Francofonia: Louvre sob Ocupação (Francofonia)

Francofonia: Louvre sob Ocupação (Francofonia), documentário-filme dramático e histórico de Aleksandr Sokurov (de “Moloch” e “Arca Russa”), 2015.

ENREDO: Com a tomada de Paris pelos nazistas na 2ª Guerra, o diretor do Museu do Louvre, Jacques Jaujard (Louis-Do de Lencquesaing), passa a responder ao conde Franz Graf Wolff-Metternich zur Gracht (Benjamin Utzerath), o “protetor das artes” dos invasores. Para muitos altos dirigentes nazistas, o Louvre é “mais importante que a própria França” e eles farão de tudo para pilhar as obras do museu.
Num misto de documentário (com cenas de época e narração do diretor) e filme (com diálogos fictícios entre Metternich e Jaujard), e com a “participação” de um Napoleão Bonaparte (Vincent Nemeth) orgulhoso por ter lotado o Louvre de obras e desconcertado com o que passa à sua volta, veremos um pouco do dia a dia da ocupação e muito dos bastidores da tentativa de Jaujard, com a conivência de Metternich, para transladar e salvar da pilhagem nazista as obras do museu (que ainda conseguiu fazer algumas aquisições na época, mas que ficou praticamente só com as esculturas em exposição).

AVALIAÇÃO: Como no filme “Diplomacia”, vemos interessantes bastidores da dominação nazista de Paris. Em “Diplomacia” vemos o que teria sido o debate de ideias que resultou na salvação da cidade dos planos nazistas de queimá-la antes de abandoná-la. Já em “Francofonia”, temos o jogo entre Metternich e Jaujard para salvar o museu da rapinagem pelos altos escalões nazistas.
História interessante, mas conduzida de forma muito entediante. Sempre a repetir “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, a figura-símbolo da República Francesa, Marianne (Johanna Korthals Altes), está sobrando, e Napoleão Bonaparte soa tolo em suas participações.

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Negócio das Arábias (A Hologram for the King)

Negócio das Arábias (A Hologram for the King), drama com toques cômicos de Tom Tykwer (de “Corra, Lola, Corra”, 2016.

ENREDO: Alan (Tom Hanks) está em maus lençóis. Protagonizou a transferência da área de fabricação da empresa que presidia para a China, levando à perda de centenas de empregos nos EUA, conseguindo o desprezo do pai (Tom Skerritt), sua própria ruína financeira e um divórcio que não consegue pagar. A volta por cima pode vir com um novo emprego e a venda de um revolucionário sistema de teleconferência holográfica ao rei saudita. Mas o que seria apenas um fim de semana na Arábia passa a ser uma interminável semana, com seguidos furos dos assessores do rei e a quase certeza de que o projeto saudita não passe de uma miragem no deserto. O choque cultural, o calor e a permanente falta de compromisso do cliente nem são o fim dos problemas: Alan percebe que um enorme e preocupante cisto se formou em suas costas. Mais do que fazer repensar sobre a cultura local, a médica que o trata (Sarita Choudhury) e seu motorista e guia improvisado (Alexander Black) lhe darão uma nova perspectiva de vida.

AVALIAÇÃO: Interessante por mostrar aspectos da cultura saudita, como o desvio na estrada feito para que os não-muçulmanos não passem pela cidade sagrada de Meca, a discriminação das mulheres (abordada apenas de leve), a estratificação social (o engraçado e simpático motorista Yousef é tratado como um ser invisível pelos assessores do rei) e os laços familiares dos clãs. Se este choque rende algumas cenas razoavelmente engraçadas, os toques românticos não convencem nada. Um filme morno e dispensável.

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A Grande Fome de Mao (La Grande Famine de Mao)

A Grande Fome de Mao (La Grande Famine de Mao), documentário histórico de Patrick Cabouat e Philippe Grangereau, 2011.

