Um Estado de Liberdade (Free State of Jones)

Um Estado de Liberdade (Free State of Jones), suspense dramático e histórico dirigido e corroteirizado por Gary Ross (de Jogos Vorazes e Seabiscuit), 2016.

ENREDO: 1862. Guerra Civil americana. O Congresso Confederado (sulista) promulga a “Lei dos 20 Negros”, em resposta às medidas do presidente Lincoln para abolir a escravatura nos EUA. Através dela, os brancos possuidores de 20 ou mais escravos estão livres do alistamento obrigatório e podem permanecer em suas fazendas para evitar as iminentes rebeliões dos escravos. Nos campos de batalha, outra classe privilegiada, os oficiais, têm sempre preferência no atendimento médico. Para Newton “Newt” Knight (Matthew McConaughey, de Interestelar e Clube de Compras Dallas), pequeno proprietário de terras sem escravos do Mississipi e tornado enfermeiro do exército, essas são razões para enxergar a si mesmo e aos seus semelhantes como lutando a guerra dos ricos, uma guerra que nada tem a ver com eles. A gota d’água é ver morrer ao seu lado o jovem sobrinho (Jacob Lofland), também alistado à força. “Ele morreu com honra”, dizem os colegas de farda. “Não, ele simplesmente morreu”, responde Newt.

Daí vêm a deserção, o retorno ao lar com o corpo do rapaz, a cabeça posta a prêmio, a separação da mulher (Keri Russell) e do filho pequeno, a fuga para os pântanos. Se inicialmente Newt se junta a um bando de escravos fugidos, agora ele tem nas esposas dos fazendeiros espoliadas pelos cobradores de impostos de guerra um pequeno exército. É o “Estado Livre de Jones”, a secessão dentro da secessão, que vai crescendo e tomando pedaços do Mississipi.

Mas o fim da guerra e não significam para os negros na prática a plenitude de direitos prometida por Lincoln. Pois a “Era da Reconstrução” dá origem aos ressentidos da Ku Klux Klan, que buscava impedir a integração social, a aquisição de terras pelos negros e seu direito a votar e ser eleitos.
1947. Numa história paralela, corre o julgamento do tataraneto de Davis Knight (Brian Lee Franklin), provável descendente de Newt e da escrava que o ajudara (Gugu Mbatha-Raw, de Um Homem Entre Gigantes), pelo “crime” de, tendo ele um oitavo de “sangue negro”, ter contraído matrimonio com uma mulher branca. A tragédia racista continuava bem viva…

AVALIAÇÃO: Um pedaço importante da história de Mississipi, de 1862 a 1876, com direito a reflexos em 1947. Uma história incrível – e real! A escravidão do homem pelo homem revolta, mas a existência de gente como Newt Knight redime.

Matthew McConaughey está ótimo e o filme tem ação, suspense, drama, um tanto de romance, um excelente background histórico, mas… poderia ser um pouco mais curto (são 135 min) e então provavelmente cativaria mais. Um filme que mal entrou e já vai saindo de cartaz.

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A Chegada (Arrival)

A Chegada (Arrival), suspense dramático de ficção científica de Dennis Villeneuve, baseado no conto “História da Sua Vida”, de Ted Chiang. 2016.

ENREDO: “Se você pudesse ver toda sua vida do início ao fim você mudaria as coisas?”, reflete Louise Banks (Amy Adams), enquanto repassa o curto tempo que teve ao lado da filha até perdê-la para uma doença incurável. De volta à realidade, a professora de linguística está mais uma vez diante de uma plateia escassa, que mal lhe dá atenção quando ela vai explicar “por que o português soa diferente de qualquer outra língua românica”. Mas hoje há uma razão especial para a perda de foco: o mundo prende a respiração para saber qual a intenção das doze gigantescas naves espaciais que pousaram em diversos pontos do planeta e que ainda não fizeram contato… exceto por alguns misteriosos sons, que ela logo é convocada a decifrar por um coronel do exército americano (Forest Whitaker, Oscar por O Último Rei da Escócia). Juntamente do físico Ian Donnelly (Jeremy Renner, de Guerra ao Terror e da cinessérie Jason Bourne) e de cientistas dos outros países que “hospedam” as naves, ela deverá descobrir o mais rapidamente possível quais as intenções dos visitantes, antes que militares mais belicosos ataquem os extraterrestres. A comunicação (ou a falta de) pode ser a chave de tudo e Louise sente que é hora de arriscar um contato mais próximo…

