Stefan Zweig – Adeus, Europa (Stefan Zweig: Farewell to Europe)

Stefan Zweig – Adeus, Europa (Stefan Zweig: Farewell to Europe), drama biográfico e histórico de Maria Schrader, 2016.  

ENREDO: 1936. Num congresso de escritores em Buenos Aires, o escritor austríaco Stefan Zweig (Joseph Hader), um dos mais lidos do mundo entre os anos 20 e 40 e, junto de Thomas Mann, o mais famoso da língua alemã no período, é instado a tomar posição política contra a ditadura nazista. Apesar de judeu e perseguido pelo regime, ele ainda hesita, mas logo ele e a jovem secretária e esposa Lotte (Aenne Schwarz) serão obrigados a deixar em definitivo a terra natal, passando por Paris, Londres e, com o avanço do nazismo na Europa, para Nova York, onde vivem por um tempo ao lado Friderike Zweig (Barbara Sukowa), sua ex-esposa (que, assim como as filhas dela e muitos outros, Stefan havia ajudado a fugir do nazismo). Para a asma de Lotte, contudo, o clima de Petrópolis, cidade que haviam conhecido em passagem pelo Brasil, seria mais conveniente e, como a ditadura Vargas ainda não houvesse fechado as portas aos judeus, eles lá se estabelecem, ao lado de outros exilados.
Apesar da paixão profunda pelo país, pela simpatia de seu povo e por sua miscigenação racial, a chegada dos 60 anos, a expansão do regime nazista e a possibilidade cada vez mais concreta de ele alcançar o Brasil aprofundam a desilusão do escritor: “o mundo de minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído”. Ele esperava por “uma Europa livre, por um dia em que passaportes e fronteiras se extinguirão”, mas impaciente pela “ aurora desta longa noite”, duvidava que estivesse vivo para vivenciar isto.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=qbhej5oYS7Q

AVALIAÇÃO: Autor do livro que inspirou o simpático filme O Grande Hotel Budapeste e de Brasil, um país do futuro (“se o Paraíso existe em algum lado do planeta, não poderia estar longe daqui”), amigo de Sigmund Freud e de Albert Einstein, Zweig é interpretado de forma envolvente neste belo filme por Joseph Hader, que sinaliza com perfeição a mudança de perspectiva do escritor em relação ao mundo que o cerca, passando do olhar apaixonado pelo país que o acolheu ao olhar vazio de quem já não vê esperanças num mundo tomado pela guerra e pela barbárie nazista.

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Vida (Life)

Vida (Life), drama de ficção científica, suspense e terror de Daniel Espinosa, 2017.

ENREDO: A bordo da estação espacial internacional (ISS) o biólogo Hugh Derry (Ariyon Bakare), os médicos Miranda North (Rebecca Ferguson) e David Jordan (Jake Gyllenhaal), o engenheiro Sho Murakami (Hiroyuki Sanada), o mecânico Rory Adams (Ryan Reynolds) e a comandante Ekaterina Golovkina (Olga Dihovichnaya) estão examinando extasiados a primeira evidência de vida extraterrestre, um ser unicelular trazido por uma sonda de Marte. Hugh Derry conseguiu tirar a célula de sua aparente hibernação e está particularmente encantado pelo modo como ela cresce, multiplica-se e ganha força e inteligência. Na Terra, aquele ser simpático já ganhou até um nome: Calvin. Mas Calvin tem uma agenda própria e, agora que foi despertado, precisa nutrir-se, assim como nós, de água e compostos orgânicos – leia-se “a tripulação”. Uma mensagem de socorro é enviada à NASA, barreiras de contenção (firewalls) são acionadas, assim como procedimentos para cercar e destruir a esquiva amostra; mais do que evitar serem mortos, eles precisam impedir que Calvin acabe na Terra. Mas a comunicação com a base é perdida e as barreiras não parecem ser obstáculo para o já não tão inofensivo e pequeno ser. Há consequências em se querer controlar uma vida extraterrestre.

