O Diário da Esperança (A nagy füzet)

O Diário da Esperança (A nagy füzet), drama de guerra com toques de suspense de János Szász, 2013.

ENREDO: Hungria, II Guerra. Convocado para o exército húngaro, o pai (Ulrich Matthes), acha que seria mais seguro tirar os filhos gêmeos (András e László Gyémánt) da cidade – talvez até separá-los. A mãe (Gyöngyvér Bognár) discorda da separação e decide enviar os dois ao distante vilarejo onde vive a mãe dela (Piroska Molnár), na fronteira com a Áustria (obs.: pelo desenrolar da história, suponho que seja a Áustria). Uma relação conflituosa as une, pois a mãe dos garotos deixara a casa da avó deles culpando-a pela morte do pai dela e nunca mais voltara – nem sequer avisara do casamento. Conhecida no vilarejo como “A Bruxa”, a avó logo mostra como pretende passar a tratar os “bastardos”. Sob as constantes surras da avó, sendo obrigados ao trabalho pesado para “merecer” seu prato de comida, sem roupas novas para vestir e despojados do contato com a mãe, os dois logo descobrem que deverão ajudar-se mutuamente a se fortalecer contra a dor, o frio e a fome e apagar as lembranças dos pais, se quiserem sobreviver neste novo mundo. A única coisa que não conseguiriam suportar seria serem separados um do outro.
Além da cruel avó, um oficial nazista (Ulrich Thomsen) “hospedado” num anexo da casa, uma vizinha ladra (Orsolya Tóth), um diácono corrompido (Péter Andorai), sua empregada (Diána Kiss) e um sapateiro judeu (János Derzsi) são os personagens que, para o bem ou para o mal, moldarão esta nova visão do mundo que substituirá aquela sob a tranquila e abastada vida anterior dos dois garotos. E o caderno que ganharam do pai com a missão de manter um diário será o fiel retrato dessa mudança.

AVALIAÇÃO: Intrigante, muito diferente do usual. Um filme que faz um retrato da Hungria nos anos 40, passando pela ocupação nazista, pelo envio dos judeus aos campos de extermínio e depois pelo domínio soviético, tudo isto através da visão do embrutecimento pelo qual passam dois jovens adolescentes deixados aos cuidados da avó e que são vítimas de todos os tipos que desfilam pela tela. Assustadoramente bem interpretados por András e László Gyémánt, os gêmeos vão se dando conta de que, para sobreviver, talvez tenham que fazer aquilo que aprenderam que nunca deveria fazer. Afinal, “na guerra as pessoas se matam”, anotam eles em seu diário.

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Risco Imediato (Good People)

Risco Imediato (Good People), suspense e ação criminal de Henrik Ruben Genz, 2014.

ENREDO: Os criminosos Jack e Bobby Witkowski (Sam Spruell e Michael Fox), que vivem de roubar traficantes de drogas, juntam-se a Ben Tuttle (Francis Magee) e roubam o dinheiro do traficante Gengis Khan (Omar Sy, revelado no “ótimo Intocáveis”). Mas não existe honra entre bandidos, e logo Ben mata Bobby e foge com o dinheiro, mas dias depois é encontrado morto por overdose no porão onde morava, na residência dos Wright.
Falido nos EUA, Tom Wright (James Franco, da recentemente polêmica comédia “A Entrevista”) mudou-se com a esposa, Anna (Kate Hudson) para Londres, para reformar uma casa que recebeu de herança e tentar tocar a vida como arquiteto. Mas as obras não vieram e o emprego dela não cobre as despesas. Com a morte do inquilino Ben Tuttle, eles descobrem o dinheiro roubado pelo criminoso e começam a pensar como isto resolveria suas vidas. Ele evitaria o despejo iminente e reformaria a casa herdade; ela faria o tratamento de inseminação artificial tão desejado. “Se, em duas semanas a polícia não questionar sobre o dinheiro, passaremos a usá-lo”, combina o casal. Mas não é só o detetive John Halden (Tom Wilkinson) que começa a desconfiar do casal. O violento Jack Witkowski quer o dinheiro que custou a vida do irmão. E o não menos violento Gengis Khan quer, mais do que recuperar o que é seu, eliminar quem perturbou seus negócios – e qualquer um que ele ache que não está “jogando em sua equipe”. Seria melhor nem ter achado o dinheiro…

AVALIAÇÃO: Suspense que prende na poltrona. Enredo um tanto clichê, mas bem bolado. Porém… algumas cenas sangrentas (ok, a realidade até pode ser assim, mas não precisa disto num filme de entretenimento) e um final esticado demais, que poderia ser tranquilamente abreviado. Tão esticado que a sala toda riu quando a coisa não tinha fim. Isso porque é um filme de 90 min, só faltava o diretor querer que tivesse 2 h… De qualquer modo, um passatempo legal.

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Whiplash, Em Busca da Perfeição (Whiplash)

Whiplash, Em Busca da Perfeição (Whiplash), drama escrito e dirigido por Damien Chazelle, 2014.

ENREDO: “Não há duas palavras mais nocivas na língua inglesa que “bom trabalho””, diz o Prof. Fletcher J.K. Simmons) aos seus alunos do Conservatório Musical Shaffer. O conservatório é o melhor dos EUA, mas o auge é ser aceito para as aulas de Fletcher. E, ao som de “Whiplash” e “Caravan”, ter que encarar um bullying onde expressões chulas e depreciativas são a receita. E não é diferente com o baterista calouro Andrew Neimann (Miles Teller), que teve a oportunidade de ouro de tocar com alunos mais veteranos. A bateria é o ponto mais crítico do conjunto e Fletcher nunca se dá por satisfeito, promovendo constantes trocas e rodízios – às vezes apenas para humilhar os alunos. Preciosista ao extremo, para ele não basta tocar bem; os pupilos devem saber se tocaram bem e, se não, exatamente onde erraram, o quanto atrasaram ou adiantaram o andamento da música, por mais ínfimo que seja o erro. E todos continuam idolatrando o mestre almejando o primeiro posto no conjunto. Mas a ponto de sacrificar suas vidas pessoais e seu amor próprio? Para Andrew, sim, pois ele não quer ser como o pai (Paul Reiser), um escritor sem sucesso que se tornou professor secundário. Não, Andrew quer ser o novo Buddy Rich e tudo vale a pena – desde a constante humilhação até os objetos arremessados pelo professor e as mãos cobertas por feridas em sangue.

