Em Pedaços (Aus dem Nichts)

Em Pedaços (Aus dem Nichts), suspense dramático de tribunal roteirizado e dirigido por Fatih Akin, 2017. 

ENREDO: Imigrante turco de origem curda, o pequeno traficante de drogas Nuri Sekerci (Numan Acar), formou-se enquanto cumpria sua pena e agora toca seu pequeno escritório de contabilidade e traduções em Hamburgo, com o qual ajuda outros imigrantes. Casou-se com a alemã Katja (Diane Kruger, de Bastardos Inglórios), a quem tinha conhecido vendendo haxixe, tiveram um filho, Rocco (Rafael Santana), e agora vivem uma vida confortável e feliz – e longe das drogas.
Num fim de tarde, essa felicidade tem fim quando Katja vai encontrar Nuri e o pequeno Rocco no escritório, mas descobre que um atentado a bomba destruiu o escritório e pôs fim à vida de pai e filho. A polícia tem diversas hipóteses: máfia turca ou curda ou Nuri poderia ter voltado ao negócio das drogas. Mas uma lembrança de Katja sobre a manhã do atentado leva a um jovem casal de neonazistas (Hanna Hilsdorf e Ulrich Brandhoff). Para o advogado de Katja (Denis Moschitto), as evidências são claras – até o pai do acusado (Ulrich Tukur) tem fortes indícios de provas da participação do filho – e ele promete conseguir a prisão perpétua para o casal. Porém, o experiente advogado deles (Johannes Krisch) joga pesado, remexe no passado de Katja e Nuri e ataca a credibilidade das provas. Mas Katja está determinada a que se faça justiça. De uma maneira ou de outra.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=hye1x0FvOoU

AVALIAÇÃO: Diane Kruger (prêmio de melhor atriz em Cannes por este filme) está excelente como a sofrida esposa e mãe que perde seus entes queridos num ato terrorista e que passa por momentos de depressão, mergulho nas drogas e finalmente, vai brigar por justiça, não importa qual seja a forma. Com tensão constante e momentos de forte suspense, o filme é interessante também pela abordagem que dá ao sentimento de vingança e por mostrar um pouco do funcionamento dos tribunais alemães e da discriminação contra os imigrantes turcos e curdos, que são uma numerosa minoria do país (o distanciamento é evidenciado também pelo embate não declarado entre a mãe de Katja e os pais de Nuri).

 

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15h17: Trem para Paris (The 15:17 to Paris)

15h17: Trem para Paris (The 15:17 to Paris), suspense dramático de Clint Eastwood, 2018.

ENREDO: Em 21 de agosto de 2015, o marroquino Ayoub el-Khazzani (Ray Corasani) embarca no trem 9364, que parte às 15h17 para Paris. Inspirado pelo Daesh (ISIS) e armado de uma AK-47, uma pistola e muita munição e um estilete, pretende matar o maior número possível das mais de 500 pessoas no trem. Surpreendido pelo passageiro Mark Moogalian, que desconfia de sua demora no banheiro, inicia com ele uma luta corporal, na qual Mark é gravemente ferido. Outros partem para enfrentar Ayoub.
Desde o ensino médio, Spencer (William Jennings) e Alek (Bryce Gheisar) sofrem bullying e são considerados desajustados pela direção do colégio religioso onde estudam. Suas mães (Judith Greer e Jenna Fisher) são sempre chamadas à coordenação, onde ouvem que os filhos precisam de tratamento para Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) e as presenças dos respectivos pais (de quem são separadas). Pouco depois, a dupla ganha mais um membro, com a entrada do bom de conversa Anthony Sandler (Paul-Mikél Williams), outra presença constante na diretoria. Mas os problemas escolares levam o trio a se separar e agora, passados alguns anos, Spencer (Spencer Stone) e Alek (Alek Skarlatos) estão seguindo carreiras militares diversas. Os dois resolvem se encontrar na Europa para as férias e, claro, chamam o velho amigo Anthony (Anthony Sandler). Depois de muito turismo e baladas, hora de embarcar no trem 9364, que parte às 15h17 para Paris.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=O-rvflwGOKs

