O Décimo Homem (El Rey del Once)

O Décimo Homem (El Rey del Once), comédia dramática de Daniel Burman, 2016. D

ENREDO: Usher (Usher Barilka) é conhecido como o Rei do Once (o bairro “judaico” de Buenos Aires), por causa de suas atividades de caridade. Já seu filho Ariel (Alan Sabbagh) resolveu sair de sua sombra e fez carreira nos EUA. Os anos se passaram e Ariel vai visitar o pai, mas, após tão longa ausência, Usher está determinado a somente ver o filho quando este cumprir diversas tarefas planejadas de modo a fazer com que Ariel se envolva com as atividades comunitárias… Antes de embarcar, Ariel já tem a missão de procurar sapatos especiais para um doente assistido por Usher e, logo que chega a Buenos Aires, as tarefas prosseguem e ele providencia carne kasher (abatida conforme o rito judaico) para os mais pobres, o pagamento das dívidas de uma sinagoga, perucas para judias ortodoxas que vão se casar… Enquanto Ariel vai se envolvendo cada vez mais com a comunidade, ele vai caindo de amores por Eva (Julieta Zylberberg, de “Relatos Selvagens”), outra das pessoas que Usher havia ajudado.

AVALIAÇÃO: Com cinco filmes de temática judaica passando nos cinemas, incluindo o excelente “Memórias Secretas”, para que gastar 80 minutos (e ainda bem que não são mais) com este filme que vai do nada a lugar nenhum?

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Memórias Secretas (Remember)

Memórias Secretas (Remember), suspense dramático de Atom Egoyan, 2015.

ENREDO: Com a perda da esposa Ruth, Zev Guttman (Christopher Plummer) ficou praticamente sem companhia na casa de repouso. Seu único amigo é Max Rosenbaum (Martin Landau), que vive preso a um tubo de oxigênio. A unir os dois, a promessa de Zev para Max que, quando Ruth morresse, o primeiro partiria em busca do SS responsável pela morte da maior parte da família de ambos, que agora estaria vivendo nos EUA com um novo nome, e cujo rosto somente poderia ser reconhecido por um dos dois. A captura de um criminoso tão idoso dificilmente levaria a um julgamento e condenação. A solução é eliminar o criminoso – e a bala. Ocorre que, se Max não tem liberdade de locomoção, Zev está sofrendo com sintomas cada vez mais frequentes de demência e crises de esquecimento. Mas, de posse de um roteiro minucioso escrito por Max, ele parte atrás das pistas fornecidas pelo Centro Wiesenthal de caça aos nazistas a respeito dos quatro possíveis candidatos, viajando ao Canadá e pelo interior dos EUA. Enquanto seu filho (Henry Czerny) procura pelo seu paradeiro, Zev está indo atrás de seus possíveis alvos – cada vez mais arriscando pôr tudo a perder com seus momentos de esquecimento.

AVALIAÇÃO: Um filme que mescla as tristes experiências do Holocausto e da perda da saúde com a idade a um suspense fortíssimo. Poucos e ótimos protagonistas, com destaque para Christopher Plummer (o capitão Von Trapp de “A Noviça Rebelde”), que esbanja talento e faz com perfeição o idoso que ora perde a noção da realidade, ora é extremamente frágil e exposto, mas que também consegue ser firme e decidido ao procurar levar a cabo sua missão. Para coroar o filme, um final realmente surpreendente.

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Pecados Antigos, Longas sombras (La Isla Mínima)

Pecados Antigos, Longas sombras (La Isla Mínima), suspense policial dramático coescrito e dirigido por Alberto Rodríguez, 2014.


ENREDO: Espanha, 1980. A ditadura sangrenta de Francisco Franco acabou há alguns anos, mas criticar o falecido regime ainda pode ter consequências e Pedro (Raúl Arévalo), um policial de Homicídios de Madrid, é destacado para um caso numa cidadezinha no fim do mundo nos pântanos do sul da Espanha. Junto dele vai o experiente Juan (Javier Gutiérrez), com passado na repressão franquista. Pedro é quieto, frio e se atém aos procedimentos legais. Juan é divertido, curte mulheres e boates, mas não hesita em atuar com violência e fora das normas para obter provas e confissões.
As autoridades locais querem o caso do desaparecimento de duas irmãs adolescentes (Cyntia Suano e Laura López) resolvido rapidamente, pois é chegada a época da colheita e espera-se muita gente de fora. Por razões diferentes, a mãe (Nerea Barros) e o pai (Antonio de la Torre) das meninas parecem esconder pistas e não querem falar muito. Há também a vergonha pela fama de “fáceis” das meninas e sabia-se que queriam de todo modo fugir da vida medíocre do vilarejo – foi somente a pressão de um parente juiz que fez com que o caso continuasse aberto.
Os corpos são descobertos com marcas de tortura, e aparecem ligações do caso com mortes de adolescentes em anos anteriores – “Esse lugar devora as pessoas”, diz uma moradora.
Mais pistas vão aparecendo: um folheto que parece uma isca para jovens; um misterioso veículo visto com as garotas na noite do desaparecimento e novamente depois; um rapaz (Jesús Castro) que seduz as adolescentes; gente influente que pode estar sendo protegida… E a sombra sobre o passado de Juan que não quer deixá-lo.