ENREDO: Após tomar o poder na China em 1949, o “Grande Timoneiro” Mao procurou seguir os passos de Stalin, a começar pela coletivização das propriedades e dos meios de produção, para então conseguir aumentar a produção de alimentos. Emprestando técnicas e verbas soviéticas, Mao sacrificou o interior do país e tornou os camponeses peças de uma grande máquina produtiva – ou melhor, improdutiva –, sacrificando sua individualidade em prol da construção de uma “grande nação” e da luta contra os “imperialistas” americanos e de Taiwan. O fim da individualidade ia ao ponto de determinar a separação de homens e mulheres como em quarteis, a proibição do sexo para os casais e a obrigação do uso do refeitório coletivo. A comida era adquirida por “mérito”: os mais fracos e os que produziam menos eram castigados com a fome.
Em 1953, Stalin morreu e, em 1956, Kruschev revelou seus crimes ao mundo – e alertou Mao para o fracasso da coletivização, que, contrariamente ao que pretendera Stalin, não havia servido para os soviéticos ultrapassarem a produção americana de alimentos. Mas Mao não se deixou abater e, não somente persistiu com sua fórmula na agricultura como “coletivizou” também a siderurgia. Propôs-se a, em 15 anos, ultrapassar a produção de aço do Reino Unido, e conseguiu absurdos tragicômicos: a destruição de vasta quantidade de árvores, panelas e maçanetas para uso nos fornos, que geraram apenas aço de péssima qualidade.
Na agricultura, o mau planejamento gerava erros como a destinação de terras inadequadas aos plantios desejados e cotas inatingíveis. Se inatingíveis na pratica, eles eram alcançadas no papel: para vencer outras regiões, líderes falseavam resultados, por exemplo, jogando palha sob o trigo, para aumentar o volume. Oras, se a produção era teoricamente maior, a cota regional para envio para “pagamento de dívidas” do governo central também o era e, desta forma, somente sobrava a palha para consumo local. Resultou disto que, durante o auge da fome, nos quatro anos do teimoso “Grande Salto Adiante” (1958-1962), grassaram a morte por inanição, canibalismo, “reciclagem” de corpos (desenterrados para serem transformados em adubo), cadáveres espalhados ao longo de estradas; os líderes locais eram donos da vida e da morte, prejudicavam desafetos, trocavam comida por sexo e puniam cruelmente qualquer forma de furto de alimentos.
Enquanto isso, os poucos ocidentais que vinham ao país eram enganados com farsas que de campos férteis e povo sorridente e bem alimentado (ironicamente, até futuro presidente francês François Miterrand escreveu um artigo elogiando os programas de Mao).
Em 1962, Liu Shaoqi, o terceiro homem mais poderoso do país, foi eleito presidente e, em viagem à sua terra natal, descobriu a farsa de Mao, passando a criticar a si e aos demais líderes. Logo pôs-se a desfazer o programa do “timoneiro” e tentar desfazer os estragos. Mas, em 1966, temendo os que lhe pudessem fazer sombra, Mao iniciou a Revolução Cultural, sob a pretensão de atacar os “burocratas do partido”. O Grande Salto Adiante havia sido enterrado, mas outra calamidade se abateria sobre o país, e ela duraria até a morte do sanguinário ditador, em 1976.

AVALIAÇÃO: 50 anos depois do que talvez tenha sido o maior genocídio do século XX, ainda é tabu na China discutir a “Grande Fome” provocada pelo ditador Mao Zedong (ou Mao Tse Tung). Mas este documentário não deixa passar a oportunidade de examinar o assunto com profundidade e revelações surpreendentes. Entre 1958 e 1962, foram 25 milhões de mortos? 36? 48? 55? Muitos documentos foram destruídos, prejudicando uma estimativa correta. Mas, se o último número for o correto, Mao terá conseguido ultrapassar Hitler. E já deixou bem para trás o Holodomor ucraniano (“extermínio pela fome” provocado por Stalin anteriormente ao de Mao).
Além dos impressionantes relatos dos estragos deixados por Mao, são revoltantes as cenas do povo tendo que mostrar uma falsa felicidade e das crianças sendo doutrinadas desde cedo para o ódio aos “imperialistas” (assim como os palestinos do Hamas e o Estado Islâmico/Daesh fazem atualmente com as crianças sob seu jugo).
O documentário é essencialmente baseado nos documentos que puderam ser resgatados e em depoimentos de sobreviventes do Grande Salto Adiante e de dois pesquisadores, o historiador holandês sediado em Hong Kong Frank Dikötter e o jornalista chinês (e membro do PC) Yang Jisheng, que, para explicar por que escreveu a respeito do assunto em seu livro “Lápide” (“墓碑”), explica de forma magistral: “Se uma nação não pode encarar sua história, ela não tem futuro”. Uma lição imperdível sobre como uma liderança pérfida pode rapidamente levar uma nação à catástrofe.
http://www.chinesja.com.br/2016/08/grande-fome-de-mao-documentario.html.

