A Noite do Jogo (Game Night)

A Noite do Jogo (Game Night), comédia de ação de John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein, 2018. 

ENREDO: Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams) adoram noites de jogos de desafio e adivinhação. Foi por esse gosto em comum que se conheceram e se casaram e isso mantém seu casamento agitado. Mas agora Max está apreensivo, pois ele não consegue engravidar Annie – e a causa pode ser a sombra de seu irmão mais velho, Brooks (Kyle Chandler), mais bem-sucedido, mais bonito… e convencido. Pior ainda, ele acaba de se mudar para perto do casal e a próxima noitada de jogos será em sua mansão. O “cardápio” dessa noite é diferente: um dos convidados será “sequestrado” e os outros terão que seguir pistas para descobrir o paradeiro da vítima, antes que ela seja eliminada. Só que o sequestro parece ter se tornado real e as pistas levam a situações cada vez mais perigosas.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=guxFEY4Hff4

AVALIAÇÃO: O trailer dá uma boa amostra do que vai se ver e é diversão do começo (com destaque para a consulta médica dos protagonistas para verem por que não conseguem ter filhos) até os créditos finais.
Tem um elenco pequeno e afinado:
• A química entre Jason Bateman e a divertidíssima Rachel McAdams é ótima (com destaque para a cena da extração da bala)
• Jesse Plemons (do recente The Post: A Guerra Secreta) dá um show como um policial com cara de sociopata sempre com o pequeno cão nos braços, traumatizado pela recente separação e que não parece muito curtir a ideia de não ser mais convidado pelos vizinhos
• O personagem cérebro-de-ameba e conquistador de Billy Magnussen faz um hilário contraste com sua sofisticada parceira (Sharon Horgan).
• Mais discreto, mas também divertido, é o casal Kevin (Lamorne Morris) e Michelle (Kylie Bunbury) discutindo a relação.
Ou seja, o filme tem de tudo. É diferente do usual e, felizmente, tem muito pouca apelação no humor.

 

Anúncios
Publicado em Ação, Comédia, Filmes, Suspense | Marcado com , , , | Deixe um comentário

O Terceiro Assassinato (Sandome No Satsujin)

O Terceiro Assassinato (Sandome No Satsujin), drama e suspense de tribunal escrito e dirigido por Hirokazu Koreeda, 2017.

ENREDO: Após 30 anos cumprindo pena pelo assassinato de dois agiotas, Misumi (Kôji Yakusho) recebeu a liberdade condicional e conseguiu trabalho numa fábrica que emprega ex-condenados. E agora ele é acusado pelo roubo e assassinato confessos de seu patrão, que acabara de demiti-lo. E dessa vez certamente ele será condenado à pena de morte. O advogado Shigemori (Masaharu Fukuyama), cujo pai (Isao Hashizume) havia sido o juiz da condenação de Misumi, é chamado pelo sócio (Kôtarô Yoshida) para assumir o caso e obter uma pena mais leve. A estratégia é convencer o tribunal de que se tratou de assassinato seguido de furto, o que resultaria em prisão perpétua. Mas a cada visita do advogado a Misumi, este vai acrescentando detalhes que tornam o caso mais confuso. Seria simples vingança pela demissão? Ou estaria ele protegendo alguém? A morte fora encomendada pela esposa (Yuki Saitô) para obter uma indenização de um seguro? Por que ele Misumi parece conhecer tão bem a filha da vítima (Suzu Hirose) e por que ela não parece odiá-lo pela morte do pai?

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?time_continue=103&v=zuH7AHcfrjk

AVALIAÇÃO: O filme começa muito bem, mas vai esticando demais, o que resulta numa parte central lenta e cansativa, só voltando a fica rum pouco mais tenso no final. É bom, mas não espere ver facilmente resolvido o caso, pois o suposto assassino não ajuda muito – e nem os outros personagens envolvidos.
O filme é interessante por mostrar – e questionar – o funcionamento do judiciário japonês – mas, por outro lado, as particularidades desse sistema podem desnortear. O que nunca decepciona são a bela trilha de Ludovico Einaudi e as imagens límpidas nos diálogos-embates entre advogado e cliente.