AVALIAÇÃO: Uma grata surpresa da Espanha, lembrando um pouco o excelente “Mississipi em Chamas” (cidade pequena, dois investigadores da cidade grande de temperamentos e perfis bem contrastantes, um crime que os locais preferem ver esquecidos), este suspense policial é bem forte e cativante e mantém um bom clima de anos 80. Protagonistas muito bem interpretados, com destaque para o policial de Raul Arévalo.

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O Clã (El Clan)

O Clã (El Clan), suspense dramático, criminal e biográfico dirigido, coproduzido e coescrito por Pablo Trapero, 2015.


ENREDO: O general-ditador Leopoldo Galtieri perdeu o poder após o final de sua desastrada tentativa de tomar dos britânicos as Ilhas Falkland/Malvinas, levando ao retorno dos civis à presidência, com a eleição de Raul Alfonsín (após mais dois breves generais-ditadores). Mas a saída dos militares do poder não desativou a lucrativa “indústria” do clã Puccio: liderada por Arquímedes (Guillermo Francella), um pacato contador e dono de rotisseria da classe (bem) média que havia trabalhado para o serviço de inteligência do Estado (o famigerado SIDE), ele se manteve na atividade de sequestro/cativeiro – mas agora não mais contra os inimigos do regime – os “clientes” agora são os ricos, para prover o contínuo sustento da grande família. Junto com dois “sócios”, Guillermo Fernández Laborde e Roberto Oscar Díaz, e o militar da reserva que os protegia, Rodolfo Franco, Arquímedes começou sequestrando um amigo do filho mais velho, Alex. Mas o negócio tinha altos riscos: realizar as abordagens à luz do dia sem serem vistos, abafar os ruídos dos sequestrados e evitar que não só os vizinhos, mas também a família percebesse a presença dos sequestrados, que ficavam acorrentados e encapuzados numa banheira num banheiro com algum isolamento acústico.

Os Puccio eram seis, além do pai:

  • Alejandro “Alex” Puccio (Juan Pedro “Peter” Lanzani): um dos melhores jogadores do Pumas, a seleção argentina de rúgbi, fazia sucesso socialmente e era tido como bom moço, o que o levou a ser a fachada de respeito perfeita para o clã. Um fraco que cedia às chantagens do pai, que ora dizia que a saída de Alex “dos negócios” poria em risco a família, ora subornava o filho com mimos como dinheiro vivo ou uma loja de artigos esportivos, permitindo a Alex manter seu padrão de vida. Amigos das vítimas iniciais, o que facilitava a abordagem e burlar esquemas antissequestro, vivia atormentado pelo que se passava, ainda mais quando o sequestro resultava em morte.
  • Daniel Arquímedes “Maguila” Puccio (Gastón Cocchiarale): afastado da família por estar na Nova Zelândia, foi trazido de volta para o clã por Alex (o que, de acordo com o verbete da Wikipedia sobre Archímedes, seria uma licença dramática dos realizadores, já que Maguila estaria envolvido em todos os sequestros).
  • Epifanía Puccio (Lili Popovich): Professora e dona de casa. Pelo que o filme mostra, não tinha como não saber dos sequestros – era quem fazia as refeições da família e dos sequestrados. No mínimo, fechava olhos, ouvidos e boca, para poder usufruir do padrão de vida trazido pelos resgates.
  • Silvia Puccio (Giselle Motta): Queria ser artista plástica, como fora a mãe quando jovem. “Papai o fez por nós”, diz ela ao irmão a certa altura do filme, o que mostra que dificilmente estaria alheia ao que se passava.
  • Guillermo Puccio (Franco Masini): O segundo mais novo da família, também jogador de rúgbi. Fica incomodado com o que suspeita se passar na casa e toma uma decisão drástica.
  • Adriana Claudia Puccio (Antonia Bengoechea): 13 anos à época. Se sabia o que se passava, entendia?

  • Arquímedes prossegue com seu lucrativo negócio, mas pode estar abusando da sorte com sua ousadia e a escolha dos sequestrados. E está perdendo as costas quentes dos militares, que começam a perder prestígio. Para complicar, Alex quer se casar com Mónica (Stefanía Koessl), o que descontenta principalmente o patriarca, que pode perder o principal “agente”.