AVALIAÇÃO: J.K. Simmons praticava bullying (cômico, até) como o J. J. Jameson, da primeira série do Homem Aranha. Em “Whiplash” ele é a personificação do bullying cruel ao extremo, capaz até de transformar um Andrew submisso, assustado e em busca da perfeição (Miles Teller, muito bem no papel) numa criatura tão arrogante quanto o criador. Esta transformação é muito bem mostrada, e fica a questão de quanto se ultrapassou a linha que divide a dedicação da louca obstinação. E o filme, que é um drama, consegue criar uma surpresa final típica dos melhores suspenses. Não é preciso gostar de jazz para curtir este drama genial.

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Sniper Americano (American Sniper)

Sniper Americano (American Sniper), drama biográfico e de ação de Clint Eastwood, 2014.

ENREDO: Primeiro os atentados às embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia, em 1998. Depois, os atentados às Torres Gêmeas, em 2001. Foi a gota d’água para o pacato cowboy do Texas Chris Kyle (Bradley Cooper) alistar-se nos SEALS, o corpo de elite da marinha americana, onde se tornou um atirador de precisão (sniper) excepcional. Enviado ao Iraque em 2003, seus tiros precisos o tornaram “A Lenda” e salvaram muitos americanos – e iraquianos, já que evitavam combates que resultariam em mais mortes. Mas cada turno de nove meses no país lhe deixava marcas pesadas, que ele não conseguia esconder quando retornava para a família. Ele podia sair da guerra, mas a guerra não saía dele e não deixava espaço para a esposa (Sienna Miller) e filhos. Até que…

AVALIAÇÃO: As cenas iniciais são fantásticas – Kyle deve decidir se atira no garoto que recebeu sorrateiramente uma granada da mãe e que pode estar se preparando para atirá-la no comboio americano. Ele tem que decidir sozinho – quando muito, pode contar com o apoio do marine que o acompanha (interessante, cada sniper tem um marine fazendo sua proteção). A morte de uma criança inocente pode levá-lo para a prisão militar, mas um atentado cometido por ela traria muitas baixas.
Além destes dramas e suspenses, há o do jogo de gato e rato entre Kyle e o campeão olímpico de tiro Mustafa (Sammy Sheik), que caça Kyle e está determinado a eliminá-lo (e, de quebra, ganhar a recompensa que foi oferecida pela cabeça do americano).
Filme bem legal, ainda mais por saber que é baseado num personagem real. Mas, como filme de guerra contra milícias islâmicas, ainda sou mais “Falcão Negro em Perigo”. Ficou uma sensação de que faltou algo ao filme para torná-lo mais empolgante. Mas ok, o diretor acertou nas belas cenas finais e ao retratar os veteranos mutilados pela guerra e que procuram dar novo sentido a suas vidas.

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A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)

A Teoria de Tudo (The Theory of Everything), drama romântico e biográfico de James Marsh, baseado no livro de Jane Hawking, 2014.

ENREDO: No começo dos anos 60, Stephen Hawking (Eddie Redmayne) começa a sentir que seus músculos cada vez mais deixam de responder a seus comandos e é diagnosticado como portador da doença dos neurônios motores (no caso dele, em particular, foi a ELA, ou esclerose lateral amiotrófica), o que lhe dava prognóstico de mais dois anos de vida. Seu cérebro continuaria intacto, mas seus neurônios motores morreriam gradativamente, até que ele não pudesse nem mais falar e seus pensamentos ficassem presos apenas para si mesmo. Apesar de tudo, Jane Wilde (Felicity Jones), a colega da Universidade de Cambridge por quem o tímido Stephen se apaixonara, não quer deixá-lo. Eles casam-se, criam filhos e, passados mais de 50 anos, ele permanece vivo e um gênio da Física (já separado dela…).

AVALIAÇÃO: Claro que, como é baseado no livro da primeira esposa de Hawking, temos o ponto de vista dela no filme. Assim, aparecem os sacrifícios a que ela se submeteu, abdicando da carreira para cuidar dele – inicialmente por falta de verbas e depois por falta de vontade dele de ter um(a) cuidador(a).
Uma história muito interessante, mas o que cativa mesmo é o excepcional desempenho de Redmayne na representação da progressão da doença e de um Hawking que não perde o bom humor e a expressão de moleque travesso. Não somente isto, como ele consegue ficar fisicamente semelhante ao físico.
Felicity Jones está muito bem, assim como David Thewlis, como Dennis Sciama, o dedicado orientador do jovem Hawking e Simon McBurney, como o simpático Frank Hawking, pai de Stephen.
Para ajudar, a bela trilha sonora de Jóhann Jóhannsson.

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Ida (Ida)

Ida (Ida), drama corroteirizado e dirigido por Pawel Pawlikowski, 2013. D

ENREDO: Polônia, 1962. Antes que tome seus votos de freira, a madre-superiora (Halina Skoczynska) recomenda à noviça Anna (Agata Trzebuchowska) visitar sua única parente viva, uma tia, Wanda Gruz (Agata Kulesza). Logo que chega na casa da tia, Anna recebe a notícia de que ela é, na verdade, Ida Lebenstein, uma judia cujos pais morreram na II Guerra. Agora juntas, elas partem em busca da verdade sobre como os pais de Ida teriam morrido. Na pequena aldeia onde eles tinham sido escondidos na guerra, parece haver um pacto de silencio. Até que a verdade parece vir à tona.

AVALIAÇÃO: Expropriação, proteção e delação de judeus. O medo de ser descobertos pelos nazistas. Muitos poloneses cristãos passaram por isto (afinal, os judeus eram 10% da população polonesa pré-Holocausto). Uma ótima ideia para um filme, sobre algo que poderia ter sido bem verdade. Mas o resultado é muito chato, um sonífero. Como comentou um casal ao nosso lado, deu uma sensação de vazio… Realmente, o filme não diz a que veio. E a má avaliação foi agravada pelo preto e branco (talvez de propósito, para nos fazer entrar na atmosfera da Polônia comunista dos anos 60) e numa tela praticamente 4×3 e muito pequena (que não sei se é só no caso do Cine Livraria Cultura).

