Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)

Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion), drama de Garth Davis, 2016.

ENREDO: 1986, Cidade de Khandwa, região central da Índia. O pequeno Saroo (Sunny Pawar), de cinco anos, não desgruda do irmão mais velho, Guddu (Abhishek Bharate). Juntos, ajudam a mãe em seu trabalho de coletar pedras ou fazem pequenos serviços para conseguir alguma comida para levar para casa. Mas agora Saroo deve ficar cuidando da irmã menor, enquanto Guddu sai à procura de trabalho. Ou deveria, porque a insistência do mais novo é tanta que o irmão o leva junto. Quando chegam ao destino final, Saroo está cansado e Guddu pede então que ele o aguarde sem sair do local, enquanto ele procura por emprego. Mas chega a noite, o irmão não retorna, e Saroo acaba entrando num trem que o leva a 1.600 km de sua cidade natal. Perdido na gigante Calcutá e sem falar o bengali, o idioma local, ele tenta explicar que vem de Ganeshtalay, mas ninguém conhece esta cidade. Tampouco ele sabe o nome de sua mãe, que chama de… mãe. Assim, o garoto vive nas ruas até ser levado a um abrigo, onde acaba sendo escolhido para adoção por um amoroso casal da Tasmânia, Sue e John Brierley (Nicole Kidman e David Wenham).
2010. Bem adaptado ao novo lar, amado pelos pais, Saroo (agora interpretado por Dev Patel, de “O Exótico Hotel Marigold”) separa-se deles, mas apenas para estudar hotelaria na Austrália (não, não foi estudar hotelaria para dirigir o Marigold ). É então que, num dos jantares com amigos indianos da faculdade, ao trocarem informações sobre suas origens, Saroo diz que vem de Calcutá, mas se toca de que, na verdade, ele nem sabe de onde vem e de que nunca deixou de se preocupar com a mãe e os irmãos, certamente também preocupados com ele e levando uma vida mito dura. É o tempo do surgimento do Google Earth e, baseado nas vagas lembranças dos locais dos locais por onde passou e do tempo que ficou vagando de trem, Saroo tem agora uma ferramenta que lhe permite sair em busca de suas origens.

AVALIAÇÃO: Um dos momentos mais tocantes deste drama biográfico é aquele em que, conversando com a namorada (Rooney Mara) e os colegas sobre suas origens Saroo diz “Sou de Calcutá”, para então, atiçado por uma lembrança, dizer em seguida “Eu não sou de Calcutá, eu estou perdido”. É o gatilho para o suspense que se segue.
Dev Patel e o pequeno Sunny Pawar são expressivos e estão simplesmente ótimos. Impossível conter a emoção quando o pequeno Saroo abraça sua mãe adotiva, ao sentir o quanto ela sofre com os problemas de comportamento de Mantosh, o filho adotado depois dele (interpretado por Keshav Jadhav, quando pequeno e Divian Ladwa, quando jovem adulto) – um momento tocante, que marca com a transição de época do filme. Outro momento marcante é o diálogo revelador entre Sue (Nicole Kidman, cativante) e Saroo, que acha que protege os pais adotivos ao omitir deles que está à procura da mãe biológica. E, a cada entrada da música-tema de Dustin O’Halloran & Hauschka, mais um turbilhão de emoções.
Obs.: a explicação do título Lion vem ao final do filme. E não percam as cenas nos créditos finais deste que certamente foi um dos melhores filmes da safra 2016.

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Manchester À Beira-Mar (Manchester by the Sea)

Manchester À Beira-Mar (Manchester by the Sea), drama escrito e roteirizado por Kenneth Lonergan (roteirista de Gangues de Nova Iorque), 2016.

ENREDO: Com a notícia de que o irmão Joe (Kyle Chandler) foi internado novamente, Lee Chandler (Casey Affleck) retorna à pequena Manchester. Mas ele chega apenas para descobrir que desta vez o coração do irmão não resistiu. E o que era para ser uma semana para cuidar dos preparativos do funeral e definir o futuro do sobrinho adolescente (Lucas Hedges) agora parece não ter fim, pois, com a mãe de Lucas (Gretchen Mol) incapacitada psicológica e judicialmente para cuidar dele e sem mais parentes na cidade, Joe fizera do irmão – sem seu conhecimento – o tutor do filho. Mas tudo o que o misantropo Lee quer é voltar ao refúgio de seu emprego medíocre em Boston e evitar reavivar as dolorosas lembranças do passado em Manchester e então decide arrastar Lucas consigo. Está criado o conflito, pois a cidade é tudo para o rapaz: as meninas, sua banda, seus esportes e, mais que tudo, o barco que o pai lhe deixou e que significa suas melhores lembranças.

