O Filho de Saul (Saul Fia)

O Filho de Saul (Saul Fia), drama de guerra com toques de suspense corroteirizado e dirigido por László Nemes, 2015.

ENREDO: Auschwitz, Polônia, 1944. Receber leva de prisioneiros judeus destinados à câmara de gás, ajudando os alemães com a mentira de que se tratava de banho de desinfecção seguido de refeição. Impedir os prisioneiros agonizantes de arrombar as pesadas portas da câmara. Buscar itens de valor nos pertences dos mortos. Limpar as câmaras dos restos de sangue dos que se debateram. Levar os corpos (“os pedaços”, no dizer dos nazistas) aos fornos crematórios. Levar as cinzas restantes para descarte nos rios. Esta era a rotina dos Sonderkommandos, criados pelos nazistas com o uso dos prisioneiros-escravos para fazer seu trabalho sujo e, ao mesmo tempo, acabar com a pouca humanidade que restava aos cativos. Em troca, alojamentos mais “decentes” que os dos outros prisioneiros, alguma comida, bebida e roupa. Ao fim de poucos meses, os Sonderkommandos, já “mortos em vida” eram eles mesmos levados para execução nas câmaras, sendo substituídos por uma nova leva de escravos.
Dentro deste fundo histórico, começa a ficção proposta pelo diretor: Saul Ausländer (Géza Röhrig), membro de um sonderkommando, vê a oportunidade de um gesto de dignidade quando resgata, em meio à pilha de mortos retirados do gás, um garoto agonizante. Se os nazistas estão interessados em autopsiá-lo para descobrir como o garoto teve esta sobrevida, Saul alega tratar-se de seu filho e quer que um rabino oficie uma cerimônia fúnebre para ele – e até levar o corpo para ser enterrado. Com a cumplicidade do médico judeu (Sándor Zsótér) que é obrigado a ajudar os nazistas, Saul ganha algumas horas para encontrar seu rabino, em meio a prisioneiros de diversas origens e com os quais não consegue se comunicar. Ao mesmo tempo, ele pode estar colocando em risco o plano de destruição dos fornos e fuga dos sonderkommandos.

AVALIAÇÃO: A história decepcionou um tanto… esperava mais e este foi um comentário que se repetiu. Mas é uma interessante e rara abordagem no cinema, já que não somente aparecem os judeus tratados por números, humilhados e desumanizados (por exemplo, os corpos dos mortos nas câmaras são chamados de “partes” pelos nazistas), mas também os judeus escolhidos para serem transformados em feitores dos outros (kapos e, ironicamente os oberkapos, os chefes dos feitores, em mais um golpe de humilhação nazista), assim como os tais sonderkommandos, encarregados do processo de condução às câmaras de gás, de sua limpeza e do burocrático “processamento” dos corpos, assim como vislumbrado pelos nazistas, cuja burocracia era a perfeita máquina de matar em massa e que se preocupou até com os engodos para levar as vítimas às câmaras de gás com o mínimo de protesto.
As cenas de tiros, gritos, ordens, choro e o caos (a fotografia e o áudio contribuem bastante para o clima) geram um clima de dor e aflição, mas não para derramar lágrimas – é como se estivéssemos dentro da cena, com as mesmas percepções dos personagens, com sentimentos amortecidos.
Como filme sobre o Holocausto, preferi outro concorrente ao Oscar de filme estrangeiro de 2016 e também com abordagem inusual: Labirinto de Mentiras.

SUGESTÃO DE LEITURA: http://www.timesofisrael.com/jewish-director-of-devastating-son-of-saul-films-where-few-have-dared-to-tread/

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O Regresso (The Revenant)

O Regresso (The Revenant), suspense e aventura dramáticos corroteirizado e dirigido por Alejandro González Iñárritu (“Babel” e “Birdman”), 2015.


ENREDO: Em 1823, numa região inóspita do norte dos EUA, o acampamento dos caçadores de peles do capitão Andrew Henry (Domhnall Gleeson, filho do ator Brendan Gleeson) é atacado pelos índios arikaras, cujo chefe (Duane Howard) está à procura da filha (Melaw Nakehk’o) raptada e quer vingança, armas e cavalos – e as peles são importante instrumento de troca com os franceses, rivais dos americanos. Praticamente dizimados pelos índios, resta aos homens de Henry recuar rapidamente ao Forte Kiowa, a mais de 300 km de distância. Para o capitão, o importante é seguir as indicações de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), experimentado batedor, que lhes aconselha a não descer o rio, onde serão alvos fáceis, e a seguir pelas montanhas. Numa das primeiras pausas, Glass é atacado e praticamente dilacerado por uma ursa que guardava seus filhotes. Tentar levar o moribundo Glass montanha acima com o inverno cada vez mais rigoroso é quase sinônimo de condenar todos à morte. O capitão pede voluntários para ficarem com o ferido até seu momento final e lhe darem um enterro digno. Ficam o filho de Glass (Forrest Goodluck), um amigo deste (Will Poulter) e – pelo dinheiro oferecido pelo capitão – John Fitzgerald (Tom Hardy), desafeto de Glass, cujo filho mestiço de pawnee detesta. Traição, mentira e assassinato levam Fitzgerald de volta ao Forte com a notícia da morte de Glass. Mas este sobreviveu e vai se recuperando lentamente, enquanto parte em busca de sua vingança, em meio ao inverno, à falta de comida, cavalo e armas, sempre sob o risco de ser avistado pelos arikaras.

AVALIAÇÃO: Se pesquisamos os relatos conhecidos sobre o caçador de peles Hugh Glass, vemos que o filme adota certas liberdades narrativas, mas isto não o torna menos impressionante, ainda mais com a interpretação cheia de garra de DiCaprio (que efetivamente sofreu nas filmagens) e com um vilão odiável como o de Tom Hardy. É um enredo onde não há “bonzinhos”, com exceção dos índios pawnees. Os brancos (americanos e franceses) não respeitam os índios, tomando-lhes territórios e caça. Os índios arikara (ou “arikarees”/“rees”), são cruéis escalpeladores e atacam também os índios pawnees.
O suspense praticamente constante e as belas paisagens vencem os trechos com longos momentos de silêncio (apesar de já ter escutado mais de uma vez que o filme poderia ser encurtado). Somando e subtraindo, é muito bom, mas não parece ser “o” filme do Oscar. E tem várias cenas carregadas de sangue, um aviso aos estômagos mais sensíveis…

RELEMBRANDO DANÇA COM LOBOS: “O Regresso” faz recordar “Dança com Lobos” (mas é inferior a este), porque os brancos são maus e há índios maus e bons; no caso de “Dança com Lobos”, os pawnees, sendo os sioux tratados como os bons, o que muitos historiadores desmentem, já que os esses teriam sido os “predadores” daqueles. Em suma, o mito do índio bom e do branco ruim não parece valer… Todos tinham seu lado ruim.

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Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight)

Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight), drama histórico com toques de suspense coescrito e dirigido por Tom McCarthy, 2015.


