Sarajevo (Das Attentat: Sarajevo 1914)

Sarajevo (Das Attentat: Sarajevo 1914), drama histórico com toques de suspense e romance de Andreas Prochaska e Kurt Mündl, 2014.

ENREDO: 28/06/1914. O herdeiro do trono austro-húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando (Reinhard Forcher), e sua esposa, a princesa Sofia (Michaela Ehrenstein), visitam Sarajevo, a capital da Bósnia e Herzegovina, região dos Bálcãs controlada pelo império austro-húngaro. Um atentado a bomba contra o séquito provoca dois feridos na comitiva e diversos outros na multidão; o príncipe-herdeiro vai ao hospital visitá-los e, apesar dos riscos, decide retornar ao percurso pela cidade. Seu motorista entra numa rua errada e faz o retorno; é a oportunidade para o anarquista bósnio de origem sérvia Gavrilo Princip (Eugen Knecht) atirar contra Francisco Ferdinando; morrem ele a e esposa.
O juiz de instrução Leo Pfeffer (Florian Teichtmeister) ainda está interrogando o autor do primeiro atentado, Nedeljko Čabrinović (Mateusz Dopieralski), quando lhe chega a notícia do segundo. Todos os suspeitos são sérvios da Bósnia e ele desconfia que se trate de um grupo separatista limitado que quer a independência da Bósnia, Sérvia e Croácia em relação à Áustria. Mas seus superiores austríacos exigem um inquérito que conclua o envolvimento do governo local, o que daria razões para a Áustria declarar a guerra e, apoiada pelos alemães e prussianos, firmar o domínio sobre os estados da região e, mais adiante, sobre a França e até a Rússia. Ficariam satisfeitos também os interesses econômicos dos que almejavam uma ferrovia ligando o império otomano a Viena.
O metódico, impassível e correto Pfeiffer vai conduzindo suas investigações e começa a desconfiar dos interesses escusos na morte do herdeiro, o que é reforçado por uma série de detalhes instigantes nos atentados: a data escolhida para o cortejo, o Dia de São Vito, o padroeiro nacional, implicava em ruas lotadas; a guarda de proteção destacada para o trajeto era muito pequena; o roteiro havia sido amplamente divulgado na imprensa e o desvio errado favoreceu o conveniente posicionamento dos sérvios-bósnios. Mas a pressão para que Pfeffer assine um documento já preparado é grande: ele é humilhado por ser um húngaro-croata de origem judaica (apesar de protestante batizado, como ele ressalta) e chantageado pelo envolvimento romântico com uma sérvia de origem bósnia (Melika Foroutan). Decidido a prolongar as investigações até onde for necessário, Pfeffer pede um mês de prazo. Mas recebe apenas 24 h para tomar uma decisão.

AVALIAÇÃO: Apesar do interesse austríaco e alemão na guerra, fica a dúvida sobre se os detalhes do plano são reais; Leo Pfeffer (em envolvente interpretação de Florian Teichtmeister) existiu, mas seu papel foi tão crucial? Já sua amada, a aristocrata Marija Jeftanovic (Melika Foroutan), o pai dela (Juraj Kukura) e seu misterioso amigo, o médico Herbert Sattler (Heino Ferch), são personagens criados para expor os reais interesses dos austríacos e alemães e que situam o espectador na vasta trama de que nem os pobres acusados se dão conta. Um grande filme, com ótimo suspense, sobre um evento poucas vezes presente nas telas da TV ou cinema (esse estava na Netflix).
Único porém (a conferir) é que parece que há um erro na legenda do filme em português, logo no começo – o atentado é datado como 28/07, em vez de 28/06/1914.

 

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Lída Baarová (Lída Baarová)

Lída Baarová (Lída Baarová), drama histórico e biográfico de Filip Renc, 2016.

