambiente perfeito para a ação do Comitê, presidido pelo deputado J. Parnell Thomas (James DuMont). Entre seus alvos, os artistas e roteiristas de Hollywood identificados com o Partido Comunista e, dentre eles, os chamados Dez de Hollywood.
Apesar da certeza de estarem agindo dentro de seus direitos, mudanças na Corte Suprema americana levam os roteiristas a ser condenados à prisão por desacato ao comitê. E o cumprimento da pena e a saída da prisão não trazem alívio, pois a ex-atriz e agora influente comentarista de fofocas do cinema, Hedda Hooper (Helen Mirren), junta-se a atores como Ronald Reagan e John Wayne (David James Elliott) e procura destruir a carreira dos roteiristas, que terão de escrever sob pseudônimos, aceitar salários miseráveis e redigir roteiros baseados em ideias de péssima qualidade para sobreviver. E correndo o risco de o segredo dos pseudônimos ser descoberto.

AVALIAÇÃO: Excelente drama histórico e biográfico de Jay Roach, que mostra como artistas como John Wayne (David James Elliott) e Reagan agiram de maneira sórdida em relação aos acusados de “comunistas” no meio artístico. Acusações que nada significavam, pois eles poderiam ser comunistas, mas não traidores, como queriam fazer crer. Por outro lado, artistas como Gregory Peck protestaram contra a perseguição e alguns, como Kirk Douglas (Dean O’Gorman) e o diretor Otto Preminger (Christian Berkel), tomaram posições até mais ousadas em defesa dos perseguidos. E, falando dos que apoiaram o grupo, o filme tem até um tom cômico na figura dos irmãos Frank e Hymie King (John Goodman e Stephen Root), diretores de filmes B que ousaram desafiar a pressão suja e manter os roteiristas em sua folha de pagamento (bom, quem ousou mesmo foi Frank, em empolgante intepretação de John Goodman).
O filme mostra como a perseguição afetou também a mulher (Diane Lane) e os três filhos de Trumbo e seu relacionamento com eles. E mostra, ainda, numa das falas da colunista Hedda Hopper (em interpretação mais uma vez cativante de Helen Mirren, de fazer odiar a personagem), como era fácil partir do anticomunismo para o antissemitismo puro, como na cena em que pressiona o produtor Louis B. Mayer (Richard Portnow). Mais ainda, o filme mostra como a perseguição era tanta que levava uns a depor contra outros.
Se eu já admirava o oscarizado Trumbo pelo roteiro de um dos meus filmes preferidos, Spartacus (com Kirk Douglas), foi mais gratificante ainda lembrar que foi o roteirista de Exodus, de Otto Preminger.
E, encerrando o filme com chave de ouro, além do belíssimo discurso final de Trumbo, há, nos créditos, tal como em “Walt Nos Bastidores de Mary Poppins”, cenas e discursos do próprio protagonista.

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A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl)

A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl), drama romântico e biográfico de Tom Hooper (“O Discurso do Rei), 2015.

ENREDO: Copenhagen, 1926. A pintora Gerda Wegener (Alicia Vikander) não faz tanto sucesso com seus retratos quanto faz o marido, Einar (Eddie Redmayne), com suas pinturas. As coisas mudam quando, ao finalizar um quadro, sua modelo não pode comparecer e Gerda apela a Einar para que pose com os trajes femininos que lhe permitam completar a obra. Para Gerda, um sucesso, pois são os primeiros quadros seus que a galeria local quer comprar – mais ainda, lhe rendem um convite para expor em Paris. Para Einar, a redescoberta da fugaz sensação da infância de estar no corpo errado. Enquanto ele, com o apoio da compreensiva esposa, começa a aparecer na sociedade com trajes femininos e com a persona de Lili Elbe, suposta prima de Einar, sua carreira começa a ruir e a obsessão por um possível “tratamento” aumenta. Os médicos sugerem apenas perversão sexual, esquizofrenia, internação, mas surge a notícia de um médico alemão (Sebastian Koch) especializado em distúrbios sexuais, que pode fazer a tão sonhada – mas perigosa – cirurgia de adequação sexual.

AVALIAÇÃO: Um bom filme, que, se não é especial, vale pela impressionante história, baseada em caso real. Hoje, cirurgias de adequação de sexo são mais normais, mas há quase cem anos, quando nem antibióticos havia…
Redmayne faz mais uma vez um papel que requer grande transformação (não como em “A Teoria de Tudo”, mas, mesmo assim…), mas quem brilha mesmo é Alicia Vikander, que transmite o empenho, dedicação e paixão de Gerda pelo marido, mesmo quando ele deixa de ser seu parceiro conjugal.

ASPECTO ESTÉTICO (com os agradecimentos à Marjory Abuleac pela contribuição): Houve uma escolha do diretor de deixar os ambientes e paisagens com textura de pinturas, como se fossem telas, e o resultado disso é muito bonito!