Publicado em Criminal, Drama, Filmes, Suspense, Tribunal | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

7 Dias em Entebbe (7 Days in Entebbe)

7 Dias em Entebbe (7 Days in Entebbe), drama com toques de suspense de José Padilha (dos Tropa de Elite), 2018.

ENREDO: Nos anos 70, difunde-se o sequestro de aviões em nome de causas políticas da extrema-esquerda. Entre os grupos envolvidos estão o Baader-Meinhoff, alemão, e a FPLP, Frente Popular para a Libertação da Palestina.
Em 27 de junho de 1976, Wilfried Böse (Daniel Brühl, de Adeus, Lênin e Rush – No Limite da Emoção) e Brigitte Kuhlmann (Rosamund Pike, de Garota Exemplar), membros do grupo alemão Células Revolucionárias, ligadas ao Baader-Meinhoff, e da FPLP sequestram um avião da Air France, que fazia o voo entre Paris e Tel Aviv. A demanda é a libertação de 53 terroristas, a maioria palestinos presos em Israel. Após uma escala na Líbia do ditador Kadafi, para abastecimento, está claro para os israelenses que o destino do avião será Israel, para que seja criado um grande espetáculo midiático. Mas, surpreendentemente, o avião segue para o aeroporto de Entebe, em Uganda, no centro da África. Lá o ditador Idi Amin Dada (Nonso Anozie) instala os passageiros num terminal abandonado e sem condições de higiene, ao passo que dá uma calorosa acolhida aos sequestradores, mas finge agir em nome do bem-estar e da segurança dos passageiros.
Para Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi), primeiro-ministro israelense, não resta alternativa senão atender à demanda dos sequestradores. Para Shimon Peres (Eddie Marsan), Ministro da Defesa, adversário político de Rabin e considerado um “falcão”, deve prevalecer a máxima de não ceder, pois um precedente destes poderia sinalizar para outros grupos terroristas um caminho a seguir.
Enquanto isso, em Entebe, os sequestradores palestinos tomam as rédeas das conversações. O prazo para começar a matar os reféns começa a correr, mas atendendo a uma demanda de “sinal de boa vontade”, libertam parte dos passageiros, ficando com pouco mais de uma centena, já previamente separada – numa trágica lembrança do recente passado nazista – pela nacionalidade dos passaportes: os israelenses e alguns outros judeus de outras nacionalidades; num gesto de solidariedade, a tripulação francesa recusa-se a partir. Agora, Israel já percebeu que o caso não está mais nas mãos da França e que é bem possível (se não provável) que os reféns sejam mortos. O gabinete de Rabin deve decidir urgentemente se opta pela opção militar, ciente da hostilidade de Idi Amin e de que a distância de Israel a Uganda é um formidável obstáculo, ou se cede à pressão dos terroristas e das famílias dos sequestrados.

TRAILER: https://youtu.be/yoSuwa1_AuA

AVALIAÇÃO: Quanto ao paralelo da trama com o balé Echad Mi Yodea, houve consenso de que se fez uma interessante construção que, embora possa emocionar, por vezes desvia a atenção, chegando a interromper os momentos de maior suspense.
O filme é muito bom, mas, talvez por enfocar mais o aspecto político do que a operação de resgate e a tensão dos passageiros propriamente dita, por vezes cansa um pouco.
E, sobre as críticas de que o filme estaria humanizando demais os terroristas:
– O alemão Böse, incialmente disposto a levar a cabo a missão e matar todos os passageiros, estava sempre pesando a semelhança do Holocausto, com os judeus sendo separados e conduzidos à morte pelos alemães. E isso o afetava profundamente. Já sua companheira era mais inflexível (consta que foi apelidada de nazista pelos passageiros). É um lado humano que torna o filme mais interessante.
Aliás, o diálogo mais interessante (em Entebe) fica por conta de Böse e do engenheiro de voo, Jacques Le Moine (Denis Ménochet, de Bastardos Inglórios), quando este procura mostrar ao terrorista o quão mais útil seria ter mais engenheiros do que terroristas lutando pelo povo.
– O diretor dá aos palestinos alguns momentos para expor sua justificativa de luta contra Israel, mas fica claro que eles se utilizaram dos colegas alemães para depois deixar em segundo plano a causa destes (que queriam mostrar para o mundo a causa palestina, mas queriam também a libertação de terroristas de outras nacionalidades) e que não hesitariam em matar os israelenses se suas demandas não fossem atendidas, não importando se se tratasse de velhos, crianças ou mulheres. Ou seja, um grupo submetendo civis indefesos ao terror.
– Do lado israelense, a colocação parece neutra: eles tinham um enorme problema nas mãos. Ceder ou não às exigências dos terroristas? Que tamanho de operação montar para o resgate? Como convencer todo o gabinete da necessidade da operação (Shimon Peres foi determinante) e como lidar com a opinião pública num eventual fracasso da operação? Que, aliás, era extremamente arriscada por ser executada num território hostil… e muito distante. Aliás, é irônico que Yitzhak Rabin e Shimon Peres mais tarde trocassem de posição, com o primeiro se tornando mais duro nas negociações de paz que o segundo (aliás, no filme Rabin diz que em algum momento não haverá como fugir das negociações com os palestinos).
Finalmente, a legendagem… ela falhou em um ponto ou outro, por exemplo, ao colocar “libaneses” no lugar de “líbios”.