ENREDO: O que a senhora Baarová (Simona Stasová) mais queria era que a filha mais velha, Lida (Tatiana Pauhofová), trilhasse uma bem-sucedida carreira de atriz, o que ela mesma não conseguira.
Da Tchecoslováquia natal para a Alemanha dos anos 30 foi um rápido passo para a filha e a chance de trabalhar ao lado do ídolo Gustav Fröhlich (Gedeon Burkhard) vale os intensos esforços da jovem para perder o sotaque. Conseguir o amor de Fröhlich e fazê-lo deixar a esposa é a conquista seguinte. Mas, quando o casal se torna vizinho do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels (Karl Markovics), é criada a receita para a desgraça de Lída. Cada vez mais seduzida pela inteligência e conversa deste (jocosamente apelidado de “anão manco”, mas dono de fama de conquistador e excelente orador) e cada vez mais irritada com a demora de Gustav em obter o divórcio da primeira esposa, Lída deixa-se envolver por Goebbels e, com a tomada definitiva da indústria cinematográfica alemã pelo nazismo, acaba por tornar-se ela mesma uma poderosa figura. Mas, por mais que a esposa de Goebbels, Magda (Lenka Vlasáková), tolere as inúmeras amantes do marido, ela não vai admitir a ideia de que uma delas possa lhe tomar o marido. Talvez Lída devesse ter escutado melhor o pai (Martin Huba); talvez ela também devesse ter aproveitado sua fama e aceitado o convite para trabalhar em Hollywood, no lugar de ceder à tentação de um romance que tinha tudo para trazer trágicas consequências, não só para si como para sua família.

TRAILER:https://vimeo.com/169358410om https://vimeo.com/169358410om

AVALIAÇÃO: O filme é levado como um docudrama, como uma pretensa entrevista de uma jornalista (Hana Vagnerová) a uma já idosa Lída Baarová (Zdenka Procházková). Um pouco lento ao mostrar a ascensão de Lida até chegar ao romance com Goebbels, o filme é muito interessante por mostrar como os princípios “puristas” deste podiam ser facilmente deixados de lado quando procurava agradar a amante (chegando a poupar uma atriz judia). Bom, como o filme mostra depois, certas “correções de rumo” são impostas a Goebbels. O que surpreendeu foi que, apesar de o filme dar a impressão de que abordaria apenas o romance de Lída (aliás, ela e Goebbels realmente pareciam apaixonados), ele foca também no período comunista no pós-guerra e nas trágicas consequências das decisões de Lida. E não deixa passar em branco a perseguição aos judeus e a famigerada Noite dos Cristais, parte do contexto em que Lída viveu. Vale a visita!

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Jackie (Jackie)

Jackie (Jackie), drama histórico e biográfico de Pablo Larrain, 2016.

ENREDO: Em entrevista a um jornalista (Billy Crudup) pouco após a morte do marido, Jack (Caspar Phillipson), a ex-primeira dama Jackie Kennedy (Natalie Portman) lembra dos momentos do atentado, dos momentos de conto de fadas na Casa Branca, da passagem do poder ao vice, Lyndon Johnson (John Carroll Lynch), da luta para que a cerimônia fúnebre estivesse à altura do legado do marido, de como teve que ser forte para contar aos filhos o que havia ocorrido e da saída da Casa Branca.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=g9pW3B8Ycc4

AVALIAÇÃO: Bem falado na época em que passou no cinema. Uma vez perdido, restou ver na TV a cabo. É interessante por mostrar uma Jackie decidida e senhora da situação (o que fica bem claro nos termos da entrevista ditados ao jornalista), os bastidores do que foi o pomposo enterro do presidente Kennedy – a coisa não foi tão simples de ser efetivada, houve divergências, conflitos e mágoas – e por transmitir a sensação de Jackie de praticamente ser despejada da Casa Branca, o que não passaria na cabeça do “comum mortal”. Talvez os melhores momentos estejam nas reflexões que a protagonista tem com um padre (John Hurt). Mas não empolga, mesmo com o desempenho de Natalie Portman, que leva o filme praticamente sozinha.

 

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O Banqueiro da Resistência (Bankier van het Verzet)

O Banqueiro da Resistência (Bankier van het Verzet), suspense dramático e histórico de guerra de Ioram Lürsen, 2018.