Trailer de Life

AVALIAÇÃO: Algumas similaridades com o clássico Alien, mas numa versão mais “científica” e mais plausível, já que o enredo se passa na ISS e a amostra vem de Marte, não do espaço profundo. Também, como no filme precursor, há as mortes violentas, com as entranhas das vítimas sendo postas para fora, mas não vamos acusar os produtores de serem apelativos, porque o que vai atrair mesmo o público é o suspense tenso que predomina praticamente desde o começo (e a sufocante trilha sonora de Jon Ekstrand ajuda muito).

 

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Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), drama histórico e biográfico dirigido, coproduzido e corroteirizado por Theodore Melfi, 2016.

ENREDO: 1961. A NASA recebeu a incumbência do presidente Kennedy de botar um homem na Lua. Numa época em que mal havia computadores, seres humanos faziam o papel deles, lápis e papel na mão. E, dentre eles, havia um grupo de mulheres. Negras.
Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) coordena a equipe e é sempre “esquecida” nas promoções pela chefe (Kirsten Dunst), que pode ter aparência de compreensiva, mas é uma racista que não quer que as subordinadas negras “deem vexame”.
Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), uma gênia precoce, tem que lidar como fato de que a seção para onde é alocada tem apenas uma mulher além dela – racista – e vários homens – racistas e machistas. E o único banheiro que ela, como negra, pode utilizar, fica a cerca de um quilômetro, o que a obriga a tirar longas “pausas” para tal. Se, para sorte dela, o chefe do departamento, Al Harrison (Kevin Costner), é a figura mais compreensiva do grupo, por outro lado há o superior imediato da própria Katherine, Paul Stafford (Jim Parsons), que a obriga a lidar com números tarjados e que, escondidos, a impedem de fazer uma checagem correta dos dados, além de recorrer a estúpidos protocolos para impedi-la de participar de reuniões nas quais sua ajuda seria crucial.
Mary Jackson (Janelle Monáe) quer se tornar engenheira, mas aos negros não são dadas oportunidades para tal. Persistente, ela é incentivada pelo chefe, Karl Zielinski (Olek Krupa), ele próprio um judeu sobrevivente da discriminação racial nazista.
Enquanto Katherine se esforça para calcular a rota da nave que conduzirá o astronauta John Glenn (Glen Powell, que faz um John Glenn simpático, desafiando o protocolo racista vigente) e Mary ajuda no projeto da nave, a sagaz Dorothy percebe que a chegada de uma poderosa máquina da IBM ameaça seu futuro e o de sua equipe e resolve que todas aprenderão a programá-lo – o que também foi crucial para os esforços americanos.

AVALIAÇÃO: Título brasileiro bem sacado, pois faz alusão à NASA e ao fato de serem estrelas da ciência que serão lembradas para além do seu tempo. Igualmente bem bolado é o título em inglês, já que “Hidden Figures” pode se referir aos números misteriosos que as moças manipulavam ou aos números tarjados e escondidos com que Katherine tinha que lidar, ou ainda ao fato de terem elas mesmas sido escondidas do público pela política racista da época. Uma história real e tocante dos esforços para vencer a discriminação e os desafios da ciência.
Apesar do drama que percorre a narrativa, o filme traz alguns toques cômicos bem montados, a começar pela cena inicial, onde o guarda rodoviário tem que decidir se o que prevalece é seu racismo ou seu anticomunismo.

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Logan (Logan)

Logan (Logan), ação dramática de ficção cientifica baseada nos quadrinhos dos X-Men da Marvel, dirigida por James Mangold, 2017.