ENREDO: Julho de 2001. Martin “Marty” Baron (Liev Schreiber) assume a chefia da edição do The Boston Globe. A Spotlight, seção de jornalismo investigativo independente com quatro jornalistas (representados por Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo e Brian d’Arcy James), teme ser a primeira vítima dos cortes que Baron deverá fazer, mas ele tem outros planos e designa o editor-assistente Ben Bradlee Jr. (John Slattery) para seguir uma pista sobre um caso de abuso sexual por parte de um pároco local, o padre Geoghan, denunciado num artigo de Eileen McNamara (Maureen Keiller), também do Globe. As vítimas eram invariavelmente de famílias socialmente problemáticas (pobres/homossexuais/órfãos carentes/pai alcoólatra), que preferiam e também eram pressionados a não tornar a questão pública. O único envolvido disposto a ajudar os repórteres – e a princípio com muita relutância – é o advogado de algumas das vítimas, Mitchell “Mitch” Garabedian (Stanley Tucci), de origem armênia e, portanto, longe da influência da poderosa igreja católica. Eric MacLeish (Billy Crudup), o advogado que cuidara de casos mais antigos, parecia ter sempre optado por fechar acordos financeiros e aceitar docilmente o silêncio. Como fator complicador, toda a nata da sociedade e o judiciário prestigiavam a Igreja e, em particular, o Cardeal Bernard Law (Len Cariou), que conseguia sempre segredo de justiça para os caso ou o sumiço de alguns documentos, comprava o silêncio das vítimas e optava pela solução fácil de transferir os molestadores de paróquia – criando novas vítimas em novos locais. Mas agora a Spotlight já descobriu dezenas de possíveis agressores, o que faz a investigação tomar outro rumo: Baron quer trazer à tona toda a cúpula da Igreja que acobertou os casos por décadas. Se, por um lado, a equipe tem que ser discreta e cautelosa, por outro, seus concorrentes podem acabar chegando à mesma matéria antes deles.

AVALIAÇÃO: Michael Keaton foi talhado para a redação de um jornal. Depois de “O Jornal”, de 1994, ele está de volta num filmaço com suspense de ponta a ponta e que retrata um ano de um árduo e primoroso trabalho de investigação – que, aliás, ainda teve que “concorrer” pela atenção com os atentados das torres gêmeas, mas que resultou no Prêmio Pulitzer de 2003.
Foi preciso vir alguém como Martin Baron, jornalista judeu vindo de Miami, para se mexer tão profundamente nas enferrujadas estruturas do establisment de Boston, cidade de maioria católica e conservadora – foi ele quem resolveu transformar o trabalho da repórter Eileen MacNamara, do caderno de Cidades em uma investigação de grande porte.
O empenho dos jornalistas da Spotlight, que tinham vivência muito próxima com a própria Igreja que investigavam, mas que acabaram por tornar a questão até pessoal, foi que resgatou trabalhos de entidades como a SNAPS (Survivors Network of those Abused by Priests), coordenada pelo corajoso e insistente Phil Saviano (Neal Huff), ele também vítima de abuso sexual. Como Phil diz, referindo-se aos meninos carentes atraídos pela Igreja, “quando um padre lhe dá atenção, você se sente especial… Como você pode dizer ‘não’ a Deus?”. E às vezes a coisa parece até normal para os padres, como na revoltante cena em que a repórter Sacha Pfeiffer finalmente consegue abordar um deles.
Um filme que dá vontade de ser jornalista. E que tem uma única ressalva: é difícil guardar quem é quem no meio de tantos nomes que vão sendo citados.

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A Grande Aposta (The Big Short)

A Grande Aposta (The Big Short), drama histórico com leves toques cômicos e de suspense corroteirizado e dirigido por Adam McKay, 2015.

ENTENDENDO A CRISE: Entender o tipo de investimento que levou à crise do subprime em 2008 não foi e não é tarefa fácil nem para os peritos em investimentos, já que havia novos tipos de investimento e novas terminologias. Assim, vou apelar para um excelente artigo da Time para as explicações prévias do enredo (e nem assim a questão fica resolvida…): http://time.com/money/4142920/the-big-short-review-things-you-should-know-explainer/.
O estouro da bolha ocorreu porque os bancos estavam irresponsavelmente emprestando dinheiro com base em hipotecas que assumiam que os preços dos imóveis subiriam e que as casas poderiam ser tomadas de eventuais inadimplentes e revendidas a bom preço, já que a economia americana ia “muito bem, obrigado”. Quando acabaram os potenciais bons pagadores, os bancos começaram a aceitar hipotecas de potencialmente ruins ou até péssimos pagadores. Com a crise se aproximando, quando se fossem cobrar as hipotecas, as pessoas não teriam dinheiro para honrá-las, os imóveis não valeriam mais nada e os investidores que tivessem comprado títulos baseados nestas hipotecas teriam “micos” na mão. Mas, como as hipotecas eram “empacotadas” de tal forma que ninguém se dava conta do potencial estrago, elas pareciam bem seguras. E as pessoas continuavam a comprar imóveis apenas para poder obter dinheiro com suas hipotecas e… pronto, zilhões de imóveis e hipotecas faziam girar a engrenagem. Quem deveria dar o alerta? O FED (banco central americano), a SEC (agência que regula o mercado de ações), os bancos e as agências reguladoras de risco que, por inépcia e/ou conveniência e/ou conivência, deixaram passar por diversas oportunidades a ocasião de colocar um freio nisso. E aí os investimentos viraram “subprime”, ou seja, abaixo de primeira linha. Na verdade, muito, mas muito abaixo mesmo: viraram “m… empacotada em m…”, como diz um dos personagens.
 
Mas houve quem se tocasse da bizarrice das operações e apostasse justamente na queda dos valores dos títulos e os adquirisse na forma de um seguro com alto prêmio para o caso de desmoronamento do valor dos subprime. O “short” do título original em inglês, “The Big Short”, refere-se essencialmente a apostar que um título vai perder valor, e é este o mote a partir do qual se desenrola o filme. Seria como apostar num cavalo azarão: o prêmio para o improvável acerto era altíssimo. Uma aposta inédita para os bancos, mas que alguns começaram a aceitar, cobrando um prêmio alto pela apólice. Bastava ao esperto apostador ter sangue frio e ficar pagando a alta anuidade do seguro até ver a bolha estourar e receber seu prêmio astronômico. O que quer dizer que ele apostava contra a economia americana e na falência de investidores de todos os portes, ou seja, na desgraça do americano médio, que estava sendo enganado pelos títulos subprime (mas não se pode dizer que vários não estivessem desconfiando de que isso fosse acabar mal e mesmo assim ainda tivessem continuado por causa da valorização).
 