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Timbuktu (Timbuktu)

Timbuktu (Timbuktu), drama corroteirizado e dirigido por Abderrahmane Sissako, 2014.

ENREDO: Nas dunas do Saara, no Mali, Kidane (Ibrahim Ahmed), do povo tuaregue, vive com a esposa Satima (Toulou Kiki), a filha Toya (Layla Walet Mohamed), seu tesouro, e o pequeno Issan (Mehdi Ag Mohamed), que pastoreia suas poucas cabeças de gado. Não longe dali, na cidade de Timbuktu, uma milícia jihadista comandada pelo estrangeiro Abdelkerim (Abel Jafri) impõe sua interpretação muito particular do Corão. Proibiu-se futebol e cigarros e a música, mesmo as tradicionais e de cunho religioso; aos homens, ordena-se deixar os tornozelos expostos e às mulheres se cobrir por completo, mesmo as mãos (E como vender peixes usando luvas, pergunta a feirante). Casamentos forçados são a norma, assim como julgamentos impiedosos e injustos, que resultam em penas de chibata ou até na cruel morte por lapidação. Esta “justiça” aproxima-se agora da tenda de Kidane… Por enquanto…

AVALIAÇÃO: Um filme-denúncia, ótimo concorrente da Mauritânia ao Oscar 2015. Começamos assistindo à milícia jihadista destruir objetos históricos por representarem feições humanas e à entrada das milícias armadas na mesquita, onde o xeique local ainda tenta manter o comando – que logo perderá, é claro. Afinal, as armas dos jihadistas dizem que somente sua interpretação muito particular do Corão e dos ensinamentos de Maomé vale.
Impossível ficar impassível… Casamentos forçados, a proibição da tradição musical do local e até do futebol, que, numa cena engraçada e irônica, é jogado sem bola… E as lapidações e chibatadas. Além disto, a hipocrisia do líder jihadistas, que se permite qualquer transgressão das próprias normas.
Além do futebol sem bola, outro ponto engraçado no filme é a menção do futebol francês e da derrota brasileira na copa da França.

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O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

O Jogo da Imitação (The Imitation Game), suspense dramático com fundo histórico e biográfico de Morten Tyldum, 2014.

Enredo:1951: O detetive Robert Nock (Rory Kinnear) investiga o arrombamento da casa de Alan Turing mas, estranhamente, não recebe o apoio da própria vítima. Ele suspeita que Turing esteja evitando colaborar por algum motivo escuso – talvez seja um espião. Mas os arquivos secretos do governo sobre Turing estão vazios, o que deixa Nock mais intrigado ainda. Ele vai descobrir algo bem diferente do que imaginava – algo que talvez não desejasse ter descoberto.

1928. Isolado e maltratado pelos colegas, o adolescente misantropo Alan Turing (Alex Lawther) só tem a amizade do colega Christopher Morcom (Jack Bannon), com quem compartilha o gosto pela matemática e pelos algoritmos de criptografia. Mas, para Alan, a amizade vai além dos interesses pela matemática…

1939, no início da II Guerra: o genial e precoce matemático Alan Turing (Benedict Cumberbatch) é convocado pelo Almirante Denniston (Charles Dance) para se integrar à equipe comandada pelo genial bicampeão de xadrez Hugh Alexander (Matthew Goode) no complexo secreto britânico em Bletchley Park, pretensamente uma fábrica de componentes de rádio. A arrogância excessiva alternada com modéstia quase o tiram do projeto: desvendar os códigos de uma máquina de criptografia Enigma, capturada dos nazistas pela resistência polonesa, e assim abreviar a guerra e evitar milhões de mortes.

Acima de Denniston e logo abaixo do primeiro-ministro Churchill, a figura de Stewart Menzies (Mark Strong), o sagaz chefe do recém-criado MI6 (o equivalente britânico da CIA). Menzies conhece a intimidade e manipula as pessoas como ninguém; também mente sem pudor para preservar o que julga serem os necessários esforços de guerra britânicos. É o apoio dele que Turing busca para passar a chefiar a equipe, muito a contragosto dos colegas, com quem havia conseguido se indispor desde o início. E, com a incorporação da brilhante Joan Clarke (Keira Knightley) à equipe (uma aquisição destoante, já que à época caberia às mulheres do complexo de Bletchley Park papéis como secretárias ou operadoras de rádio escuta), Turing agora quer deixar de lado os esforços individuais no papel e construir uma máquina para vencer a máquina nazista e quebrar os códigos que permitam pôr fim, entre outros, ao afundamento dos comboios americanos que levam ajuda aos britânicos. Códigos cuja chave-mestra era alterada todo dia à meia noite, para desespero da equipe.
Mas, e se desvendada a criptografia, como impedir os alemães de perceberem isto e fazer com que continuem a utilizá-la?

E quem na equipe estaria espionando a favor dos soviéticos (certo, eram aliados… mas nem tanto)? O almirante Dennison teria prazer em ver Turing acusado e preso por isto.

Avaliação: Gênio misantropo cheio de manias, herói responsável por ajudar a encurtar a guerra, pai da computação moderna, imagino que Alan Turing tenha sido fielmente retratado pelo genial Benedict Cumberbatch (e não se pode deixar de dar os créditos ao desempenho de Alex Lawther, como o Turing jovem). Não só o ator está excelente, o drama idem e o suspense, mesmo sabendo-se o final do filme, é muito cativante. E a trilha sonora de Alexandre Desplat dá o toque certo ao filme (Desplat ganhou o Oscar por outra trilha do mesmo ano, a de “O Grande Hotel Budapeste”).

Se Turing trabalhou por patriotismo ou apenas por ego e pelo desafio, é difícil de saber, dada sua personalidade problemática, mas ele foi de importância extrema para o esforço aliado e o fato de o filme mostrar três épocas da vida dele ajuda a compreendê-lo melhor e a perceber a enorme injustiça que se cometeu contra ele – ele era homossexual, algo considerado crime na Inglaterra até 1967. Some-se a isto o fato de que a pesquisa dele e de sua equipe foi um segredo de estado até pouco tempo atrás, e entende-se porque o herói ficou esquecido.