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Sobrevivi ao Holocausto

Sobrevivi ao Holocausto, documentário dramático e biográfico de Marcio Pitliuk e Caio Cobra, 2014.


ENREDO: Passado dos 90 anos, o ainda ativo Julio Gartner, polonês de origem judaica e um dos últimos sobreviventes do Holocausto, viaja com a jovem Marina Kagan para revisitar os locais onde viveu até os 15 anos, onde esteve cativo e, finalmente, por onde passou enquanto se recuperava dos sofrimentos físicos causados pelos 6 anos de perseguição e torturas diárias a que foi submetido, assim passando por Polônia, Áustria, Itália, França até voltar ao Brasil. Ele visita, por exemplo, Plaszow, povoado nos arredores de Cracóvia que recebeu um campo de concentração e para onde eram levados os judeus que sobreviveram ao extermínio do Gueto de Cracóvia, na Polônia; esse campo, dirigido pelo carniceiro Amon Göth, foi retratado no filme “A Lista de Schindler”.
Julio Gartner passou, entre outros, por Auschwitz e Mauthausen, locais que revisita, assim como a fazenda onde ficou escondido por alguns meses – até decidir se juntar ao seu irmão no gueto de Cracóvia – e onde reencontra o proprietário atual, que reconhece em Julio o judeu que abrigara.
Em meio a estas visitas, ele narra aquilo pelo que passou em cada lugar. Por exemplo, na Áustria, ele carregava inutilmente pedras morro acima, apenas para ter que carregá-las novamente morro abaixo, tal qual o mitológico castigo de Sísifo. Era a ideia nazista de humilhar física e moralmente para então chegar à aniquilação dos judeus.

 

AVALIAÇÃO: Brilhante projeto de Marcio Pitliuk, a filmagem nos leva a uma excursão de três semanas, onde vemos um Julio Gartner que não consegue expressar através de lágrimas seus sentimentos (e ele só veio narrar suas experiências em 2007), mas que, com uma narrativa muito objetiva, nos dá uma noção (noção! Porque algo além disso somente os que passaram pela experiência podem ter) do que significa ter sido prisioneiro dos nazistas. Cabe à jovem Marina Kagan, com aproximadamente a mesma idade que Julio tinha ao fim da guerra (22 anos), expressar os sentimentos que decerto são os da plateia que assiste a este dramático relato.
Eu temia não suportar a narrativa, mas ela acaba soando mais didática que dramática (ainda bem!) e, do jeito que é levada, o tempo flui quase sem ser percebido.
Vejam mais em http://www.sobrevivi.com.br/sobre.html

 

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Veja SP – Seja o crítico

Album de Familia - comentario de Roberto Blatt na Veja SP 29jan14
Seja o critico - Veja SP 20ago14 - Juntos e Misturados

Seja o critico - Veja SP 22abr15 - Risco Imediato

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O Grande Roubo (The Hard Word)

O Grande Roubo (The Hard Word), suspense criminal com toques dramáticos e alguns cômicos de Scott Roberts, 2002.

ENREDO: Dale (Guy Pearce) é o cérebro; Mal (Damien Richardson) é o ingênuo e bom coração e Shane (Joe Edgerton), o caçula dos irmãos Twentyman, é o explosivo. Eles acabam de sair da prisão e já têm serviço… Mais um roubo rápido, sem violência e lucrativo, outra encomenda do advogado deles, Frank Malone (Robert Taylor). Dale desconfia de Frank, e, logo vemos, com razão. Além de transar com sua esposa, Carol (Rachel Griffiths), Frank armou para que os irmãos voltem à cadeia e… só saiam se cometer um crime que renderá mais ainda. Só que, desta vez, os irmãos terão que aceitar companhia na ação, algo que sempre rejeitaram. E logo passam a desconfiar que Frank tem planos piores ainda para eles dessa vez. Hora do revide!

AVALIAÇÃO: Começou lento e nada promissor, apesar do texto na caixa do DVD (“um dos melhores filmes sobre roubos dos últimos tempos”) procurar encorajar o espectador… O filme só ganha ação lá pea metade, quando o grande assalto e os percalços começam. Se tem ação, tem violência dispensável, também. Daí para frente, algumas reviravoltas interessantes, mas, resumindo, dispensável. Quase ruim, diria..

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O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes (The Adventure of Sherlock Holmes’ Smarter Brother)

O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes (The Adventure of Sherlock Holmes’ Smarter Brother), comédia estrelada, escrita e dirigida por Gene Wilder, 1975.

