Na Mira do Atirador (The Wall)

Na Mira do Atirador (The Wall), suspense dramático de guerra de Doug Liman, 2017.

ENREDO: 2007. A guerra do Iraque já acabou, mas aparentemente não para quem dizimou uma equipe de civis que estava reparando um oleoduto. Enviados para investigar o local, os atiradores de elite Isaac (Aaron Taylor-Johnson, de Animais Noturnos) e Matthews (John Cena) descobrem que seu inimigo é um sniper como eles – ou ainda melhor. E descobrem da pior forma. Matthews é alvejado e não consegue se mover. Isaac, também atingido, só consegue pular para trás de uma frágil parede destruída na guerra. Através do rádio, ele pede socorro, mas descobre que o único contato que consegue é justamente seu oponente (Laith Nakli). Ferido, sem comunicação, sem água, o companheiro definhando a poucos metros… Parece que o inimigo tem planos para um misterioso jogo psicológico com Isaac.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=yESRRDuS9MM

AVALIAÇÃO: Uma ideia bem bolada, bem conduzida e com um protagonista que consegue levar o filme praticamente sozinho (ele contracena apenas com a voz de um personagem). Aliás, ele e a parede atrás da qual se abriga. O final talvez tenha sido um pouco forçado demais e alguns momentos cansaram (mas o filme não é longo), porém isso não chega a ser um problema. E ainda dá para aprender um pouco sobre como raciocinam os atiradores de elite.
Mas, se for para escolher algum filme de Doug Liman, o melhor ainda deve ser No Limite do Amanhã (até mais do que os Bourne que ele dirigiu).

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A Viagem de Fanny (Le Voyage de Fanny)

A Viagem de Fanny (Le Voyage de Fanny), drama, aventura e suspense autobiográfico e histórico de guerra, coescrito e dirigido por Lola Doillon, 2016.  
A Viagem de Fanny

ENREDO: NCom o avanço das políticas antissemitas na França ocupada pelos nazistas, Fanny (Léonie Souchaud) e suas irmãs, Erika (Fantine Harduin) e Goergette (Julienne Lepoureau), são enviadas pelos pais para um refúgio seguro, aos cuidados de Madame Forman (Cécile De France). Em julho de 1943, vem da Itália a notícia da queda do ditador Mussolini. Para muitos, um sinal promissor do desenrolar da guerra; mas, para a previdente Madame Forman, o sinal de que as tropas nazistas avançariam com mais intensidade na França, o que a leva a colocar em fuga as crianças do abrigo. Portando identidades falsas, elas deverão empreender uma longa jornada até cruzar a fronteira Suíça e caberá à jovem Fanny, de apenas 12 anos, conduzir todos em segurança, sempre arriscando a delação e a captura pela polícia francesa ou pelas tropas nazistas.

TRAILER: https://youtu.be/XZAlO82mMxg

AVALIAÇÃO: Baseado no relato autobiográfico de Fanny Ben-Ami, a jovem francesa que teve que se tornar adulta antes do tempo para salvar diversas crianças judias, o filme mostra os percalços que o grupo enfrentou a todo momento em sua longa fuga, ora ajudado por compatriotas (alguns de forma espontânea, outros mediante pagamento), ora prejudicado pelo colaboracionismo escancarado (como mostra a cena em que as crianças são interrogadas pelos policiais… franceses) ou pela iminência da captura pelas tropas nazistas.
Com Adeus, Meninos, de Louis Malle, de 1987, e o atual Os Meninos Que Enganavam os Nazistas (Um Sac de Billes), tem-se uma excelente trilogia sobre a ocupação nazista na França através do testemunho das (muito) jovens vítimas do regime, apenas por serem de uma religião diferente. Suspense que comove e, por momentos, até diverte.