AVALIAÇÃO:Outra envolvente interpretação de Amy Adams, de Trapaça, Grandes Olhos, Julie & Julia e Dúvida neste filmaço, tão empolgante quanto seus “primos” Interestelar e Gravidade, e que tem suspense e drama cativantes e uma genial revelação ao final (e não importa que você a capte antecipadamente, pois você já estará preso à trama).
A linguística (sim, sim, houve consultoria de especialistas) é responsável pelo desvendamento do mistério e, mesmo que não se entendam todas as tecnicalidades, não há problema.
O filme é na maior parte do tempo um tanto escuro – e por vezes claustrofóbico –, mas isto é mais que compensado pelo enredo, pela bela paisagem da maravilhosa casa onde vive a protagonista, pela trilha de Jóhann Jóhannsson e pela triste e arrepiante “On the Nature of Daylight”, de Max Richter, que abre e fecha o filme.

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Pequeno Segredo

Pequeno Segredo, drama biográfico de David Schurmann, 2016.

ENREDO: Com os filhos maiores levando suas vidas fora do barco, o casal Heloísa e Vilfredo Schurmann (Júlia Lemmertz e Marcello Antony) continua velejando o mundo com a pequena Kat (Mariana V. Goulart). Mas chega a hora de ela estar na escola, e, mais difícil do que vencer o bullying e o isolamento pelo pequeno tamanho em relação às colegas (que ela até supera com seu esforço e desempenho no balé), é vencer a superproteção de Heloísa.
O neozelandês Robert (Erroll Shand) trabalha e viaja pelo mundo; agora é a vez de deixar a Amazônia e partir em busca de novas paisagens, mas ele se apaixonou por Jeanne (Maria Flor) e quer criar raízes e uma família. O encontro casual de Robert e Jeanne com os Schurmann será crucial para os cinco. E também para Barbara (Fionnula Flanagan), o terceiro polo desta trama.

AVALIAÇÃO: O mesmo corroteirista de Central do Brasil, Marcos Bernstein cria novamente um belo enredo, baseado na história dos Schurmann, agora dirigido por um dos filhos do casal. E também Antonio Pinto, da trilha do mesmo Central do Brasil, acerta novamente.
Júlia Lemmertz é a alma do filme, mas Mariana Goulart também cativa muito como a pequena Kat, e são desculpáveis as poucas falas que soam artificiais. E, polêmicas e críticas à parte sobre os aspectos técnicos (direção, imagens e desempenho da pequena protagonista) desqualificarem um tanto o filme, é uma grande história que, mesmo para quem já conhecia o “pequeno segredo”, é cativante. Para arrematar, belas paisagens.

 

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A Garota no Trem (The Girl on the Train)

A Garota no Trem (The Girl on the Train), suspense dramático de Tate Taylor, baseado no best-seller de Paula Hawkins, 2016.