PS: O “Jogo da Imitação” é uma referência a um texto de Alan Turing.

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Birdman Ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Birdman Or The Unexpected Virtue of Ignorance)

Birdman Ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Birdman Or The Unexpected Virtue of Ignorance), comédia dramática de Alejandro González Iñárritu, 2014. D

Enredo:O ator Riggan (Michael Keaton) protagonizou o herói de quadrinhos Birdman em três filmes, mas desistiu de fazer o quarto para, já beirando os 60 anos, tornar-se diretor e roteirista e prepara a estreia de sua peça baseada num texto de Raymond Carver no Teatro St. James, na Broadway. Mas tudo conspira contra. Seu coprotagonista masculino, Ralph (Jeremy Shamos), é um mau ator; as atrizes Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough) também são fonte de problemas: Lesley está insegura com sua estreia na Broadway e Laura, quanto ao seu relacionamento amoroso com Riggan… que ainda tem que lidar com Sam (Emma Stone), sua filha assistente, recém-saída de uma clínica de reabilitação e para quem Riggan reconhece que nunca dera atenção.

O produtor e agente de Riggan (Zach Galifianakis, de “Se Beber Não Case”) dá uma força, assim como sua ex (Amy Ryan), mãe de Sam, mas isto não parece ser suficiente e o ator depende da poderosa presença de Birdman (Benjamin Kanes), seu alter ego, que procura lhe ditar os caminhos a seguir, mas que pode levá-lo ao abismo.
E começam os maus presságios: o ator Ralph tem um acidente num ensaio. Mas, para felicidade de Riggan, a prestativa Lesley convoca seu namorado Mike (Edward Norton), ator de talento reconhecido e sucesso, para substituir o acidentado. Ótimo. Ou péssimo, porque o ególatra Mike quer dominar a cena, impor sua presença em palco e ditar os rumos da peça.

Não bastassem os ensaios públicos prenunciarem o fracasso, a crítica teatral mais conceituada na Broadway (Lindsay Duncan, a bela Servília da telessérie “Roma”) já prometeu detonar a peça, por entender que o ator de Birdman não seja absolutamente a pessoa adequada para uma peça de Raymond Carver.

Avaliação: Michael Keaton sempre foi, ao meu ver, um ator injustiçado. Foi muito convincente em filmes muito bons (“Jornal”, “Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias” e “Minha Vida”) e, para mim, foi o Batman mais impressionante. Mas, assim como o Riggan do filme – e aí a grande sacada do diretor com a escolha de Michael Keaton – nunca foi perdoado por ter deixado de fazer a continuação do super-herói e foi perdendo relevância no cinema.

Pena que o filme de Iñárritu seja tão chato… Melhor rever Babel, este sim um acerto do diretor.

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A Família Bélier (La Famille Bélier)

A Família Bélier (La Famille Bélier), comédia leve com toque romântico e dramático de Eric Lartigau, baseada numa ideia de Victoria Bedos, 2014.

Enredo:Paula Bélier (Louane Emera) é a única da família que não é surda-muda. Seu rude mas amoroso pai (François Damiens), sua bela e agitada mãe (Karin Viard) e seu irmão menor (Luca Gelberg) dependem dela para se expressar na feira onde vendem sua produção de lacticínios. Paula está se tornando uma adolescente, é retraída e não é das garotas populares na escola. Ela se toca o quanto quer sair da cidadezinha do interior e ser mais independente quando recebe o impulso do novo professor de música, o rigoroso e cruel Sr. Thomasson, que enxerga nela um diamante bruto, que ele pode tirar deste “fim de mundo” para o qual ele foi “desterrado” e mandar para um concurso em Paris. Para isto, além de enfrentar o ultrapassado letrista “Michel Sardou”. (“Ultrapassado não, pois ele é atemporal, como Mozart o é para a música clássica”, diz o mestre), Paula terá que lidar com os dramas da entrada na adolescência e com a relação de amor e ódio que vai se construindo com o colega Gabriel (Ilian Bergali), que, para piorar, será seu par no ensaio ao som da ardente “Je Vais T’aimer”.

Mas eis que o pai de Paula lançou-se candidato a prefeito para resolver a situação de penúria dos fazendeiros e ele precisa de alguém que o interprete. Paula fica ou parte para a cidade-luz? Cansada da carga sobre seus ombros e de ainda ser tratada como criança, ela quer aproveitar este talento que nem sabia possuir e o gosto da liberdade, mas sente que os pais dependem dela. Ou são eles que têm medo de vê-la sozinha e sem seu apoio?

Avaliação: Se em 2011 tivemos “Intocáveis”, uma maravilhosa revelação do cinema francês, 2014 foi a vez de “A Família Bélier”. Louane Emera (nome artístico de Anne Peichert) dá um show de interpretação como atriz e cantora (dá gosto de ver a felicidade dela no The Voice, onde foi semifinalista – https://www.youtube.com/watch?v=qRZHz8wzRe4) e conta com o brilho de Karin Viard e François Damiens nos papéis dos amorosos e superprotetores pais e de Luca Gelberg (surdo-mudo na vida real) no papel do divertido irmão mais novo. Roxana Duran também está ótima como a melhor amiga bem saidinha e Eric Elmosnino como o professor de música rabugento e que não se importa de praticar o bullying contra a cidade e os alunos.

Um filme para passar rindo (já nas cenas iniciais, na constrangedora consulta da mãe ao médico, que Paula tem que traduzir) e chorando, principalmente ao som de “Je Vole”, cuja comovente letra inspirou a ideia do filme a Victoria Bedos.

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Interestelar (Interstellar)

Interestelar (Interstellar), suspense dramático e aventura de ficção científica escrito por Jonathan e Christopher Nolan e dirigido por Christopher Nolan, do intrigante Amnésia de da última trilogia “Batman”, 2014.