ENREDO: 2005. O excêntrico investidor Michael Burry (Christian Bale) examina título por título os milhares que compõem os investimentos da sua empresa, a Scion Capital e sente que os devedores das hipotecas que os lastreiam estarão inadimplentes em poucos anos. Espertamente, ele resolve então apostar contra os títulos e contrata um seguro que, se os títulos desmoronarem, lhe dará uma enorme indenização, compensando de longe os prêmios pagos pelo seguro. Ele agora está apostando contra os bancos, as agências de avaliação de risco e todos os outros agentes do mercado, que juram que os títulos são sólidos – teoricamente AAA (na verdade são AAA misturados a AA, A, BBB, BB, B e daí para baixo).
Os bancos aceitam criar o inédito seguro, pois (ainda) acreditam nos títulos e consideram Burry um doido a quem nunca terão que pagar – e isto vaza para o operador (e narrador da história) Jared Vennett (Ryan Gosling), que resolve seguir a aposta de Burry. A seguir, um telefonema de Vennett para a empresa FrontPoint errada coloca-o em contato com Mark Baum (Steve Carrell).
Traumatizado pelo suicídio do irmão (Peter Epstein) e incapaz de dar atenção à esposa (Marisa Tomei), Baum é o eterno idealista, que ganha muito dinheiro com o mercado de investimentos, mas cujos agentes critica a todo momento pela falta de escrúpulos. Foi convencido pela apresentação de Vennett, apesar de uma dose de desconfiança, que é alimentada pelo seu fiel escudeiro Vinnie Daniel (Jeremy Strong), a face pessimista da FrontPoint.
Charlie Geller (John Magaro) e Jamie Shipley (Finn Wittrock) são dois pequenos investidores que também por acaso tomam ciência dos investimentos de Vennett, mas que só conseguem acesso a ele quando atraem de volta ao mercado seu guru, o venerado Ben Rickert (Brad Pitt), outro crítico das estripulias do mercado, com o qual fizera dinheiro, mas do qual decidira se isolar para levar uma vida isolada.
Agora os protagonistas apenas aguardam que o mercado pegue fogo – e logo. Mas os bancos e agências de riscos ainda vão conseguir disfarçar e enrolar por alguns anos, o que vai gerar muita tensão antes do colapso que quase pôs o mundo numa nova crise de 1929.

AVALIAÇÃO: Baseado em fatos e personagens reais, vários dos quais com os nomes reais mantidos na trama, o diretor Adam McKay (parceiro constante do comediante Will Ferrell) tenta nos ajudar a entender a crise do subprime de 2008. Não é fácil e ele apela para momentos em que o frio e ora simpático, ora arrogante protagonista Jared Vennett (Gosling, à vontade no papel) dá uma pausa e passa explicações aos espectadores. Em outros momentos, o diretor usa alguns personagens secundários e de curta e cômica aparição, como o analista (Ted Jiang) que trabalha para Vennett, para ajudar nas explicações. E também conta com o auxílio de narradores bem inusitados, como o chef Anthony Bourdain, a cantora e atriz Selena Gomez ou a atriz Margot Robbie, que nada têm a ver com o assunto, mas que estão bem municiados a respeito.
Christian Bale está ótimo como Michael Burry, o médico portador de um olho de vidro e da síndrome de Asperger (um transtorno relacionado ao autismo), o que o leva a ter extrema dificuldade de relacionamento pessoal e que havia conhecido sua esposa numa rede social, cativando-a pela sua sinceridade sem rodeios. Tendo largado logo no início a carreira médica, ele era um outsider do mercado, sempre trabalhando de bermuda e sandálias e escutando e tocando rock no último volume, mas criando muito dinheiro para seus investidores.
Mark Baum (interpretado muito bem por Steve Carrell) é o outro personagem bem interessante da trama. Começa questionando a religião na figura de seu rabino, quando pequeno, para depois, quando adulto, questionar a todo instante o sistema financeiro, que considera sujo e corrupto – sistema este com o qual fazia muito dinheiro, sem nunca deixar de criticá-lo. Idealista, ele ainda procurou avisar os bancos e questionar as agências de risco sobre o tsunami que ele via à frente.
Filme muito bom, mas um tanto confuso para quem não está afeito ao mercado doido do subprime, apesar das pinceladas com explicações sobre o economês da crise. Afinal, muitos dos veteranos do mercado nem entendiam o que eram os pacotes de títulos que os bancos estavam criando. E as agências de avaliação de risco, justamente elas, perderam credibilidade após o colapso. Precisaríamos de agências de avaliação para avaliar as agências de avaliação?
Em suma, mesmo que você se perca nas explicações, bastante será aproveitado e é um ótimo passatempo. Talvez pudesse ser um pouco mais curto, retirando algumas situações. Diria que vale mais pelos personagens, suas ações e seus dramas e dilemas do que pelos eventos propriamente ditos.

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Diplomacia (Diplomatie)

Diplomacia (Diplomatie), drama histórico de guerra com toques de suspense de Volker Schlöndorff, 2014.


ENREDO: Agosto de 1944. Dietrich von Choltitz (Niels Arestrup), o recém-nomeado governador militar da Paris ocupada, sabe que vai perdê-la para os aliados em questão de horas ou dias. As instruções que ele recebeu foram claras: lotar a cidade de explosivos e provocar enchentes do Rio Sena, provocando a destruição de todos os monumentos e a morte de, provavelmente, alguns milhões de habitantes. Para Hitler, trata-se de mais uma questão mesquinha (esclarecida no filme); para o experimentado Choltitz, para quem as ordens mais duras já cumpridas haviam sido as de eliminar os judeus no front oriental, esta agora era uma ordem mais insana ainda – no máximo seria retardado por algumas semanas o avanço aliado. Mas ordens são ordens (e o filme revelará outro fator de peso convencendo o general a seguir com o louco plano) e ele está nos últimos preparativos, quando um visitante inesperado, que o andara espionando, aparece tentado demovê-lo da ideia: é o cônsul geral sueco Raoul Nordling (André Dussolier). Francês de nascimento e descendente de suecos, ele ama a cidade passa a jogar um jogo no qual Choltitz não parece nada disposto a entrar. Nordling mente? Blefa? Mais ainda: ele tem o poder para dissuadir o general alemão?

AVALIAÇÃO: Ao som do genial 2º movimento da 7ª Sinfonia de Beethoven, vemos o general alemão emitindo ordens e combinando com o relutante arquiteto Jacques Lanvin (Jean-Marc Roulot) a distribuição mais efetiva dos explosivos que porão Paris abaixo. Pouco depois, entra o cônsul Raoul Nordling e a partir daí segue um embate verbal de razões e contrarrazões de dois formidáveis oponentes. O vencedor da argumentação (mesmo que inventada, é baseada em circunstâncias reais), sabemos quem foi. Mas os bastidores da negociação são de prender o fôlego. Uma aula de história e de interpretação.

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Os Oito Odiados (The Hateful Eight / The H8ful Eight)

Os Oito Odiados (The Hateful Eight / The H8ful Eight), faroeste e suspense dramático com toques cômicos escrito e dirigido por Quentin Tarantino, 2015.