ENREDO: 1941, Holanda sob ocupação nazista. Um dos líderes do Movimento Nacional Socialista holandês, Rost van Tonningen (Pierre Bokma), é nomeado presidente do Banco Nacional Holandês pelas forças de ocupação. Sua gestão é encarregada do humilhante pagamento dos “custos de ocupação” do país e de “empréstimos” à Alemanha de Hitler.
1942. O agente de codinome Van den Berg (Raymond Thiry) contata o experiente banqueiro Walraven “Wally” van Hall (Barry Atsma) para que ele expanda sua eficiente atividade de arrecadação de fundos de modo a financiar a resistência e ajudar a esconder judeus e outros perseguidos pelo regime. Em seguida, Wally usa seu talento para o convencimento e arregimenta o inicialmente hesitante irmão mais velho Gijs (Jacob Derwig), além de outros banqueiros. Da criação de um banco clandestino ao “sequestro” de uma fortuna em bônus do tesouro nacional, as operações dos irmãos vão ficando cada vez mais audaciosas. Mas, com cada vez mais pessoas envolvidas e com as operações tomando maior vulto, torna-se cada vez maior o risco de vazamento ou traição e os nazistas vão fechando o cerco sobre a misteriosa figura de Van Tuyl, o líder do esquema.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=OvK1xpnlDM8 (Netflix)

AVALIAÇÃO: Filmaço, com um suspense pesado e uma história fantástica. Tem algumas cenas mais fortes de torturas da polícia nazista, mas… foi a realidade enfrentada pela resistência. Muito tenso, com raros momentos de alívio, o filme nos faz imergir no pesado clima pelo qual passou a Holanda ocupada. Pela sua atuação na resistência, Wally van Hall seria agraciado por Israel com a honraria “Justo entre as Nações”, destinada a não-judeus que arriscaram suas vidas para salvar os judeus do Holocausto (Wally teria conseguido salvar entre 800 e 900 deles).
A única crítica é que as tramas financeiras podem ser por vezes difíceis de acompanhar. Mas, à medida que se desenrolam, recupera-se o fio da meada – ou pelo menos entende-se o grosso da situação e os detalhes financeiros não entendidos acabam não fazendo diferença.
E é recomendável tentar acompanhar bem os personagens secundários da Resistência, para não se perder entre eles.

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Operação Final (Operation Finale)

Operação Final (Operation Finale), suspense dramático e histórico de Chris Weitz, 2018.

ENREDO: Matar judeus em caminhões com o uso da fumaça do escapamento ou fuzilá-los em valas comuns estava minando o moral das tropas nazistas, então coube a Adolf Eichmann dar um cunho mais “industrial” e impessoal à matança. Finda a Segunda Guerra Mundial, vários dos comandantes nazistas foram capturados ou se suicidaram, mas Eichmann, depois de se esconder na Áustria, acabou encontrando refúgio com o governo filonazista da Argentina. Uma coincidência dá a uma judia argentina de origem alemã (Haley Lu Richardson) o paradeiro do “arquiteto da solução final”, e a informação chega ao procurador-geral alemão Fritz Bauer (Rainer Reiners), que a leva ao governo israelense.
O manipulador Eichmann, que ludibriava os rabinos, convencendo-os a colocar nos trens as cargas humanas que seriam objeto de extermínio, vivia sob o nome falso de Ricardo Klement e tratava os seus filhos, que ainda adotavam o sobrenome Eichmann, como se fossem seus sobrinhos, abrigados após o desaparecimento do pai.
A pista é inicialmente rejeitada, pois a preocupação de Israel era dedicar os escassos recursos a garantir o país contra riscos e não tratar do passado, mas a confirmação de que se tratava do próprio Eichmann e o empenho de alguns sobreviventes (e parentes) do Holocausto no Mossad acaba por dar origem à operação capitaneada pelo Isser Harel (Lior Haz, da telessérie Fauda): capturar e “extrair” o nazista e expô-lo a um julgamento público em Israel pela acusação, entre outras, de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, num julgamento com direito a uma defesa que suas vítimas nunca lograram conseguir.
Nas palavras de Ben-Gurion: “se vocês forem bem-sucedidos, pela primeira vez na história julgaremos nosso carrasco e impediremos quem quiser seguir seu exemplo. Se falharem, ele escapará da justiça… talvez para sempre”.
O plano para captura do alvo: aproveitar-se da rotina cronometrada do alvo, aproximar-se dele e agarrá-lo, o que seria função do agente Peter Malkin. Para a fase da extração, mantê-lo sedado e embarcá-lo como parte da tripulação de um voo da companhia aérea israelense El Al, que estaria no país para as comemorações do 150º aniversário da independência argentina.
Mas, não bastasse o nazista ser extremamente cuidadoso, ele conta com a proteção do Serviço de Informações argentino, infiltrado por nazistas como Carlos Fuldner (Pêpê Rapazote). E, se as comemorações do aniversário da independência podem servir de desculpa para a presença israelense, por outro lado as barreiras policiais são mais frequentes, o que tornará a missão mais espinhosa.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=G7V1O922Efs