AVALIAÇÃO: No ápice de um suspense que se anunciava sutilmente, passamos a entender como o protagonista se tornou o misantropo rabugento e explosivo que não consegue enfrentar olhares, manter um diálogo mínimo ou mesmo demonstrar carinho pelo sobrinho que lhe era tão querido até poucos anos antes. E esse é o ponto mais marcante do filme, que, de resto, é chato.
Casey Affleck (irmão mais novo de Ben e mais bem cotado para o Oscar de ator principal) transmite muito bem o desânimo do protagonista, que, em contraste total com o sobrinho (Lucas Hedges, cotado para o Oscar de coadjuvante), que parece saber superar bem melhor o acontecimento e decide levar sua vida adiante, prefere voltar a se enterrar em sua mediocridade. Mas nem a dupla salva o filme.

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A Chegada (Arrival)

A Chegada (Arrival), suspense dramático de ficção científica de Dennis Villeneuve, baseado no conto “História da Sua Vida”, de Ted Chiang. 2016.

ENREDO: “Se você pudesse ver toda sua vida do início ao fim você mudaria as coisas?”, reflete Louise Banks (Amy Adams), enquanto repassa o curto tempo que teve ao lado da filha até perdê-la para uma doença incurável. De volta à realidade, a professora de linguística está mais uma vez diante de uma plateia escassa, que mal lhe dá atenção quando ela vai explicar “por que o português soa diferente de qualquer outra língua românica”. Mas hoje há uma razão especial para a perda de foco: o mundo prende a respiração para saber qual a intenção das doze gigantescas naves espaciais que pousaram em diversos pontos do planeta e que ainda não fizeram contato… exceto por alguns misteriosos sons, que ela logo é convocada a decifrar por um coronel do exército americano (Forest Whitaker, Oscar por O Último Rei da Escócia). Juntamente do físico Ian Donnelly (Jeremy Renner, de Guerra ao Terror e da cinessérie Jason Bourne) e de cientistas dos outros países que “hospedam” as naves, ela deverá descobrir o mais rapidamente possível quais as intenções dos visitantes, antes que militares mais belicosos ataquem os extraterrestres. A comunicação (ou a falta de) pode ser a chave de tudo e Louise sente que é hora de arriscar um contato mais próximo…

AVALIAÇÃO:Outra envolvente interpretação de Amy Adams, de Trapaça, Grandes Olhos, Julie & Julia e Dúvida neste filmaço, tão empolgante quanto seus “primos” Interestelar e Gravidade, e que tem suspense e drama cativantes e uma genial revelação ao final (e não importa que você a capte antecipadamente, pois você já estará preso à trama).
A linguística (sim, sim, houve consultoria de especialistas) é responsável pelo desvendamento do mistério e, mesmo que não se entendam todas as tecnicalidades, não há problema.
O filme é na maior parte do tempo um tanto escuro – e por vezes claustrofóbico –, mas isto é mais que compensado pelo enredo, pela bela paisagem da maravilhosa casa onde vive a protagonista, pela trilha de Jóhann Jóhannsson e pela triste e arrepiante “On the Nature of Daylight”, de Max Richter, que abre e fecha o filme.

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A Grande Fome de Mao (La Grande Famine de Mao)

A Grande Fome de Mao (La Grande Famine de Mao), documentário histórico de Patrick Cabouat e Philippe Grangereau, 2011.