ENREDO: No deserto do Oeste americano do pós-guerra civil, o cocheiro O.B. Jackson (James Parks) conduz o caçador de recompensa John “Carrasco” Ruth (Kurt Russell) e sua presa, a desbocada e racista Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), “procurada viva ou morta, mas levo viva para não tirar o ganha-pão do carrasco e poder escutar o estalo do pescoço quebrando na forca”.
No meio do caminho, aparece o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), herói negro da União, agora também um caçador de recompensas, cujo cavalo morreu e que leva três corpos para requisitar seu prêmio na cidade mais próxima. Ruth e Warren se conhecem, mas há uma desconfiança mútua até que Ruth ceda ao major um lugar na carruagem.
Mas, quando aparece no meio da nevasca um sujeito dizendo-se xerife nomeado da cidade aonde se dirigem os caçadores de recompensa, fica difícil de engolir. Não há papéis que os façam acreditar que Chris Mannix, do mal afamado clã de soldados confederados, tenha sido nomeado xerife de qualquer lugar. Mas ok, agora são quatro os passageiros de O.B.
Chegando no entreposto de Minnie Mink (Dana Gourrier), eles são recepcionados pelo mexicano Bob (Demian Bichir), mas o major, que conhece Minnie e o marido, Sweet Dave (Gene Jones), não engole a justificativa do mexicano para a ausência deles. E o Carrasco suspeita que os convivas presentes estejam de olho em sua prisioneira.
Assim agora temos uma divisão geográfica estabelecida na casa. O Carrasco, o Major, o Xerife, o e a Prisioneira de um lado e, de outro, aqueles que já estavam na casa: o Mexicano, Oswaldo Mobray (Tim Roth), um janota inglês de nome pomposo que se diz o carrasco nomeado para os condenados da cidade, o calado general confederado Sandy Smithers (Bruce Dern), com muitas mortes de soldados da União negros nas costas, e um sujeito mais calado ainda (Michael Madsen).
Que comecem as suspeitas, os diálogos e as mortes!

AVALIAÇÃO: Belas paisagens na neve no início do filme que, quase da metade para frente, se passa inteiramente num entreposto de meio de estrada, somente com a presença dos anti-heróis. Eu tinha minha torcida por um deles, que parecia ser o menos detestável (aliás, a tradução mais precisa para “hateful”) mas nenhum, nenhum mesmo se salva, exceto o cocheiro, involuntariamente metido na situação. Sangue em profusão, além de mortes violentas (braços voando, cabeças estouradas), então cuidado, se tiver estômago mais fraco – se bem que, como as situações cômicas aparecem a toda hora, a violência chega a ser engraçada. Se em “Bastardos Inglórios” e “Django Livre” o sangue tinha um, digamos, propósito nobre (respectivamente, fustigar o nazismo e a escravidão), aqui quase não há história a ser contada. É certo que diverte e o suspense sobre quem e quando vai morrer nos retém a atenção pelas quase três horas de duração do filme. Mas Tarantino reuniu vários astros afastados da tela há tempos, bem como astros e atores que ele costuma prestigiar em seus filmes, para fazer um filme apenas mediano. Nem a trilha de Ennio Morricone ajuda…

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Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens)

Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens), suspense dramático de Giulio Ricciarelli, 2014.


ENREDO: Em 1958, a (então) Alemanha Ocidental passava pelo milagre da reconstrução e o chanceler Konrad Adenauer queria esquecer o passado nazista. Para os aliados, os julgamentos de Nuremberg já teriam esgotado a questão e o inimigo agora eram os comunistas. Tanto é que o arquivo com a documentação dos atos nazistas que estes haviam metodicamente construído era guardado por um oficial americano solitário (Tim Williams).
Assim, quando mais uma vez o jornalista Thomas Gnielka (André Szymanski) tenta convencer a promotoria do estado de Hesse a seguir a pista de um criminoso nazista de Auschwitz, localizado pelo seu amigo, o sobrevivente do Holocausto Simon Kirsch (Johannes Krisch), os promotores, encabeçados Oberstaatsanwalt Walter Friedberg (Robert Hunger-Bühler), preferem o silêncio – os mais jovens nem sabem o que seja Auschwitz, os mais velhos preferem uma Alemanha sem as manchas no passado.

Filho de oficial alemão dado como desaparecido na Segunda Guerra, o novato Johann Radmann (Alexander Fehling) carrega as lições do pai sobre honra e, instigado pelo assunto, não vai deixá-lo ser descartado, apesar das pressões que logo recebe de seus pares. Para o bem do caso, o superior de Friedberg, Fritz Bauer (Gert Voss), procurador-geral de Hesse, crê ser essencial que os criminosos sejam levados a julgamento e que o período nazista não seja simplesmente apagado da lembrança do país. E assim, numa rápida promoção, Radmann é deslocado de infrações de trânsito para a chefia das investigações.
Ocorre que a maioria dos crimes prescreveu, exceto os de assassinato e, assim, Radmann deve procurar nazistas que tenham participado de crimes como este – e as testemunhas que possam condená-los. O próprio Simon Kirsch é avesso a remexer no seu caso, em função de suas lembranças extremamente dolorosas e porque crê que “Esse país adora eufemismos. Nunca vão querer saber a verdade”.

“Quer que todo jovem se pergunte se seu pai é assassino?”, pergunta Friedberg a Radmann. “Quero que as mentiras e o silêncio acabem de uma vez por todas.”. E ele parte obstinadamente e praticamente sozinho em busca da verdade e das condenações.

 

AVALIAÇÃO: Filmaço sobre os processos de Frankfurt encabeçados pelo procurador-geral do estado alemão de Hesse, o grande Fritz Bauer, nos anos 50 e 60. O jovem promotor Radmann na verdade é a mescla de três deles que trabalharam no caso sob o comando de Bauer e instigados pelo jornalista Tomas Gnielka, também um personagem real (que tem suas razões particulares para buscar as condenações) – todos homenageados ao final do filme.
Ironicamente, a documentação mantida pelos próprios nazistas foi essencial nas capturas e sentenças – “Os idiotas anotaram tudo”, diz o oficial americano responsável pela guarda dos milhões de documentos.

O trailer do filme faz colocações cruciais sobre o que significava esta busca pela verdade:

  • A geração de universitários que começava seu trabalho na promotoria nem sabia o que era Auschwitz. Quem sabia, omitia-se ou raciocinava de acordo com a máxima de que “os vencedores inventam histórias”.
  • Todos os crimes estavam prescritos, excetuados os de assassinato. Mas não havia “um crime concreto ou uma prova real”; não havia relatos de vítimas, não havia nem a divulgação dos nomes dos perpetradores dos crimes.
  • Todo alemão cerca de 30 anos ou mais poderia ser suspeito de crimes nazistas. A maioria havia pertencido ao partido nazista – não pertencer ao partido poderia ter graves repercussões. Assim, houvera 10 milhões de nazistas, sendo que muitos, 8.000 deles, haviam trabalhado em Auschwitz.
  • “Os alemães vão ver crimes cometidos por pessoas perfeitamente normais”, diz Bauer (o que, aliás, lembra bem o que diz best-seller “Os Carrascos Voluntários de Hitler”, de Daniel Jonah Goldhagen).
  • Quando Radmann, obcecado por capturar Mengele, descobre que ele está na América do Sul e que visita regularmente a Alemanha, pede ajuda de outros órgãos do Estado: “América do Sul? Longe demais”.
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    Sobre Fritz Bauer: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2015/08/08/interna_diversao_arte,493871/filme-revela-intimidade-de-figura-essencial-no-julgamento-dos-nazistas.shtml e http://www.correiodobrasil.com.br/o-alemao-que-localizou-eichmann/.