 

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Dunkirk (Dunkirk)

Dunkirk (Dunkirk), drama e suspense históricos e de guerra de Christopher Nolan, 2017.  
Dunkirk

ENREDO: Em maio de 1940, a Operação Dínamo é criada para cuidar do resgate de 400.000 soldados britânicos, franceses e belgas nas praias da cidade de Dunquerque, no noroeste da França, encurralados por 800.000 soldados nazistas. Com a Inglaterra à vista logo do outro lado do canal, mas sem embarcações suficientes para o resgate e com o único molhe remanescente para o atracamento bem danificado, o comandante Bolton (Kenneth Branagh) tem que fazer a retirada dos soldados em pequenos grupos, sempre sob o risco dos intensos bombardeios do inimigo, que não poupam nem os navios-hospital. A trama do resgate se desenrola em três tempos diferentes:
1. Uma semana: Na praia, Bolton e o Coronel Winnant (James D’Arcy) lutam contra o tempo para vencer a inevitável aproximação nazista. Dois soldados (Fionn Whitehead e Damien Bonnard) procuram de todas as formas embarcar, mas são alvo dos constantes bombardeios que transformam o mar em fogo e os navios em cemitérios.
2. Um dia: O resgate feito por embarcações civis requisitadas pela Marinha britânica, que cruzam o canal passando por destroços e socorrendo pilotos e marinheiros à deriva. O dono de um barco de lazer (Mark Rylance, Oscar por Ponte dos Espiões), ajudado pelo filho (Tom Glynn-Carney) e um jovem aprendiz (Barry Keoghan), resgata em sua jornada um piloto profundamente traumatizado (Cillian Murphy) e à beira do desequilíbrio emocional.
3. Uma hora: Com o líder de esquadra sumido e com o indicador de combustível avariado, o piloto Farrier (Tom Hardy) tem que decidir se volta à base ou se permanece em formação com o colega Collins (Jack Lowden) para dar combate aos bombardeiros alemães e suas escoltas de caças.

TRAILER: http://www.imdb.com/title/tt5013056/videoplayer/vi3603609881?ref_=vi_nxt_ap

AVALIAÇÃO: Ao retratar a famosa retirada nas areias de Dunquerque, ocorrida entre 26 de maio e 4 de junho de 1940, Nolan está numa praia (sem trocadilhos…) diferente dos Batman, Amnésia ou A Origem. O evento, uma “derrota vitoriosa”, que permitiria ao Reino Unido (os Estados Unidos ainda não haviam entrado na guerra) reverter um quadro até então sombrio, merecia mesmo um grande filme e Nolan combinou de maneira genial as ações em terra, mar e ar, sem que os períodos diferentes em que transcorrem as ações mostradas em paralelo afetem o entendimento.
Sem viagens da imaginação como em “Amnésia” ou em “A Origem”, este filmaço é uma aula de história, que coloca o espectador numa tensão infindável desde o primeiro minuto.
Apesar de a trama em terra estar mais centrada nas possibilidades do embarque dos jovens soldados, o que mais cativa são os diálogos e os dilemas dos personagens de Kenneth Branagh e James D’Arcy. Talvez porque o filme não dê bastante enfoque em algum soldado em particular. As batalhas aéreas são de um suspense arrasador e ver o filme em IMAX ajuda muito, fazendo com que o espectador se sinta em meio aos bombardeios. E, para aumentar a sensação de imersão, a angustiante trilha sonora de Hans Zimmer, coroada pela Variação nº 9, Nimrod, de Edward Elgar.

DETALHES:
• O comandante Bolton é baseado em James Campbell Clouston, de cuja logística brilhante dependia o sucesso da operação; mas ele não é citado nem nos créditos (o que gerou alguma celeuma: http://www.dailymail.co.uk/news/article-4726774/The-real-hero-Dunkirk-Courage-pier-master.html).
• No início da operação de resgate, os britânicos privilegiaram o salvamento dos compatriotas, deixando os franceses de lado, o que o filme retrata claramente nas cenas iniciais e mais adiante, de forma mais marcante.

 

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Os Meninos Que Enganavam os Nazistas (Um Sac de Billes)

Os Meninos Que Enganavam os Nazistas (Um Sac de Billes), drama, aventura e suspense autobiográfico e histórico de guerra, de Christopher Duguay, 2017.  
Os Meninos Que Enganavam Nazistas

