Gabriel e a Montanha

Gabriel e a Montanha, drama biográfico dirigido e corroteirizado por Felllipe Barbosa, 2017.  

ENREDO: Antes de começar seu doutorado nos EUA, o jovem economista Gabriel Buchmann (João Pedro Zappa), especializado em políticas públicas para países subdesenvolvidos, decidiu acrescentar mais uma viagem ao seu currículo: foi passar um ano na África, vivendo na casa de gente simples e recompensando-os pela hospedagem com a pequena verba que tinha para a viagem. Passou pelo Quênia, Tanzânia, Zâmbia e Malaui, em uma de cujas montanhas morreu por hipotermia em 2009.

TRAILER: https://youtu.be/w9cw1Ntrhqg

AVALIAÇÃO: João Pedro Zappa, que interpreta Gabriel, transmite uma enorme empatia pelo personagem, um sujeito sonhador e carregado de boas intenções, que despertava a simpatia de todos com cujos caminhos cruzava; ou quase todos, pois o filme mostra um momento ou outro de estresse dele, que surgiam quando qualquer coisa fazia furar seu meticuloso roteiro.
Os próprios africanos que Gabriel conheceu representam seus papéis e em alguns momentos há um tom de documentário, com algumas falas em off dos próprios protagonistas. A única outra presença de atores é a de Carolina Abras, que faz Cristina, a namorada de Gabriel, que o acompanhou em um pequeno trecho da viagem.
Se, por um lado, é muito interessante a ideia de criar um filme com os próprios protagonistas e de mostrar a vida dos cidadãos comuns do sul da África, fica a crítica ao diretor e corroteirista, Fellipe Barbosa (amigo de Gabriel, aliás), pelo tom um tanto lento da narrativa.

 

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Thelma (Thelma)

Thelma (Thelma), suspense dramático e psicológico com toques de terror sobrenatural dirigido por Joachim Trier, 2017.  

ENREDO: Vinda de uma família profundamente religiosa do interior da Noruega, Thelma (Eili Harboe, quando jovem e Grethe Eltervåg, quando pequena) vai cursar a faculdade na capital do país. Morando sozinha, ela toma contato com as baladas, a bebida e o cigarro e vai deixando seu autoimposto isolamento. Mas é a descoberta da paixão pela sedutora colega Anja (Kaya Wilkins) que pesa profundamente em sua consciência, provocando convulsões cada vez mais frequentes. Epilepsia? Crises psicogênicas não-epiléticas causadas por lembranças atormentadas e escondidas que começam a aflorar? E por que essas convulsões parecem afetar objetos e pessoas a seu redor? Sem que a medicina ou suas próprias pesquisas lhe tragam as respostas, Thelma talvez tenha que compartilhar seu drama com os repressivos pais (Henrik Rafaelsen e Ellen Dorrit Petersen), sem saber qual será sua reação.

TRAILER: https://youtu.be/GuZxgOSnjHk

AVALIAÇÃO: Apesar de um clima que lembra o de Carrie – o filme de 1976 de Brian de Palma (baseado em Stephen King) sobre uma jovem reprimida por uma criação profundamente religiosa e que tem poderes paranormais –, aqui fica a dúvida sobre o quanto há de paranormalidade e o quanto há de físico-psicológico no que se passa com a protagonista, algo que só lá pelo fim do filme o diretor revela.
O filme entrega uma tensão crescente e angustiante (desde o início, com a cena da caça aonde o pai por pouco não elimina a pequena Thelma) e uma mensagem sobre repressão e tentativa desesperada de libertação, com destaque para a cena onde Thelma (Eili Harboe) e Anja (Kaya Wilkins) assistem a uma apresentação de balé da Segunda Sinfonia de Philip Glass, onde a trilha sonora e o enredo bem montado e filmado combinam de forma arrasadora.

 

 

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Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express), suspense criminal produzido, dirigido e estrelado por Kenneth Branagh, 2017.

ENREDO: Após uma rápida e bem-sucedida missão em Jerusalém, o detetive belga Hercule Poirot (Kenneth Branagh) parte de volta para a Europa, ansioso por um período de férias. Mas ele não terá descanso nem no Expresso do Oriente, o luxuoso trem que o conduz de volta, pois um passageiro é morto e ele logo vai encarar mais um mistério, onde todos os passageiros são suspeitos. Não bastasse isso, o trem descarrilhou na neve e a ajuda policial vai demorar a chegar.

TRAILER:https://youtu.be/1LqXLJEq4sw

AVALIAÇÃO: Branagh está um tanto magrinho para ser Poirot, uma das grandes criaturas de Agatha Christie, mas o preciosismo e as minúcias exasperantes do detetive estão divertidos, assim como seu bem-cuidado bigode. Mas as belas paisagens na neve, belo figurino de época e a presença de estrelas como Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench e Derek Jakobi (ufa!) não amenizam o que parece ser uma sequência de situações forçadas para Poirot juntar as peças e chegar à solução. Só relendo o livro para ver se ele também daria essa impressão (ou revendo a versão de 1974).