AVALIAÇÃO: A captura de Eichmann ocorre relativamente no começo do filme, mas o espectador não vai ficar aliviado, pois aí é que começa a grande tensão: mantê-lo escondido até que todos os outros detalhes do plano tenham sido ajustados. Alguns deles soam burocraticamente ridículos, como, por exemplo, atender as exigências da companhia aérea israelense para levar o “passageiro” a bordo apenas com seu consentimento.
Detalhe: A insistência do incansável procurador-geral alemão Fritz Bauer em não deixar os nazistas se esconderem também foi retratada no excelente Labirinto de Mentiras.
O QUE É FATO E O QUE É FICÇÃO NO FILME: http://time.com/5373420/true-story-operation-finale/
Disponível na Netflix.

 

 

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Sobrevivi ao Holocausto

Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

 

AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

 

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Veja SP – Seja o crítico

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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A Ponte de Remagen (The Bridge at Remagen)

A Ponte de Remagen (The Bridge at Remagen), ação dramática de guerra de John Guillermin, 1969.

ENREDO: No começo de 1945, com americanos e britânicos tentando cruzar a Alemanha pelo Rio Reno, a única saída para os alemães era destruir todas as pontes sobre o rio. No dia 7 de março, após os aliados verem a ponte Obercassel ser destruída pelo inimigo, a única das 136 que resta tomar é a Ludendorff, ou Ponte de Remagen. Os alemães dependem dela para que os 75.000 homens de seu 15º Exército possam cruzar de volta e evitar serem cercados pelos aliados, mas para Hitler isso pouco importa: os aliados devem ser impedidos a todo custo de tomá-la. Assim, o major alemão Paul Krueger (Robert Vaughn), é enviado pelo Coronel-General von Brock (Peter van Eyck) com a missão de explodir a ponte, mas, ao mesmo tempo, contrariar Hitler e adiar as ordens ao máximo, até que o 15º Exército tenha cruzado de volta. Se deixar os aliados tomarem a ponte, Krueger enfrentará a corte marcial. Mas, com poucas centenas de homens e apenas boatos para contar aos soldados sobre reforços e armas que estão para chegar, suas esperanças são poucas.
Do lado aliado, o Tenente Hartman (George Segal) transita entre ordens conflitantes sobre o destino a ser dado à ponte e ainda tem que lidar com um comandante fraco (Bradford Dillman) e um sargento rebelde e indisciplinado (Ben Gazzara).
Em pouco tempo, os dois chefes militares estarão enfrentando, cada um a seu modo, missões praticamente suicidas.

AVALIAÇÃO: 50 anos para descobrir um DVD com essa história real e pouco comentada sobre um evento importantíssimo da Segunda Guerra! Não é um clássico como “Uma Ponte Longe Demais”, mas é muito bom. Alguns personagens não são tão desenvolvidos como mereceriam, mas é interessante ver como os dois inimigos, o major alemão e o tenente americano, vão se despojando da humanidade (sim, o filme é bem neutro e mostra os dois dessa forma) e passando a se comportar como aqueles que tanto desprezam. E, além dos aspectos humanos (com forças e fraquezas), o filme tem ação quase incessante de infantaria e tanques.

