Animais Noturnos (Nocturnal Animals)

Animais Noturnos (Nocturnal Animals), suspense dramático roteirizado e dirigido por Tom Ford, 2016.

ENREDO: “Eu fiz algo terrível para ele”, comenta Susan Morrow (Amy Adams, de A Chegada) sobre seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal, de Vida). Sua mãe (Laura Linney) havia avisado a ela que ele era fraco, sem motivação, um escritor fadado ao fracasso e que não poderia dar certo o casamento com alguém tão diferente dela – ou delas, porque, por mais que negue, Susan acaba sempre por copiar o comportamento da mãe. Agora, passados vinte anos, é o segundo casamento da moça que dá sinais de esgotamento, o que fica mais evidente quando recebe de Edward o manuscrito da sua obra, sobre o qual ele quer que ela opine. Trata-se de uma viagem por uma estrada deserta que vai acabar em tragédia para os personagens: Tony (também Jake Gyllenhaal), sua mulher, Laura (Isla Fisher) e a filha adolescente, India (Elle Bamber). Uma história de indecisões, medo, perdas e vingança, da qual, por uma razão que somente em seu íntimo Susan sabe, ela não consegue desgrudar.

TRAILER: http://www.imdb.com/title/tt4550098/videoplayer/vi3656758809?ref_=tt_ov_vi

AVALIAÇÃO: A história dentro da história é um suspense violento, que consome quase todo o filme. E é o que mais vale nele, pois são os personagens de Jake Gyllenhaal, Michael Shannon e Aaron Taylor-Johnson que mais cativam; a camada externa, conduzida pela personagem sofrida de Amy Adams, apesar de guardar uma surpresa no final, quase fica sobrando. Um filme que deixa vários questionamentos, gerando sites e vídeos com explicações na internet.

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Mulher-Maravilha (Wonder Woman)

Mulher-Maravilha (Wonder Woman), aventura e ação de ficção baseada em personagem da DC Comics, de Patty Jenkins, 2017.

ENREDO: Hipólita (Connie Nielsen), rainha das imortais amazonas, sempre evitou que a filha Diana (Lilly Aspell) fosse preparada para o combate. Mas como vencer a vontade da jovem? Assim, ela é treinada pela tia, a valorosa Antíope (Robin Wright). Agora uma adulta, Diana (Gal Gadot) é a melhor guerreira entre as amazonas e está ciente de que caberá a ela derrotar Ares, o deus da guerra – quando chegar a hora certa.
E ela chegou… É a Primeira Guerra Mundial, a “guerra para acabar com todas as guerras”, e o piloto americano Steve Trevor (Chris Pine), perseguido pelos alemães, cai nas águas da ilha de Temiscira e é resgatado por Diana. Submetido ao laço da verdade das amazonas, ele revela que estava em missão de espionagem contra os alemães e que havia roubado da Dra. Isabel Maru (Elena Anaya) a fórmula para a fabricação da arma biológica mais poderosa já inventada. Para Diana, está claro que esta é a guerra que teria que lutar um dia e ela deixa o conforto da ilha e parte junto de Trevor para a frente de batalha. Antes, eles terão que passar por Londres e convencer Sir Patrick Morgan (David Thewlis) de que o armistício proposto pelas Potências Centrais jamais vingará, pois a Dra. Maru e seu chefe, o, General Erich Ludendorff (Danny Huston) estão prestes a criar uma versão mais potente ainda da fórmula roubada pelo piloto. Para Diana não há mais dúvida: o General Ludendorff é o temível deus da guerra a quem cabe a ela derrotar para que a paz reine entre os humanos.

TRAILER: https://youtu.be/I6Gj8Fvukk4

AVALIAÇÃO: Uma boa explicação sobre a origem da Mulher-Maravilha, depois muita ação e aventura (talvez com algum excesso de cenas em câmera lenta) e vilões bem escolhidos. Gal Gadot e Chris Pine se bastariam como o lado “do bem” e os papeis dos seus companheiros de luta, Sameer (Said Taghmaoui), Charlie (Ewen Bremner) e O Chefe (Eugene Brave Rock) acabaram soando supérfluos e nem chegam a criar empatia. É também a dupla protagonista que dá os simpáticos toques cômicos, quando o piloto tenta disfarçar a flagrante falta de ambientação da deusa com a agitada Londres e o mundo dos humanos.
Quanto aos efeitos da sala de cinema, o 3D ajuda, mas o 4D, proporcionado pelas cadeiras vibratórias, parecia um tanto aleatório e não encaixava bem com as cenas.

 

 

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Corra! (Get Out)

 

Corra! (Get Out), suspense de terror de Jordan Peele, 2017.