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    Pecados Antigos, Longas sombras (La Isla Mínima)

    Pecados Antigos, Longas sombras (La Isla Mínima), suspense policial dramático coescrito e dirigido por Alberto Rodríguez, 2014.


    ENREDO: Espanha, 1980. A ditadura sangrenta de Francisco Franco acabou há alguns anos, mas criticar o falecido regime ainda pode ter consequências e Pedro (Raúl Arévalo), um policial de Homicídios de Madrid, é destacado para um caso numa cidadezinha no fim do mundo nos pântanos do sul da Espanha. Junto dele vai o experiente Juan (Javier Gutiérrez), com passado na repressão franquista. Pedro é quieto, frio e se atém aos procedimentos legais. Juan é divertido, curte mulheres e boates, mas não hesita em atuar com violência e fora das normas para obter provas e confissões.
    As autoridades locais querem o caso do desaparecimento de duas irmãs adolescentes (Cyntia Suano e Laura López) resolvido rapidamente, pois é chegada a época da colheita e espera-se muita gente de fora. Por razões diferentes, a mãe (Nerea Barros) e o pai (Antonio de la Torre) das meninas parecem esconder pistas e não querem falar muito. Há também a vergonha pela fama de “fáceis” das meninas e sabia-se que queriam de todo modo fugir da vida medíocre do vilarejo – foi somente a pressão de um parente juiz que fez com que o caso continuasse aberto.
    Os corpos são descobertos com marcas de tortura, e aparecem ligações do caso com mortes de adolescentes em anos anteriores – “Esse lugar devora as pessoas”, diz uma moradora.
    Mais pistas vão aparecendo: um folheto que parece uma isca para jovens; um misterioso veículo visto com as garotas na noite do desaparecimento e novamente depois; um rapaz (Jesús Castro) que seduz as adolescentes; gente influente que pode estar sendo protegida… E a sombra sobre o passado de Juan que não quer deixá-lo.

    AVALIAÇÃO: Uma grata surpresa da Espanha, lembrando um pouco o excelente “Mississipi em Chamas” (cidade pequena, dois investigadores da cidade grande de temperamentos e perfis bem contrastantes, um crime que os locais preferem ver esquecidos), este suspense policial é bem forte e cativante e mantém um bom clima de anos 80. Protagonistas muito bem interpretados, com destaque para o policial de Raul Arévalo.

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    O Clã (El Clan)

    O Clã (El Clan), suspense dramático, criminal e biográfico dirigido, coproduzido e coescrito por Pablo Trapero, 2015.


    ENREDO: O general-ditador Leopoldo Galtieri perdeu o poder após o final de sua desastrada tentativa de tomar dos britânicos as Ilhas Falkland/Malvinas, levando ao retorno dos civis à presidência, com a eleição de Raul Alfonsín (após mais dois breves generais-ditadores). Mas a saída dos militares do poder não desativou a lucrativa “indústria” do clã Puccio: liderada por Arquímedes (Guillermo Francella), um pacato contador e dono de rotisseria da classe (bem) média que havia trabalhado para o serviço de inteligência do Estado (o famigerado SIDE), ele se manteve na atividade de sequestro/cativeiro – mas agora não mais contra os inimigos do regime – os “clientes” agora são os ricos, para prover o contínuo sustento da grande família. Junto com dois “sócios”, Guillermo Fernández Laborde e Roberto Oscar Díaz, e o militar da reserva que os protegia, Rodolfo Franco, Arquímedes começou sequestrando um amigo do filho mais velho, Alex. Mas o negócio tinha altos riscos: realizar as abordagens à luz do dia sem serem vistos, abafar os ruídos dos sequestrados e evitar que não só os vizinhos, mas também a família percebesse a presença dos sequestrados, que ficavam acorrentados e encapuzados numa banheira num banheiro com algum isolamento acústico.

    Os Puccio eram seis, além do pai:

  • Alejandro “Alex” Puccio (Juan Pedro “Peter” Lanzani): um dos melhores jogadores do Pumas, a seleção argentina de rúgbi, fazia sucesso socialmente e era tido como bom moço, o que o levou a ser a fachada de respeito perfeita para o clã. Um fraco que cedia às chantagens do pai, que ora dizia que a saída de Alex “dos negócios” poria em risco a família, ora subornava o filho com mimos como dinheiro vivo ou uma loja de artigos esportivos, permitindo a Alex manter seu padrão de vida. Amigos das vítimas iniciais, o que facilitava a abordagem e burlar esquemas antissequestro, vivia atormentado pelo que se passava, ainda mais quando o sequestro resultava em morte.
  • Daniel Arquímedes “Maguila” Puccio (Gastón Cocchiarale): afastado da família por estar na Nova Zelândia, foi trazido de volta para o clã por Alex (o que, de acordo com o verbete da Wikipedia sobre Archímedes, seria uma licença dramática dos realizadores, já que Maguila estaria envolvido em todos os sequestros).
  • Epifanía Puccio (Lili Popovich): Professora e dona de casa. Pelo que o filme mostra, não tinha como não saber dos sequestros – era quem fazia as refeições da família e dos sequestrados. No mínimo, fechava olhos, ouvidos e boca, para poder usufruir do padrão de vida trazido pelos resgates.
  • Silvia Puccio (Giselle Motta): Queria ser artista plástica, como fora a mãe quando jovem. “Papai o fez por nós”, diz ela ao irmão a certa altura do filme, o que mostra que dificilmente estaria alheia ao que se passava.
  • Guillermo Puccio (Franco Masini): O segundo mais novo da família, também jogador de rúgbi. Fica incomodado com o que suspeita se passar na casa e toma uma decisão drástica.
  • Adriana Claudia Puccio (Antonia Bengoechea): 13 anos à época. Se sabia o que se passava, entendia?

  • Arquímedes prossegue com seu lucrativo negócio, mas pode estar abusando da sorte com sua ousadia e a escolha dos sequestrados. E está perdendo as costas quentes dos militares, que começam a perder prestígio. Para complicar, Alex quer se casar com Mónica (Stefanía Koessl), o que descontenta principalmente o patriarca, que pode perder o principal “agente”.