 

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(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer)

(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer), comédia romântica com toques dramáticos de Marc Webb, 2009.

ENREDO: “Você deve saber de antemão. Isso não é uma história de amor”, alerta solenemente o narrador (Richard McGonagle).
Tom (Joseph Gordon-Levitt, de A Origem) é um jovem arquiteto que só conseguiu emprego como desenhista de cartões comemorativos e vive a monotonia do dia a dia na empresa até a entrada da nova assistente, Summer (Zooey Deschanel), recém-chegada à cidade. Para Tom, que acredita em romances de contos-de-fadas, é amor à primeira vista. Mas Summer, desiludida com a separação precoce dos pais, deixa muito claro que não crê em romances ou que o destino possa juntar as pessoas e que para ela existem amizades, não relacionamentos. E assim, ao longo de 500 dias, Tom vai finalmente conquistar (ou ser conquistado por) Summer, ser colocado no “devido lugar”, tomar choques de realidade com a objetiva irmãzinha (Chloë Grace Moretz), reconquistar e ser reconquistado por Summer, perdê-la novamente e… Que dureza…

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=PsD0NpFSADM

AVALIAÇÃO: A trilha sonora é caprichada, tem Belle & Sebastian, Daryll Hall & John Oates, Patrick Swayze, The Cure, The Smiths, The Temper Trap, e o filme faz bem-humoradas menções a filmes como A Primeira Noite de Um Homem e O Sétimo Selo. O vai e volta no tempo torna o filme bem mais interessante do que se fosse em ordem cronológica. A química dos de Gordon-Levitt e Deschanel é ótima e a cena de Tom radiante com o primeiro beijo é um show. Não é nada de excepcional, mas é um passatempo bem gostoso.

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O Último Imperador (The Last Emperor)

O Último Imperador (The Last Emperor), drama histórico e biográfico corroteirizado e dirigido por Bernardo Bertolucci, 1987. 

ENREDO: Em 1950, Pu Yi (John Lone), dos Aisin Gioro (Clã Dourado), conhecido no ocidente como o imperador Henry Pu Yi, o último imperador chinês, foi levado à justiça pela República Popular da China como traidor, colaborador do inimigo (os japoneses) durante a Segunda Guerra e contrarrevolucionário. Nos interrogatórios, ele vai recordar os momentos desde que, ainda com três anos incompletos (papel de Richard Vuu), fora escolhido pela moribunda imperatriz-viúva Ci Xi (ou Tseu-Hi, interpretada por Lisa Lu) para ser seu sucessor e tirado dos braços de sua mãe, a princesa-consorte Chun e levado apenas na companhia de sua carinhosa ama-de-leite, Ar Mo (Jade Go), para viver recluso na Cidade Proibida, em Beijing (Pequim), onde ficaria sete anos sem ver os pais e o irmão caçula, Pu Chieh (Henry Kyi), cercado apenas por eunucos, soldados e concubinas imperiais viúvas, que lhe serviam de “mães”. Senhor absoluto do reino e da vida de seus súditos, nunca tendo sequer escovado os dentes ou amarrado os sapatos por conta própria, ele estava, por outro lado, impedido pelas leis e tradições de deixar os muros da Cidade Proibida, guardado pela mesma criadagem que tratava muitas vezes com crueldade.
Com o advento da República 1911-12, a abdicação forçada de Pu Yi aos oito anos (interpretado então por Tijger Tsou) e o fim do domínio de quase 300 anos sobre a China da dinastia Qing, seus poderes ficam restritos aos muros da cidade e assim ele vive até que, em 1919, em meio às turbulências e protestos contra a corrupção que ameaçam trazer o caos ao país, ele recebe um tutor, o escocês Reginald Fleming Johnston (Peter O’Toole), designado para a posição pelo presidente Xu Shi Chang, que acreditava que a monarquia seria eventualmente reestabelecida e Pu Yi deveria ser preparado para os desafios do mundo moderno. Esse aprendizado traz para Pu Yi o desejo de sair do seu retiro forçado e conhecer a Cidade dos Sons (a Beijing fora dos muros) ou até partir para a Europa. Mas, se seus poderes imperiais são sempre restritos e nem a imperatriz e as concubinas lhe cabe escolher, ele tem a sorte de lhe ser indicada para esposa a moderna e arrojada Wan Jung (ou Wanrong, representada pela atriz Joan Chen), sintonizada com a vida europeia, poliglota e alguém capaz de acompanhar seus anseios. Mais sorte ainda, a concubina, Wanxiu, tem igualmente uma educação europeia e o agrada muito…
Finalmente, em 1924, com a fuga do presidente e a dissolução do parlamento, Pu Yi pensa ter chegado sua hora, mas ocorre o contrário: o líder nacionalista Chiang Kai Shek controla quase toda a China e Pu Yi e os seus, desprezados pela origem étnica como os “ratos da Manchúria”, são expulsos de Beijing para sua terra natal. E é lá que ocorre o que talvez tenha sido o maior erro de Pu Yi: no lugar de pedir asilo aos britânicos, talvez induzido pelo tutor, ele opta por se aliar aos japoneses, com quem já via grande identidade (um imperador de mesma idade e aparente coincidência de propósitos). Melhor ainda, os japoneses lhe prometem o trono – inicialmente de sua província, depois de uma China reunificada sob os manchus.
Em 18/09/31, o Japão invade a Manchúria e cria o Estado fantoche Manchukuo, com Pu Yi nominalmente à frente como “chefe executivo”, depois imperador. Contente com o poder que vai recebendo, tem a oposição das esposas, que abominam a influência e comando dos japoneses, mas é somente à medida que a nova guerra mundial se aproxima que Pu Yi vai se dando conta de que mais uma vez ele é um fantoche, um todo-poderoso de fachada.