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O Quarto de Jack (Room)

O Quarto de Jack (Room), drama com toque de suspense de Lenny Abrahamson, 2015.

ENREDO: Jack (Jacob Tremblay) está fazendo cinco anos de idade. Cinco anos passados no mesmo quarto onde sua mãe (Brie Larson) passou os últimos sete. Ela criou nomes para os objetos e, assim, criou um mundo para Jack: Cadeira, Armário, Quarto. Para Jack, aquele é o mundo e ele só tem a temer o irascível “velho Nick” (Sean Bridgers), que, alheio à vida deles, os mantém cativos e escondidos do mundo. Fugir é obviamente o objetivo da mãe, mas, se o mundo lá fora é cheio de liberdade, novidades e espaços, ele também é o Desconhecido, com o qual não será fácil lidar.

AVALIAÇÃO: Pelo trailer, não dava muito. Mas algumas críticas eram tão fortemente a favor, que só mesmo experimentando… para descobrir este filme tocante. No início, vemos a mãe (Brie Larson) desesperada para proteger do captor o pequeno filho (um show do ator-mirim Jacob Tremblay) e conseguir um meio de fugir. Mas depois, como lidar com a liberdade quando se viveu tanto tempo sem ela? E quem nunca a teve? Faz pensar nos casos reais onde ocorreram raptos e longo cativeiro assim, como o do austríaco Josef Fritzl, o “monstro de Amstetten”. Para arrematar a costura, a bela trilha de Stephen Rennicks encaixa perfeitamente com cada momento do filme.

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O Filho de Saul (Saul Fia)

O Filho de Saul (Saul Fia), drama de guerra com toques de suspense corroteirizado e dirigido por László Nemes, 2015.

ENREDO: Auschwitz, Polônia, 1944. Receber leva de prisioneiros judeus destinados à câmara de gás, ajudando os alemães com a mentira de que se tratava de banho de desinfecção seguido de refeição. Impedir os prisioneiros agonizantes de arrombar as pesadas portas da câmara. Buscar itens de valor nos pertences dos mortos. Limpar as câmaras dos restos de sangue dos que se debateram. Levar os corpos (“os pedaços”, no dizer dos nazistas) aos fornos crematórios. Levar as cinzas restantes para descarte nos rios. Esta era a rotina dos Sonderkommandos, criados pelos nazistas com o uso dos prisioneiros-escravos para fazer seu trabalho sujo e, ao mesmo tempo, acabar com a pouca humanidade que restava aos cativos. Em troca, alojamentos mais “decentes” que os dos outros prisioneiros, alguma comida, bebida e roupa. Ao fim de poucos meses, os Sonderkommandos, já “mortos em vida” eram eles mesmos levados para execução nas câmaras, sendo substituídos por uma nova leva de escravos.
Dentro deste fundo histórico, começa a ficção proposta pelo diretor: Saul Ausländer (Géza Röhrig), membro de um sonderkommando, vê a oportunidade de um gesto de dignidade quando resgata, em meio à pilha de mortos retirados do gás, um garoto agonizante. Se os nazistas estão interessados em autopsiá-lo para descobrir como o garoto teve esta sobrevida, Saul alega tratar-se de seu filho e quer que um rabino oficie uma cerimônia fúnebre para ele – e até levar o corpo para ser enterrado. Com a cumplicidade do médico judeu (Sándor Zsótér) que é obrigado a ajudar os nazistas, Saul ganha algumas horas para encontrar seu rabino, em meio a prisioneiros de diversas origens e com os quais não consegue se comunicar. Ao mesmo tempo, ele pode estar colocando em risco o plano de destruição dos fornos e fuga dos sonderkommandos.

AVALIAÇÃO: A história decepcionou um tanto… esperava mais e este foi um comentário que se repetiu. Mas é uma interessante e rara abordagem no cinema, já que não somente aparecem os judeus tratados por números, humilhados e desumanizados (por exemplo, os corpos dos mortos nas câmaras são chamados de “partes” pelos nazistas), mas também os judeus escolhidos para serem transformados em feitores dos outros (kapos e, ironicamente os oberkapos, os chefes dos feitores, em mais um golpe de humilhação nazista), assim como os tais sonderkommandos, encarregados do processo de condução às câmaras de gás, de sua limpeza e do burocrático “processamento” dos corpos, assim como vislumbrado pelos nazistas, cuja burocracia era a perfeita máquina de matar em massa e que se preocupou até com os engodos para levar as vítimas às câmaras de gás com o mínimo de protesto.
As cenas de tiros, gritos, ordens, choro e o caos (a fotografia e o áudio contribuem bastante para o clima) geram um clima de dor e aflição, mas não para derramar lágrimas – é como se estivéssemos dentro da cena, com as mesmas percepções dos personagens, com sentimentos amortecidos.
Como filme sobre o Holocausto, preferi outro concorrente ao Oscar de filme estrangeiro de 2016 e também com abordagem inusual: Labirinto de Mentiras.