Enredo: “A geração de sua filha será a última a sobreviver na Terra, Temos que pensar não como indivíduos, mas como espécie”. “Você pode ter que decidir entre ver seus filhos de novo e o futuro da raça humana.”. É o que o ex-astronauta da NASA, Cooper (Matthew McConaughey) escuta respectivamente do Professor Brand (Michael Caine) e de sua filha, a Dra. Brand (Anne Hathaway). “Nós acharemos um jeito. Sempre achamos…”

Levado por misteriosos sinais que aparecem no quarto da filha, Murph (Mackenzie Foy), a uma base secreta onde os Brand cuidam de um projeto para salvar a espécie humana da extinção, o habilidoso fazendeiro opta por deixar a monotonia sem perspectivas da vida em meio ao pó constante e às plantações de milho – as únicas que ainda parecem resistir às pragas que dizimam pouco a pouco as produções do planeta – e voltar a pilotar uma nave. E os Brand dependem de Cooper, o único piloto experiente ainda disponível, já que, no futuro distópico (mas nem de todo impossível) em que se desenrola a história, fazendeiros são mais importantes que engenheiros.

E assim, o jovem astronauta viúvo deixa os filhos, Murph e Tom (Timothée Chalamet) e o sogro (John Lithgow) e parte em busca de um objetivo maior. Na companhia da Dra. Brand, de Doyle (Wes Bentley) e de Romilly (David Gyasi), eles devem cruzar Gargantua, um “buraco de minhoca” próximo de Saturno que os levará a três possíveis destinos, cada um já visitado por um cientista como possível substituto para o planeta Terra. Mas faltam recursos para visitar todos e os dados que lhes chegaram sobre cada visita são insuficientes para uma decisão firme. Enquanto isso, na Terra, onde o tempo passa mais depressa, Tom (Casey Affleck), já adulto e casado, ainda tenta contato com o pai, ao passo que Murph (Jessica Chastain), agora uma cientista brilhante, ainda o odeia por tê-la abandonado. Mas tanto Cooper quanto Murph estão para descobrir algo que mudará sua visão sobre a missão e sobre a relação entre ambos.

Avaliação:

Primeiramente, vamos aos “buracos de verme” ou “buracos de minhoca”:

Conforme a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Buraco_de_minhoca, acesso em: 22 nov. 2014), “Buracos de verme intra-universos conectam um local em um universo a outro local do mesmo universo (no mesmo tempo presente ou não presente). Um buraco de verme deverá ser capaz de conectar locais distantes no universo criando um atalho através do espaço-tempo, permitindo viajar entre eles mais rápido do que a luz levaria para transitar pelo espaço normal.
O nome “buraco de verme” vem de uma analogia usada para explicar o fenômeno. Da mesma forma que um verme que perambula pela casca de uma maçã poderia pegar um atalho para o lado oposto da casca da fruta abrindo caminho através do miolo, em vez de mover-se por toda a superfície até lá, um viajante que passasse por um buraco de verme pegaria um atalho para o lado oposto do universo através de um túnel topologicamente incomum.

Ou, conforme o site Ciências e Tecnologia (https://cienciasetecnologia.com/buraco-de-minhoca/, acesso em: 22 nov. 2014): “Um buraco de minhoca é uma passagem teórica através do espaço-tempo que pode criar atalhos para viagens longas em todo o universo… Em 1935, os físicos Albert Einstein e Nathan Rosen usaram a teoria da relatividade geral de propor a existência de “pontes”, através do espaço-tempo. Esses caminhos, chamado de Pontes de Einstein-Rosen ou buracos de minhoca, ligam dois pontos diferentes no espaço-tempo, teoricamente, criando um atalho que poderia reduzir o tempo de viagem e distância.”

Imagino que os irmãos Nolan tenham bebido algo na fonte do excelente “Contato”, o best-seller do saudoso Carl Sagan (criador da série “Cosmos”). Os wormholes são uma constante em “Contato” e novamente em “Interestelar”. O livro de Sagan gerou um filme homônimo muito bom, mas não tão empolgante como o livro. Já os irmãos Nolan geraram uma obra-prima.

O filme começa em tom dramático, incorpora aventura e ação, mas o fio condutor – e aí a beleza da obra – é a relação do protagonista com sua filha, a dúvida sobre o abandono pelo pai e as perspectivas cada vez menores de que Cooper (McConaughey) possa vir a revê-la.

Há pequenas intervenções de humor, proporcionadas pelos robôs TARS (voz de Bill Irwin) e CASE (voz de Josh Stewart), que, além de uma personalidade “humana” capaz de humor e de insinceridade, são uma obra-prima da engenharia (apesar de sua aparência de caixotes desengonçados).

A crítica negativa mais pertinente que li é a de que as teorias científicas apresentadas são muito complexas; mas discordei quanto a dizerem que se gasta muito tempo nelas. Pelo contrário, deveriam ter dado ao consultor científico, o genial Kip Thorne, mais liberdade para expandir as explicações. Eu, que adoro a questão dos wormholes e dos universos multidimensionais, boiei em vários trechos. Mas isso em nada impede ser hipnotizado pelas quase 3 h do filme, que acabam até sendo curtas demais.

Talvez meu melhor filme do ano e certamente um dos melhores que já vi em minha vida. Para arrematar, a fantástica trilha sonora de Hans Zimmer, imprescindível para dar ao filme o clima de tensão e envolvimento.

O melhor dos trailers que vi foi este:
http://www.youtube.com/watch?v=BYUZhddDbdc” title=”Interestelar-trailer”

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Mil Vezes Boa Noite (Tusen Ganger God Natt)

Mil Vezes Boa Noite (Tusen Ganger God Natt), drama e suspense de Erik Poppe, 2013.

Enredo: Rebecca (Juliette Binoche) entrou no mundo da fotografia de guerra por raiva. Mas a raiva contra as injustiças se somou a um inescapável gosto pelo perigo, que ora a leva a presenciar (e praticamente compartilhar) a atuação de uma mulher-bomba afegã, ora a leva a outras zonas deflagradas. Basta disso, diz seu pacato marido, Marcus (Nikolaj Coster-Waldau), que dá um ultimato a ela, exigindo sua presença ao lado das filhas e o fim dos telefonemas que podem trazer más notícias a qualquer hora do dia. A balança pende em favor da família, até que um acaso a leva a uma nova situação de risco e, dessa vez, pode ter sido a gota d’água para o relacionamento com o marido e até com as filhas. Se a menor não consegue entender o que se passa, a adolescente (Lauryn Canny) vive um trauma que a coloca numa relação conflituosa com a mãe, que ao mesmo tempo admira e rejeita.