 

Publicado em Drama, Filmes, História, Suspense | Marcado com , , | Deixe um comentário

Jumanji: Bem-vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle)

Jumanji: Bem-vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle), comédia de aventura de Jake Kasdan, 2017.

ENREDO: Spencer (Alex Wolff) fez o trabalho escolar de Fridge (Ser’Darius Blain) e ambos foram pegos e mandados para a diretoria. Bethany (Madison Iseman), ávida pelos likes nas redes sociais, não desgrudou do celular nem na hora dos testes e foi mandada à diretoria. Martha (Morgan Turner) se recusou a participar da aula de Educação Física e… Como castigo e aprendizado, vão passar o dia trabalhando na área de reciclagem do colégio, onde acabam topando com um antigo videogame, que começam a experimentar. Depois que cada um escolhe seu avatar, são sugados para dentro do jogo e lançados na selva de cheia de perigos de Jumanji.
O avatar do medroso, tímido, superprotegido, alérgico e hipocondríaco Spencer agora é o Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson), arqueologia atlético e bom de briga.
O atlético Fridge perdeu 30 cm de altura e agora é o zoólogo Franklin “Moose” Finbar (Kevin Hart).
A reclusa e tímida Martha tornou-se a poderosa Ruby “Matadora de Homens” Roundhouse (Karen Gillan), hábil em artes marciais.
A bela e fútil Bethany virou um “gorducho de meia idade”, o cartógrafo Dr. Shelly Oberon (Jack Black)
Eles terão que trabalhar em equipe, usando suas habilidades do mundo real e as de seus avatares, para resgatar um cristal que está em posse do vilão van Pelt (Bobby Cannavale) e recolocá-lo no lugar de origem, salvando Jumanji da destruição. Mas eles e seus avatares também têm fraquezas e podem queimar suas vidas e… game over!!

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=y0oqJGwi42M

AVALIAÇÃO: O quarteto de protagonistas tem uma química perfeita, a aventura na selva 3D impressiona bem, mas o melhor mesmo é a metamorfose que o enredo cria para cada um dos personagens. Aventura e comédia a mil com o rechonchudo Black Jack como o avatar da garota mais cobiçada do colégio e agora um cientista com um fraco por homens fortes, o pequeno Kevin Hart e suas caras e bocas como avatar do atleta da turma, o muralha Dwayne Johnson soltando uns “oy vey” (“ai ai!”) e demorando para se tocar que não é mais uma jovem tímida e medrosa e a sensual Karen Gillan sofrendo para largar o desengonço de sua persona na vida real.

 

 

 

Publicado em Ação, Aventura, Comédia, Filmes, Suspense | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Sobrevivi ao Holocausto

Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

 

AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

 

Publicado em Documentário, Drama, Filmes, História | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Veja SP – Seja o crítico

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

Imagem | Publicado em por | Marcado com , | Deixe um comentário

A Exceção (The Exception)

A Exceção (The Exception), suspense dramático e romântico de guerra de David Leveaux, 2016 

ENREDO: Afastado do front da guerra por ferimentos e quase caído em desgraça por um atrito com um oficial da SS, o capitão do exército nazista Stefan Brandt (Jai Courtney) recebe uma missão aparentemente burocrática e tola: comandar a guarda pessoal do ex-imperador alemão, o Kaiser Guilherme II (Cristopher Plummer), que vive no luxuoso exilio holandês com a esposa (Janet McTeer). Mas nem tudo é tão tranquilo: há notícias de que há um espião inglês infiltrado na casa pronto a atentar contra a vida do Kaiser. Trata-se de Mieke de Jong (Lily James, de outro recente filme sobre a 2ª Guerra, O Destino de Uma Nação), a criada por quem Brandt logo se apaixona e é correspondido. Um grande risco para ela, que além de espiã, é judia. Até que ponto ele estaria disposto a defendê-la, se ele descobrisse seu segredo? Ele seria leal a seus superiores ou ao seu coração? O que significa para ele a lealdade à pátria, diante dos eventos que vão se desenrolando?