     
     
    AVALIAÇÃO: Filmaço de prender na cadeira dos produtores de “Relatos Selvagens”, mesmo sabendo o desfecho (que o filme aponta logo no início). A trilha dos anos 80 que pontua o filme contrasta com os momentos de terror pelos quais passam as vítimas de monstros, monstros daqueles que fazem preces na hora da refeição (lembrando os de Brasília que fizeram a “oração da propina”), enquanto no aposento de cima a vítima de sequestro é espancada para escrever bilhetes aos familiares.
    O filme – que acaba por abordar parte das desgraças protagonizadas pelos criminosos travestidos de militares que governaram a Argentina – faz idas e vindas ao longo de 1983, e isso pode causar uma certa confusão, além da que pode ser provocada pelos nomes e apelidos dos cinco filhos (eu não entendi o que se passava como o “Maguila” no começo do filme, por exemplo). Mas não é nada que atrapalhe o desenrolar desta obra-prima sobre a maldade muitas vezes muito bem disfarçada do ser humano.
    E nem só de Ricardo Darín vive o cinema argentino… Epifanía e Arquímedes são muito bem interpretados por Lili Popovich e Guillermo Francella (a cara do Michel Temer, mas com cabelos brancos e olhos azuis); ela convence muito bem como a mãe preocupada com o dia a dia, como em acertar na cozinha e ele, em particular, está excelente com seu olhar e voz absolutamente frios (e raras vezes furiosos).

    Quem quiser se aprofundar sobre o caso do clã dos Puccio:
    http://www.bigbangnews.com/policiales/Donde-estan-hoy-los-verdaderos-protagonistas-del-clan-Puccio-20150817-0014.html (conta o destino dos Puccio e parece confiável)
    https://es.wikipedia.org/wiki/Arqu%C3%ADmedes_Puccio. .

     

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    Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes)

    Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes), suspense dramático policial dirigido e corroteirizado por Billy Ray (“Jogos Vorazes” e “Capitão Philips”), 2015.


    ENREDO: Los Angeles, 2002. Após os atentados de 2001 no WTC, a vigilância sobre possíveis centros de radicalização aumentou nos EUA. Uma força-tarefa antiterrorista vai investigar o caso de uma vítima de homicídio descoberta numa caçamba próxima de uma mesquita. Se, por um lado, os agentes Ray Kasten (o indicado ao Oscar por “Doze Anos de Escravidão” Chiwetel Ejiofor), do FBI de Nova Iorque, Jess (a oscarizada Julia Roberts) e Bumpy (Dean Norris), da promotoria pública e a subprocuradora distrital Claire Sloan (a oscarizada Nicole Kidman), percebem que o caso não tem ligação com o terrorismo, por outro, tanto a vítima como o principal suspeito estão intimamente relacionados a eles e eles relutam em deixar o caso nas mãos do Departamento de Homicídios, Sua insistência os leva a romper os limites de suas atribuições e enfrentar seu superior (Alfred Molina), o que provoca o retorno de Ray a Nova Iorque.
    2015. 13 anos de pesquisas noite após noite levaram Ray a um detento recém libertado (Joe Cole), que ele tem certeza de se tratar do assassino de 2002, agora sob nova identidade. Ele volta a Los Angeles e procura reabrir o caso com a agora procuradora Claire, para poder finalmente trazer alguma paz de espírito para os envolvidos.

    AVALIAÇÃO: O cativante e surpreendente “O Segredo de Seus Olhos”, do argentino Juan José Campanella, mereceu o Oscar de filme estrangeiro de 2010 e rendeu este “filhote”, corroteirizado por ele e que tem mais “cara de Hollywood”, e ainda com qualidade. A história guarda pouca semelhança com o original, o que é bom, porque nos leva a ver dois filmes totalmente distintos, mas que prendem igualmente. Nicole Kidman convidou Julia Roberts para o papel de Jess e é muito interessante ver as duas num mesmo filme, com o detalhe de uma Julia Roberts despojada, sem maquiagem ou charme, simplesmente atriz (e Nicole Kidman ainda lindíssima).

     

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    No Coração do Mar (In the Heart of the Sea)

    No Coração do Mar (In the Heart of the Sea), suspense e aventura dramáticos de Ron Howard (“Apollo 13”, “Uma Mente Brilhante”, “Rush”), 2015.


    ENREDO: Herman Melville publicou em 1851 seu livro de ficção “A Baleia”, sobre o grande cachalote branco “MobyDick”, raivoso destruidor das embarcações que se aventuravam a capturá-lo. Mas não se tratava de pura ficção. O fantástico e desesperador relato de Melville (Ben Wishaw, o Q dos recentes 007) era derivado de uma entrevista com o último dos sobreviventes de um baleeiro naufragado em em 1820. 

    Muito a contragosto, mas necessitado do dinheiro que Melville oferece pelo relato, Tom Nickerson (Brendan Gleeson) cede à esposa (Michelle Fairley) e começa a relembrar um passado extremamente traumático e que gostaria de enterrar, as desventuras do baleeiro Essex, da ilha de Nantucket, Massachusetts, onde aos 14 anos, órfão de pai e mãe, o jovem Nickerson (Tom Holland) trabalha como camareiro. Sob o comando do arrogante e inexperiente capitão George Pollard (Benjamin Walker), de uma rica e tradicional família de homens do mar dedicados à caça de baleias, e imposto aos marinheiros, o Essex tem como imediato Owen Chase (Chris Hemsworth, de “Thor” e “Rush”), jovem, mas veterano homem do mar, a quem fora prometido o cargo de capitão. O desentendimento entre ambos começa assim que o navio zarpa em sua missão: capturar o precioso óleo de baleias e cachalotes, então muito necessário para lubrificar motores e acender velas e lampiões país afora. A primeira decisão desastrada do capitão, em desacordo com seu imediato, quase destrói o barco. A segunda, desta vez de comum acordo com aquele, é a que vai deixar a tripulação à deriva e aos poucos provocar mortes e atos de desespero: após meses em que mataram apenas uma baleia, eles decidem caçar aquele que foi a ruína de marinheiros que o encontraram ao longo do caminho – um cachalote de quase 30 metros, calejado pelas cicatrizes de arpões e cheio de fúria, como que à procura de vingança. Chuva inclemente, sol escaldante, fome avassaladora e falta de água doce os acompanharão ao longo dos meses até o resgate.

     

    AVALIAÇÃO: Quando foi lançado, o livro de Herman Melville foi um fracasso (apesar do reconhecimento por parte do amigo de Melville, o já veterano e afamado escritor Nathaniel Hawthorne). Também nesta época o mundo começava a substituir o óleo de baleia pelos derivados do petróleo (o “óleo de pedra).
    Lembro-me de não ter gostado do livro quando o li, aos quinze anos. Já este filme cativa profundamente, com o forte clima de suspense e aventura e com sua fascinante reconstituição da época, e graças também à dupla de protagonistas, que retrata muito bem o contraste entre a arrogância e o desdém de um e a experiência e sensação de incompletude de outro. Mérito também do cachalote branco em 3D – o terror em forma de mamífero.

     

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    Sobrevivi ao Holocausto

    Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


    ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
    Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
    Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

     

    AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
    Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
    Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

     

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    Perdido em Marte (The Martian)

    Perdido em Marte (The Martian), suspense dramático e aventura, dirigida e coproduzida por Ridley Scott (“O Gladiador”, “Blade Runner”), 2015.