AVALIAÇÃO: Esse drama real, baseado no livro dos três amigos americanos que se atracaram com o terrorista, fica devendo suspense. Os poucos minutos da ação, no trem, são bons, mas o recheio do filme é um tanto insosso, os diálogos parecem amadorísticos e a viagem dos amigos pela Europa deve ser um resumo malfeito do livro, pois há personagens dispensáveis, que no livro talvez deixassem a narrativa mais colorida, mas, na telona, simplesmente sobram, mesmo considerando que o filme tem uma e hora e meia. O filme vale pelas cenas do atentado (mas são poucos minutos) e pela narrativa que Spencer faz de sua da carreira – desde jovem ele e Alek sonhavam em se juntar às forças armadas. Como desempenho, os três atores-mirins são os melhores, principalmente Paul-Mikél Williams, que faz o bom-de-lábia Anthony. Já os adultos, interpretados pelos próprios protagonistas do evento, perdem a naturalidade, mas talvez por culpa da direção ou do roteiro.

 

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A Grande Jogada (Molly’s Game)

A Grande Jogada (Molly’s Game), suspense biográfico dramático roteirizado e dirigido por Aaron Sorkin, 2017.

ENREDO: Molly Bloom (Jessica Chastain), narradora em off do filme, vai logo explicando que mudou os nomes dos envolvidos para proteger famílias e carreiras. E começa pela noite em que foi levada pelo FBI sob acusação de operar apostas ilegais de pôquer. Então, voltamos à infância e adolescência de Molly e de seu permanente enfrentamento com o pai (Kevin Costner), um rígido e conceituado professor e psicólogo, que queria fazer da filha uma campeã olímpica de esqui.
Apesar de toda persistência e de vencer uma extensa cirurgia para corrigir uma escoliose, Molly sabe que é hora de abandonar a carreira quando sofre um segundo grave acidente nas pistas. Ela tem notas para entrar na faculdade de Direito de Harvard com folga, mas não tem condições de se sustentar. E os empregos que arruma, à revelia do pai, não são capazes de ajudá-la. Até que ela encontra Dean Keith (Jeremy Strong), um patrão explorador, que a introduz aos clubes exclusivos de pôquer, operando à sombra dos grandes cassinos e envolvendo celebridades de Hollywood, gente da nobreza e grandes investidores… e gente da máfia russa… Um mundo novo, no qual Molly aprende a circular com desenvoltura e que vai lhe trazer fortunas, mas que vai levar o FBI até ela. Procurando por um advogado de renome e que atue estritamente dentro da lei, ela recorre a Charlie Jafey (Idris Elba). Mas esse não é o tipo de caso que lhe agrada, e Molly deverá convencê-lo de que ela não é a Princesa do Pôquer que a imprensa retrata.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=1k0NR2MaI0M

AVALIAÇÃO: Pelo roteiro de Aaron Sorkin (Oscar pelo roteiro de A Rede Social), baseado no livro da própria Molly Bloom, a protagonista é uma pessoa correta, apesar de alguns escorregões, e, que, perto dos outros envolvidos no caso… Diferentemente do que poderia se esperar, pelos crimes de que é acusada, ela é retratada com o uma pessoa que procura não deixar seus clientes afundarem nas apostas, não manda bater para cobrar dívidas e se recusa a entregar nomes para salvar a pele, o que a torna uma figura simpática ao espectador desde o início.
Os diálogos são dinâmicos, a tensão é constante e o quadro que se tem desse mundo glamoroso e subterrâneo é bem montado. A relação conflituosa de Molly com o pai é outro aspecto interessante e bem construído e vai ter um peso importante ao longo do filme. No geral, apesar de longo (140 min), um filme envolvente, tanto em termos de drama como de suspense. Única ressalva fica para as explicações sobre os jogos, que, apesar da didática da narradora, nem sempre ajudam. Ainda bem que o diretor teve o bom-senso de não os deixar ocupar muito do filme.