ENREDO: Após tomar o poder na China em 1949, o “Grande Timoneiro” Mao procurou seguir os passos de Stalin, a começar pela coletivização das propriedades e dos meios de produção, para então conseguir aumentar a produção de alimentos. Emprestando técnicas e verbas soviéticas, Mao sacrificou o interior do país e tornou os camponeses peças de uma grande máquina produtiva – ou melhor, improdutiva –, sacrificando sua individualidade em prol da construção de uma “grande nação” e da luta contra os “imperialistas” americanos e de Taiwan. O fim da individualidade ia ao ponto de determinar a separação de homens e mulheres como em quarteis, a proibição do sexo para os casais e a obrigação do uso do refeitório coletivo. A comida era adquirida por “mérito”: os mais fracos e os que produziam menos eram castigados com a fome.
Em 1953, Stalin morreu e, em 1956, Kruschev revelou seus crimes ao mundo – e alertou Mao para o fracasso da coletivização, que, contrariamente ao que pretendera Stalin, não havia servido para os soviéticos ultrapassarem a produção americana de alimentos. Mas Mao não se deixou abater e, não somente persistiu com sua fórmula na agricultura como “coletivizou” também a siderurgia. Propôs-se a, em 15 anos, ultrapassar a produção de aço do Reino Unido, e conseguiu absurdos tragicômicos: a destruição de vasta quantidade de árvores, panelas e maçanetas para uso nos fornos, que geraram apenas aço de péssima qualidade.
Na agricultura, o mau planejamento gerava erros como a destinação de terras inadequadas aos plantios desejados e cotas inatingíveis. Se inatingíveis na pratica, eles eram alcançadas no papel: para vencer outras regiões, líderes falseavam resultados, por exemplo, jogando palha sob o trigo, para aumentar o volume. Oras, se a produção era teoricamente maior, a cota regional para envio para “pagamento de dívidas” do governo central também o era e, desta forma, somente sobrava a palha para consumo local. Resultou disto que, durante o auge da fome, nos quatro anos do teimoso “Grande Salto Adiante” (1958-1962), grassaram a morte por inanição, canibalismo, “reciclagem” de corpos (desenterrados para serem transformados em adubo), cadáveres espalhados ao longo de estradas; os líderes locais eram donos da vida e da morte, prejudicavam desafetos, trocavam comida por sexo e puniam cruelmente qualquer forma de furto de alimentos.
Enquanto isso, os poucos ocidentais que vinham ao país eram enganados com farsas que de campos férteis e povo sorridente e bem alimentado (ironicamente, até futuro presidente francês François Miterrand escreveu um artigo elogiando os programas de Mao).
Em 1962, Liu Shaoqi, o terceiro homem mais poderoso do país, foi eleito presidente e, em viagem à sua terra natal, descobriu a farsa de Mao, passando a criticar a si e aos demais líderes. Logo pôs-se a desfazer o programa do “timoneiro” e tentar desfazer os estragos. Mas, em 1966, temendo os que lhe pudessem fazer sombra, Mao iniciou a Revolução Cultural, sob a pretensão de atacar os “burocratas do partido”. O Grande Salto Adiante havia sido enterrado, mas outra calamidade se abateria sobre o país, e ela duraria até a morte do sanguinário ditador, em 1976.

AVALIAÇÃO: 50 anos depois do que talvez tenha sido o maior genocídio do século XX, ainda é tabu na China discutir a “Grande Fome” provocada pelo ditador Mao Zedong (ou Mao Tse Tung). Mas este documentário não deixa passar a oportunidade de examinar o assunto com profundidade e revelações surpreendentes. Entre 1958 e 1962, foram 25 milhões de mortos? 36? 48? 55? Muitos documentos foram destruídos, prejudicando uma estimativa correta. Mas, se o último número for o correto, Mao terá conseguido ultrapassar Hitler. E já deixou bem para trás o Holodomor ucraniano (“extermínio pela fome” provocado por Stalin anteriormente ao de Mao).
Além dos impressionantes relatos dos estragos deixados por Mao, são revoltantes as cenas do povo tendo que mostrar uma falsa felicidade e das crianças sendo doutrinadas desde cedo para o ódio aos “imperialistas” (assim como os palestinos do Hamas e o Estado Islâmico/Daesh fazem atualmente com as crianças sob seu jugo).
O documentário é essencialmente baseado nos documentos que puderam ser resgatados e em depoimentos de sobreviventes do Grande Salto Adiante e de dois pesquisadores, o historiador holandês sediado em Hong Kong Frank Dikötter e o jornalista chinês (e membro do PC) Yang Jisheng, que, para explicar por que escreveu a respeito do assunto em seu livro “Lápide” (“墓碑”), explica de forma magistral: “Se uma nação não pode encarar sua história, ela não tem futuro”. Uma lição imperdível sobre como uma liderança pérfida pode rapidamente levar uma nação à catástrofe.
http://www.chinesja.com.br/2016/08/grande-fome-de-mao-documentario.html.

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Sobrevivi ao Holocausto

Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

 

AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

 

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Veja SP – Seja o crítico

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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O Chamado 3 (Rings)

O Chamado 3 (Rings), suspense de terror de F. Javier Gutiérrez, 2017.