SUGESTÃO DE LEITURA: http://www.timesofisrael.com/jewish-director-of-devastating-son-of-saul-films-where-few-have-dared-to-tread/

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O Regresso (The Revenant)

O Regresso (The Revenant), suspense e aventura dramáticos corroteirizado e dirigido por Alejandro González Iñárritu (“Babel” e “Birdman”), 2015.


ENREDO: Em 1823, numa região inóspita do norte dos EUA, o acampamento dos caçadores de peles do capitão Andrew Henry (Domhnall Gleeson, filho do ator Brendan Gleeson) é atacado pelos índios arikaras, cujo chefe (Duane Howard) está à procura da filha (Melaw Nakehk’o) raptada e quer vingança, armas e cavalos – e as peles são importante instrumento de troca com os franceses, rivais dos americanos. Praticamente dizimados pelos índios, resta aos homens de Henry recuar rapidamente ao Forte Kiowa, a mais de 300 km de distância. Para o capitão, o importante é seguir as indicações de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), experimentado batedor, que lhes aconselha a não descer o rio, onde serão alvos fáceis, e a seguir pelas montanhas. Numa das primeiras pausas, Glass é atacado e praticamente dilacerado por uma ursa que guardava seus filhotes. Tentar levar o moribundo Glass montanha acima com o inverno cada vez mais rigoroso é quase sinônimo de condenar todos à morte. O capitão pede voluntários para ficarem com o ferido até seu momento final e lhe darem um enterro digno. Ficam o filho de Glass (Forrest Goodluck), um amigo deste (Will Poulter) e – pelo dinheiro oferecido pelo capitão – John Fitzgerald (Tom Hardy), desafeto de Glass, cujo filho mestiço de pawnee detesta. Traição, mentira e assassinato levam Fitzgerald de volta ao Forte com a notícia da morte de Glass. Mas este sobreviveu e vai se recuperando lentamente, enquanto parte em busca de sua vingança, em meio ao inverno, à falta de comida, cavalo e armas, sempre sob o risco de ser avistado pelos arikaras.

AVALIAÇÃO: Se pesquisamos os relatos conhecidos sobre o caçador de peles Hugh Glass, vemos que o filme adota certas liberdades narrativas, mas isto não o torna menos impressionante, ainda mais com a interpretação cheia de garra de DiCaprio (que efetivamente sofreu nas filmagens) e com um vilão odiável como o de Tom Hardy. É um enredo onde não há “bonzinhos”, com exceção dos índios pawnees. Os brancos (americanos e franceses) não respeitam os índios, tomando-lhes territórios e caça. Os índios arikara (ou “arikarees”/“rees”), são cruéis escalpeladores e atacam também os índios pawnees.
O suspense praticamente constante e as belas paisagens vencem os trechos com longos momentos de silêncio (apesar de já ter escutado mais de uma vez que o filme poderia ser encurtado). Somando e subtraindo, é muito bom, mas não parece ser “o” filme do Oscar. E tem várias cenas carregadas de sangue, um aviso aos estômagos mais sensíveis…

RELEMBRANDO DANÇA COM LOBOS: “O Regresso” faz recordar “Dança com Lobos” (mas é inferior a este), porque os brancos são maus e há índios maus e bons; no caso de “Dança com Lobos”, os pawnees, sendo os sioux tratados como os bons, o que muitos historiadores desmentem, já que os esses teriam sido os “predadores” daqueles. Em suma, o mito do índio bom e do branco ruim não parece valer… Todos tinham seu lado ruim.

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Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight)

Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight), drama histórico com toques de suspense coescrito e dirigido por Tom McCarthy, 2015.