    ENREDO: Num futuro próximo, a missão Ares III enfrenta uma tempestade mais forte que a prevista em Marte e prepara-se para uma partida brusca. Em meio ao caos, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) é atingido por um equipamento que se desprendeu e seus sinais vitais são perdidos pela equipe, que tem que partir imediatamente – não há tempo para buscar pelo colega morto.
    Mas Mark sobreviveu e agora se descobre ferido e sozinho no planeta. Como a próxima missão ao planeta somente chegará em três anos, suas opções, com suprimentos curtos, são morrer de fome, de sede, sem oxigênio ou ter seu corpo implodido no habitat que o abriga. A quinta opção é aproveitar sua vontade de sobreviver a qualquer custo – e ele agora tem todos os suprimentos da equipe de seis disponíveis apenas para si, treinamento para lidar com grande parte dos equipamentos e é um botânico – “o melhor botânico de Marte” –, o que lhe permitirá criar água e comida essenciais para sua sobrevivência.
    Com o passar das semanas, na NASA, a equipe de Vincent Kapoor (Chiwetel Ejiofor, o astro de “12 Anos de Escravidão”) captou estranhos sinais de movimentação na base em Marte – significando que Mark está vivo. Se antes a intenção da agência era trazer de volta o corpo do astronauta, começa agora a desesperada tentativa de se comunicar consigo, antecipar uma missão a Marte e salvá-lo. O diretor da NASA (Jeff Daniels, de “A Vida em Preto e Branco”) e o diretor de voo da missão Ares III (Sean Bean, de “O Senhor dos Aneis”) têm agora vários dilemas: como enviar mais suprimentos, avisar ou não aos outros astronautas da missão (Jessica Chastain, Michael Peña, Aksel Hennie, Kate Mara e Sebastian Stan) que seu companheiro está vivo, sob risco de afetar o desempenho deles em volta à Terra… Isto sem contar os incidentes que ainda vão se interpor no caminho da missão de resgate.

    AVALIAÇÃO: Depois do ruim “Prometeus”, Ridley Scott volta à forma com esta engenhosa e angustiante produção, uma versão de “O Náufrago” vivida em Marte. Um filme de ficção (apesar de que a NASA forneceu múltiplos subsídios para tornar as situações mais próximas da realidade possível) que cativa menos pela ficção do que pela aventura, suspense e situações de quase desespero pelas quais passa o protagonista, muito bem vivido por Matt Damon.


    OBS.: 1. Vejam o duplo sentido com que o astronauta cumprimenta a primeira muda de planta a nascer em solo marciano, uma sacada bem legal do tradutor.
    2. As referências à passagem dos dias são feitas em “sol”, não em dias, pois os “dias” de Marte, os tais “sol” são cerca de 40 minutos mais longos que os dias terrestres (http://www.giss.nasa.gov/tools/mars24/help/notes.html).

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    Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)

    Ponte dos Espiões (Bridge of Spies), suspense dramático e histórico dirigido e produzido por Steven Spielberg, com roteiro de Ethan e Joel Coen, 2015.


    ENREDO: 1957. Auge da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética a ponto de entrar num conflito nuclear. O espião russo Rudolf Abel (Mark Rylance) é capturado em ação nos EUA. Para mostrar o quanto sua justiça é correta, o estado americano nomeia um advogado para defender Abel – o escolhido é o bem-sucedido James B. Donovan (Tom Hanks), mas cuja experiência se dera como assistente do promotor Robert H. Jackson em Nuremberg e como advogado no setor de seguros. Donovan sabe que será odiado pelo país todo por defender um espião soviético, mas acredita no sagrado direito a um julgamento justo. Ciente de que a pena de morte é quase certa para Abel (apesar dos diversos deslizes dos investigadores da CIA) como ocorrera com o casal Julius e Ethel Rosenberg, ele batalha por uma condenação à prisão, que poderá ser providencial, em caso de necessidade de troca por algum americano preso pelos soviéticos.
    E eis que surge a ocasião quando o piloto Francis Gary Powers (Austin Stowell) é abatido numa missão de reconhecimento aéreo na União Soviética. Ninguém melhor que Donovan – novamente ele – para intermediar a troca, que terá que ser feita fora da esfera do governo – se pego, ele estará por sua conta. A cidade escolhida pelos soviéticos: Berlim, justamente nos dias da construção do famoso muro. Mas agora, o que seria uma troca de espiões se torna um jogo mais arriscado quando Donovan resolve que, além de negociar com os russos, fará uma barganha também com os alemães orientais, que capturaram um estudante americano em Berlim, Frederic Pryor (Will Rogers) para usar como moeda de troca para obter o reconhecimento americano de que a Alemanha Oriental é um estado soberano.

    AVALIAÇÃO: O trailer não dá grande pista de quão maravilhoso o filme é. Spielberg (o gênio de Hollywood) e Hanks (quem sabe o melhor ator de Hollywood) acertam mais uma vez em sua parceria ao contar esse caso real (com roteiro dos irmãos Coen), e um show à parte de interpretação de Mark Rylance como o espião Rudolf Abel. A cada pergunta que o advogado James Donovan lhe faz sobre se Abel estaria preocupado, o “Isto ajudaria?” dá um toque preciso sobre com quem estamos lidando, tanto no aspecto ator como no personagem.
    Suspense e drama envolventes e arrepiantes, com atuações primorosas. Precisa dizer mais para recomendar que não se perca o filme?

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    A Travessia (The Walk)

    A Travessia (The Walk), aventura dramática dirigida, produzida e coescrita por Robert Zemeckis, (“O Náufrago”, De Volta para o Futuro” etc.), 2015.


    ENREDO: “As pessoas me perguntam ‘Por que você se arrisca a morrer?’ Para mim, isso é viver”, diz Philippe Petit, na introdução do filme.
    Desde pequeno, Philip Petit sonhava com a travessia na corda bamba e quis fazer disso uma carreira, para desgosto de seu pai, que o expulsou de casa. Ele acaba nas ruas de Paris, mas agora com um sonho maior: em 1974, estavam para ser inauguradas as torres gêmeas do World Trade Center – mais de 400 m de altura, mais de 40 m de afastamento entre si, isso sim uma travessia desafiadora. Além de aprender com seu tutor e treinador, o exímio artista de circo Papa Rudy (Ben Kingsley), como atravessar uma corda bamba e como cativar a plateia, Philip aprende que o segredo do sucesso reside em ter os equipamentos adequados, em saber como utilizá-los à perfeição e que a arrogância quase certamente será fatal. E que nunca se deve enganar a plateia…
    De posse de equipamentos e ensinamentos, Philip, a namorada (Charlotte Le Bon) e o fotógrafo “nomeado” das peripécias (Clément Sibony) partem para Nova York, onde vão arrebanhando cúmplices para vencer os obstáculos, acidentes e incidentes que vão surgindo, e que talvez sejam mais desafiadores que a própria travessia.