ENREDO: Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) perdeu o contato com seu namorado, Holt (Alex Roe), pouco depois de ele partir para a faculdade. Preocupada, ela vai até o campus e contata o professor (Johnny Galecki) com o qual Holt pesquisava um misterioso vídeo e acaba por encontrar o namorado. A má notícia é que ele assistiu ao vídeo e que, assim como os que o fizeram, recebeu um chamado telefônico avisando que está condenado a morrer em sete dias – o que só evitará se arranjar um “seguidor” que assista à sua cópia do vídeo. Apesar de advertida para não o fazer, Julia é vencida pela curiosidade, e agora ela vai morrer no lugar do namorado. Determinados e entender e ver se é possível dar fim à “maldição” eles vão à pequena cidade onde a fantasmagórica menina do vídeo, Samara (Bonnie Morgan), teria sido morta. Mas parece que todos têm algo a esconder por lá.

AVALIAÇÃO: Esta é uma “prequência” do filme “O Chamado”, de 2002, ou seja, um filme que o segue, mas que traz uma explicação que antecede os fatos do filme anterior. Bons sustos e uma história que dá mesmo uma boa explicação para a origem da fantasmagórica Samara. Mesmo que em vários momentos dê para se prever a revelação que vem a seguir, isso não chega a estragar o suspense. Não vai ficar tanto na memória como o assustador filme de 15 anos antes, mas vale a visita para fãs de suspense de terror.

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A Morte de Luís XIV (La Mort de Louis XIV)

A Morte de Luís XIV (La Mort de Louis XIV),Drama biográfico e histórico de Albert Serra, 2016.D

ENREDO: Com um ferimento na perna de Luís XIV (Jean-Pierre Léaud, alter ego de Truffaut em diversos de seus filmes) transformando-se em gangrena e com seus médicos cada vez mais impotentes para tratá-lo e tendo optado por preservar a perna, arrisca-se até o elixir de um charlatão (Vicenç Altaió) para salvar o Rei Sol. Mas esse é o começo do fim.

AVALIAÇÃO: Figurinos muito bons, assim como o retrato de personagens da época, como os membros do clero, os assessores, a claque que está sempre a elogiar o rei, os médicos da corte e o curandeiro charlatão. Mas o filme é péssimo e não é só o rei que agoniza… Diálogos monótonos num ambiente soturno e com praticamente toda encenação se passando num quarto só é exasperante. Sempre havia a esperança de que o enredo tivesse alguma reviravolta, mas… perda de tempo.

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Florence: Quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)

Florence: Quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins), comédia dramática e biográfica de Stephen Frears (de A Rainha e Philomena), 2016.

ENREDO: Florence Foster Jenkins sonhava em ser pianista de concertos, mas um ferimento no braço encerrou precocemente suas pretensões. Já adulta, a rica herdeira tornou-se mecenas das artes e tinha, entre seus amigos, gente como Cole Porter (Mark Arnold) e o maestro Toscanini (John Kavanagh). Suas atuações limitavam-se a algumas encenações teatrais, produzidas e apresentadas pelo seu segundo marido, St. Clair Bayfield, um ator que, sabedor de seus dotes limitados, abandonara a carreira para dedicar-se aos projetos da esposa. Mas agora, em 1944 e aos 75 anos, Florence acha que é hora de repensar em seu projeto de se tornar cantora lírica. O marido procura dissuadi-la, pois sabe que os problemas de saúde crescentes da esposa limitarão suas forças e, mais ainda, que ela é tremendamente desafinada. No entanto, a impetuosa Florence não desiste e almeja testar-se em sua própria casa de espetáculos e depois apresentar-se no Carnegie Hall, restando a St. Clair providenciar um professor de canto (David Haig), que convenientemente estará ausente da cidade nas apresentações da aluna, e também um professor de piano. A química entre ela e o contratado, Cosmé McMoon (Simon Helberg, da telessérie Big Bang), é imediata. Mas ele logo percebe que sua carreira até então medíocre poderá afundar mais ainda se acompanhar a cantora em suas aparições. Já que Florence não desiste, num derradeiro esforço para evitar o pior, St. Clair apela até a subornos a jornalistas e à escolha do público “adequado”, tudo para dar sumiço nas críticas pesadas que surgirão para a “pior cantora do mundo”.