ENREDO: 2029. Logan, o X-Man Wolverine (Hugh Jackman) está cansado. Aos 170 anos, já está quase sem garra (literalmente), seus poderes autocurativos se esvaem e o próprio adamantium de suas garras o está destruindo aos poucos. Ele quer apenas conseguir juntar mais algum dinheiro com seu serviço de limusine e poder viver em paz seus últimos dias com o velho Dr. Charles Xavier (Patrick Stewart). Charles está com demência senil, suas convulsões são cada vez mais frequentes e ele depende cada vez mais dos remédios que Logan lhe traz e dos cuidados de Caliban (Stephen Merchant), um dos últimos mutantes remanescentes. Mas a paz de Logan é apenas um sonho, pois ele logo terá que cuidar – se tiver forças para isto – de Laura (Dafne Keen), uma das jovens mutantes criadas e fugidas do laboratório do Dr. Rice (Richard E. Grant), que juntou um pequeno exército e uma nova criação para recapturar os fugitivos.

AVALIAÇÃO: Gosto de diversos personagens da Marvel, mas nunca li ou assisti um X-Men por inteiro. O trailer deste, no entanto, cativou-me demais. E com boa razão. O ótimo Logan de Hugh Jackman é a síntese perfeita do sujeito que quer apenas que o deixem partir dessa vida e Dafne Keen é cativante como a jovem de poucas palavras, Laura.
Prepare-se não para enfrentar as diversas cenas violentas (pedaços de corpos voam, mas é algo mais estilizado e não deve ofender nem os estômagos mais sensíveis), mas sim para assistir a uma tocante obra de arte sobre a finitude da vida.

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Negação (Denial)

Negação (Denial), suspense dramático histórico de tribunal de Mick Jackson, 2016.

ENREDO:Em 1994, a historiadora americana Deborah Lipstadt (Rachel Weisz) é desafiada em frente ao seu público pelo pretenso historiador britânico David Irving (Timothy Spall) a provar que o Holocausto existiu. Ela admite qualquer debate, exceto com quem quer que seja que parta do princípio de que o Holocausto não existiu. Assim, Irving consegue o que quer: considera-se chamado de mentiroso e, em 1996, abre uma ação contra Lipstadt no Reino Unido. Ocorre que, neste país, é ela quem deverá provar sua inocência – não prevalece a presunção da inocência. Sua editora contrata, então, os advogados Anthony Julius (Andrew Scott), que havia lidado com o rumoroso divórcio da princesa Diana e que cuidará do levantamento de todos os documentos e provas, e Richard Rampton (Tom Wilkinson), que conduzirá o caso no tribunal. Rampton resolve uma jogada arriscada, mas sagaz: para evitar a exposição das vítimas do genocídio nazista, que certamente seriam constrangidas ao extremo por Irving, ele opta por uma batalha mais técnica e fria, perante apenas um juiz (no caso, Sir Charles Gray (Alex Jennings)). Lipstadt não concorda com a abordagem, mas deverá confiar em seus advogados, pois está distante de seus país e de seu sistema judiciário. Mas Irving é sempre esperto e hábil manipulador, para desespero da historiadora e dos sobreviventes do Holocausto a quem ela havia prometido presença como testemunhas e a quem não é dada a oportunidade da palavra. Se ela perder, então se tornará aceitável dizer que o Holocausto não existiu!

AVALIAÇÃO: Timothy Spall está ótimo como o abominável David Irving, Tom Wilkinson magistral compondo um frio e metódico Rampton, que evita os testemunhos potencialmente emocionais dos sobreviventes, optando pelas complicadas evidências forenses. Andrew Scott faz ao mesmo tempo uma figura simpática e afável, mas dura na queda, resistindo a todas intenções da acusada para mudar a forma da apresentação da causa. E o debate sobre as instalações de Auschwitz, cerne do caso pelo lado da defesa, consegue ser ao mesmo tempo técnico e doloroso, pelas evocações que traz.
Dois aspectos jurídicos interessantes deste drama baseado no livro da própria Deborah Lipstadt: a abordagem escolhida pelos advogados para levar o caso à corte e o sistema judiciário inglês, que tem a figura do “solicitor” (advogado que trata dos casos fora do tribunal, com aconselhamento legal ao cliente e que prepara a argumentação legal) e do “barrister” (que expõe o caso perante o juiz).

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Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)

Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion), drama de Garth Davis, 2016.