ENREDO: Passar o fim de semana na bela e confortável casa dos pais da namorada branca (Allison Williams) não deveria ser nada de mais para Chris (Daniel Kaluuya). Ele é negro, mas os pais dela (Catherine Keener e Bradley Whitford) são dois esclarecidos e bem-sucedidos médicos – Rose é psiquiatra e Dean é um neurocirurgião. Mas Chris logo percebe que eles se encaixam no perfil dos brancos que não admitem carregar uma dose de racismo – e Dean é quem fica mais desconfortável (“se pudesse, teria votado em Obama uma terceira vez”). E por que os empregados da casa são dois negros tão calados e submissos, Georgina (Betty Gabriel) com seu sorriso carregado de sofrimento e Walter (Marcus Henderson) com seu mau humor quase eterno?
Apenas por pouco tempo, Alisson consegue segurar as pontas, pois, após uma sessão involuntária de hipnose com Rose para fazê-lo parar de fumar, Chris sente-se mais desconfortável ainda, com lembranças dolorosas aflorando do passado. Com a chegada do agressivo irmão de Allison (Caleb Landry Jones) e dos convidados do fim de semana, Chris já sabe que tem que correr para fora daquele lugar.
Enquanto isso, seu brother Rod Williams (Lil Rel Howery), um escolado agente da TSA (agência de segurança dos transportes americana) começa a ficar paranoico com a falta de contato de Chris e…

Trailer: http://www.imdb.com/title/tt5052448/videoplayer/vi2005186073?ref_=tt_ov_vi


AVALIAÇÃO: A primeira cena tem uma tensão crescente, então vemos o jovem casal amoroso e pouco depois recomeça o clima de tensão, chegando a um suspense psicológico assustador, com uma surpresa reservada para o final, mas é justamente aí que, ao seguir os passos do recente “A Cura”, o filme quebra o encanto. Para que ninguém reclame da falta de aviso, o trailer já anuncia que virá uma boa dose de violência. Somando e subtraindo, vale pelo suspense bem forte de boa parte do filme, pelo assustador sorriso de Betty Gabriel e pelas cenas do engraçado e esperto Rod Williams (Lil Rel Howery). E, claro, pela crítica ao racismo.

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O Dia do Atentado (Patriots Day)

O Dia do Atentado (Patriots Day), suspense dramático e histórico dirigido e corroteirizado por Peter Berg, 2016.

ENREDO: 15 de abril de 2013. Duas explosões quase simultâneas matam, mutilam e ferem centenas de pessoas que assistem à chegada dos corredores na tradicional Maratona de Boston. A análise dos restos da explosão permite concluir que se tratava de duas bombas caseiras e, a partir de então, o FBI assume o caso. Porém, as pistas que levam aos autores são tênues, pois as imagens das câmeras de segurança do entorno não são muito nítidas ou conclusivas. Mas finalmente se têm dois suspeitos, os irmãos de origem chechena Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev (Themo Melikidze e Alex Wolff), e a caçada se inicia. E ela deve ser concluída rapidamente, pois os irmãos estão de posse de material para mais bombas.

Trailer: http://www.imdb.com/title/tt4572514/videoplayer/vi3173430809?ref_=tt_ov_vi

AVALIAÇÃO: O policial protagonista e sua esposa (papeis de Mark Wahlberg e Michelle Monaghan) são personagens fictícios, mas o personagem de Wahlberg talvez até ajude a dar uma liga para os eventos que se desenrolam. Já os outros personagens responsáveis pelas investigações e perseguição aos terroristas, representados por Kevin Bacon, John Goodman e J. K. Simmons são reais e aparecem em depoimentos ao final do filme, assim como várias das vítimas também representadas na trama.
Quase em estilo documentário, o filme mostra a preparação do atentado, o drama das vítimas, as famílias separadas em hospitais diferentes e sem informações um do outro e, depois, a perseguição aos terroristas, que tinham planos e material para novos ataques. Nesse meio tempo, há sempre o conflito de posições entre governador, prefeito e organismos como a polícia de Boston e o FBI a respeito do caminho a seguir e das decisões a tomar, tais como revelar ou não os nomes dos suspeitos antes de obter provas mais concretas (para evitar criar uma paranoia anti-islâmica ou atrapalhar a investigação ainda incipiente).
Apesar de o trailer parecer prenunciar mais um filme com algum exagero patriótico e de uma fala dispensável sobre amor ao próximo que não encaixa com o personagem de Mark Wahlberg, o filme é um ótimo suspense e uma boa história de superação e união.

 

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O Bom Vizinho (The Good Neighbor)

O Bom Vizinho (The Good Neighbor), suspense dramático e criminal de Kasra Farahani, 2016.