Avaliação: Rebecca (Juliette Binoche) vive na telona aquilo que já foi a profissão do diretor. Uma vida de riscos que assusta, mas atrai e cativa e que, se serve para mostrar e lutar contra as injustiças, também põe a protagonista em perigo permanente. Além disto, como mostrado num curto mas significativo momento sobre as mulheres-bomba, há a questão de que as reportagens recheadas de fotografias fortes podem ao mesmo tempo servir de denúncia e de glamourização para os atos terroristas.

Discussões e méritos – ou deméritos – do trabalho à parte, as situações de risco dão um suspense forte ao filme (e as cenas iniciais são bem fortes), mas, talvez por estar bem cansado, vacilei em alguns momentos, até perto da metade, quando as situações se tornam mais críticas e densas (mas minha mãe não desgrudou os olhos da tela e adorou…). Talvez o diretor quisesse demonstrar com a primeira parte o que significariam os momentos de calmaria para uma pessoa como Rebecca – neste caso, ele conseguiu muito bem.

Um tema diferente do usual e uma ótima atuação de Binoche valem a visita.

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Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes), suspense tragicômico de Damián Szifrón, 2014.

Enredo:

  • (“Pasternak”) Num voo, as coincidências começam a aparecer quando um passageiro (Dario Grandinetti) começa a puxar papo com uma vizinha de assento (María Marull). Aos poucos, todos vão entrando na conversa e todos, todos parecem ter tido alguma passagem na vida em que cruzaram com um tal de Pasternak. E invariavelmente as passagens não foram boas. Mau sinal…

  • (“Las Ratas”) Num restaurante deserto à beira de estrada, a garçonete (Julia Zylberberg) percebe que seu único e recém-chegado freguês (César Bordón) é o sujeito que provocou a ruína financeira e o suicídio de seu pai. Vingança? Claro, com veneno de rato, sugere a cozinheira (Rita Cortese). No máximo poderá parecer um terrível erro… A garçonete resiste, mas, além das lembranças do passado, o freguês é arrogante, mal educado e abusado. Ok, então… Ele pediu. E eis que chega mais um freguês inesperado e…

  • (“El Más Fuerte”) Numa estrada deserta, um motorista lento e mal encarado (Walter Donado) dirige sua lata e irrita-se com a tentativa de ultrapassagem do Audi de Diego (Leonardo Sbaraglia). Depois de ser atrapalhado algumas vezes, Diego consegue ganhar a estrada, mas não sem antes xingar o seu “rival”. Para quê? Daqui a pouco, lá se vai um pneu e ele tem que parar de qualquer forma. E, para seu desespero, o mal encarado se aproxima…

  • (“Bombita”) Especialista em implosões, Simón Fischer acabou de fazer mais um trabalho bem sucedido e é hora de comprar o bolo do aniversário do filho e voltar correndo para casa. Ainda dá tempo… Ainda mais porque ele arrumou uma vaga na frente da doçaria. Mas cadê seu carro? Guinchado pela Prefeitura… E, mais uma vez, Simón atrasa a um compromisso de família… Seu casamento está por um fio…
    Dia seguinte, o calvário da Prefeitura… “Não havia pintura no meio fio indicando a proibição!”. Mas, para o burocrata que o atende, não importa a pintura. É proibido estacionar naquela quadra e pronto. Obrigação de Simón saber das ruas onde há proibição, da mesma forma que ele não pode cometer um crime e alegar desconhecimento da lei. Reação explosiva de Simón e… lá se vai seu emprego. E seus tormentos ainda não terminaram…

  • (“Hasta que la muerte nos separe”) Dia feliz… Casamento de Romina (Erica Rivas) e Ariel (Diego Gentile). Até que Romina desconfia da colega de trabalho com quem Ariel parece trocar mais do que palavras gentis. Daí a ter certeza de que ele deve ter tido um caso com ela… A vingança será maligna!

  • (“La Propuesta”) O jovem Santiago (Alan Daicz) acorda desesperado seus pais (Oscar Martínez e Maria Onetto). Ele acabou de atropelar e matar uma mãe grávida e fugiu da cena, mas as câmeras do local logo deverão apontar para ele. É hora de o pai, Mauricio, acionar o advogado da família (Osmar Núñez). E surge uma “solução”: indicar o caseiro (Germán de Silva), velho e fiel empregado da família. Como recompensa, dar-lhe dinheiro para garantir o sustento de uma vida toda de sua família. Tudo combinado, vem o perito policial e… Nem tudo parece ter sido bem arranjado e a pressão agora ficou maior. E Santiago quer se entregar. Só complicações…

  • Avaliação: Seis estórias curtas (cerca de 15 a 20 minutos) muito interessantes, principalmente a primeira, que prendeu do começo ao fim e foi a única que foi só engraçada e não tinha elementos trágicos (bom, quer dizer…). E talvez “A Proposta”, com seu grande dilema moral.

    Mas os desfechos, mesmo sendo também interessantes, não são tao bons como os miolos das estórias, e dá a impressão de que fica faltando algo. De qualquer modo, por mais fantásticas que as estórias possam parecer, elas retratam o comportamento humano em situações por vezes extremas, que podem ocasionar a perda de controle. Difícil de acontecer? Vai saber…

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    Veja SP – Seja o crítico

    Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
    Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

    Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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    O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)

    O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), aventura cômica coescrita, roteirizada e dirigida por Wes Anderson, 2014.

    ENREDO: Hospedado no outrora luxuoso e agora decadente Hotel Budapeste, na fictícia República de Zubrowka, um jovem escritor (Jude Law) acaba por conhecer o discreto Mr. Moustafa (F. Murray Abraham, Oscar por “Amadeus”), que lhe conta como herdou a propriedade do local. E é então que nos envolvemos com a história de como Zero Moustafa (Tony Revoloni), jovem imigrante ilegal e recém-contratado mensageiro do hotel, tornou-se confidente e melhor amigo de M. Gustave (Ralph Fiennes, de “A Lista de Schindler”), responsável pelo estabelecimento nos gloriosos anos 30.