 

 

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Pequena Grande Vida (Downsizing)

Pequena Grande Vida (Downsizing), comédia dramática de ficção coescrita e dirigida por Alexander Payne, 2017. 

ENREDO: Que tal fazer seu capital valorizar-se mais de 200 vezes, viver uma vida de rei e ainda poupar os recursos de uma Terra cada mais superpovoada? O único porém é ter que passar por um processo permanente e irreversível de encolhimento, que leva um ser humano médio a ter uma altura de 5 polegadas. Percebendo que seus ganhos não lhes permitirão conseguir grandes progressos na vida, Paul e Audrey Safranek (Matt Damon e Kristen Wiig) embarcam na ideia e escolhem como destino a Lazerlândia, uma cidade-modelo miniatura. Ou, melhor, Paul aceita, porque Audrey desiste do procedimento, não suportando a ideia de deixar família e amigos. Vivendo num belo apartamento, mas ainda tentando reconstruir sua vida amorosa, Paul encontra no vizinho festeiro, Dusan Mirkovic (Chistoph Waltz) e no amigo dele (Udo Kier) os momentos de relaxamento. E é com eles que tem contato com a faxineira vietnamita Ngoc Lan Tran (Hong Chau), que o leva à descoberta do “lado pobre da cidade” e do quanto ele ainda pode ser útil para as pessoas.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=j9bMBQAosoA e https://www.youtube.com/watch?v=JA43Nd0kcVU

AVALIAÇÃO: O filme começa divertido e vai adquirindo um tom mais dramático pela metade, quando o protagonista descobre que nem tudo é festa e vida fácil nesse novo mundo. A partir de então, o diretor aborda de forma interessante o choque entre as classes sociais, ao mesmo tempo que se perde em lições sobre o consumismo desenfreado do ser humano, que pode acabar com os recursos naturais do planeta e com a própria Terra. Essa última abordagem é que fica esticada e que leva ao trecho dispensável do filme, que, com seus 135 minutos, fica longo demais. Nessa hora, nem as belas imagens dos fiordes noruegueses ajudam…

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Eu, Tonya (I, Tonya)

Eu, Tonya (I, Tonya), drama biográfico com toques cômicos de Craig Gillespie, 2017.

ENREDO: Desde pequena, Tonya Harding (Margot Robbie) adorava patinar no gelo. E era muito incentivada pela mãe, Navona (Allison Janney)… à base de surras e palavrões, que a mãe acreditava impulsionarem e fortalecerem a filha. Depois de alguma insistência, Navona consegue que Diane Rawlinson (Julianne Nicholson) treine a precoce patinadora de 4 anos (neste trecho do filme interpretada por Maizie Smith) e investe nisso suas ralas economias. Apesar da habilidade inegável sobre os patins, Tonya cresce sendo sempre esnobada pelos juízes: uma caipira desbocada, vestuário e repertório musical que não agradam, de porte nada gracioso e beleza deixando a desejar e com os pais separados desde cedo; enfim, longe do retrato de “uma família americana saudável”. Tonya ainda assim surpreendeu, venceu os obstáculos e, famosa pelo seu salto triple axel, chegou a ser cotada como a melhor patinadora do mundo. Nos EUA, sua única rival era a amiga Nancy Kerrigan (Caitlin Carver), esta sim o exemplo da graça e beleza que os juízes esperavam de uma patinadora artística. E é justamente essa rivalidade que tornou Tonya mais famosa ainda – a mais amada e odiada da América. Não por causa da competição no gelo, mas pela acusação de ter mandado quebrar a perna da rival durante uma competição decisiva. Teria sido seu marido (Sebastian Stan) o autor intelectual da agressão? Ou o esquisito amigo dele, Shawn (Paul Walter Hauser), autointitulado “guarda-costas” de Tonya, quem teria saído fora de controle e agido por conta própria? Afinal, o que Navona conseguiu para a filha: sucesso ou maldição?r.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=US_P75dgJ_w