ENREDO: Julho de 2001. Martin “Marty” Baron (Liev Schreiber) assume a chefia da edição do The Boston Globe. A Spotlight, seção de jornalismo investigativo independente com quatro jornalistas (representados por Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo e Brian d’Arcy James), teme ser a primeira vítima dos cortes que Baron deverá fazer, mas ele tem outros planos e designa o editor-assistente Ben Bradlee Jr. (John Slattery) para seguir uma pista sobre um caso de abuso sexual por parte de um pároco local, o padre Geoghan, denunciado num artigo de Eileen McNamara (Maureen Keiller), também do Globe. As vítimas eram invariavelmente de famílias socialmente problemáticas (pobres/homossexuais/órfãos carentes/pai alcoólatra), que preferiam e também eram pressionados a não tornar a questão pública. O único envolvido disposto a ajudar os repórteres – e a princípio com muita relutância – é o advogado de algumas das vítimas, Mitchell “Mitch” Garabedian (Stanley Tucci), de origem armênia e, portanto, longe da influência da poderosa igreja católica. Eric MacLeish (Billy Crudup), o advogado que cuidara de casos mais antigos, parecia ter sempre optado por fechar acordos financeiros e aceitar docilmente o silêncio. Como fator complicador, toda a nata da sociedade e o judiciário prestigiavam a Igreja e, em particular, o Cardeal Bernard Law (Len Cariou), que conseguia sempre segredo de justiça para os caso ou o sumiço de alguns documentos, comprava o silêncio das vítimas e optava pela solução fácil de transferir os molestadores de paróquia – criando novas vítimas em novos locais. Mas agora a Spotlight já descobriu dezenas de possíveis agressores, o que faz a investigação tomar outro rumo: Baron quer trazer à tona toda a cúpula da Igreja que acobertou os casos por décadas. Se, por um lado, a equipe tem que ser discreta e cautelosa, por outro, seus concorrentes podem acabar chegando à mesma matéria antes deles.

AVALIAÇÃO: Michael Keaton foi talhado para a redação de um jornal. Depois de “O Jornal”, de 1994, ele está de volta num filmaço com suspense de ponta a ponta e que retrata um ano de um árduo e primoroso trabalho de investigação – que, aliás, ainda teve que “concorrer” pela atenção com os atentados das torres gêmeas, mas que resultou no Prêmio Pulitzer de 2003.
Foi preciso vir alguém como Martin Baron, jornalista judeu vindo de Miami, para se mexer tão profundamente nas enferrujadas estruturas do establisment de Boston, cidade de maioria católica e conservadora – foi ele quem resolveu transformar o trabalho da repórter Eileen MacNamara, do caderno de Cidades em uma investigação de grande porte.
O empenho dos jornalistas da Spotlight, que tinham vivência muito próxima com a própria Igreja que investigavam, mas que acabaram por tornar a questão até pessoal, foi que resgatou trabalhos de entidades como a SNAPS (Survivors Network of those Abused by Priests), coordenada pelo corajoso e insistente Phil Saviano (Neal Huff), ele também vítima de abuso sexual. Como Phil diz, referindo-se aos meninos carentes atraídos pela Igreja, “quando um padre lhe dá atenção, você se sente especial… Como você pode dizer ‘não’ a Deus?”. E às vezes a coisa parece até normal para os padres, como na revoltante cena em que a repórter Sacha Pfeiffer finalmente consegue abordar um deles.
Um filme que dá vontade de ser jornalista. E que tem uma única ressalva: é difícil guardar quem é quem no meio de tantos nomes que vão sendo citados.

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Pecados Antigos, Longas sombras (La Isla Mínima)

Pecados Antigos, Longas sombras (La Isla Mínima), suspense policial dramático coescrito e dirigido por Alberto Rodríguez, 2014.


ENREDO: Espanha, 1980. A ditadura sangrenta de Francisco Franco acabou há alguns anos, mas criticar o falecido regime ainda pode ter consequências e Pedro (Raúl Arévalo), um policial de Homicídios de Madrid, é destacado para um caso numa cidadezinha no fim do mundo nos pântanos do sul da Espanha. Junto dele vai o experiente Juan (Javier Gutiérrez), com passado na repressão franquista. Pedro é quieto, frio e se atém aos procedimentos legais. Juan é divertido, curte mulheres e boates, mas não hesita em atuar com violência e fora das normas para obter provas e confissões.
As autoridades locais querem o caso do desaparecimento de duas irmãs adolescentes (Cyntia Suano e Laura López) resolvido rapidamente, pois é chegada a época da colheita e espera-se muita gente de fora. Por razões diferentes, a mãe (Nerea Barros) e o pai (Antonio de la Torre) das meninas parecem esconder pistas e não querem falar muito. Há também a vergonha pela fama de “fáceis” das meninas e sabia-se que queriam de todo modo fugir da vida medíocre do vilarejo – foi somente a pressão de um parente juiz que fez com que o caso continuasse aberto.
Os corpos são descobertos com marcas de tortura, e aparecem ligações do caso com mortes de adolescentes em anos anteriores – “Esse lugar devora as pessoas”, diz uma moradora.
Mais pistas vão aparecendo: um folheto que parece uma isca para jovens; um misterioso veículo visto com as garotas na noite do desaparecimento e novamente depois; um rapaz (Jesús Castro) que seduz as adolescentes; gente influente que pode estar sendo protegida… E a sombra sobre o passado de Juan que não quer deixá-lo.