    Com trejeitos levemente afeminados, gostos extremamente refinados e dedicação extrema com os cuidados do hotel, M. Gustave sabe como ninguém como ser um excelente confidente – e amante de – senhoras loiras, idosas… e ricas. Pois é… com a morte de Madame D. (Tilda Swinton), M. Gustave torna-se seu principal herdeiro – o que inclui o precioso quadro “Garoto com Maçã”, o que vai gerar muita perseguição por parte dos herdeiros preteridos, principalmente do ardiloso filho da falecida, Dmitri (Adrien Brody, Oscar por “O Pianista”), que arma para o pobre Gustave uma cilada que o coloca como principal suspeito do que, agora se sabe, foi o assassinato de Madame M.

    Preso, Gustave conta com a preciosa ajuda do jovem Zero para fugir e ir atrás do quadro, que escondeu. Mas Gustave terá em seu encalço, além da polícia, o violento Jopling (Willem Dafoe, o Duende Verde da primeira trilogia “Homem-Aranha”), capanga de Dmitri. E está sumida a principal testemunha a seu favor, o mordomo de Madame D. (Mathieu Amalric, o vilão do James Bond “Quantum of Solace”). Ah, sem o seu inseparável perfume L’Air de Panache não dá para enfrentar isto tudo…

    AVALIAÇÃO: Baseado livremente em escritor austríaco Stefan Zweig (judeu que, na segunda guerra exilou-se com a esposa no Brasil e onde, deprimidos com a expansão do nazismo na Europa, suicidaram-se em 1942), este filme não me impressionou bem no trailer, mas é um passatempo gostoso. História comicamente inverossímil, personagens muito divertidos, que encaixam bem com seus intérpretes (todos atores de peso: além dos protagonistas, aparecem Saoirse Ronan, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Bill Murray, Edward Norton, Tom Wilkinson, Owen Wilson, Bob Balaban, Jason Schwarztman e outros), cenografia e figurinos caprichados (ganharam o Oscar 2015) e uma trilha bem sintonizada com o enredo (e que finalmente deu um Oscar a Alexandre Desplat).

    Se mesmo crime, prisão e fuga na tiram do filme a veia cômica, cabe à crítica bem feita ao militarismo e à ascensão do nazismo dar – aliás, excelentemente, como se percebe no contraste entre as cenas no trem – o tom dramático.

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    Julgamento em Nuremberg (Judgment at Nuremberg)

    Julgamento em Nuremberg (Judgment at Nuremberg), drama histórico de Stanley Kramer, 1961.

    ENREDO: Em 1945, os líderes nazistas que não haviam fugido ou se suicidado foram julgados pelos aliados na mesma Nuremberg onde haviam sido anunciadas as leis nazistas. Eles receberam, em sua maioria, penas de morte por enforcamento ou longas penas de prisão. Já em 1948, poucos dão atenção ao julgamento daqueles que implementaram e fizeram cumprir as leis nazistas: o ex-ministro da Justiça e juiz, Dr. Ernst Janning (Burt Lancaster) e outros três juízes de alta instância, Emil Hahn (Werner Klemperer), Werner Lampe (Torben Meyer) e Friedrich Hofstetter (Martin Brandt). Estes se decidem por ser seus próprios defensores. Janning, porém, contra sua vontade, obtém como defensor o jovem e brilhante Hans Rolfe (Maximilian Schell), que atua por admirar o ex-ministro e porque, como logo expõe na abertura dos trabalhos, estaria defendendo a Alemanha e todo o seu povo de acusações que julgava injustas.

    Para presidir o trio que de juízes americanos, Dan Haywood (Spencer Tracy), em suas próprias palavras um provinciano juiz aposentado do interior americano, que sabe “não ter sido nem a décima opção” para o cargo, pois que nenhum juiz quis assumir a espinhosa tarefa de eventualmente ter que condenar personalidades alemãs. Condenações poderiam minar o moral do povo e indispô-lo contra os ocupantes americanos, tirando destes um importante apoio para combater o novo inimigo, os soviéticos de Stalin. E o tempo urge para que se ponha termo ao julgamento, pois os russos estão estabelecendo o bloqueio de Berlim – e a queda de Berlim pode significar a queda da Alemanha.
    Igualmente sob pressão para abrandar a condução do julgamento está o promotor, Coronel Tad Lawson (Richard Widmark). Porém, tendo participado da libertação do campo de concentração de Dachau, não pode perdoar os responsáveis pelo arcabouço legal da máquina de morte nazista e tampouco admite a tese de que os acusados não soubessem das atrocidades cometidas pelos nazistas contra as minorias.
    Começa um julgamento onde a influência não vem apenas da justiça, mas também da política.

    AVALIAÇÃO: Como pôde um jurista brilhante e, ao fim da Primeira Grande Guerra, tornado um pacifista, transformar-se no responsável pela interpretação e aplicação das odiosas leis de Nuremberg contra judeus e outras minorias “indesejáveis”, colaborando com as esterilizações forçadas e outras atrocidades? Burt Lancaster, brilhante em suas expressões e no silêncio permanente e eloquente, mostra um Ernst Janning que, em oposição aos outros acusados, não concebe ter chegado aonde chegou e que se remói por isto – o que de modo algum seria motivo para perdoá-lo.

    Além dos oscarizados Spencer Tracy e Burt Lancaster e de Werner Klemperer (o coronel Klink da divertida telessérie “Guerra, Sombra e Água Fresca”), outros atores de peso participaram do filme: Judy Garland e Montgomery Clift, ambos como vítimas das odiosas leis nazistas de “pureza racial” – ela por pretensamente ter feito sexo com judeu e ele por ser considerado mentalmente incapaz. Marlene Dietrich faz a esposa de origem nobre de um militar nazista que fora executado na primeira série de julgamentos e o então novato Maximilian Schell foi uma aposta arriscada (e certeira, pois levou o Oscar de coadjuvante) do diretor.

    Filme excelente, com três horas que prendem a atenção e são uma aula de tribunal.