 

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Uma Razão Para Viver (Breathe)

Uma Razão Para Viver (Breathe), drama biográfico de Andy Serkis, 2017. 

ENREDO: Uma gota de secreção lançada ao ar e o vírus invade o corpo de outra pessoa. Entre os vários efeitos possíveis do vírus da pólio, um dos mais raros e terríveis é ocasionar a paralisia do diafragma, músculo mais importante no mecanismo da respiração, e dos músculos responsáveis pela deglutição.
Em 1956, Robin Cavendish (Andrew Garfield, de A Rede Social) é cativado de imediato por Diana Blacker e sua investida é logo correspondida. Eles casam, ela engravida e agora eles estão o Quênia, onde ele trabalha com corretagem de chá. E onde, no ano seguinte, aos 28 anos de idade, ele contrai o vírus da pólio, que o deixará paralisado do pescoço para baixo, dependendo a cada minuto de sua existência de um respirador mecânico. Ciente de que tem poucos meses pela frente, ele prefere já partir e deixar a jovem esposa livre para refazer a vida, mas Diana quer que ele lute e veja o filho crescer. E ela consegue seu intento: com a ajuda de seus irmãos gêmeos, Bloggs e David (ambos interpretados por Tom Hollander) e da fiel Tid (Penny Downie), que fora sua própria babá, ela consegue fazer com que, após um ano de hospital, Robin realize o desejo de viver em casa – uma loucura e a morte certa, no entender do responsável pela instituição (Jonathan Hyde). A vida de Robin muda drasticamente para melhor quando seu bom amigo, o genial professor Teddy Hall (Hugh Bonneville), inventa uma cadeira de rodas acoplada a um respirador movido a bateria e uma série de outros acessórios. A partir de então, Robin passa a lutar mundo afora pela melhoria das condições de pessoas com incapacidades semelhantes às dele, para que elas não apenas sobrevivam e passem a viver.

TRAILER: https://youtu.be/JxHAQBUNvrs

AVALIAÇÃO: Dirigido por Andy Serkis (o Gollum de O Senhor dos Anéis), esse filme tem sido criticado por alguns pelas tintas otimistas com que pinta a biografia do casal Robin e Diana Cavendish. Mas as cenas finais, com filmagens originais da família, e o fato de o produtor do filme ser o próprio Jonathan Cavendish dão a credibilidade ao que se retrata. Inspirador, o filme é uma lição de vida. Incrível o que Robin e Diana Cavendish fizeram pela melhoria das condições dos doentes incapacitados pela pólio e por outras doenças igualmente terríveis. Em particular, a cena dos pacientes “prisioneiros” dos pulmões de aço e enfileirados numa sala asséptica é traumatizante – e isso era tido nos anos 50 como uma melhoria nas condições de vida dos doentes…

 

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O Estado das Coisas (Brad’s Status)

O Estado das Coisas (Brad’s Status), comédia dramática escrita e dirigida por Mike White, 2017. 

ENREDO: É hora de Brad (Ben Stiller) acompanhar o filho, Troy (Austin Abrams), para entrevistas nas faculdades onde ele planeja concorrer a uma vaga no curso de Música. “Não importa que não seja Harvard, pode ser Tufts; foi lá que me formei e é uma boa faculdade”. Mas, no fundo, Brad quer mesmo o filho em Harvard. E os problemas começam quando Troy comete um erro com a data e perde a entrevista. É hora de o pai “mexer os pauzinhos” e apelar para seu colega de faculdade, o agora afamado Craig Fisher (Michael Sheen). O que é algo doloroso para Brad, pois, se na época dos estudos ele era o queridinho da turma, agora ele é (ou se considera) o fracassado, levando uma vida modesta como dono de uma entidade sem fins lucrativos que procura caçar financiamentos para outras ONGs.
O que o levou a essa vida? Sua esposa (Jenna Fisher) pouco incentivadora? Ou teria sido culpa dele mesmo? E ele não estaria projetando no filho o sucesso que desejaria ter tido para si mesmo? Por outro lado, se Troy fizer sucesso, ele não passará a invejar o próprio filho? Ou Troy será um fracasso maior ainda por escolher a carreira de músico? Será que ele não está exagerando na avaliação do sucesso dos ex-colegas? Ao que parece, Brad vai estar mais ocupado com esses seus pensamentos do que com as entrevistas do filho.

TRAILER: https://youtu.be/Ynhq3y7nEJk

AVALIAÇÃO: Uma abordagem que parecia ser interessante para a “crise da meia idade” e o dilema do “o que eu deveria ter feito para não ter me tornado tão banal?” Parecia, mas é monótono; uma abordagem medíocre para um protagonista medíocre.

 

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Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca (Mark Felt: The Man Who Brought Down the White House)

Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca (Mark Felt: The Man Who Brought Down the White House), suspense dramático de fundo histórico e político roteirizado e dirigido por Peter Landesman, 2017.  