     
     
    AVALIAÇÃO: Filmaço de prender na cadeira dos produtores de “Relatos Selvagens”, mesmo sabendo o desfecho (que o filme aponta logo no início). A trilha dos anos 80 que pontua o filme contrasta com os momentos de terror pelos quais passam as vítimas de monstros, monstros daqueles que fazem preces na hora da refeição (lembrando os de Brasília que fizeram a “oração da propina”), enquanto no aposento de cima a vítima de sequestro é espancada para escrever bilhetes aos familiares.
    O filme – que acaba por abordar parte das desgraças protagonizadas pelos criminosos travestidos de militares que governaram a Argentina – faz idas e vindas ao longo de 1983, e isso pode causar uma certa confusão, além da que pode ser provocada pelos nomes e apelidos dos cinco filhos (eu não entendi o que se passava como o “Maguila” no começo do filme, por exemplo). Mas não é nada que atrapalhe o desenrolar desta obra-prima sobre a maldade muitas vezes muito bem disfarçada do ser humano.
    E nem só de Ricardo Darín vive o cinema argentino… Epifanía e Arquímedes são muito bem interpretados por Lili Popovich e Guillermo Francella (a cara do Michel Temer, mas com cabelos brancos e olhos azuis); ela convence muito bem como a mãe preocupada com o dia a dia, como em acertar na cozinha e ele, em particular, está excelente com seu olhar e voz absolutamente frios (e raras vezes furiosos).

    Quem quiser se aprofundar sobre o caso do clã dos Puccio:
    http://www.bigbangnews.com/policiales/Donde-estan-hoy-los-verdaderos-protagonistas-del-clan-Puccio-20150817-0014.html (conta o destino dos Puccio e parece confiável)
    https://es.wikipedia.org/wiki/Arqu%C3%ADmedes_Puccio. .

     

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    Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes)

    Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes), suspense dramático policial dirigido e corroteirizado por Billy Ray (“Jogos Vorazes” e “Capitão Philips”), 2015.


    ENREDO: Los Angeles, 2002. Após os atentados de 2001 no WTC, a vigilância sobre possíveis centros de radicalização aumentou nos EUA. Uma força-tarefa antiterrorista vai investigar o caso de uma vítima de homicídio descoberta numa caçamba próxima de uma mesquita. Se, por um lado, os agentes Ray Kasten (o indicado ao Oscar por “Doze Anos de Escravidão” Chiwetel Ejiofor), do FBI de Nova Iorque, Jess (a oscarizada Julia Roberts) e Bumpy (Dean Norris), da promotoria pública e a subprocuradora distrital Claire Sloan (a oscarizada Nicole Kidman), percebem que o caso não tem ligação com o terrorismo, por outro, tanto a vítima como o principal suspeito estão intimamente relacionados a eles e eles relutam em deixar o caso nas mãos do Departamento de Homicídios, Sua insistência os leva a romper os limites de suas atribuições e enfrentar seu superior (Alfred Molina), o que provoca o retorno de Ray a Nova Iorque.
    2015. 13 anos de pesquisas noite após noite levaram Ray a um detento recém libertado (Joe Cole), que ele tem certeza de se tratar do assassino de 2002, agora sob nova identidade. Ele volta a Los Angeles e procura reabrir o caso com a agora procuradora Claire, para poder finalmente trazer alguma paz de espírito para os envolvidos.

    AVALIAÇÃO: O cativante e surpreendente “O Segredo de Seus Olhos”, do argentino Juan José Campanella, mereceu o Oscar de filme estrangeiro de 2010 e rendeu este “filhote”, corroteirizado por ele e que tem mais “cara de Hollywood”, e ainda com qualidade. A história guarda pouca semelhança com o original, o que é bom, porque nos leva a ver dois filmes totalmente distintos, mas que prendem igualmente. Nicole Kidman convidou Julia Roberts para o papel de Jess e é muito interessante ver as duas num mesmo filme, com o detalhe de uma Julia Roberts despojada, sem maquiagem ou charme, simplesmente atriz (e Nicole Kidman ainda lindíssima).

     

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    No Coração do Mar (In the Heart of the Sea)

    No Coração do Mar (In the Heart of the Sea), suspense e aventura dramáticos de Ron Howard (“Apollo 13”, “Uma Mente Brilhante”, “Rush”), 2015.


    ENREDO: Herman Melville publicou em 1851 seu livro de ficção “A Baleia”, sobre o grande cachalote branco “MobyDick”, raivoso destruidor das embarcações que se aventuravam a capturá-lo. Mas não se tratava de pura ficção. O fantástico e desesperador relato de Melville (Ben Wishaw, o Q dos recentes 007) era derivado de uma entrevista com o último dos sobreviventes de um baleeiro naufragado em em 1820. 