    Obs.:
    1. Em 2015, dos protagonistas, apenas William Shatner (o Capitão Kirk do “Jornada nas Estrelas” original) estava vivo.
    2. Montgomery Clift concorreu como coadjuvante e perdeu para o colega Maximilian Schell; bom, além de ótimo, Schell tem uma participação bem maior.
    3. Os nomes dos personagens não são os dos verdadeiros protagonistas.
    4. A produção, de 1961, é em preto e branco, o que não a prejudica. Ao contrário, remete-nos à época em que ocorreram os fatos enfatiza a tensão e os temas tratados

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    Leviatã (Leviafan)

    Leviatã (Leviafan), drama com toques de suspense corroteirizado e dirigido por Andrey Zvyagintsev, 2014.

    ENREDO: Numa pequena e isolada cidade russa à beira do mar, as terras de Kolya (Aleksey Serebryakov) serão em breve desapropriadas para que o prefeito, Vadim Shelevyat (Roman Madyanov), possa erigir uma construção que, naquela bela paisagem, será sua marca como “regente”. A casa vem sendo transmitida a gerações para a família de Kolya e lá vivem ele, a segunda esposa (Elena Lyadova) e o filho (Sergey Pokhodaev) e Kolya quer evitar a todo custo a desapropriação ou, ao menos, obter uma avaliação justa. Sucessivas apelações ao corrupto poder judiciário local foram infrutíferas e então Kolya chama para ajudá-lo um antigo colega de farda, Dmitriy Seleznyov (Vladimir Vdovichenkov), agora um importante advogado em Moscou. Percebendo a impossibilidade de lutar contra a corrupção, burocracia e humilhação pelas vias legais, o advogado usa a chantagem, através de um dossiê que poderá derrubar o prefeito, e exige o pagamento da desapropriação pelo valor de mercado. Ele não percebeu, mas abriu a caixa de Pandora, e será difícil escapar aos males que ela liberta.

    AVALIAÇÃO: A bela trilha do genial Philip Glass deixa mais triste ainda o retrato de um estado russo (e, no caso, também da Igreja ortodoxa) que, mesmo após a falência da União Soviética (o país é retratado à época de Putin), persiste como o Leviatã, a autoridade absoluta e inquestionável preconizada pelo inglês Thomas Hobbes, que rege a vida e o comportamento dos seus súditos.
    Um bom filme, onde as referências ao Leviatã, monstro bíblico do livro de Jó, aparecem ainda nas ossadas das baleias na praia da cidade e nas palavras do padre com quem o protagonista, um Jó moderno, busca consolo.
    [Candidato ao Oscar de filme estrangeiro, mas perdeu para Ida]

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    Corações de Ferro (Fury)

    Corações de Ferro (Fury), drama e ação de guerra produzido por Brad Pitt e roteirizado e escrito por David Ayers, 2014.

    ENREDO: Após ter combatido o exército nazista no Saara e na França, o sargento durão Don ‘Wardaddy’ Collier (Brad Pitt) conduz seu tanque “Fury” no coração da Alemanha. É abril de 1945 e a guerra na Europa está a um mês do fim. Sob o comando de Don, seus companheiros de todas as batalhas, o religioso Boyd “Bíblia” (Shia LaBeouf), o agressivo Grady (Jon Bernthal) e o debochado “Gordo” (Michael Peña). Para suprir o companheiro de farda recém-perdido em batalha, o exército providencia o datilógrafo Norman Ellison (Logan Lerman), totalmente inexperiente na batalha e mais ainda como tripulante de tanque. Com poucos tanques e sempre superados pela tecnologia dos tanques alemães, eles vão penetrar cada vez mais numa Alemanha onde os nazistas estão dispostos defender o “Império dos Mil Anos” até o fim, usando até crianças no exército. E o novato tem seu primeiro momento de hesitação, o que prenuncia problemas para Wardaddy.

    AVALIAÇÃO: Bastante ação e suspense nas cenas de batalha, todas praticamente travadas pelos tanques. Há algumas cenas lentas e talvez por demais prolongadas (como na casa das alemãs), mas o que realmente está a mais são as cenas de mutilação. OK, é Hollywood e também sabemos que isto era frequência ocorrente na guerra, mas o diretor poderia dispensar o exagero no uso deste “tempero”…
    Mas o filme ganha uns pontos a mais por dois aspectos históricos interessantes: mostrar como as SS eram a escória das tropas nazistas e o alistamento à força de jovens e crianças no fim de guerra, para suprir as forças do dizimado exército alemão – uma das cenas mostra alemães enforcados por terem se recusado a servir ou por tentar impedir seus filhos de serem alistados no exército.

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    O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain)

    O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain), suspense de ficção científica de Robert Wise, 1971.

    ENREDO: A população da pequena cidade de Piedmont, no Novo México, EUA, foi exterminada; alguns morreram tão repentinamente que pareciam congelados nas atividades em que estavam entretidos, sem ter ciência do que se passava, com o sangue coagulado e nenhuma expressão de terror no rosto. Mas alguns sentiram a morte chegando e as mensagens de rádio relatavam o terror pelo qual a cidade passava. O culpado: uma espécie de vírus alienígena, trazida por um satélite caído na região. Para impedir o alastramento, o Projeto Scoop, da Força Aérea, isola a região e chama os únicos quatro cientistas que podem – se for realmente possível – lidar com a situação: Dr. Jeremy Stone (Arthur Hill), Dr. Charles Dutton (David Wayne), Dr. Mark Hall (James Olson) e a Dra. Ruth Leavitt (Kate Reid). Na ultrassecreta e sofisticada instalação Wildfire, projetada pelo Dr. Stone justamente para um evento como este, eles contarão com as pesquisas que farão com os dois únicos sobreviventes da catástrofe: um recém-nascido e um velho bêbado. Eles correm contra o relógio, pois o vírus está sofrendo rápidas mutações e o prazo se esgota para que a Força Aérea destrua a área contaminada com um artefato nuclear.

    AVALIAÇÃO: Um clássico da ficção cientifica do genial Robert Wise, baseado num livro do também genial Michael Crichton (de cujos textos saíram filmes como “Coma” e “Parque dos Dinossauros”). O começo do filme cativa, mas o desenrolar da história é um tanto enrolado e o filme perde muito pique. Clássico de ficção científica realmente bom de Robert Wise? “O Dia em que a Terra Parou”.

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