AVALIAÇÃO: Uma grata surpresa da Espanha, lembrando um pouco o excelente “Mississipi em Chamas” (cidade pequena, dois investigadores da cidade grande de temperamentos e perfis bem contrastantes, um crime que os locais preferem ver esquecidos), este suspense policial é bem forte e cativante e mantém um bom clima de anos 80. Protagonistas muito bem interpretados, com destaque para o policial de Raul Arévalo.

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O Clã (El Clan)

O Clã (El Clan), suspense dramático, criminal e biográfico dirigido, coproduzido e coescrito por Pablo Trapero, 2015.


ENREDO: O general-ditador Leopoldo Galtieri perdeu o poder após o final de sua desastrada tentativa de tomar dos britânicos as Ilhas Falkland/Malvinas, levando ao retorno dos civis à presidência, com a eleição de Raul Alfonsín (após mais dois breves generais-ditadores). Mas a saída dos militares do poder não desativou a lucrativa “indústria” do clã Puccio: liderada por Arquímedes (Guillermo Francella), um pacato contador e dono de rotisseria da classe (bem) média que havia trabalhado para o serviço de inteligência do Estado (o famigerado SIDE), ele se manteve na atividade de sequestro/cativeiro – mas agora não mais contra os inimigos do regime – os “clientes” agora são os ricos, para prover o contínuo sustento da grande família. Junto com dois “sócios”, Guillermo Fernández Laborde e Roberto Oscar Díaz, e o militar da reserva que os protegia, Rodolfo Franco, Arquímedes começou sequestrando um amigo do filho mais velho, Alex. Mas o negócio tinha altos riscos: realizar as abordagens à luz do dia sem serem vistos, abafar os ruídos dos sequestrados e evitar que não só os vizinhos, mas também a família percebesse a presença dos sequestrados, que ficavam acorrentados e encapuzados numa banheira num banheiro com algum isolamento acústico.

Os Puccio eram seis, além do pai:

  • Alejandro “Alex” Puccio (Juan Pedro “Peter” Lanzani): um dos melhores jogadores do Pumas, a seleção argentina de rúgbi, fazia sucesso socialmente e era tido como bom moço, o que o levou a ser a fachada de respeito perfeita para o clã. Um fraco que cedia às chantagens do pai, que ora dizia que a saída de Alex “dos negócios” poria em risco a família, ora subornava o filho com mimos como dinheiro vivo ou uma loja de artigos esportivos, permitindo a Alex manter seu padrão de vida. Amigos das vítimas iniciais, o que facilitava a abordagem e burlar esquemas antissequestro, vivia atormentado pelo que se passava, ainda mais quando o sequestro resultava em morte.
  • Daniel Arquímedes “Maguila” Puccio (Gastón Cocchiarale): afastado da família por estar na Nova Zelândia, foi trazido de volta para o clã por Alex (o que, de acordo com o verbete da Wikipedia sobre Archímedes, seria uma licença dramática dos realizadores, já que Maguila estaria envolvido em todos os sequestros).
  • Epifanía Puccio (Lili Popovich): Professora e dona de casa. Pelo que o filme mostra, não tinha como não saber dos sequestros – era quem fazia as refeições da família e dos sequestrados. No mínimo, fechava olhos, ouvidos e boca, para poder usufruir do padrão de vida trazido pelos resgates.
  • Silvia Puccio (Giselle Motta): Queria ser artista plástica, como fora a mãe quando jovem. “Papai o fez por nós”, diz ela ao irmão a certa altura do filme, o que mostra que dificilmente estaria alheia ao que se passava.
  • Guillermo Puccio (Franco Masini): O segundo mais novo da família, também jogador de rúgbi. Fica incomodado com o que suspeita se passar na casa e toma uma decisão drástica.
  • Adriana Claudia Puccio (Antonia Bengoechea): 13 anos à época. Se sabia o que se passava, entendia?

  • Arquímedes prossegue com seu lucrativo negócio, mas pode estar abusando da sorte com sua ousadia e a escolha dos sequestrados. E está perdendo as costas quentes dos militares, que começam a perder prestígio. Para complicar, Alex quer se casar com Mónica (Stefanía Koessl), o que descontenta principalmente o patriarca, que pode perder o principal “agente”.

     
     
    AVALIAÇÃO: Filmaço de prender na cadeira dos produtores de “Relatos Selvagens”, mesmo sabendo o desfecho (que o filme aponta logo no início). A trilha dos anos 80 que pontua o filme contrasta com os momentos de terror pelos quais passam as vítimas de monstros, monstros daqueles que fazem preces na hora da refeição (lembrando os de Brasília que fizeram a “oração da propina”), enquanto no aposento de cima a vítima de sequestro é espancada para escrever bilhetes aos familiares.
    O filme – que acaba por abordar parte das desgraças protagonizadas pelos criminosos travestidos de militares que governaram a Argentina – faz idas e vindas ao longo de 1983, e isso pode causar uma certa confusão, além da que pode ser provocada pelos nomes e apelidos dos cinco filhos (eu não entendi o que se passava como o “Maguila” no começo do filme, por exemplo). Mas não é nada que atrapalhe o desenrolar desta obra-prima sobre a maldade muitas vezes muito bem disfarçada do ser humano.
    E nem só de Ricardo Darín vive o cinema argentino… Epifanía e Arquímedes são muito bem interpretados por Lili Popovich e Guillermo Francella (a cara do Michel Temer, mas com cabelos brancos e olhos azuis); ela convence muito bem como a mãe preocupada com o dia a dia, como em acertar na cozinha e ele, em particular, está excelente com seu olhar e voz absolutamente frios (e raras vezes furiosos).