    Muito a contragosto, mas necessitado do dinheiro que Melville oferece pelo relato, Tom Nickerson (Brendan Gleeson) cede à esposa (Michelle Fairley) e começa a relembrar um passado extremamente traumático e que gostaria de enterrar, as desventuras do baleeiro Essex, da ilha de Nantucket, Massachusetts, onde aos 14 anos, órfão de pai e mãe, o jovem Nickerson (Tom Holland) trabalha como camareiro. Sob o comando do arrogante e inexperiente capitão George Pollard (Benjamin Walker), de uma rica e tradicional família de homens do mar dedicados à caça de baleias, e imposto aos marinheiros, o Essex tem como imediato Owen Chase (Chris Hemsworth, de “Thor” e “Rush”), jovem, mas veterano homem do mar, a quem fora prometido o cargo de capitão. O desentendimento entre ambos começa assim que o navio zarpa em sua missão: capturar o precioso óleo de baleias e cachalotes, então muito necessário para lubrificar motores e acender velas e lampiões país afora. A primeira decisão desastrada do capitão, em desacordo com seu imediato, quase destrói o barco. A segunda, desta vez de comum acordo com aquele, é a que vai deixar a tripulação à deriva e aos poucos provocar mortes e atos de desespero: após meses em que mataram apenas uma baleia, eles decidem caçar aquele que foi a ruína de marinheiros que o encontraram ao longo do caminho – um cachalote de quase 30 metros, calejado pelas cicatrizes de arpões e cheio de fúria, como que à procura de vingança. Chuva inclemente, sol escaldante, fome avassaladora e falta de água doce os acompanharão ao longo dos meses até o resgate.

     

    AVALIAÇÃO: Quando foi lançado, o livro de Herman Melville foi um fracasso (apesar do reconhecimento por parte do amigo de Melville, o já veterano e afamado escritor Nathaniel Hawthorne). Também nesta época o mundo começava a substituir o óleo de baleia pelos derivados do petróleo (o “óleo de pedra).
    Lembro-me de não ter gostado do livro quando o li, aos quinze anos. Já este filme cativa profundamente, com o forte clima de suspense e aventura e com sua fascinante reconstituição da época, e graças também à dupla de protagonistas, que retrata muito bem o contraste entre a arrogância e o desdém de um e a experiência e sensação de incompletude de outro. Mérito também do cachalote branco em 3D – o terror em forma de mamífero.

     

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    Sobrevivi ao Holocausto

    Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


    ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
    Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
    Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

     

    AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
    Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
    Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

     

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    Perdido em Marte (The Martian)

    Perdido em Marte (The Martian), suspense dramático e aventura, dirigida e coproduzida por Ridley Scott (“O Gladiador”, “Blade Runner”), 2015.


    ENREDO: Num futuro próximo, a missão Ares III enfrenta uma tempestade mais forte que a prevista em Marte e prepara-se para uma partida brusca. Em meio ao caos, o astronauta Mark Watney (Matt Damon) é atingido por um equipamento que se desprendeu e seus sinais vitais são perdidos pela equipe, que tem que partir imediatamente – não há tempo para buscar pelo colega morto.
    Mas Mark sobreviveu e agora se descobre ferido e sozinho no planeta. Como a próxima missão ao planeta somente chegará em três anos, suas opções, com suprimentos curtos, são morrer de fome, de sede, sem oxigênio ou ter seu corpo implodido no habitat que o abriga. A quinta opção é aproveitar sua vontade de sobreviver a qualquer custo – e ele agora tem todos os suprimentos da equipe de seis disponíveis apenas para si, treinamento para lidar com grande parte dos equipamentos e é um botânico – “o melhor botânico de Marte” –, o que lhe permitirá criar água e comida essenciais para sua sobrevivência.
    Com o passar das semanas, na NASA, a equipe de Vincent Kapoor (Chiwetel Ejiofor, o astro de “12 Anos de Escravidão”) captou estranhos sinais de movimentação na base em Marte – significando que Mark está vivo. Se antes a intenção da agência era trazer de volta o corpo do astronauta, começa agora a desesperada tentativa de se comunicar consigo, antecipar uma missão a Marte e salvá-lo. O diretor da NASA (Jeff Daniels, de “A Vida em Preto e Branco”) e o diretor de voo da missão Ares III (Sean Bean, de “O Senhor dos Aneis”) têm agora vários dilemas: como enviar mais suprimentos, avisar ou não aos outros astronautas da missão (Jessica Chastain, Michael Peña, Aksel Hennie, Kate Mara e Sebastian Stan) que seu companheiro está vivo, sob risco de afetar o desempenho deles em volta à Terra… Isto sem contar os incidentes que ainda vão se interpor no caminho da missão de resgate.

    AVALIAÇÃO: Depois do ruim “Prometeus”, Ridley Scott volta à forma com esta engenhosa e angustiante produção, uma versão de “O Náufrago” vivida em Marte. Um filme de ficção (apesar de que a NASA forneceu múltiplos subsídios para tornar as situações mais próximas da realidade possível) que cativa menos pela ficção do que pela aventura, suspense e situações de quase desespero pelas quais passa o protagonista, muito bem vivido por Matt Damon.