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=hye1x0FvOoU

AVALIAÇÃO: Ficcional, o enredo talvez abrande demais a figura real do imperador Guilherme II (e o veterano Christopher Plummer, de Todo o Dinheiro do Mundo, capricha no carisma) e a do fictício oficial nazista que cuida de sua segurança, mas pelo menos mostra o chefe da Gestapo local (Mark Dexter) e o comandante das SS, Heinrich Himmler (Eddie Marsan, o Shimon Peres de 7 Dias em Entebbe) como nazistas típicos.
E, descontadas as licenças históricas, o enredo realmente merece elogios, porque aborda a 2ª Guerra sob um aspecto bem diferente: o exílio do Kaiser na Holanda e o que ele representava para a alta cúpula nazista. Além de ter romance e um ótimo suspense de espionagem.

 

Publicado em Drama, Filmes, Guerra, História, Romance, Suspense | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place), terror dramático de ficção científica dirigido, corroteirizado e coproduzido por John Krasinski, 2018.

ENREDO: Numa Terra distópica, são poucos os sobreviventes de uma invasão alienígena. Lee e Evelyn (John Krasinski e Emily Blunt) e os filhos (Millicent Simmonds, Noah Jupe, de Extraordinário e Suburbicon, e Cade Woodward) sabem que há três alienígenas na região, que eles nada enxergam, mas têm uma audição extremamente aguçada: qualquer barulho que façam pode torná-los presas fáceis dos golpes ágeis e mortais dos invasores. Como Regan (Millicent) é surda, eles aprenderam a se comunicar por sinais, a única forma que eles têm de conversar no dia a dia, exceto quando estão em algum lugar repleto de ruídos naturais. Caçar gera ruídos, então eles vivem da pesca e da agricultura. Mas agora Evelyn está grávida e esta rotina poderá sofrer uma perigosa alteração.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=pbg3r13Y4To e https://www.youtube.com/watch?v=8W6iMmhVDgE

AVALIAÇÃO: O diretor-ator-coprodutor-corroteirista John Krasinski, da série The Office, acertou neste filme extremamente tenso, que tem uma combinação feliz de elementos de alguns filmes:
• De Alien, as feições dos alienígenas e cenas como a do clássico encontro cara a cara da protagonista com um deles
• De No Limite do Amanhã, em que há uma invasão de alienígenas superpoderosos
• E, mais ainda, de Ao Cair da Noite, pelo isolamento dos sobreviventes, a rotina entediante e o perigo de se sair da casa.
Emily Blunt (esposa de Krasinski na vida real) novamente encaixa muito bem no papel de mulher firme e decidida, como em No Limite do Amanhã e O Diabo Veste Prada.
Além do dela, o outro papel de destaque fica com Millicent Simmonds (que é surda também na vida real) e faz a adolescente rebelde, que se julga mal-amada pelo pai.
O filme remete a uma situação real: Como teria vivido a família de Anne Frank e os agregados que com eles se escondiam no “Anexo”? Como era aquela vida em silêncio por anos a fio? Algo angustiante, e parece ser esse o ponto onde o filme ganha o espectador e o faz deixar de lado alguns possíveis furos do enredo (os alienígenas, por exemplo, não parecem ser tão poderosos a ponto de praticamente extinguir os humanos).
E a trilha eletrizante de Marco Beltrami é um ótimo complemento para o enredo, com uma única e genial quebra, na bela Harvest Moon, de Neil Young.

 

Publicado em Drama, Ficção Científica, Filmes, Suspense, Terror | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

12 Heróis (12 Strong)

12 Heróis (12 Strong), ação dramática de guerra de Nicolai Fuglsig, 2018. 

ENREDO:Em 1993 ocorreu o primeiro atentado às Torres Gêmeas, com um carro-bomba detonado no estacionamento subterrâneo da Torre 1. Cinco anos depois, foram atacadas as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia e, em 2000, o destroier americano USS Cole foi atingido por uma lancha suicida no Iêmen. Por trás de todos os atentados, a Al Qaeda, que encerraria o ciclo com o atentado de 11/09/2001.
Sabendo que os terroristas do Talibã protegiam os membros da Al Qaeda no Afeganistão, os EUA destacam uma força secreta de doze homens dos Boinas Verdes para se juntar a um dos senhores tribais inimigos do Talibã, destruir bases da Al Qaeda no país e preparar a entrada das tropas convencionais e demais forças especiais.
O Capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth, o “Thor” da cinessérie), apesar de admirado pelos seus comandados, quase vê negada a chance de liderar uma das equipes candidata à missão, por sua inexperiência em campo. Depois, ele tem que superar outros comandantes, ávidos como ele por essa missão que, além de instrumento de revanche, servirá de aviso aos terroristas de que eles não poderão reprisar sua ação.
Com as Forças Especiais ODA 595 já em campo, a desconfiança mútua entre o capitão Nelson e seu contato, o General Dostum (Navid Negahban), um dos líderes da Aliança do Norte, é o primeiro obstáculo a ser superado, para somente então eles poderem partir em perseguição aos talibãs. O tempo é curto, pois as condições climáticas mudarão em três semanas, decretando o provável fim da missão.