ENREDO: 1986, Cidade de Khandwa, região central da Índia. O pequeno Saroo (Sunny Pawar), de cinco anos, não desgruda do irmão mais velho, Guddu (Abhishek Bharate). Juntos, ajudam a mãe em seu trabalho de coletar pedras ou fazem pequenos serviços para conseguir alguma comida para levar para casa. Mas agora Saroo deve ficar cuidando da irmã menor, enquanto Guddu sai à procura de trabalho. Ou deveria, porque a insistência do mais novo é tanta que o irmão o leva junto. Quando chegam ao destino final, Saroo está cansado e Guddu pede então que ele o aguarde sem sair do local, enquanto ele procura por emprego. Mas chega a noite, o irmão não retorna, e Saroo acaba entrando num trem que o leva a 1.600 km de sua cidade natal. Perdido na gigante Calcutá e sem falar o bengali, o idioma local, ele tenta explicar que vem de Ganeshtalay, mas ninguém conhece esta cidade. Tampouco ele sabe o nome de sua mãe, que chama de… mãe. Assim, o garoto vive nas ruas até ser levado a um abrigo, onde acaba sendo escolhido para adoção por um amoroso casal da Tasmânia, Sue e John Brierley (Nicole Kidman e David Wenham).
2010. Bem adaptado ao novo lar, amado pelos pais, Saroo (agora interpretado por Dev Patel, de “O Exótico Hotel Marigold”) separa-se deles, mas apenas para estudar hotelaria na Austrália (não, não foi estudar hotelaria para dirigir o Marigold ). É então que, num dos jantares com amigos indianos da faculdade, ao trocarem informações sobre suas origens, Saroo diz que vem de Calcutá, mas se toca de que, na verdade, ele nem sabe de onde vem e de que nunca deixou de se preocupar com a mãe e os irmãos, certamente também preocupados com ele e levando uma vida mito dura. É o tempo do surgimento do Google Earth e, baseado nas vagas lembranças dos locais dos locais por onde passou e do tempo que ficou vagando de trem, Saroo tem agora uma ferramenta que lhe permite sair em busca de suas origens.

AVALIAÇÃO: Um dos momentos mais tocantes deste drama biográfico é aquele em que, conversando com a namorada (Rooney Mara) e os colegas sobre suas origens Saroo diz “Sou de Calcutá”, para então, atiçado por uma lembrança, dizer em seguida “Eu não sou de Calcutá, eu estou perdido”. É o gatilho para o suspense que se segue.
Dev Patel e o pequeno Sunny Pawar são expressivos e estão simplesmente ótimos. Impossível conter a emoção quando o pequeno Saroo abraça sua mãe adotiva, ao sentir o quanto ela sofre com os problemas de comportamento de Mantosh, o filho adotado depois dele (interpretado por Keshav Jadhav, quando pequeno e Divian Ladwa, quando jovem adulto) – um momento tocante, que marca com a transição de época do filme. Outro momento marcante é o diálogo revelador entre Sue (Nicole Kidman, cativante) e Saroo, que acha que protege os pais adotivos ao omitir deles que está à procura da mãe biológica. E, a cada entrada da música-tema de Dustin O’Halloran & Hauschka, mais um turbilhão de emoções.
Obs.: a explicação do título Lion vem ao final do filme. E não percam as cenas nos créditos finais deste que certamente foi um dos melhores filmes da safra 2016.

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Sobrevivi ao Holocausto

Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

 

AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

 

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Veja SP – Seja o crítico

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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O Bom Vizinho (The Good Neighbor)

O Bom Vizinho (The Good Neighbor), suspense dramático e criminal de Kasra Farahani, 2016.