    OBS.: 1. Vejam o duplo sentido com que o astronauta cumprimenta a primeira muda de planta a nascer em solo marciano, uma sacada bem legal do tradutor.
    2. As referências à passagem dos dias são feitas em “sol”, não em dias, pois os “dias” de Marte, os tais “sol” são cerca de 40 minutos mais longos que os dias terrestres (http://www.giss.nasa.gov/tools/mars24/help/notes.html).

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    Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)

    Ponte dos Espiões (Bridge of Spies), suspense dramático e histórico dirigido e produzido por Steven Spielberg, com roteiro de Ethan e Joel Coen, 2015.


    ENREDO: 1957. Auge da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética a ponto de entrar num conflito nuclear. O espião russo Rudolf Abel (Mark Rylance) é capturado em ação nos EUA. Para mostrar o quanto sua justiça é correta, o estado americano nomeia um advogado para defender Abel – o escolhido é o bem-sucedido James B. Donovan (Tom Hanks), mas cuja experiência se dera como assistente do promotor Robert H. Jackson em Nuremberg e como advogado no setor de seguros. Donovan sabe que será odiado pelo país todo por defender um espião soviético, mas acredita no sagrado direito a um julgamento justo. Ciente de que a pena de morte é quase certa para Abel (apesar dos diversos deslizes dos investigadores da CIA) como ocorrera com o casal Julius e Ethel Rosenberg, ele batalha por uma condenação à prisão, que poderá ser providencial, em caso de necessidade de troca por algum americano preso pelos soviéticos.
    E eis que surge a ocasião quando o piloto Francis Gary Powers (Austin Stowell) é abatido numa missão de reconhecimento aéreo na União Soviética. Ninguém melhor que Donovan – novamente ele – para intermediar a troca, que terá que ser feita fora da esfera do governo – se pego, ele estará por sua conta. A cidade escolhida pelos soviéticos: Berlim, justamente nos dias da construção do famoso muro. Mas agora, o que seria uma troca de espiões se torna um jogo mais arriscado quando Donovan resolve que, além de negociar com os russos, fará uma barganha também com os alemães orientais, que capturaram um estudante americano em Berlim, Frederic Pryor (Will Rogers) para usar como moeda de troca para obter o reconhecimento americano de que a Alemanha Oriental é um estado soberano.

    AVALIAÇÃO: O trailer não dá grande pista de quão maravilhoso o filme é. Spielberg (o gênio de Hollywood) e Hanks (quem sabe o melhor ator de Hollywood) acertam mais uma vez em sua parceria ao contar esse caso real (com roteiro dos irmãos Coen), e um show à parte de interpretação de Mark Rylance como o espião Rudolf Abel. A cada pergunta que o advogado James Donovan lhe faz sobre se Abel estaria preocupado, o “Isto ajudaria?” dá um toque preciso sobre com quem estamos lidando, tanto no aspecto ator como no personagem.
    Suspense e drama envolventes e arrepiantes, com atuações primorosas. Precisa dizer mais para recomendar que não se perca o filme?

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    A Travessia (The Walk)

    A Travessia (The Walk), aventura dramática dirigida, produzida e coescrita por Robert Zemeckis, (“O Náufrago”, De Volta para o Futuro” etc.), 2015.


    ENREDO: “As pessoas me perguntam ‘Por que você se arrisca a morrer?’ Para mim, isso é viver”, diz Philippe Petit, na introdução do filme.
    Desde pequeno, Philip Petit sonhava com a travessia na corda bamba e quis fazer disso uma carreira, para desgosto de seu pai, que o expulsou de casa. Ele acaba nas ruas de Paris, mas agora com um sonho maior: em 1974, estavam para ser inauguradas as torres gêmeas do World Trade Center – mais de 400 m de altura, mais de 40 m de afastamento entre si, isso sim uma travessia desafiadora. Além de aprender com seu tutor e treinador, o exímio artista de circo Papa Rudy (Ben Kingsley), como atravessar uma corda bamba e como cativar a plateia, Philip aprende que o segredo do sucesso reside em ter os equipamentos adequados, em saber como utilizá-los à perfeição e que a arrogância quase certamente será fatal. E que nunca se deve enganar a plateia…
    De posse de equipamentos e ensinamentos, Philip, a namorada (Charlotte Le Bon) e o fotógrafo “nomeado” das peripécias (Clément Sibony) partem para Nova York, onde vão arrebanhando cúmplices para vencer os obstáculos, acidentes e incidentes que vão surgindo, e que talvez sejam mais desafiadores que a própria travessia.