TRAILER: https://youtu.be/bOP07cRPpTw

AVALIAÇÃO: Ação e tensão caprichados do produtor Jerry Bruckheimer, responsável pelo excelente filme de guerra Falcão Negro em Perigo. E, sim, foram 12 homens e umas centenas de combatentes afegãos contra dezenas de milhares de talibãs, o que certamente haveria de render uma boa história. Além das convencionais cenas de batalhas e do suspense sobre o destino da missão, o filme traz alguns interessantes aspectos históricos e culturais:
• Pelo fato de o capitão Nelson ser mais novo que seu segundo em comando, Hal Spencer (o tradicional cara de mau Michael Shannon), é a este que o general Dostum insiste em se dirigir quando dos primeiros contatos. Ou seja, para o general afegão, os mais velhos são os líderes. Além disso, para ele, Nelson não tem no olhar a raiva desejável que Spencer teria.
• Para surpresa das Forças Especiais ODA 595, as montanhas acidentadas da região só permitiam o transporte a cavalo – e quem disse que eles estavam acostumados a esse tipo de montaria?
• Dois dias antes dos atentados de 2001, dois falsos fotógrafos se explodiram enquanto entrevistavam o líder anti-Talibã, Ahmad Shah Massoud, provocando um racha entre as tropas combatentes. Assim, além de combater os talibãs, o capitão Nelson tinha que evitar a todo custo o confronto do general Dostum com Atta Muhammad Nor, outro senhor da guerra que lutava contra os talibãs, pois eles poderiam acabar se destruindo, em vez de lutar contra o inimigo comum.

DICA DE LEITURA: O link http://www.historyvshollywood.com/reelfaces/12-strong/ (com spoilers!) dá diversos esclarecimentos sobre a veracidade do que é retratado no filme.

Publicado em Ação, Drama, Filmes, Guerra, História | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

O Passageiro (The Commuter)

O Passageiro (The Commuter), ação e suspense de Jaume-Collet , 2018

ENREDO: Todos os dias, pelos últimos dez anos, o ex-policial Michael McCauley (Liam Neeson) pega o mesmo trem para ir do trabalho para casa. Mas hoje ele está voltando arrasado, após ser demitido da empresa de seguros para as quais prestou ótimos serviços ao longo desse tempo. Aos 60 anos, ele se vê às voltas com uma hipoteca e os estudos do filho para pagar, e o horizonte é sombrio. No trem, enquanto ele lê seu livro e digere a notícia, é abordado por uma desconhecida (Vera Farmiga, de O Menino do Pijama Listrado e Bates Motel), que lhe propõe um teste simples: descobrir quem não “pertence” ao trem – afinal, ele conhece todos os passageiros habituais. E o teste tem uma recompensa financeira, algo de que ele necessita desesperadamente. Pegar o adiantamento significa aceitar a oferta, não poder sair do trem até encontrar a pessoa e não comentar nada com ninguém. Quebrar estas regras pode implicar em riscos para sua família e para todos os passageiros.
Por que ele foi o escolhido para ser abordado? Quem o abordou? Como eles sabem tanto de sua vida? Quem é a pessoa que ele deve apontar? E o que ela tem ou sabe que os “ofertantes” tanto desejam ou temem?

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=lCG_1S4YY00

AVALIAÇÃO: Da mesma dupla diretor-ator de Desconhecido, Sem Escalas e do ator que protagoniza a cinessérie Busca Implacável, esperaria mais do mesmo: um filme de suspense e ação no qual o protagonista bate e apanha a todo o momento, com um suspense razoável e algumas situações forçadas. Mas surpreendeu! Um bom filme, envolvente e com um roteiro convincente. A dupla entrega o que promete. Valeria uma segunda assistida, para se descobrir se a impressão de que há uns trechos mal explicados no desenvolvimento se confirma – ou se seria apenas uma questão de se prestar mais atenção aos detalhes da frenética ação.

Publicado em Ação, Comédia, Criminal, Drama, Filmes, Suspense | Marcado com , , , , | Deixe um comentário