    Quem quiser se aprofundar sobre o caso do clã dos Puccio:
    http://www.bigbangnews.com/policiales/Donde-estan-hoy-los-verdaderos-protagonistas-del-clan-Puccio-20150817-0014.html (conta o destino dos Puccio e parece confiável)
    https://es.wikipedia.org/wiki/Arqu%C3%ADmedes_Puccio. .

     

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    Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes)

    Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes), suspense dramático policial dirigido e corroteirizado por Billy Ray (“Jogos Vorazes” e “Capitão Philips”), 2015.


    ENREDO: Los Angeles, 2002. Após os atentados de 2001 no WTC, a vigilância sobre possíveis centros de radicalização aumentou nos EUA. Uma força-tarefa antiterrorista vai investigar o caso de uma vítima de homicídio descoberta numa caçamba próxima de uma mesquita. Se, por um lado, os agentes Ray Kasten (o indicado ao Oscar por “Doze Anos de Escravidão” Chiwetel Ejiofor), do FBI de Nova Iorque, Jess (a oscarizada Julia Roberts) e Bumpy (Dean Norris), da promotoria pública e a subprocuradora distrital Claire Sloan (a oscarizada Nicole Kidman), percebem que o caso não tem ligação com o terrorismo, por outro, tanto a vítima como o principal suspeito estão intimamente relacionados a eles e eles relutam em deixar o caso nas mãos do Departamento de Homicídios, Sua insistência os leva a romper os limites de suas atribuições e enfrentar seu superior (Alfred Molina), o que provoca o retorno de Ray a Nova Iorque.
    2015. 13 anos de pesquisas noite após noite levaram Ray a um detento recém libertado (Joe Cole), que ele tem certeza de se tratar do assassino de 2002, agora sob nova identidade. Ele volta a Los Angeles e procura reabrir o caso com a agora procuradora Claire, para poder finalmente trazer alguma paz de espírito para os envolvidos.

    AVALIAÇÃO: O cativante e surpreendente “O Segredo de Seus Olhos”, do argentino Juan José Campanella, mereceu o Oscar de filme estrangeiro de 2010 e rendeu este “filhote”, corroteirizado por ele e que tem mais “cara de Hollywood”, e ainda com qualidade. A história guarda pouca semelhança com o original, o que é bom, porque nos leva a ver dois filmes totalmente distintos, mas que prendem igualmente. Nicole Kidman convidou Julia Roberts para o papel de Jess e é muito interessante ver as duas num mesmo filme, com o detalhe de uma Julia Roberts despojada, sem maquiagem ou charme, simplesmente atriz (e Nicole Kidman ainda lindíssima).

     

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    No Coração do Mar (In the Heart of the Sea)

    No Coração do Mar (In the Heart of the Sea), suspense e aventura dramáticos de Ron Howard (“Apollo 13”, “Uma Mente Brilhante”, “Rush”), 2015.


    ENREDO: Herman Melville publicou em 1851 seu livro de ficção “A Baleia”, sobre o grande cachalote branco “MobyDick”, raivoso destruidor das embarcações que se aventuravam a capturá-lo. Mas não se tratava de pura ficção. O fantástico e desesperador relato de Melville (Ben Wishaw, o Q dos recentes 007) era derivado de uma entrevista com o último dos sobreviventes de um baleeiro naufragado em em 1820. 