    AVALIAÇÃO: Filmaço impressionantemente vertiginoso e belo. Você sente o desafio da altura (pelo menos – ou mais ainda – em 3D) e, mesmo conhecendo o desfecho, você certamente será tragado pelo filme. Suspense e aventura de primeira, com drama na dose certa e narrativa que acrescenta alguns toques cômicos que temperam bem o filme, que tem a química certa entre os atores, principalmente entre o protagonista e Ben Kingsley. O diretor Robert Zemeckis, da trilogia “De Volta para o Futuro”, nos traz para o passado com competência.

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    Veja SP – Seja o crítico

    Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
    Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

    Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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    Um Ano Bom (A Good Year)

    Um Ano Bom (A Good Year), drama com toques românticos e cômicos de Ridley Scott, 2006.

    ENREDO: As melhores memórias de Max Skinner (Freddie Highmore, quando criança) são – ou eram – as das férias com o tio Henry (Albert Finney), na vinícola que este mantinha no interior da França. Já adulto e sem contato com o tio, Max (Russell Crowe) apagou estas lembranças e tornou-se um arrogante, inescrupuloso e bem-sucedido investidor da bolsa londrina. Mas ele é obrigado a voltar ao passado quando recebe a notícia da morte do tio, que, solteiro, não deixou testamento. O desejo de Max, parente mais próximo de Henry, é simplesmente ir à França, colocar a vinícola à venda e voltar logo a Londres, para explicar-se perante as autoridades e o patrão (Kenneth Cranham) sobre sua última e suspeita tacada na bolsa. Mas ele terá que vencer alguns obstáculos antes disso. O primeiro é o vinhateiro responsável pelo local, Francis Duflot (Didier Bourdon), que não se imagina longe dos vinhedos sob um novo proprietário. O segundo é o velho e traiçoeiro trampolim da agora enlameada piscina e a moça (Marion Cotillard, de “A Origem”) que quase atropelou na estrada. E então ele descobre que Henry talvez tivesse uma filha ilegítima (Abbie Cornish). Não tem jeito… ele vai ter que tirar umas curtas férias forçadas, reviver sua infância e, quem sabe, descobrir outros prazeres em sua vida.

    AVALIAÇÃO: E não é que Ridley Scott acertou? Não dava muito para o filme quando passou no cinema e acabei vendo em DVD. E, se em alguns momentos o filme parecia insosso, as cenas das lembranças de infância (com Freddie Highmore, da versão moderna de “ A Fantástica Fábrica de Chocolate” e o grande Albert Finney, de “Erin Brocovich”), o belo final e a trilha sonora de Marc Streitenfeld (parceiro de outras obras do diretor) deram o toque certo para tornar também este filme uma agradável lembrança.
    Obs.: Com uma ponta de Valeria Bruni Tedeschi (irmã mais velha de Carla), no papel da tabeliã do vilarejo francês.

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    Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane)

    Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane), suspense de terror de Dan Trachtenberg, produzido pela Bad Robot (de J. J. Abrams), 2015.

    ENREDO: A última briga foi a gota d’água para Michelle (Mary Elizabeth Winstead) e ela deixa o namorado e pega a estrada. E vem o acidente. Quando ela acorda, está algemada a uma cama, com a perna machucada e alimentada por soro. O dono do local, o militar aposentado da Marinha Howard (John Goodman) lhe explica que a salvou do acidente e que a está abrigando em seu bunker, pois o país foi atacado por alguma arma radioativa… ou química, talvez lançada por russos.. ou norte-coreanos… ou mesmo por marcianos. E que a população que ainda não foi dizimada no ataque morrerá assim que exposta ao ar livre. Por causa do abrigo, só escaparão Howard e Michelle… e Emmett (John Galagher Jr.), que, como ele mesmo explica, “feriu-se tentando entrar no abrigo de Howard, que ajudou a construir”. Tudo soa estranho, mas Michelle vai ganhando a confiança de Howard e algumas pistas do pouco que pode ver do mundo exterior parecem confirmar a história dele. Mas outras pistas parecem mostrar que se trata de um paranoico perigoso e um potencial assassino. Entre crer e não crer no “anfitrião”, entre ficar por lá o longo tempo necessário para que o perigo se dissipe e tentar fugir, Michelle passará por momentos de suspense, terror e dúvidas persistentes.

    AVALIAÇÃO: As provas num sentido e noutro vão se alternado – Howard é mesmo um paranoico que quer manter seus dois “hóspedes” cativos ou, apesar de seu jeito pesado e ameaçador, ele tem razão e quer proteger a si e aos dois? Apesar de um tanto arrastada no início, a trama consegue nos levar ora para um lado, ora para o outro, e sempre nos deixando em dúvida. E tem um final que, mesmo que possa soar estranho e desagradar a alguns, não deixa de ser bem engenhoso. Goodman está ótimo como sempre, variando do tipo protetor e bonachão ao estourado e perigoso e Mary Elizabeth Winstead transmite muito bem o terror e as dúvidas que assombram a protagonista.