    AVALIAÇÃO: Filmaço impressionantemente vertiginoso e belo. Você sente o desafio da altura (pelo menos – ou mais ainda – em 3D) e, mesmo conhecendo o desfecho, você certamente será tragado pelo filme. Suspense e aventura de primeira, com drama na dose certa e narrativa que acrescenta alguns toques cômicos que temperam bem o filme, que tem a química certa entre os atores, principalmente entre o protagonista e Ben Kingsley. O diretor Robert Zemeckis, da trilogia “De Volta para o Futuro”, nos traz para o passado com competência.

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    Veja SP – Seja o crítico

    Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
    Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

    Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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    Chocolate (Chocolat)

    Chocolate (Chocolat), drama romântico de Lasse Hallstöm, 2000. D

    ENREDO: Final dos anos 50, num vilarejo francês, a chegada de Vianne (Juliette Binoche) e Anouk Rocher (Victoire Thivisol), mãe e filha que vagaram pelo mundo inteiro levando receitas de chocolate de Vianne, vai tirar o local do torpor. O prefeito (Alfred Molina), um católico tradicionalista que comanda até os sermões do jovem padre (Hugh O’Connor), vai fazer de tudo para convencer a cidade a boicotar as Rocher, que nem à Igreja vão, mas parte da cidade já está sendo hipnotizada pelas receitas: a locatária da loja (Judi Dench) deixa de lado a rabugice, paixões reacendem, a esposa (Lena Olin) que apanha do marido (Peter Stormare) resolve ir à luta e um garoto (Aurélien Parent Koenig) reprimido pela mãe (Carrie-Anne Moss) começa a viver mais livremente.

    AVALIAÇÃO: Muito chato.

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    Rango (Rango)

    Rango (Rango), desenho animado cômico e de aventura de Gore Verbinski (“Piratas do Caribe”), 2013.


    ENREDO: Rango é um camaleão metido a ator que vive em seu pequeno aquário, mas que, por obra de um acidente, acaba caindo na pequena Dirt, cidadezinha seca (e bota “seca” nisto) e esquecida no deserto de Mojave. Cheio de histórias, ele acaba sendo tomado pelo sujeito que eliminou os terríveis irmãos Jenkins (“com uma bala só”) e é nomeado xerife. Como tal, é também o guardião do banco, onde está o bem mais precioso da cidade, um garrafão de água que, claro, vai acabar sendo roubado e terá que ser recuperado pelo corajoso (como é?) Rango!.

    AVALIAÇÃO: Mais um que quis ver e perdi no cinema e acabei vendo na TV a cabo. Muito bom. A começar pela qualidade da filmagem – reparem nas cenas onde só aparecem as botas ou nas garrafas quebradas, por exemplo, que parecem extraídas de um filme de verdade. Mas não é só isso: a história é bem divertida e os personagens bem sacados, a começar por Rango, passando pelo suspeitíssimo prefeito da cidade (uma tartaruga), o chefe da gangue do deserto (uma toupeira mal-encarada), o vilão-mor (uma cruel cascavel), a pequena e destemida Priscila (uma ratinha naquelas roupas de marinheiros de criança), as corujas fazendo fundo musical ao estilo mexicano… E, para marcar bem o clima de faroeste, a trilha sonora de Hans Zimmer ao estilo Ennio Morricone e a presença do “Espírito do Oeste”, inspirado em Clint Eastwood.

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    Oblivion (Oblivion)

    Oblivion (Oblivion), suspense de ação e ficção científica de Josph Kosinski, 2013.


    ENREDO: Em 2077, A Terra venceu uma invasão alienígena, mas o uso de artefatos nucleares tornou o planeta inabitável. Os poucos sobreviventes vivem em estações acima da superfície do planeta, de onde extraem energia do oceano. Os Scavengers, ou “Scavs”, os também poucos inimigos sobreviventes, ainda estão na superfície e procuram sabotar essa extração, que são protegidas por drones. O papel de Jack Harper (Tom Cruise) é reparar os drones falhos ou danificados pelos Scavs, apoiado pela companheira Victoria “Vic” (Andrea Riseborough), o único ser vivo que ele conhece ou de quem se lembra, já que, para proteger a missão da dupla, eles tiveram suas memórias apagadas (daí o título “Oblivion” do filme).
    A missão da dupla está no fim, e eles anseiam por ir ao encontro dos companheiros que devem estar em Titã, lua de Saturno, mas a descoberta de uma nave caída e de uma sobrevivente (Olga Kurylenko) vai tornar mais intensos os flashes do passado que Jack deveria ter esquecido, colocá-lo em contato com os Scavs e afetar sua relação com Vic. Jack terá sido “guiado” até o ponto da queda da nave? E por quê? Estaria a comandante da missão, Sally (Melissa Leo) escondendo algo da dupla?

    AVALIAÇÃO: Filmaço de ficção, que perdi no cinema (nem fiz muita questão de ver), mas que por acaso vi passando na TV e resolvi assistir, instigado pelas cenas iniciais. Lembra um dos contos de Philip K. Dick, de “O Caçador de Androides” e “O Vingador do Futuro”. Trama envolvente, reviravoltas, um belo romance e um fim muito bem bolado.
    Morgan Freeman, que na refilmagem de “A Guerra dos Mundos” (também com Tom Cruise), fez o narrador, faz uma ponta (importante) neste filme.

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    Busca Implacável 3 (Taken 3 / Tak3n)

    Busca Implacável 3 (Taken 3 / Tak3n), ação de Olivier Mégaton, coescrito por Luc Besson, 2014.

    ENREDO: Finalmente o agente secreto americano aposentado Bryan Mills (Liam Neeson) parece estar acertando a convivência com a ex-mulher, Lenore (Famke Janssen), e a filha, Kim (Maggie Grace). Mas ele é envolvido numa trama que o coloca sozinho na casa onde Lenore acaba de ser violentamente assassinada, Apesar de o astuto detetive Franck Dotzler (Forest Whitaker) perceber que pode se tratar de uma armação, ele segue as regras e põe a polícia de Los Angeles atrás de Mills. Enquanto procura os verdadeiros assassinos e procura proteger sua filha, Mills vai se dando conta de que o atual marido (Dougray Scott) de Lenore pode estar escondendo algo.

    AVALIAÇÃO: Liam Neeson, o Oskar Schindler do filme de Spielberg, já virou clichê no papel de um protagonista treinado em venenos, armas, explosivos, artes marciais, espionagem, fuga e disfarces, que engana a polícia e os perseguidores e enfrenta quase sozinho uma violenta e cruel máfia da Europa Oriental (russa, no caso). Parece Busca Implacável, mas não é. É o terceiro filme da cinessérie e ele já termina com a deixa para o quarto. Daqueles filmes que você pega por acaso na TV a cabo e vai se envolvendo, porque ele realmente distrai. No final, você se pergunta por que não optou por ver outra coisa e, quando assistir Busca Implacável 19, vai se perguntar novamente a mesma coisa. Passatempo dispensável. Ou não…

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