ENREDO: Um crime está sendo levado ao tribunal. É o resultado da experiência de dois adolescentes (Logan Miller e Keir Gilchrist) em cima do vizinho de um deles, um viúvo recluso e antipático de um deles (James Caan, de O Poderoso Chefão e Uma Ponte Longe Demais). O mote da experiência: “Com a execução apropriada, um indivíduo qualquer pode ser levado a acreditar que está sendo assombrado.”. E assim, eles aproveitam as brechas possíveis e vão equipando a casa do vizinho com escutas, câmeras e acionadores remotos de luzes, portas e janelas. Mas a “vítima” parece não querer denunciar que algo está acontecendo em sua casa. Não pede ajuda, continua antipático com os vizinhos e não demonstra medo. E parece ter algo a esconder no porão, que mantém trancado. Pior ainda, para desespero da dupla, ele parece começar a espionar os que o estão espionando…

Trailer: http://www.imdb.com/title/tt2262315/videoplayer/vi3646928665?ref_=tt_ov_vi

AVALIAÇÃO: No começo, o filme parece um suspense banal com adolescentes e suas experiências potencialmente perigosas. Mas, lá para o fim (pena que só então), o clima do filme vai se modificando e vem a boa surpresa, uma boa sacada, que faz com que tudo tenha sentido e o filme perca a mediocridade que aparentava ter.

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Uma Forma de Assassinato (A Kind of Murder)

Uma Forma de Assassinato (A Kind of Murder), suspense dramático e criminal de Andy Goddard, 2016.


ENREDO: Walter Stackhouse (Patrick Wilson) é um bem-sucedido arquiteto, casado com Clara, uma igualmente bem-sucedida corretora de imóveis (Jessica Biel). Mas, por trás dessa fachada de casal perfeito, vemos uma Clara que já flertou com o suicídio por algumas vezes e um Patrick que, já desejoso do divórcio, agora tem um caso com a bela Ellie Briess (Haley Bennett). Quando Clara é encontrada morta debaixo de uma ponte, as pistas indicam suicídio. Mas o desconfiado detetive Corby (Vincent Kartheiser) está investigando um assassinato recente no mesmo local… e a suspeita maior recai sobre o marido (Eddie Marsan) da vítima – e Corby descobre que Walter estava extremamente interessado nas investigações desse crime. Para copiá-lo? Ou apenas o interesse de um arquiteto desejoso de finalmente conseguir escrever seu suspense criminal?

Trailer: http://www.imdb.com/video/imdb/vi3201349145?playlistId=tt2726552&ref_=tt_ov_vi

AVALIAÇÃO: Mais um suspense baseado em Patricia Highsmith (autora de O Talentoso Mr. Ripley), também ambientado no final dos anos 50. A ideia é boa, mas dessa vez, saiu algo fraco, que não prende e que tem um final decepcionante. Culpa do filme ou do livro?

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Paixão Obsessiva (Unforgettable)

Paixão Obsessiva (Unforgettable), suspense dramático de Denise Di Novi, 2017.

Trailer oficial: Trailer de Paixão Obsessiva

ENREDO: A má notícia para Julia Banks (Rosario Dawson) é que a ordem de restrição para que o ex-namorado (Simon Kassianides) se mantenha afastado venceu. A boa notícia é que ela acaba de se mudar para a casa do novo namorado, David Connover (Geoff Stults), e vai se casar com ele. Nova notícia ruim: a possessiva e cheia de manias “ex-posa” de David, Tessa (Katherine Heigl, numa folga das comédias) vai usar os truques mais baixos para afastar Julia de do ex-marido e da filhinha deles (Isabella Kai Rice). Pior ainda, Tessa vem acompanhada da mãe (a sempre bela ex-Pantera Cheryl Ladd), que dá medo até na filha.

AVALIAÇÃO: Escolha a alternativa correta para explicar por que dá tranquilamente para esperar ver o filme na TV:
a) Começo meio arrastado
b) Muitos clichês sobre ex-esposa má e ardilosa
c) Excesso de situações forçadas, provocando até algumas risadas no público do cinema
d) Previsibilidade
e) Todas as anteriores

 

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Fragmentado (Split)

Fragmentado (Split), suspense roteirizado, coproduzido, dirigido e com ponta de M. Night Shyamalan, 2016.