    Muito a contragosto, mas necessitado do dinheiro que Melville oferece pelo relato, Tom Nickerson (Brendan Gleeson) cede à esposa (Michelle Fairley) e começa a relembrar um passado extremamente traumático e que gostaria de enterrar, as desventuras do baleeiro Essex, da ilha de Nantucket, Massachusetts, onde aos 14 anos, órfão de pai e mãe, o jovem Nickerson (Tom Holland) trabalha como camareiro. Sob o comando do arrogante e inexperiente capitão George Pollard (Benjamin Walker), de uma rica e tradicional família de homens do mar dedicados à caça de baleias, e imposto aos marinheiros, o Essex tem como imediato Owen Chase (Chris Hemsworth, de “Thor” e “Rush”), jovem, mas veterano homem do mar, a quem fora prometido o cargo de capitão. O desentendimento entre ambos começa assim que o navio zarpa em sua missão: capturar o precioso óleo de baleias e cachalotes, então muito necessário para lubrificar motores e acender velas e lampiões país afora. A primeira decisão desastrada do capitão, em desacordo com seu imediato, quase destrói o barco. A segunda, desta vez de comum acordo com aquele, é a que vai deixar a tripulação à deriva e aos poucos provocar mortes e atos de desespero: após meses em que mataram apenas uma baleia, eles decidem caçar aquele que foi a ruína de marinheiros que o encontraram ao longo do caminho – um cachalote de quase 30 metros, calejado pelas cicatrizes de arpões e cheio de fúria, como que à procura de vingança. Chuva inclemente, sol escaldante, fome avassaladora e falta de água doce os acompanharão ao longo dos meses até o resgate.

     

    AVALIAÇÃO: Quando foi lançado, o livro de Herman Melville foi um fracasso (apesar do reconhecimento por parte do amigo de Melville, o já veterano e afamado escritor Nathaniel Hawthorne). Também nesta época o mundo começava a substituir o óleo de baleia pelos derivados do petróleo (o “óleo de pedra).
    Lembro-me de não ter gostado do livro quando o li, aos quinze anos. Já este filme cativa profundamente, com o forte clima de suspense e aventura e com sua fascinante reconstituição da época, e graças também à dupla de protagonistas, que retrata muito bem o contraste entre a arrogância e o desdém de um e a experiência e sensação de incompletude de outro. Mérito também do cachalote branco em 3D – o terror em forma de mamífero.

     

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    Sobrevivi ao Holocausto

    Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


    ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
    Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
    Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

     

    AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
    Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
    Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

     

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    Perdido em Marte (The Martian)

    Perdido em Marte (The Martian), suspense dramático e aventura, dirigida e coproduzida por Ridley Scott (“O Gladiador”, “Blade Runner”), 2015.


    ENREDO: Num futuro próximo, a missão Ares III enfrenta uma tempestade mais forte que a prevista em Marte e prepara-se para uma partida brusca. Em meio ao caos, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) é atingido por um equipamento que se desprendeu e seus sinais vitais são perdidos pela equipe, que tem que partir imediatamente – não há tempo para buscar pelo colega morto.
    Mas Mark sobreviveu e agora se descobre ferido e sozinho no planeta. Como a próxima missão ao planeta somente chegará em três anos, suas opções, com suprimentos curtos, são morrer de fome, de sede, sem oxigênio ou ter seu corpo implodido no habitat que o abriga. A quinta opção é aproveitar sua vontade de sobreviver a qualquer custo – e ele agora tem todos os suprimentos da equipe de seis disponíveis apenas para si, treinamento para lidar com grande parte dos equipamentos e é um botânico – “o melhor botânico de Marte” –, o que lhe permitirá criar água e comida essenciais para sua sobrevivência.
    Com o passar das semanas, na NASA, a equipe de Vincent Kapoor (Chiwetel Ejiofor, o astro de “12 Anos de Escravidão”) captou estranhos sinais de movimentação na base em Marte – significando que Mark está vivo. Se antes a intenção da agência era trazer de volta o corpo do astronauta, começa agora a desesperada tentativa de se comunicar consigo, antecipar uma missão a Marte e salvá-lo. O diretor da NASA (Jeff Daniels, de “A Vida em Preto e Branco”) e o diretor de voo da missão Ares III (Sean Bean, de “O Senhor dos Aneis”) têm agora vários dilemas: como enviar mais suprimentos, avisar ou não aos outros astronautas da missão (Jessica Chastain, Michael Peña, Aksel Hennie, Kate Mara e Sebastian Stan) que seu companheiro está vivo, sob risco de afetar o desempenho deles em volta à Terra… Isto sem contar os incidentes que ainda vão se interpor no caminho da missão de resgate.

    AVALIAÇÃO: Depois do ruim “Prometeus”, Ridley Scott volta à forma com esta engenhosa e angustiante produção, uma versão de “O Náufrago” vivida em Marte. Um filme de ficção (apesar de que a NASA forneceu múltiplos subsídios para tornar as situações mais próximas da realidade possível) que cativa menos pela ficção do que pela aventura, suspense e situações de quase desespero pelas quais passa o protagonista, muito bem vivido por Matt Damon.


    OBS.: 1. Vejam o duplo sentido com que o astronauta cumprimenta a primeira muda de planta a nascer em solo marciano, uma sacada bem legal do tradutor.
    2. As referências à passagem dos dias são feitas em “sol”, não em dias, pois os “dias” de Marte, os tais “sol” são cerca de 40 minutos mais longos que os dias terrestres (http://www.giss.nasa.gov/tools/mars24/help/notes.html).