ENREDO: Todo dia Rachel (Emily Blunt, de “O Diabo Veste Prada” e “No Limite do Amanhã”) pega o trem para Nova Iorque. E todo dia ela passa diante de sua ex-casa e vê seu ex-marido Tom (Justin Theroux) com a nova esposa, Anna (Rebecca Ferguson), e o bebê deles (bebê que ela mesma não conseguiu ter).
O lar seguinte é o modelo ideal de Rachel: nele mora o casal apaixonado Scott (Luke Evans) e Megan (Haley Bennett). Mas a frustração com sua separação e a bebida, que a acompanha desde os momentos finais do casamento, fazem sua imaginação exigir demais de Megan e Scott, que têm seus dilemas e discussões: ela é babá na casa de Tom e Anna, mas anseia por largar este trabalho; ela não deseja ter filhos e ele, sim; e ela está perdendo o desejo por Scott e aos poucos se envolvendo com seu psiquiatra (Edgar Ramírez).
Mas, para Rachel, existe apenas o casal ideal… Até o dia em que, da janela do trem, ela vê uma cena perturbadora. Ela desce para investigar, apenas para acordar dia seguinte de ressaca e ferida, sem lembrança de como teria chegado a isto. E agora Megan está desaparecida, e Rachel, que julga ter pistas de quem poderia ser o responsável, é uma das suspeitas.

AVALIAÇÃO: O trailer prometia, mas o filme não cumpriu. O começo é arrastado, leva um tempo até se distinguir os dois casais, e as idas e vindas no tempo são desnorteantes. E o mistério não é grande coisa… Razoável passatempo, mas poderia ir diretamente para a televisão. Não deixará grandes lembranças.

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A Grande Fome de Mao (La Grande Famine de Mao)

A Grande Fome de Mao (La Grande Famine de Mao), documentário histórico de Patrick Cabouat e Philippe Grangereau, 2011.

ENREDO: Após tomar o poder na China em 1949, o “Grande Timoneiro” Mao procurou seguir os passos de Stalin, a começar pela coletivização das propriedades e dos meios de produção, para então conseguir aumentar a produção de alimentos. Emprestando técnicas e verbas soviéticas, Mao sacrificou o interior do país e tornou os camponeses peças de uma grande máquina produtiva – ou melhor, improdutiva –, sacrificando sua individualidade em prol da construção de uma “grande nação” e da luta contra os “imperialistas” americanos e de Taiwan. O fim da individualidade ia ao ponto de determinar a separação de homens e mulheres como em quarteis, a proibição do sexo para os casais e a obrigação do uso do refeitório coletivo. A comida era adquirida por “mérito”: os mais fracos e os que produziam menos eram castigados com a fome.
Em 1953, Stalin morreu e, em 1956, Kruschev revelou seus crimes ao mundo – e alertou Mao para o fracasso da coletivização, que, contrariamente ao que pretendera Stalin, não havia servido para os soviéticos ultrapassarem a produção americana de alimentos. Mas Mao não se deixou abater e, não somente persistiu com sua fórmula na agricultura como “coletivizou” também a siderurgia. Propôs-se a, em 15 anos, ultrapassar a produção de aço do Reino Unido, e conseguiu absurdos tragicômicos: a destruição de vasta quantidade de árvores, panelas e maçanetas para uso nos fornos, que geraram apenas aço de péssima qualidade.
Na agricultura, o mau planejamento gerava erros como a destinação de terras inadequadas aos plantios desejados e cotas inatingíveis. Se inatingíveis na pratica, eles eram alcançadas no papel: para vencer outras regiões, líderes falseavam resultados, por exemplo, jogando palha sob o trigo, para aumentar o volume. Oras, se a produção era teoricamente maior, a cota regional para envio para “pagamento de dívidas” do governo central também o era e, desta forma, somente sobrava a palha para consumo local. Resultou disto que, durante o auge da fome, nos quatro anos do teimoso “Grande Salto Adiante” (1958-1962), grassaram a morte por inanição, canibalismo, “reciclagem” de corpos (desenterrados para serem transformados em adubo), cadáveres espalhados ao longo de estradas; os líderes locais eram donos da vida e da morte, prejudicavam desafetos, trocavam comida por sexo e puniam cruelmente qualquer forma de furto de alimentos.
Enquanto isso, os poucos ocidentais que vinham ao país eram enganados com farsas que de campos férteis e povo sorridente e bem alimentado (ironicamente, até futuro presidente francês François Miterrand escreveu um artigo elogiando os programas de Mao).
Em 1962, Liu Shaoqi, o terceiro homem mais poderoso do país, foi eleito presidente e, em viagem à sua terra natal, descobriu a farsa de Mao, passando a criticar a si e aos demais líderes. Logo pôs-se a desfazer o programa do “timoneiro” e tentar desfazer os estragos. Mas, em 1966, temendo os que lhe pudessem fazer sombra, Mao iniciou a Revolução Cultural, sob a pretensão de atacar os “burocratas do partido”. O Grande Salto Adiante havia sido enterrado, mas outra calamidade se abateria sobre o país, e ela duraria até a morte do sanguinário ditador, em 1976.