ENREDO: No início, a vida na França ocupada pelos nazistas ainda era aceitável para o barbeiro Roman Joffo (o cantor e ator Patrick Bruel), sua esposa Anna (Elza Zylberstein) e os quatro filhos, os adolescentes Henri e Albert (César Domboy e Ilian Gergala) e os garotos Maurice (Batyste Fleuria) e Joseph (Dorian Le Clech). Com as medidas discriminatórias, como a proibição de manter negócios e a obrigação de portar a vergonhosa estrela amarela e as lembranças de sua juventude em meio aos pogroms na Rússia e a ordem do pai para ele fugir para Paris, Roman percebe que é hora de todos partirem. Com instruções para confiar em umas poucas pessoas e seguir rigidamente o caminho traçado, a família se divide na fuga, para não despertar suspeitas nos vizinhos. O destino final: a casa de parentes em Nice, na França Livre, administrada pelo governo colaboracionista e antissemita do marechal Pétain, mas ainda livre do jugo nazista. Para o Joseph, a fuga dá a sensação de estar livre, mas eles estarão sempre fugindo de algo e os momentos de alívio serão efêmeros.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=aN1ur-MpbHA

AVALIAÇÃO: “É melhor tomar um tapa que machuca do que perder a vida por ter medo de tomar um”, diz o pai ao jovem Joseph ao prepará-lo para a dura jornada que terá pela frente, tendo que esconder sua religião a todo custo. Na série de aventuras, desventuras, torturas e assassinatos que presenciam ou vivenciam os garotos, temos uma visão de vários aspectos da França sob o regime nazista:
• O papel da Igreja católica na proteção dos judeus (deixando de lado eventuais críticas ao comportamento da Igreja como um todo).
• A resistência francesa, em oposição às milícias colaboracionistas do marechal Pétain, antigo herói francês da Primeira Guerra, adepto do ideal dos franceses “puros” e aliado de Hitler.
• As separações, prisões, fugas das famílias dos judeus, o alistamento de seus homens para os trabalhos forçados, as deportações para os campos de extermínio.
• A fanática burocracia nazista tentando pegar “traços judeus” em qualquer suspeito, e forçando judeus a entregar judeus, acrescentando humilhação ao terror (nas pesadas cenas com o ator Christian Clavier).
A trilha sonora de Armand Amar dá um tom triste a esse filme arrasador, baseado no relato autobiográfico de Joseph Joffo, de 1973 (e que já teve outra versão para o cinema, em 1975), com interpretações cativantes dos jovens protagonistas Dorian Le Clech e Batyste Fleurial.
Com Adeus, Meninos, de Louis Malle, de 1987, e o atual A Viagem de Fanny, tem-se uma excelente trilogia sobre a ocupação nazista na França através do testemunho das jovens vítimas. Filmaço para ver e se comover, uma lição de vida e uma aula de história imperdíveis.

 

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O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled)

O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled), drama com toques de suspense de Sofia Coppola, 2017.

ENREDO: Estado de Virginia, sul dos EUA, 1864, final da Guerra Civil americana. Seriamente ferido, o cabo nortista John McBurney (Colin Farrell) é resgatado por Amy (Oona Laurence), uma aluna do colégio para moças de Miss Martha (Nicole Kidman). O procedimento indicado seria amarrar um pano azul na grade da casa, indicando aos soldados sulistas a presença do inimigo. Mas, para Miss Martha, o tratamento correto seria salvar o cabo e somente depois entregá-lo. Ele percebe que a rígida diretora pretende levar adiante seus planos e procura cativar as moças para permanecer no local. Parte do seu jogo consiste em convencê-las da necessidade uma presença masculina para cuidar da casa. As alunas menores são seduzidas com a amizade carinhosa e atenciosa de John. Com a (aparentemente) fria Miss Martha e a carente professora Edwina (Kirsten Dunst), ávida por sair daquele local solitário e sem perspectivas, McBurney usa a sensualidade. Com a jovem Alicia (Elle Fanning), a aluna mais velha, porém, é o contrário – ela o encanta e não esconde suas intenções. Não haverá como agradar a todas.

TRAILER: http://www.imdb.com/title/tt5592248/videoplayer/vi3770661145?ref_=tt_ov_vi

AVALIAÇÃO: Praticamente sem trilha sonora, mas com ótimos figurinos, fotografia e recriação de época e três protagonistas bem convincentes (Farrell, Kidman e Dunst, esta, aliás, parceira constante da diretora), o filme fica arrastado até o momento em que o jogo de sedução se torna marcante, lá pela metade (ele não é longo, ainda bem!). Médio, e, se a memória não falha, dá para dispensar e ficar com a versão de 1971 (com a constante dupla Don Siegel na direção e Clint Eastwood como protagonista).