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    Decisão de Risco (Eye in the Sky)

    Decisão de Risco (Eye in the Sky), suspense dramático de guerra de Gavin Hood, 2015.

    ENREDO: Com o auxílio de imagens fornecidas por um avião drone comandado dos EUA e por uma equipe em terra de agentes quenianos, a coronel britânica Katherine Powell (a oscarizada Helen Mirren) localizou a compatriota Ayesha Al Hady, nascida Susan Danford, agora uma terrorista que recruta homens-bomba ao lado do marido somali, no Quênia. Mais ainda, além da própria Susan, a Powell localizou na casa-alvo mais dois terroristas da lista dos cinco mais procurados pelos americanos e ingleses no leste da África. Hora de comandar a captura do grupo… não fosse pelo fato de que os terroristas estão com dois novos recrutas carregados com potentes cinturões-bomba. Não se trata mais de capturar, mas sim de eliminar todos os da casa, antes que partam para a ação.
    A pequena Alia Mo’Allim (Aisha Takow) é proibida pelos rígidos costumes locais muçulmanos de brincar ou estudar, mas o carinhoso e dedicado pai (Armaan Haggio) lhe dá liberdade (desde que ela esconda isto dos clientes de sua oficina, em sua maioria fanáticos religiosos). Para ajudar a família, ela vende na rua os pães que a mãe (Faisa Hassan) produz … justamente em frente à casa que abriga os terroristas.
    Pelas contas do assessor de estimativa de danos da coronel Powell (Babou Ceesay), há razoáveis chances de a pequena Alia se tornar um dano colateral no ataque. Por outro lado, suas estimativas indicam que os dois suicidas podem matar 80 pessoas se se explodirem, por exemplo, num shopping center. Para a coronel e seu superior, o general Frank Benson (Alan Rickman), os riscos do ataque valem. Mas os ministros ingleses estão em dúvida sobre o que poderia ser pior: deixar a menina possivelmente morrer pode salvar cerca de 80 pessoas (“pode”), mas a um grande risco de imagem para americanos e ingleses com a morte de uma inocente vítima, de um cidadão inglês e um americano (os homens-bomba – sim, mesmo tendo se tornado terroristas, pode-se ter impacto negativo nos países de origem). Por outro lado, a morte de 80 pessoas nos atentados poderia até ser peça de propaganda para americanos e ingleses. Mas aí então viria a o questionamento do porquê terem deixado morrer 80 inocentes e deixar escapar os terroristas apenas para salvar uma vida (que talvez nem se perdesse, com um míssil certeiro).
    Começam então as frenéticas consultas especialistas em direito, ministros e assessores, num interminável cálculo das consequências do lançamento do míssil – o qual ainda vai depender do ok dos americanos responsáveis pelo aperto do decisivo botão (Aaron Paul e Phoebe Fox).

    AVALIAÇÃO: Invariavelmente ótima, Helen Mirren domina o show deste suspense eletrizante, que lida com os dilemas da guerra e, mais ainda, da guerra moderna e comandada à distância contra um inimigo que se mescla de maneira não convencional com os civis: os terroristas que mandam os homens-bomba para o campo. Decisões tomadas longe do campo de batalha, mas com peso às vezes até mais forte do que as do campo. No elenco, também estão o grande Alan Rickman (dos “Harry Potter”) em seu último papel e o próprio diretor, numa ponta. E um show de tecnologia, com drones fazendo imagens altamente definidas a quilômetros de altura e drones disfarçados de beija-flor e besouro. Mas às vezes nem toda esta tecnologia pode ajudar na decisão a ser tomada.

     

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    Casamento Grego 2 (My Big Fat Greek Wedding 2)

    Casamento Grego 2 (My Big Fat Greek Wedding 2), comédia-família de Kirk Jones, coproduzida pelo casal Tom Hanks e Rita Wilson e roteirizada e também coproduzida por Nia Vardalos, 2016.

    ENREDO: Há quase duas décadas, a americana de origem grega Toula Portokalos (Nia Vardalos) finalmente “desencalhou”, para alegria dos pais, Gus e Maria (Michael Constantine e Lainie Kazan). Mas… casou-se com o “estrangeiro” Ian (John Corbett). Agora, eles têm uma filha (Elena Kampouris), que é constantemente assediada pelos avós maternos para se manter virgem e casar-se com um descendente de gregos. Porém o sonho de Paris é entrar na faculdade e afastar-se do ninho… Se por um lado os pais não conseguem admitir a ideia do afastamento, por outro eles vivem demais em função do trabalho e da filha e quem sabe não seria bom terem um tempo somente para si.
    Enquanto isso… Gus, sempre se vangloriando de sua herança grega – ou melhor, da herança grega que todo ocidente e os idiomas ocidentais hão certamente de ter – garante descender de Alexandre, o Grande e começa a vasculhar sua árvore genealógica (ops, palavra de origem grega), apenas para descobrir que o padre não assinou sua certidão de casamento com Maria. A pressão do casamento agora não é mais sobre a neta Paris, mas sobre Gus e Maria, que deverão se casar “corretamente” – e com mais uma festa (cafona??) de casamento grego.