ENREDO: 1972. Fiel vice do célebre e longevo diretor do FBI J. Edgar Hoover, Mark Felt (Liam Neeson, o Oskar Schindler de Spielberg) tem um problema sério. Aliás, não um, mas uma sequência deles: seu chefe acaba de morrer, as eleições presidenciais se aproximam, alguns homens foram pegos tentando instalar grampos na sede do Comitê Nacional do Partido Democrata em Washington, no edifício Watergate, e é possível que o presidente Richard Nixon, o republicano candidato à reeleição, esteja envolvido no episódio. Agora, em vez de ser promoverem Felt, com seus 30 anos de Bureau, a diretor do FBI, colocam no cargo L. Patrick Gray (Marton Csokas), que dá dois dias para a investigação da invasão do caso Watergate ser encerrada. Em outras palavras, “o novo diretor do FBI ordena ao FBI que pare sua própria investigação”. Mesmo que a Casa Banca não tenha autoridade sobre o FBI, um órgão cioso de sua independência, é o que ela quer e nem tão sorrateiramente exige.
Com total apoio de seus subordinados, Felt decide prosseguir com as investigações, até que a pressão de Gray o força a seguir sozinho, dessa vez vazando informações. É assim que Felt se tornará o “Garganta Profunda”, a fonte secretíssima das pistas que permitiram aos jornalistas Sandy Smith (Bruce Greenwood), da Time, e Carl Bernstein e Bob Woodward (Julian Morris) publicarem as reportagens que, aos poucos, provocaram a renúncia de Nixon. Ao mesmo tempo, Felt luta para manter vivo o casamento com Audrey (Diane Lane) e encontrar a filha única (Maika Monroe), uma promissora estudante desaparecida voluntariamente há tempo.

TRAILER: https://youtu.be/xGhOZ9uglus

AVALIAÇÃO: Parecia que seria m suspense político sem muito interesse, mostrando algo sobre um episódio importante, porém já apagado pelo tempo. Mas o Mark Felt de Liam Neeson, disciplinado, persistente e de atitudes secas e disciplinadas faz do filme um suspense de primeira, mesmo que dele se conheça o desfecho. Uma ótima surpresa do diretor, que também roteirizou e dirigiu o igualmente ótimo Um Homem Entre Gigantes, outra biografia de alguém que luta praticamente sozinho contra poderosos.
O filme traz às telonas atores que andavam um tanto sumidos de produções capitaneadas por grandes astros, como Tony Goldwyn (o vilão de Ghost) e Josh Lucas, que fazem os fiéis assistentes de Mark Felt, e Tom Sizemore (de O Resgate do Soldado Ryan), no papel de um sujo desafeto de Felt (no que, aliás, soa muitíssimo convincente).

 

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Fome de Poder (The Founder)

Fome de Poder (The Founder), drama biográfico de John Lee Hancock, 2016.  

ENREDO: “Sei o que você está pensando: como é que um cara de 52 anos, velho demais, vendedor de máquinas de milk-shake constrói um império de fast-food com 1.600 restaurantes e faturamento anual de US$ 700 milhões? Uma palavra: Persistência”.
Ray Kroc (Michael Keaton), frustrado com as vendas fracas e abismado com o pedido de meia dúzia de máquinas de milk-shake de uma pequena lanchonete do sul da Califórnia, vai pessoalmente visitar o bem-sucedido estabelecimento tocado pelos irmãos Dick (Nick Offerman) e Maurice “Mac” McDonald (John Carroll Lynch). Em vez dos drive-ins então disseminados nos anos 50, os irmãos vendiam para uma multidão que fazia filas de pé para comer seus sanduíches produzidos sob receita rígida, de forma quase industrial, sempre com atendimento gentil.
Kroc logo enxerga um negócio de muito futuro e oferece sociedade. Depois, convence-os (ou quase os força) a espalhar o modelo através de franquias, que eles já haviam tentado sem sucesso, por não conseguir fiscalizar e controlar os franqueados. Com o passar do tempo, Kroc percebe que o contrato que assinou com os irmãos permite que os franqueados lucrem muito, mas que ele continua endividado com o banco. Assim, sua esposa (Laura Dern), além de ver o marido cada vez mais ausente, se descobre com mais uma hipoteca sobre a casa e avisos de dívidas vencidas.
É então que, com a ajuda de um sujeito tão esperto como ele, Harry J. Sonneborn (B.J. Novak), Kroc descobre uma maneira de driblar os irmãos e…

TRAILER: https://youtu.be/_i8LJEv1d_Y

AVALIAÇÃO: Ray Kroc era um sujeito persistente e que pensava longe, ou um ladrão de ideias arrogante que esmagava os que lhe pareciam tolher a iniciativa? E os irmãos McDonald eram uma dupla com boa ideia, mas contidos demais e com visão curta, que barrava as brilhantes ideias de Kroc? Mas, oras, o McDonald’s era criação deles! Façam seu juízo após ver o filme. Uma boa biografia, cujos créditos finais não podem ser perdidos.

 

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