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming)

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming), ação e aventura de ficção dirigida e coescrita por Jon Watts, 2017.

ENREDO: Depois de lutar ao lado de Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) (em Capitão América: Guerra Civil), o Homem-Aranha (Tom Holland) tem que conviver com a ideia de voltar a ser “apenas” o adolescente nerd, Peter Parker, morar com a tia May (Marisa Tomei), ter só um amigo na escola, o também nerd Ned (Jacob Batalon), babar pela beldade da escola, a veterana Liz (Laura Harrier), ser desprezado por todos os colegas, e particularmente ridicularizado pelos colegas Michelle (Zendaya) e Flash (Tony Revolori, de O Grande Hotel Budapeste). Seus apelos insistentes para voltar a trabalhar com o Homem de Ferro já irritam seu assistente, Happy Hogan (Jon Favreau, diretor da cinessérie Homem de Ferro); para Stark, o jovem ainda tem uma longa jornada antes de poder se juntar aos Vingadores.
Mas, ansioso por ação, o Aranha vai caçando criminosos menores, até que se depara com o Abutre (Michael Keaton), um vilão que anda construindo armamentos sofisticados com restos dos equipamentos alienígenas dos chitauri, recolhidos em Nova Iorque. Agora sim, ele terá um inimigo à altura.
E, como Peter Parker, vai ter que rebolar para conquistar Liz, esconder seu segredo da tia May e do sempre curioso Ned, evitar trapalhadas que o indisponham com o Homem de Ferro e… ufa, não furar com os colegas na competição estudantil nacional.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=2x-2iYxgMFU

AVALIAÇÃO: Super-herói mais humano da Marvel, o Homem-Aranha/Peter Parker de Tom Holland é a perfeita representação do adolescente tímido e irrequieto, que encontra a paixão e descobre seu potencial, mas decepcionado por não poder concretizar nem um nem outro. Já o Homem de Ferro de Robert Downey Jr. é o adulto com espírito ainda adolescente, que entende perfeitamente aquilo pelo que o jovem está passando, mas que sabe que ele ainda não está pronto para o mundo.
As falas e os intérpretes dos heróis estão ótimos, há bons toques cômicos, os coadjuvantes Tia May (a sempre bela veterana Marisa Tomei) e Happy Hogan são um tempero bem-vindo no filme e Jacob Batalon está perfeito como o nerd Ned, o melhor amigo de Peter Parker. 130 minutos de humor e ação garantidos.

 

 

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Neve Negra (Nieve Negra)

Neve Negra (Nieve Negra), suspense dramático de Martin Hodara, 2017.

ENREDO: Passados quase 30 anos da perda trágica do irmão caçula, Juan (Iván Luengo), Marcos (Leonardo Sbaraglia, do ótimo No Fim do Túnel) volta para cumprir o último desejo do pai recém-falecido (Andrés Herrera) e enterrar suas cinzas ao lado do corpo do filho. Com a irmã (Dolores Fonzi) internada num hospital psiquiátrico, resta a Marcos convencer o recluso e agressivo irmão Salvador (Ricardo Darín) a mostrar onde foi enterrado o corpo de Juan e, mais difícil ainda, convencê-lo a aceitar a milionária proposta que o advogado deles (Federico Luppi) tem para o terreno do chalé da família, onde mora Salvador. Marcos e a esposa Laura (Laia Costa) não disfarçam sua pressa em resolver a questão, pois ela está grávida e eles enfrentam dificuldades financeiras. Mas o chalé é a vida de Salvador e é também onde estão suas lembranças – mesmo as da perda do irmão, pela qual o pai lhe culpara a vida toda. Os conflitos vão ficando mais evidentes e pesados segredos do passado vêm à tona.

TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=YzOkCNQy-gQ

AVALIAÇÃO: O filme começa tão cansativo como a paisagem desolada e branca da neve da Patagônia que cerca o chalé isolado. Chega a dar sono. Só bem para o fim, quando os conflitos se intensificam e aparecem as revelações (que talvez não sejam tão surpreendentes assim) é que o filme desperta algum interesse, o que não o salva de ser mediano. E alguns podem não gostar do arremate da trama.

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