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    Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)

    Ponte dos Espiões (Bridge of Spies), suspense dramático e histórico dirigido e produzido por Steven Spielberg, com roteiro de Ethan e Joel Coen, 2015.


    ENREDO: 1957. Auge da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética a ponto de entrar num conflito nuclear. O espião russo Rudolf Abel (Mark Rylance) é capturado em ação nos EUA. Para mostrar o quanto sua justiça é correta, o estado americano nomeia um advogado para defender Abel – o escolhido é o bem-sucedido James B. Donovan (Tom Hanks), mas cuja experiência se dera como assistente do promotor Robert H. Jackson em Nuremberg e como advogado no setor de seguros. Donovan sabe que será odiado pelo país todo por defender um espião soviético, mas acredita no sagrado direito a um julgamento justo. Ciente de que a pena de morte é quase certa para Abel (apesar dos diversos deslizes dos investigadores da CIA) como ocorrera com o casal Julius e Ethel Rosenberg, ele batalha por uma condenação à prisão, que poderá ser providencial, em caso de necessidade de troca por algum americano preso pelos soviéticos.
    E eis que surge a ocasião quando o piloto Francis Gary Powers (Austin Stowell) é abatido numa missão de reconhecimento aéreo na União Soviética. Ninguém melhor que Donovan – novamente ele – para intermediar a troca, que terá que ser feita fora da esfera do governo – se pego, ele estará por sua conta. A cidade escolhida pelos soviéticos: Berlim, justamente nos dias da construção do famoso muro. Mas agora, o que seria uma troca de espiões se torna um jogo mais arriscado quando Donovan resolve que, além de negociar com os russos, fará uma barganha também com os alemães orientais, que capturaram um estudante americano em Berlim, Frederic Pryor (Will Rogers) para usar como moeda de troca para obter o reconhecimento americano de que a Alemanha Oriental é um estado soberano.

    AVALIAÇÃO: O trailer não dá grande pista de quão maravilhoso o filme é. Spielberg (o gênio de Hollywood) e Hanks (quem sabe o melhor ator de Hollywood) acertam mais uma vez em sua parceria ao contar esse caso real (com roteiro dos irmãos Coen), e um show à parte de interpretação de Mark Rylance como o espião Rudolf Abel. A cada pergunta que o advogado James Donovan lhe faz sobre se Abel estaria preocupado, o “Isto ajudaria?” dá um toque preciso sobre com quem estamos lidando, tanto no aspecto ator como no personagem.
    Suspense e drama envolventes e arrepiantes, com atuações primorosas. Precisa dizer mais para recomendar que não se perca o filme?

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    A Travessia (The Walk)

    A Travessia (The Walk), aventura dramática dirigida, produzida e coescrita por Robert Zemeckis, (“O Náufrago”, De Volta para o Futuro” etc.), 2015.


    ENREDO: “As pessoas me perguntam ‘Por que você se arrisca a morrer?’ Para mim, isso é viver”, diz Philippe Petit, na introdução do filme.
    Desde pequeno, Philip Petit sonhava com a travessia na corda bamba e quis fazer disso uma carreira, para desgosto de seu pai, que o expulsou de casa. Ele acaba nas ruas de Paris, mas agora com um sonho maior: em 1974, estavam para ser inauguradas as torres gêmeas do World Trade Center – mais de 400 m de altura, mais de 40 m de afastamento entre si, isso sim uma travessia desafiadora. Além de aprender com seu tutor e treinador, o exímio artista de circo Papa Rudy (Ben Kingsley), como atravessar uma corda bamba e como cativar a plateia, Philip aprende que o segredo do sucesso reside em ter os equipamentos adequados, em saber como utilizá-los à perfeição e que a arrogância quase certamente será fatal. E que nunca se deve enganar a plateia…
    De posse de equipamentos e ensinamentos, Philip, a namorada (Charlotte Le Bon) e o fotógrafo “nomeado” das peripécias (Clément Sibony) partem para Nova York, onde vão arrebanhando cúmplices para vencer os obstáculos, acidentes e incidentes que vão surgindo, e que talvez sejam mais desafiadores que a própria travessia.

    AVALIAÇÃO: Filmaço impressionantemente vertiginoso e belo. Você sente o desafio da altura (pelo menos – ou mais ainda – em 3D) e, mesmo conhecendo o desfecho, você certamente será tragado pelo filme. Suspense e aventura de primeira, com drama na dose certa e narrativa que acrescenta alguns toques cômicos que temperam bem o filme, que tem a química certa entre os atores, principalmente entre o protagonista e Ben Kingsley. O diretor Robert Zemeckis, da trilogia “De Volta para o Futuro”, nos traz para o passado com competência.

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    Veja SP – Seja o crítico

    Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
    Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

    Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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