ENREDO: Movida por dó, Claire (Haley Lu Richardson) convidou a reservada e discriminada colega Casey (Anya Taylor-Joy) para seu aniversário. Elas e Marcia (Jessica Sula) aguardam o pai de Claire (Neal Huff) guardar as compras do supermercado no carro e partir, mas logo estão nas mãos de Kevin (James McAvoy), um sequestrador. No cativeiro, percebem que não há um, mas dois captores. Ou três? Ou mais? Há (também) Dennis, a autoritária Patricia, o gentil garoto Hedwig, de nove anos, entre outros. Algumas das personalidades são mais afáveis, outras, assustadoras. Em comum, as 23 personalidades que habitam o corpo de Kevin têm apenas o temor pelo surgimento da 24ª, a quem chamam de “A Besta”, e para quem parecem estar guardando as garotas. Mas, se Claire e Marcia procuram fugir de imediato, Casey parece ter a chave de como cuidadosamente manipular Hedwig, em quem identifica as mesmas experiências de um passado doloroso.
Enquanto isso, a psiquiatra Karen Fletcher (Betty Buckley) atende um paciente que parece estar bem recuperado de seu transtorno dissociativo de identidade, semelhante ao de Kevin. Seu nome é Barry. Ou Kevin – o mesmo Kevin que levou as meninas. E a recuperação talvez seja somente uma impressão.

AVALIAÇÃO: Anya Taylor-Joy, a Casey, é ótima. Mesmo calada por algum tempo do roteiro, é bem expressiva. James McAvoy está assustadoramente ótimo em todos as caracterizações, mas… Shyamalan forçou a barra, pois transformou uma ideia brilhante em algo com final difícil de engolir, coloca um quê de ficção científica no transtorno, permitindo às múltiplas personalidades do protagonista adquirirem características físicas diferentes – um tem força sobre-humana, outro diabetes e por aí vai. Precisava disso com um material tão bom? Saudades de O Sexto Sentido

 

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Despedida em Grande Estilo (Going in Style)

Despedida em Grande Estilo (Going in Style), comédia criminal de Zach Braff, com roteiro de Theodore Melfi (diretor e corroteirista de Estrelas Além do Tempo), 2017.

ENREDO: Beirando os 80 anos, tudo o que Joe (Michael Caine), Willie (Morgan Freeman) e Albert (Alan Arkin) querem é viver com algum conforto e dignidade o final de suas vidas. Seus sonhos são modestos, mas mesmo este pouco é destruído pela empresa onde trabalharam por 25 anos. Ela está se mudando para o Vietnã e congelou o pagamento das pensões. Para piorar, o mesmo banco que vai executar a hipoteca de Joe também vai cuidar da liquidação dos fundos da empresa para a qual deram boa parte de suas vidas. É a gota d´água para que os três decidam que, inspirado num bem-sucedido assalto ao banco testemunhado por Joe, eles resolvam rapinar a instituição. Eles calculam o quanto ainda viveriam e o quanto teriam que receber de pensão. Se o assalto render mais que isto, o restante irá para a caridade… Agora é arrumar um parceiro (John Ortiz) mais “escolado”, que saiba fazer um bom planejamento, treinar tiro ao alvo, a fuga… e, claro, preparar álibis. Depois do primeiro “treino”, no supermercado local, dá para sentir que não vai sair grande coisa…

AVALIAÇÃO: O filme acerta ao mostrar a amizade profunda entre os três protagonistas, com suas simpáticas discussões e farpas, mas a comédia praticamente se esgota aí e no trailer (o furto ao supermercado é um pastelão bem divertido). A despedida pode ser em grande estilo, mas o filme é médio. Dá para esperar tranquilamente o filme, que é refilmagem de um filme de 1979, chegar à televisão.
Com pontas da sempre bela Ann-Margret (de Tommy), de Matt Dillon (de Quem Vai Ficar com Mary) e Christopher Lloyd (o eterno Dr. Emmet Brown de De Volta Para o Futuro).

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