AVALIAÇÃO: O filme mostra com simpatia o casal de protagonistas. Florence era péssima cantora (o que chegava até a divertir as plateias), mas generosa mecenas; além das verbas para artistas e casas de espetáculos, sua própria apresentação no Carnegie Hall foi dedicada aos jovens veteranos II Guerra, vítimas de danos físicos e psicológicos. E o carinhoso St. Clair lhe era totalmente dedicado – apesar de infiel, como logo percebemos, mas por razões que compreendemos ao longo do filme.
O trio de protagonistas está ótimo: Meryl Streep diverte (e comove) como a cantora desafinada, Hugh Grant ainda nos brinda com um (pena que curto) show na pista de dança e Simon Helberg é quem tem as melhores falas do filme (aliás, nem de falas precisaria, pois ele é um show de expressões faciais).
Perdido no cinema, mas finalmente recuperado na TV a cabo, é, como eu esperava, um bom filme. E que não precisava ter recebido um título apelativo em português.
Para quem quiser arriscar os ouvidos, http://www.youtube.com/watch?v=qtf2Q4yyuJ0 (“Florence Jenkins massacres Mozart”).

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Passageiros (Passengers)

Passageiros (Passengers), suspense dramático e de ficção científica de Morten Tyldum (de O Jogo da Imitação), 2016.

ENREDO: Num futuro distante, o planeta-colônia Homestead recebe moradores da Terra que se dispõem a viajar em hibernação por 120 anos, sabendo que, na chegada, seus entes queridos na Terra estarão mortos. Se isto já uma sensação angustiante, o que dizer de acordar faltando 90 anos para o encerramento da viagem? E é o que ocorre com Jim Preston (Chris Pratt, da refilmagem de Sete Homens e um Destino) e Aurora Lane (Jennifer Lawrence, da cinessérie Jogos Vorazes), vítimas de uma falha do sistema de casulos e que agora enfrentam a perspectiva de envelhecerem, morrerem e não alcançarem seu destino, tendo apenas a companhia um do outro. Bom, e também do simpático e educado androide barman Arthur (Michael Sheen, de Frost/Nixon).

AVALIAÇÃO: A premissa é sensacional: o que você faria se soubesse que iria ficar sozinho por 90 anos numa viagem onde até uma mensagem demora dezenas de anos para alcançar o ser vivo mais próximo? Mais ainda, essa angústia é agravada por um pesado segredo que um dos protagonistas guarda (e que é a cereja do bolo do filme). E, para que não se diga que o filme abandona as receitas clássicas do suspense no espaço, há a possibilidade de uma pane na nave resultar em tragédia.
Morten Tyldum, diretor do excelente Jogo da Imitação, emplacou mais um grande suspense dramático, contando ainda com a excelente química entre Chris Pratt e Jennifer Lawrence.

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Foxcatcher (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)

Foxcatcher (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo), drama biográfico de Bennett Miller, 2014.

ENREDO: Os pais de David “Dave” e Mark Schultz (Mark Ruffalo e Channing Tatum) divorciaram-se quando eles eram muito novos. Dave, um ano mais velho, era não só o treinador, mas também a figura paterna para Dave e, em 1984, ambos se tornaram medalhistas de ouro olímpicos em luta greco-romana.
John Eleuthère du Pont, herdeiro do império que leva seu nome, criou na fazenda da família um grande centro de treinamento e montou a Foxcatcher, uma equipe de luta greco-romana. É um esporte que ele venera, mas que a mãe (Vanessa Redgrave) despreza como “baixo” – ela prefere os cavalos de competição da família… que John despreza. Mas, por mais que ele procure se afastar da presença dominadora da mãe, John vive bem próximo a ela e tenta de toda maneira mostrar-lhe que tem valor. Formar um campeão olímpico para 1988 seria a grande oportunidade para tal.
Mark tinha carência de um pai e John poderia supri-la. Mark quer ser o melhor do mundo; Du Pont é um “patriota, que quer ver o país crescer novamente”. Eles são a combinação perfeita, e só falta convencer Dave a deslocar-se com a família para a fazenda e aderir ao projeto. Quando John finalmente consegue fazê-lo, o clima entre ele e Mark já está pesado, ele já envolveu seu pupilo com a cocaína e provocou o afastamento entre os irmãos. A química certa para uma tragédia.

AVALIAÇÃO: Channing Tatum e Mark Rufallo também estão ótimos como os irmãos Schultz, mas é Steve Carell (sob pesada maquiagem), que domina o show, como o excêntrico milionário. Um sujeito que mostra grande autoestima, mas que no fundo é extremamente carente de reconhecimento e que manobra todos para isto. Assim é que Dave Schultz é quem sabemos todos ser o verdadeiro técnico da equipe, mas John rouba para si o título. Ou, mais ridícula ainda, a situação em que que ele obriga Mark a ler um discurso que nitidamente não foi confeccionado por este e que define John como “tutor, filatelista, ornitologista e filantropo”. Um sujeito patético.

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