AVALIAÇÃO: Num ritmo de docudrama com toques de comédia de erros, a protagonista explica-se, justifica-se e ganha o benefício da dúvida ao mostrar o passado de agressões, primeiramente da mãe divorciada e sem recursos, que via no talento precoce da filha uma promissora saída para seus problemas – uma relação nada amorosa, na qual Navona via apenas o caráter utilitarista de seu investimento nela (em particular, choca a cena da visita da mãe à filha acuada pela imprensa). Depois, somam-se às da mãe as agressões do marido, que, às vezes, Tonya revidava com gosto, mas na maioria das vezes relevava. Mas o marido e a mãe também ganham uma chance de explicar-se perante o público.
O filme é muito bom em alguns trechos, estica demais em outros, mas o balanço acaba sendo interessante e vale a visita, principalmente pela excelente atuação de Margot Robbie (também coprodutora do filme), que ainda aprendeu a patinar para rodar ela mesma algumas cenas, e Allison Janney, muito bem no papel da detestável Sra. Harding. Um daqueles filmes em que vale a pena ficar até os créditos finais (e por que não? São apenas alguns minutos a mais para quem venceu uma chuva de palavrões e troca de pancadas e grosserias entre os protagonistas).

 

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Trama Fantasma (Phantom Thread)

Trama Fantasma (Phantom Thread), drama romântico com toques de suspense escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, 2017. 

ENREDO: Anos 50, o glamour da moda no período de recuperação do pós-guerra. É o fim mais uma coleção do renomado e badalado estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis), hora de voltar para um período de repouso em sua casa no campo, ao lado da irmã Cyril (Lesley Manville). Solteirão convicto, famoso pelos casos curtos, ele encontra em Alma (Vicky Krieps), a desajeitada garçonete que o atende perto do destino, sua nova musa inspiradora e a traz para morar consigo. Ela se entrega a seus caprichos, serve-lhe como modelo e auxiliar, mas, à medida que sua permanência se prolonga, não consegue mais esconder o amor que nutre por ele e deseja algo mais da relação. O choque com a dominadora Cyril se torna mais intenso e a vida do metódico e perfeccionista Cyril é afetada intensamente. Alguém sairá machucado.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=ZlrwcTsv6Xs

AVALIAÇÃO: Não que o trailer indicasse grande coisa, mas os nomes de Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis, assim como o desenrolar da trama, prenunciavam um clímax que não veio. Ou que veio torto… Exatamente como o contemporâneo e também indicado a vários Oscar® Três Anúncios Para um Crime. Dá para passar sem tranquilamente.

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Navio Fantasma (Ghost Ship)

Navio Fantasma (Ghost Ship), suspense de terror de Steve Beck, 2002 D

ENREDO: Mal Sean Murphy (Gabriel Byrne) e sua equipe de resgate marítimo Arctic Warrior (Julianna Margulies, Isaiah Washington, Alex Dimitriades, Ron Eldard e Karl Ulban) estão comemorando o último trabalho bem sucedido e são abordados com uma nova oportunidade: um piloto (Desmond Harrington) avistou o Antonio Graza, um gigantesco transatlântico misteriosamente sumido há 50 anos em águas internacionais, o que significa que o que recuperarem no navio é deles… Mas as misteriosas circunstâncias do desaparecimento do navio indicam que alguma coisa – ou tudo – vai dar errado.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=-DTVuQTZr3E

AVALIAÇÃO: Enredo tolo, que o diretor e/ou roteirista devem ter achado que se tornaria mais cativante com a inserção de algumas sequências de carnificina gratuita. Se tivesse visto no cinema, teria lamentado profundamente, mesmo que o desperdício de tempo não passe de 1,5 h.

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