AVALIAÇÃO: 50 anos depois do que talvez tenha sido o maior genocídio do século XX, ainda é tabu na China discutir a “Grande Fome” provocada pelo ditador Mao Zedong (ou Mao Tse Tung). Mas este documentário não deixa passar a oportunidade de examinar o assunto com profundidade e revelações surpreendentes. Entre 1958 e 1962, foram 25 milhões de mortos? 36? 48? 55? Muitos documentos foram destruídos, prejudicando uma estimativa correta. Mas, se o último número for o correto, Mao terá conseguido ultrapassar Hitler. E já deixou bem para trás o Holodomor ucraniano (“extermínio pela fome” provocado por Stalin anteriormente ao de Mao).
Além dos impressionantes relatos dos estragos deixados por Mao, são revoltantes as cenas do povo tendo que mostrar uma falsa felicidade e das crianças sendo doutrinadas desde cedo para o ódio aos “imperialistas” (assim como os palestinos do Hamas e o Estado Islâmico/Daesh fazem atualmente com as crianças sob seu jugo).
O documentário é essencialmente baseado nos documentos que puderam ser resgatados e em depoimentos de sobreviventes do Grande Salto Adiante e de dois pesquisadores, o historiador holandês sediado em Hong Kong Frank Dikötter e o jornalista chinês (e membro do PC) Yang Jisheng, que, para explicar por que escreveu a respeito do assunto em seu livro “Lápide” (“墓碑”), explica de forma magistral: “Se uma nação não pode encarar sua história, ela não tem futuro”. Uma lição imperdível sobre como uma liderança pérfida pode rapidamente levar uma nação à catástrofe.
http://www.chinesja.com.br/2016/08/grande-fome-de-mao-documentario.html.

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Sobrevivi ao Holocausto

Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

 

AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

 

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Veja SP – Seja o crítico

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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Evereste (Everest)

Evereste (Everest), suspense dramático de aventura de Baltasar Kormákur, 2015

ENREDO: Rob Hall (Jason Clarke), Helen Wilton (Emily Watson) e a médica Caroline MacKenzie (Elizabeth Debicki), da Adventure Consultants, já levaram 19 clientes ao topo do Evereste com sucesso nos últimos quatro anos. Experiente e prevenido, Rob tinha alcançado o topo das sete montanhas mais cobiçadas pelos alpinistas, mas, sempre realista, ele avisa aos clientes que “seres humanos não foram feitos para funcionar na altitude de cruzeiro de um 747, altitude na qual o corpo começa literalmente a morrer” – não basta levá-los ao topo, é importante também trazê-los de volta a salvo.
• Doug Hansen (John Hawkes) cliente da Adventure que por curtos 100 m não havia alcançado o topo no ano anterior. Carteiro de profissão, só conseguiu os recursos para esta nova subida através da ajuda dos estudantes de uma escola de sua cidade e está certo de que vai alcançar o topo e homenagear a escola.
• Yasuko Namba (Naoko Mori) tem 47 anos e sabe que esta será provavelmente a última oportunidade de completar o único pico que lhe falta para completar os sete mais almejados pelos alpinistas.
• Jon Krakauer (Michael Kelly) é um jornalista e alpinista famoso, que está lá para preparar um artigo para a revista Outsider.
• Beck Weathers (Josh Brolin) sente-se mais vivo nas escaladas do que quando está em casa. Mas sua mulher (Robin Wright) está cansada de suas partidas e já lhe deu um ultimato – e ele, desta vez, nem a avisou da viagem…