ENREDO: Se, para Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes tinha um irmão mais velho e mais esperto, Mycroft, para Gene Wilder, Sherlock tinha um irmão mais novo, Sigerson, também mais esperto, mas vivendo à sombra do mais velho. E é para o caçula que, procurando despistar os que querem impedi-lo de desvendar um intrincado caso de espionagem, Sherlock (Douglas Wilmer) envia o caso da atriz Jenny Hill (Madeline Kahn), que pode estar envolvida com o roubo de um documento que pode provocar a guerra na Europa. Jenny recuperou uma carta de amor que estava em poder de um colega seu de teatro (Dom DeLuise) e que ele havia usado para chantageá-la, mas, para reavê-la, tornou-se protagonista do caso de espionagem – e agora ela procura desfazer esse imbróglio. O (nem sempre…) sagaz Sigerson e um sargento aposentado da Scotland Yard (Marty Feldman) terão um trabalho arriscado.

AVALIAÇÃO: A trupe de vários dos filmes de Mel Brooks, composta por Gene Wilder (dos filmes “A Dama de Vermelho” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate” original), Marty Feldman, Madeline Kahn (ambos mortos precocemente) e Dom de Louise, estrela esse filme, que vi à época do lançamento e que não me trazia recordações de ser muito engraçado. E realmente deixa a desejar, a começar pelo roteiro. Vale pelas cenas com Marty Feldman e Dom DeLouise (naturalmente hilários) e pela do diálogo nonsense quando Sigerson serve o onipresente chá à sensual visitante. Mas não há muito mais o que ver. Wilder já fez coisas melhores (de preferência, com Mel Brooks).

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Na Ventania (Risttuules)

Na Ventania (Risttuules), drama histórico de Martti Helde, 2014.

ENREDO: “O que vale a liberdade se você tiver se pagar com a solidão?”. Em 14 de junho de 1941, às vésperas da abertura da frente russa na II Guerra, 40 mil “elementos antissoviéticos” são deportados por ordem de Stalin da Estônia, Letônia e Lituânia para a longínqua, gelada e deserta Sibéria, numa longa e excruciante jornada. Dentre eles, cerca de 10.000 estonianos, dentre os quais Erna Tamm (Laura Perterson) e sua filha, Eliide (Mirt Preegel). Longe da pacata e agradável vida que levava em usa terra natal e com Eliide gravemente adoecida na viagem, Erna passará anos lutando contra a fome, os trabalhos forçados, os castigos motivados por futilidades e procurando restabelecer o contato com o marido, Heldur (Tarmo Song), membro da Liga de Defesa estoniana e preso como inimigo do estado soviético.

AVALIAÇÃO: O que Hitler não conseguiu destruir na Europa Oriental, Stalin encarregou-se de fazê-lo. Dos cerca de 10.000 estonianos deportados na noite de 14/06/41, mais de 7.000 eram crianças, mulheres e idosos (os maridos foram em sua maioria presos). Erna Tamm não é uma personagem real, mas uma composição obtida a partir de cartas de parentes do diretor que foram vítimas da deportação com material do Arquivo Nacional, feita para retratar o que aconteceu sob o jugo stalinista.
Não há diálogos e há pouquíssimo movimento no filme. Com exceção do início e do fim, são sempre imagens congeladas (e sempre em preto e branco), e a câmera é que vai se movendo. Vez por outra se vê um piscar de olhos, uma respiração ou algum leve movimento, enquanto se escuta a leitura em off das cartas que a protagonista anseia que cheguem ao marido. As cenas congeladas tornam o filme lento, mas ao mesmo tempo angustiante, angústia que a bela trilha sonora e os ventos cruzados sempre presentes (e que dão o título original do filme) acentuam. Uma bela ideia, com bela interpretação da protagonista (aliás, só com as expressões dela) e uma história triste, muito triste, e que deve ser sempre lembrada.
Veja mais em http://estonianworld.com/culture/crosswind-wins-public-choice-award-38th-gothenburg-film-festival/
http://calvertjournal.com/articles/show/4159/deportation-films-soviet-baltic-states

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COMO DIAGRAMAR SEU LIVRO EM WORD

DIAGRAMANDO LIVROS NO WORD Cada vez mais é comum que as pessoas queiram publicar seus próprios livros. Embora tenha questionamentos sobre a viabilidade da auto-publicação, que tem suas vanta…

Source: COMO DIAGRAMAR SEU LIVRO EM WORD

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