ENREDO: Um crime está sendo levado ao tribunal. É o resultado da experiência de dois adolescentes (Logan Miller e Keir Gilchrist) em cima do vizinho de um deles, um viúvo recluso e antipático de um deles (James Caan, de O Poderoso Chefão e Uma Ponte Longe Demais). O mote da experiência: “Com a execução apropriada, um indivíduo qualquer pode ser levado a acreditar que está sendo assombrado.”. E assim, eles aproveitam as brechas possíveis e vão equipando a casa do vizinho com escutas, câmeras e acionadores remotos de luzes, portas e janelas. Mas a “vítima” parece não querer denunciar que algo está acontecendo em sua casa. Não pede ajuda, continua antipático com os vizinhos e não demonstra medo. E parece ter algo a esconder no porão, que mantém trancado. Pior ainda, para desespero da dupla, ele parece começar a espionar os que o estão espionando…

Trailer: http://www.imdb.com/title/tt2262315/videoplayer/vi3646928665?ref_=tt_ov_vi

AVALIAÇÃO: No começo, o filme parece um suspense banal com adolescentes e suas experiências potencialmente perigosas. Mas, lá para o fim (pena que só então), o clima do filme vai se modificando e vem a boa surpresa, uma boa sacada, que faz com que tudo tenha sentido e o filme perca a mediocridade que aparentava ter.

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Uma Forma de Assassinato (A Kind of Murder)

Uma Forma de Assassinato (A Kind of Murder), suspense dramático e criminal de Andy Goddard, 2016.


ENREDO: Walter Stackhouse (Patrick Wilson) é um bem-sucedido arquiteto, casado com Clara, uma igualmente bem-sucedida corretora de imóveis (Jessica Biel). Mas, por trás dessa fachada de casal perfeito, vemos uma Clara que já flertou com o suicídio por algumas vezes e um Patrick que, já desejoso do divórcio, agora tem um caso com a bela Ellie Briess (Haley Bennett). Quando Clara é encontrada morta debaixo de uma ponte, as pistas indicam suicídio. Mas o desconfiado detetive Corby (Vincent Kartheiser) está investigando um assassinato recente no mesmo local… e a suspeita maior recai sobre o marido (Eddie Marsan) da vítima – e Corby descobre que Walter estava extremamente interessado nas investigações desse crime. Para copiá-lo? Ou apenas o interesse de um arquiteto desejoso de finalmente conseguir escrever seu suspense criminal?

Trailer: http://www.imdb.com/video/imdb/vi3201349145?playlistId=tt2726552&ref_=tt_ov_vi

AVALIAÇÃO: Mais um suspense baseado em Patricia Highsmith (autora de O Talentoso Mr. Ripley), também ambientado no final dos anos 50. A ideia é boa, mas dessa vez, saiu algo fraco, que não prende e que tem um final decepcionante. Culpa do filme ou do livro?

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Stefan Zweig – Adeus, Europa (Stefan Zweig: Farewell to Europe)

Stefan Zweig – Adeus, Europa (Stefan Zweig: Farewell to Europe), drama biográfico e histórico de Maria Schrader, 2016.  

ENREDO: 1936. Num congresso de escritores em Buenos Aires, o escritor austríaco Stefan Zweig (Joseph Hader), um dos mais lidos do mundo entre os anos 20 e 40 e, junto de Thomas Mann, o mais famoso da língua alemã no período, é instado a tomar posição política contra a ditadura nazista. Apesar de judeu e perseguido pelo regime, ele ainda hesita, mas logo ele e a jovem secretária e esposa Lotte (Aenne Schwarz) serão obrigados a deixar em definitivo a terra natal, passando por Paris, Londres e, com o avanço do nazismo na Europa, para Nova York, onde vivem por um tempo ao lado Friderike Zweig (Barbara Sukowa), sua ex-esposa (que, assim como as filhas dela e muitos outros, Stefan havia ajudado a fugir do nazismo). Para a asma de Lotte, contudo, o clima de Petrópolis, cidade que haviam conhecido em passagem pelo Brasil, seria mais conveniente e, como a ditadura Vargas ainda não houvesse fechado as portas aos judeus, eles lá se estabelecem, ao lado de outros exilados.
Apesar da paixão profunda pelo país, pela simpatia de seu povo e por sua miscigenação racial, a chegada dos 60 anos, a expansão do regime nazista e a possibilidade cada vez mais concreta de ele alcançar o Brasil aprofundam a desilusão do escritor: “o mundo de minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído”. Ele esperava por “uma Europa livre, por um dia em que passaportes e fronteiras se extinguirão”, mas impaciente pela “ aurora desta longa noite”, duvidava que estivesse vivo para vivenciar isto.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=qbhej5oYS7Q

AVALIAÇÃO: Autor do livro que inspirou o simpático filme O Grande Hotel Budapeste e de Brasil, um país do futuro (“se o Paraíso existe em algum lado do planeta, não poderia estar longe daqui”), amigo de Sigmund Freud e de Albert Einstein, Zweig é interpretado de forma envolvente neste belo filme por Joseph Hader, que sinaliza com perfeição a mudança de perspectiva do escritor em relação ao mundo que o cerca, passando do olhar apaixonado pelo país que o acolheu ao olhar vazio de quem já não vê esperanças num mundo tomado pela guerra e pela barbárie nazista.

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