AVALIAÇÃO: É impressionante como Pu Yi era refém de seu próprio cargo – ele tinha direito a um exército de 1.200 eunucos, 350 aias, 185 cozinheiros, 840 guardas (cuja alimentação e vestimenta davam margem a gigantescos desvios), mas não podia sequer impedir que expulsassem do palácio a adorada ama-de-leite ou pisar fora da Cidade Proibida – nem para ir ao enterro da mãe. Até para usar os óculos de que tanto precisava teve que ocorrer uma absurda batalha entre seu tutor e as princesas-consorte viúvas e o governador do palácio (Ying Ruocheng), ciosos da imagem do imperador.
O filme mostra não só a tirania do regime de extrema-direita japonesa como o extremo oposto, a ditadura comunista chinesa: é assustador o momento em que, desejando obter as confissões dos crimes de Pu Yi, o interrogador (Ric Young) lhe aponta os dois caminhos para obtê-la: o método “pasta de dentes”, no qual o prisioneiro é “apertado” de tempos em tempos, para não se esquecer de ir confessando, ou a “torneira”, pelo qual um “aperto vigoroso” faz com que o prisioneiro solte tudo.
Outros aspectos abordados pelo filme são os estragos causado pelo ópio – usado como arma de dominação pelos ingleses no começo do século XX e também a arma dos japoneses para seu controle sobre a China –, e a Revolução Cultural de Mao, mostrando a ironia de se ver homens fortes do regime se tornando figuras execradas.
Ganhador de nove Oscar (incluindo melhor filme e melhor diretor), esse clássico é baseado na autobiografia de Pu Yi e mereceu ser revisitado 30 anos após sua estreia, por seus figurinos e cenários imponentes (pena que a qualidade do DVD não ajudasse muito) e história magnífica, além de uma bela trilha sonora, de coautoria de Ryuichi Sakamoto, que também atua – e bem, no papel do general japonês Amakasu, mentor de Pu Yi e governante de fato de Manchukuo.
Se no começo as quase três horas de duração e a falta de lembranças sobre as impressões da época em que foi lançado quase tivessem desencorajado de ver o filme, ele mostrou ser realmente cativante.
Um filme sobre a ilusão do poder, as más escolhas e as perdas delas decorrentes.
OBS.: O filme menciona o livro Twilight in the Forbidden City, de Sir Reginald Johnston, que faz um relato de seus tempos na corte e que talvez valha a leitura.

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