A Adventure Consultants tem concorrência, como uma empresa de nome bem sugestivo, a Mountain Madness, de Scott Fischer (Jake Gyllenhall), que, ele também realista, lembrar aos clientes que “1 kg aqui são como 10 kg lá em cima”. Com o acampamento da base saturado e todas equipes querendo partir na mesma data, Rob sugere a Scott unir as forças. Afinal, como diz um dos guias, a competição entre eles é desnecessária, já que todos já competem com a montanha.
Chega a data da partida e ventos fortes quase fazem os experientes guias desistirem, mas surge uma pequena brecha e a escalada é iniciada. Algumas falhas técnicas, a insistência em vencer os poucos e intermináveis metros até o pico apesar do horário avançado e uma sequência de tempestades inesperadas (o Evereste ‘tem sua própria previsão do tempo”) provocaram a maior de todas as tragédias no Evereste.

AVALIAÇÃO: A primeira metade do filme mostra os 40 dias de preparativos, os alertas para os perigos que enfrentarão, como os riscos de edema pulmonar e hipóxia (baixa concentração de oxigênio), que pode levar os montanhistas a delírios como sentir calor no frio extremo. A segunda metade mostra a descida… ao inferno. Um cativante filme e uma aula de como uma conjuntura de fatores ponderáveis e imponderáveis pode provocar uma catástrofe.
O DVD tem um extra com depoimentos de sobreviventes e dos familiares de alguns dos mortos.
Detalhe: Jon Krakauer, autor dos best-sellers “Na Natureza Selvagem” e “No Ar Rarefeito”, relata neste último esta tragédia, da qual foi parte.

 

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Um Espião e Meio (Central Intelligence)

Um Espião e Meio (Central Intelligence), comédia de ação de Rasonn Marshall Thurber, 2016.

ENREDO: Calvin Joyner (Kevin Hart) era o melhor aluno e o ídolo no colégio, e tinha tudo para dar certo. Robbie Wheirdicht (Sione Kelepi quando jovem, Dwayne “The Rock” Johnson quando adulto) era o grandão gordo vítima de bullying. No auge da humilhação, é Calvin quem o socorre. Hoje, 20 anos depois, Calvin está casado com Maggie, sua namorada da escola (Danielle Nicolet), mas sucesso na carreira é só com ela, pois ele é um contador frustrado – e acaba de ser preterido numa promoção. Eis que surge um convite de amizade no Facebook de um tal de Bob Hart, que não é ninguém menos que o colega Robbie, agora um habilidoso agente da CIA, perito em armas e artes marciais… e caçado pela chefe (Amy Ryan), sob a acusação de traição. Para provar sua inocência e descobrir o quem o colocou na armadilha, Bob depende dos conhecimentos contábeis de Calvin. Isto se Calvin estiver disposto a ajudar o antigo colega. Ou mesmo se não estiver…

AVALIAÇÃO: Kevin Hart, que estava ótimo em O Durão, faz rir novamente aqui – não tanto como com Will Ferrell, mas a sintonia com Dwayne Johnson também vai muito bem. Algumas sacadas bem legais, como o nome do personagem de Dwayne, Robbie Wheirdicht (em inglês lê-se “weird-dickt”), a escalação de Sione Kelepi como a versão jovem de “The Rock” (parece mesmo um Dwayne Johnson maquiado) e a virada nas vidas de ambos: a vítima de bullying virou um agente secreto poderoso e o jovem de futuro promissor frustrou-se na carreira (nada implausível na vida real). Dá para rir – ou sorrir – várias vezes ao longo do filme. Momentos preferidos: Calvin sempre falando não para tudo que Bob propõe – mas sempre sendo arrastado para a confusão. A cena no terapeuta de casais e o hilário diálogo no hangar entre Kevin Hart e Kumail Nanjiani sobre o transporte de um órgão para transplante, enquanto Johnson arrasta um avião roubado…
De quebra, filme ainda detona com o bullying.