    AVALIAÇÃO: O trailer parece focar num sentimentalismo não convincente e não dá a mínima ideia de como o filme pode ser bom. Estão de volta as sensacionais atrizes Lainie Kazan (como a matriarca Maria) e Andrea Martin (a hilária e sem papas na língua tia Voula), os primos Nikki (Gia Carides) e Angelo (Joey Fatone), além de outros veteranos do primeiro filme e mais alguns personagens novos (inclusive Rita Wilson, de origem grega, que bancou o sucesso do primeiro filme). Nia Vardalos e John Corbett mantêm a química (apesar de que ele não aparece muito), mas são as sufocantes famílias gregas quem roubam as cenas. Ah, sim, o limpa-vidros multiuso Windex do patriarca Gus volta à cena! Menos cômico que o primeiro, mas mais comovente. E divertido… muito divertido.

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    Um Homem Entre Gigantes (Concussion)

    Um Homem Entre Gigantes (Concussion), suspense dramático, histórico e biográfico, coescrito e dirigido por Peter Landesman, 2015.

    ENREDO: Em busca do sonho americano, o Dr. Bennet Omalu, médico nigeriano e profissional competente e repleto de diplomas das melhores escolas, atua como patologista forense em Pittsburgh, Pensilvânia. Tímido e centrado no trabalho e estudos, é com muito custo que atende ao padre de sua igreja ( Larry John Meyers) e deixar entrar uma mulher (Gugu Mbatha-Raw) em sua vida… e apenas como hóspede em sua casa, para ajudá-la enquanto ela se estabelece nos EUA.
    Extremamente respeitoso com os mortos, o Dr. Omalu “pede” a eles que o ajudem a descobrir o que os teria feito chegar até lá, e agora ele recebe em seu plantão o corpo de Mike Webster (David Morse, de “À Espera de um Milagre”), ex-jogador de futebol americano e grande ídolo local. Webster, vítima de ataque cardíaco aos 50 anos, queixava-se de estar ouvindo vozes e ficando insano, mas ninguém parecia lhe dar atenção e ele vivia isolado dos amigos e família. “Sabemos como ele morreu, mas quero saber por que ele morreu” diz o Dr. Bennet, que desafia a burocracia e coloca seus próprios recursos em exames caros e minuciosos, que o levam a descobrir que o cérebro de Webster parecia intacto e que, como ele suspeitava, não poderia se tratar de Alzheimer precoce. Ele acabou de constatar a existência da encefalopatia traumática crônica (ETC), ocasionada pelas constantes concussões cranianas sofridas pelos jogadores de futebol americano e começa a pesquisar outros casos. Mas, como a tomografia pet scan não aponta nada nos jogadores vivos, ele precisa de exemplares falecidos. E eles começam a aparecer…
    Com o apoio de um conceituado especialista (Eddie Marsan) e do próprio chefe (Albert Brooks), o Dr. Bennet publica um trabalho com suas conclusões numa prestigiada revista médica e consegue o importante apoio do Dr. Julian Bailes (Alec Baldwin), ex-médico do time local e amigo pessoal de Webster. Mas é execrado e desprezado pela cúpula e médicos envolvidos com a NFL, a liga de futebol americano, responsável principal pela revitalização da cidade. Com processos abertos pelas razões mais escusas, perseguido, ameaçado de perder o emprego e deportado, ele tem que decidir entre renegar a descoberta ou lutar com uma das maiores corporações do país.
     
    AVALIAÇÃO: Suspense dramático empolgante e cativante. Will Smith cativa como o atencioso, obstinado e correto Dr. Bennet Omalu, nesta história real do médico que abalou as estruturas da NFL, a liga de futebol americano.
    A parte onde ele narra a um renomado especialista (Dr. Dr. Steven DeKosky) suas descobertas do porquê dos danos e faz comparações com o pica-pau e outros bichos que também sofrem concussões é um exemplo perfeito de didática.
    Albert Brooks, que faz o chefe do protagonista, é a figura mais simpática do filme, apesar de parecer que a todo momento vai dar uma ducha de água fria em Omalu, ele é seu grande incentivador, com tiradas cruas a respeito da burocracia e dos obstáculos que enfrentam.
    E, para os fãs de “Lost” (como eu…), Adewale Akinnuoye-Agbaje, o Mr. Eko, faz um papel, pequeno, mas decisivo no enredo.

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