 

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Horizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)

Horizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon), suspense dramático de ação com fundo histórico de Pete Berg (de Hancock), 2016.

ENREDO: Em abril de 2010, o supervisor geral da plataforma de prospecção de petróleo Deepwater Horizon, Jimmy Harrell (Kurt Russell, de Os Oito Odiados) prepara-se para um novo turno de 21 dias. Em breve, a plataforma deverá navegar para novo destino, já que eles estão quase prontos para entregar os poços para a exploração. Para a British Petroleum, detentora dos poços, esse “em breve” será “já”, e ela até dispensou as equipes da Schlumberger que seria responsável pelos últimos testes, pois, como expõem os executivos Vidrine (o eterno vilão John Malkovich) e Kuchta (Dave Maldonado), há um atraso de 43 dias e muito prejuízo. Mas Harrell e o chefe da Engenharia Elétrica Mike Williams (Mark Wahlberg, de “TED”) não querem arriscar seus homens e a plataforma sem que antes seja feito um último teste das estruturas preenchidas pela lama especial, que estabiliza as paredes do poço e segura a pressão dos fluídos das rochas. Neste caso, a pressa falará mais alto e não somente será inimiga da perfeição, como também será mãe de vários mortos e do maior desastre ambiental dos EUA.

AVALIAÇÃO: Bom, mas a primeira metade é um tanto arrastada, com cenas de despedida nas casas de alguns dos protagonistas que não conseguem criar grande empatia e depois com explicações técnicas que não necessariamente ficam claras.
Mark Wahlberg coproduziu um filme um tanto convencional, tipo os clássicos Inferno na Torre e Destino do Poseidon, mas, como é caso real, a revolta pela inconsequência dos executivos inconsequentes pesa muito mais. E cabe a John Malkovich mais uma vez fazer o estereótipo do vilão “cínico, despreocupado com as vidas humanas e disposto a corromper quem quer que seja necessário”.

Detalhe: Kurt Russell atua junto com a afilhada (que o considera como pai) Kate Hudson, que faz a esposa do engenheiro Mike Williams.

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13 Minutos (Elser)

13 Minutos (Elser), drama histórico e de guerra com toques de suspense de Oliver Hirschbiegel, 2015.

ENREDO: Entre 8 e 9 de novembro de 1923, Hitler (Udo Schenk) fracassou na tomada do poder na Alemanha (o “putsch” da cervejaria Bürgerbräukeller, em Munique). Dez anos depois, ele era o Führer. Mais seis anos ainda, ele comemora a data com um discurso na mesma cervejaria, mas o encontro termina com a explosão de uma bomba cuidadosamente plantada no local, que deixa oito mortos e dezenas de feridos. E, por treze minutos, Hitler escapa de morrer no púlpito.
A poucos metros da fronteira com a Suíça, Georg Elser (Christian Friedel, de A Fita Branca) é parado pela polícia para uma averiguação rotineira. Em seu poder é encontrada uma planta da cervejaria, além de um broche de um partido de esquerda. Com as notícias do atentado a Hitler chegando à delegacia aonde estava, Georg é levado aos chefes da polícia alemã, Arthur Nebe (Burghart Klaußner), e da Gestapo (polícia secreta), Heinrich Müller (Johann von Bülow). Serão dias de torturas intermináveis, para que ele confesse como executou o atentado. Mesmo conseguindo a confissão, para Hitler é óbvio que Elser teria cúmplices – e, então, mais torturas para se obter o inconfessável.
Enquanto é seviciado, Georg recorda a vida feliz em sua pequena cidade natal, os amores, a paixão proibida por Elsa (Katharina Schüttler), a ascensão dos nazistas, as escaramuças entre estes e os “vermelhos”, a transformação do dono do bar (ponto de encontro local) e do cruel marido de Elsa em chefetes nazistas, a perseguição e espoliação dos judeus, a humilhação imposta aos que mantinham laços com esses e o isolamento cada vez maior dos Elser, cujo fervor religioso os impedia de aderir ao nazismo. A violência e isolamento crescentes transformaram o insuspeito amante da boa música e da boa vida, tachado pelos amigos de “covarde”, no autor do atentado que poderia ter dado outro rumo à Segunda Guerra.
AVALIAÇÃO: O diretor do já clássico A Queda! As Últimas Horas de Hitler (2004) imprime a este imperdível “13 Minutos” um tom angustiante desde o início, com o chefe da Gestapo exigindo incessante e monocordicamente “nome e data de nascimento”, enquanto Georg, sem proferir palavra, é barbaramente torturado. Os momentos de alívio são as cenas da pacata e idílica vida do protagonista em seu vilarejo, embalado pelas suas paixões, a música e as moças. Mas estes momentos voltam a se alternar com as excruciantes cenas da prisão e até mesmo a vida idílica vai desaparecendo, à medida que o nazismo ascende.
Destaque para o Arthur Nebe do ator Burghart Klaußner, como o policial que passa a acreditar em Elser e prefere não ter que torturá-lo, e, mais ainda, para o frio e mecânico Heinrich Müller de Johann von Büllow (também do ótimo Labirinto de Mentiras).
Os 13 minutos teriam modificado a história? Difícil saber, pois Hitler, ao contrário do atentado que sofreu na Operação Valquíria, ainda era muito respeitado entre seus comandados e não estava perdendo batalhas; talvez outro o tivesse substituído de imediato e dado continuidade aos seus planos… Mas que dá uma vontade de ver o atentado dar certo…
O filme não foca no atentado, mas na vida de Georg Elser, apenas tardiamente reconhecido como combatente da resistência pelo estado alemão, e cujo único lamento foi que as mortes que provocou não tivessem livrado a Alemanha do mal.

AVALIAÇÃO: O diretor do já clássico A Queda! As Últimas Horas de Hitler (2004) imprime a este imperdível 13 Minutos um tom angustiante desde o início, com o chefe da Gestapo exigindo incessante e monocordicamente “nome e data de nascimento”, enquanto Georg, sem proferir palavra, é barbaramente torturado. Os momentos de alívio são as cenas da pacata e idílica vida do protagonista em seu vilarejo, embalado pelas suas paixões, a música e as moças. Mas estes momentos voltam a se alternar com as excruciantes cenas da prisão e até mesmo a vida idílica vai desaparecendo, à medida que o nazismo ascende.
Destaque para o Arthur Nebe do ator Burghart Klaußner, como o policial que passa a acreditar em Elser e prefere não ter que torturá-lo, e, mais ainda, para o frio e mecânico Heinrich Müller de Johann von Büllow (também do ótimo Labirinto de Mentiras).
Os 13 minutos teriam modificado a história? Difícil saber, pois Hitler, ao contrário do atentado que sofreu na Operação Valquíria, ainda era muito respeitado entre seus comandados e não estava perdendo batalhas; talvez outro o tivesse substituído de imediato e dado continuidade aos seus planos… Mas que dá uma vontade de ver o atentado dar certo…
O filme não foca no atentado, mas na vida de Georg Elser, apenas tardiamente reconhecido como combatente da resistência pelo estado alemão, e cujo único lamento foi que as mortes que provocou não tivessem livrado a Alemanha do mal.

 

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